Há alguns anos, Kinshasa e o Cairo têm vindo a intensificar as suas relações bilaterais. O objetivo é aumentar o volume das suas trocas comerciais, ainda relativamente limitadas.
O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, e o seu homólogo egípcio, Abdel Fattah Al-Sissi, assinaram novos instrumentos de cooperação bilateral. A informação foi divulgada num comunicado publicado pelo Governo congolês na quarta-feira, 10 de junho.
«Trata-se do memorando de entendimento (MoU) sobre consultas políticas e diplomáticas; do Acordo para a criação de um pavilhão de cirurgia cardiovascular no Centro Hospitalar La Renaissance (antigo Hospital Mama Yemo); do memorando de entendimento (MoU) relativo à cooperação bilateral no desenvolvimento urbano e na gestão das cidades; e do protocolo de acordo para o reforço das relações bilaterais de investimento», especifica o comunicado.
Uma cooperação bilateral em plena intensificação
A assinatura teve lugar no âmbito da visita oficial de quarenta e oito horas do Chefe de Estado congolês, a convite do seu homólogo egípcio. Esta visita insere-se na dinâmica de reforço das parcerias da RDC em África. O país procura, de facto, atrair mais investimentos e conhecimento técnico para apoiar as suas ambições de desenvolvimento.
Desde 2019, as relações entre os dois países têm-se intensificado, com uma cooperação alargada a setores como a saúde, as infraestruturas, a energia, a formação técnica e a gestão urbana.
Esta dinâmica foi consolidada em novembro de 2024 com a assinatura de um acordo-quadro de parceria e a criação de um mecanismo que facilita a isenção de vistos para titulares de passaportes diplomáticos e de serviço, marcando uma etapa importante na aproximação bilateral.
No plano económico, Kinshasa e o Cairo procuram igualmente estruturar melhor as suas trocas comerciais. Um memorando de entendimento assinado em maio de 2025 prevê a criação de uma Câmara de Comércio RDC–Egito em Kinshasa, destinada a estimular o investimento e a apoiar as empresas em setores prioritários como as infraestruturas, a agricultura, as tecnologias e a indústria.
Apesar de as trocas comerciais continuarem limitadas, ambas as partes demonstram uma vontade comum de intensificar as suas relações económicas, ilustrada, nomeadamente, pela realização da primeira Semana Económica Egípcia em Kinshasa, em 2024. Para o Egito, esta aproximação faz parte de uma estratégia de expansão diplomática e económica na África Subsaariana.
Em 2024, as exportações egípcias para a RDC ascenderam a 17,1 milhões de dólares, registando uma diminuição e sendo compostas principalmente por produtos industriais. Por sua vez, a RDC exportou 662 milhões de dólares para o Egito, sobretudo cobre e outras matérias-primas minerais, segundo o Observatório da Complexidade Económica (OEC).
Carelle Yourann (estagiária)
“Blackground: murmúrios dos morros” apresenta-se como uma exposição que explora o continuum colonial e as marcas deixadas pela escravatura nos territórios ultramarinos, com obras que procuram ampliar as formas de memória e dar visibilidade aos gestos de resistência.
O CAPC Musée d’art contemporain de Bordeaux prepara-se para acolher “Blackground: murmúrios dos morros”, uma exposição coletiva de grande escala que reúne cerca de cinquenta artistas. O evento decorrerá de 12 de junho de 2026 a 28 de março de 2027, em Bordeaux, com uma inauguração prevista para 11 de junho, oferecendo ao público um amplo panorama da criação contemporânea através de obras e práticas artísticas diversas.
Este encontro artístico mergulha na história dos povos colonizados, procurando reconstituir marcas, vestígios e memórias de um período determinante da história colonial.
“É também reconhecer que o sistema escravocrata implantado a partir do século XVII nestes territórios, associado ao desenvolvimento do chamado tráfico negreiro, deixou marcas profundas nas terras, nos corpos e nas mentes, para além da sua abolição oficial em 1848”, refere a plataforma digital Bordeaux Culture.
As obras apresentadas contribuem para alargar as formas de memória, evidenciar os silêncios da história e dar visibilidade às diferentes formas de resistência. Levam o público aos mornes, refúgios do marronage, onde ecoam gritos e murmúrios, recusando ao mesmo tempo a espetacularização da violência.
“Murmúrios dos morros”: um percurso artístico contra o esquecimento
Será também organizado um percurso inaugural a partir de sábado, 13 de junho, em vários pontos da cidade de Bordeaux, incluindo o Musée d’Aquitaine, que retrata as ligações da cidade com a escravatura. O percurso continuará na Bibliothèque municipale de Mériadeck, no Fonds régional d’art contemporain da região Nouvelle-Aquitaine (Frac MÉCA) e na Fabrique Pola, um importante espaço de criação artística e cultural.
Blackground desenvolve-se através de exposições distribuídas por estes diferentes locais. Cada núcleo é concebido em função do espaço que o acolhe: plantações e monumento no CAPC, reflexão sobre a água no Frac, textos de Condé, Davis e Césaire em Mériadeck, e obras inseridas no percurso do Musée d’Aquitaine. Mais tarde, o artista visual Simon Gabourg desenvolverá, nos Arquivos Metropolitanos de Bordeaux, um projeto sobre a história da borracha entre Guadalupe, França e Vietname.
O papel de Bordeaux no tráfico negreiro
Bordeaux é um dos portos franceses mais marcados pela história do tráfico de escravos e da escravatura, e a cidade assume hoje esse passado através de monumentos, museus e percursos memoriais.
“Hoje assumido, o passado negreiro da cidade de Bordeaux é exposto no espaço público. […] Esta ferramenta disponibilizada a todos testemunha o desenvolvimento da política memorial da cidade, com o objetivo de dar a conhecer melhor a sua história e o seu compromisso na homenagem às vítimas da escravatura e do tráfico negreiro e das suas abolições”, lê-se na plataforma Memória da Escravatura e do Tráfico Negreiro – Bordeaux.
Segundo o mesmo documento, o tráfico negreiro de Bordeaux representa 480 expedições entre 1672 e 1837, conduzidas por cerca de 180 armadores e responsáveis pela deportação de 120 000 a 150 000 pessoas.
Ubrick F. Quenum
Confrontado com a redução da produção de hidrocarbonetos e com o aumento das importações de gás natural, o Egito tem multiplicado, nos últimos dois anos, as medidas destinadas a restaurar a atratividade do seu setor energético e a estimular novos investimentos.
