Declarada em meados de maio na RDC e no Uganda, a epidemia de Ébola suscita preocupações quanto a uma possível propagação regional. Até domingo, 7 de junho, a RDC registava 515 casos confirmados e 91 mortes, enquanto o Uganda contabilizava 19 casos confirmados e 2 mortes.
Os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciaram, na sexta-feira, 5 de junho, o lançamento de um plano continental de preparação e resposta à epidemia de Ébola associada à estirpe Bundibugyo.
Dotada de um orçamento de 518 milhões de dólares, esta iniciativa representa um aumento em relação à estimativa inicial de 318,97 milhões de dólares. O plano visa reforçar as capacidades dos países africanos em matéria de prevenção, deteção e resposta à doença. Abrangerá o período de junho a novembro de 2026.
O programa assenta numa abordagem coordenada denominada «Uma Resposta Única», que reúne governos, parceiros técnicos e financeiros, bem como comunidades locais, em torno de um quadro de ação comum. As intervenções previstas incluem a vigilância epidemiológica, as análises laboratoriais, os cuidados clínicos, a prevenção e o controlo das infeções, a mobilização comunitária, a investigação e o apoio logístico.
«Só uma parceria estreita, baseada numa colaboração sob a liderança dos países afetados, permitirá controlar esta epidemia», declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. O responsável insistiu no papel central das comunidades na rastreabilidade dos contactos e na adoção de práticas sanitárias seguras para limitar a transmissão do vírus.
Por seu lado, Jean Kaseya, diretor-geral do Africa CDC, sublinhou a urgência de uma ação rápida face à propagação da doença, considerando que este plano oferece ao continente «um caminho claro para agir com rapidez e unidade», de forma a proteger as populações em risco e apoiar os países afetados.
Desde a declaração da epidemia de Ébola, em meados de maio, a RDC registou 515 casos confirmados e 91 mortes, concentrados sobretudo na província de Ituri, epicentro da crise. O Uganda contabilizou, na mesma data, 19 casos confirmados e 2 mortes.
Perante esta situação, as autoridades sanitárias classificaram o surto como uma emergência de saúde pública de alcance internacional logo a 17 de maio, devido, nomeadamente, à intensidade dos movimentos populacionais entre a RDC e os países vizinhos, bem como às limitações de segurança e humanitárias que dificultam as operações de resposta.
Para além da emergência sanitária, riscos económicos
Para além do seu custo humano, a epidemia poderá também afetar as economias locais. Os surtos sanitários perturbam geralmente as cadeias de abastecimento, reduzem a mobilidade da mão de obra e fragilizam as atividades agrícolas e comerciais nas zonas afetadas.
Os receios relacionados com o Ébola já conduziram a restrições pontuais nas fronteiras, nomeadamente entre a RDC e o Ruanda, na região de Goma e Gisenyi, bem como entre a RDC e o Uganda, afetando o comércio transfronteiriço informal do qual dependem numerosas comunidades.
Esta crise evidencia igualmente as fragilidades persistentes dos sistemas de saúde africanos e a dependência de muitos Estados da ajuda externa em períodos de emergência. Sublinha ainda a importância de investimentos sustentáveis nas infraestruturas sanitárias de base, no saneamento e nos sistemas de vigilância epidemiológica, de forma a reduzir a vulnerabilidade do continente perante futuras crises sanitárias.
Este plano vem complementar os dispositivos nacionais de resposta já implementados na RDC e no Uganda.
Ingrid Haffiny













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