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A digitalização das portagens acelera-se na África Ocidental, impulsionada pela necessidade de fluidificar o tráfego e modernizar a gestão das infraestruturas rodoviárias. No Benim, esta transição inicia-se num contexto de pressão crescente sobre corredores estratégicos e de transformação das práticas de mobilidade.

No Benim, foi lançado na quarta-feira, 18 de março, um serviço de portagem automatizado destinado a desmaterializar o pagamento das taxas rodoviárias nos postos de cobrança. Iniciativa da Sociedade de Infraestruturas Rodoviárias e Ordenamento do Território (SIRAT SA), este sistema, denominado SIRATPay, visa melhorar a fluidez do trânsito, reforçar a transparência das operações e reduzir o uso de numerário nas vias com portagem.

O seu lançamento ocorre num contexto marcado pelo aumento do parque automóvel nacional, enquanto as restrições à fluidez do tráfego se acentuam, sobretudo em corredores transnacionais como a estrada inter-Estados Cotonou–Lagos, uma artéria muito movimentada devido à intensidade do comércio entre o Benim e a Nigéria.

“Em 2025, foram registadas mais de 16 milhões de passagens na rede SIRAT, com uma dependência quase total dos pagamentos em numerário. O resultado: longas filas de espera, perda de tempo para os utentes e limitações operacionais significativas. Este modelo já não responde às exigências atuais de mobilidade”, explicou Ranti Akindès, diretor-geral da SIRAT SA.

Uma modernização progressiva da gestão do tráfego

Esta iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla destinada a modernizar os serviços rodoviários e a melhorar a gestão do tráfego. Neste âmbito, o governo anunciou, no início do mês, a instalação próxima de um sistema de videovigilância em cinco cidades e em algumas localidades fronteiriças. O objetivo é reforçar a segurança pública e a monitorização dos fluxos transfronteiriços, ao mesmo tempo que se melhora a supervisão do tráfego urbano e interurbano.

Para além disso, estas reformas no Benim estão alinhadas com uma tendência observada na África Ocidental, marcada pela transformação dos modelos de gestão do tráfego num contexto de crescimento urbano e intensificação dos desafios de mobilidade. Na Costa do Marfim, por exemplo, sistemas de portagem automatizada e videomonitorização já estão implementados, enquanto projetos de videovigilância decorrem em países como a Guiné e o Senegal.

Contudo, persistem desafios relacionados com as condições operacionais. A disponibilidade de conectividade estável, a manutenção dos equipamentos, a proteção dos dados recolhidos e a formação do pessoal responsável pela operação do sistema figuram entre os principais obstáculos a superar.

Henoc Dossa

 

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A interoperabilidade entre os serviços bancários e o mobile money constitui um acelerador importante para a adoção de pagamentos digitais. É nesse contexto que a operadora de telecomunicações MTN selou uma parceria estratégica com um banco zambiano.

A operadora MTN Zambia dá um novo passo no desenvolvimento dos pagamentos digitais. A sua subsidiária, MTN Mobile Money Zambia, anunciou na terça-feira, 17 de março, uma parceria com o Indo Zambia Bank (IZB), permitindo aos seus utilizadores efetuar pagamentos diretamente nos terminais de pagamento eletrónico (POS) do banco.

Concretamente, os detentores de carteiras MoMo podem agora pagar as suas compras junto de comerciantes equipados com terminais IZB, sem recorrer a dinheiro físico. Esta interligação entre mobile money e a infraestrutura bancária insere-se numa dinâmica mais ampla de interoperabilidade dos serviços financeiros digitais no país.

Para o CEO da MTN Mobile Money, Komba Malukutila, “esta iniciativa representa um passo importante para um ecossistema de pagamentos digitais totalmente interoperável, promovendo a inclusão financeira e a inovação”. Acrescentou que o MTN MoMo vai além do dinheiro móvel tradicional, oferecendo serviços mais inteligentes, inclusivos e melhor integrados para clientes e empresas em toda a Zâmbia.

A iniciativa baseia-se na integração dos sistemas das duas entidades, permitindo um processamento instantâneo das transações. Apoia-se também nos investimentos recentes do Indo Zambia Bank na modernização das suas soluções digitais, incluindo o core banking, os serviços de pagamento eletrónico e as ferramentas de banca digital.

Para além do aspeto tecnológico, esta parceria responde a várias necessidades. Visa primeiro melhorar a experiência do utilizador, simplificando os pagamentos do dia a dia. Pretende também reforçar a inclusão financeira, proporcionando aos utilizadores de mobile money um acesso mais amplo aos serviços de pagamento formais.

