Este montante foi anunciado no final da 3.ª Conferência Internacional sobre o Sudão, realizada em Berlim. Um dos objetivos do encontro era apelar às partes beligerantes para pôr fim às hostilidades que já duram há três anos, consideradas a pior crise humanitária do mundo.
Os doadores internacionais indicaram que irão disponibilizar 1,5 mil milhões de euros (mais de 1,7 mil milhões de dólares), dos quais 811 milhões de euros provenientes da União Europeia (UE) e dos seus Estados-membros, para responder à crise humanitária no Sudão. É o que indica a declaração conjunta dos participantes, publicada na quinta-feira, 16 de abril de 2026, no final da conferência internacional sobre o Sudão.
Este montante deverá servir para responder às necessidades humanitárias no Sudão, bem como nos países vizinhos, que continuam a acolher um grande número de pessoas em busca de refúgio.
«Comprometemo-nos hoje a prosseguir incansavelmente os nossos esforços coletivos para garantir que o Sudão não se torne uma crise esquecida e apelamos a todos os nossos parceiros que intensifiquem os esforços para pôr fim a este conflito», sublinha o comunicado.
A conferência, organizada pela Alemanha, França, Reino Unido, Estados Unidos da América, União Africana (UA) e União Europeia, reuniu diversas personalidades e organizações, incluindo ministros e representantes de 55 Estados, bem como doadores. Estiveram também presentes representantes de organizações regionais como a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento e a Liga dos Estados Árabes. A estes juntaram-se representantes do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento, bem como 38 ONG internacionais e sudanesas.
O objetivo da conferência era apelar às partes em conflito para cessarem as hostilidades, cumprirem imediatamente o direito internacional humanitário e garantirem um acesso humanitário total, seguro e sem entraves a todo o território sudanês, incluindo através de operações transfronteiriças. Foi também solicitado que eliminem todos os obstáculos burocráticos à entrega de ajuda de emergência, protejam os civis e assegurem a implementação das operações humanitárias.
Uma guerra que dura há três anos
O Sudão enfrenta a pior crise humanitária e de deslocamento do mundo, que já dura há três anos (com os confrontos a terem começado a 15 de abril de 2023), segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
Duas fações militares rivais enfrentam-se: de um lado, as Forças Armadas Sudanesas (SAF), lideradas pelo general Abdel Fattah al-Burhan, de facto no poder após o golpe de Estado; do outro, as Forças de Apoio Rápido (RSF) do general Mohammed Hamdan Daglo, conhecido como «Hemetti».
Segundo a ONU, «a tomada de El Fasher a 26 de outubro de 2025 pelas forças paramilitares das Forças de Apoio Rápido e a escalada da violência no norte de Darfur e nos estados de Kordofan mergulharam o Sudão numa nova fase de instabilidade».
Quase 13 milhões de pessoas foram deslocadas à força devido ao conflito, incluindo sete milhões dentro do país. Mais de quatro milhões foram obrigadas a fugir para países vizinhos.
Além disso, as necessidades humanitárias continuam a aumentar: estima-se que 33,7 milhões de pessoas no Sudão necessitem de assistência. A fome já afeta várias regiões do país e cerca de 30 milhões de habitantes precisam de ajuda alimentar. Aproximadamente 12 milhões de pessoas, incluindo muitas crianças, estão atualmente expostas a violência de género.
Lydie Mobio













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