A Sociedade Açucareira dos Camarões (Sosucam) pede rigoroso controle de importações para proteger a frágil indústria nacional de açúcar e garantir o abastecimento local.
Sosucam afirma que Camarões já tem mais de 100 mil toneladas em estoque, suficiente para atender a demanda interna.
A Sociedade Açucareira dos Camarões (Sosucam) deu início à campanha açucareira de 2025-2026, insistindo em um estrito controle das importações. Em uma carta enviada ao ministro do Comércio na quinta-feira, 13 de novembro, a companhia apresenta essas restrições como uma condição de sobrevivência para uma indústria fragilizada e submetida a pressões externas. A empresa afirma empregar 8.000 trabalhadores e 1.500 subcontratados, com o objetivo de moer toda a cana disponível e abastecer ininterruptamente o mercado local.
Com base em dados da Uprasc (União de Profissionais Ruralistas e Agricultores dos Camarões), a Sosucam afirma que não há "nenhuma necessidade" de autorizar novos volumes importados. Ela contabiliza mais de 100.000 toneladas já presentes em Camarões, das quais 70.000 toneladas vêm da refinaria de Douala e 30.000 toneladas de açúcar importado destinado à distribuição e à indústria. Com a crescente produção local, este conjunto seria suficiente para cobrir a demanda nacional neste período. A empresa alerta, ainda, contra estoques inicialmente destinados ao Chade, mas atualmente retidos em Douala e Ngaoundéré, devido a um aumento da taxação aduaneira chadiana: um influxo inesperado poderia saturar o mercado camaronês.
Um ambiente internacional desfavorável
No contexto internacional, a Sosucam descreve um ambiente impactado por políticas públicas de grandes produtores, como Brasil e Índia, que fornecem amplo suporte à sua indústria, mantendo os preços em níveis "artificialmente baixos". Tal situação alimenta, nos Camarões, as reivindicações de importadores por mais abertura.
O início da campanha ocorre após uma crise social que paralisou a empresa de 26 de janeiro a 8 de fevereiro de 2025. Com prejuízos de 5 bilhões de FCFA, a Sosucam aumentou o salário por hora de 280 para 285 FCFA e contratou 600 novos trabalhadores para garantir a campanha em andamento.
Desafiando sua dependência do mercado local, a Sosucam, de propriedade majoritária francesa, estimula milhares de empregos diretos e indiretos, mas ainda não atende toda a demanda de 300.000 toneladas por ano. A empresa alega que um relaxamento brusco das importações "agravaria a desregulação do mercado, fragilizaria a produção nacional e ameaçaria diretamente o emprego e o valor agregado local".
Como resultado, dois objetivos emergem: primeiro, estabilizar a relação social na empresa para garantir as colheitas e a produção e, segundo, esclarecer a estratégia pública entre a proteção do produtor local e a segurança do abastecimento para as famílias e a indústria.
Ces appuis maintiendraient les cours à des niveaux « artificiellement bas » et alimenteraient, au Cameroun, les revendications d’importateurs réclamant davantage d’ouvertures. L’industriel plaide donc pour une continuité réglementaire afin d’éviter ce qu’il considère comme une dérégulation au détriment de la production locale.
Les séquelles d’une crise sociale
Le lancement de la campagne intervient après une crise qui a paralysé l’entreprise du 26 janvier au 8 février 2025. Partie d’une grève de coupeurs de canne pour la revalorisation salariale et l’amélioration des conditions de travail, la contestation a dégénéré en violences. Bilan revendiqué : 50 000 t de canne perdue, environ 1000 ha détruits et un préjudice évalué à 5 milliards FCFA. Un peu plus avant, la Sosucam a accusé 22 milliards de pertes en 2024. Pour stabiliser l’activité, la direction a relevé le salaire horaire de 280 à 285 FCFA et recruté 600 nouveaux coupeurs en vue de sécuriser la campagne en cours. Ces mesures, tout en apaisant le climat, rappellent la vulnérabilité opérationnelle d’une filière exposée aux tensions sociales.
Entre protection et dépendance au marché local
Créée en 1965, détenue à 74 % par des capitaux français et à 26 % par l’État du Cameroun, Sosucam revendique des milliers d’emplois directs et indirects et une masse salariale annuelle de 14 milliards FCFA. Leader du marché, elle ne couvre pourtant pas l’ensemble d’une demande estimée à 300 000 t/an, ce qui amène régulièrement l’État à autoriser des importations pour combler un déficit structurel. L’enjeu est donc double : protéger la base productive nationale sans provoquer de pénurie ni d’envolée des prix.
Les angles morts de la compétitivité
Si Sosucam dénonce les subventions étrangères, elle évolue elle-même dans un cadre protecteur : fiscalité aménagée, régulation stricte des importations, concurrence limitée. Après près de cinquante ans d’activité, ses performances restent inférieures aux standards des leaders mondiaux. Les tensions du début d’année ont mis en lumière plusieurs fragilités : conditions de travail contestées, sous-investissement agricole et industriel, gouvernance sociale critiquée. Plusieurs observateurs estiment que la consolidation de la base productive, rendements à l’hectare, taux d’extraction, fiabilité industrielle, doit progresser pour justifier durablement la protection du marché.
Un débat public à clarifier
La demande de maintien des barrières s’inscrit dans une défense d’une filière dite stratégique. Mais une fermeture prolongée serait perçue par certains acteurs comme la préservation d’une position dominante, davantage que la recherche d’une compétitivité durable. Sosucam rétorque qu’un relâchement brusque des importations « aggraverait la dérégulation du marché, fragiliserait la production nationale et menacerait directement l’emploi ainsi que la valeur ajoutée locale ».
À l’orée de la nouvelle campagne, deux impératifs se dessinent. D’abord, stabiliser la relation sociale dans l’entreprise pour sécuriser les récoltes et la transformation. Ensuite, clarifier la stratégie publique entre protection du producteur local et sécurité d’approvisionnement des ménages et des industriels. C’est à ce point d’équilibre, où les volumes, les prix et les investissements convergent, que se jouera, au-delà d’une saison, la crédibilité de l’ensemble de la filière sucre au Cameroun.
Amina Malloum (Investir au Cameroun)













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