O governo do Chade pretende generalizar o acesso aos serviços de telecomunicações no âmbito das suas ambições de transformação digital. Segundo dados da União Internacional das Telecomunicações, 87% da população não utilizava a Internet em 2024.
As autoridades chadianas pretendem reforçar a cooperação com o Banco Mundial para acelerar a inclusão digital do país, nomeadamente através da cobertura das chamadas «zonas brancas» (áreas sem acesso a serviços de telecomunicações). O objetivo é reduzir a fratura digital que continua a afetar várias regiões.
Esta ambição foi discutida durante uma missão de trabalho de uma delegação do Banco Mundial, em visita ao Chade entre 1 e 5 de junho. Os encontros centraram-se no estado de avanço do Projeto de Apoio à Transformação Digital (PATN) e nas expectativas do Ministério das Telecomunicações para garantir o sucesso da iniciativa. O Programa Regional de Integração Digital da África Central (CARDIP) também esteve na agenda.
Durante as discussões, Ibangolo Maïna Manga Abel indicou que cerca de 500 localidades sem conectividade ou sem acesso a serviços digitais foram identificadas em todo o país. No entanto, o comunicado do Ministério da Economia Digital, publicado a 1 de junho, não especifica a localização dessas localidades nem o calendário previsto para a sua ligação à rede.
Uma fratura digital ainda muito acentuada
Esta iniciativa surge num contexto em que a exclusão digital continua a ser significativa no Chade. Segundo a UIT, as redes 2G e 3G cobriam respetivamente 86,9% e 84,5% da população em 2024, numa altura em que alguns países africanos já estudam o abandono gradual destas tecnologias.
A rede 4G cobria apenas 60% da população, estimada em cerca de 25 milhões de habitantes. Em termos de utilização, a UIT estima uma taxa de penetração da telefonia móvel de 44,3%, contra apenas 12,6% para a Internet móvel.
Para além da cobertura, o desafio da adoção
Embora a expansão da cobertura para as zonas brancas possa contribuir para reduzir a fratura digital, persistem vários desafios estruturais. O principal continua a ser o isolamento digital do país, que limita o acesso às capacidades internacionais necessárias para o fornecimento de Internet.
O Chade dispõe atualmente de apenas uma ligação internacional de fibra ótica através dos Camarões, uma dependência que fragiliza o abastecimento de largura de banda e afeta a qualidade dos serviços. Estão previstas interligações com a Argélia, Nigéria, Níger, Líbia e Egito, mas estes projetos ainda não foram concretizados.
Além disso, a qualidade dos serviços continua insuficiente. A 15.ª auditoria da ARCEP, realizada entre setembro e outubro de 2025, identificou várias falhas, incluindo equipamentos obsoletos, manutenção insuficiente, problemas de fornecimento elétrico e estações fora de serviço em determinadas zonas. O vandalismo das infraestruturas continua igualmente a afetar o desempenho global da rede.
Para além destas limitações, a adoção dos serviços digitais nas zonas brancas, geralmente localizadas em áreas rurais, depende de vários outros fatores. Entre eles estão a acessibilidade dos equipamentos (smartphones, tablets e computadores), as competências digitais básicas da população, o custo dos serviços e a disponibilidade de conteúdos relevantes adaptados às necessidades locais.
Segundo dados do Banco Mundial, apenas 8,6% dos chadianos com mais de 15 anos possuíam um smartphone em 2024. No que diz respeito à acessibilidade financeira dos serviços, a UIT indica que o cabaz básico de Internet, SMS e voz representava 9,84% do rendimento nacional bruto (RNB) per capita em 2024. Este valor é muito superior à média africana (4%), à média mundial (1,3%) e ao limiar de acessibilidade de 2% definido pela organização. Além disso, um pacote de 5 GB de Internet móvel representava, por si só, 11,8% do rendimento mensal per capita.
Estes indicadores mostram que a melhoria da cobertura de rede, embora essencial, não será suficiente para eliminar a fratura digital no Chade. As autoridades terão igualmente de atuar sobre a qualidade das infraestruturas, a acessibilidade económica dos serviços e dos equipamentos, bem como sobre o desenvolvimento das competências digitais, para transformar o acesso potencial à rede numa utilização efetiva.
Isaac K. Kassouwi
Nos últimos anos, a Costa do Marfim acelerou a sua transformação digital no âmbito da estratégia 2021-2025. Com o término desta fase, o país prepara uma nova folha de rota até 2035, destinada a consolidar os progressos alcançados e a reforçar a modernização dos serviços públicos e da economia digital.
A Costa do Marfim está a preparar uma nova estratégia digital para o horizonte de 2035. As principais orientações desta folha de rota foram apresentadas na segunda-feira, 1 de junho, pelo ministro da Transição Digital e da Inovação Tecnológica, Djibril Ouattara, em Abidjan, durante a abertura da 6.ª edição da African Digital Week 2026.
Segundo o ministro, esta estratégia assenta em sete pilares principais, desdobrados em cerca de quarenta projetos estruturantes. O objetivo é transformar profundamente os serviços públicos e reforçar o ecossistema digital nacional. As principais áreas de intervenção incluem o desenvolvimento da conectividade e do acesso aos serviços digitais, a transformação digital da administração pública, a promoção da inovação e da inteligência artificial, o reforço da cibersegurança e da confiança digital, o desenvolvimento de competências digitais e a modernização dos Correios da Costa do Marfim.
A nova folha de rota insere-se na continuidade das reformas lançadas nos últimos anos, mas representa uma evolução estratégica mais orientada para a integração de tecnologias emergentes e para a consolidação das infraestruturas digitais. O objetivo declarado é melhorar a eficácia da ação pública e, simultaneamente, estruturar um ecossistema de inovação mais competitivo.
Uma dinâmica iniciada com a estratégia 2021-2025
A nova estratégia sucede à estratégia digital 2021-2025, que permitiu acelerar os investimentos em infraestruturas e alargar progressivamente a oferta de serviços públicos digitais.
Durante este período, as subscrições de telefonia móvel registaram um crescimento significativo, passando de cerca de 44 milhões em 2021 para mais de 60 milhões em 2025. As subscrições de internet móvel também aumentaram fortemente, atingindo cerca de 38,5 milhões em 2025, face a níveis muito inferiores no início do período. A taxa de penetração da internet situou-se em cerca de 41% em 2025, refletindo uma melhoria contínua do acesso aos serviços digitais, embora persistam disparidades geográficas e sociais.
