Este enquadramento orçamental serve igualmente como um sinal para os investidores e parceiros financeiros quanto à estabilidade e às perspetivas económicas do país.
O Governo da Costa do Marfim prevê um crescimento económico médio de 6,8% para o período 2027-2029, de acordo com o Documento de Programação Orçamental e Económica Plurianual aprovado em Conselho de Ministros na quarta-feira, 3 de junho.
Através deste documento de programação, o Governo pretende preservar a estabilidade macroeconómica, apoiar um crescimento sustentável e garantir o equilíbrio das finanças públicas. No plano orçamental, prevê continuar a reforçar a mobilização das receitas internas, nomeadamente através da implementação da Estratégia Nacional de Mobilização de Receitas a Médio Prazo (2024-2028).
Esta orientação é acompanhada por uma racionalização da despesa pública e por uma gestão rigorosa do endividamento, com o objetivo de preservar a sustentabilidade global das finanças do Estado.
Paralelamente, as autoridades marfinenses preveem aumentar os investimentos estruturantes, considerados alavancas essenciais para sustentar o crescimento económico e reforçar a competitividade do país. Por fim, pretendem reforçar as políticas sociais e ambientais através de ações de combate à pobreza e de iniciativas destinadas a melhorar a resiliência da economia face aos efeitos das alterações climáticas.
Finanças públicas orientadas para o investimento e a sustentabilidade
As projeções orçamentais apontam para um aumento contínuo da despesa pública durante o período abrangido pela programação. O orçamento deverá passar de 17,3502 biliões de francos CFA (30,7 mil milhões de dólares) em 2026 para 18,4661 biliões de francos CFA em 2027, o que representa um aumento de 6,64%.
Esta trajetória deverá prosseguir, atingindo 20,4853 biliões de francos CFA em 2028 e 22,3158 biliões de francos CFA em 2029.
O documento insere-se numa lógica de planeamento económico de médio prazo destinada a consolidar a trajetória de crescimento da Costa do Marfim, reforçando simultaneamente a sustentabilidade das finanças públicas. Surge num contexto marcado pela renovada confiança dos investidores internacionais, ilustrada pela confirmação da notação soberana do país em Ba2, com perspetiva estável, pela agência Moody’s em março de 2026.
Esta avaliação assenta em perspetivas de crescimento robustas, estimadas entre 6% e 7% ao ano, na diversificação progressiva da economia, na disciplina orçamental, na melhoria das receitas fiscais e numa gestão prudente da dívida pública.
«A dívida pública mantém-se sustentável, devendo o seu rácio passar de 59% do PIB em 2024 para 56% em 2027, o que demonstra uma gestão prudente», sublinha o Governo.
Carelle Yourann (estagiária)













Johannesburg