O país anunciou, a 10 de junho, que liquidou integralmente os pagamentos em atraso devidos aos seus parceiros estrangeiros nos setores do petróleo e do gás, reduzindo pela primeira vez em vários anos esta dívida para zero. Segundo as autoridades, esta operação constitui uma etapa decisiva para restaurar a confiança dos investidores, relançar a exploração e apoiar a produção nacional de hidrocarbonetos.
De acordo com o ministro do Petróleo e dos Recursos Minerais, Karim Badawi, o pagamento integral das quantias em dívida abre «um novo capítulo» para o setor. O responsável considera que a eliminação destes atrasos remove um dos principais entraves ao investimento e permitirá acelerar projetos de desenvolvimento e produção.
Dois anos para regularizar a dívida
O anúncio põe fim a um processo de regularização iniciado há quase dois anos. Em 30 de junho de 2024, os montantes em atraso junto das companhias petrolíferas internacionais ascendiam a cerca de 6,1 mil milhões de dólares. Esta situação resultava principalmente da escassez de divisas que afetou a economia egípcia nos últimos anos, limitando a capacidade do Estado para cumprir determinadas obrigações contratuais denominadas em dólares.
À medida que os pagamentos foram sendo efetuados, o Governo conseguiu reduzir progressivamente o montante em dívida. Depois de reembolsar cerca de 5 mil milhões de dólares, o Cairo previa reduzir o saldo remanescente para 1,2 mil milhões de dólares até junho de 2026. Contudo, a melhoria da disponibilidade de moeda estrangeira permitiu acelerar o processo. O valor em dívida caiu para 770 milhões de dólares em abril de 2026, para 440 milhões em maio e foi totalmente liquidado em junho.
Uma dívida que travava o investimento e a produção
Para além do impacto financeiro, os atrasos nos pagamentos começaram a afetar diretamente o funcionamento do setor petrolífero e gasífero. Perante os incumprimentos, várias empresas internacionais reduziram os seus programas de exploração, perfuração e desenvolvimento de novos campos.
Nos últimos anos, a produção petrolífera egípcia, após um longo período de declínio, mostrou sinais de estabilização e de ligeira recuperação no início de 2026, com uma média de cerca de 523.600 barris por dia no primeiro trimestre, impulsionada sobretudo pela recuperação da produção no Golfo de Suez.
Em contrapartida, a produção de gás natural continua a diminuir, atingindo aproximadamente 3,98 mil milhões de pés cúbicos por dia, o nível mais baixo da última década, devido ao declínio dos campos offshore do Mediterrâneo.
Crescente dependência das importações de gás
Esta evolução ocorre num momento em que as necessidades energéticas do país continuam a aumentar. Segundo dados da Enerdata, o gás natural representa cerca de 81% da produção de eletricidade no Egito. Contudo, o consumo interno ultrapassa agora a produção nacional, obrigando o país a aumentar as importações.
Dados da Kpler, citados pela Middle East Economic Survey, indicam que o Egito importou cerca de 8,92 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL) em 2025, um volume recorde que evidencia a pressão crescente sobre o equilíbrio energético nacional.
Recuperar a confiança dos investidores
Para o Governo egípcio, a liquidação total da dívida constitui sobretudo um sinal dirigido aos investidores internacionais. O Ministério do Petróleo considera que a eliminação desta fonte de incerteza favorecerá o regresso dos capitais ao setor da exploração e produção.
Recentemente, as autoridades anunciaram ter assegurado mais de 19 mil milhões de dólares em compromissos de investimento por parte de empresas internacionais para os próximos três anos. Entre os montantes anunciados destacam-se:
Esta estratégia não assenta apenas na regularização das dívidas. Em maio, o Ministério do Petróleo anunciou igualmente a introdução de novos modelos contratuais destinados a reforçar a competitividade e a atratividade do setor.
O desafio dos recursos do Mediterrâneo
Um dos principais desafios desta nova fase reside nos projetos localizados no Mediterrâneo. Estes recursos são considerados dos mais promissores para aumentar a produção nacional, mas também dos mais complexos de desenvolver.
Segundo o Ministério do Petróleo, os campos em águas profundas exigem tecnologias avançadas, campanhas de perfuração dispendiosas e a construção de infraestruturas de recolha e transporte de gás antes da entrada em produção. Os investimentos necessários são elevados e os prazos de desenvolvimento podem prolongar-se por vários anos.
Para o Egito, a liquidação integral dos pagamentos em atraso representa, assim, não um ponto de chegada, mas uma condição essencial para a revitalização do setor energético. O objetivo passa agora por transformar a renovada confiança dos investidores em novos projetos, descobertas comercializáveis e maiores volumes de produção de petróleo e gás.
Olivier de Souza
No Egito, o mercado dos pneus encontra-se em plena expansão. O país prossegue os seus esforços para alargar as zonas especiais de investimento, com o objetivo de atrair projetos industriais, aumentar as exportações e criar empregos.
A China National Tire & Rubber, um dos fabricantes chineses de pneus, prevê instalar uma nova fábrica de produção de pneus no Egito, no âmbito da sua estratégia de expansão no mercado local.
A unidade deverá contribuir para a criação de 1.600 empregos diretos, a transferência de tecnologia e o aumento das exportações egípcias deste produto. Segundo um comunicado da Presidência egípcia publicado na terça-feira, 9 de junho, o projeto representa um investimento de 550 milhões de dólares. Inclui igualmente o desenvolvimento e a modernização das atuais linhas de produção.
«O novo projeto permitirá acrescentar uma capacidade de produção de 1,5 milhão de pneus por ano. A entrada em funcionamento da nova fábrica está prevista para o início de 2028», refere o comunicado.
A iniciativa foi apresentada durante uma reunião entre uma delegação da China National Tire & Rubber e o ministro egípcio da Indústria, Khaled Hashem. Durante os encontros, o ministro incentivou a empresa a concentrar-se na produção de pneus para automóveis de passageiros, considerada uma das principais indústrias de apoio ao setor automóvel. Este segmento beneficia atualmente de uma forte atenção do Estado no âmbito do programa nacional de desenvolvimento da indústria automóvel, contribuindo para reduzir a fatura das importações de componentes e reforçar a produção local.
O Egito oferece diversos incentivos fiscais e está a implementar reformas legais para atrair investidores. O ministro do Investimento e do Comércio Externo, Mohamed Farid, declarou, a 4 de junho, que o país continua empenhado em expandir estas zonas económicas especiais para captar projetos industriais, aumentar as exportações e criar postos de trabalho.
Em novembro de 2025, o Banco Mundial indicou que cerca de 1,3 milhão de jovens egípcios entram anualmente no mercado de trabalho, enquanto apenas cerca de meio milhão de empregos são criados. Além disso, uma grande maioria das mulheres encontra-se desempregada ou economicamente inativa.
