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Equipe Publication

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A aquisição foi finalizada após a obtenção, no final de abril, do parecer de não objeção da Comissão Bancária da África Central (COBAC), a autoridade de supervisão do setor bancário na zona CEMAC.

O Estado do Camarões concluiu a aquisição dos 58,08% detidos pelo grupo francês Société Générale na sua filial local, elevando assim a sua participação para 83,68% do capital.

A operação foi oficializada durante uma cerimónia presidida pelo ministro das Finanças dos Camarões, Louis Paul Motaze, na presença de vários responsáveis governamentais e representantes do grupo bancário francês.

Com esta retomada, o banco muda de identidade e passa a operar sob o nome de General Bank of Cameroon. «Este novo nome simboliza uma visão renovada: a de um banco moderno, competitivo, inclusivo e totalmente virado para o acompanhamento do desenvolvimento económico dos Camarões», indica o Ministério das Finanças.

Esta transformação é apresentada pelas autoridades como um ponto de viragem estratégico, destinado a assegurar a continuidade das atividades da instituição e a garantir a estabilidade dos serviços para os clientes.

Uma participação chamada a evoluir

O Estado camaronês torna-se assim acionista maioritário do segundo maior banco do país, à frente da SanlamAllianz, que mantém 16,32% do capital.

Esta participação poderá, no entanto, evoluir. Trata-se, segundo informações do governo, de um portefólio temporário destinado a facilitar a saída do grupo francês e a entrada de novos parceiros estratégicos.

O acordo de cessão entre o Estado dos Camarões e a Société Générale foi assinado a 15 de julho de 2025, no valor de 129 mil milhões de francos CFA (230,8 milhões de dólares), segundo as autoridades. Além deste banco, o Estado camaronês já é acionista maioritário de várias instituições bancárias, incluindo o Union Bank of Cameroon (UBC), a NFC Bank e o Commercial Bank of Cameroon (CBC).

SG

Através desta parceria, Nairobi e Libreville pretendem dotar os jovens africanos de competências para impulsionar a transformação económica do continente.

No âmbito da cimeira Africa Forward, William Ruto, presidente queniano, e o seu homólogo gabonês, Brice Oligui Nguema, comprometeram-se a reforçar a cooperação no domínio da educação. É o que indica uma publicação do chefe de Estado queniano na rede social X, na segunda-feira, 11 de maio.

O presidente sublinhou que esta cooperação se traduzirá pelo alargamento das oportunidades de bolsas de estudo, pelo desenvolvimento da formação técnica e profissional, bem como pela criação de programas de intercâmbio de conhecimentos. O objetivo é dotar a juventude africana das competências necessárias para apoiar a transformação económica do continente.

«As nossas duas nações continuam firmemente empenhadas nas iniciativas lideradas por África para silenciar as armas, proteger os civis e criar as condições necessárias para o diálogo, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável no continente», declarou o chefe de Estado queniano na rede X.

Uma prioridade educativa num contexto de forte pressão demográfica

Em África, a educação continua a ser uma grande preocupação para os governos, numa altura em que vários países enfrentam um forte crescimento demográfico. A isto juntam-se a estagnação da qualidade do ensino, a falta de professores qualificados e infraestruturas limitadas.

Em 2026, o governo gabonês fez da educação uma prioridade nacional, com um orçamento de 282 mil milhões de francos CFA (504,5 milhões de dólares) e reformas centradas na valorização dos professores, na modernização das infraestruturas e na adaptação dos programas às necessidades do mercado de trabalho.

Por sua vez, o Quénia lançou, em novembro de 2025, a sua política nacional de formação em alternância («dual training»), destinada a transformar o sistema de formação técnica e profissional (TVET), aproximando a teoria da prática para melhorar a empregabilidade dos jovens, num contexto de forte crescimento demográfico e pressão sobre o mercado de trabalho.

Para além da educação, os dirigentes reafirmaram o seu compromisso comum em promover a paz e a estabilidade regionais, apoiar os esforços de mediação e trabalhar em estreita colaboração com a União Africana. O investimento na juventude, através da educação e da formação, constitui o centro desta nova dinâmica de cooperação.

Lydie Mobio

As restrições de segurança e climáticas estão a aumentar a pressão sobre um sistema de saúde já fragilizado no Níger. Neste contexto, este recrutamento surge como uma resposta destinada a reforçar as capacidades operacionais do setor.

