De Niamey a Cotonou, os gestos de apaziguamento têm-se multiplicado nas últimas semanas. O encontro entre Romuald Wadagni e Abdourahamane Tiani resultou em dois avanços simbólicos: o lançamento de um processo destinado a conduzir à reabertura da fronteira entre os dois países e a aceitação, por parte do chefe de Estado nigerino, de um convite para realizar uma visita oficial ao Benim.
Quase três anos após a rutura provocada pelo golpe de Estado de julho de 2023 no Níger, o Benim e o Níger deram mais um passo rumo à normalização das suas relações. Reunidos em Niamey na segunda-feira, 2 de junho, os presidentes Romuald Wadagni e Abdourahamane Tiani anunciaram a criação de um mecanismo encarregado de preparar a reabertura da fronteira entre os dois países.
Esta decisão figura entre os principais resultados da visita oficial efetuada pelo chefe de Estado beninense ao Níger, a convite do seu homólogo nigerino. No comunicado conjunto publicado no final das conversações, os dois dirigentes reafirmaram a sua vontade de reforçar as relações bilaterais e de resolver os diferendos que dificultam a cooperação entre os seus países.
«Os dois presidentes expressaram o seu compromisso de trabalhar para a eliminação de todos os obstáculos ao reforço da cooperação entre os dois países, nomeadamente a reabertura da fronteira Benim-Níger», indica o documento.
Para concretizar este objetivo, as duas partes decidiram criar uma comissão de peritos encarregada de identificar os bloqueios ainda existentes e de propor soluções. Este grupo dispõe de um prazo de quinze dias para apresentar as suas recomendações aos dois chefes de Estado.
Uma fronteira encerrada desde a crise de 2023
O encerramento da fronteira entre os dois países é uma das consequências mais visíveis da crise diplomática desencadeada pela destituição do presidente Mohamed Bazoum em julho de 2023.
Na altura, o Benim aplicou as sanções decididas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) contra as novas autoridades nigerinas. Niamey denunciou então a atitude do seu vizinho e manteve encerrada a sua fronteira com o Benim, apesar do levantamento posterior das sanções regionais.
Esta situação afetou as trocas comerciais entre os dois países e perturbou a atividade num dos principais corredores de trânsito da sub-região. O Níger depende fortemente dos portos dos países costeiros para o seu abastecimento, enquanto o corredor beninense constitui historicamente uma das suas principais portas de acesso aos mercados internacionais.
A crise teve igualmente repercussões no projeto do oleoduto Níger-Benim, destinado à exportação de petróleo bruto nigerino para o terminal marítimo de Sèmè-Podji. Embora as exportações tenham acabado por arrancar, as tensões diplomáticas pesaram durante muito tempo nas relações entre os dois países vizinhos.
Um aquecimento diplomático que se confirma
O anúncio feito em Niamey insere-se numa dinâmica de aproximação iniciada nos últimos meses. Durante a sua tomada de posse, em abril passado, Romuald Wadagni já tinha enviado vários sinais aos países da Aliança dos Estados do Sahel (AES), ao receber representantes do Mali, do Burkina Faso e do Níger.
Desde que assumiu funções, o presidente beninense tem multiplicado as iniciativas destinadas a restabelecer o diálogo com os vizinhos sahelianos do Benim. A sua visita ao Níger constitui a etapa mais significativa desta estratégia.
As conversações entre os dois chefes de Estado incidiram igualmente sobre questões de segurança. Perante o avanço dos grupos armados na região, os dois dirigentes reafirmaram a sua vontade de unir esforços contra o terrorismo e o banditismo transfronteiriço, considerados ameaças comuns à estabilidade e ao desenvolvimento dos seus países.
Uma visita de Tiani aguardada em Cotonou
Outro sinal forte resultante deste encontro foi a aceitação, por Abdourahamane Tiani, do convite do seu homólogo beninense para efetuar uma visita oficial ao Benim. A data desta deslocação será fixada por via diplomática.
Caso se concretize, esta visita constituirá mais uma etapa no aquecimento das relações entre Niamey e Cotonou. Poderá igualmente abrir caminho a um relançamento mais amplo da cooperação bilateral entre os dois países, cujas economias continuam estreitamente ligadas, apesar das tensões dos últimos anos.
Moutiou Adjibi Nourou













Dakar, Senegal