Este projeto vem reforçar os esforços do governo para criar emprego. Segundo as autoridades, o mercado de trabalho egípcio regista um crescimento significativo, apoiado pela expansão dos projetos nacionais e pela melhoria da taxa de crescimento económico.
Por outro lado, o mercado egípcio de pneus para automóveis ligeiros está em forte crescimento. De acordo com a MarkNtel Advisors, empresa internacional de estudos de mercado, este mercado foi avaliado em 750,2 milhões de dólares em 2025 e deverá atingir 1,102 mil milhões de dólares até 2032, refletindo uma procura sustentada associada à substituição de pneus e à expansão do parque automóvel.
Lydie Mobio
A cooperação audiovisual entre o Mali e o Marrocos está a intensificar-se, refletindo uma dinâmica mais ampla: a emergência de polos mediáticos africanos capazes de produzir, difundir e regular os seus próprios conteúdos.
A Alta Autoridade da Comunicação do Mali (HAC) assinou uma convenção com a Medi1TV, permitindo à emissora marroquina estabelecer-se, operar e difundir os seus programas em território malinense. O acordo foi assinado em Bamako na sexta-feira, 5 de junho, e insere-se no reforço da cooperação entre o Mali e o Marrocos, contribuindo simultaneamente para a expansão do panorama audiovisual nacional.
Assinado sob a supervisão do presidente da HAC, Gaoussou Coulibaly, e de Hicham Abderahim, diretor de Inovação e Produção Artística da Medi1TV, o acordo prevê a partilha de competências, o desenvolvimento de colaborações profissionais e a promoção de uma informação plural e credível sobre as realidades africanas.
A cadeia, já presente em Bamako através da Medi1 Radio, dá assim um novo passo com a autorização para a televisão. O projeto representa um investimento de 65 milhões de francos CFA, incluindo custos de autorização e trabalhos técnicos de implementação.
Uma implantação sob regulação maliana
Com esta convenção, a HAC autoriza oficialmente a operação da Medi1TV no Mali, abrangendo a instalação da cadeia, a gestão das suas produções e a sua difusão, em conformidade com as regras legais e regulamentares em vigor.
A implantação no mercado malinense inclui cláusulas relacionadas com o enquadramento regulatório e o respeito por uma linha editorial definida, baseada em princípios éticos e deontológicos do jornalismo.
O acordo também prevê o reforço da cooperação audiovisual, com projetos de formação, intercâmbio de conhecimentos e inovação digital. O objetivo é estimular talentos locais, melhorar práticas profissionais e consolidar parcerias duradouras.
Um grupo mediático de alcance internacional
Lançada em 2006 como cadeia de informação bilingue para o Magrebe, a Medi1TV evoluiu para um grupo mediático multilingue e multiplataforma, com presença em vários países africanos e fora do continente.
Com sede em Tânger, está presente no Marrocos, Argélia e Tunísia no Magrebe. Na África Ocidental, já operava no Senegal e na Costa do Marfim. Está também disponível na África Central via satélite nos Camarões e no Gabão, e alcança a diáspora na Europa e na América do Norte através de diversos operadores e plataformas.
A implementação da convenção no Mali incluirá acordos técnicos, equipas locais ou mistas e o lançamento de conteúdos adaptados ao público local.
Ubrick F. Quenum
Em digressão europeia pela Bélgica, Noruega e Finlândia, o Presidente queniano William Ruto procura atrair investimentos, alargar o acesso dos produtos quenianos aos mercados internacionais e reforçar parcerias favoráveis às exportações e à criação de emprego.
Na segunda-feira, 8 de junho, através da sua conta na rede social X (antigo Twitter), o Presidente do Quénia, William Ruto, anunciou a obtenção de novos investimentos da União Europeia (UE) no valor de 139 milhões de euros (mais de 160 milhões de dólares norte-americanos).
Estes financiamentos incluem 102 milhões de euros destinados a acelerar a transformação digital do Quénia, melhorar a conectividade e estimular a criação de emprego para os jovens e as empresas. Um segundo investimento, no valor de 37 milhões de euros, será aplicado na extensão do cabo submarino Blue Raman em África, ligando o Djibuti, a Somália, o Quénia e a Tanzânia. Este projeto reforçará a conectividade, reduzirá os custos de largura de banda e consolidará a posição do Quénia como centro digital regional.
Estes compromissos foram assumidos em Bruxelas, à margem da digressão europeia iniciada pelo chefe de Estado queniano. Na ocasião, William Ruto reuniu-se com a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, para discutir o reforço da cooperação entre o Quénia e a União Europeia nos domínios do comércio, da inovação e da economia digital.
Em março passado, o Quénia e a União Europeia lançaram um diálogo digital, assinalando uma etapa importante no reforço da cooperação em matéria de políticas digitais e inovação tecnológica. O Quénia tornou-se, assim, o primeiro país africano a aderir a este tipo de quadro de cooperação com a UE. Esta parceria insere-se num contexto mais amplo em que, com uma taxa de penetração da Internet de 40,8% no início de 2025, o país procura democratizar o acesso ao digital na economia e na administração pública.
Uma digressão europeia para atrair investimentos
William Ruto iniciou na segunda-feira a sua digressão europeia na Bélgica, onde se reuniu com o Rei Filipe para abordar o reforço das relações bilaterais e o alargamento da cooperação nos domínios do comércio, do investimento, das infraestruturas e do turismo. Em Bruxelas, participou igualmente no Fórum Quénia–Bélgica, destacando as oportunidades de investimento nos setores da agroindústria, logística, tecnologia, energia limpa e economia circular.
O chefe de Estado seguirá depois para a Noruega, onde se reunirá com o Primeiro-Ministro Jonas Gahr Støre e com o Príncipe Herdeiro Haakon. Participará ainda num fórum económico dedicado às energias renováveis, mobilidade elétrica, economia azul e agricultura inteligente.
Por fim, na Finlândia, a convite do Presidente Alexander Stubb, abordará temas de cooperação nas áreas da educação, tecnologia, digitalização, energias limpas e saúde, além de participar nos Kultaranta Talks, um fórum internacional dedicado à política externa e à segurança.
Iniciativas favoráveis ao investimento
O Quénia está a implementar um conjunto de iniciativas estratégicas para atrair capitais estrangeiros, combinando reformas económicas, acordos comerciais e projetos estruturantes. Em maio passado, acolheu a cimeira Africa Forward, durante a qual foram assinados vários acordos, nomeadamente com a França. Nessa ocasião, William Ruto promulgou três leis destinadas a estimular o investimento e a criar um ambiente de negócios mais eficiente, previsível e competitivo.
