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Departamento no centro da ação governamental na Costa do Marfim, o Ministério da Economia, das Finanças e do Orçamento prepara a estratégia orçamental para 2027-2029, com enfoque no desempenho, nas reformas e na mobilização de recursos.

Na segunda-feira, 23 de março, o Ministério marfinense da Economia e das Finanças apresentou as oito prioridades que irão estruturar a sua ação para o período 2027-2029.

Este anúncio foi feito na abertura de um ateliê dedicado à validação da componente narrativa do Documento de Programação Plurianual das Despesas – Projeto Anual de Desempenho (DPPD-PAP) e do Relatório Anual de Desempenho (RAP). Estas duas ferramentas-chave de gestão orçamental permitem alocar os recursos de forma eficiente e avaliar a gestão dos programas em função dos compromissos financeiros.

Oito prioridades para consolidar o desempenho orçamental

Entre as prioridades destaca-se a conclusão do programa económico e financeiro 2023-2026, acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), na continuidade dos programas anteriores implementados desde 2012. A isto juntam-se a manutenção de um quadro macroeconómico estável e o reforço da mobilização de recursos internos para financiar as políticas públicas.

O ministério pretende igualmente acelerar as reformas das finanças públicas e do setor financeiro, preparando ao mesmo tempo, dentro dos prazos, o anteprojeto da Lei do Orçamento para 2027. Outro desafio importante é a saída da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira (GAFI), na qual a Costa do Marfim ainda se encontra. O reforço do diálogo com o setor privado completa esta folha de rota.

« A condução eficaz das missões do nosso ministério dependerá em grande medida da qualidade e do conteúdo do DPPD-PAP que será elaborado », afirmou Dely Soumahoro, conselheiro técnico do ministro da Economia, das Finanças e do Orçamento.

Esta estratégia insere-se num contexto de crescimento económico dinâmico. A Costa do Marfim continua a registar um crescimento sustentado, estimado em 6,2% em 2025, segundo o Banco Mundial, e em 6,4% a médio prazo, impulsionado pelo dinamismo dos investimentos públicos e privados. Neste contexto, as autoridades validaram novas orientações orçamentais e de desenvolvimento.

Do ponto de vista orçamental, a Lei do Orçamento de 2026 prevê um aumento das despesas públicas, particularmente direcionadas para as infraestruturas, os setores sociais e a transformação industrial. Assim, o orçamento de 2026 está fixado em 17.350,2 mil milhões de FCFA (30,6 mil milhões de dólares), face a 15.339,1 mil milhões de FCFA em 2025. Estrutura-se em torno de 29 dotações e 158 programas, dos quais 39 pertencem às contas especiais do Tesouro (CST).

Estas orientações estão alinhadas com os objetivos do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2021-2025, que dá ênfase à industrialização, ao desenvolvimento do capital humano, à modernização das infraestruturas e ao reforço da governação.

Carelle Yourann (estagiária)

 

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Através desta parceria, os dois países reforçam a sua cooperação económica e social bilateral. Os projetos previstos visam a educação, a segurança e as tecnologias.

A Tanzânia e a Áustria acordaram implementar projetos estratégicos no valor de 30 milhões de euros (34,8 milhões de dólares), com o objetivo de reforçar a sua cooperação em matéria de desenvolvimento.

O anúncio foi feito pelo vice-ministro das Finanças da Tanzânia, Mshamu Munde, na segunda-feira, 23 de março, após uma reunião com uma delegação austríaca liderada pela vice-ministra dos Assuntos Europeus e Internacionais, Hannah Liko.

Os projetos distribuem-se principalmente pelos setores da educação, da segurança e da tecnologia. O ministro explicou que a Áustria financia projetos-chave através de empréstimos em condições favoráveis, que contribuem diretamente para melhorar o bem-estar dos cidadãos, nomeadamente a renovação e instalação de sistemas modernos no Instituto de Ciência e Tecnologia de Karume (KIST), bem como o reforço do sistema educativo em Zanzibar.

