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O Gabão continua sua estratégia de modernização da ação pública apostando no digital. As autoridades planejam transformar profundamente a gestão dos auxílios sociais.

Na segunda-feira, 8 de dezembro de 2025, o Ministério Gabonês de Assuntos Sociais e Inclusão organizou uma reunião de trabalho dedicada à apresentação de uma solução digital destinada a otimizar os mecanismos de assistência às populações vulneráveis. O encontro reuniu as equipes técnicas do ministério e uma delegação da consultoria J&Y Consulting, com o objetivo de examinar uma plataforma digital concebida para reforçar a eficácia, a transparência e a rastreabilidade na concessão dos auxílios sociais.

A solução proposta segue uma lógica de governança baseada em dados. Ela permite uma melhor identificação dos beneficiários, centraliza as informações administrativas e possibilita o acompanhamento em tempo real das prestações concedidas. Ao reforçar a confiabilidade dos dados e reduzir as intervenções manuais, o sistema busca diminuir os riscos de duplicidades, fraudes e falhas na cadeia de gestão.

O Gabão deseja fazer da digitalização um motor de desempenho. O Estado busca assim dotar-se de mecanismos modernos capazes de orientar as políticas sociais com base em análises estatísticas mais precisas e em dados consolidados.

Vale lembrar que o país é líder na digitalização dos serviços públicos na África Central. Em 2024, registrou uma pontuação de 0,5741 em 1 no Índice Global de Governo Eletrônico (EGDI), segundo as Nações Unidas.

Adoni Conrad Quenum

Posted On mercredi, 10 décembre 2025 14:33 Written by

As autoridades do Chade iniciaram a elaboração de um novo Código do Digital, atualmente em fase de finalização. Este integra normas internacionais em matéria de cibersegurança, proteção de dados e governação da Internet, dotando o Chade de um enquadramento jurídico moderno, alinhado com as melhores práticas mundiais.

A iniciativa foi anunciada por Boukar Michel, Ministro das Telecomunicações, Economia Digital e Digitalização da Administração, na terça-feira, 9 de dezembro, durante a terceira edição da Escola Chadiana de Governação da Internet (TCSIG). «O futuro pertence àqueles que identificam oportunidades antes que se tornem evidentes. Sobre a soberania digital, um país que não controla os seus dados não controla o seu destino», afirmou.

O Código do Digital reforça o enquadramento legislativo num contexto em que o governo coloca a transformação digital no centro da ação pública, com a ambição de tornar o digital um motor de desenvolvimento humano, económico e social. A 22 de outubro, a Assembleia Nacional ratificou uma ordem executiva tomada anteriormente este ano, alterando um artigo da lei de 2014 sobre a regulação das comunicações eletrónicas e atividades postais. O texto visa modernizar o quadro jurídico do setor, promover a concorrência, melhorar a cobertura de redes e reforçar a soberania digital do país.

O executivo apresentou recentemente um plano nacional chamado «Chade Conexão 2030», prevendo 1,5 mil milhões de dólares de investimentos em digitalização. O programa tem como objetivo posicionar o país entre as principais economias de África nos próximos seis anos e expandir significativamente a cobertura, conectando a maioria dos chadianos. Prevê também a digitalização e interconexão de todos os serviços públicos e semipúblicos, garantindo aos cidadãos acesso completo aos serviços de governo digital.

Para tal, o país intensifica a cooperação internacional, buscando a experiência dos líderes mundiais em transformação digital e atraindo investimentos. Desde o início do ano, aproximou-se de Emirados Árabes Unidos, Grécia, Camarões, Quénia, Índia, Canadá, Estados Unidos, entre outros. Foram também feitos esforços para reduzir o isolamento digital e territorial do país.

Atualmente, o Chade ocupa a 189.ª posição entre 193 países no último Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) das Nações Unidas, com uma pontuação de 0,1785 em 1, abaixo da média africana (0,4247) e mundial (0,6382). O país encontra-se ainda no penúltimo nível (Tier 4) do Índice Global de Cibersegurança 2024 da UIT, com uma pontuação de 48,67/100. Apesar de apresentar desempenho relativamente sólido no âmbito legislativo e da cooperação, precisa reforçar as medidas técnicas, organizacionais e as suas capacidades nacionais.