O país afirma-se como um dos principais destinos de investimento na África Oriental. A sua posição geográfica estratégica, com acesso direto ao mar, faz dele uma porta de entrada para a região. Dispõe de uma classe média empreendedora em expansão, de uma agricultura diversificada e de um setor dos serviços em rápido crescimento.
Segundo o Relatório Mundial sobre o Investimento 2024 da CNUCED, o Quénia é um dos maiores beneficiários de investimento direto estrangeiro (IDE) em África. O Inquérito ao Investimento Estrangeiro de 2023, publicado pelo Banco Nacional do Quénia, revelou que a Europa detinha a maior quota do stock total de passivos de IDE.
Lydie Mobio
Declarada em meados de maio na RDC e no Uganda, a epidemia de Ébola suscita preocupações quanto a uma possível propagação regional. Até domingo, 7 de junho, a RDC registava 515 casos confirmados e 91 mortes, enquanto o Uganda contabilizava 19 casos confirmados e 2 mortes.
Os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciaram, na sexta-feira, 5 de junho, o lançamento de um plano continental de preparação e resposta à epidemia de Ébola associada à estirpe Bundibugyo.
Dotada de um orçamento de 518 milhões de dólares, esta iniciativa representa um aumento em relação à estimativa inicial de 318,97 milhões de dólares. O plano visa reforçar as capacidades dos países africanos em matéria de prevenção, deteção e resposta à doença. Abrangerá o período de junho a novembro de 2026.
O programa assenta numa abordagem coordenada denominada «Uma Resposta Única», que reúne governos, parceiros técnicos e financeiros, bem como comunidades locais, em torno de um quadro de ação comum. As intervenções previstas incluem a vigilância epidemiológica, as análises laboratoriais, os cuidados clínicos, a prevenção e o controlo das infeções, a mobilização comunitária, a investigação e o apoio logístico.
«Só uma parceria estreita, baseada numa colaboração sob a liderança dos países afetados, permitirá controlar esta epidemia», declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. O responsável insistiu no papel central das comunidades na rastreabilidade dos contactos e na adoção de práticas sanitárias seguras para limitar a transmissão do vírus.
Por seu lado, Jean Kaseya, diretor-geral do Africa CDC, sublinhou a urgência de uma ação rápida face à propagação da doença, considerando que este plano oferece ao continente «um caminho claro para agir com rapidez e unidade», de forma a proteger as populações em risco e apoiar os países afetados.
Desde a declaração da epidemia de Ébola, em meados de maio, a RDC registou 515 casos confirmados e 91 mortes, concentrados sobretudo na província de Ituri, epicentro da crise. O Uganda contabilizou, na mesma data, 19 casos confirmados e 2 mortes.
Perante esta situação, as autoridades sanitárias classificaram o surto como uma emergência de saúde pública de alcance internacional logo a 17 de maio, devido, nomeadamente, à intensidade dos movimentos populacionais entre a RDC e os países vizinhos, bem como às limitações de segurança e humanitárias que dificultam as operações de resposta.
Para além da emergência sanitária, riscos económicos
Para além do seu custo humano, a epidemia poderá também afetar as economias locais. Os surtos sanitários perturbam geralmente as cadeias de abastecimento, reduzem a mobilidade da mão de obra e fragilizam as atividades agrícolas e comerciais nas zonas afetadas.
Os receios relacionados com o Ébola já conduziram a restrições pontuais nas fronteiras, nomeadamente entre a RDC e o Ruanda, na região de Goma e Gisenyi, bem como entre a RDC e o Uganda, afetando o comércio transfronteiriço informal do qual dependem numerosas comunidades.
Esta crise evidencia igualmente as fragilidades persistentes dos sistemas de saúde africanos e a dependência de muitos Estados da ajuda externa em períodos de emergência. Sublinha ainda a importância de investimentos sustentáveis nas infraestruturas sanitárias de base, no saneamento e nos sistemas de vigilância epidemiológica, de forma a reduzir a vulnerabilidade do continente perante futuras crises sanitárias.
Este plano vem complementar os dispositivos nacionais de resposta já implementados na RDC e no Uganda.
Ingrid Haffiny
Este programa de 38 meses, aprovado pelo FMI, destina-se a financiar a economia ruandesa face às crescentes incertezas globais. É acompanhado por exigências de consolidação orçamental e de reformas estruturais.
O Ruanda recebeu um primeiro desembolso de 35,7 milhões de dólares do FMI, na sequência da aprovação, em 8 de junho de 2026, de um novo programa de financiamento com a duração de 38 meses ao abrigo da Facilidade Alargada de Crédito (FAC).
Com um montante total de cerca de 250 milhões de dólares, este programa surge na sequência do acordo preliminar alcançado em abril entre as autoridades ruandesas e a instituição de Bretton Woods. O seu objetivo é apoiar o país num contexto internacional marcado pelo endurecimento das condições de financiamento e pelo aumento das incertezas geopolíticas.
O programa assenta em três pilares: o reforço da estabilidade macroeconómica, uma melhor gestão dos riscos orçamentais e da dívida, bem como a promoção de um crescimento mais impulsionado pelo setor privado e o reforço da governação das empresas públicas.
Segundo o FMI, este apoio financeiro deverá permitir ao Ruanda manter as suas despesas sociais e de desenvolvimento, preservar o dinamismo da sua economia e reconstruir gradualmente as suas margens de manobra orçamentais.
Crescimento, dívida e reformas no centro do programa
Este desembolso ocorre num contexto em que a economia ruandesa registou um crescimento de 9,4% em 2025, impulsionado, nomeadamente, pelas exportações de café e de minerais. Contudo, as perspetivas deterioraram-se devido ao aumento dos preços internacionais do petróleo e dos fertilizantes, alimentado pela guerra no Médio Oriente. Neste contexto, o FMI prevê uma desaceleração do crescimento para 6,8% em 2026, enquanto a inflação atingiu 13,2% em abril.
O FMI apela às autoridades para que levem a cabo um ajustamento orçamental gradual, de modo a reduzir o défice público, previsto em 5,7% do PIB em 2026, para 3% até 2029. Esta trajetória é considerada necessária para conter os desequilíbrios externos e preservar a sustentabilidade da dívida pública, cujo nível deverá atingir um pico de 73,1% do PIB em 2026.
“A implementação de reformas estruturais será essencial para reforçar a resiliência e apoiar um crescimento mais impulsionado pelo setor privado”, declarou Bo Li. Entre as prioridades do programa, destacou a melhoria da eficiência do investimento público, o reforço dos quadros institucionais e a aceleração das reformas das empresas públicas.