Durante os encontros, ambas as partes abordaram a implementação da Estratégia Austríaca para África (2026–2029), que prevê o reforço da paz e da segurança, a promoção de uma economia verde, uma melhor gestão das migrações irregulares, ao mesmo tempo que desenvolve sistemas de migração legal e eficaz, e o incentivo aos avanços nos domínios da ciência e da educação.

A Tanzânia convidou igualmente a Áustria a aumentar os seus investimentos no âmbito da Visão 2050, que pretende transformar a Tanzânia numa economia industrial de elevado rendimento, com um PIB estimado em cerca de 1000 mil milhões de dólares americanos. A agricultura, o turismo, a indústria, a exploração mineira e a economia azul são identificados como motores essenciais desta transformação económica.

Um crescimento que atrai investidores

Nos últimos anos, a Tanzânia conseguiu manter a estabilidade macroeconómica apesar de choques externos severos. A sua economia manteve-se robusta, com um crescimento estimado em 6% em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), finanças públicas bem controladas e uma inflação moderada, inferior à meta de 5% estabelecida pelo Banco da Tanzânia.

De acordo com o Banco Mundial, graças aos seus vastos recursos naturais e a uma dinâmica demográfica favorável, o país conseguiu sustentar um elevado nível de investimento, um motor essencial do seu crescimento. Beneficiou também de uma melhoria significativa do seu ambiente de negócios, o que impulsionou a entrada de investimentos, em particular de investimento direto estrangeiro (IDE) no desenvolvimento das capacidades de produção.

A Tanzânia e a Áustria mantêm uma parceria sólida e em plena expansão, centrada na diplomacia económica.

Lydie Mobio

 

 

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Os sistemas digitais africanos continuam vulneráveis às ameaças cibernéticas, devido à falta de competências locais, num contexto de adoção acelerada de tecnologias digitais por administrações e empresas.

A África está a estruturar a sua resposta face à crescente ameaça cibernética e à escassez crítica de mão-de-obra qualificada. Nesse âmbito, a International Cybersecurity Community for Africa (ICCA), uma plataforma panafricana de cibersegurança, foi lançada na sexta-feira, 20 de março, em Kigali, no Ruanda. Este novo organismo visa reunir os especialistas do continente e reforçar as capacidades operacionais regionais.

O dispositivo posiciona-se como um quadro de cooperação dedicado à partilha de informações sobre riscos digitais, à aprendizagem e ao aperfeiçoamento de talentos. A sua implementação ocorre num momento em que os ataques informáticos se intensificam. Segundo os indicadores apresentados na inauguração, as organizações africanas sofrem, em média, cerca de 1 848 ataques semanais.

Para responder a esta pressão, a ICCA ambiciona formar um milhão de especialistas até 2030, um desafio considerável, dado que o continente conta atualmente com apenas 300 000 profissionais, enquanto a procura continua a crescer.

Para apoiar este objetivo, foram apresentados dois instrumentos tecnológicos. O primeiro, Umurinzi Cyber Threat Intelligence, permite identificar credenciais comprometidas na dark web e alertar as entidades visadas. O segundo é um sistema de formação prática do tipo Capture the Flag (CTF), que oferece simulações de ataques para reforçar a experiência técnica, a custos controlados e num ambiente adaptado às realidades locais.

Apoiada pelas autoridades ruandesas e por parceiros internacionais, esta iniciativa integra-se numa estratégia global de valorização do capital humano e de proteção das infraestruturas críticas. Através deste projeto, os promotores pretendem fomentar a emergência de um ecossistema digital integrado, capaz de enfrentar os desafios da transição digital.

No seu plano de ação, a ICCA prevê expandir as suas atividades para cerca de quinze países até 2027 e implementar programas de certificação. A longo prazo, a instituição pretende lançar um índice africano de resiliência cibernética, de modo a medir o grau de preparação dos Estados face à cibercriminalidade.

Samira Njoya

 

 

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Fragilizada pelos ataques repetidos às suas infraestruturas energéticas, a Ucrânia está a redefinir a sua estratégia de gás para se adaptar a um contexto duradouramente constrangido.

