No Burkina Faso, os óleos comestíveis estão entre os principais itens da fatura de importação alimentar. No país, surgem projetos industriais de produção destinados a substituir progressivamente a dependência das importações.
O Ministério da Indústria, Comércio e Artesanato do Burkina Faso inaugurou, no dia 27 de fevereiro, uma unidade de extração de óleo dedicada exclusivamente à soja. Com um custo total de 2 mil milhões de francos CFA (3,56 milhões de dólares), a instalação, localizada em Ouagadougou, é da responsabilidade da Société Industrielle d’Agroalimentaire pour la Transformation des Oléagineux.
Segundo informações do meio local Le Faso.net, a fábrica possui capacidade diária de trituração de 12 toneladas de soja e produção de 10 toneladas de óleo refinado, destinado ao mercado interno. O complexo inclui ainda linhas de fabricação de ração para aves e gado com capacidade de 100 toneladas por dia, aproveitando os farelos de soja gerados no processo de extração do óleo bruto.
«É importante lembrar que a escolha da soja pela SIATOL como principal matéria-prima não é aleatória. Esta oleaginosa contém, em média, 20% de óleo rico em ácidos gordos essenciais, ômega 3 e 6, e vitamina E […]», declarou Marcel Ouédraogo, diretor-geral da empresa.
Um impulso para estimular a produção local de soja
Na segunda fase do projeto industrial, a empresa planeia instalar em Ouagadougou uma nova linha de trituração com capacidade de 40 toneladas por dia a partir de 2026, bem como uma segunda unidade de produção de ração para aves e gado com capacidade de 200 toneladas por dia.
Este plano de expansão deverá aumentar a procura pela oleaginosa. Atualmente, a SIATOL conta com uma rede de mais de 3.000 pequenos produtores na província de Sissili que fornecem a matéria-prima. Com este novo projeto, a empresa poderá apoiar a dinâmica de crescimento observada na produção de soja no Burkina Faso nos últimos anos. Dados do Institut National de la Statistique et de la Démographie mostram, por exemplo, que a colheita de soja mais do que dobrou em cinco anos, passando de 51.708 toneladas em 2019/2020 para 129.225 toneladas na campanha 2023/2024.
Além de reforçar a produção de soja, a produção de óleo refinado pode contribuir para reduzir a dependência do país em relação às importações de óleos comestíveis, que continuam a aumentar. Segundo o INSD, o país importou cerca de 192.900 toneladas de gorduras e óleos animais ou vegetais em 2024, um volume cinco vezes superior ao de 2020 (37.300 toneladas). No mesmo período, a fatura dessas compras quase dobrou, passando de 14,8 mil milhões de francos CFA (26,11 milhões de dólares) em 2020 para 28,2 mil milhões (49,77 milhões de dólares) em 2024.
Stéphanas Assocle













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