O governo nigerino prevê recrutar 6221 agentes de saúde contratados em 2026. O anúncio foi feito na terça-feira, 12 de maio, pelo ministro da Saúde e da Higiene Pública, o coronel-major médico Garba Hakimi, sublinhando que «a maior parte será constituída por enfermeiros».

O responsável declarou igualmente: «está em curso a construção de 35 centros de saúde integrados do tipo II com alojamento para o enfermeiro-chefe do CSI». O objetivo é reforçar a oferta de cuidados de saúde, especialmente nas zonas remotas e de difícil acesso.

Progressos reais na saúde, mas desafios persistentes

Foram registados progressos no setor da saúde no Níger nas últimas décadas. A mortalidade materna diminuiu mais de 200 pontos entre 1992 e 2020, fixando-se em 441 mortes por 100 000 nados-vivos em 2020, segundo estimativas das Nações Unidas.

Ao mesmo tempo, o programa nacional de vacinação foi sendo progressivamente reforçado, com a introdução da vacina contra a malária entre as novas ferramentas de prevenção integradas na rotina sanitária.

Apesar destes avanços, continuam a existir desafios importantes, nomeadamente o financiamento ainda insuficiente do sistema de saúde, a falta de pessoal qualificado, as desigualdades no acesso aos cuidados e uma cobertura vacinal ainda incompleta.

Reformas estruturais e apoio internacional

As autoridades nigerinas implementaram várias medidas destinadas a melhorar de forma duradoura a oferta e as condições de trabalho no setor. Estas incluem o reforço das capacidades nas escolas de formação em saúde, a construção, em 2025, de 36 centros de saúde integrados (CSI) do tipo II com alojamento para o enfermeiro-chefe do CSI, bem como a instalação de quatro blocos operatórios e de quatro serviços de neonatologia.

No seu Plano de Desenvolvimento Sanitário e Social (PDSS) 2022-2026, o país pretende aumentar a disponibilidade e a qualidade dos serviços de saúde, ao mesmo tempo que reforça a proteção sanitária das pessoas vulneráveis.

Recorde-se que o Níger e os Estados Unidos assinaram, em fevereiro de 2026, um protocolo de acordo de cooperação bilateral de cinco anos no domínio da saúde.

Ingrid Haffiny

Na África do Sul, o desemprego continua elevado, especialmente entre os jovens, e tem vindo a agravar-se há vários meses.

A taxa de desemprego na África do Sul atingiu os 32,7% no primeiro trimestre de 2026, segundo um relatório publicado na terça-feira, 12 de maio, pela Statistics South Africa.

Este valor representa um aumento em relação aos 31,4% registados no trimestre anterior e revela importantes disparidades, particularmente entre os jovens dos 15 aos 24 anos, cujo número passou de 1,513 milhões para 1,632 milhões durante este período.

A nação arco-íris continua a enfrentar um elevado desemprego estrutural, alimentado pelas desigualdades regionais, pelas disparidades entre homens e mulheres, bem como pela falta de experiência profissional dos jovens que entram no mercado de trabalho.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o país, que apresenta um dos níveis de desigualdade mais elevados do mundo, enfrenta igualmente uma diminuição do rendimento real por habitante e uma pobreza persistente. Perante esta situação, a redução do desemprego continua a ser uma prioridade para as autoridades sul-africanas.

Em abril de 2024, o governo lançou o programa «Unemployment Insurance Fund Labour Activation Programme» (LAP), com um orçamento de 1,3 mil milhões de dólares, com o objetivo de impulsionar a criação de empregos em vários setores estratégicos, nomeadamente a agricultura, as tecnologias da informação e comunicação, a construção, a engenharia, a indústria transformadora, a educação, os transportes e a mineração.

Ingrid Haffiny

Este orçamento, que representa um aumento de 577 milhões de dólares em relação ao exercício anterior, visa apoiar investimentos estratégicos, nomeadamente a construção do novo aeroporto internacional de Kigali, em Bugesera.

O governo ruandês prevê um orçamento de 7.796,3 mil milhões de francos ruandeses (Frw), cerca de 5,3 mil milhões de dólares, para o exercício de 2026/2027, segundo um comunicado do Ministério das Finanças e do Planeamento Económico publicado na terça-feira, 12 de maio de 2026. Este projeto de orçamento representa um aumento de 844,2 mil milhões de Frw em relação ao orçamento revisto do exercício de 2025/2026.

