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Fils Industrias

Fils Industrias (866)

 

 
 

A congestão dos terminais portuários da África do Sul é uma preocupação constante para as mineradoras do país, que afirmam não conseguir atender plenamente à demanda global devido a limitações logísticas.

A African Rainbow Minerals (ARM) anunciou no início de março que participará de uma licitação para a conceção, construção e operação de um terminal de exportação de manganês no porto de Ngqura, na província do Cabo Oriental, como parte dos esforços do país para modernizar suas infraestruturas logísticas minerais.

A subsidiária da ARM, Assmang, integrará um consórcio de mineradoras privadas do bacia do Kalahari, onde estão concentradas as principais reservas de manganês da África do Sul. O consórcio, chamado Manganese Producers Consortium (MPC), reúne os principais produtores do minério, usado principalmente na siderurgia, incluindo South32, Anglo American e Tshipi é Ntle Manganese Mining (controlada pela Exxaro Resources).

O MPC apresentará sua proposta como parceiro da operadora logística Transnet, que administra as infraestruturas ferroviárias e portuárias do país e tem se aberto cada vez mais a parcerias privadas para melhorar os corredores de exportação de minerais como carvão, minério de ferro e manganês.

Em 2022, a Transnet anunciou planos de transferir seu terminal de exportação de manganês de Gqeberha (antiga Port Elizabeth) para Ngqura até 2027, após reclamações de riscos sanitários feitas por partidos políticos e organizações da sociedade civil. Em outubro de 2025, a estatal informou que investiria 127 bilhões de rands (≈7,6 bilhões de dólares) em cinco anos na modernização e expansão das linhas ferroviárias e infraestruturas portuárias, que sofrem com manutenção deficiente, roubo de cabos de cobre e vandalismo.

A ARM destacou que o novo terminal permitirá aumentar a capacidade de exportação de manganês do país em 16 milhões de toneladas.

A África do Sul detém cerca de 70% das reservas mundiais conhecidas de manganês, com a maior parte da produção exportada como minério bruto para a China.

Walid Kéfi

Posted On jeudi, 12 mars 2026 10:53 Written by

A Tunísia tem feito da energia solar uma das opções prioritárias para enfrentar os desafios energéticos do país, enquanto as energias renováveis ainda têm uma presença limitada na matriz elétrica.

O grupo norueguês Scatec lançou oficialmente a fase de operação comercial da central solar de Sidi Bouzid, localizada a cerca de 260 km a sul da capital tunisina, anunciou a empresa na terça-feira, 10 de março.

O projeto, desenvolvido em parceria com a Aeolus, possui uma capacidade de 60 MW, com a Scatec detendo 51% e a Aeolus 49%. A eletricidade produzida será vendida ao Estado através da Société Tunisienne de l’Électricité et du Gaz (STEG), com quem foi firmado um contrato de compra de energia (PPA) em maio de 2025.

A central de Sidi Bouzid integra um portfólio de projetos solares da Scatec na Tunísia, incluindo outro projeto fotovoltaico de cerca de 60 MW em Tozeur, obtido no mesmo processo de licitação, cuja operação comercial está prevista para o primeiro semestre deste ano.

Juntas, as centrais de Sidi Bouzid e Tozeur deverão produzir cerca de 288 GWh de eletricidade por ano, permitindo uma redução anual estimada de mais de 115.000 toneladas de CO₂, segundo projeções da Scatec.

Outros projetos para reforçar as renováveis

Além de Sidi Bouzid e Tozeur, a Scatec desenvolve outros projetos fotovoltaicos na Tunísia, incluindo um contrato de compra de eletricidade de 25 anos para uma central de aproximadamente 120 MW em Tataouine, no sul do país.

Estes investimentos fazem parte da estratégia energética tunisina, que pretende aumentar a participação das energias renováveis para 35% da matriz elétrica até 2030. Em 2023, representavam apenas cerca de 3,8% da produção elétrica, de acordo com a International Energy Agency, numa matriz ainda dominada pelo gás natural, responsável pela maior parte da produção.