Ao mesmo tempo, os serviços públicos em linha expandiram-se progressivamente, com a digitalização de numerosos procedimentos administrativos e a multiplicação de plataformas digitais nos setores fiscal, civil e económico. Esta evolução contribuiu para modernizar o acesso aos serviços do Estado e melhorar a sua disponibilidade.
Segundo os dados do Nações Unidas, através do Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI), a Costa do Marfim obteve uma pontuação de 0,5587 em 2024, contra 0,5467 em 2022 e 0,4457 em 2020, refletindo uma progressão constante da maturidade digital do país.
Um motor económico cada vez mais importante
Para além dos serviços públicos, o digital afirma-se progressivamente como um motor estruturante da economia marfinense. O setor deverá representar cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030, contra aproximadamente 6% atualmente.
Numa perspetiva de mais longo prazo, a Banco Mundial estima que a economia digital poderá gerar mais de 20 mil milhões de dólares até 2050 para a Costa do Marfim, desde que sejam mantidos investimentos significativos, públicos e privados, em infraestruturas, competências e serviços digitais.
Samira Njoya
Segundo as fontes oficiais, a Nigéria conta com 185,7 milhões de assinantes de telemóvel e 153,8 milhões de utilizadores da Internet. Estes números escondem, no entanto, uma grande clivagem digital, uma vez que muitos utilizadores possuem vários cartões SIM.
O China Industrial Bank (CIB), um banco comercial chinês, comprometeu-se a apoiar o projeto do governo nigeriano que visa a instalação de 1000 sites de telecomunicações até ao final do ano. Esta iniciativa insere-se num programa mais vasto destinado a ligar milhões de pessoas que vivem em comunidades atualmente não servidas pelas redes.
Este compromisso foi revelado na terça-feira, 2 de junho, pelo ministro nigeriano das Comunicações, Inovação e Economia Digital, Bosun Tijani (foto, ao centro). Ele recebeu anteriormente a visita de uma delegação do CIB liderada por Peng Shuang, responsável pelas atividades ligadas às indústrias emergentes.
« O apoio do CIB a este projeto, que constitui o primeiro investimento do banco na Nigéria, demonstra a crescente confiança da comunidade internacional na nossa visão de alargar uma conectividade útil a todos e de construir as bases digitais necessárias para um crescimento económico inclusivo », afirmou o ministro num comunicado publicado nas redes sociais.
Reduzir a fratura digital
Os 1000 sites de telecomunicações fazem parte de um programa mais vasto que prevê a implantação de 3700 torres em comunidades atualmente não servidas, das quais uma grande parte se encontra em zonas rurais e ribeirinhas da Nigéria. O Projeto nigeriano de Acesso Universal às Comunicações (NUCAP) visa mais de 20 milhões de pessoas.
A “nova rede de torres modernas de telecomunicações” anunciada pelo ministro permitirá melhorar a cobertura de rede em todo o território. Os habitantes poderão assim fazer chamadas, enviar mensagens e aceder à Internet pela primeira vez ou em melhores condições.
Isto insere-se nos esforços para reduzir a fratura digital. O executivo está também a implementar o projeto BRIDGE. Com um custo global estimado em cerca de 2 mil milhões de dólares, o objetivo é garantir um acesso alargado e acessível à banda larga para as populações não servidas ou mal servidas. Prevê o desenvolvimento de mais de 90 000 quilómetros de fibra ótica, elevando a rede nacional de 35 000 para 125 000 quilómetros.
O executivo aposta também na conectividade por satélite. Abuja atribuiu licenças a operadores privados e estrangeiros como a Starlink e a Amazon. Apoia-se igualmente nas suas próprias infraestruturas, nomeadamente através da NigComSat. O operador público prepara atualmente a aquisição de dois novos satélites para substituir o atual, que está no fim da sua vida útil.
Por fim, as autoridades nigerianas estão a acelerar a entrada no mercado de novos atores, em particular os operadores móveis virtuais (MVNO). A Nigerian Communications Commission (NCC) considera que isso ajudará a colmatar o fosso entre as populações mal servidas e as não servidas, ao mesmo tempo que reforça a concorrência e amplia a escolha dos consumidores no mercado das telecomunicações.
Para além da infraestrutura física
Para além da infraestrutura física em que estas iniciativas se concentram, a adoção real dos serviços pelas populações depende de vários fatores. Entre eles estão a acessibilidade financeira dos equipamentos, o custo das ofertas dos operadores, bem como o nível de literacia digital dos utilizadores.
Além disso, várias restrições frequentemente apontadas pelos atores do setor das telecomunicações devem ser consideradas. O vandalismo das infraestruturas de telecomunicações, por exemplo, pode provocar interrupções de serviço e aumentar os custos de manutenção para os operadores.
A isto juntam-se os elevados custos do gasóleo, indispensáveis para alimentar os sites nas zonas não ligadas à rede elétrica, o que afeta a rentabilidade e a continuidade do serviço. Por fim, a qualidade das redes continua a ser uma questão central: estabilidade da ligação, débito insuficiente ou congestionamento das redes podem limitar a experiência dos utilizadores.
Isaac K. Kassouwi
A Telecel entrou no mercado das telecomunicações ganês em fevereiro de 2023, na sequência da aquisição das atividades da Vodafone Ghana, então confrontada com dificuldades. Desde então, o operador tem implementado várias iniciativas para consolidar a sua posição num mercado altamente concorrencial.
A operadora de telecomunicações Telecel Ghana lançou um vasto programa de modernização da sua rede. A iniciativa visa reforçar a capacidade das infraestruturas para responder melhor à crescente procura por serviços de conectividade.
O programa teve início em Madina, segundo a imprensa local. Ele reflete o compromisso assumido pela diretora-geral da empresa, Patricia Obo-Nai, que tinha anunciado numa entrevista aos meios de comunicação em março que melhorias significativas nas infraestruturas de rede seriam lançadas durante o segundo trimestre.