Esta colaboração surge num contexto em que as autoridades zambianas incentivam a transição para uma economia menos dependente do dinheiro em espécie. Ao facilitar as transações entre contas móveis e terminais bancários, MTN e Indo Zambia Bank contribuem para a estruturação de um ecossistema de pagamentos mais integrado.

Adoni Conrad Quenum

 

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A Costa do Marfim multiplica as iniciativas para apoiar a sua transição digital. Entre as mais recentes destacam-se a formação dos atores do setor educativo em ferramentas digitais e em inteligência artificial (IA), bem como a implementação de serviços públicos online unificados.

Na Costa do Marfim, o Ministério da Transição Digital e da Inovação Tecnológica revelou, na terça-feira, 17 de março, cinco prioridades estratégicas para o ano em curso, por ocasião da abertura do exercício orçamental do ministério.

Estas prioridades incluem a democratização do acesso à Internet, com o objetivo de reduzir a fratura digital e facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços digitais. O ministério pretende também otimizar a arrecadação de receitas do Estado através da implementação de soluções de pagamento digital. Prevê ainda reforçar as competências e a inclusão digitais, melhorar a cibersegurança e a confiança no ecossistema digital, bem como apoiar a inovação e a adoção de tecnologias emergentes.

«É essencial que asseguremos coletivamente uma execução ótima das nossas atividades, para alcançar os objetivos definidos no nosso Quadro de Desempenho 2026, contribuindo eficazmente para a transformação digital do nosso país», declarou Djibril Ouattara, ministro da Transição Digital.

Iniciativas concretas para reforçar competências e inovação

A transição digital constitui uma prioridade estratégica para a Costa do Marfim. Entre as iniciativas recentes do governo destacam-se a formação dos profissionais do setor educativo em ferramentas digitais e inteligência artificial, a criação de serviços públicos online integrados e a organização de eventos internacionais dedicados às tecnologias emergentes.

Neste contexto, o governo marfinense, em parceria com a Unesco e a cooperação alemã GIZ, lançou em março a segunda fase do projeto de Desenvolvimento das Competências Digitais dos Quadros e Professores (DCNPEE).

Para o exercício de 2026, o orçamento do Ministério da Transição Digital e da Inovação Tecnológica ascende a 83,2 mil milhões de francos CFA (145,2 milhões de dólares), contra 68,6 mil milhões de francos CFA em 2025.

Charlène N’dimon

 

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Com uma pontuação de 0,4 em 1 no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) em 2024, segundo a ONU, a Guiné está a progredir, mas continua a enfrentar uma digitalização fragmentada. A centralização dos serviços públicos surge agora como um fator-chave para melhorar a eficiência administrativa.

O ministro da Função Pública e da Modernização da Administração, Faya François Bourouno (foto, à direita), assinou na segunda-feira, 16 de março, em Bacu, um acordo com o Azerbaijão para a criação de um balcão único de serviços públicos, um dispositivo destinado a simplificar e digitalizar os procedimentos administrativos.

Este futuro balcão único tem como objetivo centralizar o acesso aos serviços administrativos, permitindo aos utilizadores realizar vários procedimentos através de uma única interface. Inspirado no modelo azerbaijano ASAN Service, reconhecido pela sua eficácia, o sistema deverá contribuir para reduzir os prazos de processamento, limitar a burocracia e melhorar a qualidade dos serviços públicos.

Uma digitalização ainda fragmentada dos serviços públicos

Este projeto surge num contexto de aceleração da digitalização dos serviços públicos na Guiné. Nos últimos anos, várias iniciativas foram lançadas, nomeadamente na gestão das finanças públicas, na modernização do registo civil e na desmaterialização de alguns serviços fiscais. No entanto, estes sistemas funcionam muitas vezes de forma isolada, o que limita o seu impacto global na eficiência da ação pública.

A implementação de um balcão único surge, assim, como uma resposta a esta fragmentação, permitindo integrar progressivamente diferentes serviços numa plataforma centralizada. Esta abordagem está alinhada com os padrões internacionais de governação digital, onde a interoperabilidade dos sistemas é um fator essencial de desempenho.

A Guiné apresenta, no entanto, progressos no domínio da administração digital. Segundo o Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) das Nações Unidas, o país obteve uma pontuação de 0,4 em 1 em 2024, ocupando a 160.ª posição entre 193 países, face a 0,3 e à 162.ª posição em 2022. Esta evolução reflete uma melhoria gradual das capacidades digitais do Estado, embora ainda sejam necessários esforços adicionais para reforçar a integração e a acessibilidade dos serviços.

