Os países africanos estão a apostar na transformação digital para acelerar o seu desenvolvimento. Esta ambição implica investimentos significativos em infraestruturas digitais.
As autoridades angolanas procederam, na terça-feira, 28 de abril, ao lançamento do centro de dados nacional e da cloud do governo. Esta iniciativa vem reforçar a infraestrutura digital e apoiar as ambições de transformação digital das autoridades.
Segundo um comunicado do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, o novo centro de dados promete várias vantagens. Entre os seus benefícios estão a confiança dos investidores, o alojamento seguro de dados em território nacional, a redução dos custos operacionais e o alargamento do acesso aos serviços públicos digitais.
O ministério acrescenta que a infraestrutura também contribuirá para melhorar a cibersegurança, estimular a inovação tecnológica e posicionar Angola como um hub digital na África Austral.
Reforço das infraestruturas
Segundo as autoridades angolanas, a construção do centro de dados nacional insere-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento do setor das telecomunicações e das tecnologias de informação. Várias infraestruturas-chave são destacadas.
O país lançou, nomeadamente em outubro de 2022, o satélite de comunicações ANGOSAT-2, apresentado como um instrumento para reduzir a exclusão digital. Paralelamente, várias iniciativas têm sido implementadas para generalizar o acesso à Internet, incluindo escolas, hospitais, universidades e administrações públicas.
Angola também acelerou a expansão da fibra ótica, elevando a rede nacional para cerca de 22 000 quilómetros. A entrada em funcionamento do cabo submarino internacional 2Africa reforça a conectividade do país a nível regional e global. O país já está ligado a outros quatro cabos: West Africa Cable System (WACS), Unitel North Submarine Cable (UNSC), South Atlantic Cable System (SACS) e SAT-3/WASC.
Além disso, uma recente aproximação com a Namíbia deverá permitir o acesso de Angola às capacidades do cabo Equiano e preparar a chegada de um novo cabo operado pela Angola Telecom.
Segundo Mário Oliveira, ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, estes investimentos têm permitido consolidar uma base tecnológica sólida, promovendo a inclusão digital e criando oportunidades para o setor privado, nomeadamente para startups e PME.
Em termos de adoção, os dados do ministério indicam progressos significativos: mais de 85% da população está coberta por serviços de banda larga, o país conta com cerca de 17,7 milhões de assinantes e a taxa de penetração móvel ronda os 75%.
Ambições digitais ainda limitadas por desafios estruturais
Estas infraestruturas visam apoiar as ambições de transformação digital das autoridades angolanas, que pretendem fazer das TIC um motor de desenvolvimento socioeconómico. Neste contexto, o país implementa o Programa de Aceleração Digital de Angola (PADA), financiado em 300 milhões de dólares pelo Banco Mundial, com o objetivo de reforçar a inclusão digital, expandir o acesso a serviços públicos e dinamizar a economia digital.
No entanto, apesar destes avanços, vários indicadores revelam desafios persistentes. Angola ocupa o 156.º lugar entre 193 países no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico das Nações Unidas (EGDI) 2024, com uma pontuação de 0,4149 em 1. Este valor está ligeiramente abaixo da média africana (0,4247) e bem abaixo da média mundial (0,6382).
Em matéria de cibersegurança, o país foi classificado em 2024 na categoria “Tier 4” do índice global da União Internacional das Telecomunicações (UIT), o penúltimo nível numa escala de cinco. Esta posição reflete um envolvimento ainda limitado, apesar de alguns progressos regulatórios e de uma participação crescente em iniciativas internacionais.
Isaac K. Kassouwi
A qualidade do serviço de Internet é uma questão crucial em África, onde a conectividade se tornou uma alavanca essencial de desenvolvimento. Segundo a GSMA, uma boa qualidade de serviço melhora a experiência digital e abre novas oportunidades para indivíduos e comunidades.
A Canalbox, principal fornecedor de acesso à Internet (ISP) no Ruanda, anunciou na terça-feira, 28 de abril, ter restabelecido completamente os seus serviços, após perturbações registadas no início do mês. Esta evolução surge na sequência de uma pressão crescente do regulador das telecomunicações.
Num comunicado divulgado nas redes sociais, a operadora explica que a perturbação esteve ligada a uma instabilidade numa ligação regional crítica de fibra ótica, que afetou vários operadores na região. Para além da reposição do serviço, o ISP indica ter acrescentado capacidade de Internet para reforçar a resiliência da sua rede.
A operadora implementou igualmente um mecanismo de compensação, concedendo sete dias adicionais de serviço na próxima subscrição dos clientes.
Esta medida responde, na realidade, a uma exigência da Rwanda Utilities Regulatory Authority (RURA). Num comunicado datado de 27 de abril, o regulador refere que a operadora deve indemnizar todos os clientes afetados entre 13 e 20 de abril, pagar multas diárias até ao restabelecimento total da conformidade e apresentar relatórios de progresso dentro dos prazos estabelecidos. O regulador acrescenta ainda que novas sanções poderão ser aplicadas em caso de incumprimento persistente.
