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Algodão: excedente de oferta deverá persistir em 2025/2026 (ICAC)

Algodão: excedente de oferta deverá persistir em 2025/2026 (ICAC)
Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2026

Nos últimos anos, o mercado global do algodão tem sido afetado por incertezas geopolíticas e por uma oferta abundante. 2026 poderá não ser exceção.

A fase de abundância ainda não terminou no mercado mundial do algodão. Num comunicado publicado a 2 de fevereiro, o Comité Consultivo Internacional do Algodão (ICAC) estima que a produção global de algodão em fibra deverá atingir 26 milhões de toneladas em 2025/2026, ou seja, 1 % acima do ano anterior.

Entretanto, o consumo deverá alcançar 25,2 milhões de toneladas, ou seja, 0,4 % acima de 2024/2025. Segundo o cartel, a oferta mundial continuará a ser dominada pela China, Índia e Brasil. «O consumo é igualmente puxado pela China, seguida da Índia e do Paquistão, o que ressalta a preponderância persistente da Ásia tanto do lado da oferta como da procura global», acrescenta.

No que diz respeito ao comércio mundial, as importações e exportações poderão atingir 9,7 milhões de toneladas, ou seja, 5 % acima da época anterior. Para o restante, o ICAC destaca que o Brasil deverá manter a sua posição de maior exportador mundial, à frente dos Estados Unidos e da Austrália, enquanto se espera que o Bangladesh seja o maior importador mundial de algodão em fibra, seguido do Vietname e da China.

De acordo com a organização, esta tendência reflete «a evolução contínua das cadeias globais de fabrico têxtil e das estratégias de abastecimento». Com competitividade nos custos de produção e uma rede de cerca de 4 500 fábricas, o Bangladesh é altamente privilegiado pelos retalhistas dos EUA e da UE, e o rápido desenvolvimento da indústria de fiação é impulsionado por importações maciças de algodão.

Para recordar, segundo o ICAC, o índice Cotlook A caiu pelo terceiro ano consecutivo, situando-se em média nos 79,6 cêntimos por libra (0,45 kg) em 2024/25, o que representa uma queda de 13,4 % em relação à época anterior e o seu nível médio mais baixo desde a campanha 2020/2021.

«Para 2026, os preços do algodão dependerão não apenas do crescimento económico mundial e da estabilidade das políticas públicas, mas também da capacidade dos produtores de controlar o aumento dos custos dos insumos e de lidar com a incerteza climática, num contexto em que o setor se adapta a condições de mercado em constante evolução», explicou o cartel em dezembro último na sua revisão da campanha 2024/2025, que qualificou de «época de ajustamento».

Espoir Olodo

 

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