Isaac K. Kassouwi

Posted On mercredi, 10 décembre 2025 14:25 Written by

O operador público camaronês quer recuperar o atraso em relação aos seus concorrentes, nomeadamente MTN e Orange. Para isso, voltou-se para um operador público que domina o seu mercado.

Ao se associar à Ethio Telecom, da Etiópia, para acelerar sua transformação digital e preparar o lançamento do Blue Money, seu serviço de mobile money anunciado para 2026, a Camtel não assina um simples acordo técnico. O Master Service Agreement (MSA) de três anos, concluído na quinta-feira, 4 de dezembro, em Yaoundé, insere-se em um movimento mais amplo: o dos campeões públicos africanos que querem provar que ainda podem competir com multinacionais e fintechs privadas.

Resta uma pergunta, menos glamourosa mas decisiva: este acordo mudará realmente o cotidiano digital dos camaronenses ou permanecerá apenas mais uma vitrine em um país já saturado de planos “estratégicos” raramente levados a cabo?

O Camarões já é o coração do mobile money na zona CEMAC. Em 2023, concentrava mais de 62% das contas, 63% das transações e 76% do valor das operações da sub-região, segundo relatório do BEAC. Em outras palavras, o país não parte do zero. Já concentra a maior parte dos fluxos digitais da CEMAC. O desafio, portanto, não é mais “recuperar” um atraso, mas evitar que essa vantagem se dilua na rotina bem conhecida de grandes anúncios, apresentações em PowerPoint e projetos inacabados.

Oficialmente, o MSA responde a três prioridades: promoção dos pagamentos digitais, digitalização do setor público e modernização das infraestruturas. A assinatura, formalizada em audiência com o Primeiro-Ministro, dá ao projeto grande peso político. Também o expõe a um risco muito camaronês: transformar-se em um símbolo conveniente de “compromisso com o digital”, sem que práticas e resultados acompanhem.

Ethio Telecom: inspiração ou miragem?

Com dezenas de milhões de assinantes, receitas em forte crescimento e mais de 50 milhões de usuários da sua plataforma de mobile money Telebirr, a Ethio Telecom consolidou-se como um gigante público do digital africano. Em poucos anos, o operador expandiu sua rede de fibra, lançou 4G e depois 5G, e tornou o Telebirr um instrumento central da digitalização da economia etíope.

É essa trajetória que a Camtel espera, em parte, reproduzir: a de um operador público reposicionado no centro do ecossistema digital nacional. Mas o modelo etíope é produto de um contexto particular: mercado por muito tempo fechado à concorrência, decisões altamente centralizadas, vontade política explícita de fazer do digital uma ferramenta de soberania. Nada disso é transponível tal como está para o Camarões, onde a concorrência é estabelecida, os centros de decisão são fragmentados e os orçamentos apertados.

Transformar o exemplo etíope em um modelo “chave na mão” seria, portanto, ilusório. Por trás dessa ambição, há um perigo: contentar-se com o “efeito vitrine” da Ethio Telecom — números impressionantes, história de sucesso pública — sem enfrentar questões críticas do lado camaronês: governança, lentidão dos procedimentos, responsabilidade dos decisores.

Blue Money em um mercado consolidado

O primeiro eixo destacado pela Camtel é o desenvolvimento do Blue Money. Para o operador histórico, que há muito tempo permanecia à margem do mobile money, trata-se tanto de uma escolha estratégica quanto de um reconhecimento de atraso. Esse segmento concentra agora uma parcela crescente das transações diárias, das transferências da diáspora e dos fluxos informais: permanecer fora equivaleria, a médio prazo, a aceitar um rebaixamento.

Segundo o Investir au Cameroun, a entrada oficial da Camtel neste mercado está prevista para 2026, por meio de uma entidade dedicada com capital de 500 milhões de FCFA. No entanto, o Blue Money chegará a um ambiente já estruturado: MTN Mobile Money e Orange Money concentram a maior parte das transações eletrônicas, enquanto a fintech americana Wave, com depósitos e retiradas gratuitos e transferências de baixo custo, já reorganizou a concorrência em vários países antes de se instalar no Camarões.