A 21 de abril, o regulador das telecomunicações já tinha anunciado a adoção de medidas contra a Canalbox. Após uma notificação formal, a operadora foi convocada para uma audiência para apresentar explicações e medidas corretivas imediatas.
Para recordar, a legislação ruandesa prevê sanções para operadores que não cumpram as ordens do regulador, incluindo multas administrativas entre 500 000 francos ruandeses (cerca de 342 dólares) e 15 milhões de francos ruandeses por dia de incumprimento, a partir da notificação. O regulador pode ainda suspender ou revogar a licença da operadora.
Isaac K. Kassouwi
Há vários meses, o governo queniano tem vindo a considerar a venda de parte da sua participação na operadora histórica Safaricom. A transação não reúne consenso no seio da classe política.
O antigo vice-presidente do Quénia e líder do Wiper Party, Kalonzo Musyoka, apresentou na segunda-feira, 28 de abril, uma petição junto do Tribunal Superior de Nairobi para bloquear a venda, pelo executivo, da sua participação de 15% na Safaricom à operadora sul-africana Vodacom.
O opositor solicita ao tribunal que emita ordens cautelares suspendendo a transação até à apreciação do mérito da petição. Ainda não foi tomada qualquer decisão judicial.
A operação, avaliada em 204,3 mil milhões de xelins (cerca de 1,58 mil milhões de dólares), prevê a venda de seis mil milhões de ações a 34 xelins cada. Esta reduziria a participação do Estado de 35% para 20%, elevando a da Vodacom para 55% e conferindo-lhe o controlo efetivo da operadora. As receitas da venda serão destinadas ao Fundo Nacional de Infraestruturas, criado pelo presidente William Ruto em março de 2026.
Do ponto de vista jurídico, Kalonzo Musyoka invoca o artigo 209 da Constituição, que regula a alienação de ativos públicos, bem como o artigo 10, que exige uma participação pública significativa. O opositor acusa o governo de não ter envolvido suficientemente o Parlamento e os cidadãos no processo, classificando a transação como opaca e contrária ao interesse nacional, apesar da aprovação dada pelo Parlamento queniano a 31 de março.
Os opositores contestam também a valorização da operação. O preço de 34 xelins por ação estaria, segundo eles, muito abaixo do valor intrínseco da Safaricom, estimado entre 70 e 80 xelins, o que representaria uma perda potencial superior a 250 mil milhões de xelins para o Estado.
Adoni Conrad Quenum
Num contexto de rápida transformação dos usos digitais em África, a RDC procura colmatar os seus atrasos estruturais no setor das telecomunicações. O executivo quer agora passar de um mercado em expansão para um setor verdadeiramente produtivo.
À margem da abertura dos primeiros Estados Gerais dos Correios e Telecomunicações, na segunda-feira, 27 de abril, em Kinshasa, o presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, traçou o roteiro do setor para os próximos anos. O chefe de Estado definiu seis prioridades para modernizar e melhor regular o setor.
Conectividade, quadro regulatório e capital humano no centro da estratégia
A primeira urgência diz respeito à conectividade. As autoridades querem acelerar a expansão da fibra ótica, reforçar a espinha dorsal nacional (backbone) e melhorar as interligações entre províncias, recorrendo também a soluções satelitais para servir zonas isoladas.
Outro eixo essencial é a reforma do quadro legal e regulatório. O presidente apela a um ambiente mais claro e atrativo, capaz de estimular o investimento privado num setor ainda confrontado com constrangimentos estruturais, nomeadamente em matéria fiscal e de governação.
A qualidade do serviço e a proteção dos utilizadores também figuram entre as prioridades. Para as autoridades, o crescimento do mercado deve ser acompanhado por uma melhoria concreta da acessibilidade, fiabilidade e custo dos serviços, num contexto em que as críticas à qualidade das redes permanecem frequentes.
Em paralelo, o governo aposta na inclusão digital, com o objetivo de integrar mais as populações rurais, os jovens e as pequenas empresas na economia digital. Esta ambição acompanha-se de um esforço no capital humano, através da promoção da educação digital, vista como um motor de empregabilidade e inovação.
Por fim, a soberania tecnológica e a segurança digital tornam-se um eixo estratégico. As autoridades pretendem reforçar a proteção de dados, infraestruturas críticas e sistemas públicos, num contexto de aumento dos riscos cibernéticos.
Um setor em mutação apesar dos desafios persistentes
Este plano ambicioso surge num contexto em que o panorama das telecomunicações na RDC apresenta um forte contraste. Se o país conta atualmente com cerca de 36 milhões de utilizadores da Internet, a taxa de penetração mantém-se em torno dos 35%, com grandes disparidades territoriais. A logística e o elevado custo da conectividade móvel continuam a ser obstáculos importantes, enquanto cerca de 55% da população ainda não dispõe de cobertura 4G. Além disso, a pressão fiscal sobre os operadores é frequentemente apontada como um travão à expansão das redes em zonas remotas.