“Estamos a aumentar a capacidade deste site para reduzir a congestão e melhorar as velocidades de Internet para milhares de clientes em Madina. À medida que o uso de dados continua a crescer, estes investimentos garantem aos nossos clientes velocidades mais elevadas, melhor qualidade de voz e ligações mais estáveis”, afirmou Ebenezer Siebu, diretor de tecnologia da Telecel Ghana, citado pelo meio de comunicação local Citi Newsroom.
Acrescentou ainda que a operadora prevê realizar atualizações semelhantes em mais de 100 sites de elevado tráfego em todo o país este ano. Além disso, mais de 1.000 sites beneficiarão de diferentes níveis de melhoria no âmbito do programa global de modernização da rede.
Transformação digital e procura crescente
Esta iniciativa insere-se nos esforços desenvolvidos pela Telecel Ghana desde a aquisição das atividades da Vodafone Ghana em fevereiro de 2023. Surge num contexto de aceleração da transformação digital, marcado por um aumento contínuo do consumo de dados móveis e uma procura crescente por serviços de conectividade de alta velocidade.
Para acompanhar esta evolução, a operadora tem aumentado os investimentos nas suas infraestruturas. Em novembro de 2025, lançou, em parceria com a Huawei, um programa de modernização da rede avaliado em 70 milhões de dólares. Em abril de 2023, assinou igualmente um acordo com a Lynk Global para expandir a cobertura móvel através da tecnologia satélite “Direct to Device”. Entre o início de 2023 e o final de 2025, o número de sites de telecomunicações passou de cerca de 5.000 para aproximadamente 9.000.
A longo prazo, Patricia Obo-Nai afirmou que a expansão da rede continuará a ser uma prioridade estratégica da empresa. Esta orientação reflete a evolução do papel das operadoras de telecomunicações, que deixaram de ser apenas fornecedoras de serviços de comunicação para se tornarem infraestruturas essenciais da transformação digital da economia.
A Telecel procura assim responder às necessidades de uma base de clientes cada vez mais dependente do digital. Os consumidores utilizam a Internet para streaming de vídeo, redes sociais, plataformas de formação online, serviços administrativos digitais e pagamentos móveis. As empresas, por sua vez, dependem de redes mais eficientes para suportar comércio eletrónico, aplicações na cloud, teletrabalho, ferramentas colaborativas e soluções digitais de aumento de produtividade.
Forte pressão concorrencial
Estes esforços decorrem num mercado ganês ainda largamente dominado pela MTN. A antiga Vodafone Ghana tem perdido terreno nos últimos anos face ao líder do mercado. A sua quota caiu de 24,1% em junho de 2017 para 18,41% em fevereiro de 2023, no momento da aquisição pela Telecel Group, antes de subir para 20,7% no final de fevereiro de 2025. Apesar desta recuperação, a MTN mantém uma posição dominante com 72,1% do mercado móvel.
O segmento de internet móvel também é dominado pela MTN, que contava com cerca de 25,8 milhões de subscritores no final de fevereiro de 2025, representando 81,29% do mercado. A Telecel detinha 14,5%, enquanto a AT ficava com 4,21%.
Contudo, a Telecel mantém uma posição dominante em alguns segmentos históricos. Na telefonia fixa, detinha 97,7% do mercado, contra 2,3% da MTN. Na internet fixa, controlava 51,75%, contra 47,85% da MTN.
Isaac K. Kassouwi
Enquanto a Equatorial Guinea procura colmatar o seu atraso em matéria de conectividade e apoiar a sua transformação digital, as autoridades lançam um vasto plano de modernização das infraestruturas de telecomunicações.
As autoridades equato-guineenses iniciaram um amplo programa de modernização da empresa pública de telecomunicações GETESA. A iniciativa visa revitalizar o operador histórico num contexto de transformação digital marcado por uma procura crescente de serviços de conectividade.
A modernização da rede faz parte do plano imediato e de curto prazo do novo diretor-geral do operador nacional, Charles Borome Razafimahatratra. Este foi recentemente apresentado ao vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang Mangue.
Uma revolução tecnológica
A primeira fase do plano está prevista para 12 meses. Prevê a otimização da rede nacional, a expansão da cobertura telefónica e da Internet, bem como a transformação digital da empresa através da aquisição de equipamentos modernos e da reativação da fibra ótica, que até agora era utilizada apenas pela companhia nacional de eletricidade SEGESA para interligar as suas subestações elétricas.
O projeto inclui também a introdução da tecnologia 5G, a implementação de serviços Wi-Fi públicos nas cidades de Malabo, Bata e Oyala, bem como nas zonas rurais e urbanas de todo o país. O plano prevê ainda o reforço das infraestruturas energéticas e técnicas da empresa.
Outro eixo importante do programa é a digitalização completa da GETESA através de uma gestão totalmente sem papel, a redução dos custos logísticos e o lançamento do Getesa Money, uma plataforma financeira destinada a serviços de pagamentos eletrónicos. O plano inclui também a reativação do serviço de roaming e a introdução da tecnologia eSIM.
Desafios de conectividade persistentes
Esta iniciativa surge num momento em que a rede nacional de telecomunicações enfrenta desafios persistentes. Uma auditoria realizada pelo gabinete Cyberteq, cujos resultados foram apresentados em abril de 2026, revelou várias insuficiências, incluindo lacunas significativas em equipamentos, débito, capacidade da rede e planeamento técnico. O relatório destaca ainda a obsolescência de certos equipamentos, a baixa velocidade de transmissão de dados e interrupções de chamadas devido à saturação da rede.
O relatório propõe um roteiro para corrigir estas falhas através da modernização tecnológica, do reforço da capacidade da rede e da implementação de um plano de investimento destinado a melhorar a qualidade do serviço e a expandir a cobertura, em linha com os objetivos de transformação digital do país.
Ainda em abril, o gabinete Mason recomendou às autoridades a ligação do país ao cabo submarino Medusa submarine cable system, que será o segundo cabo submarino do país. O custo é estimado entre 20 e 60 milhões de euros (23,3 a 70 milhões de dólares). A iniciativa visa acabar com as interrupções do serviço de Internet e garantir uma rede estável e de alta qualidade. A infraestrutura deverá entrar em funcionamento entre 2029 e 2030.
