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Queda dos preços do cacau: Rainforest Alliance apela às empresas para « proteger » os produtores

Queda dos preços do cacau: Rainforest Alliance apela às empresas para « proteger » os produtores
Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Mercado do cacau: ONG americana alerta para proteger os rendimentos dos produtores face à queda dos preços

O mercado do cacau entrou há mais de um ano numa fase de excedente, com efeitos variados ao longo da cadeia de valor.

Fabricantes de chocolate, comerciantes e distribuidores são incentivados a colocar os rendimentos dos produtores no centro das prioridades, num contexto de forte volatilidade dos preços do cacau, segundo a ONG americana Rainforest Alliance, num comunicado de 30 de março.

Após atingir um recorde de 12.906 $ por tonelada em Nova Iorque em dezembro de 2024, os preços mundiais da matéria-prima caíram fortemente e atualmente oscilam abaixo dos 4.000 $ por tonelada.

Enquanto esta queda reduz os custos de aprovisionamento para os transformadores, a organização apela às empresas para que ultrapassem a lógica de preços de mercado a curto prazo e optem por contratos de compra de longo prazo, oferecendo maior estabilidade de rendimentos aos produtores de cacau.

«A sustentabilidade não pode ser um compromisso apenas quando as condições são favoráveis. Quando os preços caem, são os agricultores que absorvem o choque: queda imediata dos rendimentos, aumento do endividamento e incapacidade de financiar insumos ou manter as plantações. Esta fragilização coloca em risco a resiliência de toda a cadeia do cacau, pois um setor sustentável depende de modelos económicos capazes de sustentar os meios de subsistência dos agricultores precisamente quando as condições de mercado são mais difíceis», explica Santiago Gowland, diretor-geral da ONG.

«Precisamos de um sistema que funcione também para as famílias agrícolas, não apenas quando o mercado é favorável, mas também quando é desfavorável», acrescenta Nanga Koné, diretor da Rainforest Alliance na Costa do Marfim.

Este apelo reflete anos de advocacy de organizações como a Fairtrade, que defendem um rendimento mínimo vital para os produtores como “a mãe das batalhas” para alcançar maior sustentabilidade na indústria do cacau.

Segundo observadores, a cadeia de valor do cacau continua muito assimétrica, especialmente na Costa do Marfim e no Gana, com lucros que chegam apenas parcialmente aos produtores em períodos de alta, enquanto estes suportam a maior parte das perdas quando os preços caem.

Para mitigar o impacto da crise, as autoridades reduziram os preços pagos aos agricultores: na Costa do Marfim, a tonelada de cacau custa agora 1.200.000 FCFA (2.100 $) contra 2.800.000 FCFA (4.939 $) há seis meses, enquanto no Gana o preço da tonelada caiu 28,6 % para 41.392 cedis (3.761 $) para o restante da temporada.

Espoir Olodo

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