Após conversações realizadas segunda-feira, 23 de março, entre o presidente Volodymyr Zelensky e o seu homólogo Daniel Chapo, a Ucrânia estuda a possibilidade de importar gás natural liquefeito (GNL) de Moçambique. O projeto seria baseado numa lógica de benefício mútuo: Kiev procura garantir novos fornecimentos energéticos, enquanto Maputo poderia receber apoio ucraniano nas áreas de segurança e tecnologia.

Esta iniciativa ocorre num contexto em que o norte de Moçambique, que concentra a maior parte dos recursos gasíferos do país, continua afetado por uma insurgência islâmica.

Sistema gasífero ucraniano debilitado

O plano surge também num ambiente de grande degradação do sistema gasífero ucraniano. Segundo a Naftogaz, as infraestruturas da empresa pública sofreram mais de 1.700 ataques russos desde 2022, afetando diretamente a produção nacional, que caiu para cerca de metade da capacidade.

Antes do conflito, a Ucrânia supria a maior parte do consumo com produção interna. A redução destas capacidades obrigou o país a aumentar as importações, sobretudo durante os picos de procura no inverno. Nesse sentido, a Ucrânia já diversificou as fontes, desenvolvendo importações de GNL, principalmente provenientes dos United States.

Diversificação energética com Moçambique

Moçambique surge como uma opção complementar, dispondo de importantes recursos gasíferos explorados pelo projeto Mozambique LNG, com capacidade prevista de 13 milhões de toneladas de GNL por ano, reforçando o papel do país no mercado global de gás.

No entanto, a opção enfrenta riscos de segurança. A província de Cabo Delgado, onde se situa o projeto, permanece frágil apesar da melhoria associada ao envio de forças ruandesas. A retirada destas tropas, devido à falta de financiamento sustentável da European Union, gera incerteza quanto à estabilidade da região.

Obstáculos jurídicos e financeiros também pesam sobre o projeto. A TotalEnergies enfrenta processos em França relacionados com operações de segurança em 2021, o que limita alguns financiamentos. O custo do projeto aumentou para 24,5 bilhões de dólares, frente aos 20 bilhões iniciais, embora a TotalEnergies mantenha a meta de produção para 2029.

Apesar destes desafios, grande parte do financiamento está assegurada e quase todo o volume futuro já está contratualizado, principalmente para a Ásia e a Europa. As discussões entre Kiev e Maputo permanecem preliminares, sem volumes nem calendário definidos, mas refletem um interesse mútuo entre segurança energética para a Ucrânia e valorização dos recursos para Moçambique.

Olivier de Souza

 

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Este pacote «Team Europe» financiará os setores digital, da saúde, da agricultura e da gestão das migrações, ao mesmo tempo que reforça a parceria estratégica. No total, os financiamentos mobilizados na Nigéria atingem 962,5 milhões de euros (1.114,6 milhões de dólares) desde 2025.

A União Europeia (UE) anunciou, na segunda-feira, 23 de março, um novo pacote de investimentos de 290 milhões de euros (336 milhões de dólares) a favor da Nigéria, no âmbito da iniciativa «Team Europe». O anúncio foi feito à margem do 8.º diálogo ministerial UE–Nigéria, realizado em Abuja.

Este programa, integrado na estratégia «Global Gateway», prevê o financiamento de sete projetos que abrangem setores considerados prioritários.

Uma repartição setorial direcionada

Em detalhe, 131 milhões de euros serão destinados ao desenvolvimento do setor digital, nomeadamente para melhorar a conectividade e reforçar as competências. O setor da saúde receberá 55 milhões de euros para apoiar a produção local de medicamentos e vacinas.

Além disso, 86 milhões de euros serão alocados ao desenvolvimento das cadeias de valor agrícolas, em particular nos setores do cacau e do leite, enquanto 16 milhões de euros serão dedicados à gestão das migrações, incluindo a reintegração de migrantes e o combate às redes de tráfico de seres humanos.

O comissário europeu para as Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, sublinhou que «estes investimentos no âmbito da iniciativa “Global Gateway” permitem criar novas infraestruturas de qualidade, empregos sustentáveis e oportunidades económicas a longo prazo que beneficiam a população nigeriana, ao mesmo tempo que abrem novas perspetivas para a Europa».