Para o executivo, o objetivo destas discussões é transformar estes ativos físicos e legislativos num ecossistema produtivo. Ao orientar os investimentos para a banda larga e a segurança das redes, a RDC espera captar uma maior parte do valor digital no continente e responder às necessidades de uma população cujo uso móvel já ultrapassa largamente a bancarização tradicional.
«Cabe-nos, portanto, transformar o digital, as telecomunicações e a modernização postal em alavancas estratégicas do nosso desenvolvimento nacional. É neste espírito que se inscreve a nossa ambição de fazer da República Democrática do Congo uma nação digital até 2030, em coerência com as prioridades do governo», declarou o Presidente da República.
Samira Njoya
Na Côte d’Ivoire, a taxa de penetração da internet situa-se em cerca de 40,7%, com fortes disparidades entre as zonas urbanas e as zonas rurais ainda mal cobertas. Neste contexto, o satélite surge como uma solução para alargar o acesso à banda larga e reduzir a fratura digital.
O operador de satélites Eutelsat anunciou, na quinta-feira, 23 de abril, a assinatura de uma parceria plurianual com a MTN Côte d’Ivoire para implementar serviços de internet via satélite a nível nacional. O objetivo é melhorar o acesso à banda larga, sobretudo nas zonas rurais e isoladas, ainda pouco cobertas pelas redes terrestres.
O acordo baseia-se na utilização do satélite Eutelsat Konnect, uma infraestrutura concebida para cobrir de forma eficiente territórios onde a implementação de fibra ótica ou de redes móveis continua limitada ou dispendiosa. No âmbito desta colaboração, a MTN pretende oferecer serviços de internet a particulares e empresas, ao mesmo tempo que instala pontos de acesso Wi-Fi comunitários destinados a populações mal servidas.
Esta iniciativa surge num mercado das telecomunicações marfinense em forte expansão, impulsionado pela crescente procura de conectividade. Segundo dados da Autorité de régulation des télécommunications/TIC de Côte d’Ivoire (ARTCI), o setor gerou cerca de 329 mil milhões de FCFA (587 milhões de dólares) de volume de negócios no terceiro trimestre de 2025, dos quais mais de 170 mil milhões provenientes apenas do segmento da internet, um aumento de 19% em termos homólogos. Esta dinâmica é largamente impulsionada pela internet móvel, que representa cerca de 84% das receitas do segmento, com mais de 36 milhões de subscrições registadas em meados de 2025.
Neste contexto de crescimento rápido, os operadores procuram alargar a sua cobertura para além dos centros urbanos. Apesar dos investimentos em infraestruturas terrestres, persistem disparidades significativas entre zonas urbanas e rurais, onde o acesso à internet continua limitado ou de qualidade desigual. Para a MTN Côte d’Ivoire, o desafio passa agora por expandir a sua base de utilizadores, ao mesmo tempo que melhora a qualidade do serviço.
O recurso ao satélite afirma-se assim como uma solução complementar estratégica. Ao contrário das redes terrestres, a sua implementação não depende de investimentos pesados em infraestruturas físicas, permitindo acelerar a cobertura de zonas de difícil acesso. Esta abordagem insere-se numa tendência mais ampla em África, onde os operadores integram progressivamente tecnologias satelitárias para responder à crescente procura de conectividade.
Esta parceria dá continuidade às iniciativas já desenvolvidas pelo MTN Group com a Eutelsat. Em 2024, o grupo tinha celebrado um acordo com a Bayobab para explorar as capacidades da constelação OneWeb (LEO), ilustrando a crescente adoção de soluções híbridas que combinam redes terrestres e satelitárias.
Para além da melhoria da cobertura, o desafio é também económico e social. O acesso à internet constitui um fator-chave para o desenvolvimento dos serviços digitais, do empreendedorismo e da economia digital. Ao facilitar a conectividade nas zonas ainda mal servidas, este tipo de iniciativa contribui para reduzir a fratura digital e apoiar a transformação digital em curso na Côte d’Ivoire.
Samira Njoya
A inteligência artificial impõe-se como a tecnologia-chave da atual revolução tecnológica global. Vários países, incluindo em África, já dispõem ou estão a desenvolver políticas nacionais de IA. A África do Sul, no entanto, recuou neste processo após um incidente significativo.
A África do Sul retirou o seu projeto de política nacional sobre inteligência artificial depois de terem sido identificadas referências fictícias no documento, aparentemente geradas por ferramentas de IA.
O anúncio foi feito numa mensagem publicada no domingo, 26 de abril, na plataforma X pelo ministro das Comunicações e Tecnologias Digitais, Solly Malatsi, que reconheceu falhas no processo de validação.