Samira Njoya

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O vandalismo contra infraestruturas de telecomunicações é um fenómeno comum em vários mercados, mas os seus impactos são particularmente graves em países como a República Centro-Africana, onde a infraestrutura digital nacional já é frágil.

O governo centrafricano alertou na semana passada para o aumento de atos de vandalismo direcionados à rede nacional de fibra óptica, que comprometem a qualidade e a disponibilidade dos serviços.

Num comunicado divulgado na sexta-feira, 13 de março, o Ministério da Economia Digital, dos Correios e das Telecomunicações informou sobre dois incidentes distintos. No primeiro, o troço Bangui–Boali teve o cabo desenterrado e queimado, causando danos significativos. No eixo Carnot–Berbérati, o cabo de fibra óptica foi cortado com machete por indivíduos mal-intencionados.

O ministério acrescenta que a empresa pública camaronesa Camtel, parceira de conectividade internacional da República Centro-Africana, também reportou incidentes similares, incluindo nos segmentos Limbé–Batoké e Bangui–Boali, a cerca de doze quilómetros da capital. A imprensa local também documentou vários casos.

« Estes atos de vandalismo causaram interrupções nos serviços de telecomunicações, afetando populações e empresas dependentes da fibra óptica », declarou o ministério. Equipas técnicas foram enviadas para avaliar os danos, proteger as instalações e restaurar a operação da rede.

Infraestrutura recente e estratégica

Os atos de vandalismo atingem uma rede de fibra óptica relativamente nova, em serviço desde 2023, como parte do projeto Central African Backbone (CAB), que visa conectar os países da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) através de infraestruturas de alta velocidade.

Na República Centro-Africana, foram instalados 935 km de fibra para ligar o país à República do Congo e ao Camarões, funcionando como backbone nacional e porta de acesso à conectividade internacional, essencial para um país sem ligação direta a cabos submarinos.

Antes da sua implementação, quase toda a capacidade internacional dependia de ligações via satélite, segundo a « Avaliação da Economia Digital na República Centro-Africana » do Banco Mundial (2020), limitando a concorrência e mantendo preços elevados, tornando o mercado menos atraente para investidores privados devido aos custos de instalação e manutenção.

Assim, qualquer degradação da rede pode ter efeitos sistémicos, podendo alguns incidentes provocar cortes mais amplos, afetando grandes áreas do país ou mesmo toda a rede.

Responsabilidade coletiva contra o vandalismo

As autoridades centro-africanas defendem que a proteção da infraestrutura de fibra óptica é uma responsabilidade coletiva. « Estamos perante uma situação preocupante que exige ação rápida e coordenada para proteger as nossas infraestruturas críticas », afirmou Gauthier Guezewane Gbowe, encarregado de missão do ministério para a economia digital.

O ministério apelou às autoridades locais e forças de segurança para reforçar a vigilância das infraestruturas estratégicas. As comunidades locais são incentivadas a denunciar comportamentos suspeitos e os operadores a intensificar medidas de segurança e manutenção preventiva.

Outros países africanos também adotaram medidas contra o vandalismo. Na Nigéria, cerca de 50 000 incidentes de corte de fibra foram reportados em 2024, levando o governo a criminalizar danos às infraestruturas de telecomunicações. Na Gâmbia, uma política de abril de 2023 prevê multas mínimas de 500 000 dalasis (cerca de 6 800 dólares) por danos à rede, e a empresa pública de telecomunicações implementou um sistema de recompensas por denúncias.

Por todo o continente, operadores, reguladores e Estados apostam no reforço do quadro legal, campanhas de sensibilização e coordenação reforçada, entre outras medidas.

Isaac K. Kassouwi

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Até agora, Angola depende de dados satelitais estrangeiros para a observação da Terra. Esta dependência, apesar das ambições crescentes no setor espacial, limita a sua autonomia na gestão de recursos, monitorização ambiental e planeamento estratégico.

Na segunda-feira, 16 de março, as autoridades angolanas lançaram oficialmente o projeto de construção e colocação em órbita do primeiro satélite de observação da Terra do país, ANGEO-1. Com um custo estimado de cerca de 225 milhões de euros (259 milhões USD), o satélite está a ser desenvolvido em parceria com a Airbus.

