No Marrocos, o setor da pesca é o mais desenvolvido em África. Diante dos desafios persistentes relacionados à sobrepesca e às práticas ilegais, a gestão sustentável dos recursos marinhos torna-se uma prioridade estratégica para as autoridades.
O país aderiu oficialmente ao projeto internacional Global Marine Commodities 2 (GMC2) a 10 de março, conforme comunicado do Secretariado de Estado responsável pela Pesca Marinha.
Este programa quinquenal, liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e financiado pelo Fundo Mundial para o Ambiente, já é implementado em cinco outros países — Mauritânia, Senegal, Equador, Guatemala e Panamá — e visa promover a sustentabilidade da pesca marinha e a exploração responsável dos recursos halieuticos.
O projeto utiliza a experiência técnica do Sustainable Fisheries Partnership (SFP) para integrar requisitos de sustentabilidade ambiental e responsabilidade social nas cadeias de abastecimento marinhas, reforçando a governança da pesca e aumentando o valor dos produtos provenientes de práticas sustentáveis.
No Marrocos, o foco é nas pescarias pelágicas de pequena escala, especialmente sardinha e anchova. As intervenções incluem:
- Fortalecer a sustentabilidade dessas pescarias;
- Promover o consumo de produtos provenientes de cadeias responsáveis;
- Melhorar a disponibilidade e transparência de dados científicos sobre os estoques de peixe;
- Reforçar a cooperação regional em pesquisa e gestão de estoques comuns.
A necessidade é urgente: em junho de 2025, a União Nacional das Indústrias de Conservas de Peixe (UNICOP) alertou sobre a diminuição dos recursos, citando uma queda de 46% nos desembarques de sardinha entre 2022 e 2024 (de 965 mil para 525 mil toneladas), devido à captura de juvenis, à ineficiência no combate à pesca ilegal e a períodos de descanso biológico inadequados.
Parcerias internacionais
A integração no GMC2 reforça a participação do Marrocos em iniciativas de gestão sustentável. Em fevereiro de 2025, a Confederação Marroquina dos Armadores Industriais da Pesca Pelágica (COMAIP) assinou um protocolo com a COMHAFAT, reunindo 21 Estados africanos para harmonizar práticas de pesca sustentável no Atlântico.
Em 2023, o país já havia fornecido expertise científica para avaliar estoques halieuticos no Benim, Libéria e Costa do Marfim, ajudando a elaborar estratégias de conservação e gestão sustentável.
Segundo a FAO, as capturas de peixe no Marrocos atingiram 1,39 milhão de toneladas em 2023, representando 13,2% da produção total africana de 10,5 milhões de toneladas.
Stéphanas Assocle













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