“O Ministério das Comunicações e Tecnologias Digitais não cumpriu o nível de exigência esperado de uma instituição responsável por orientar o ambiente de políticas digitais sul-africanas. A explicação mais plausível é que citações geradas por IA foram incluídas sem verificação adequada. Isto não deveria ter acontecido”, declarou o ministro.
O documento, inicialmente publicado para consulta pública, continha citações académicas e fontes inexistentes. Estas anomalias foram detetadas durante uma análise aprofundada, revelando o uso de conteúdos não verificados. Perante esta situação, as autoridades decidiram retirar o texto, considerando que a sua credibilidade estava comprometida.
Este episódio evidencia um paradoxo: uma política destinada a enquadrar a IA acabou por ser fragilizada por uma utilização inadequada dessa mesma tecnologia. Destaca também os limites das ferramentas de IA generativa, capazes de produzir conteúdos plausíveis, mas por vezes incorretos, na ausência de verificação humana rigorosa.
Para além do incidente, a questão é institucional. As políticas públicas, sobretudo em áreas sensíveis como o digital, devem assentar em bases factuais sólidas. A inclusão de fontes erradas levanta dúvidas sobre os mecanismos internos de controlo e sobre a forma como as administrações públicas estão a integrar ferramentas digitais nos seus processos.
Na África subsaariana, a África do Sul lidera o índice AI Readiness Index do gabinete britânico Oxford Insights, que avalia a preparação dos governos para integrar a IA nos serviços públicos. O país obteve uma pontuação de 53,94 em 100, à frente das Maurícia (52,76) e do Quénia (52,55). A média africana situou-se em 29,12, evidenciando lacunas significativas, nomeadamente na necessidade de reforçar infraestruturas digitais e energéticas, desenvolver competências e estabelecer políticas e regulamentações adequadas para o digital, os dados e a IA.
De forma mais ampla, este episódio pode servir de alerta. Num contexto em que os Estados aceleram a adoção da IA, recorda que o seu uso exige mecanismos rigorosos de controlo, sob pena de comprometer a credibilidade das instituições que procuram justamente regular esta tecnologia.
Adoni Conrad Quenum
No segmento da Internet móvel no Benim, a Moov Africa concorre com a MTN e a Celtiis. O mercado é igualmente dinamizado pelo crescimento da Internet fixa, com atores como Starlink e CanalBox.
No Benim, a Moov Africa lançou, na sexta-feira, 24 de abril, os seus serviços comerciais 5G. Ao prometer uma redução significativa da latência e um forte aumento das velocidades, a empresa procura reforçar o seu posicionamento num mercado cada vez mais competitivo.
«A 5G representa uma rutura tecnológica importante. Oferece velocidades e débitos espetaculares, até 10 vezes superiores à 4G, permitindo descarregar, transmitir e interagir quase instantaneamente. Mas a verdadeira revolução é a latência ultrabaixa […] O tempo de resposta torna-se quase imediato, abrindo caminho a usos em tempo real como realidade imersiva, jogos online e telemedicina», explicou Mostafa El Houti, diretor de marketing e comunicação da Moov Africa Benim. Destacou também a capacidade da tecnologia para ligar simultaneamente milhões de dispositivos, incluindo objetos, sensores e máquinas.
Segundo o responsável, mais de 230 sites 5G já foram implantados em todo o país. A rede está, por agora, disponível nos principais centros urbanos do sul, como Cotonou, Abomey-Calavi, Porto-Novo e Ouidah, bem como em algumas cidades do norte, como Parakou, Nikki e Kandi. A expansão para outras localidades está prevista, sem calendário detalhado.
Concorrência reforçada na Internet móvel
O lançamento da 5G ocorre num contexto de concorrência crescente, impulsionada sobretudo pela MTN, líder do mercado, e pela Celtiis, operadora pública lançada em outubro de 2022. A MTN já tinha ganho vantagem ao lançar ofertas comerciais de ultra banda larga em novembro de 2024.
Neste cenário, a posição da Moov Africa tem vindo a enfraquecer. Em 2022, contava com 2,94 milhões de assinantes de Internet móvel, contra 6,24 milhões da MTN. Um ano depois, tinha 3,01 milhões, enquanto a MTN atingia 6,85 milhões e a Celtiis 1,05 milhão.
No primeiro trimestre de 2025, a Celtiis ultrapassou a Moov, tornando-se o segundo operador do mercado, atrás da MTN. A tendência confirmou-se no terceiro trimestre de 2025, com 2,59 milhões de clientes para a Moov, contra 3,51 milhões da Celtiis e 4,51 milhões da MTN. No mesmo período, a Celtiis destacou-se também ao liderar em volume de tráfego.
A isto soma-se a crescente pressão do segmento de Internet fixa, com a entrada recente da Starlink e da CanalBox, intensificando a concorrência no acesso à banda larga.