Em outras palavras, o Blue Money não chega a um terreno virgem, mas a um mercado maduro, concentrado e já competitivo. Hábitos de pagamento, confiança dos usuários, rede de pontos de serviço e robustez das plataformas são barreiras significativas para este novo entrante público. Cabe à Camtel provar que não está apenas adicionando mais um logotipo ao universo do mobile money.

A parceria com a Ethio Telecom pode fornecer experiências úteis — especialmente via Telebirr — mas não responde às questões mais sensíveis: qual público-alvo, quais tarifas, qual serviço diferenciado, qual promessa crível para o usuário que já possui duas ou três contas de mobile money? Sem elementos concretos sobre a proposta de valor do Blue Money, permanece-se mais no registro do storytelling do que da inovação disruptiva.

Cloud soberano, modernização das redes… o teste da realidade

O segundo pilar do MSA visa criar um cloud governamental soberano para hospedar serviços e dados da administração. No papel, a ideia cumpre todos os requisitos da nova linguagem digital: soberania, compartilhamento, continuidade do serviço. Na prática, muitos planos de modernização administrativa, em Camarões e em outros países, já se perderam nos labirintos burocráticos, nas rivalidades entre administrações e nos silos informáticos.

Um cloud soberano impõe desafios pesados: segurança, localização dos dados, interoperabilidade, governança. Enquanto as autoridades não definirem quem decide, quem paga, quem presta contas e quais resultados mensuráveis são esperados, o cenário provável é: um “cloud” muito presente nos discursos, mas quase invisível no dia a dia de cidadãos e empresas.

O terceiro eixo é a modernização das redes, com expansão da 4G e 5G. A Camtel destaca uma rede de fibra óptica de aproximadamente 12.000 km, cobrindo quase todos os departamentos, um verdadeiro trunfo, mas insuficiente se a qualidade do serviço, a manutenção e o atendimento ao cliente continuarem sendo pontos fracos. Para o usuário, pouco importa o comprimento da fibra no mapa: o que conta é a conexão que funciona, a plataforma que não cai e o serviço que responde.

O aspecto politicamente mais delicado é a transformação interna. A Camtel carrega a imagem de operador histórico lento, pouco orientado ao cliente e fortemente sobrecarregado por procedimentos administrativos. O MSA promete assistência técnica e fortalecimento de capacidades, mas permanece silencioso sobre questões sensíveis: autonomia gerencial, responsabilidade dos dirigentes, cultura de resultados. Sem reformas nesses campos, a experiência da Ethio Telecom provavelmente produzirá relatórios, treinamentos… e poucas mudanças visíveis.

Soberania digital: discurso e realidade

Em segundo plano, o acordo é apresentado como um gesto forte em favor da soberania digital e da cooperação Sul-Sul. Os montantes envolvidos, no entanto, são tudo menos simbólicos: os países da CEMAC receberam mais de 500 bilhões de FCFA em transferências via mobile money em 2023, a maior parte passando por operadores baseados no Camarões.

A “renda digital” da sub-região já se concentra em grande parte em Yaoundé e Douala.

A escolha de recorrer a um operador público africano em vez de um grande fornecedor de equipamentos ou de uma consultoria internacional envia um sinal político: sim, a expertise também existe no continente.

 Mas este sinal não será suficiente para mascarar, por muito tempo, um possível descompasso entre o discurso sobre “soberania digital” e a dependência persistente de tecnologias, padrões e prestadores externos.

Um acordo-quadro à prova do terreno

Na forma atual, o MSA parece mais um acordo-quadro do que um roteiro de ação. As promessas — melhor conectividade, expansão dos pagamentos digitais, serviços públicos apoiados na cloud — só serão credíveis se vierem acompanhadas de objetivos datados, quantificados, públicos e com responsáveis claramente identificados. Sem isso, em três anos será fácil invocar o “parceria estratégica” e muito difícil medir o que realmente mudou.

No final, a parceria Camtel–Ethio Telecom será avaliada fora das salas de reunião climatizadas: na qualidade da rede para o assinante, na confiabilidade das transações para o comerciante, na simplicidade das interações do cidadão com a administração. Se não conseguir melhorar essa realidade, permanecerá apenas mais uma aposta Sul-Sul: muito presente nas fotos oficiais, muito menos na vida digital dos camaronenses.