Considerada um ator central em África, devido ao seu peso demográfico e económico, a Nigéria beneficia do apoio da UE em vários domínios estratégicos. Para Abuja, esta parceria constitui uma alavanca para diversificar a economia para além do petróleo e reforçar o emprego jovem.

Um parceiro comercial de referência

A UE continua a ser o principal parceiro comercial multilateral da Nigéria. O país registou um excedente comercial de 9,6 mil milhões de euros em 2024, contra 5,2 mil milhões de euros no ano anterior.

Com este novo pacote, o volume total de financiamentos mobilizados pela iniciativa «Team Europe» na Nigéria atinge cerca de 962,5 milhões de euros desde 2025, incluindo projetos nos transportes, energias renováveis, governação democrática e combate às violências baseadas no género.

Charlène N’dimon

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Face a um défice energético que ainda afeta cerca de metade da sua população, a CEDEAO recorre à China para acelerar o financiamento de projetos estimados em mais de 36 mil milhões de dólares.

A CEDEAO iniciou discussões com a Energy China International (CEEC), na segunda-feira, 16 de março de 2026, em Abuja, com o objetivo de explorar vias de colaboração no desenvolvimento de infraestruturas elétricas na África Ocidental.

O encontro, que contou também com a participação de representantes do West African Power Pool (WAPP), permitiu analisar vários portfólios de projetos, as capacidades técnicas da empresa chinesa, bem como os mecanismos de financiamento para acelerar a implementação de infraestruturas energéticas regionais.

Entre os projetos abordados figuram iniciativas estruturantes de interligação elétrica entre vários Estados-membros, incluindo a Costa do Marfim, o Gana, a Nigéria e o Senegal. Estes projetos inserem-se no plano diretor energético regional (2019–2033), que prevê a execução de 75 projetos prioritários, com um custo total estimado em 36,39 mil milhões de dólares.

As discussões incidiram igualmente sobre as oportunidades de financiamento associadas a estes projetos. A CEDEAO procura atrair mais investidores para colmatar o défice de infraestruturas. Estas iniciativas visam partilhar as capacidades de produção e melhorar a estabilidade do fornecimento de eletricidade na região.

Um setor energético sob pressão

A África Ocidental continua a enfrentar um défice energético significativo. A capacidade instalada (26 GW em 2020, segundo a IRENA) permanece insuficiente para uma população estimada em 401,9 milhões de habitantes, grande parte da qual concentrada na Nigéria.

As disparidades entre países continuam acentuadas. Em 2023, a taxa média de acesso à eletricidade nos países da CEDEAO situava-se em 61,6 %, mas descia para 32,1 % nos Estados da Aliança dos Estados do Sahel, nomeadamente Burkina Faso, Mali e Níger.

Apesar dos progressos registados nos últimos anos, a eletricidade disponível continua pouco fiável. As redes de transporte e distribuição permanecem pouco desenvolvidas, enquanto as capacidades de produção ficam aquém da procura crescente, impulsionada pela urbanização e pelo crescimento demográfico.

As interrupções frequentes, os elevados custos de produção e a dependência de energias fósseis fragilizam igualmente as economias da região. Neste contexto, os projetos de interligação promovidos pelo WAPP surgem como soluções estruturantes para otimizar a utilização dos recursos disponíveis e promover a integração regional.

A China, um parceiro-chave no financiamento de infraestruturas na África Ocidental

A aproximação à Energy China International (CEEC) insere-se numa dinâmica mais ampla de cooperação entre a CEDEAO e a China. Nas últimas duas décadas, Pequim afirmou-se como um parceiro central no desenvolvimento de infraestruturas na África Ocidental.

O comércio entre a China e África atingiu 348 mil milhões de dólares em 2025, um aumento de 17,7 % em relação a 2024. Este crescimento foi amplamente impulsionado pelas exportações chinesas, que ultrapassaram os 225 mil milhões de dólares, face a 123 mil milhões de dólares de importações africanas.