Um pilar da transformação digital
Uma vez reabilitada e totalmente operacional, a rede da GETESA poderá tornar-se um pilar da transformação digital do país. A modernização das infraestruturas e a melhoria da qualidade do serviço aceleram a digitalização da economia nacional. A conectividade torna-se um elemento central para todos os agentes económicos e sociais.
Para as famílias, uma melhor conectividade facilita o acesso aos serviços digitais do quotidiano, incluindo comunicações, educação online, serviços financeiros móveis e plataformas de entretenimento. Para as empresas, reforça a competitividade e apoia a digitalização dos serviços, o comércio eletrónico, o uso da cloud e a adoção de ferramentas digitais de gestão avançadas.
Para referência, a Guiné Equatorial contava com cerca de 885.000 assinantes de telemóvel no final de 2025 (45,4% de quota de mercado), segundo a DataReportal. O número de utilizadores de Internet ascendia a 1,18 milhões, ou seja, 60,4% da população.
Isaac K. Kassouwi
A procura por meios de pagamento digitais está a acelerar em África. Os operadores de telecomunicações procuram posicionar-se neste segmento, no âmbito da diversificação das suas atividades.
Na Serra Leoa, o operador de telecomunicações Africell lançou no início da semana um cartão pré-pago associado ao seu serviço de mobile money. A empresa segue assim o exemplo do seu concorrente Orange, que já tinha introduzido uma solução semelhante num contexto de crescente procura por soluções de pagamento digitais.
Designado «Afrimoney Prepaid Visa Card», o cartão foi lançado em parceria com a Visa e a Ecobank. Permite aos utilizadores realizar transações digitais nacionais e internacionais diretamente a partir da sua carteira Afrimoney, sem necessidade obrigatória de uma conta bancária tradicional.
Segundo David Moinina Sengeh, esta solução poderá beneficiar particularmente pequenos comerciantes, jovens empreendedores, operadores de transporte, estudantes e famílias que vivem em zonas remotas, que até agora enfrentavam dificuldades no acesso a sistemas de pagamento internacionais.
Uma resposta ao aumento dos usos digitais
O surgimento desta solução, à semelhança da lançada pela Orange em março passado, insere-se num contexto de transformação digital marcado por necessidades crescentes de pagamentos digitais. Com o aumento da utilização da Internet e dos serviços digitais, os consumidores procuram meios de pagamento mais simples e acessíveis, capazes de funcionar além das fronteiras nacionais.
Os utilizadores precisam nomeadamente de realizar compras em plataformas internacionais de comércio eletrónico como Alibaba, Amazon ou Jumia, tanto para necessidades pessoais como profissionais. Para muitos pequenos comerciantes e empresários, estas plataformas representam canais importantes de abastecimento de produtos e equipamentos por vezes indisponíveis localmente.
Cada vez mais pessoas pretendem subscrever plataformas de entretenimento como Spotify, Netflix ou Prime Video. Outras procuram aceder a formações online através de plataformas como Coursera ou Udemy. Alguns utilizadores também necessitam de serviços digitais como iCloud ou ChatGPT. O acesso a estes serviços continua frequentemente limitado em vários países africanos devido ao baixo nível de bancarização e às dificuldades de acesso a meios de pagamento internacionais tradicionais.
O mobile money como alternativa aos cartões tradicionais
A dificuldade de carregamento de cartões de pagamento tradicionais pode igualmente favorecer as soluções propostas pelos operadores de telecomunicações. Em muitos casos, os cartões bancários clássicos exigem procedimentos complexos e o acesso regular a uma conta bancária formal, o que não é simples para uma grande parte da população.
Em contrapartida, as soluções baseadas em mobile money oferecem maior flexibilidade. Os utilizadores podem recarregar os seus cartões diretamente a partir da carteira móvel, recorrendo a redes de agentes amplamente disseminadas, incluindo em zonas rurais. Esta proximidade com os serviços financeiros reduz as barreiras de acesso e facilita a inclusão financeira, sobretudo para populações afastadas do sistema bancário tradicional.
Isaac K. Kassouwi
O presidente da República do Congo apresentou esta medida como mais um passo em direção à integração continental e à livre circulação em África.
O presidente congolês Denis Sassou N’Guesso anunciou, na segunda-feira, 25 de maio, à margem das Assembleias Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em Brazzaville, a supressão dos vistos para os cidadãos africanos que entrem na República do Congo.
«A partir de 1 de janeiro de 2027, a entrada na República do Congo deixará definitivamente de estar sujeita a visto para todos os povos africanos», declarou. Segundo o chefe de Estado, esta decisão insere-se na concretização do seu «compromisso com uma África unida, soberana e próspera».
Um movimento continental de abertura progressiva
No plano económico, esta abertura aos cidadãos africanos deverá facilitar as trocas intra-africanas, sobretudo para empresários, investidores e operadores comerciais. A medida enquadra-se na dinâmica da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZLECAf), baseada na fluidez da mobilidade e na redução das barreiras não tarifárias.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INS), as trocas comerciais da República do Congo com os restantes países africanos continuam ainda modestas: África representou 9,28% das importações e 5,27% das exportações do país em 2025.
No setor do turismo, esta decisão deverá reforçar a atratividade do Congo, facilitando a chegada de visitantes africanos e estimulando atividades ligadas à hotelaria, restauração e transportes. O Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2022-2026) faz do turismo um eixo prioritário de diversificação económica fora do petróleo, com o objetivo de elevar a contribuição do setor para 10% do PIB, contra menos de 5% historicamente.
O anúncio do presidente congolês insere-se numa tendência mais ampla em África. Vários países africanos já adotaram políticas de flexibilização ou eliminação de vistos para cidadãos africanos, entre eles o Ruanda, as Seicheles, o Benim, o Gana e, mais recentemente, o Togo.
Charlène N’dimon
Os países africanos estão a intensificar os seus esforços de transformação digital. A inteligência artificial (IA) ocupa um lugar cada vez mais importante como motor de inovação, eficiência e produtividade.
O governo da Serra Leoa iniciou a elaboração de uma estratégia nacional de inteligência artificial (IA). Desenvolvida em parceria com o Grupo Banco Mundial, a iniciativa surge num momento em que o país já está empenhado num processo de transformação digital.