Abdel-Latif Boureima

Posted On jeudi, 12 mars 2026 10:50 Written by

O interesse pela energia nuclear civil está a crescer a nível mundial. Segundo a World Nuclear Association (WNA), 38 países já apoiaram a declaração lançada na COP28 que visa triplicar a capacidade nuclear mundial até 2050, uma dinâmica na qual se inserem o Egito e o Marrocos.

Durante a segunda Cimeira Mundial da Energia Nuclear, realizada na terça-feira, 10 de março, em Paris, o Egito e o Marrocos afirmaram a sua ambição de integrar esta fonte no seu mix energético respetivo. As declarações oficiais dos representantes destes dois países do Norte de África demonstraram a sua vontade de desenvolver ou explorar o uso civil da energia nuclear.

O encontro, organizado pela França em cooperação com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), reuniu dirigentes e representantes de mais de 60 países para discutir o papel desta tecnologia na transição energética global. Esta cimeira ocorre num contexto de renovado interesse pela energia nuclear civil, que representa cerca de 10% da produção mundial de eletricidade, segundo a World Nuclear Association (WNA).

A energia nuclear para consolidar a estratégia energética egípcia

O Cairo destacou o progresso do seu programa nuclear civil, centrado na central de El-Dabaa, com uma capacidade total de 4800 MW. Segundo o ministro da Eletricidade e das Energias Renováveis, Dr. Mahmoud Esmat, o vaso do reator da primeira unidade já foi instalado, enquanto os dispositivos de segurança foram implementados para a 3.ª e 4.ª unidades. O ministro referiu que o país obteve autorização para construir uma instalação de armazenamento de combustível nuclear usado e que os trabalhos continuam nas quatro unidades do local.

O responsável egípcio sublinhou que a energia nuclear é um elemento-chave da estratégia energética nacional, visando reforçar a estabilidade do sistema elétrico e apoiar projetos de interligação regional, nomeadamente com a Arábia Saudita. Uma avaliação de viabilidade com a Europa, através da Grécia, encontra-se em fase de estudo. Destacou ainda o papel do Egito na formação de técnicos africanos na área nuclear, no âmbito de programas de cooperação com a AIEA e o mecanismo africano AFRA.

«O Egito continua as suas atividades de investigação e desenvolvimento nas áreas de utilizações pacíficas da energia e aplicações nucleares, de acordo com a visão do Egito para 2030», concluiu.

Um prolongamento natural para o Marrocos

O Reino do Marrocos destacou, por sua vez, a integração gradual da energia nuclear civil na sua estratégia energética. Intervindo na cimeira, o chefe do Governo, Aziz Akhannouch, afirmou que esta opção se insere na continuação da estratégia energética lançada em 2009, baseada na diversificação do mix energético, no desenvolvimento das energias renováveis e na segurança energética.

«No final de 2025, as energias renováveis representavam mais de 46% da capacidade instalada do nosso sistema elétrico, e alcançaremos 52% antes de 2030», afirmou, citado pela imprensa local.

Segundo Akhannouch, a energia nuclear civil poderá abrir novas perspetivas para o país, nomeadamente na produção de hidrogénio verde, na dessalinização de água do mar e na medicina nuclear. Referiu também que os depósitos de fosfato do Reino contêm quantidades significativas de urânio natural, o que poderá reforçar o interesse estratégico do Marrocos nas discussões internacionais sobre esta tecnologia.

Rumo a uma generalização no continente africano?

Para além do Norte de África, o interesse pela energia nuclear civil manifesta-se também em vários países da África Subsariana. A África do Sul continua a ser, até ao momento, o único país africano com uma central nuclear em operação. Outros Estados, como o Gana, o Burquina Faso ou o Ruanda, demonstraram recentemente interesse nesta tecnologia, explorando soluções baseadas em pequenos reatores modulares, uma nova geração de instalações nucleares de pequena dimensão.