De acordo com o Boletim Económico China-África 2024, produzido pelo Global Development Policy Center, entre 2000 e 2022, os credores chineses concederam cerca de 170,08 mil milhões de dólares em empréstimos aos Estados africanos, principalmente através do Banco de Exportação e Importação da China e do Banco de Desenvolvimento da China, tornando a China o principal credor bilateral do continente. No mesmo período, as empresas chinesas anunciaram 112,34 mil milhões de dólares em investimento direto estrangeiro em novos projetos e realizaram 24,60 mil milhões de dólares em investimentos através de fusões e aquisições em África.

Ainda segundo o Global Development Policy Center, cerca de 34 % dos empréstimos concedidos ao continente foram direcionados para o setor da energia (ou seja, 52,4 mil milhões de dólares), maioritariamente para energias fósseis (51 %), enquanto as energias renováveis representaram apenas 2 % dos financiamentos.

Neste contexto, vários países da África Ocidental tornaram-se parceiros privilegiados da China, com os quais esta tem intensificado os seus investimentos. O país asiático pretende tirar partido desta posição para reforçar a sua presença no setor das infraestruturas.

Carelle Yourann (estagiária)

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Os sistemas digitais africanos continuam vulneráveis às ciberameaças, devido à falta de competências locais, num contexto de adoção acelerada das tecnologias digitais por parte das administrações e empresas.

África está a estruturar a sua resposta face à explosão das ciberameaças e à escassez crítica de mão de obra qualificada. Neste contexto, a International Cybersecurity Community for Africa (ICCA), uma plataforma pan-africana de cibersegurança, foi lançada na sexta-feira, 20 de março, em Kigali, no Ruanda. Este novo organismo visa reunir os especialistas do continente e reforçar as capacidades operacionais regionais.

O dispositivo posiciona-se como um quadro de cooperação dedicado à partilha de informações sobre riscos digitais, à aprendizagem e ao aperfeiçoamento de talentos. A sua implementação ocorre num momento em que os ataques informáticos se intensificam. Segundo indicadores divulgados durante a inauguração, as organizações africanas sofrem, em média, cerca de 1.848 ataques por semana.

Para responder a esta pressão, a ICCA pretende formar um milhão de especialistas até 2030, um desafio significativo, tendo em conta que o continente conta atualmente com apenas 300.000 profissionais para uma procura em rápida expansão.

Para apoiar este objetivo, foram apresentados dois instrumentos tecnológicos. O primeiro, Umurinzi Cyber Threat Intelligence, permite identificar credenciais comprometidas na dark web e alertar as entidades visadas. O segundo é um sistema de formação prática do tipo Capture the Flag (CTF), que propõe simulações de ataques para reforçar a especialização técnica a custos controlados e num ambiente adaptado às realidades locais.

Apoiada pelas autoridades ruandesas e por parceiros internacionais, esta iniciativa insere-se numa estratégia global de valorização do capital humano e de proteção das infraestruturas críticas. Através deste projeto, os promotores pretendem fomentar o surgimento de um ecossistema digital integrado, capaz de enfrentar os desafios da transição digital.

No seu roteiro, a ICCA prevê alargar as suas atividades a cerca de quinze países até 2027 e implementar programas de certificação. A longo prazo, a instituição planeia lançar um índice africano de resiliência cibernética para medir o grau de preparação dos Estados face à cibercriminalidade.

Samira Njoya

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Em 2023, o Chade fazia parte dos países que manifestaram a intenção de fornecer forças militares e policiais no âmbito de uma missão de segurança no Haiti. O destacamento deveria ocorrer após um período de formação.

O Chade prevê enviar 800 polícias e gendarmes para o Haiti para participar numa força internacional destinada a apoiar a polícia haitiana no combate aos gangues armados, informou a agência Reuters na sexta-feira, 20 de março, citando um alto responsável da polícia chadiana.

Foram fornecidos poucos detalhes. No entanto, segundo as informações disponíveis, os agentes deverão chegar ao Haiti em junho, após terem recebido formação ministrada por «parceiros europeus e americanos».