A iniciativa foi revelada na semana passada pelo Ministério da Comunicação, Tecnologia e Inovação. Na ocasião, o governo reuniu durante três dias organizações de media, representantes da sociedade civil, atores públicos e do setor privado para contribuir para as reflexões em torno da futura estratégia nacional de IA. Segundo o ministério, o objetivo é garantir que esta reflita «as realidades, prioridades e vozes da população da Serra Leoa, incluindo as línguas e culturas locais».
As autoridades consideram igualmente que, antes de definir uma estratégia nacional, era necessário avaliar o nível de preparação da Serra Leoa para a IA. Esta abordagem analisa a capacidade do país para adotar esta tecnologia de forma responsável, inclusiva e em benefício de toda a população. Identifica também os investimentos, políticas, competências, infraestruturas e mecanismos de proteção necessários para fazer da IA um instrumento de desenvolvimento nacional.
Aceleração da transformação digital
Esta iniciativa surge numa altura em que o governo pretende conectar digitalmente toda a população da Serra Leoa. O executivo aposta em tecnologias inovadoras para fornecer serviços públicos mais transparentes, acessíveis e centrados nas necessidades dos cidadãos, tanto a nível nacional como local.
É neste contexto que as autoridades se interessam pela blockchain, tecnologia que consideram capaz de «reforçar a transparência, a confiança e a inovação na prestação de serviços públicos». Esta tecnologia já foi utilizada, nomeadamente no sistema nacional de identidade digital lançado em agosto de 2019, e também foi testada durante as eleições presidenciais.
No final de 2025, o governo lançou ainda o “Big 5 AI & Blockchain Hackathon”, uma iniciativa destinada a formar, orientar e incentivar os participantes na criação de soluções inovadoras baseadas em inteligência artificial e blockchain, duas tecnologias consideradas «das mais transformadoras da nossa época».
Além disso, a Serra Leoa obteve uma subvenção de 50 milhões de dólares do Banco Mundial em janeiro de 2023 para implementar o seu projeto nacional de transformação digital. Paralelamente, o governo afirma ter investido mais de 400 milhões de dólares no setor das telecomunicações para apoiar a modernização das infraestruturas digitais. Também está a reforçar os esforços em matéria de cibersegurança.
IA: potencial e desafios
A visão das autoridades da Serra Leoa para a IA insere-se numa dinâmica apoiada pelas Nações Unidas. No relatório “E-Government Survey 2024”, o Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais (DAES) destaca que a inteligência artificial tem potencial para otimizar as operações do setor público. Graças à automatização de tarefas administrativas, pode melhorar a eficiência, reduzir atrasos e limitar redundâncias. Pode ainda contribuir para a deteção de anomalias, classificação de dados e formulação de recomendações.
Contudo, o DAES alerta para vários riscos, sendo o principal o viés dos dados, que pode conduzir a uma representação inadequada de determinados grupos. O organismo menciona também preocupações éticas, de segurança e sociais.
A organização chama igualmente a atenção para a fratura digital, que representa outro grande desafio para a implementação da IA no setor público, sobretudo nos países de baixo e médio rendimento e nos países menos desenvolvidos. Esta situação pode limitar o acesso das populações às infraestruturas, competências e serviços digitais necessários para tirar pleno proveito destas tecnologias. Por exemplo, segundo fontes oficiais, cerca de 60% da população ainda não utiliza serviços de telecomunicações.
Isaac K. Kassouwi
O país tem vindo a multiplicar esforços para melhorar a conectividade à Internet, com o objetivo de apoiar a transformação digital. Entre as iniciativas, destaca-se a intenção de se ligar a um segundo cabo submarino. Em dezembro de 2024, já tinha aumentado a capacidade da sua infraestrutura principal (backbone) de 50 Gb/s para 200 Gb/s.
A Guiné acaba de oficializar o aumento da capacidade da sua espinha dorsal nacional de fibra ótica, que passa de 200 Gb/s para 400 Gb/s. Trata-se da segunda expansão em cerca de ano e meio, elevando o crescimento acumulado para 700% da capacidade da rede nesse período, num contexto de forte aumento da procura por Internet de alta velocidade.
A iniciativa foi anunciada na quarta-feira, 20 de maio, pela Sociedade de Gestão e Exploração do Backbone Nacional (SOGEB), que a implementou com o apoio técnico da empresa tecnológica chinesa Huawei. Esta expansão de capacidade diz respeito, por agora, ao primeiro anel da rede. No entanto, os dois parceiros pretendem atingir uma capacidade de 600 Gb/s em toda a infraestrutura até ao final do ano.
Um reforço da qualidade de serviço
O aumento da capacidade da rede ocorre num contexto marcado não apenas pela crescente procura de banda larga, mas também pela pressão constante sobre a qualidade do serviço. A SOGEB considera que esta evolução “contribui para melhorar significativamente a qualidade das comunicações interurbanas e para acompanhar o descongestionamento digital do país”.
Para além do aumento das velocidades disponíveis, esta expansão pode reduzir a congestão da rede, um fator frequentemente responsável por lentidões e interrupções de serviço. Ao aumentar a largura de banda da espinha dorsal nacional, os operadores passam a dispor de maior capacidade para encaminhar o tráfego de Internet, especialmente nas horas de pico.
O tráfego de Internet móvel passou de 23,98 milhões de gigabytes (GB) no segundo trimestre de 2021 para 118,86 milhões de GB no mesmo período de 2025, segundo dados do regulador das telecomunicações. No mesmo intervalo, o número de assinantes de Internet móvel passou de 6,6 milhões para 8,3 milhões, um aumento de cerca de 25,7%. Ainda assim, a taxa de penetração era de apenas 33,3% em 2024, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), o que evidencia o potencial de crescimento do mercado.
Neste contexto, uma conectividade fiável surge como um desafio central. Para os particulares, os usos estão cada vez mais diversificados entre redes sociais, streaming, serviços financeiros móveis e teletrabalho. Para as empresas, a conectividade condiciona o desempenho das ferramentas digitais, a fluidez das trocas com clientes e parceiros e o desenvolvimento de novos serviços digitais.
Mais amplamente, o reforço da capacidade do backbone insere-se na dinâmica de transformação digital do país. Ao consolidar a infraestrutura de base, as autoridades criam condições para o desenvolvimento da economia digital, a modernização dos serviços públicos e a expansão de usos inovadores.
