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Equipe Publication

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Enquanto mais de dois jovens senegaleses em cada dez estão desempregados e o ensino privado escapa a qualquer controlo de qualidade, Dakar lança uma regulação inédita para alinhar a oferta educativa com as necessidades do mercado de trabalho.

No Senegal, o Estado pretende pôr ordem num setor educativo privado há muito deixado à sua própria dinâmica. Esse foi o sinal forte lançado durante um simpósio nacional realizado na segunda-feira, 4 de maio, em Dakar. O ministro da Educação Nacional, Moustapha Mamba Guirassy, abriu os trabalhos lembrando que o setor privado contribui ativamente para alargar o acesso à educação, formar recursos humanos e responder à crescente procura escolar.

Este setor tem um peso significativo: mais de 5000 estabelecimentos e cerca de 40 000 professores, segundo o comunicado oficial do ministério. Um peso que confirma o seu papel já incontornável. No entanto, não existe qualquer mecanismo nacional que garanta de forma coerente a qualidade desta oferta.

Um diálogo nacional para definir regras

O evento constitui, segundo o ministério, «um quadro nacional de diálogo e concertação». Reuniu diferentes atores em torno da contribuição do setor privado para o sistema educativo. Organizados em sessões plenárias e workshops temáticos, os trabalhos visam produzir «recomendações operacionais destinadas a estruturar de forma duradoura» o setor. As conclusões serão submetidas às autoridades para integração no plano de refundação da escola senegalesa, em curso desde 2024.

O ministério pretende construir «uma regulação clara, transparente e orientada para a qualidade», descrita como «uma arquitetura de confiança em benefício dos alunos, das famílias e dos promotores». O objetivo é garantir a cada estudante «uma base fundamental sólida» e «uma coerência curricular» comum, independentemente do estabelecimento. A iniciativa visa ainda instaurar «uma formação cívica comum» para todos os alunos do país.

A qualidade como chave para o emprego

Para além do acesso à escola, é a empregabilidade dos jovens que motiva esta reforma. O desfasamento entre formação e mercado de trabalho é persistente e documentado. Setores em crescimento como o digital, a construção e as energias renováveis enfrentam falta de profissionais qualificados, enquanto milhares de diplomados permanecem desempregados.

Segundo a Agência Nacional de Estatística e Demografia (ANSD), a taxa de desemprego atingiu 23,3% no quarto trimestre de 2025, um aumento de 3,3 pontos em relação ao ano anterior. Entre os jovens dos 18 aos 35 anos, 41% declararam estar desempregados e à procura de trabalho, segundo um estudo da Afrobarometer em junho de 2025.

A reforma integra-se na refundação curricular em curso, que pretende articular «saberes modernos e heranças culturais, inovação e ética, abertura internacional e soberania cognitiva», segundo o comunicado ministerial.

Uma regulação perante fortes desafios

O sistema educativo senegalês continua sob pressão. Na rentrée 2024-2025, o primeiro-ministro Ousmane Sonko indicou uma taxa bruta de escolarização de 63%, colocando o Senegal no 9.º lugar da CEDEAO. A taxa de insucesso no exame nacional atingia 49%. O setor público enfrentava ainda um défice de 4527 professores e 7145 estruturas provisórias.

O RGPH-5 da ANSD (2024) estima 4,5 milhões de estudantes no país, sendo 59% em zonas urbanas. O Estado destinou 1305 mil milhões de francos CFA (≈2,35 mil milhões de dólares), ou 22,7% do orçamento nacional, à educação em 2024. Apesar disso, as desigualdades regionais e setoriais persistem. Com metade da população com menos de 19 anos, a ausência de regulação eficaz do ensino privado pode agravar ainda mais as desigualdades existentes.

Félicien Houindo Lokossou

 

Este novo mecanismo destina-se a estruturar o ecossistema científico nacional e a apoiar a transformação do país.

O governo nigeriano aprovou a criação do “National Research and Innovation Development Fund” (NRIDF), um fundo nacional destinado a reforçar de forma sustentável a investigação, a ciência e a tecnologia, com um financiamento anual que pode atingir 500 milhões de dólares. É o que indica um comunicado da presidência publicado no sábado, 9 de maio.