Abdoullah Diop

 

Posted On mercredi, 11 mars 2026 14:40 Written by

Apesar de um crescimento anual de 8 %, a Zâmbia não conseguiu atingir a meta de um milhão de toneladas de cobre em 2025. Este resultado revela algum atraso nos planos de médio prazo do país, que pretende mais do que triplicar a sua produção de cobre na próxima década.

Segundo maior produtor de cobre em África, a Zâmbia está atualmente em negociações com parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos, para atrair novos investimentos no setor. Estes esforços, relatados pela imprensa internacional na terça-feira, 10 de março, citando o ministro das Minas Paul Kabuswe, visam apoiar a meta de aumentar a produção nacional de cobre para 3 milhões de toneladas até 2031, face a 890.300 toneladas em 2025.

Parcerias “ganha-ganha” em perspetiva

Em detalhe, Kabuswe explica que as negociações visam estabelecer parcerias equilibradas entre a Zâmbia e os investidores estrangeiros. Segundo o ministro, estes devem participar ativamente no desenvolvimento do setor, garantindo uma “situação ganha-ganha” para todas as partes. A iniciativa abrangeria vários países, mas o estado de progresso das conversações ainda não foi especificado.

A referência explícita aos Estados Unidos não é inocente, num contexto em que Washington intensifica as suas iniciativas para assegurar o acesso a minerais estratégicos em África. Esta estratégia já abrange o cobre, como demonstrado pelo acordo concluído em fevereiro pelo consórcio financiado pelos EUA, Orion Resource Partners, para adquirir 40 % de participações em duas minas de cobre-cobalto do grupo Glencore na República Democrática do Congo.

Enquanto aguardam-se mais detalhes sobre as negociações, importa notar que já existem interesses norte-americanos no setor de cobre da Zâmbia. A start-up californiana KoBold Metals está a desenvolver no país o projeto de cobre Mingomba, apontado como uma futura grande mina. A fase de construção ainda não foi anunciada, estando a decisão final de investimento (FID) por determinar.

Apoiar a dinâmica já em curso

A obtenção de novos investimentos através das parcerias em estudo poderá revelar-se decisiva para a indústria de cobre da Zâmbia, sobretudo tendo em conta a dinâmica já gerada por vários projetos emblemáticos. O operador da mina Konkola, Vedanta Resources, anunciou um orçamento de 1,5 mil milhões de USD para aumentar a produção até 2031. A Barrick Mining segue a mesma estratégia com um investimento de expansão de 2 mil milhões USD na sua mina Lumwana, enquanto o grupo chinês JCHX planeia investir para otimizar as suas operações.

Conjuntamente, estes projetos constituem marcos importantes para Lusaca, que aposta especialmente no reforço da capacidade de produção das minas existentes para atingir as suas ambições. Esta abordagem é ainda apoiada por um relatório recente da PwC, que alerta, no entanto, que atingir o objetivo nacional exigirá também novos capitais em exploração e desenvolvimento de novas minas.

“Para alcançar as 3 milhões de toneladas, serão necessários investimentos sustentados em exploração, desenvolvimento mineiro, processamento e infraestruturas de apoio”, indica a PwC. Além do seu potencial geológico, a Zâmbia beneficia de estar entre as jurisdições mineiras mais atrativas do continente, ocupando o 3.º lugar em África em 2025, segundo o Fraser Institute.

No entanto, num contexto eleitoral neste ano, o desafio para a Zâmbia reside na sua capacidade de manter esta dinâmica e preservar um clima de negócios favorável. Num mercado do cobre já sob pressão, marcado por um défice de oferta global projetado devido à transição energética e ao crescimento da inteligência artificial, a corrida pelo metal vermelho pode abrir novas oportunidades significativas.

 Aurel Sèdjro Houenou

 

Posted On mercredi, 11 mars 2026 12:16 Written by

Com o projeto Kabanga, a Lifezone planeia o desenvolvimento de uma mina de níquel na Tanzânia. Enquanto o início das obras no local está previsto para este ano, a empresa já avança com a sua expansão em África, num contexto de crescente interesse por minerais críticos.

