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Senegal: Mercados reagem negativamente ao anúncio de Sonko sobre a redução dos preços da energia

Senegal: Mercados reagem negativamente ao anúncio de Sonko sobre a redução dos preços da energia
Quarta-feira, 29 de Outubro de 2025

Anúncio do Primeiro Ministro Ousmane Sonko sobre redução dos preços da energia e combustíveis provoca queda nos títulos do Senegal em mercados internacionais.
Medida popular gera preocupação de investidores e do Fundo Monetário Internacional (FMI), atualmente em missão em Dakar.

A decisão do Primeiro Ministro Ousmane Sonko evidencia a vontade de um executivo sob pressão de impulsionar o poder aquisitivo. Porém, também ilustra a delicada linha sobre a qual Senegal avança: a de um país em busca de credibilidade financeira, ao mesmo tempo que tenta preservar a paz social.

Os títulos do Senegal caíram na terça-feira, 28 de outubro de 2025, nos mercados internacionais, ao dia seguinte do anúncio do Primeiro Ministro Ousmane Sonko de uma próxima redução nos preços da eletricidade e combustíveis. Uma medida popular, mas que já desperta preocupação entre investidores e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que está atualmente em missão em Dakar.

Um grande passo social, porém, de alto risco fiscal

O chefe do governo senegalês prometeu, na segunda-feira à noite, "reduzir nos próximos dias os custos da energia" para as famílias. Uma decisão apresentada como um "alívio necessário" diante do alto custo de vida. Mas este anúncio ocorre quando o país enfrenta um período de forte tensão em suas finanças públicas, e negocia um novo programa de ajuda com o FMI.

Como resposta, os eurobonds senegaleses caíram: o empréstimo em euros com vencimento em 2028 perdeu quase 2 centavos, estabelecendo-se em 82,9 centavos, enquanto o em dólares com vencimento em 2033 recuou mais de um centavo para 69,3 centavos. Sinais interpretados como uma perda momentânea de confiança dos mercados.

O FMI defende a eliminação progressiva dos subsídios

Há vários meses, o FMI exorta Dakar a reduzir progressivamente os subsídios à energia, que pesam muito no orçamento. O governo, por sua vez, garante querer redirecionar os gastos para os setores produtivos sem aumentar a dívida.

Porém o anúncio de Sonko, durante a visita dos representantes do Fundo, surpreendeu muitos observadores. O FMI queria ver um ajuste explícito nas tarifas para tornar o sistema mais sustentável.

Uma dívida no centro das preocupações

O índice dívida/PIB do Senegal agora ultrapassa 130%, após a descoberta de dívidas não declaradas pela administração anterior. O país busca adquirir uma isenção do FMI para possuir um novo programa após a suspensão de seu antigo programa de 1,8 bilhão de dólares, no início deste ano.

No início de outubro, as autoridades reconheceram ter aumentado suas projeções de serviço da dívida em mais de 3200 bilhões de francos CFA (5,66 bilhões de dólares). Para 2026, a projeção é de aproximadamente 5490 bilhões de CFA, contra uma estimativa anterior menor.

Balanceando a equação social e a rigor econômico

Politicamente, essa anunciada redução nos preços da energia poderia aliviar parte do descontentamento social. Mas coloca o governo diante de um dilema: responder à demanda popular sem comprometer os equilíbrios macroeconômicos.

Para Dakar, a prioridade agora será convencer seus parceiros internacionais de que a justiça social e a disciplina fiscal podem caminhar lado a lado.

Fiacre E. Kakpo

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