Concebido para colmatar as fragilidades estruturais do setor, o NRIDF visa melhorar a coordenação entre universidades, institutos de investigação, indústria e poderes públicos em torno das prioridades nacionais de desenvolvimento. O objetivo é criar um quadro integrado capaz de reforçar a inovação, melhorar a competitividade do país e apoiar a diversificação da economia nigeriana.

O fundo irá financiar bolsas competitivas de investigação, o desenvolvimento de infraestruturas de inovação, a comercialização de descobertas científicas, bem como o desenvolvimento do capital humano nos setores estratégicos da ciência e da tecnologia.

Colocada sob a tutela do Ministério Federal da Inovação, Ciência e Tecnologia, esta iniciativa será supervisionada por um Conselho Nacional de Investigação e Inovação composto por 17 membros e presidido pelo vice-presidente.

Um setor ainda travado pelo subinvestimento

Esta reforma surge num contexto em que o sistema de investigação nigeriano continua a enfrentar grandes desafios. Segundo um estudo publicado em 2025 pela Science Granting Councils Initiative (SGCI), o país consagra apenas 0,13% do seu PIB à investigação e desenvolvimento, longe do objetivo de 1% definido pela União Africana (UA). Com o setor privado a representar apenas 1% do investimento, a dependência do financiamento público permanece elevada.

Perante estas limitações, a SGCI recomenda, entre outras medidas, o reforço dos investimentos em energia e digital, a criação de fundos dedicados, a melhoria do enquadramento jurídico da propriedade intelectual e o desenvolvimento de parcerias público-privadas.

Nesta dinâmica, o governo nigeriano lançou também centros de inovação denominados “UniPods” nas universidades públicas, como o Mine-Tech UniPod inaugurado em Nasarawa, com o objetivo de alinhar melhor a investigação académica com as necessidades industriais, nomeadamente nos setores mineiro e tecnológico.

Charlène N’dimon

 

Perante os elevados custos das infraestruturas, os operadores de telecomunicações no Gabão estão a explorar modelos de partilha para melhorar a cobertura e a qualidade do serviço. Esta abordagem poderá também favorecer uma redução progressiva do preço dos dados móveis.

Os operadores Moov Africa Gabon Télécom e Airtel Gabon assinaram, na quinta-feira, 7 de maio, em Libreville, uma convenção de mutualização das suas infraestruturas digitais, na presença do ministro da Economia Digital, Mark Alexandre Doumba. O acordo visa permitir a partilha de determinadas instalações técnicas, de modo a melhorar a cobertura da rede e a qualidade dos serviços em todo o território.

Concretamente, a convenção prevê a partilha de antenas de telecomunicações e de outras infraestruturas, evitando investimentos duplicados e otimizando a expansão das redes. Para os operadores, esta abordagem deverá permitir reorientar recursos para a extensão da cobertura, sobretudo nas zonas ainda mal servidas, ao mesmo tempo que melhora a qualidade do serviço. O diretor-geral da Airtel Gabon, Thomas Herbert Gutjahr, destacou o elevado custo das infraestruturas, considerando que a sua partilha constitui uma alavanca para reduzir encargos e melhorar o desempenho global do setor.

A cooperação dá continuidade ao memorando de entendimento assinado em setembro de 2025 entre os dois operadores, que estabeleceu as bases para a partilha de infraestruturas digitais, nomeadamente com o objetivo de racionalizar custos e alargar a cobertura nacional. Alinha-se também com a orientação das autoridades gabonesas, que incentivam a mutualização das infraestruturas como meio de otimizar redes e acelerar a transformação digital. Num mercado caracterizado por elevados investimentos, esta abordagem surge como uma resposta às restrições económicas do setor.

No Gabão, onde a taxa de penetração da Internet é estimada em mais de 70% segundo a DataReportal, os desafios centram-se agora na qualidade do serviço e na extensão da cobertura, sobretudo fora dos grandes centros urbanos. O crescimento dos usos digitais aumenta também a pressão sobre as redes existentes, tornando necessária uma otimização das infraestruturas.

As primeiras infraestruturas partilhadas serão instaladas na Cité de la Démocratie, um local estratégico destinado a tornar-se um polo de conectividade. A médio prazo, as autoridades esperam que esta cooperação contribua também para tornar os serviços de dados mais acessíveis, num mercado onde o custo continua a ser um fator determinante de adoção.