Baudouin Enama (Investir au Cameroun)

Posted On mercredi, 10 décembre 2025 13:26 Written by

Com a aceleração da transformação digital no continente, a segurança digital impõe-se como um importante instrumento estratégico. Os países africanos multiplicam, assim, as iniciativas neste domínio.

No Burkina Faso, a Autoridade de Regulação das Comunicações Eletrónicas e dos Correios (ARCEP) lançou, na sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, em Ouagadougou, o Domain Name System Security Extensions (DNSSEC) no domínio de Internet nacional «.bf». Esta tecnologia visa reforçar a fiabilidade e a segurança dos serviços online que utilizam a extensão burquinense.

“O DNSSEC é uma extensão de segurança do sistema de nomes de domínio (DNS). Trata-se de uma tecnologia que adiciona uma assinatura digital às informações do DNS, de forma a garantir a sua autenticidade e integridade”, explica o regulador das telecomunicações. Convém notar que o projeto contou com o apoio técnico da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), através da sua Coalition for Digital Africa, no âmbito do programa “DNSSEC Roadshow”.

Concretamente, o DNSSEC garante que os utilizadores acedam de facto aos sites legítimos quando visitam plataformas terminadas em «.bf», reduzindo assim os riscos de fraude e usurpação. A zona «.bf» está agora protegida por uma cadeia de confiança reconhecida a nível internacional.

Esta iniciativa insere-se na estratégia dos Estados africanos de reforçar a sua segurança digital. Para além do aspeto técnico, traduz a vontade do Burkina Faso de reforçar a sua soberania digital e de instaurar um clima de confiança na utilização dos serviços online.

Recorde-se que o país foi classificado em 2024 na categoria Tier 3 no relatório “Global Cybersecurity Index 2024” da União Internacional de Telecomunicações (UIT), com uma pontuação de 70,23 em 100 no índice global de cibersegurança.

Adoni Conrad Quenum

Posted On mardi, 09 décembre 2025 14:35 Written by

O Orange Digital Center tem investido nos últimos anos no apoio aos jovens da Costa do Marfim e aos seus projetos, oferecendo-lhes assistência técnica para desenvolver as suas soluções e ajudá-los a criar as suas próprias start-ups. O objetivo este ano é estimular a criatividade e valorizar a inovação.

Na sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, realizou-se em Abidjan, na Costa do Marfim, a quinta edição do Orange Summer Challenge CI, um programa anual de inovação promovido pelo Orange Digital Center, reunindo jovens talentos do setor digital para desenvolver soluções úteis.

A edição deste ano teve como tema: «Que soluções podem ser criadas para o bem-estar da população», com o objetivo de estimular a criatividade e valorizar a inovação.

Quatro equipas, compostas por jovens estudantes provenientes de universidades e grandes escolas da Costa do Marfim, apresentaram os seus projetos, abordando desafios ligados ao desenvolvimento sustentável, agricultura sustentável e transição verde.

O PL’Power, uma solução inovadora marfinense que converte resíduos plásticos em eletricidade através de um sistema autónomo e conectado de pirólise, conquistou o primeiro prémio. A equipa, denominada StarTech, recebeu um prémio de 4 500 000 FCFA (cerca de 8 000 USD) e terá a oportunidade de participar numa competição internacional. Três outras equipas receberam prémios entre 1 700 000 e 2 500 000 FCFA.

«O nosso desafio hoje é o desenvolvimento sustentável: como reciclar materiais não degradáveis, como otimizar os recursos de que dispomos, dentro ou à nossa volta, para gerar energia e contribuir para a preservação dos nossos recursos, proteger a Terra, ter um ecossistema mais saudável […] para a nossa saúde, o nosso bem-estar e para a geração futura», declarou Latifa Diack, diretora-geral do Orange Digital Center.

O Orange Summer Challenge insere-se nas ações do governo marfinense destinadas a promover e apoiar as start-ups e a juventude, através de um projeto de lei que prevê a promoção das start-ups digitais, o acesso a financiamento e a construção de campeões nacionais.

