No Senegal, o amendoim é um dos principais produtos agrícolas de exportação. Numa altura em que a colheita se anuncia mais abundante do que o previsto, as autoridades estão a repensar a sua estratégia de gestão da campanha de comercialização de 2025/2026.
No Senegal, a taxa de 4 % atualmente aplicada à exportação de carregamentos de amendoim foi suspensa para a campanha de comercialização 2025/2026. O anúncio foi feito pelo Ministério da Indústria e do Comércio num comunicado publicado na terça-feira, 13 de janeiro, no qual se precisa que a medida visa facilitar as exportações.
Para esta nova campanha de comercialização, as autoridades ambicionam colocar entre 300 000 e 450 000 toneladas de amendoim no mercado internacional. Caso esta projeção se concretize, poderá assinalar uma retoma das exportações do setor senegalês, que têm registado uma forte queda nos últimos anos, segundo dados compilados pela Agência Nacional de Estatística e Demografia (ANSD).
Depois de um pico de 336 000 toneladas alcançado em 2021, as exportações de amendoim caíram para 121 798 toneladas em 2024, representando uma diminuição de 64 % ao longo de quatro anos. Paralelamente, as receitas de exportação do setor também recuaram 57 %, passando de 154,7 mil milhões de francos CFA (274,7 milhões de dólares) para 65,3 mil milhões de francos CFA (115,9 milhões de dólares) no período considerado.
Uma produção mais elevada do que o previsto
Importa salientar que o alívio fiscal anunciado pelo Ministério da Indústria e do Comércio surge num contexto em que o setor antecipa uma colheita abundante. «Através desta medida, o Governo pretende dar uma resposta ao desafio da comercialização da produção deste ano, cujos volumes ultrapassam largamente as previsões, com mais de 900 000 toneladas registadas», sublinha o comunicado.
Esta abordagem, contudo, levanta dúvidas quanto à capacidade de absorção da colheita pelos circuitos tradicionais de comercialização, nomeadamente a transformação local, fazendo pairar o risco de congestionamento do mercado e de pressão descendente sobre os preços pagos aos produtores, perante a sobreprodução que se avizinha.
É neste contexto que, a 5 de janeiro último, o governo instruiu a Société nationale de commercialisation des oléagineux du Sénégal (SONACOS), principal empresa oleaginosa do país, a quase duplicar a sua capacidade de compra de amendoim, elevando-a para 450 000 toneladas, face a um objetivo inicial de 250 000 toneladas para a campanha em curso. Uma iniciativa que ainda não convenceu os produtores.
«Em dois meses, a SONACOS comprou apenas 62 000 toneladas de amendoim. Seria ilusório pensar que esta empresa é capaz de adquirir 450 000 toneladas de grão de amendoim», declarou o coordenador regional da associação camponesa Aar Sunu Momel, em Thiès, em declarações citadas pela Agência Senegalesa de Imprensa (APS) no passado dia 11 de janeiro.
Recorde-se que o governo decidiu fixar o preço mínimo de compra do quilograma de amendoim em 305 francos CFA junto dos produtores para a campanha de 2025/2026. Resta saber se a supressão anunciada da taxa de exportação produzirá o efeito esperado, estimulando as exportações e permitindo uma melhor regulação do mercado.
Stéphanas Assocle












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