Samira Njoya

 

Nos dias 15 e 16 de maio de 2026, o Hilton de Pointe-Noire acolherá a primeira edição do SACOM, o Salão da Comunicação, um novo evento profissional dedicado às transformações da comunicação, do marketing e da influência na República do Congo. Concebido como uma plataforma de troca, reflexão e valorização das profissões do setor, o encontro pretende reunir agências, meios de comunicação, empresas, criadores de conteúdo, comunicadores, instituições e jovens talentos em torno dos principais desafios da comunicação contemporânea.

Durante dois dias, o SACOM apresentará um programa que combina conferências, painéis, workshops práticos, networking, visitas a stands e entrega de prémios. O evento abrirá com uma conferência inaugural dedicada à reinvenção da relação entre marcas, públicos e territórios na era digital, antes de abordar várias temáticas estruturantes para o ecossistema congolês: inovação local, profissionalização do setor, inteligência artificial aplicada ao marketing, influência responsável e valorização dos talentos criativos locais.

Vários intervenientes contribuirão para estes debates através de workshops orientados para a realidade do mercado. Lovely Ntsouini irá dinamizar uma sessão sobre a construção de estratégias de redes sociais adaptadas a micro, pequenas e médias empresas, enquanto Pleven Koumou abordará a transição do estatuto de freelancer para agência e a construção de uma credibilidade profissional sustentável.

No segundo dia, John Malonga proporá uma reflexão sobre uma comunicação que concilie rentabilidade, impacto humano e responsabilidade ambiental, enquanto Tyane Ickamath analisará o papel do marketing de influência como motor de crescimento e reputação das marcas.

Para além dos conteúdos, o SACOM pretende também promover oportunidades de encontro e colaboração entre os vários atores do setor, através de sessões de networking e espaços de exposição. O evento insere-se numa dinâmica mais ampla de profissionalização das indústrias criativas e de crescimento das profissões da comunicação em África Central, num contexto marcado pela transformação digital das empresas e dos comportamentos dos utilizadores.

 

Perante os elevados custos das infraestruturas, os operadores de telecomunicações no Gabão estão a explorar modelos de partilha para melhorar a cobertura e a qualidade do serviço. Esta abordagem poderá também favorecer uma redução progressiva do preço dos dados móveis.

Os operadores Moov Africa Gabon Télécom e Airtel Gabon assinaram, na quinta-feira, 7 de maio, em Libreville, uma convenção de mutualização das suas infraestruturas digitais, na presença do ministro da Economia Digital, Mark Alexandre Doumba. O acordo visa permitir a partilha de determinadas instalações técnicas, de modo a melhorar a cobertura da rede e a qualidade dos serviços em todo o território.

Concretamente, a convenção prevê a partilha de antenas de telecomunicações e de outras infraestruturas, evitando investimentos duplicados e otimizando a expansão das redes. Para os operadores, esta abordagem deverá permitir reorientar recursos para a extensão da cobertura, sobretudo nas zonas ainda mal servidas, ao mesmo tempo que melhora a qualidade do serviço. O diretor-geral da Airtel Gabon, Thomas Herbert Gutjahr, destacou o elevado custo das infraestruturas, considerando que a sua partilha constitui uma alavanca para reduzir encargos e melhorar o desempenho global do setor.

A cooperação dá continuidade ao memorando de entendimento assinado em setembro de 2025 entre os dois operadores, que estabeleceu as bases para a partilha de infraestruturas digitais, nomeadamente com o objetivo de racionalizar custos e alargar a cobertura nacional. Alinha-se também com a orientação das autoridades gabonesas, que incentivam a mutualização das infraestruturas como meio de otimizar redes e acelerar a transformação digital. Num mercado caracterizado por elevados investimentos, esta abordagem surge como uma resposta às restrições económicas do setor.

No Gabão, onde a taxa de penetração da Internet é estimada em mais de 70% segundo a DataReportal, os desafios centram-se agora na qualidade do serviço e na extensão da cobertura, sobretudo fora dos grandes centros urbanos. O crescimento dos usos digitais aumenta também a pressão sobre as redes existentes, tornando necessária uma otimização das infraestruturas.