Recorde-se que o Orange Digital Center tem investido nos últimos anos no apoio aos jovens da Costa do Marfim e aos seus projetos, oferecendo assistência técnica para desenvolver as suas soluções e ajudá-los a criar as suas próprias start-ups.

Lydie Mobio

 

 

Posted On lundi, 08 décembre 2025 10:54 Written by

As autoridades gabonesas multiplicam os esforços para acelerar a integração das TIC, percebidas como um motor essencial para o desenvolvimento socioeconómico. Esta transformação digital abrange todos os setores da economia, incluindo a educação.

O governo gabonês lançou na quarta-feira, 3 de dezembro, a fase piloto do programa

«Escola Conectada» em dois liceus em Libreville e Oyem. A iniciativa, realizada em parceria com a Huawei e a Moov Africa Gabon Telecom, abre caminho à criação de uma rede nacional de escolas conectadas, onde as barreiras geográficas deixam de limitar o acesso a um ensino de qualidade.

As escolas conectadas são o Liceu Léon Mba em Libreville e o Liceu Público de Oyem. Cada um foi equipado com um ecrã inteligente de última geração, com sistema de captura audiovisual em alta definição, plataforma colaborativa segura e ligação de alta velocidade. Estes ecrãs permitem a transmissão em tempo real das aulas, projeção de conteúdos pedagógicos interativos, sessões de perguntas e respostas instantâneas entre professores e alunos dos dois locais, gravação das aulas para revisão e estudo, bem como acesso a recursos digitais integrados.

Esta iniciativa surge num contexto em que o governo gabonês «faz do digital um instrumento indispensável para modernizar a educação, reduzir as desigualdades e oferecer novas oportunidades à juventude gabonesa». Em julho passado, as autoridades gabonesas encontraram-se com os dirigentes do projeto Giga, promovido pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) e pelo UNICEF, que visa conectar todas as escolas do mundo à Internet. Desde 2022, o Gabão já havia manifestado o seu compromisso com esta iniciativa, com a ambição de conectar 90 % das suas escolas até 2026.

Em janeiro, o governo adotou uma ordem que institui a digitalização do ensino, no âmbito de uma estratégia de integração progressiva do digital nas práticas pedagógicas. Esta ação prolonga um acordo assinado em outubro de 2024 entre os ministérios da Economia Digital e da Educação Nacional, visando o desenvolvimento de infraestruturas digitais em colégios e liceus, incluindo zonas remotas. O executivo também se aproximou de parceiros como o Banco Mundial e o YouScribe para promover o ensino híbrido, a criação de um portal digital dedicado à educação e a implementação de bibliotecas digitais.

Se a UNESCO reconhece o potencial das TIC para melhorar a educação, os esforços do governo levantam várias questões, nomeadamente a disponibilidade de infraestruturas digitais em todos os países. A UNESCO considera que os investimentos em infraestruturas digitais, a acessibilidade financeira dos equipamentos e a expansão da conectividade à Internet nas zonas rurais e marginalizadas são essenciais para garantir um acesso equitativo a um ensino enriquecido pela tecnologia.

Isaac K. Kassouwi

 

Posted On lundi, 08 décembre 2025 10:38 Written by

A transformação digital está no centro das prioridades do novo governo senegalês. Para libertar plenamente o seu potencial económico e social, é essencial implementar reformas direcionadas que promovam a inclusão e o acesso universal aos serviços digitais.

O Senegal poderia gerar um valor económico de 1 100 mil milhões de francos CFA (2 mil milhões de dólares), criar cerca de 280 000 empregos e aumentar as receitas públicas até 2030 se o país acelerar as suas reformas em favor de uma inclusão digital alargada. Estas perspetivas, detalhadas no relatório «Driving Digital Transformation of the Economy in Sénégal», da Associação Global de Operadores de Telecomunicações (GSMA), foram apresentadas na sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, em Dacar, durante o Digital Africa Summit.

