Dacar pondera nacionalizar um dos seus mais importantes projetos de gás, Yakaar-Teranga, para priorizar o gás destinado ao mercado interno. A nacionalização visa alinhar o projeto com a estratégia energética nacional.
O Senegal prevê nacionalizar o projeto offshore Yakaar-Teranga para reforçar o seu abastecimento de gás natural. O anúncio foi feito na terça-feira, 9 de dezembro, pelo ministro da Energia, Birame Souleye Diop (na foto), durante uma conferência em Diamniadio.
Apresentado pelas autoridades como um « projeto estruturante » para a política energética nacional, Yakaar-Teranga deverá contribuir para a produção de eletricidade, reduzir as importações de combustíveis e, a prazo, também alimentar exportações. « É um projeto para o qual já temos operadores, e queremos nacionalizá-lo e dar à Petrosen, que possui a expertise, a oportunidade de desenvolver este projeto a fim de responder às necessidades internas de gás, sem excluir a possibilidade de exportação », declarou Birame Souleye Diop.
O perímetro é atualmente controlado em 90 % pela Kosmos Energy, sendo os 10 % restantes detidos pela empresa pública de petróleo, Petrosen. Os parceiros tinham indicado no ano passado que uma decisão final de investimento, estimada em 5 mil milhões de dólares, era esperada antes do final de 2025, mas nenhuma precisão foi dada desde então. A ausência desta decisão poderá clarificar o contexto do anúncio, numa altura em que o calendário de entrada em produção permanece incerto.
A perspetiva de nacionalização surge igualmente num contexto de atrasos. A retirada da BP, o anterior operador, no final de 2023, já tinha atrasado a decisão final de investimento.
Esta orientação inscreve-se, além disso, numa lógica já expressa pelo Estado. Desde 2019, a direção regional da África Ocidental da Kosmos Energy afirmava que a primeira fase do Yakaar-Teranga seria prioritariamente dedicada às necessidades internas do Senegal.
A declaração do ministro confirma assim que o abastecimento do mercado interno continua no centro da estratégia de exploração do projeto. A nacionalização surge aqui como um instrumento que permite ao Estado alinhar mais estreitamente a governação do projeto, o seu calendário de desenvolvimento e as suas prioridades industriais com os objetivos nacionais. Esta opção ofereceria ao Estado uma maior margem de manobra sobre o ritmo de avanço do projeto, sobre a alocação dos volumes de gás e sobre o equilíbrio entre usos domésticos e exportações.
Olivier de Souza













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