Apresentado pelo ministro das Finanças, Yusuf Murangwa, o documento intitulado «Budget Framework Paper (BFP)» constitui um quadro orçamental de médio prazo que define as orientações da política macroeconómica e orçamental para o período 2026/2027-2028/2029.

Para o exercício de 2026/2027, o documento está alinhado com «a trajetória de consolidação orçamental de médio prazo, que apoia a implementação dos objetivos da Estratégia Nacional de Transformação (NST2), mantendo ao mesmo tempo a dívida pública em níveis sustentáveis», precisa o comunicado.

Investimentos concentrados nas infraestruturas

Entre as principais afetações da despesa encontram-se investimentos estratégicos em projetos como a construção do novo aeroporto internacional de Kigali, em Bugesera, a expansão da RwandAir e o subsídio aos fertilizantes.

No que diz respeito às receitas, estas são estimadas em 5.273,8 mil milhões de Frw, dos quais 4.429,1 mil milhões de Frw deverão provir de receitas fiscais, 582,4 mil milhões de Frw de outras receitas, 123,6 mil milhões de Frw provenientes da aquisição de ativos financeiros e 138,8 mil milhões de Frw provenientes de financiamento interno.

Uma trajetória de crescimento ainda sólida apesar dos riscos

Este documento-quadro surge numa altura em que o Ruanda apresenta um sólido desempenho económico. Em 2025, o crescimento fixou-se em 9,4 %, face a uma previsão de 7 %, segundo dados do governo. Esta evolução foi sustentada pelos setores da indústria, dos serviços e da agricultura.

Apesar deste crescimento robusto, a agência Fitch Ratings sublinha, no entanto, que o país enfrenta um elevado nível de dívida pública, que deverá atingir um pico de 79 % do PIB em 2027, contra 75 % em 2025, antes de estabilizar.

No âmbito da sua segunda Estratégia Nacional para a Transformação 2024-2029 (NST2), o Ruanda pretende tornar-se um país de rendimento médio até 2035, alcançar o estatuto de país de rendimento elevado até 2050 e impulsionar o progresso socioeconómico.

Esta estratégia assenta em vários pilares, nomeadamente a transformação económica, social e institucional. Entre os objetivos figuram a aceleração do crescimento inclusivo na agricultura, na indústria e nos serviços; a melhoria da qualidade e da relevância da educação; a melhoria da qualidade dos cuidados e do sistema de saúde; bem como o reforço da gestão das finanças públicas.

Para 2026, a agência Fitch Ratings prevê um crescimento superior a 7 %. Contudo, a economia continua exposta a determinados riscos, principalmente relacionados com eventuais atrasos nos desembolsos oficiais, bem como perturbações de origem climática ou sanitária.

Lydie Mobio

Em Angola, enquanto mais de um terço dos angolanos tem entre 15 e 34 anos, o mercado de trabalho continua estruturalmente incapaz de absorver esta juventude. Os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) traçam um cenário preocupante.

No último trimestre de 2025, 43,6% dos jovens angolanos estavam desempregados. Este valor resulta de uma nova metodologia adotada pelo INE em 2025, que alinha as estatísticas angolanas com os padrões internacionais do Bureau Internacional do Trabalho. Essa atualização produz taxas significativamente inferiores às anteriores.

Com a metodologia antiga, o desemprego juvenil atingia 63,5% no quarto trimestre de 2024. A reformulação estatística torna difícil qualquer comparação direta entre as duas séries. O que não muda, contudo, é a realidade estrutural que estes números descrevem. No plano global, a taxa de desemprego total situava-se em 20,1% no final de 2025.

O que este número revela sobre o mercado de trabalho angolano

O desemprego juvenil é apenas a parte visível de um mercado de trabalho profundamente fragmentado. Outro indicador ainda mais revelador é o peso da informalidade: no quarto trimestre de 2025, o emprego informal representava 78,6% do total, segundo o INE. A maioria dos trabalhadores atua sem contrato, sem proteção social e sem rede de segurança.

A informalidade afeta ainda mais as mulheres (88,7%) do que os homens (69,5%). Nas zonas rurais, este valor sobe para 93,2%. Estes números mostram a dimensão do desfasamento entre o crescimento económico e a criação de empregos dignos.