As primeiras infraestruturas partilhadas serão instaladas na Cité de la Démocratie, um local estratégico destinado a tornar-se um polo de conectividade. A médio prazo, as autoridades esperam que esta cooperação contribua também para tornar os serviços de dados mais acessíveis, num mercado onde o custo continua a ser um fator determinante de adoção.

Samira Njoya

 

Perante os obstáculos que ainda travam o comércio intra-africano, multiplicam-se as iniciativas para integrar melhor os sistemas digitais. O Gana está a explorar novas vias para tornar os intercâmbios mais fluidos e reduzir os custos das transações no continente.

A vice-presidente ganesa, Jane Naana Opoku-Agyemang, anunciou o lançamento iminente de um projeto-piloto de corredor comercial digital continental destinado a facilitar as transações transfronteiriças e apoiar a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana. O anúncio foi feito na quarta-feira, 6 de maio, na abertura do 3i Africa Summit 2026, um encontro dedicado às tecnologias financeiras e ao futuro da economia digital africana.

A iniciativa será conduzida em parceria com vários países africanos, nomeadamente o Ruanda e a Zâmbia. O projeto pretende testar diferentes mecanismos destinados a agilizar os intercâmbios digitais no continente. Entre os dispositivos previstos estão a interoperabilidade dos serviços de mobile money, o reconhecimento mútuo das identidades digitais nos procedimentos Know Your Customer (KYC), bem como a harmonização da faturação eletrónica entre os países participantes.

Para as autoridades ganesas, este corredor digital deverá contribuir para reduzir os custos e os prazos que ainda dificultam o comércio intra-africano. Uma grande parte das transações do continente passa por sistemas financeiros localizados fora de África, o que gera custos adicionais e tempos de processamento mais longos. O projeto procura assim reforçar o uso de soluções africanas como o Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação (PAPSS), concebido para facilitar pagamentos diretos em moedas locais entre países africanos.

No entanto, os desafios permanecem numerosos para alcançar uma verdadeira integração digital do comércio africano. A fragmentação regulamentar entre Estados, a falta de interoperabilidade dos sistemas financeiros, a insuficiência das infraestruturas de cloud e de conectividade, bem como a ausência de quadros harmonizados para a gestão de dados e identidades digitais continuam a travar o desenvolvimento do mercado. As questões relacionadas com a soberania dos dados e a proteção dos utilizadores figuram igualmente entre os principais desafios destacados durante o encontro.

Esta iniciativa surge num momento em que o comércio eletrónico e os pagamentos digitais registam um forte crescimento no continente, impulsionados pelo aumento dos pagamentos móveis e pela melhoria da conectividade. Segundo a Comissão Económica para África (CEA), o comércio digital transfronteiriço africano poderá atingir 180 mil milhões de dólares em 2025 (5,2% do PIB), antes de subir para 712 mil milhões de dólares até 2050 (8,2% do PIB).

Samira Njoya

 

A 5.ª edição do fórum Women in Logistics Africa (WILA) colocou a logística dos setores mineiro, petrolífero e energético como uma questão central de competitividade, soberania económica e transformação inclusiva em África.

No sábado, 9 de maio, Abidjan acolheu uma tribuna continental dedicada ao futuro das cadeias de abastecimento africanas. A 5.ª edição do fórum Women in Logistics Africa (Women in Logistics Africa WILA 2026) decorreu sob o tema: «Logística sustentável nos setores das minas, do petróleo e da energia em África: desafios, inovações e tendências».

O evento reuniu decisores públicos, atores privados e especialistas africanas em torno de um desafio estratégico: repensar a logística dos setores mineiro, petrolífero e energético sob o prisma da sustentabilidade, da soberania económica e da inclusão das mulheres.

No seu discurso de abertura, a presidente da WILA, Christiane Ohin-Traoré, destacou a evolução da organização ao longo de cinco anos, tornando-se segundo ela «um ator incontornável» na valorização das mulheres na logística africana. «Em cinco anos, acompanhámos mais de 1000 mulheres em todo o continente, realizámos mais de 80 formações direcionadas e organizámos mais de 50 eventos federadores», afirmou, sublinhando a necessidade de «transformar de forma duradoura a logística no continente».