A instituição considera ainda que uma política monetária rigorosa e uma maior flexibilidade da taxa de câmbio serão necessárias para controlar as pressões inflacionistas e reforçar a resiliência da economia face a choques externos.
Charlène N’dimon
O violento sismo ocorrido em setembro de 2023 em Marrocos causou numerosas perdas de vidas humanas e avultados danos materiais. Perante esta tragédia, as autoridades adotaram um programa de reconstrução das infraestruturas devastadas, avaliado em mais de 12 mil milhões de dólares, em parceria com vários financiadores internacionais.
O Banco Europeu de Investimento (BEI) anunciou, na sexta-feira, 5 de junho, a concessão de uma segunda tranche de empréstimo no valor de 500 milhões de euros (cerca de 576,2 milhões de dólares) a Marrocos para apoiar os esforços de reconstrução das infraestruturas nas regiões afetadas pelo sismo devastador ocorrido em setembro de 2023. Este empréstimo eleva para mil milhões de euros o compromisso da instituição financeira europeia no âmbito da reconstrução pós-sismo do Reino de Marrocos, após uma primeira tranche concedida em outubro de 2024.
Um financiamento para a reconstrução
O novo financiamento destina-se à reconstrução e modernização de infraestruturas essenciais, nomeadamente estradas, escolas e unidades de saúde, nas zonas mais afetadas da província de Al Haouz, a sul de Marraquexe, em conformidade com normas reforçadas de resistência sísmica e eficiência energética, segundo um comunicado do BEI.
O financiamento é acompanhado por uma subvenção de assistência técnica destinada à implementação do programa, com o objetivo de reforçar as capacidades institucionais e garantir a qualidade das infraestruturas reconstruídas.
«Este financiamento, implementado em estreita colaboração com as autoridades marroquinas e com o apoio da União Europeia, permitirá a construção de infraestruturas essenciais mais seguras e mais eficientes do ponto de vista energético, adaptadas às necessidades da população», declarou o vice-presidente do BEI, citado no comunicado.
A província marroquina de Al Haouz foi atingida, a 8 de setembro de 2023, por um sismo de magnitude 7 na escala de Richter, que causou mais de 3.000 mortos e cerca de 6.000 feridos. Além disso, infraestruturas como estradas, escolas e hospitais, bem como cerca de 60.000 habitações, foram parcial ou totalmente destruídas.
Pouco depois do terramoto, o Gabinete Real marroquino anunciou um programa de reconstrução das regiões afetadas, com um orçamento global estimado em cerca de 120 mil milhões de dirhams ao longo de cinco anos, o equivalente a aproximadamente 12,9 mil milhões de dólares.
Enquanto braço financeiro da União Europeia (UE), o BEI mobilizou mais de 11 mil milhões de euros em favor do Reino de Marrocos desde 1979. Os seus financiamentos concentram-se em infraestruturas essenciais, nomeadamente nos setores da água e saneamento, energia, transportes, educação e saúde, bem como no apoio ao setor privado local.
Walid Kéfi
Os sistemas de atribuição de nomes na África Subsaariana refletem uma rica diversidade cultural herdada de tradições ancestrais. Muito antes da introdução dos nomes próprios cristãos e muçulmanos durante o período colonial, muitas comunidades já atribuíam nomes carregados de significado, relacionados com o nascimento, a família, as crenças ou as circunstâncias da vida.
Do Benim ao Gana, passando pelo Togo e pela Nigéria, estes nomes tradicionais continuam a desempenhar um papel essencial na transmissão da identidade, da memória coletiva e dos valores culturais, ilustrando a resiliência do património cultural imaterial africano.
Em várias regiões da República do Benim, do Togo, da Nigéria e do Gana, os nomes próprios «indígenas» continuam a ser utilizados nos dias de hoje, perpetuando o património cultural imaterial africano. Os nomes associados aos dias da semana na África Subsaariana estão, na sua maioria, ligados à colonização e à evangelização. As administrações coloniais, apoiadas pelas missões católicas, impuseram o uso de nomes provenientes da tradição cristã, como João, José, Maria, António ou Pedro.
Estes nomes eram atribuídos durante o batismo, nas escolas missionárias ou aquando do registo no estado civil colonial. Em muitos territórios, os missionários consideravam as designações locais como «pagãs» ou demasiado complexas de pronunciar, relegando assim as tradições onomásticas africanas para segundo plano.
Apesar desta imposição, os povos africanos conseguiram preservar, tanto quanto possível, esta herança cultural. «Em muitas regiões de África, os nomes tradicionais, frequentemente curtos e compostos por uma única palavra, continuam a transmitir a memória cultural e a herança familiar do continente, apesar das proibições impostas durante a época colonial», refere a agência de notícias turca numa publicação de dezembro de 2025.
Contudo, vários critérios orientam a atribuição dos nomes próprios.
A escolha dos nomes de acordo com os dias da semana
Enquanto no Ocidente a escolha de um nome próprio depende sobretudo das preferências pessoais dos pais, da sua história familiar ou simplesmente do calendário católico, em vários países africanos essa escolha é determinada pelo dia do nascimento. Assim, no Togo e no Benim, os nascidos à segunda-feira chamam-se Adjo (rapariga) e Kodjo (rapaz), enquanto os nascidos à sexta-feira recebem os nomes Afiavi (rapariga) e Koffi (rapaz).
No Gana, uma criança nascida numa quarta-feira chamar-se-á Akouavi (rapariga) ou Kokouvi (rapaz), enquanto para os nascimentos ao sábado os nomes atribuídos serão Amavi (rapariga) e Komi (rapaz). Esta forma de atribuir nomes possui um significado particular nas culturas locais, nomeadamente para a realização de determinados rituais. Constitui igualmente uma espécie de codificação identitária. De facto, estes nomes estão especialmente ligados aos grupos étnicos Ewe, Mina, Akan e Fon no sul destes três países.
A escolha segundo a ordem de nascimento
Além dos dias da semana, a ordem de nascimento entre os irmãos constitui também um critério importante. Os nomes são atribuídos consoante a posição da criança na família — primogénito, segundo filho, mais novo, entre outros —, sobretudo em famílias numerosas da África Subsaariana.
Na Nigéria, por exemplo, o nome iorubá dado ao primeiro gémeo a nascer é Taiwo ou Tayé, significando literalmente «aquele que prova o mundo primeiro». O segundo gémeo recebe o nome Kehindé, enquanto o irmão nascido depois dos gémeos se chama Idowu. Alaba é o nome atribuído à criança seguinte a Idowu, e a que nasce depois recebe o nome Ojo.