Pontos fortes sólidos, mas utilização ainda limitada

O estudo destaca que o país já dispõe de importantes ativos, apoiados por uma juventude familiarizada com as ferramentas digitais e por várias estratégias nacionais estruturantes, incluindo Digital Sénégal 2025, o Projeto de Aceleração da Economia Digital (PAENS) e o New Deal Tecnológico 2034. Estas iniciativas permitiram expandir significativamente a cobertura de Internet móvel, que hoje atinge 97 % em 4G e cerca de 39 % em 5G. No entanto, a adoção continua limitada: persiste um hiato de utilização de 54 %, sobretudo devido ao elevado custo dos smartphones de entrada e à fraca literacia digital em vários segmentos da população.

«Ao centrar-se na acessibilidade, nas competências digitais e num ambiente político favorável, o Senegal pode criar oportunidades para cada comunidade – desde agricultores e comerciantes a estudantes, empreendedores e utilizadores de serviços públicos. Estas reformas podem transformar o acesso digital em impacto real e significativo para as pessoas, ao mesmo tempo que reforçam a resiliência económica a longo prazo do Senegal», explica Angela Wamola, responsável pela África na GSMA.

Reformas prioritárias para modernizar o ecossistema das telecomunicações

Embora a conectividade tenha melhorado significativamente, as infraestruturas de telecomunicações ainda precisam de ser reforçadas para sustentar a ambição nacional. A GSMA recomenda, em particular, a adoção de uma nova política de espectro, baseada num roteiro nacional resultado de consulta ao setor, garantindo uma atribuição mais eficiente, transparente e previsível das frequências. A alocação das bandas 5G, a renovação das licenças por períodos mais longos – até 20 anos – e a tarifação das taxas alinhada com os padrões internacionais são apresentadas como alavancas decisivas para atrair mais investimentos e apoiar os objetivos definidos no New Deal Tecnológico.

O relatório sugere também a redução de alguns impostos setoriais, incluindo a Contribuição Especial de Telecomunicações (atualmente 4,5 %) e a Taxa de Utilização das Telecomunicações (5 %), que poderiam ser reduzidas para 3 % cada, libertando novas margens financeiras para os operadores. A implementação de um programa nacional de acesso acessível a smartphones de entrada também figura entre as medidas prioritárias, à semelhança de iniciativas já adotadas noutros países africanos.

Por fim, um quadro regulatório adaptado às tecnologias emergentes é indispensável para apoiar a cobertura nas zonas remotas. A integração de parcerias entre operadores móveis e satélites em órbita baixa (LEO), bem como o desenvolvimento de soluções de conectividade direta aos terminais (Direct-to-Device), permitiria expandir a banda larga nas regiões ainda pouco servidas e reforçar a resiliência da rede.

Se as reformas recomendadas forem implementadas, o Senegal poderá alcançar um marco decisivo na sua transição digital. Até 2030, 2,6 milhões de novos utilizadores poderão estar conectados, elevando a adoção da Internet móvel para 61 %, segundo a GSMA. O impacto será particularmente forte na agricultura, indústria, comércio e serviços públicos, onde a digitalização de processos, a partilha de dados e a automação poderão gerar ganhos de produtividade significativos.

Samira Njoya

 

Posted On lundi, 08 décembre 2025 10:00 Written by

O governo mauritano aposta nas TIC para estimular o desenvolvimento socioeconómico.

Pretende, por isso, integrar o digital em todos os setores, nomeadamente no setor da saúde.

As autoridades mauritanas aceleram a digitalização do sistema nacional de saúde. Mohamed Mahmoud Ely Mahmoud (na foto, à direita), ministro da Saúde, apresentou na quinta-feira, 5 de dezembro, as prioridades da próxima fase da folha de rota durante uma reunião com o seu homólogo da Transformação Digital, da Inovação e da Modernização da Administração.

As prioridades incidem, nomeadamente, sobre a digitalização das informações epidemiológicas, a criação de uma base de dados nacional de vacinação, bem como a atualização dos dados relativos à gestão das infraestruturas sanitárias, dos equipamentos e dos fornecimentos médicos. Isto permitirá garantir a exatidão das informações, facilitar o planeamento e melhorar a eficácia das intervenções sanitárias.

Na semana passada, foram lançados os projetos digitais da Caixa Nacional de Seguro de Doença (CNAM). No centro das inovações encontra-se a plataforma E-CNAM, que permite a digitalização dos pedidos de autorização prévia, o depósito eletrónico dos documentos médicos e das faturas, bem como o acompanhamento do processo de reembolso. Oferece igualmente a digitalização dos procedimentos de assistência no exterior e da gestão interna da Caixa.