A logística no centro da competitividade africana

Esta 5.ª edição, marcada por intervenções, conferências inaugurais e um painel, destacou a logística como um instrumento estratégico de soberania económica, para além da sua função operacional.

Representando o Ministério dos Transportes da Costa do Marfim, a tenente-coronel Ninsemon Kida Rose resumiu esta visão ao afirmar: «entre o recurso e a prosperidade, a distância chama-se muitas vezes logística». Ela sublinhou a necessidade de África construir «uma logística mais eficiente, mais segura, mais humana e mais justa», especialmente nos setores extrativos e energéticos.

Os intervenientes defenderam também uma transformação baseada na digitalização, em infraestruturas multimodais, nas energias renováveis e na integração regional, nomeadamente através da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZLECAf). Foi igualmente dado destaque ao conteúdo local e à soberania energética, com um apelo ao reforço da transformação local dos recursos naturais no continente, de forma a aumentar o impacto económico dos setores mineiro, petrolífero e energético.

O WILA 2026 reafirmou ainda que esta transição não será possível sem uma maior inclusão das mulheres nas profissões técnicas, industriais e logísticas. «Não pode haver desenvolvimento sustentável sem inclusão efetiva das mulheres», recordou a representante do Ministério da Mulher, Marie-France Kouakou, sublinhando que o empoderamento económico feminino constitui «uma alavanca estruturante» da transformação social.

Uma dinâmica alinhada com as ambições da Costa do Marfim em matéria de igualdade de género

Este fórum insere-se num contexto nacional marcado pela aceleração das políticas públicas da Costa do Marfim em favor da igualdade de género. O governo está a implementar várias reformas e programas estruturantes para reduzir de forma duradoura as desigualdades, através do empoderamento económico das mulheres, da sua maior participação na vida pública e do reforço de mecanismos institucionais.

Esta orientação coloca a Costa do Marfim na liderança da CEDEAO em matéria de igualdade de género, com uma pontuação de 0,708 segundo o relatório de 2024 do índice de igualdade de género da organização regional CEDEAO, acima da média comunitária de 0,640.

O WILA é um evento dedicado à inclusão das mulheres no setor da logística e da cadeia de abastecimento em África. Visa destacar profissionais do setor, criar oportunidades de carreira e promover a liderança feminina num domínio ainda amplamente dominado por homens.

Presente em 21 países, a organização pretende agora expandir a sua influência, acompanhando uma nova geração de profissionais africanas capazes de se adaptar às mudanças tecnológicas, ambientais e industriais.

Charlène N’dimon

 

Há vários meses que a Atlantic Lithium e a Elevra Lithium estão em desacordo quanto à repartição das despesas relacionadas com o desenvolvimento do projeto Ewoyaa. Esta situação tem mantido incertezas em torno do avanço deste empreendimento, chamado a acolher a primeira mina de lítio do Gana.

Apenas alguns dias depois de ter avançado sobre a Atlantic Lithium, o grupo chinês Zhejiang Huayou Cobalt procura já consolidar a sua influência sobre o projeto Ewoyaa, anunciado como a futura primeira mina de lítio do Gana. Um acordo paralelo anunciado na segunda-feira, 11 de maio, com a Elevra Lithium, um dos atuais investidores do ativo, visa precisamente facilitar esta eventual tomada de controlo.

O projeto Ewoyaa é atualmente detido por uma joint-venture controlada em 22,5% pela Elevra Lithium, estando o restante nas mãos do operador australiano Atlantic Lithium. No entanto, esta última encontra-se sob uma oferta de aquisição total das suas ações por parte da Zhejiang Huayou Cobalt, no âmbito de uma transação que a avalia em 210 milhões de USD. A concretizar-se, esta operação deverá permitir à empresa chinesa assumir o controlo operacional do projeto, enquanto o acordo paralelo com a Elevra visa igualmente adquirir todos os seus interesses no ativo.