Os trabalhos foram iniciados nas instalações da Airbus Defence and Space, em Toulouse, França, pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Augusto da Silva Oliveira. Durante a cerimónia, o ministro destacou que o ANGEO-1 permitirá a Angola aceder de forma soberana e direta a mais de 1 000 imagens de alta resolução por dia, segundo um comunicado do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN), que fazia parte da delegação angolana.

“Esta capacidade será essencial para apoiar o desenvolvimento económico, a gestão sustentável dos recursos naturais e a segurança do território, reforçando a capacidade do país de elaborar políticas públicas e tomar decisões estratégicas baseadas em dados concretos”, lê-se no comunicado.

O projeto insere-se no âmbito da implementação do Programa Espacial Nacional. As autoridades ambicionam transformar a República de Angola de um mero utilizador de serviços, produtos e tecnologias espaciais em operador e produtor dessas mesmas tecnologias, garantindo assim a sua independência tecnológica espacial. Além das telecomunicações, está previsto um programa de observação da Terra, voltado para a monitorização ambiental, agricultura de precisão, gestão de recursos naturais e prevenção de catástrofes.

Neste contexto, o Presidente da República, João Lourenço, anunciou em outubro de 2025 a criação da Agência Espacial Angolana. O Livro Branco das TIC 2023–2027 prevê igualmente a criação de um centro de estudos espaciais, a formação de especialistas nacionais e o desenvolvimento de infraestruturas de comunicação, navegação e meteorologia.

Isaac K. Kassouwi

 

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As cooperações digitais estão a assumir um papel cada vez mais importante no fortalecimento das relações bilaterais entre países. Para as nações africanas, estes acordos representam alavancas estratégicas essenciais para a concretização dos seus projetos de transformação digital.

Emma Theofelus, ministra namibiana das TIC, reuniu-se na terça-feira, 17 de março, com o vice-ministro russo do Desenvolvimento Digital, Alexander Shoitov. As discussões centraram-se nas formas de fortalecer parcerias técnicas e institucionais entre os dois países, num contexto em que o digital se afirma como um motor estratégico de crescimento económico e modernização dos serviços públicos.

Para a Namíbia, esta iniciativa insere-se na vontade de acelerar a sua transformação digital com base em colaborações internacionais. O país procura, nomeadamente, desenvolver infraestruturas, melhorar políticas públicas digitais e estimular a inovação local. A cooperação com a Rússia poderá assim abrir caminho à transferência de competências e à implementação de projetos conjuntos nestas áreas.

Do lado russo, este acercamento faz parte de uma estratégia destinada a reforçar parcerias tecnológicas com países africanos. Num contexto de reconfiguração das alianças digitais a nível global, Moscovo multiplica iniciativas para consolidar a sua presença no continente, especialmente nos setores das TIC e dos media. Maurícias, Congo, Angola, Zimbabué e República Centro-Africana estão entre os países que já iniciaram discussões com a Rússia sobre questões digitais.

No caso da Namíbia, ainda não foi anunciado qualquer acordo concreto. Contudo, este encontro representa um passo importante na estruturação de uma cooperação bilateral orientada para o digital.

Adoni Conrad Quenu

 

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O índice cobre as 55 economias mais importantes do mundo. Entre os 7 países africanos analisados, apenas Marrocos apresenta desempenhos satisfatórios, refletindo o atraso do continente em matéria de proteção da propriedade intelectual.

Marrocos é o país africano com o sistema de proteção da propriedade intelectual mais eficiente em 2026, segundo o International Intellectual Property Index, publicado na quarta-feira, 11 de março, pelo Global Innovation Policy Center (GIPC), um think tank ligado à Câmara de Comércio dos Estados Unidos.

O ranking avalia a solidez e eficácia dos quadros de proteção estabelecidos pelos decisores políticos nas 55 maiores economias do planeta (aproximadamente 90% do PIB mundial), com base em 53 indicadores. Estes indicadores estão distribuídos por 10 categorias: direitos e limitações em matéria de patentes; direitos de autor e limitações; direitos de marca e limitações; direitos e restrições sobre desenhos e modelos; segredos comerciais e proteção de informações confidenciais; comercialização de ativos ligados à propriedade intelectual; aplicação das regulamentações; eficácia sistémica e incentivos à inovação avançada; adesão e ratificação de tratados internacionais.