Entre os Ashanti do Gana, o primeiro rapaz da fratria chama-se Baako e o terceiro, Mensah.
A escolha segundo o contexto do nascimento ou a fé
Não é raro encontrar nomes associados à divindade — com raízes como Oluwa ou Olu, que significam «Senhor» —, mas também ligados a emoções e a acontecimentos marcantes da vida. Os nomes iorubás possuem assim uma forte carga simbólica e podem transmitir verdadeiras narrativas familiares.
Yetunde, atribuído a uma rapariga nascida após a morte da avó, traduz a ideia de renascimento e torna-se uma ponte entre gerações. Oluwaseun exprime louvor divino, Temidayo celebra a alegria do destino, Ayodele anuncia a chegada da felicidade ao lar e Ifedayo traduz o amor transformado em fonte de alegria.
Entre os Igbo do sudeste da Nigéria, o nome próprio é muito mais do que uma simples designação: reflete uma dimensão espiritual e filosófica. Ligado a Chukwu (Deus) ou a Chi (destino pessoal), representa frequentemente um ato de gratidão, uma invocação de bênção ou uma reflexão existencial. Assim, Chinonso recorda a proximidade divina, Chukwuemeka celebra a ação maravilhosa de Deus, enquanto Ngozi simboliza a bênção.
Ubrick F. Quenum
O relatório sublinha que a luta de influência entre dois protagonistas do mesmo partido está a alterar os equilíbrios internos do poder e antecipa um provável período de turbulência política e social.
O fim da relação harmoniosa entre o Presidente senegalês Bassirou Diomaye Faye e o seu antigo Primeiro-Ministro, Ousmane Sonko, atualmente Presidente da Assembleia Nacional, faz temer tensões sem precedentes entre o poder executivo e o legislativo, bem como uma grande crise política neste país da África Ocidental. Isto acontece numa altura em que várias reformas anunciadas desde a chegada dos dois homens ao poder, em 2024, continuam por concretizar, alerta um relatório publicado na quarta-feira, 27 de maio, pelo Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS).
Intitulado «Senegal: crónica de um divórcio entre o Presidente Faye e o seu Primeiro-Ministro Sonko», o relatório recorda que a rutura entre os dois homens, oriundos da mesma família política e que outrora partilhavam o mesmo discurso, foi consumada na sexta-feira, 22 de maio, com o anúncio da demissão do Primeiro-Ministro pelo Presidente da República e a dissolução do Governo.
Companheiros de luta e amigos na vida quotidiana, os dois «irmãos», cuja proximidade ideológica e política os levou a cofundar o partido Patriotas Africanos do Senegal para o Trabalho, a Ética e a Fraternidade (PASTEF) em 2014, formavam uma dupla cujos percursos pareciam inseparáveis. Conheceram-se enquanto estudantes, reencontraram-se depois nos bancos da Escola Nacional de Administração (ENA) e seguiram a mesma carreira como inspetores dos impostos e do património do Estado. Ambos chegaram também a ser presos na cadeia de Cap Manuel.
A parceria inédita consolidou-se quando Sonko escolheu Diomaye como seu candidato, após a invalidação da sua própria candidatura às eleições presidenciais de 2024, devido a vários processos judiciais. A ascensão de ambos às mais altas funções do Estado ocorreu após uma campanha relâmpago centrada no slogan: «Diomaye mooy Sonko, Sonko mooy Diomaye» (literalmente, «Diomaye é Sonko, Sonko é Diomaye»). Contudo, para muitos senegaleses, quem verdadeiramente venceu as eleições presidenciais foi Sonko e não Faye, muito menos conhecido do grande público na altura.
Ousmane Sonko afirmou-se na cena política já em 2019, surpreendendo ao tornar-se a terceira figura mais votada nas eleições presidenciais, graças a uma retórica centrada na rutura, na resistência e na alternância política. Apesar dos seus problemas com a justiça e do caso «Sweet Beauty» (uma investigação judicial por alegadas violações e ameaças de morte, na sequência das acusações feitas por uma funcionária de um salão de massagens de uma estância termal de Dacar chamado Sweet Beauty), o opositor do antigo Presidente Macky Sall manteve um estatuto de ídolo junto da juventude.
Neste contexto, Diomaye Faye dificilmente teria alcançado a magistratura suprema sem a popularidade e a ligação política e afetiva singular que Sonko construiu junto de amplos setores da sociedade senegalesa. No final, o detentor da legitimidade eleitoral não era aquele que concentrava o maior capital político.
Para além deste desequilíbrio inicial, o relatório destaca que a dupla política não resistiu à prova do poder e que a amizade, frequentemente vista como inabalável, deu lugar ao conflito após uma acumulação de tensões e frustrações ao longo de dois anos. O principal ponto de discórdia dizia respeito à gestão das promessas eleitorais: o ritmo das reformas, o tratamento das figuras do antigo regime e a reforma da justiça.
Sonko expressou publicamente a sua impaciência em vários dossiês, mantendo o seu discurso de mobilização e de rutura imediata, enquanto Diomaye adotou uma postura mais reservada e preferiu lidar com os constrangimentos institucionais e internacionais.
Um cenário de elevado risco
Os debates sobre a dívida pública, a relação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), do qual Sonko desejaria afastar-se, a questão dos fundos políticos e, de forma mais ampla, a estratégia económica, revelaram progressivamente visões diferentes sobre o exercício do poder.
O «Tera Meeting», uma grande concentração política do PASTEF organizada por Sonko em 8 de novembro de 2025, no Estádio Léopold Sédar Senghor, tornou públicas as divergências entre os dois homens e evidenciou os limites da ilusão de uma liderança bicéfala no exercício do poder.
Nesse dia, o entusiasmo popular e a capacidade de mobilização demonstrados recordaram que o capital político do movimento continua largamente concentrado em torno de Ousmane Sonko. Oficialmente apresentado como um momento de balanço dos primeiros 18 meses de governação, de clarificação política e de relançamento do projeto do PASTEF, o encontro foi, na realidade, uma demonstração de força política.
A mensagem foi bem recebida no Palácio da República e a resposta não tardou. Faye decidiu então reforçar a coligação «Diomaye Presidente», atribuindo um papel central a Aminata Touré. Esta escolha foi interpretada, e provavelmente com razão, como um sinal político de autonomização do Presidente. Antiga Primeira-Ministra de Macky Sall e posteriormente sua opositora, Touré é uma figura muito controversa dentro do PASTEF, sendo criticada por muitos militantes devido ao seu passado no regime anterior e à sua adesão tardia ao projeto de rutura.