Este anúncio surge após o regresso, a 17 de março, de 215 polícias quenianos, que constituíam o segundo contingente da Missão Multinacional de Apoio à Segurança (MSS) no Haiti. De acordo com o Ministério do Interior e da Administração Nacional do Quénia, a missão entrou agora numa fase de transição e de retirada progressiva, prevendo o regresso de um número crescente de agentes.

«Estes polícias faziam parte do destacamento de 2023 destinado a apoiar os esforços de estabilização no Haiti e a ajudar a Polícia Nacional Haitiana a restabelecer a ordem pública nas zonas afetadas pela insegurança», indicou o ministério.

Este anúncio insere-se num contexto de agravamento contínuo da situação de segurança no Haiti. Desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021, a crise intensificou-se. O país ficou sem uma liderança política estável, as instituições enfraqueceram e os gangues expandiram o seu controlo sobre grande parte do território. Segundo a ONU, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas e 5,7 milhões enfrentam insegurança alimentar aguda.

Paralelamente, o Chade enfrenta uma situação de segurança frágil, marcada por violência ligada a conflitos regionais, nomeadamente na fronteira com o Sudão. Na quarta-feira, 18 de março, o país anunciou um ataque com drones que causou a morte de pelo menos 17 civis e vários feridos. As autoridades chadianas também fecharam a fronteira com o Sudão em fevereiro de 2026, alegando «incursões repetidas e violações cometidas por forças em conflito no Sudão em território chadiano».

Lydie Mobio

 

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Impulsionadas pelas tensões geopolíticas, pelas perturbações nas rotas marítimas e pela subida dos preços do petróleo, a volatilidade dos mercados e as restrições de abastecimento intensificam-se, levando vários países africanos a explorar alternativas.

Países como o Gana, a África do Sul e o Quénia estão agora a voltar-se para a refinaria do grupo Dangote, na Nigéria, para garantir o seu abastecimento de combustíveis, segundo o jornal nigeriano The Nation, que cita fontes próximas do processo.

Esta reorientação ocorre num contexto em que o barril de Brent ultrapassou os 100 dólares, atingindo picos em torno dos 120 dólares nos últimos dias, impulsionado pela escalada das tensões entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. As perturbações no estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o transporte mundial de petróleo, agravam as limitações da oferta no mercado.

Entrando em produção em 2024 após vários atrasos e um investimento significativo, a refinaria com capacidade de 650 mil barris por dia afirma-se como uma alternativa para países africanos historicamente dependentes das importações de produtos refinados provenientes do Médio Oriente. Vários Estados iniciaram negociações para contratos de fornecimento a médio prazo, com o objetivo de garantir volumes num contexto de incerteza.

No entanto, cerca de três quartos da produção da refinaria destinam-se ao mercado interno nigeriano, o que limita os volumes disponíveis para exportação. Apesar desta restrição, a procura regional continua a crescer, impulsionada pela necessidade de fontes de abastecimento mais próximas.

Uma dependência posta à prova pela crise energética

Esta dinâmica reflete uma vulnerabilidade estrutural do continente. Muitos países africanos importam grande parte dos seus produtos refinados, apesar de serem produtores de petróleo bruto, com uma dependência particularmente elevada na África Oriental, onde cerca de 75% das importações provêm do Médio Oriente. A ausência de reservas estratégicas alinhadas com os padrões internacionais aumenta ainda mais a exposição a ruturas no abastecimento.

Neste contexto, o surgimento de capacidades regionais de refinação representa uma resposta parcial aos desafios de dependência logística e comercial. O papel da refinaria de Aliko Dangote ilustra a crescente importância dos atores privados na estruturação da oferta energética no continente. Desde o início da crise, a refinaria tem ajustado os seus preços em função das flutuações internacionais, absorvendo parcialmente os aumentos para limitar o impacto no mercado nigeriano.