Desafios de adoção e acessibilidade
Apesar das vantagens da 5G, o seu impacto dependerá de vários fatores. Um dos principais é a extensão efetiva da cobertura a nível nacional, essencial para atingir uma massa crítica de utilizadores. Segundo um estudo da Ericsson, o custo base de implementação da 5G num país situa-se entre 3 e 8 mil milhões de dólares, podendo aumentar entre 20% e 35% para cobertura total — um obstáculo estrutural importante.
Para além da infraestrutura, a adoção dependerá do acesso a smartphones compatíveis. De acordo com o Banco Mundial, cerca de 29,03% da população beninense com mais de 15 anos possuía um em 2024, um nível ainda limitado devido ao custo dos dispositivos. Outros fatores incluem o preço dos pacotes 5G, as competências digitais e a disponibilidade de conteúdos adaptados.
Para mitigar o custo, a Moov Africa Benim propõe ofertas combinando equipamentos (routers e smartphones) com planos ilimitados, pagáveis em seis meses ou um ano. As mensalidades variam entre 20 000 FCFA (35,8 dólares) e 30 000 FCFA, com um depósito inicial equivalente a três mensalidades.
Mesmo com pagamento faseado, estes valores continuam pouco acessíveis para grande parte da população. Por exemplo, uma mensalidade de cerca de 35,7 dólares representa quase 30% do rendimento nacional bruto mensal per capita (119,17 dólares em 2024). Já o custo inicial pode atingir cerca de 90% desse rendimento mensal, segundo estimativas baseadas em dados do Banco Mundial.
Isaac K. Kassouwi
Há alguns anos, os países africanos têm acelerado a implementação do roaming gratuito (free roaming), com o objetivo, entre outros, de reduzir os custos para os utilizadores e promover a integração digital e regional. Três países da África Ocidental acabam de dar um novo passo.
O Senegal, o Togo e o Benim ativaram recentemente o roaming gratuito entre as suas redes móveis. Liderada pelos reguladores nacionais, esta iniciativa visa reduzir os custos de comunicação para os assinantes em deslocação entre estes três países.
Concretamente, os utilizadores podem agora receber chamadas sem custos adicionais quando viajam entre estes territórios. As chamadas efetuadas e os SMS são cobrados a tarifas próximas das praticadas localmente no país visitado, enquanto os serviços de dados beneficiam de condições tarifárias mais vantajosas do que anteriormente.
Esta ativação surge na sequência do anúncio feito em dezembro passado pela Autoridade de Regulação das Telecomunicações e dos Correios do Senegal, que previa a implementação do roaming gratuito com quatro países da sub-região — Benim, Gâmbia, Mali e Togo — a partir de 1 de março de 2026. O calendário sofreu atrasos e apenas os acordos com o Benim e o Togo foram, até ao momento, concretizados.
Este mecanismo insere-se nos esforços da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para harmonizar as políticas de telecomunicações e facilitar a livre circulação de pessoas e serviços. Historicamente, o roaming internacional tem sido caro no continente, constituindo um entrave aos intercâmbios económicos e à mobilidade regional.
Com esta iniciativa, o Senegal, o Togo e o Benim lançam as bases de um mercado regional mais fluido, alinhado com as ambições de integração económica da África Ocidental. Outros acordos semelhantes já foram estabelecidos ou estão em curso no continente, nomeadamente entre o Burkina Faso e a Costa do Marfim, o Gana e o Benim, bem como entre o Chade e os Camarões.
Adoni Conrad Quenum
O governo da República Centro-Africana vê no Starlink uma oportunidade para reduzir a fratura digital no país. Em 2024, cerca de 86% da população não tinha acesso à Internet, segundo a UIT.
As autoridades centro-africanas anunciaram, na semana passada, a suspensão do modo «roaming» dos kits do fornecedor de Internet por satélite Starlink. Este mecanismo, que permite utilizar num país equipamentos adquiridos noutro, foi considerado não conforme com o quadro regulamentar em vigor.
«De facto, qualquer equipamento de telecomunicações utilizado na República Centro-Africana deve ser homologado pelas autoridades competentes, a fim de garantir a sua conformidade com as normas técnicas nacionais e internacionais aplicáveis. Os kits Starlink a funcionar em modo de itinerância não tinham, até ao momento, cumprido todos os requisitos exigidos neste âmbito», indica um comunicado datado de quinta-feira, 23 de abril, e assinado por Justin Gourna Zacko, ministro da Economia Digital, dos Correios e das Telecomunicações.
O governo justifica igualmente esta medida por razões de segurança nacional. O objetivo é identificar e controlar melhor os equipamentos ativos no território, garantir a rastreabilidade dos utilizadores e dos seus usos, e prevenir qualquer utilização não autorizada ou indevida dos meios de comunicação.
Esta decisão surge num contexto em que alguns utilizadores tentam contornar o custo relativamente elevado dos equipamentos, importando kits Starlink, novos ou usados, de mercados onde são mais baratos ou já amplamente disponíveis. Paralelamente, outros recorrem ao modo itinerante para aceder ao serviço sem esperar pelo seu lançamento oficial no país.