A generalização da rede, um desafio ainda por concluir
Se o reforço do backbone representa um avanço importante, a questão da generalização efetiva da rede continua em aberto. O desafio não se limita à capacidade da espinha dorsal nacional, mas inclui também o desenvolvimento da infraestrutura de “última milha”, essencial para ligar famílias, empresas e administrações, incluindo em zonas rurais e periurbanas. Sem essa extensão, uma parte significativa da população poderá continuar excluída das melhorias do núcleo da rede.
Esta questão está também ligada às disparidades territoriais de acesso, onde os elevados custos de investimento e a baixa densidade populacional frequentemente dificultam a expansão das redes de acesso. Acrescem ainda constrangimentos de manutenção e disponibilidade de equipamentos, que podem atrasar a cobertura efetiva do território apesar dos progressos na infraestrutura principal.
Além disso, coloca-se também a questão da segurança da rede. Vários países africanos enfrentam atos recorrentes de vandalismo nas infraestruturas de telecomunicações. O roubo de cabos, a destruição de sites técnicos ou de equipamentos afetam diretamente a continuidade do serviço e a qualidade da conectividade. Estes incidentes provocam cortes, lentidões e elevados custos de reparação para os operadores, podendo travar os esforços de expansão da rede.
Isaac K. Kassouwi
O desenvolvimento dos MVNO está a acelerar em África, impulsionado sobretudo por mercados como a África do Sul e a Nigéria. As autoridades veem este tipo de operadores como uma solução para colmatar as lacunas deixadas pelos operadores tradicionais de telecomunicações.
As autoridades nigerianas pretendem reforçar a regulação do mercado dos operadores de rede móvel virtual (MVNO). Esta iniciativa visa estruturar um segmento ainda emergente do setor das telecomunicações e clarificar as regras aplicáveis aos novos entrantes.
A Comissão Nigeriana de Comunicações (NCC) publicou recentemente um projeto de “Business Rules for Mobile Virtual Network Operations in Nigeria”. Num comunicado divulgado na quarta-feira, 20 de maio, o regulador das telecomunicações convida as partes interessadas a apresentarem as suas observações até 29 de junho. Está igualmente prevista uma consulta pública para 9 de julho.
Segundo a NCC, estas regras prosseguem vários objetivos principais. Pretendem, antes de mais, estabelecer um quadro claro que defina os direitos, obrigações e requisitos de conformidade aplicáveis aos MVNO e aos operadores hospedeiros (HNO), reforçando a supervisão e a aplicação da regulamentação. O texto visa também garantir que cada MVNO opere dentro dos limites da sua licença, assegurando simultaneamente um acesso justo e não discriminatório aos recursos de rede e aos acordos de alojamento. Prevê ainda a redução dos prazos de integração entre MVNO e HNO, bem como a clarificação das regras relativas à interligação, à numeração e às responsabilidades associadas aos cartões SIM e eSIM.
Em termos concorrenciais, o projeto procura estimular a concorrência para melhorar a qualidade dos serviços, a acessibilidade dos preços e a escolha dos consumidores, ao mesmo tempo que reforça as exigências em matéria de qualidade de serviço, fiabilidade, proteção de dados e atendimento ao cliente. Por fim, esclarece que qualquer violação destas regras será considerada uma infração e poderá dar origem a sanções administrativas, medidas corretivas ou outras ações previstas na legislação em vigor.
Esta iniciativa surge num momento em que o mercado de MVNO está em fase de estruturação na Nigéria. A NCC atribuiu, em junho de 2023, licenças de operação a 25 MVNO por um montante total de 5,9 mil milhões de nairas (cerca de 4,3 milhões de dólares). No total, já foram emitidas cerca de quarenta licenças desde o lançamento do regime. Alguns operadores como Vitel ou Visafone já iniciaram os seus serviços.
O regulador estimava que a entrada destes novos atores contribuiria para colmatar a lacuna entre as populações mal servidas e as não servidas, reforçando a concorrência e alargando a escolha dos consumidores no mercado das telecomunicações. Atualmente, a Nigéria conta com 185,7 milhões de assinantes de telemóvel e 153,8 milhões de utilizadores de Internet no final de março de 2026, segundo dados da NCC.
Apesar deste volume elevado, a fratura digital persiste: cerca de 20 milhões de pessoas continuam excluídas do ecossistema digital, segundo as autoridades. Por sua vez, a GSMA estima que, em 2023, cerca de 120 milhões de nigerianos não utilizavam a Internet móvel. A esta fratura digital juntam-se preocupações relacionadas com o elevado custo dos serviços e a qualidade por vezes insuficiente das prestações dos operadores de telecomunicações.
Isaac K. Kassouwi
Com a aceleração da transformação digital, a procura e o uso dos serviços de telecomunicações registam um forte crescimento em África. Esta dinâmica continua, contudo, condicionada por vários fatores, incluindo o custo de acesso aos serviços.
No Senegal, o custo global dos serviços móveis caiu 10,9% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o quarto trimestre de 2025, segundo fontes oficiais. Trata-se do quarto trimestre consecutivo de queda dos preços no mercado senegalês das telecomunicações móveis.
Estes dados constam da “Nota trimestral do índice de preços dos serviços móveis (IPSM)”, publicada em conjunto pela Autoridade de Regulação das Telecomunicações e dos Correios do Senegal e pela Agência Nacional de Estatística e Demografia do Senegal. O índice, base 100 em 2023, mede a evolução dos preços dos serviços de telefonia móvel no mercado nacional. É calculado a partir das tarifas praticadas pelos operadores para as principais ofertas de comunicação, nomeadamente voz, dados móveis e SMS.
Segundo a nota, a descida do quarto trimestre de 2025 para o primeiro trimestre de 2026 foi impulsionada pela redução de preços registada em todos os operadores de redes móveis, nomeadamente a Orange com uma queda de 17,2%, a Expresso Senegal com 3,5% e a Yas Senegal com 1,8%. Em contrapartida, os preços do operador de rede móvel virtual (MVNO) Promobile registaram um aumento de 3,4% no período analisado, embora o seu impacto global no mercado seja marginal.