A curto prazo, a concorrência entre compradores africanos deverá permanecer elevada para aceder a volumes limitados. A médio prazo, o aumento das capacidades locais poderá reduzir parte da dependência das importações, sem, contudo, eliminar totalmente o défice regional. As estratégias nacionais deverão, assim, continuar a combinar diversificação de fontes, gestão de stocks e acordos bilaterais. A persistência das tensões geopolíticas continuará a ser um fator determinante para a evolução dos fluxos e dos preços, enquanto o desenvolvimento das infraestruturas de refinação em África poderá gradualmente reconfigurar os circuitos de abastecimento no continente.

Paralelamente, alguns Estados terão de reforçar as suas capacidades de armazenamento para aumentar a resiliência face a choques externos e gerir melhor os períodos de tensão.

Olivier de Souza

 

 

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Impulsionado pelo boom das trocas de bens ligados à IA, o comércio mundial cresceu mais do que o previsto em 2025. No entanto, os ventos contrários deverão continuar este ano.

O comércio mundial resistiu bem aos desafios de 2025, mas essa resiliência pode não durar. É essa, em linhas gerais, a principal conclusão do mais recente relatório publicado na quinta-feira, 19 de março, pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo os dados da instituição sediada em Genebra, o volume do comércio mundial de mercadorias aumentou 4,6% em 2025, superando as previsões de outubro, que apontavam para cerca de 2,4%.

«[…] a forte procura por bens ligados à IA — impulsionada por um boom global de investimento neste setor — compensou os efeitos negativos do aumento das tarifas aduaneiras e da crescente incerteza em matéria de política comercial», explica o relatório.

Em detalhe, a OMC indica que as exportações mundiais de mercadorias atingiram 26,26 biliões de dólares em 2025, um aumento de 7% face a 2024.

«O comércio de serviços totalizou 9,56 biliões de dólares, registando um crescimento anual de 8%. No total, o comércio de bens e serviços, em termos de balança de pagamentos, alcançou 34,65 biliões de dólares em 2025, o que representa um aumento de 7% em termos anuais», acrescenta a organização.

Perspetivas sombrias para 2026

Embora em 2025 o crescimento do comércio tenha superado as expectativas, para este ano a OMC não é otimista. Em 2026, prevê um crescimento de apenas 1,9% no volume das trocas comerciais. Este nível, já em desaceleração, poderá ainda diminuir devido ao conflito no Médio Oriente e à recente escalada militar entre o Irão, Israel e os Estados Unidos, que provocou perturbações no comércio no estreito de Ormuz e fez subir os preços do petróleo.

«Se se mantiverem, os preços elevados do petróleo associados ao recente conflito no Médio Oriente poderão reduzir em 0,5 pontos percentuais o crescimento de 1,9% do comércio mundial de mercadorias em 2026», alerta a OMC, acrescentando, contudo: «Por outro lado, o crescimento poderá aumentar em 0,5 pontos percentuais se o dinamismo das trocas de bens ligados à inteligência artificial se mantiver ao nível de 2025. Resta saber qual destes fatores irá prevalecer ao longo do ano».

Além dos bens, a organização estima que o conflito no Médio Oriente poderá também afetar o transporte internacional e o turismo. «Um conflito prolongado poderá manter elevados os custos de transporte e combustível, perturbar rotas marítimas e aéreas essenciais e pesar sobre o turismo regional e a procura global de viagens», detalha o relatório.

Por outro lado, a organização prevê uma recuperação em 2027: «O comércio mundial deverá abrandar em 2026, após um crescimento mais forte do que o esperado no ano anterior. No nosso cenário de referência, o crescimento do volume do comércio de mercadorias passará de 4,6% em 2025 para 1,9% em 2026, antes de subir para 2,6% em 2027. No mesmo cenário, o crescimento do comércio de serviços diminuirá de 5,3% em 2025 para 4,8% em 2026, voltando a aumentar para 5,1% em 2027».

Recorde-se que o comércio mundial de mercadorias é dominado pelos Estados Unidos, China e Alemanha. Os Estados Unidos lideram as importações, com 3 507 mil milhões de dólares em 2025, enquanto a China é o maior exportador mundial, com receitas de cerca de 3 772 mil milhões de dólares. Já a Alemanha ocupa a terceira posição tanto nas importações como nas exportações de mercadorias.

Espoir Olodo

 

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