Na República Centro-Africana, a Starlink lançou os seus serviços comerciais em março de 2026, após obter autorização das autoridades em dezembro de 2025. Estas contam com a tecnologia satelital para melhorar a conectividade, sobretudo nas zonas rurais. Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), cerca de 13,8% da população utilizava a Internet em 2024.
No lançamento, a assinatura mensal foi fixada em 33 000 FCFA (cerca de 59 dólares), a que se acrescenta um IVA de 19%. O kit está disponível por 240 000 FCFA na versão standard e 123 000 FCFA na versão «Mini».
Isaac K. Kassouwi
Com o objetivo de apoiar a transformação digital da sua administração, o Senegal implementou em 2023 um projeto com o apoio da Alemanha. A fase piloto acaba de ser lançada.
O Senegal lançou, no sábado, 25 de abril, em Mbour, uma cidade situada a 80 km a sul de Dakar, a fase piloto do seu projeto de promoção da digitalização da administração pública (PRODAP).
Esta iniciativa visa testar, a nível local, soluções digitais destinadas a simplificar os procedimentos administrativos e a melhorar a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos. As autoridades estão assim a experimentar a desmaterialização de certos processos, ao mesmo tempo que implementam as infraestruturas necessárias.
«O projeto assenta em três componentes: em primeiro lugar, a consolidação da rede e da infraestrutura digital; em segundo, a digitalização dos serviços públicos, a sua divulgação e o reforço das capacidades dos intervenientes; em terceiro, a segurança da oferta de serviços digitais», declarou Souleymane Ba, coordenador do PRODAP.
A fase piloto permite identificar constrangimentos, ajustar os dispositivos e formar os agentes públicos na utilização de ferramentas digitais. Esta abordagem progressiva visa evitar dificuldades frequentemente observadas em implementações em larga escala.
O Senegal é um dos países africanos mais avançados no domínio da administração eletrónica. Segundo o Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, o país registava em 2024 uma pontuação de 0,5162 no índice global de administração eletrónica (EGDI), acima da média africana de 0,4247.
Financiado em 29 milhões de euros (cerca de 34 milhões de dólares) pela cooperação alemã, através da KfW e da Embaixada da Alemanha no Senegal, o PRODAP foi lançado em 2023 e está a ser implementado pela Senegal Numérique. Mbour é uma das seis comunas selecionadas para esta fase piloto, juntamente com Dakar-Plateau, Ngor, Rufisque, Kaffrine e Kaolack.
Adoni Conrad Quenum
Chapô: Perante um elevado desemprego juvenil, Acra lança uma ofensiva para fazer da inteligência artificial o motor da sua transformação económica e reposicionar o país na economia digital mundial.
O Gana já não quer apenas sofrer a revolução digital. Quer liderá-la. Na sexta-feira, 24 de abril, em Acra, o presidente John Dramani Mahama lançou a Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, um documento com mais de 80 páginas estruturado em torno de oito pilares estratégicos. A ambição é transformar o Gana no primeiro hub continental de IA até 2035. A estratégia define um objetivo impressionante: uma contribuição da IA na ordem de 500 mil milhões de cedis, cerca de 45 mil milhões de dólares, para o PIB nacional até 2035.
Para alcançar este objetivo, o programa assenta em dois eixos. O primeiro é infraestrutural — 250 milhões de dólares para um centro de computação de IA de classe mundial e mais 20 milhões para a implementação a curto e médio prazo da estratégia. O segundo aposta claramente no capital humano.
A Universidade de Ciência e Tecnologia Kwame Nkrumah (KNUST) teve um papel central na conceção do quadro. O investigador principal do Laboratório de IA Responsável (RAIL), Jerry John Kponyo, coordenou os trabalhos com o governo, parceiros internacionais e o setor privado. «Esta estratégia é o resultado de investigação aprofundada, consultas e um forte compromisso coletivo», sublinhou.
O emprego está no centro do projeto. O presidente Mahama foi direto. O Gana não será «um simples consumidor das tecnologias que moldam o futuro», mas sim «um participante ativo na sua conceção e implementação». O governo assume uma abordagem centrada no ser humano, priorizando a inclusão e a criação de empregos em vez da substituição dos trabalhadores por máquinas.
Esta iniciativa surge num contexto de crescente pressão sobre o mercado de trabalho. O governo definiu como objetivo 190 000 inscritos em institutos de formação profissional e técnica (TVET) em 2026, contra 59 583 em 2019 e 70 978 em 2022, segundo o quadro orçamental de médio prazo do Ministério da Educação. Outro sinal positivo é o aumento da participação feminina nestas áreas, que passou de 21,5% para 51,4% no mesmo período. Ainda assim, estes avanços continuam insuficientes face à dimensão do desafio. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e do Empoderamento da Juventude do Gana, de fevereiro de 2025, cerca de 68% dos jovens ativos têm empregos vulneráveis, sem segurança de rendimento nem proteção social.