A Angola registou, no entanto, um crescimento do PIB real de 4,95% em 2024. O setor não petrolífero cresceu 5,36%. Ainda assim, esta dinâmica não se traduz em empregos formais para os jovens. O Banco Africano de Desenvolvimento sublinha que os recursos humanos continuam limitados pelo desemprego juvenil, pela falta de competências e pela pobreza. A taxa de pobreza mantém-se em 40,6%.

Uma resposta pública ainda insuficiente

Perante estes desafios, Luanda implementou várias medidas. O governo afirma ter criado mais de 1,1 milhão de empregos entre 2018 e 2025. No âmbito da Agenda Nacional para o Emprego, adotada em 2023, mais de 1600 centros de formação profissional públicos estavam operacionais em 2026, tendo beneficiado mais de 100 mil jovens.

Contudo, estes esforços continuam insuficientes face à dimensão das necessidades. O Banco Africano de Desenvolvimento prevê uma desaceleração do crescimento para 3% em 2025, devido à volatilidade dos preços do petróleo. O crédito ao setor privado não ultrapassa 7 a 8% do PIB. Apenas 4,5% das empresas recorrem ao financiamento bancário para investir.

Este duplo bloqueio — fraco acesso ao crédito e predominância da informalidade — mantém grande parte da juventude angolana à margem da economia formal.

Félicien Houindo Lokossou

Na África, a qualidade dos serviços digitais tornou-se uma questão central num contexto de forte dependência das comunicações móveis e da Internet. Hoje, ela condiciona o acesso a oportunidades económicas, sociais e educativas, bem como a confiança dos utilizadores.

Na Nigéria, os operadores de telecomunicações já não têm desculpas para justificar a má qualidade dos seus serviços, segundo as autoridades. Estas afirmam ter criado as condições necessárias para que as empresas do setor possam melhorar de forma sustentável as suas redes e os serviços oferecidos aos consumidores.

É o que consta de um comunicado de Bosun Tijani, ministro das Comunicações, Inovação e Economia Digital, publicado no domingo, 10 de maio. Esta posição surge num contexto em que os consumidores se queixam constantemente dos serviços prestados pelos operadores, entre interrupções de chamadas, falhas de ligação e fraca velocidade de Internet.

Uma ação governamental em dois eixos

O governo nigeriano afirma ter concentrado a sua ação em dois eixos complementares: o reforço das infraestruturas digitais a longo prazo e a estabilização imediata do setor das telecomunicações.

No primeiro eixo, as autoridades indicam ter obtido financiamentos apoiados pelo Banco Mundial e criado o quadro operacional do projeto BRIDGE, destinado ao desenvolvimento de uma rede nacional de fibra ótica de acesso aberto. Abuja prevê ainda lançar, antes do fim do ano, a instalação de novas torres de telecomunicações e o reforço das capacidades satelitais do país.

Segundo o governo, estes investimentos deverão permitir reduzir progressivamente as deficiências estruturais das infraestruturas digitais nos próximos dois a cinco anos, melhorando de forma duradoura a conectividade nacional.

Em paralelo, o executivo diz ter adotado medidas para estabilizar o ambiente económico do setor, incluindo ajustes tarifários para apoiar a capacidade de investimento dos operadores. As infraestruturas de telecomunicações foram também classificadas como infraestruturas críticas nacionais, num contexto de harmonização fiscal em curso.

O governo menciona ainda reformas macroeconómicas mais amplas, como a liberalização da naira e a eliminação dos subsídios aos combustíveis, apresentadas como medidas destinadas a tornar o ambiente de operação mais viável para as empresas do setor.

Maior pressão regulatória sobre os operadores

As autoridades consideram que estas reformas criaram um ambiente mais estável e orientado para o mercado, permitindo aos operadores recuperar rentabilidade e investir na melhoria das redes.

Bosun Tijani apela assim a operadores como MTN Nigeria, Airtel Nigeria, Globacom e T2 para tomarem medidas concretas para melhorar a qualidade das chamadas, da cobertura e dos serviços de dados.

O ministro afirmou que serão reconhecidas melhorias claras e mensuráveis, mas advertiu que, caso contrário, a autoridade reguladora deverá intervir.

Ele acrescentou que o governo reforçou os poderes da Nigerian Communications Commission (NCC), responsável pelo controlo da qualidade de serviço e pela aplicação da regulamentação do setor.