Segundo a ARTP e a ANSD, a redução dos preços dos serviços móveis é sobretudo impulsionada pelas ofertas destinadas a perfis com maior consumo de dados. Em sentido contrário, os perfis com maior consumo de voz registaram aumentos tarifários no trimestre, embora estes sejam inferiores às reduções observadas nas ofertas de dados.
Um potencial motor de adoção e utilização dos serviços
Esta tendência de descida surge num contexto africano marcado por queixas recorrentes dos consumidores sobre o nível elevado dos preços dos serviços de telecomunicações. Em muitos mercados do continente, o custo dos serviços móveis é frequentemente apontado como um dos principais obstáculos à adoção e a um uso mais intensivo da Internet móvel, sobretudo para populações de baixo rendimento.
Segundo a União Internacional das Telecomunicações, o cabaz móvel combinado (voz e baixo consumo de dados — 70 minutos de chamadas, 50 SMS e 1 GB de Internet) representava 2,57% do rendimento nacional bruto per capita no Senegal em 2025. Embora este nível esteja abaixo da média africana estimada em 4%, permanece acima do limiar de acessibilidade fixado em 2% pela organização. Para a Internet móvel isoladamente, este rácio atinge 4,68%, contra 5,32% em média em África.
No entanto, a melhoria dos preços não é suficiente para eliminar todas as barreiras à adoção dos serviços de telecomunicações e, de forma mais ampla, dos serviços digitais. Outros fatores continuam a desempenhar um papel importante, nomeadamente as disparidades de cobertura de rede, os problemas de qualidade de serviço e as diferenças no acesso a terminais compatíveis. Segundo o Banco Mundial, 60,84% da população senegalesa com mais de 15 anos possuía um smartphone.
Para recordar, o Senegal contava com 23,38 milhões de assinantes de Internet móvel, com uma taxa de penetração de 125,78% no final de dezembro de 2025, segundo dados da ARTP. Estes números devem ser interpretados com cautela, uma vez que os reguladores contabilizam geralmente cada cartão SIM como um assinante, embora um mesmo utilizador possa possuir vários. A União Internacional das Telecomunicações estima, assim, que 60,1% dos senegaleses utilizavam a Internet em 2024.
Isaac K. Kassouwi
O operador histórico namibiano tem registado, nas últimas semanas, um aumento das perturbações na sua rede. Esta degradação da experiência do cliente poderá fragilizar a sua posição num mercado onde já enfrenta dificuldades para competir com a MTC.
A empresa pública de telecomunicações Telecom Namibia alerta os seus assinantes para eventuais perturbações na rede no âmbito do seu programa de modernização em curso. Este anúncio surge num momento em que o operador enfrenta desafios relacionados com a qualidade do serviço em algumas zonas do país.
Num comunicado publicado na quarta-feira, 20 de maio, o operador histórico explica que as atividades suscetíveis de causar estas perturbações são necessárias para dispor de uma rede mais robusta e orientada para o futuro.
«O programa de modernização em curso reflete a determinação da Telecom Namibia em responder às necessidades de conectividade em constante evolução dos particulares, empresas e comunidades. Estamos confiantes de que estes investimentos se traduzirão em melhorias mensuráveis no desempenho da rede e na satisfação do cliente nos próximos meses», indica a empresa no seu comunicado.
Uma transformação inscrita no plano estratégico ISBP 2027
Esta iniciativa insere-se nos compromissos mais amplos da Telecom Namibia no âmbito do seu Plano de Negócios Estratégico Integrado (ISBP) 2027, lançado em 2023. O programa inclui vários eixos de modernização destinados a reforçar o desempenho global da rede e a melhorar a experiência do cliente.
Prevê, nomeadamente, a atualização do núcleo da rede com uma arquitetura convergente fixo-móvel, a implementação de uma nova plataforma OSS/BSS destinada a simplificar a gestão dos serviços e a otimizar a experiência do utilizador, bem como o reforço dos sistemas de segurança e de alimentação elétrica. O operador está também a modernizar as tecnologias de acesso, com a migração progressiva das redes 2G e 3G para 4G e 4.5G.
Em paralelo, a Telecom Namibia acelera a expansão da fibra ótica a nível nacional, a extensão da rede móvel através de novas estações base, bem como a melhoria da cobertura em zonas mal servidas. A empresa reforça igualmente as infraestruturas de backbone e as ligações internacionais, nomeadamente através de cabos submarinos, para aumentar a redundância e a continuidade do serviço. O conjunto é complementado pela implementação de ferramentas avançadas de monitorização que permitem uma deteção e resolução mais rápidas dos incidentes de rede.
Reforçar a posição no mercado e aumentar as receitas
A médio prazo, o operador estima que estes investimentos permitirão reforçar significativamente a sua maturidade digital e melhorar a experiência do cliente em mais de 75%. Prevê também uma redução da taxa de cancelamento de assinaturas, impulsionada pela melhoria da qualidade do serviço.
Estes investimentos deverão ainda aumentar a rentabilidade dos ativos da empresa e consolidar a sua competitividade. Como resultado, o operador espera um aumento da sua quota de mercado e das suas receitas, que deverão atingir 2 mil milhões de dólares namibianos (120,6 milhões de dólares).
Para recordar, a Telecom Namibia reivindicava 451.837 assinantes de telefonia móvel e 189.180 assinantes de telefonia fixa no final do exercício financeiro de 2022/2023. O operador atua principalmente face à MTC, que detinha uma quota de mercado de 91% segundo o seu «Company Profile 2024-2025». As receitas da Telecom Namibia ascenderam a 1,39 mil milhões de dólares namibianos no exercício de 2022/2023.
Isaac K. Kassouwi
O digital dava até agora a impressão de ter escapado às velhas restrições da geografia, da energia e das infraestruturas. Os debates centravam-se sobretudo nos algoritmos, nos dados, nos semicondutores ou nos talentos tecnológicos. Mas a corrida mundial pela inteligência artificial recorda uma evidência muito mais material: por trás de cada infraestrutura de IA esconde-se, antes de mais, uma questão energética.
