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A Nigéria reforça a sua estratégia de combate à pleuropneumonia contagiosa bovina

A Nigéria reforça a sua estratégia de combate à pleuropneumonia contagiosa bovina
Segunda-feira, 13 de Abril de 2026

A pleuropneumonia contagiosa bovina, juntamente com a febre aftosa, é uma das principais doenças que afetam a pecuária bovina a nível mundial. Na Nigéria, onde a pecuária contribui com cerca de 35% do PIB agrícola, esta doença coloca em risco os rendimentos de muitos agricultores.

Na Nigéria, o Ministério do Desenvolvimento da Pecuária inaugurou, no passado dia 9 de abril, um grupo de trabalho técnico encarregado de definir medidas para combater a pleuropneumonia contagiosa bovina (CBPP).

Trata-se de uma doença bacteriana contagiosa que se manifesta por perda de apetite, febre, aumento da frequência respiratória, tosse, corrimento nasal, bem como respiração difícil e dolorosa nos animais afetados. Segundo a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), esta doença, cujos sinais clínicos nem sempre são evidentes, está associada a uma taxa de mortalidade que pode atingir 50%.

De acordo com um comunicado publicado no site do ministério, o novo grupo de trabalho servirá de base para a elaboração de um quadro nacional de controlo coerente e aplicável, com vista a reforçar o sistema de vigilância e melhorar a eficácia dos programas de vacinação contra a CBPP.

Esta iniciativa surge num contexto em que a doença é endémica na Nigéria. Dados compilados pelo Ministério do Desenvolvimento da Pecuária indicam, por exemplo, que 131 surtos da doença foram oficialmente registados em 2025, em 17 estados e nas seis zonas geopolíticas do país. Já em 2024, o Serviço Nacional de Extensão Agrícola e de Ligação para a Investigação (NAERLS) também assinalava casos de CBPP em 17 estados.

Estes números representam apenas uma parte do verdadeiro impacto, tendo em conta as limitações conhecidas em termos de cobertura de vigilância, cumprimento da notificação e confirmação diagnóstica. “Esta situação reflete uma doença não apenas enraizada nos nossos sistemas de produção, mas também sustentada por desafios estruturais que devemos agora enfrentar de forma decisiva”, refere o comunicado.

Perdas económicas que fragilizam o setor bovino

As doenças animais representam um pesado encargo para o efetivo pecuário, com consequências económicas significativas que afetam diretamente a segurança alimentar e os meios de subsistência dos pequenos criadores, e a CBPP não é exceção. Dados da NAERLS mostram, por exemplo, que a doença afetou 3.500 bovinos no estado de Taraba em 2024, provocando a morte de 700 animais e o abate de 138 cabeças para conter a sua propagação. Estas perdas reduzem a disponibilidade de produtos de origem animal, como leite e carne, numa altura em que o governo pretende aumentar a produção.

A situação é ainda mais preocupante tendo em conta que a Nigéria enfrenta outras doenças endémicas que também afetam o gado bovino, como a febre aftosa (FMD) e o antraz, que igualmente prejudicam o desempenho do rebanho. Além disso, a maioria do gado é criada em sistema pastoral por criadores nómadas e semi-nómadas, um modelo que apresenta uma produtividade relativamente baixa em comparação com práticas de gestão intensiva. Na Nigéria, o efetivo bovino foi estimado em 64,8 milhões de cabeças em 2024, segundo dados da NAERLS.

Stéphanas Assocle

 

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