No Gana, o cacau e os seus derivados representam cerca de 60% das receitas das exportações agrícolas. No entanto, outras fileiras estão a ganhar força, contribuindo para a diversificação e o dinamismo dos fluxos comerciais.
No Gana, as exportações agrícolas não tradicionais geraram 710,3 milhões de dólares em receitas em 2025. É o que revela a Autoridade Ghanesa de Promoção das Exportações (GEPA) no seu relatório anual sobre estatísticas das exportações não tradicionais, publicado no domingo, 19 de abril.
Este valor representa um aumento de 37,82% face aos 515,41 milhões de dólares registados no ano anterior. Importa notar que esta categoria inclui todos os produtos agrícolas exportados pelo país da África Ocidental, com exceção do cacau — considerado um produto de exportação tradicional — e dos produtos agrícolas transformados.
A castanha de caju e outros produtos
Embora o desempenho do setor seja impulsionado pelo crescimento de várias fileiras, continua a ser liderado pela castanha de caju, que também se posiciona como o segundo produto agrícola de exportação do Gana, depois do cacau. Segundo a GEPA, as receitas provenientes da exportação da castanha aumentaram 10% num ano, atingindo 297,59 milhões de dólares em 2025, o que representa também 42% das receitas totais geradas por todos os produtos agrícolas não tradicionais.
O segundo produto agrícola não tradicional mais exportado é a manteiga de karité, que gerou 177,79 milhões de dólares, mais do dobro das receitas registadas em 2024 (82,1 milhões de dólares), destacando-se como o produto com maior crescimento no Top 3. Segundo a GEPA, esta evolução resulta sobretudo de mudanças na política nacional, nomeadamente a proibição antecipada das exportações de nozes de karité em bruto anunciada em julho de 2025, o que acelerou as exportações antes da sua entrada em vigor.
A banana surge em terceiro lugar, com 75,99 milhões de dólares em receitas, mais 27% do que no ano anterior.
Destaque para outros produtos agrícolas
Para além deste trio, a maioria dos restantes produtos agrícolas exportados registou também aumentos de receitas. “Os setores emergentes de exportação, como o gado e as flores cortadas, também registaram ganhos significativos, apoiados por iniciativas governamentais direcionadas para reforçar a cadeia de valor agrícola”, explica a GEPA.
De forma geral, o aumento das receitas das exportações agrícolas não tradicionais demonstra uma diversificação progressiva da estrutura exportadora do Gana, para além do cacau, que continua a representar uma parte substancial das receitas agrícolas do país. O desafio será manter esta dinâmica de crescimento nos próximos anos, de forma a sustentar a balança comercial alimentar.
Este desafio é ainda mais relevante num contexto de queda dos preços internacionais do cacau em relação ao pico de 2024, o que poderá afetar o desempenho do setor agrícola exportador em 2026. Recorde-se que o Gana faz parte do grupo restrito de países africanos exportadores líquidos de produtos agroalimentares, sobretudo graças ao setor do cacau.
Stéphanas Assocle













Meknès - Durabilité de la production animale et souveraineté alimentaire