Limitações estruturais ainda persistem

Apesar dos esforços governamentais, os operadores sublinham que persistem desafios estruturais importantes.

Segundo Gbenga Adebayo, presidente da associação ALTON, o vandalismo de infraestruturas e o roubo de combustível continuam a afetar a continuidade dos serviços. Cortes de fibra ótica durante obras rodoviárias e roubos de gasóleo em estações de base são frequentes, pressionando a operação das redes.

Além disso, em algumas zonas, as equipas técnicas não conseguem intervir após o anoitecer devido a questões de segurança, o que atrasa a resolução de falhas.

Os operadores defendem uma abordagem coletiva que envolva o Estado, autoridades locais e comunidades para proteger infraestruturas críticas como redes de fibra ótica e estações de telecomunicações.

Isaac K. Kassouwi

 

Tal como muitos países africanos, a Argélia aposta nas TIC para apoiar o seu desenvolvimento socioeconómico. Um dos principais pilares desta estratégia assenta na modernização da administração pública.

A Argélia prepara-se para lançar oficialmente a sua plataforma nacional de serviços digitais. Batizada « Dzair Digital Services », esta deverá tornar-se um balcão único no âmbito das ambições nacionais de transformação digital.

Durante uma conferência de imprensa realizada na segunda-feira, 11 de maio, a alta-comissária para a digitalização, Meriem Benmouloud, indicou que o projeto concluiu todas as etapas técnicas. Isto inclui a conceção, o desenvolvimento, bem como as fases de verificação e testes de cibersegurança. Os testes de campo também foram realizados com sucesso.

A Sra. Benmouloud precisou que duas fases-piloto foram organizadas entre março e abril, abrangendo sete setores ministeriais. Os serviços foram testados diretamente com os cidadãos em locais dedicados, com a participação de mais de 1700 pessoas. Segundo ela, o retorno dos utilizadores foi globalmente positivo. Estes destacaram, nomeadamente, a possibilidade de aceder a documentos administrativos e a diversos serviços através do telemóvel ou do computador, sem necessidade de se deslocarem às administrações.

A plataforma oferece, numa primeira fase, 52 serviços digitais cobrindo sete ministérios, com uma expansão progressiva. Novos serviços serão acrescentados, como a ficha familiar e o certificado de residência, segundo Meriem Benmouloud.

O desenvolvimento desta plataforma insere-se na estratégia nacional de transformação digital para 2030, que visa integrar as tecnologias da informação e da comunicação em todos os setores para apoiar o desenvolvimento socioeconómico. No setor público, o objetivo é tornar a administração mais eficiente, mais transparente e mais próxima do cidadão através do digital.

Contudo, a adoção efetiva destes serviços dependerá de vários fatores. O acesso a uma ligação à Internet acessível, a disponibilidade de dispositivos conectados (smartphones e computadores), a qualidade da rede, bem como as competências digitais básicas dos utilizadores constituem elementos determinantes. A título indicativo, a União Internacional das Telecomunicações (UIT) estima a taxa de penetração da Internet na Argélia em 77,4% em 2024. Por sua vez, o Banco Mundial indica que 84,34% da população com mais de 15 anos possui um smartphone.

Por enquanto, a Argélia ocupa o 116.º lugar mundial segundo o Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) das Nações Unidas, com uma pontuação de 0,5956 em 1 em 2024. O país situa-se acima das médias sub-regional (0,5276) e africana (0,4247), mas continua abaixo da média mundial (0,6382).

Isaac K. Kassouwi

 

Já confrontadas com a volatilidade da naira, os custos crescentes de manutenção e as limitações das infraestruturas, as companhias aéreas nigerianas enfrentam agora novas pressões ligadas à subida vertiginosa do preço do combustível de aviação e às dificuldades de abastecimento.

O transporte aéreo nigeriano atravessa uma nova fase de tensões operacionais. Após várias semanas marcadas por um aumento contínuo dos custos do Jet A1, as companhias têm agora de gerir perturbações relacionadas com problemas no abastecimento de combustível de aviação. As consequências multiplicam-se no transporte doméstico, nomeadamente atrasos nos voos, reajustes de horários, redução de frequências e suspensão temporária de certas rotas, ilustrando os esforços de adaptação das transportadoras.