Na prática, a Elevra Lithium prevê ceder à Zhejiang Huayou Cobalt todos os seus direitos, obrigações, títulos e interesses ligados ao projeto Ewoyaa, incluindo os direitos de compra da futura produção de espodumena de lítio do local. O montante da transação não foi divulgado. Uma vez concluída, esta operação permitirá ao grupo chinês assegurar sozinho a gestão do projeto, assumindo também a totalidade das despesas de desenvolvimento.

“Se o acordo for concluído, a Huayou aceita que as condições suspensivas relativas aos custos de desenvolvimento sejam consideradas satisfeitas ou levantadas. Consequentemente, a Huayou financiará então sozinha os custos de desenvolvimento do projeto até ao limite das obrigações de financiamento exclusivo previstas no acordo do projeto”, indica a Atlantic Lithium numa nota.

Esta estratégia não responde apenas a uma lógica de consolidação do controlo da Zhejiang Huayou Cobalt sobre o projeto. Visa também facilitar a sua implementação, eliminando potenciais obstáculos ao desenvolvimento, num contexto em que os dois parceiros da joint-venture estão em desacordo há vários meses sobre a repartição das despesas. Segundo os planos atuais, a futura mina Ewoyaa deverá produzir um total de 3,6 milhões de toneladas de concentrado de espodumena ao longo de uma vida útil estimada em 12 anos, com um investimento inicial avaliado em 185 milhões de USD.

Para já, os diferentes acordos mencionados ainda estão por finalizar, incluindo o relativo à aquisição da Atlantic Lithium, cujos acionistas deverão pronunciar-se numa votação prevista para novembro. Desenvolvimentos que serão provavelmente acompanhados de perto no Gana, uma vez que a convenção mineira assinada com o Estado garante uma participação gratuita de 13% na futura mina.

Aurel Sèdjro Houenou

Desde o termo do contrato de concessão mineira da mina Damang e a sua retomada pelo Estado no mês passado, o grupo sul-africano Gold Fields já não explora ouro no Gana senão na mina Tarkwa. Este ativo figura entre os mais importantes locais de exploração do país e, de forma mais ampla, de África.

No seu relatório trimestral publicado na quinta-feira, 7 de maio, a empresa mineira sul-africana Gold Fields anunciou a abertura de um processo de arbitragem no âmbito de um litígio que a opõe à empresa de engenharia mineira Engineers & Planners (E&P), no Gana. Esta evolução soma-se às incertezas já ligadas à renovação da licença da mina Tarkwa, atualmente o seu único ativo aurífero no país da África Ocidental.

Mais de 700 milhões USD reclamados

Até abril passado, a Gold Fields obtinha a sua produção aurífera no Gana a partir das minas Damang e Tarkwa, ambas com a E&P como subcontratante mineira, uma empresa dirigida pelo empresário Ibrahim Mahama, irmão do presidente John Mahama. Contudo, após o termo da sua licença e o regresso da mina ao setor público, a exploração de Damang foi atribuída à E&P pelas autoridades ganesas, no âmbito de um concurso que envolveu várias empresas locais.

Mas, antes destes desenvolvimentos, já tinham sido registadas divergências entre as duas partes. A E&P acusa a Gold Fields de subpagamentos relacionados com serviços prestados nas duas minas, com reivindicações respetivas de 474,9 milhões USD para Tarkwa e 264,7 milhões USD para Damang. Embora até agora se tenha explorado uma solução amigável, o recurso à arbitragem marca agora uma viragem nas discussões em torno deste caso.

Sem terem sido fornecidos detalhes sobre as modalidades exatas do processo, nomeadamente sobre a entidade competente, a Bloomberg indica, citando uma resposta por e-mail da Gold Fields, que a arbitragem decorrerá no Gana. Por sua vez, a empresa afirma querer “resolver este litígio de forma ordenada, preservando ao mesmo tempo a estabilidade operacional do sítio de Tarkwa”. Uma posição que ganha ainda mais sentido num momento em que a empresa já está envolvida noutro desafio estratégico para o seu futuro no país.

Uma renovação em contexto de reformas

Desde novembro de 2025, a Gold Fields está envolvida em negociações com o governo ganês com vista à prorrogação da licença mineira de Tarkwa. Cinco das seis licenças que compõem a mina expiram em abril de 2027, sem que ainda tenha sido anunciado qualquer progresso concreto nas negociações. O desfecho destas conversações parece ainda mais incerto, uma vez que o Gana está a implementar reformas fiscais e alterações ao quadro regulatório do setor mineiro.