Na terça-feira, 10 de março, a Lifezone Metals anunciou a assinatura de um acordo de exclusividade com o governo do Burundi para o desenvolvimento do projeto de níquel Musongati no país. Este avanço reflete a dinâmica de expansão africana desta companhia mineira americana, já envolvida na futura mina Kabanga, na Tanzânia.

Assinado durante uma cerimónia em Washington D.C., na presença do ministro das Minas do Burundi, Hassan Kibeya, o contrato oferece à Lifezone um período de 14 meses para assumir o projeto Musongati. Inicialmente, a empresa deverá realizar um estudo preliminar de 30 dias, destinado a definir um plano mais amplo para um programa de exploração e viabilidade económica, com possibilidade de extensão conforme os resultados obtidos.

Considerado o maior depósito de níquel do Burundi, Musongati tem sido alvo de trabalhos de exploração há mais de 50 anos. Um estudo de 2011 chegou a definir uma reserva mineral superior a 140 milhões de toneladas. A Lifezone procurará assim refinar estas estimativas, enquanto planeia em paralelo os preparativos para iniciar a construção de Kabanga.

Para este último, a decisão final de investimento (DFI) está prevista para meados de 2026, com o objetivo de desenvolver uma mina capaz de produzir 902.000 toneladas de níquel ao longo de 18 anos, por um custo de 942 milhões de dólares. Musongati poderá integrar a continuidade deste projeto, sendo ambos os depósitos localizados na mesma faixa de níquel. Esta configuração é estratégica, sobretudo no contexto da corrida global ao fornecimento de minerais críticos, incluindo o níquel.

«Como empresa cotada na NYSE, a Lifezone está idealmente posicionada para se tornar o fornecedor preferencial dos Estados Unidos e de países parceiros […] para o níquel, um metal crítico considerado vital para a economia e a segurança nacional americana, e que enfrenta riscos potenciais relacionados com a interrupção das cadeias de abastecimento», explica Christopher Showalter, CEO da Lifezone.

Para o Burundi, um sucesso em Musongati poderá reforçar a sua posição no mapa de destinos estratégicos africanos para minerais críticos. Recorde-se que o país acolhe também a mina de terras raras de Gakara, cuja exploração permanece suspensa desde 2021 devido a disputas contratuais entre o Estado e o operador Rainbow Rare Earths.

 Aurel Sèdjro Houenou

Posted On mercredi, 11 mars 2026 11:38 Written by

Enquanto a Nigéria procura reduzir a sua dependência dos combustíveis importados, as autoridades parecem aplicar de forma mais rigorosa as regras do código petrolífero, que prevê que as importações só devem ocorrer quando a produção local for insuficiente para satisfazer a procura.

Segundo informações divulgadas na quarta-feira, 11 de março, pelos meios de comunicação locais, o regulador nigeriano do setor petrolífero a jusante, a Nigerian Midstream and Downstream Petroleum Regulatory Authority (NMDPRA), suspendeu pelo segundo mês consecutivo a emissão de licenças de importação de gasolina, sinalizando uma vontade crescente de privilegiar o abastecimento doméstico. Os dados do regulador mostram que nenhuma licença de importação foi concedida em fevereiro.

Além disso, a associação dos refinadores locais, a Crude Oil Refiners Association of Nigeria (CORAN), confirmou que nenhuma autorização foi concedida até agora no mês de março. A entidade, que há vários anos apela às autoridades para limitarem as importações consideradas prejudiciais à rentabilidade das refinarias domésticas, saudou a decisão do regulador. O seu porta-voz, Eche Idoko, considera que qualquer medida destinada a proteger a produção local constitui uma evolução positiva para o setor, sublinhando, contudo, que o principal desafio será manter esta orientação ao longo do tempo.