No Quénia, esta realidade voltou a surgir de forma espetacular. Quase dois anos após o anúncio com grande destaque do projeto de centro de dados liderado pela Microsoft e pelo grupo emiradense G42, as discussões avançam mais lentamente do que o previsto. As dificuldades dizem respeito naturalmente às garantias financeiras, mas sobretudo às necessidades energéticas da infraestrutura. O próprio presidente William Ruto reconheceu recentemente que seria quase necessário “cortar a eletricidade a metade do país” para alimentar uma instalação desta dimensão. Se a expressão marcou os espíritos, ela revela sobretudo algo muito mais profundo sobre a nova economia mundial que está a emergir.
A IA dá um valor ainda mais estratégico à eletricidade
O problema vai muito além do caso do Quénia. Segundo a Agência Internacional de Energia, o consumo elétrico mundial dos centros de dados poderá quase duplicar até 2030 devido à explosão da inteligência artificial.
Por trás das promessas de soberania digital, a IA coloca novamente os Estados perante uma equação muito clássica: sem energia abundante, estável e controlável, não haverá nem cloud soberano nem capacidade de computação sustentável. Melhor ainda, a capacidade de produzir e garantir grandes quantidades de eletricidade torna-se progressivamente um dos principais determinantes da hierarquia digital mundial.
É precisamente isto que torna a situação africana paradoxal, enquanto a McKinsey prevê que a procura de centros de dados no continente será multiplicada por mais de três até ao final da década. No momento em que o continente procura acelerar a sua transição digital, a IA transforma as infraestruturas energéticas em ativos geopolíticos fundamentais e a África tem de lidar com sistemas elétricos ainda frágeis, caros ou insuficientemente interligados.
A África possui ativos energéticos muito procurados
O paradoxo não significa, contudo, que o continente esteja condenado a ficar à margem. Pelo contrário, a África dispõe provavelmente de alguns dos ativos energéticos mais estratégicos da futura economia digital mundial. Hidroeletricidade, energia solar, geotermia, potencial eólico, hidrogénio verde… várias regiões africanas possuem recursos consideráveis num momento em que as grandes potências e os gigantes tecnológicos procuram capacidades energéticas capazes de alimentar as suas infraestruturas digitais.
Durante muito tempo considerados sobretudo sob o ângulo do acesso à eletricidade ou da transição energética, estes recursos ganham agora um novo valor. A escolha de Olkaria pela Microsoft e pela G42 não é, aliás, inocente. A região é conhecida pelo seu importante potencial geotérmico, frequentemente apresentado como uma das fontes de energia renovável mais estáveis do continente.
Os gigantes do cloud já não procuram apenas mercados ou utilizadores. Procuram também territórios capazes de produzir a energia necessária às suas infraestruturas digitais. E é precisamente aí que começa o verdadeiro desafio estratégico para a África.
A questão já não é apenas saber se o continente participará na revolução da inteligência artificial. Trata-se agora de determinar sob que forma o fará. Construirá a África a sua própria soberania digital em torno das suas capacidades energéticas e infraestruturas de computação? Ou tornar-se-á sobretudo um território energético destinado a alimentar as infraestruturas cloud e as ambições tecnológicas dos outros?
Por trás dos megawatts necessários aos centros de dados e à inteligência artificial joga-se também uma parte do futuro industrial do continente. Mineração, transformação local, mobilidade elétrica, cloud, serviços digitais, indústria transformadora… todos estes setores dependerão, no futuro, da capacidade dos Estados africanos de construir sistemas energéticos muito mais robustos, interligados e financiados em grande escala.
Enquanto as promessas de transformação energética do continente ainda não foram plenamente concretizadas, a revolução da IA devolve um novo valor económico, geopolítico e industrial a investimentos durante muito tempo considerados demasiado caros ou complexos.
Será ainda necessário que os Estados africanos, as instituições regionais, os bancos de desenvolvimento e os atores privados consigam pensar esta questão energética como um projeto estratégico continental, e não como uma sucessão de projetos nacionais isolados.
Louis-Nino Kansoun, Redator-Chefe
A Nigéria lançou plataformas digitais para modernizar a mediação fiscal. Esta iniciativa faz parte da reforma fiscal do governo, que visa reforçar a transparência, aumentar as receitas públicas e facilitar a resolução de litígios através do gabinete do “Tax Ombud”.
O governo nigeriano lançou oficialmente, na segunda-feira, 18 de maio, novas ferramentas digitais do gabinete do “Tax Ombud”, com o objetivo de melhorar a equidade, a transparência e a eficiência da administração fiscal do país.
Criado no âmbito das novas reformas fiscais, o “Tax Ombud” é apresentado como um organismo independente e imparcial encarregado de proteger os direitos dos contribuintes, tratar reclamações de forma rápida e justa e reforçar a confiança no sistema fiscal através da mediação e da defesa dos contribuintes.
As plataformas inauguradas incluem, nomeadamente, um site oficial, um centro de atendimento gratuito e um sistema digital de gestão de reclamações. Segundo as autoridades, estes dispositivos deverão contribuir para melhorar a relação entre os contribuintes e a administração fiscal, ao mesmo tempo que facilitam a resolução de conflitos e reforçam a transparência do sistema.
Durante a cerimónia de lançamento, o ministro da Informação e Orientação Nacional, Mohammed Idris Malagi, afirmou que esta iniciativa demonstra o compromisso do governo federal com uma governação fiscal mais responsável e transparente. Ele também qualificou o “Tax Ombud” como um “mecanismo essencial” para reforçar a confiança dos contribuintes e garantir uma gestão eficaz dos litígios fiscais.
Esta iniciativa surge num contexto de transformação do sistema fiscal nigeriano. As autoridades procuram ampliar a base tributária, melhorar a conformidade através da digitalização e reduzir gradualmente a dependência do país das receitas petrolíferas.
Em junho de 2025, o presidente Bola Ahmed Tinubu promulgou quatro leis de reforma fiscal, incluindo o Nigeria Tax Act e o Nigeria Tax Administration Act, que entraram em vigor em 1 de janeiro de 2026. Estas reformas preveem, nomeadamente, o aumento do imposto sobre as mais-valias das empresas de 10% para 30%, bem como a introdução de uma taxa mínima efetiva de 15% para grandes empresas e grupos multinacionais.
Importa salientar que a administração fiscal nigeriana estabeleceu como objetivo mobilizar 40 biliões de nairas (29,1 mil milhões de dólares) em receitas ao longo do ano.
Charlène N’dimon
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