Cada país abrangido pelo índice recebe uma pontuação numa escala de 0 (sistema de proteção inexistente) a 100 pontos (sistema ideal). Marrocos ocupa, pelo quarto ano consecutivo, o 22.º lugar entre os 55 países estudados, com um score de 59,19 pontos. O reino deve a sua posição, em grande parte, a um sólido sistema de proteção de patentes e direitos conexos, bem como à adesão a vários pactos internacionais, incluindo o Tratado de Singapura sobre Direitos de Marca e o Ato de Genebra do Acordo de Lisboa (2015), uma convenção internacional que modernizou a proteção das denominações de origem e estendeu o sistema às indicações geográficas.

Contudo, Marrocos apresenta lacunas persistentes na aplicação das leis e regulamentações relativas à propriedade intelectual, evidenciadas pelos elevados índices de contrafação física e pirataria online, bem como pela ausência de medidas específicas de incentivo em propriedade intelectual para o desenvolvimento de medicamentos órfãos.

O Gana (38.º lugar entre todas as economias estudadas) ocupa a segunda posição em África, com 39,25 pontos, à frente do Quénia (42.º), África do Sul (46.º), Nigéria (47.º), Egito (48.º) e Argélia (53.º).

A nível mundial, os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Suécia são os países com melhor desempenho em proteção da propriedade intelectual, com pontuações superiores a 91 pontos.

O Global Innovation Policy Center destacou, contudo, uma erosão do desempenho das economias mais influentes do mundo nesta área. Nenhuma das economias do Top 15 conseguiu melhorar o seu score este ano, e 8 países da União Europeia registaram recuo nas pontuações. No total, apenas 20 países melhoraram os seus scores em 2026, sublinhando a urgência para os decisores políticos reafirmarem o papel central da proteção da propriedade intelectual na promoção da inovação, competitividade e crescimento económico.

Walid Kéfi

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Após o sucesso da primeira temporada da série documental “Impact Stories”, a Afreximbank lançou a segunda temporada. Tal como na anterior, a série destaca os impactos concretos dos seus investimentos e parcerias em África e nas Caraíbas.

Lançada na quinta-feira, 12 de março, através de um comunicado oficial, a segunda temporada de Impact Stories evidencia as transformações humanas e económicas que ocorrem na área geográfica abrangida pelas ações da Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank). Produzida em parceria com a Create, o estúdio da CNN International Commercial, a série é composta por seis episódios que transportam o espectador por vários países africanos e das Caraíbas.

Os episódios ilustram a missão do banco: financiar e promover o comércio. Cada episódio oferece uma análise aprofundada das iniciativas e colaborações-chave que apoiam o empreendedorismo e fortalecem infraestruturas vitais.

Estes filmes são muito mais do que simples relatos de investimentos e projetos; retratam parcerias e progresso, demonstrando o nosso compromisso inabalável em promover a independência económica. Ao destacar empreendedores, comunidades e economias nacionais […], partilhamos a visão de uma África próspera e integrada no contexto global”, afirmou Anne Ezeh, diretora de comunicação e eventos da Afreximbank.

Esta continuação apresenta uma seleção de projetos em que a instituição bancária investiu para ‘dar músculo financeiro’ às políticas de transformação em curso, nas palavras do Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

Projetos emblemáticos filmados em África e nas Caraíbas

A realização dos episódios é itinerante, abrangendo projetos localizados em diferentes regiões.

No Nigéria, a série destaca a refinaria Dangote em Lagos, um projeto de grande escala que merece atenção especial. Ainda neste país, as filmagens focam na cidade de Aba, mostrando o projeto Geometric Power, destinado a colmatar o défice de eletricidade.

No Gana, as câmaras acompanham a Plot Enterprise, especializada na transformação e exportação de produtos derivados do cacau. Um dos episódios é dedicado à marca Boyedoe, uma empresa ganesa criada em 2020 com ambições internacionais.

Nas Caraíbas, é destacada a expansão do complexo hoteleiro Silversands Resort, em atividade na Granada. Na Costa do Marfim, a reabilitação do emblemático Estádio Félix Houphouët-Boigny integra a programação da série.

Por fim, uma seção é dedicada à economia criativa africana, considerada um instrumento estratégico para valorizar talentos locais, reforçar a identidade cultural, diversificar as fontes de crescimento e aumentar a influência do continente no cenário internacional.

Fundada em 1993 sob a égide do Banco Africano de Desenvolvimento, a Afreximbank tem sede no Cairo, Egito, sendo uma instituição panafricana dedicada ao financiamento do comércio intra e extra-africano. No final de 2024, a Afreximbank apresentava mais de 40,1 mil milhões de USD em ativos e 7,2 mil milhões de USD em fundos próprios.

