No Gana, a pecuária contribui com 13% do PIB agrícola. Num contexto em que o governo deseja relançar a avicultura e acelerar o desenvolvimento da aquicultura, a procura por alimentos para animais deverá continuar a crescer.
A empresa biotecnológica dinamarquesa Insectum ApS, especializada na produção de proteínas para alimentação animal a partir de resíduos orgânicos, prepara-se para lançar a sua primeira instalação comercial no Gana.
De acordo com informações divulgadas pelos meios de comunicação internacionais, este novo projeto será realizado no âmbito de uma parceria tripartida celebrada a 4 de março em Acra, com a sua compatriota Michael Bundgaard Holding e a empresa ganesa JSO Waste, especializada na reciclagem e valorização de resíduos.
“Na Insectum, estamos muito entusiasmados por formar a nossa primeira parceria de franchising em África, e estamos particularmente orgulhosos de o fazer com a JSO e a Michael Bundgaard Holding, empresas com as quais a colaboração se impôs naturalmente desde o início”, afirmou David Munk-Bogballe, diretor-geral da Insectum ApS.
Com um investimento total de 2,5 milhões de euros (2,9 milhões de dólares), a futura fábrica terá capacidade para processar 8.000 toneladas de resíduos orgânicos por ano, transformando estes fluxos em proteínas para peixes e aves, bem como em fertilizantes orgânicos para a agricultura. Por enquanto, os detalhes sobre o início das obras e a localização do local ainda não são conhecidos.
Rumo à redução dos custos de produção de alimentos para animais
A particularidade da Insectum reside na sua tecnologia inovadora baseada na criação da mosca-soldado-negra (Hermetia illucens). As larvas deste inseto consomem os resíduos orgânicos e transformam-nos em proteínas e lipídios ricos, ideais para a alimentação animal. Os resíduos servem de fertilizantes naturais, apoiando a produção agrícola local e reduzindo a pegada ambiental.
O projeto responde a uma necessidade estratégica para o Gana, que procura relançar o setor avícola e desenvolver a aquicultura. Segundo a FAO, a farinha de mosca-soldado-negra constitui uma alternativa sustentável e mais barata em comparação com a farinha de peixe convencional, tradicionalmente usada na alimentação de peixes em aquicultura.
Num relatório publicado em janeiro, o Fórum Económico Mundial (WEF) sublinhou que, em África, as limitações relativas aos alimentos para peixes levam a custos de produção aquacultural superiores em 10 a 20% à média mundial. “Estes custos elevados devem-se à dependência de alimentos piscícolas convencionais, importados devido à capacidade limitada de produção local, compostos por farelo de soja [também essencial para consumo humano] e farinha de peixe [proveniente de captura de peixes selvagens]”, explica o WEF.
Neste contexto, a perspetiva de reduzir os custos de produção de alimentos para peixes à base de farinha de mosca-soldado-negra deverá sustentar a dinâmica de crescimento observada na indústria aquacultural ganesa nos últimos anos. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento da Pesca e Aquicultura, a produção aquacultural no Gana quase duplicou, passando de 52.360 toneladas em 2019 para 100.000 toneladas em 2023. Com este aumento significativo, a aquicultura representa atualmente cerca de 20% da captura total de peixes, estimada em 484.412 toneladas em 2023.
No setor avícola, o elevado custo de produção de alimentos para animais é também considerado um dos principais obstáculos ao desenvolvimento da indústria local. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o Gana produziu apenas 60.000 toneladas de carne de frango em 2023, ou seja, apenas 18% do consumo total, estimado em 330.000 toneladas no mesmo ano.
Com o seu projeto em preparação no Gana, a Insectum ApS e os seus parceiros procuram posicionar-se num mercado de alimentos para animais destinado a crescer, acompanhando a vontade do governo de aumentar a produção avícola e aquacultural nos próximos anos.
Stéphanas Assocle













Le Cap, Afrique du Sud - Sommet IA & blockchain : start-ups, régulateurs, investisseurs autour des technologies émergentes.