Na mesma semana, realizou-se também a segunda reunião do comité ministerial responsável pela reforma dos hospitais, sob a presidência do Primeiro-Ministro, Moctar Ould Diay. A transformação digital nestas instituições faz parte das principais propostas e eixos técnicos destinados a melhorar o atendimento aos pacientes.

A 29 de outubro, a Mauritânia registou um avanço estratégico com o lançamento da Estratégia Nacional de e-Saúde 2024-2030. Segundo a Agência Belga de Cooperação Internacional (ENABEL), um dos parceiros, esta folha de rota visa transformar o setor da saúde através da integração de soluções digitais para oferecer um acesso equitativo a serviços de saúde de qualidade, alargar a cobertura nas zonas remotas e facilitar as consultas à distância através da telemedicina. Contribui também para a racionalização dos custos e para uma gestão otimizada das importações de medicamentos e do aprovisionamento das instituições de saúde.

Além disso, a Ginger International, um gabinete francês especializado em assistência técnica e expertise em saúde e ambiente a nível internacional, foi mandatado pela União Europeia para implementar um projeto de apoio à digitalização do setor da saúde na Mauritânia. A iniciativa foi lançada no início de novembro.

Um potencial reconhecido face a desafios significativos


Numa nota publicada em julho de 2025, o Afrobarometer indicava que, na Mauritânia, o sistema de saúde enfrenta vários obstáculos estruturais. Entre estes desafios figuram a escassez de infraestruturas, a falta de pessoal médico qualificado, o elevado custo dos cuidados de saúde e as rupturas frequentes de medicamentos ou de material médico. Acrescenta ainda que o país possui apenas cerca de 26 médicos por cada 100 000 habitantes, um rácio muito abaixo da norma recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A estes desafios juntam-se um subfinanciamento crónico do setor e problemas de governação, nomeadamente associados à corrupção.

“Estas insuficiências têm repercussões dramáticas na saúde pública. A mortalidade infantil, embora em ligeiro recuo, continua elevada, com 46,35 mortes por cada 1 000 nados-vivos em 2024 […]. Quanto à mortalidade materna, permanece uma das mais preocupantes do mundo, atingindo 766 mortes por cada 100 000 nados-vivos, ou seja, mais de três vezes a média mundial”, pode ler-se na nota intitulada ‘A saúde é a prioridade dos mauritanos, cuja maioria declara ter faltado a cuidados médicos’.

Segundo o PNUD, a saúde digital pode constituir uma oportunidade para enfrentar estes desafios e desenvolver os sistemas de saúde africanos, tendo em conta, por exemplo, a taxa de penetração da telefonia móvel em África e o uso que dela é feito. A agência das Nações Unidas estima que o digital permitirá expandir a cobertura sanitária universal ao derrubar certas barreiras, como os custos, as dificuldades de acesso ou a falta de qualidade dos cuidados, ao mesmo tempo que alarga a gama de serviços oferecidos, especialmente nas regiões onde as infraestruturas e o pessoal são raros ou inexistentes.

No entanto, estes esforços de transformação digital levantam várias questões, nomeadamente a da robustez e da disponibilidade geral das infraestruturas digitais. Embora a Mauritânia tenha acelerado o desenvolvimento das TIC no país, persistem limitações significativas. Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), as redes 3G e 4G cobriam apenas 43,9% e 34,7% da população mauritana em 2022, contra 97% para a 2G em 2023. A taxa de penetração da Internet era de 37,4%, contra 79,1% para a telefonia móvel em 2023. Para além das infraestruturas, outros desafios permanecem: a falta de competências digitais, a insuficiência de financiamentos e a necessidade de reforçar a governação do setor. Estas limitações pesam sobre o sucesso da estratégia nacional de e-Saúde e condicionam a capacidade do país para transformar de forma sustentável o seu sistema de saúde.

Isaac K. Kassouwi

Posted On vendredi, 05 décembre 2025 14:52 Written by

O Chade quer reforçar o uso das tecnologias digitais para melhorar as condições de vida dos refugiados e das pessoas deslocadas que acolhe no seu território. Para tal, as autoridades elaboraram uma estratégia.