O sindicato que representa os pilotos e engenheiros aeronáuticos (NAAPE) considera que a crise começa a representar riscos sérios para o funcionamento do setor. Segundo o seu presidente, Bunmi Gindeh, “as perturbações ligadas às carências de Jet A1 prolongam os períodos de serviço das tripulações para além dos parâmetros inicialmente previstos”. Ele alerta que a fadiga do pessoal navegante poderá reduzir progressivamente algumas margens de segurança nas operações aéreas.

A NAAPE sublinha ainda que os atrasos e alterações nos programas complicam a gestão das rotações das tripulações, das operações de manutenção e dos períodos regulamentares de descanso. Para o sindicato, a situação exige uma intervenção rápida das autoridades federais, do regulador da aviação civil, do regulador do setor petrolífero downstream (NMDPRA) e dos fornecedores de combustível.

Custos tornados difíceis de suportar

Esta crise surge num ambiente já frágil para as transportadoras nigerianas, que enfrentam há vários anos a volatilidade do mercado cambial, o aumento dos custos de manutenção das aeronaves e as limitações das infraestruturas aeroportuárias. Neste contexto, o combustível continua a ser uma das rubricas de despesa mais pesadas, representando cerca de 40% dos custos operacionais das companhias.

Ora, os preços do Jet A1 aumentaram fortemente nos últimos meses. Vários operadores referem aumentos superiores a 300%, enquanto outros afirmam que o custo é agora mais de quatro vezes superior aos níveis anteriores. Esta evolução começa a comprometer a rentabilidade de certas rotas domésticas.

Na semana passada, a Rano Air anunciou a suspensão temporária de várias rotas, explicando que o aumento do preço do combustível tornou certas operações “comercialmente inviáveis”. A companhia não especificou as linhas afetadas, mas afirma querer retomar os voos quando as condições voltarem a ser sustentáveis. Segundo a Reuters, outras companhias também começaram a reduzir frequências ou a cancelar voos considerados insuficientemente rentáveis no contexto atual.

Riscos operacionais e económicos mais amplos

Para os passageiros, as consequências tornam-se visíveis através de adiamentos de voos, alterações de horários e da redução progressiva das opções disponíveis em certas ligações. Mas as preocupações no setor vão além da simples questão comercial. Os profissionais alertam também para os efeitos indiretos das perturbações repetidas no planeamento operacional.

Segundo a NAAPE, a instabilidade do abastecimento exerce uma pressão crescente sobre as rotações das aeronaves, os prazos de manutenção e a organização geral das operações aéreas. O sindicato sublinha igualmente que os aviões imobilizados ou atrasados continuam a gerar custos fixos importantes para as companhias, sem produzirem receitas adicionais. Esta situação poderá afetar gradualmente a estabilidade financeira das empresas e as condições de trabalho do seu pessoal.

A crise poderá também ter efeitos mais amplos sobre a economia nigeriana. O transporte aéreo desempenha um papel importante na conectividade do país, sobretudo devido às limitações da rede rodoviária, incluindo congestionamentos e problemas de segurança em certas zonas. Em várias regiões da Nigéria, o avião continua a ser um dos meios mais rápidos e fiáveis para deslocações profissionais e comerciais.

Uma degradação prolongada dos serviços aéreos poderá, portanto, afetar atividades dependentes desta conectividade, nomeadamente o comércio, a logística e o turismo.

O refino local ainda não estabiliza o mercado

Face às críticas das transportadoras, o regulador do setor petrolífero downstream recordou que os preços dos produtos petrolíferos permanecem desregulados na Nigéria. A autoridade excluiu a implementação de um teto de preços e indicou que qualquer eventual alteração da política tarifária será comunicada oficialmente. Esta posição significa que as companhias terão de continuar a absorver as flutuações do mercado nos próximos meses.

Entretanto, a Nigéria procura reforçar a sua autonomia energética através da expansão do refino local. A refinaria do Dangote Group fornece atualmente uma grande parte dos volumes disponíveis no mercado doméstico de combustíveis. Contudo, apesar do aumento das capacidades de refinação, as tensões sobre os preços e a regularidade do abastecimento persistem.

A situação demonstra que o aumento da produção local ainda é insuficiente para provocar uma redução dos custos para os utilizadores finais. As questões ligadas à distribuição, à logística e à estabilidade do mercado continuam determinantes. Para os observadores, o desafio passa agora por estabilizar o abastecimento de Jet A1 e limitar as perturbações operacionais que já afetam as companhias aéreas nigerianas.