Ainda assim, Faye quis demonstrar que não estava subordinado ao seu Primeiro-Ministro e que «Diomaye já não é Sonko». Foi assim que o chamado «gentlemen's agreement» se quebrou. A oficialização dessa rutura ocorreu com a destituição de Sonko do cargo de Primeiro-Ministro. O herdeiro político presumível, inicialmente leal, voltou-se assim contra «aquele que o fez rei».
Na política, não existem inimigos permanentes nem amigos permanentes, apenas interesses permanentes, como dizia Lord Palmerston, responsável pela diplomacia britânica em 1848. Contudo, o fim da dualidade no topo do executivo senegalês altera profundamente os equilíbrios internos do poder, tanto mais que o Presidente da Assembleia Nacional, El Malick Ndiaye, se demitiu das suas funções, permitindo que Sonko, líder do partido maioritário (130 deputados em 165), lhe sucedesse a 26 de maio.
O antigo Primeiro-Ministro voltou assim a assumir plenamente o papel de figura da oposição, posição na qual já tinha brilhado anteriormente e que contribuiu para a construção da sua popularidade. Este cenário poderá conduzir a tensões sem precedentes entre o executivo e o legislativo, bem como a uma situação de bloqueio político, uma vez que o Chefe de Estado se encontra privado do seu principal apoio político perante um Parlamento controlado pela oposição.
O relatório observa ainda que esta nova fase de incerteza surge numa altura em que muitas das reformas anunciadas em 2024 continuam por concretizar. Salienta igualmente que serão sobretudo as expectativas sociais, os jovens e uma população confrontada com desafios como o desemprego, a perda de poder de compra e a crise dos serviços públicos aqueles que poderão pagar o preço mais elevado deste conflito no topo do Estado.
Walid Kéfi
Transformar numa parceria pacificada um dos litígios mais pesados da história africana contemporânea constitui um verdadeiro feito diplomático. Paris e Kigali conseguiram-no ao associar o reconhecimento do passado a interesses cada vez mais convergentes.
Os Presidentes francês, Emmanuel Macron, e ruandês, Paul Kagame, inauguraram na terça-feira, 2 de junho, em Paris, um memorial dedicado às vítimas do genocídio dos Tutsi. Mais de trinta anos após os massacres que provocaram cerca de 800 mil mortos entre abril e julho de 1994 no Ruanda, este gesto prolonga uma aproximação entre os dois países que poucos consideravam possível há uma década.
Batizada «L'Archive», a obra da artista Grada Kilomba inscreve a memória do genocídio no coração da capital francesa. Erguido por iniciativa do Estado francês e da Câmara Municipal de Paris na Esplanada Habib Bourguiba, este espaço de recolhimento apresenta inscrições em francês, inglês, kinyarwanda e suaíli. Pretende ser um local de transmissão intergeracional da memória, dando continuidade ao processo memorial desenvolvido entre os dois países nos últimos anos.
Vinte e sete anos de desconfiança
O diferendo parecia durante muito tempo insolúvel. Kigali acusa a França de envolvimento antes, durante e após o genocídio, desencadeado a 7 de abril de 1994, no dia seguinte à morte do Presidente Juvénal Habyarimana. Paris negou durante anos qualquer responsabilidade e defendeu a honra dos seus militares, acusados pela justiça ruandesa. As relações diplomáticas foram interrompidas entre 2006 e 2009. Nicolas Sarkozy, primeiro Chefe de Estado francês a deslocar-se a Kigali após o genocídio, reconheceu então «graves erros», sem contudo conseguir dissipar as tensões.
O desbloqueio surgiu através da investigação histórica. Entregue em março de 2021 após dois anos de trabalho, o relatório da comissão liderada pelo historiador Vincent Duclert concluiu, ao longo de quase mil páginas, pela existência de «responsabilidades pesadas e esmagadoras» da França. A comissão, que beneficiou de um acesso sem precedentes aos arquivos do Estado, afastou, contudo, a tese de cumplicidade de Paris no genocídio.
Durante uma visita ao Ruanda dois meses depois, Emmanuel Macron deslocou-se, a 27 de maio de 2021, ao Memorial de Gisozi para reconhecer as responsabilidades do seu país, antes de nomear Antoine Anfré como embaixador em Kigali, um cargo que permanecia vago desde 2015. Em Paris, neste 2 de junho, o Presidente francês reafirmou esses compromissos e enquadrou esta abordagem num esforço memorial mais amplo, citando os casos da Argélia, dos Camarões, do Senegal e do Haiti.
Uma relação reconstruída com base em interesses partilhados
O trabalho de memória realizado pela França relativamente à sua responsabilidade no genocídio dos Tutsi serviu de base ao reforço da cooperação com Kigali. Em 2024, os dois países assinaram um acordo de parceria que prevê 400 milhões de euros em projetos de desenvolvimento ao longo de quatro anos. Através da Agência Francesa de Desenvolvimento e da Expertise France, Paris apoia a formação profissional dos jovens ruandeses, a segurança alimentar e o sistema de saúde.
Esta aproximação acompanha uma reorientação mais ampla da diplomacia africana francesa. Confrontada com uma perda de influência no seu antigo espaço francófono, a França procura reforçar a sua presença na África Oriental anglófona. O Ruanda, cuja economia cresceu 9,4% em 2025, ocupa um lugar de destaque nesta estratégia. O apoio de Paris à eleição da ruandesa Louise Mushikiwabo para a liderança da Organização Internacional da Francofonia (OIF), em 2018, já refletia essa visão. Apesar disso, as trocas comerciais permanecem modestas, tendo atingido 37,3 milhões de euros em 2024. Ainda assim, a presença francesa continua a crescer, com 45 empresas instaladas em Kigali nos setores da logística, hotelaria e tecnologias digitais no final de 2024, o dobro do registado em 2021.
Uma vertente económica ainda por consolidar
A cordialidade entre França e Ruanda continua, contudo, condicionada por um dossier importante: o papel do Ruanda na guerra que devasta o leste da República Democrática do Congo (RDC), através do apoio aos rebeldes do M23. Depois de ter exigido nas Nações Unidas, no final de 2025, a retirada das forças ruandesas do território congolês, Emmanuel Macron opôs-se, em maio de 2026, à margem da cimeira Africa Forward, em Nairobi, às sanções norte-americanas contra Kigali, considerando que a pressão externa tornaria o Ruanda menos cooperante.
