O panorama cultural gabonês prepara-se para acolher um novo espaço dedicado à valorização das artes modernas e antigas. Este projeto conta nomeadamente com o apoio da Comilog, o principal produtor de manganês do país, que assume o papel de mecenas nesta iniciativa cultural.
O país do “arco-íris verde” continua a desenvolver um setor cultural competitivo, com a inauguração iminente do Museu das Artes Modernas e Antigas (MAMA). Este espaço cultural deverá ser aberto ao público em 2026, na Baía dos Reis, novo bairro e montra moderna do desenvolvimento urbano de Libreville, segundo uma notícia divulgada pela imprensa local.
O MAMA irá expor cerca de uma centena de obras de arte antiga e moderna da África Subsariana, destacando máscaras, estatuetas, objetos rituais e património cultural. Por detrás desta ambição de valorização do património artístico africano estão dois atores principais: o Ministério gabonês da Cultura e, sobretudo, a Companhia Mineira do Ogooué (Comilog), que iniciou desde 2024 uma colaboração para concretizar este projeto.
Comilog, do manganês ao mecenato cultural
Esta empresa gabonesa sediada em Moanda é especializada na extração e transformação de manganês. Filial do grupo francês Eramet, é atualmente o maior produtor mundial de minério de manganês de alta qualidade, com 7,1 milhões de toneladas produzidas em 2025, segundo o seu relatório de atividade. A empresa tem igualmente desenvolvido iniciativas nos domínios da cultura, do desporto e do desenvolvimento sustentável.
A partir de 2023, o líder gabonês do manganês envolveu-se na criação de uma academia de futebol em Moanda, destinada à formação de jovens em regime de desporto e educação. Mas é através da Fundação Comilog para a Arte e Cultura que a instituição reforça as suas ambições.
“Somos proprietários de alguns objetos e vamos utilizar este espaço para realizar exposições e partilhá-las com toda a população gabonesa. Temos, portanto, a intenção de criar um espaço museológico com diferentes orientações. Trata-se de retirar as coleções de objetos de arte, obras contemporâneas e permitir que artistas — pintores, escultores e fotógrafos — tenham um espaço dedicado para se expressarem”, declarou Léod Paul Batolo, administrador-diretor-geral da Comilog, durante uma visita ao Museu Nacional em Libreville.
O projeto MAMA, apoiado pela Comilog, ilustra o encontro entre o desenvolvimento mineiro e a ambição cultural, ao valorizar o património artístico gabonês e subsaariano. Este museu em construção pretende aumentar o reconhecimento internacional da arte gabonesa e subsaariana, ainda pouco representada nos grandes circuitos contemporâneos.
Uma dinâmica de reabilitação das instituições museológicas
A construção do MAMA insere-se numa dinâmica mais ampla de reabilitação das instituições museológicas.
O Museu Nacional das Artes, Ritos e Tradições do Gabão foi inaugurado em 1963 e conserva cerca de 2 500 objetos etnográficos. A sua última grande reabilitação ocorreu em fevereiro de 2019, com a sua transferência para o antigo edifício da Embaixada dos Estados Unidos em Libreville, totalmente modernizado para acolher obras de grande valor.
Recorde-se que uma obra dedicada às coleções do MAMA está atualmente em preparação e será publicada aquando da abertura oficial. Resta saber se o futuro museu conseguirá dar à cena artística gabonesa a visibilidade internacional que ainda lhe falta nos grandes circuitos da arte contemporânea.
Ubrick F. Quenum













Dakar, Senegal