O Governo do Quénia e os Estados Unidos reafirmaram a implementação da Parceria de Cooperação em Saúde Quénia–Estados Unidos, um programa de cinco anos avaliado em 1,6 mil milhões de dólares. O anúncio foi feito na segunda-feira, 8 de junho, por Chris Kiptoo, secretário principal do Tesouro Nacional queniano.
«Este programa apoiará a vigilância de doenças e a resposta a surtos epidémicos, o reforço dos sistemas laboratoriais, o fornecimento de produtos de saúde, os cuidados de saúde primários e os sistemas digitais de saúde», afirmou Kiptoo.
Acordo suspenso e posteriormente validado pela justiça queniana
Assinado a 4 de dezembro de 2025, em Washington, o acordo tinha sido suspenso pelo Tribunal Superior do Quénia para uma análise judicial aprofundada. A decisão surgiu na sequência de recursos apresentados pela Federação dos Consumidores do Quénia (COFEK) e pelo senador Okiya Omtatah, que alegavam que o acordo violava várias leis nacionais, incluindo a legislação sobre proteção de dados e o regulamento relativo à partilha de dados digitais de saúde de 2025.
A retoma da implementação desta parceria ocorre num contexto em que Nairobi prossegue os seus esforços para modernizar o sistema de saúde, melhorar a preparação para crises sanitárias e acelerar a digitalização dos serviços públicos.
A 7 de maio, o Ministério da Saúde lançou o Plano Estratégico 2025-2030 do Conselho Consultivo para os Recursos Humanos em Saúde (KHHRAC), destinado a reforçar a força de trabalho do setor e a reduzir as desigualdades entre os diferentes condados do país.
O plano visa melhorar a disponibilidade, distribuição e retenção dos profissionais de saúde, reforçar o planeamento dos recursos humanos, modernizar os sistemas de informação e promover a formação contínua. A iniciativa enquadra-se nos objetivos nacionais de cobertura universal de saúde e pretende aproximar o Quénia da meta recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de 45 profissionais de saúde por cada 10 mil habitantes.
Cooperação para além da saúde
Para além da componente sanitária, as discussões entre os dois países abordaram igualmente o reforço das relações económicas bilaterais. O Governo queniano destacou o contributo das empresas norte-americanas instaladas no país para a criação de empregos, o desenvolvimento de competências, o investimento e o crescimento económico.
Vários países africanos celebraram recentemente acordos de cooperação na área da saúde com os Estados Unidos. Entre eles destaca-se a Costa do Marfim, que assinou, em dezembro de 2025, uma parceria bilateral avaliada em 487 milhões de dólares para um período de cinco anos.
Carelle Yourann (estagiária)













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