Durante a inauguração do memorial em Paris, Emmanuel Macron voltou a defender o respeito por todas as soberanias na região dos Grandes Lagos. Este exercício de equilíbrio evidencia a fragilidade de uma relação bilateral que ainda necessita de ser consolidada tanto no plano diplomático como económico. O investimento direto francês no Ruanda permanece limitado, com um stock de apenas 7 milhões de euros em 2023, equivalente a 0,2% do total, muito atrás das Maurícias, do Quénia e dos Estados Unidos, principais investidores no país.
Os recursos mineiros do Ruanda, nomeadamente o estanho, o tungsténio e o tântalo, classificados pela União Europeia como minerais críticos, constituem uma via de reforço da cooperação ainda pouco explorada pelos dois países.
Emiliano Tossou
Esta deslocação visa explorar novas perspetivas de cooperação em setores estratégicos como a defesa, as minas, a energia e as infraestruturas.
O Presidente do Níger, Abdourahamane Tiani, partiu de Niamey na quarta-feira, 3 de junho, com destino a Ancara, para uma visita oficial dedicada ao reforço das relações entre o Níger e a Turquia.
Esta missão diplomática ocorre num contexto de crescente aproximação entre os dois países e deverá permitir a análise de vários dossiês de interesse comum.
O Chefe de Estado faz-se acompanhar por uma delegação composta por vários membros do Governo, entre os quais o Ministro de Estado responsável pela Defesa, Salifou Modi, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Bakary Yaou Sangaré, e o Ministro da Economia e das Finanças, Mamane Laouali Abdou Rafat. Responsáveis por setores estratégicos como a saúde, a energia, a agricultura, as infraestruturas e as minas participam igualmente nesta visita.
A visita «insere-se no quadro dos esforços contínuos desenvolvidos pelo Níger para reforçar as suas parcerias internacionais e alargar as perspetivas de cooperação económica, de investimento e técnica com países amigos, em particular com a Turquia, cujas relações com Niamey evoluíram rapidamente nos últimos anos», refere a nota informativa.
O comunicado não fornece detalhes sobre a agenda dos encontros. No entanto, as conversações deverão incidir sobre investimentos, comércio, assistência técnica e oportunidades de cooperação económica.
Uma cooperação em plena expansão
Nos últimos anos, as relações entre Ancara e Niamey reforçaram-se significativamente. Os acordos multiplicaram-se nos domínios económico e da segurança. A Turquia tem demonstrado um interesse crescente pelo setor mineiro nigerino, nomeadamente na exploração de urânio. Além disso, foi assinado, em julho de 2025, um acordo de cooperação militar destinado a apoiar o reforço das capacidades de defesa do Níger.
Para Niamey, a parceria com Ancara representa uma diversificação das alianças económicas e a esperança de atrair investimentos turcos nos setores das minas, energia, infraestruturas, agricultura e indústria. A cooperação poderá igualmente alargar-se às áreas da saúde, do ensino superior e do desenvolvimento de competências.
Do lado turco, o Níger é visto como um parceiro estratégico no Sahel. Ancara procura assegurar o acesso aos recursos naturais, reforçar a sua presença económica em África e desenvolver as suas trocas comerciais com os países da Aliança dos Estados do Sahel.
A visita do Presidente Tiani deverá, assim, abrir caminho à celebração de novos acordos destinados a aprofundar ainda mais as relações entre os dois Estados e a dinamizar os intercâmbios comerciais, que ascenderam a cerca de 273 milhões de dólares em 2025, segundo dados do International Trade Centre (ITC).
Charlène N’dimon
O governo destaca o seu desempenho recente no serviço da dívida, já executado em 68,5% até ao final de abril de 2026, e reivindica reconhecimento internacional pela sua gestão prudente.
A Tanzânia prevê destinar 14.219,4 mil milhões de xelins tanzanianos (cerca de 5,6 mil milhões de dólares) ao serviço da sua dívida pública durante o exercício orçamental de 2026/2027, segundo os dados apresentados pelo Ministério das Finanças ao Parlamento na terça-feira, 2 de junho.
No exercício em curso (julho de 2025 a abril de 2026), o país indica ter já mobilizado e desembolsado 9.737,7 mil milhões de xelins, o que representa 68,5% da meta anual. Este desempenho é apresentado pelas autoridades como resultado de uma gestão orçamental rigorosa, num contexto de forte pressão associada aos compromissos financeiros do Estado.
Esta execução foi acompanhada por reconhecimento internacional, com a atribuição à Tanzânia do prémio de melhor gestão da dívida pública entre os países da Commonwealth, bem como do prémio de melhor gabinete de gestão da dívida pública em África. As autoridades consideram que estas distinções refletem os esforços desenvolvidos para reforçar a credibilidade financeira do país e manter a confiança dos parceiros internacionais.
O montante total previsto para o serviço da dívida abrange tanto a dívida interna como a dívida externa. Deste total, 4.445,1 mil milhões de xelins destinam-se ao reembolso da dívida externa e 5.292,6 mil milhões de xelins à dívida interna.
Um contexto de financiamento mais exigente, mas com classificação soberana estável
Num ambiente global marcado pelo endurecimento das condições de financiamento, o governo sublinha que o cumprimento dos prazos de pagamento continua a ser essencial para preservar o acesso aos mercados financeiros regionais e internacionais. De forma mais ampla, a gestão da dívida integra-se numa estratégia de sustentabilidade das finanças públicas, combinando um reforço da arrecadação de receitas, a otimização do recurso ao endividamento e a disciplina orçamental.
Esta dinâmica ocorre num contexto caracterizado por elevadas necessidades de financiamento, ligadas sobretudo aos investimentos em infraestruturas e projetos de desenvolvimento. A Fitch Ratings confirmou, em 27 de março de 2026, a classificação soberana da Tanzânia em B+, com perspetiva estável, refletindo uma economia considerada em crescimento sólido e com inflação controlada.
Este desempenho é sustentado pelas reformas económicas em curso e pelo apoio financeiro do FMI, nomeadamente através dos programas FEC (Facilidade Alargada de Crédito) e FRS (Facilidade para a Resiliência e a Sustentabilidade). A agência destaca, contudo, várias fragilidades estruturais, incluindo uma governação considerada fraca, receitas públicas ainda limitadas apesar das melhorias registadas, bem como um enquadramento macroeconómico que continua a necessitar de aperfeiçoamentos e que gera distorções no mercado cambial.
Relativamente ao crescimento económico, a Fitch prevê um crescimento real do PIB de cerca de 6% em 2026 e 2027, impulsionado pelos setores agrícola e mineiro, bem como por importantes investimentos em infraestruturas, nomeadamente o caminho-de-ferro SGR e o projeto de oleoduto EACOP.
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