A estratégia de IA apresenta-se como a resposta estrutural a esta equação. O Gana ocupa o 72.º lugar mundial e o 6.º em África no Global AI Index 2025, atrás do Egito, da África do Sul e do Ruanda. A vontade política de progressão está agora claramente afirmada. Falta a execução.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto a inteligência artificial ganha espaço em todos os setores, o reforço de competências torna-se crucial. A formação afirma-se como uma alavanca central para promover a apropriação e a disseminação em larga escala destas tecnologias.
A Argélia está a reforçar o seu dispositivo de formação em tecnologias emergentes. A ministra da Formação e do Ensino Profissional, Nacima Arhab, e o ministro da Economia do Conhecimento, das Start-up e das Microempresas, Noureddine Ouadah, lançaram no domingo, 26 de abril, no Instituto Nacional Especializado de Formação Profissional de El Rahmania (Argel), o programa nacional de formação em inteligência artificial (IA).
Segundo as autoridades, esta iniciativa visa fazer das competências locais uma alavanca central de adaptação às mudanças tecnológicas e de apoio à economia do conhecimento. O objetivo é formar, num curto espaço de tempo, perfis capazes de se integrar rapidamente no ambiente digital, mas também de conceber soluções adaptadas às necessidades das empresas e do mercado nacional.
Uma formação intensiva orientada para a prática
O programa baseia-se numa abordagem pedagógica centrada na aprendizagem pela prática. O ciclo de formação, com uma duração total de 12 semanas (8 semanas intensivas e 4 semanas de projetos concretos), é precedido por um programa de formação de formadores lançado a 15 de janeiro de 2026, de forma a garantir a qualidade do acompanhamento.
Esta orientação visa aproximar a formação das realidades do terreno e acelerar a profissionalização dos formandos. Os participantes são assim levados a trabalhar em casos reais, nomeadamente em colaboração com start-ups, utilizando as ferramentas e os modelos de inteligência artificial mais recentes.
Uma estratégia nacional para acelerar as competências digitais
A iniciativa insere-se na futura estratégia nacional de transformação digital que as autoridades preveem implementar a curto prazo. Esta ambiciona formar até 500 000 especialistas em TIC (tecnologias da informação e comunicação) e reduzir significativamente a fuga de talentos qualificados.
Neste contexto, a Argélia procura reforçar a sua soberania tecnológica e captar uma parte do valor gerado pela inteligência artificial. As autoridades visam assim uma contribuição da IA que poderá atingir cerca de 7% do PIB até 2027. Para apoiar esta ambição, vários instrumentos estão a ser mobilizados, incluindo a criação de mecanismos de financiamento dedicados, o desenvolvimento de polos de formação de excelência e a democratização do acesso às tecnologias digitais.
Para além da formação, o programa integra-se numa estratégia destinada a estruturar um ecossistema de inovação. Neste âmbito, foi inaugurado um incubador de empresas no instituto, para acompanhar os promotores de projetos e incentivar a criação de start-ups tecnológicas.
Samira Njoya
Os cabos submarinos transportam a maior parte do tráfego da Internet no mundo. Eles asseguram as ligações entre continentes e tornam possível a troca de dados em grande escala. O seu desenvolvimento é, por isso, essencial face ao aumento contínuo dos usos digitais.
Um novo cabo submarino está em fase de desenvolvimento na África Austral. Liderada pela Angola Telecom, a infraestrutura visa melhorar a conectividade na sub-região, num contexto de crescimento do tráfego de Internet e de necessidade acrescida de redundância.
Designado Southern African Regional Submarine System (SARSSy), o projeto esteve no centro de um memorando de entendimento e de um acordo comercial (CTA) assinados na quinta-feira, 23 de abril, entre as operadoras públicas Angola Telecom e Telecom Namibia. Esta parceria permitirá à Angola Telecom aceder a capacidade internacional através do cabo submarino Equiano da Telecom Namibia, ao mesmo tempo que estabelece as bases para uma colaboração mais estreita em torno do desenvolvimento do SARSSy.
As características técnicas detalhadas do cabo ainda não foram divulgadas. No entanto, deverá ligar Angola, Namíbia e outros países ao longo da costa ocidental da África Austral. Segundo o Ministério das TIC da Namíbia, “é construído com tecnologias modernas, poderá transportar um volume de dados muito maior e deverá ter uma vida útil de cerca de 25 anos”.
Para Mário Augusto da Silva Oliveira, ministro angolano das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, trata-se de um “projeto de visão e de futuro, que conecta infraestruturas, integra mercados e aproxima os povos”. Acrescentou ainda que permitirá melhorar a conectividade regional, reforçar a segurança das comunicações e apoiar o desenvolvimento de uma economia digital mais competitiva e resiliente na África Austral.