Esta decisão baseia-se nas disposições do código petrolífero de 2021, que autoriza a importação de combustíveis apenas quando a produção local não é suficiente para satisfazer a procura nacional. Segundo dados do regulador, os volumes disponíveis no mercado interno foram considerados suficientes para responder às necessidades do país.

O consumo médio diário de gasolina na Nigéria atingiu 56,9 milhões de litros por dia em fevereiro de 2026, contra 60,2 milhões de litros em janeiro. Ao mesmo tempo, a Dangote Group forneceu 36,5 milhões de litros de gasolina e cerca de 8 milhões de litros de diesel ao mercado local durante o mês. Com base nesses volumes, o regulador considerou que a produção doméstica permitia limitar o recurso às importações. Além disso, durante o mês de fevereiro, a refinaria atingiu a sua capacidade total de processamento de 650 000 barris por dia.

A suspensão das licenças representa uma mudança em relação à posição defendida pelo antigo dirigente da autoridade reguladora, que considerava que a continuidade das importações era necessária para manter a concorrência no mercado e evitar que um único operador dominasse o abastecimento do país.

A questão do equilíbrio entre produção local e importações continua, no entanto, sensível num país que durante muito tempo exportou petróleo bruto enquanto importava a maior parte dos seus produtos refinados. O desenvolvimento de novas capacidades de refinação, nomeadamente com a refinaria do Dangote Group, está a alterar progressivamente este equilíbrio e a levar as autoridades a ajustar a sua política de abastecimento.

Olivier de Souza

Posted On mercredi, 11 mars 2026 09:57 Written by

À semelhança das experiências recentes do Mali, do Burkina Faso e da Costa do Marfim, o Gana prevê introduzir ainda este ano uma nova reforma sobre as royalties do ouro. Esta medida visa permitir que o Estado tire maior proveito da atual subida dos preços do ouro.

No Gana, o governo mantém a sua posição e planeia implementar esta semana a reforma que pretende mais do que duplicar as taxas aplicadas sobre as royalties auríferas, apesar de uma vaga de oposição observada nas últimas semanas. A informação foi divulgada na segunda-feira, 9 de março, pela Reuters, citando Isaac Tandoh, diretor-geral da Minerals Commission, a autoridade reguladora do setor mineiro.

Atualmente fixadas em 5%, as royalties sobre o ouro poderão em breve evoluir para um sistema progressivo, destinado a permitir que o Estado se beneficie melhor da valorização do metal. No nível atual do mercado, este mecanismo elevaria a taxa para 12%, uma perspetiva que preocupa as empresas mineiras, que receiam impactos negativos nos seus custos de exploração. Estas preocupações foram recentemente transmitidas por uma coligação de governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos, a China e o Reino Unido.

No entanto, para Isaac Tandoh, a modelação da reforma permitiria encontrar um equilíbrio justo, aumentando as receitas do Estado ao mesmo tempo que preserva as margens da indústria. Neste contexto, o projeto mantém-se e a sua implementação está anunciada para terça-feira, 10 de março. Quanto às preocupações expressas por alguns governos estrangeiros, o responsável indicou que se realizaram discussões, esclarecendo que estes não se opõem, em princípio, a uma revisão do quadro das royalties.

Num mercado mundial de ouro em que os preços se esperam em 6.000 USD por onça até ao final de 2026, contra cerca de 5.100 USD atualmente, o Gana procura assim maximizar os benefícios do seu principal produto de exportação. Esta iniciativa insere-se, aliás, numa tendência observada na África Ocidental, onde vários países implementaram reformas semelhantes nos últimos anos, incluindo o Burkina Faso, a Costa do Marfim e o Mali.

