Este programa de 38 meses, aprovado pelo FMI, destina-se a financiar a economia ruandesa face às crescentes incertezas globais. É acompanhado por exigências de consolidação orçamental e de reformas estruturais.
O Ruanda recebeu um primeiro desembolso de 35,7 milhões de dólares do FMI, na sequência da aprovação, em 8 de junho de 2026, de um novo programa de financiamento com a duração de 38 meses ao abrigo da Facilidade Alargada de Crédito (FAC).
Com um montante total de cerca de 250 milhões de dólares, este programa surge na sequência do acordo preliminar alcançado em abril entre as autoridades ruandesas e a instituição de Bretton Woods. O seu objetivo é apoiar o país num contexto internacional marcado pelo endurecimento das condições de financiamento e pelo aumento das incertezas geopolíticas.
O programa assenta em três pilares: o reforço da estabilidade macroeconómica, uma melhor gestão dos riscos orçamentais e da dívida, bem como a promoção de um crescimento mais impulsionado pelo setor privado e o reforço da governação das empresas públicas.
Segundo o FMI, este apoio financeiro deverá permitir ao Ruanda manter as suas despesas sociais e de desenvolvimento, preservar o dinamismo da sua economia e reconstruir gradualmente as suas margens de manobra orçamentais.
Crescimento, dívida e reformas no centro do programa
Este desembolso ocorre num contexto em que a economia ruandesa registou um crescimento de 9,4% em 2025, impulsionado, nomeadamente, pelas exportações de café e de minerais. Contudo, as perspetivas deterioraram-se devido ao aumento dos preços internacionais do petróleo e dos fertilizantes, alimentado pela guerra no Médio Oriente. Neste contexto, o FMI prevê uma desaceleração do crescimento para 6,8% em 2026, enquanto a inflação atingiu 13,2% em abril.
O FMI apela às autoridades para que levem a cabo um ajustamento orçamental gradual, de modo a reduzir o défice público, previsto em 5,7% do PIB em 2026, para 3% até 2029. Esta trajetória é considerada necessária para conter os desequilíbrios externos e preservar a sustentabilidade da dívida pública, cujo nível deverá atingir um pico de 73,1% do PIB em 2026.
“A implementação de reformas estruturais será essencial para reforçar a resiliência e apoiar um crescimento mais impulsionado pelo setor privado”, declarou Bo Li. Entre as prioridades do programa, destacou a melhoria da eficiência do investimento público, o reforço dos quadros institucionais e a aceleração das reformas das empresas públicas.
A instituição considera ainda que uma política monetária rigorosa e uma maior flexibilidade da taxa de câmbio serão necessárias para controlar as pressões inflacionistas e reforçar a resiliência da economia face a choques externos.
Charlène N’dimon













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