O primeiro ponto refere-se à adoção de uma nova tabela de royalties sobre o ouro, passando a taxa fixa anteriormente aplicada de 5% para um nível que pode atingir 12%. À semelhança das reformas em outros países da sub-região, como o Burkina Faso ou o Mali, esta medida visa permitir ao Estado ganês captar melhor os benefícios da subida dos preços do ouro. Ela é acompanhada pela supressão anunciada dos chamados acordos de estabilidade, um mecanismo criado para incentivar o investimento mineiro através da concessão de benefícios fiscais, e do qual beneficiam várias empresas a operar no Gana, incluindo a Gold Fields.

Estas alterações já suscitaram fortes preocupações no setor mineiro, levando a várias posições da Câmara das Minas, entidade que representa os interesses das empresas mineiras ativas no país. Para a norte-americana Newmont, operadora da mina de ouro Ahafo, estes ajustes poderão traduzir-se num aumento dos seus custos operacionais.

Embora não tenha detalhado as implicações potenciais destas reformas nas suas próprias operações, a Gold Fields afirma esperar chegar com o governo ganês a um acordo mutuamente benéfico, capaz de sustentar a “viabilidade a longo prazo” de Tarkwa. Com uma produção de 474 500 onças em 2025, a mina constitui o principal contributo do seu portefólio aurífero, sendo também um dos maiores locais de exploração de ouro do Gana. A sua vida útil restante está atualmente estimada em 17 anos.

Perante estas realidades, a capacidade da Gold Fields de defender a sua posição no litígio com a Engineers & Planners e de obter a renovação das licenças de Tarkwa em condições consideradas favoráveis continua por avaliar. Embora distintos, estes dois dossiês geram alguma tensão em torno das operações do grupo no Gana, num momento em que este acelera paralelamente a sua estratégia de crescimento fora do continente, nomeadamente através das recentes aquisições das empresas Osisko Mining e Gold Road Resources. Para além de Tarkwa, a Gold Fields já só dispõe na África da mina sul-africana de South Deep no seu portefólio aurífero.

Aurel Sèdjro Houenou

A maior mina de ouro do país, Mina de Siguiri, figura também entre as poucas operações industriais de uma indústria aurífera guineense ainda dominada pela exploração artesanal. O ativo, controlado em 85% pela AngloGold Ashanti e em 15% pelo Estado guineense, tinha encerrado o exercício de 2025 com um aumento da produção e das receitas.

No primeiro trimestre de 2026, o grupo mineiro AngloGold Ashanti declarou uma produção atribuível de 75 000 onças de ouro na mina de Siguiri, a maior em atividade na Guiné. Este desempenho representa uma queda de 6% em termos homólogos, segundo o relatório publicado na sexta-feira, 8 de maio, pela empresa.

Este volume fica ligeiramente abaixo das 80 000 onças atribuíveis registadas no primeiro trimestre de 2025. Numa base consolidada de 100%, incluindo a participação estatal de 15%, a mina produziu cerca de 88 235 onças entre janeiro e março, contra 94 118 onças um ano antes. A AngloGold Ashanti explica esta descida pela redução dos volumes de minério processado no local, apesar da melhoria das teores.

Por agora, ainda não é possível avaliar plenamente o impacto desta evolução na trajetória anual de produção da mina, após um aumento de 6% registado no exercício anterior. Embora a empresa não divulgue previsões detalhadas por ativo, o grupo aponta para uma produção global que pode atingir 3,1 milhões de onças em 2026. Este objetivo baseia-se num portefólio que inclui minas no Gana, Tanzânia, República Democrática do Congo e Egito, bem como ativos nas Américas e na Austrália.

As dinâmicas operacionais contrastantes em Siguiri foram, contudo, compensadas pela subida dos preços do ouro, sustentando as receitas. A mina gerou 377 milhões de dólares no trimestre, contra 221 milhões de dólares um ano antes. O Estado guineense beneficia do projeto através de royalties sobre as receitas, dividendos da sua participação no capital e outros mecanismos fiscais aplicáveis às empresas mineiras.

Aurel Sèdjro Houenou

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