O ministro chadiano das Telecomunicações e da Economia Digital, Boukar Michel (foto), detalhou uma estratégia destinada a melhorar a conectividade nas áreas mais vulneráveis, nomeadamente em torno dos campos de refugiados. Foi durante uma videoconferência realizada na quarta-feira, 3 de dezembro de 2025, com a secretaria da União Internacional de Telecomunicações (UIT), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o Sistema das Nações Unidas.

O Chade aposta na digitalização para quebrar o isolamento: melhoria da rede em torno dos campos, soluções de energia solar, acesso facilitado aos serviços de telecomunicações, espaços educativos digitais […] tantas iniciativas integradas que permitem às populações refugiadas comunicar, aprender e reconstruir o seu futuro”, indicou o Ministério das Telecomunicações e da Economia Digital do Chade num post no Facebook.

Esta abordagem visa permitir que as populações deslocadas comuniquem com os seus familiares, tenham acesso à informação e também possam prosseguir aprendizagens ou atividades económicas básicas. Para as autoridades chadianas, a questão não é apenas de infraestrutura, mas humanitária.

Recorde-se que o país acolhe atualmente mais de 1,5 milhão de refugiados, em sua maioria fugindo do conflito no Sudão.

Para implementar estas iniciativas, o Chade apela a um reforço do apoio por parte dos parceiros internacionais. O governo ambiciona tornar o país um modelo de solidariedade digital, demonstrando que um ambiente marcado por crises pode, mesmo assim, oferecer soluções tecnológicas essenciais à dignidade e à resiliência das populações deslocadas.

Adoni Conrad Quenum

Posted On vendredi, 05 décembre 2025 13:12 Written by

Perante as dificuldades de acesso ao digital nas zonas rurais, o Malawi aposta na educação digital para reforçar as competências dos jovens, alargar os seus horizontes e promover a sua inserção profissional, ao mesmo tempo que reduz a desigualdade educativa.

O governo do Malawi está a implementar um plano para ligar 2.000 escolas secundárias rurais à Internet no âmbito do projeto « Connect A School », liderado pela Malawi Communications Regulatory Authority (MACRA). O ministro da Informação e das Tecnologias de Comunicação, Shadric Namalomba, anunciou esta iniciativa na quarta-feira, 3 de dezembro, durante a sua visita ao laboratório de TIC da Community Day Secondary School (CDSS) de Phalula, em Balaka.

Na ocasião, sublinhou a determinação do governo em integrar o projeto na estratégia nacional Malawi 2063, que considera a domínio das tecnologias de informação um pilar do desenvolvimento. As escolas abrangidas serão equipadas com laboratórios de informática e terão acesso à Internet, um elemento central da iniciativa.

Segundo Mphatso Phiri, diretora-geral interina da MACRA, « o programa "Connect A School" não se limita a fornecer infraestruturas digitais, visa também oferecer aos jovens competências digitais, essenciais para aceder ao emprego num mundo cada vez mais conectado ».

Os primeiros resultados já são visíveis. Francis Chimwaza, diretor da CDSS de Phalula, destaca que a taxa de sucesso da escola aumentou desde a instalação do laboratório em 2023, com resultados a variar entre 17 e 19 pontos nos exames nacionais (Malawi School Certificate of Education – MSCE), de acordo com dados do governo.

Esta iniciativa surge num contexto em que o acesso ao digital continua limitado. Um estudo da MACRA, divulgado pela Malawi Broadcasting Corporation, indica que cerca de 6 milhões de alunos em zonas rurais não têm acesso a ferramentas informáticas. Um relatório de 2024 da Paradigm Initiative revela que 46 % dos malawianos afirmam não usar a Internet porque não sabem do que se trata, apesar das reformas políticas e estruturais implementadas nos últimos anos. Em 2021, o governo lançou uma estratégia quinquenal para a economia digital (2021‑2026), com o objetivo de aumentar o acesso à Internet de 14,6 % para 80 % da população e a cobertura de banda larga para 95 % até 2026.

Félicien Houindo Lokossou

Posted On vendredi, 05 décembre 2025 12:31 Written by
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