Reforço da resiliência da rede regional
Uma vez em funcionamento, o SARSSy deverá reforçar a conectividade internacional ao longo da costa ocidental da África Austral. A região já é servida por vários cabos submarinos, segundo a plataforma Submarine Cable Map, que inventaria infraestruturas a nível mundial. Entre eles estão o Africa Coast to Europe (ACE), 2Africa, West Africa Cable System (WACS), Equiano, SAT-3/WASC e o South Atlantic Cable System (SACS).
As duas infraestruturas mais recentes, Equiano (da Google) e 2Africa (liderado pela Meta e parceiros), apresentam capacidades respetivas de 144 terabits por segundo (Tb/s) e 180 Tb/s. Neste contexto, o SARSSy, que deverá “transportar um volume de dados muito maior” graças a tecnologias de nova geração, servirá sobretudo para reforçar a resiliência e a redundância da rede regional.
Este reforço surge num momento em que a procura por conectividade de alta velocidade continua a crescer, enquanto as redes existentes permanecem expostas a perturbações recorrentes. Frequentemente associadas a congestionamentos, limitações de capacidade ou cortes de cabos, estas falhas podem causar interrupções de serviço mais ou menos prolongadas em vários países da região.
O aumento da capacidade constitui também uma oportunidade para países sem litoral, como o Botswana, a Zâmbia ou o Zimbabué. Sem acesso direto ao mar nem aos cabos submarinos, estes Estados dependem dos países costeiros para a sua ligação à conectividade internacional. Esta é assegurada através de redes terrestres de fibra ótica que ligam as estações de aterragem costeiras às redes nacionais.
Possíveis efeitos nos custos e na adoção da Internet
Para além da resiliência da rede, os cabos submarinos estão geralmente associados a uma redução dos custos de acesso à Internet. Num relatório publicado em junho de 2025, a Fundação para os Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento Internacional (Ferdi) indica que um duplicar da capacidade internacional leva a uma redução imediata de cerca de 32% no preço da banda larga fixa e até 50% na banda larga móvel.
O Banco Mundial confirma esta tendência. Num estudo publicado em julho de 2024, estima que cada duplicação da capacidade dos cabos submarinos em África conduz, em média, a uma redução de 7% no preço da Internet de banda larga fixa e de 13% na banda larga móvel.
Estas evoluções poderão também favorecer a adoção de serviços digitais. O custo de acesso continua a ser um dos principais obstáculos ao uso da Internet no continente. Segundo dados da União Internacional das Telecomunicações (UIT), a taxa de penetração da Internet era de 64,9% na Namíbia em 2024, contra 40,7% em Angola. À escala africana, cerca de 35,7% da população utilizava a Internet em 2025, segundo a mesma fonte.
Isaac K. Kassouwi
Impulsionado por uma vontade de modernização digital, o Burkina Faso vê emergir um mercado mais atrativo para tecnologias inovadoras. Esta dinâmica está a atrair investidores estrangeiros interessados em segmentos com elevado potencial, como a inteligência artificial e os drones.
O Ministério burquinabé da Transição Digital, representado pelo seu secretário-geral Borlli Michel Some, recebeu na quarta-feira, 22 de abril, uma importante delegação de investidores italianos liderada pela embaixadora do Burkina Faso em Itália, Cyrille Ganou/Badolo. Este encontro marca uma etapa-chave na estratégia nacional que visa interligar toda a administração e eliminar as “zonas brancas” no território.
As trocas centraram-se em várias soluções tecnológicas adaptadas às realidades locais. Os investidores apresentaram nomeadamente projetos ligados à utilização de drones para o acesso aos cuidados de saúde e campanhas de vacinação em zonas rurais, bem como sistemas de gestão de dados médicos. A delegação, composta por atores dos setores da tecnologia, agricultura e energia, manifestou interesse no desenvolvimento de parcerias público-privadas.
Soberania e transferência de competências
As autoridades burquinabês sublinharam, no entanto, a necessidade de enquadrar estas colaborações numa lógica de soberania tecnológica. Para o país, a prioridade recai sobre parcerias que integrem formação, co-desenvolvimento e apropriação das tecnologias, de forma a reforçar as capacidades locais. O objetivo é apoiar-se nos recursos humanos nacionais para assegurar a gestão das infraestruturas e dos dados estratégicos.
O desafio da energia digital
A ligação entre digital e energia esteve igualmente no centro das discussões. Para atingir o objetivo de “zero zonas brancas” até 2030, o Burkina Faso aposta em soluções solares inovadoras para alimentar as infraestruturas de telecomunicações em meio rural. As autoridades convidaram os investidores italianos a propor tecnologias sustentáveis capazes de apoiar esta expansão da rede, essencial para a modernização dos serviços públicos.
Este encontro ocorre num contexto de aceleração dos projetos digitais no Burkina Faso, com prioridades como a identidade digital e a integração de tecnologias emergentes, visando melhorar a eficiência dos serviços públicos.
Samira Njoya
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