Ubrick F. Quenum

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Desde a sua entrada em África pelo Nigéria em janeiro de 2023, a Starlink tem multiplicado as suas instalações. Presente em cerca de trinta mercados, incluindo Ruanda, Senegal, Benim, Gana, Níger, Chade e Quénia, a empresa continua a sua expansão, agora com a República Centro-Africana.

O fornecedor americano de serviços de Internet via satélite Starlink anunciou, na segunda-feira, 16 de março, a disponibilidade dos seus serviços comerciais na República Centro-Africana. As autoridades locais pretendem apoiar-se nesta tecnologia para melhorar a qualidade e a cobertura da Internet em todo o país, incluindo nas zonas mais remotas.

Num comunicado publicado no Facebook, o Ministério da Economia Digital, dos Correios e das Telecomunicações indica que este lançamento resulta de uma parceria com o distribuidor de equipamentos informáticos DEVEA Centrafrique.

Para aceder ao serviço, os centro-africanos terão de pagar 33.000 FCFA (57,76 USD) por mês, acrescidos de IVA de 19%. Quanto ao terminal, podem optar pelo kit padrão a 240.000 FCFA (420,5 USD) ou pelo kit “Mini”, mais compacto, comercializado a 123.000 FCFA.

Promessa de conectividade universal

As autoridades centro-africanas contam com a Starlink para reduzir a fractura digital no país, onde cerca de 86% da população não utilizava Internet em 2024, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT).

Com base em soluções satelitais de alta velocidade, a Starlink pretende ampliar a cobertura nacional e reforçar a resiliência das comunicações num país confrontado com desafios significativos nas infraestruturas terrestres”, declarou o ministério num comunicado publicado em dezembro de 2025, após a atribuição da licença à empresa de Elon Musk.

De facto, a Starlink apoia-se numa constelação de satélites em órbita baixa, atualmente com cerca de 10.000 satélites, para fornecer os seus serviços, garantindo cobertura nacional, mesmo em zonas de difícil acesso para redes terrestres.

A GSMA considera que soluções de conectividade aérea, incluindo via satélite, desempenharão um papel importante na realização da conectividade universal na África Subsaariana.

A região alberga alguns dos terrenos mais difíceis para redes terrestres, incluindo florestas tropicais, desertos e cadeias montanhosas. Mesmo em áreas rurais e pouco povoadas, o custo e a complexidade de implementar redes móveis ou fixas convencionais favorecem soluções alternativas”, destaca a organização no relatório The Mobile Economy Sub-Saharan Africa 2024”.

Na sua plataforma Mobile Connectivity Index, a GSMA atribuiu à República Centro-Africana uma pontuação de 30/100 em cobertura de rede móvel em 2024. A 2G tinha cobertura de 59,6%, a 3G 60%, enquanto a 4G e 5G eram inexistentes.

Em termos de desempenho, a plataforma atribuiu ao país uma pontuação de 4,2/100. As velocidades médias registadas foram de 5,4 Mbps para download móvel e 7 Mbps para upload, segundo dados do Speedtest (Ookla).

Mas desafios de adoção

Apesar da chegada da Starlink poder ampliar a cobertura de Internet na República Centro-Africana, isso não garante automaticamente a adoção pelos cidadãos. Um dos principais desafios em todo o continente continua a ser o custo dos serviços, frequentemente inacessível para grande parte da população.

Por exemplo, com uma assinatura mensal de 57,76 USD, o serviço da Starlink representa cerca de 136% do RNB mensal per capita, estimado em 510 USD por ano em 2024, segundo o Banco Mundial. Mesmo excluindo o custo já elevado do terminal, este valor permanece muito acima do limiar de acessibilidade de 2% definido pela UIT. A organização estima que 5 GB de Internet móvel representavam cerca de 53,7% do RNB per capita em 2025, contra 76,6% para Internet fixa.

Além da questão do custo, vários outros fatores influenciam a adoção:

  • Acesso a dispositivos compatíveis com Internet (computadores, tablets, smartphones), cujo preço continua elevado — a GSMA estima que o preço de um smartphone represente cerca de 26% do PIB mensal per capita na África Subsaariana, contra uma média de 16% nos países de rendimento baixo e médio (PRFI)
  • Alfabetização digital, preocupações com segurança, normas sociais
  • Disponibilidade de conteúdos relevantes e qualidade da experiência do utilizador

Isaac K. Kassouwi

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