Olivier de Souza

 

Das terras raras ao lítio, passando pelo grafite e pelo cobre, a lista de metais críticos presentes no subsolo africano é ao mesmo tempo longa e diversificada. Este inventário continua, aliás, a crescer, acolhendo agora um novo elemento descoberto na Namíbia.

Na segunda-feira, 11 de maio, a empresa mineira júnior australiana Aldoro Resources anunciou a descoberta do que apresenta como o maior “recurso mundial” de estrôncio no seu projeto Kameelburg, na Namíbia. Este desenvolvimento constitui igualmente a descoberta mais importante realizada em África para este metal considerado crítico e cuja cadeia de valor continua largamente dominada pela China.

O estrôncio é um metal alcalino-terroso utilizado em várias aplicações industriais especializadas, nomeadamente na pirotecnia, em ímanes de ferrite (integrados num conjunto de ímanes utilizados em motores de veículos elétricos e turbinas eólicas), bem como em certas tecnologias emergentes ligadas à energia e à defesa.

Segundo o U.S. Geological Survey (USGS), a sua produção primária está principalmente concentrada num pequeno número de países, entre os quais o Irão, a Espanha e a China, sendo esta última também um importante polo de refinação, à semelhança das terras raras, do grafite ou do cobre, outros metais mais mediatizados já produzidos em África.

Uma oportunidade para África

O estrôncio figura, aliás, na lista das 34 matérias-primas críticas reconhecidas pela União Europeia, que reúne os minerais considerados estratégicos devido à sua importância económica e aos riscos associados ao seu abastecimento. O USGS não menciona, até ao momento, nenhum país africano nas dinâmicas ligadas a este metal, seja em termos de produção ou de reservas disponíveis. Neste contexto, a Aldoro poderá preencher essa lacuna com os recursos identificados no seu projeto Kameelburg, estimados em 596 milhões de toneladas de minério com um teor de 2,17% de estrôncio.

Em detalhe, a empresa indica que esta descoberta resulta de cerca de vinte perfurações diamantadas realizadas nos últimos meses no projeto namibiano. Para além da sua dimensão, o jazigo distingue-se igualmente pela concentração da sua mineralização em estrôncio sob a forma de ancilite (um mineral que associa estrôncio e terras raras), em vez de celestina, considerada a principal fonte natural deste metal. Importa notar que esta última já é objeto de exploração artesanal em África, nomeadamente no sítio de Sakoany, em Madagáscar.

“Esta atualização dos recursos representa uma nova etapa decisiva para o projeto Kameelburg e confirma a emergência de um dos mais importantes sistemas minerais multicríticos do mundo […]. Sobretudo, declaramos oficialmente um primeiro recurso de estrôncio e um primeiro crédito para os subprodutos, o que posiciona Kameelburg como o maior recurso de estrôncio conhecido no mundo”, declarou Quinn Li, presidente da Aldoro Resources.

Condições ainda por cumprir…

Tendo em conta a forte concentração da oferta mundial, a capacidade da Aldoro Resources para produzir os primeiros volumes industriais de estrôncio a partir do continente africano poderá constituir uma alavanca determinante. Em mercados tão restritos, as dinâmicas de diversificação são geralmente bem recebidas, sobretudo porque continuam expostas a choques estruturais recorrentes. Esta vulnerabilidade ficou, aliás, evidente em 2025, quando “o abastecimento mundial de carbonato de estrôncio foi perturbado devido a uma diminuição da produção chinesa, a uma grande explosão num porto iraniano e a um incêndio ocorrido numa fábrica no México”, revela o USGS.

Contudo, embora África já esteja bem posicionada — ou em vias de o estar — em vários metais críticos dominados pela China, como as terras raras, o caso do estrôncio continua ainda por clarificar. Antes de considerar uma exploração comercial em Kameelburg, a Aldoro Resources terá de intensificar os seus trabalhos de exploração para converter os recursos em reservas exploráveis, conduzindo ao mesmo tempo estudos de viabilidade que possam validar um plano mineiro economicamente viável. Estas etapas poderão exigir mais investimentos e prolongar-se por vários anos, sobretudo porque o estrôncio é aqui considerado apenas um subproduto associado às terras raras no modelo económico do projeto.

Aurel Sèdjro Houenou

 

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