Embora a introdução do novo sistema de royalties seja iminente, o seu impacto concreto na indústria aurífera permanece por observar, sobretudo porque ocorre num momento em que outras mudanças estão também a ser consideradas no setor, nomeadamente a eliminação dos chamados acordos de estabilidade mineira, medida que poderá expor as empresas a novos impostos dos quais estavam até agora isentas. Primeiro produtor africano de ouro, o Gana acolhe vários grandes grupos mineiros, incluindo Newmont, AngloGold Ashanti, Gold Fields e Perseus Mining.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Posted On mardi, 10 mars 2026 18:43 Written by

Em janeiro, a empresa de mineração canadense Toubani Resources havia anunciado a finalização de várias etapas decisivas para o desenvolvimento de seu projeto aurífero Kobada, no Mali. O objetivo declarado era iniciar os trabalhos de construção de uma mina de ouro no primeiro trimestre deste ano.

A empresa de mineração canadense Toubani Resources anunciou, na segunda-feira, 9 de março, a decisão final de investimento (FID) para seu projeto aurífero Kobada, no Mali. Esta etapa crucial marca oficialmente o início das obras de construção de uma nova mina de ouro no local, com um custo estimado de 216 milhões de dólares.

Este avanço ocorre algumas semanas depois de a empresa ter alcançado vários marcos decisivos para o projeto, incluindo a obtenção, em janeiro, da aprovação regulatória das autoridades locais para o início das obras. Além disso, foram asseguradas as licenças ambientais e estruturado o financiamento necessário para cobrir o investimento requerido. Até o momento, a Toubani indica já ter garantido 36% do financiamento, acrescentando que a conclusão da estrutura financeira global é iminente.

“É um momento histórico para a Toubani, pois estamos tomando a decisão final de investimento para a construção da mina de ouro Kobada […]. Ao iniciarmos a fase de construção, fazemos isso com confiança e um objetivo claro: criar uma grande mina de ouro e nos tornar um produtor de ouro africano de destaque”, declarou Phil Russo, diretor-geral da Toubani Resources.

Com Kobada, a Toubani planeja um ativo capaz de produzir, em média, 162.000 onças de ouro por ano ao longo de uma vida útil estimada em 9,2 anos. A entrada em produção é esperada para o terceiro trimestre de 2027. Ao concluir essa obra, a empresa poderá integrar ao seu portfólio sua primeira mina de ouro, contribuindo também para o fortalecimento da produção nacional do Mali. O contexto é ainda mais favorável com a valorização prolongada do preço do ouro em 2026, após um aumento de mais de 60% no ano passado.

Bamako aposta, aliás, em Kobada para aumentar suas receitas minerárias, em linha com as reformas implementadas pelo Código de Mineração de 2023. Este novo quadro se aplica ao projeto, permitindo que o Mali detenha 35% de participação (dos quais 5% são reservados aos investidores), além das royalties e outros tributos.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Posted On mardi, 10 mars 2026 18:40 Written by

Num contexto de disparada dos preços, o ano de 2025 foi particularmente marcante para o crescimento da mineração artesanal de ouro na África, especialmente em Gana e Burkina Faso. Uma dinâmica que a RDC (República Democrática do Congo) poderá seguir em 2026, à luz das ambições anunciadas.

Na República Democrática do Congo, a empresa estatal DRC Gold Trading mantém seu objetivo de coletar 15 toneladas de ouro artesanal em 2026, muito acima dos volumes declarados nos três últimos anos. Essa meta, baseada na expansão dos circuitos comerciais oficiais, poderia permitir que o país da África Central se inserisse na dinâmica regional observada em 2025 em torno do crescimento da mineração artesanal de ouro, especialmente em Burkina Faso e Gana.

Passando para a próxima etapa

Desde sua criação em 2022 como comprador oficial de ouro artesanal na RDC, a DRC Gold Trading coletou cerca de 10 toneladas de ouro junto aos pequenos mineradores. Esse resultado ilustra as dificuldades enfrentadas por muitos países africanos para canalizar os fluxos de uma cadeia produtiva amplamente informal. Desde o início deste ano, contudo, a empresa parece acelerar, com a expansão de suas atividades para uma maior parte do território.

Reafirmando a meta de 15 toneladas de ouro para 2026, a DRC Gold Trading indicou à Reuters na segunda-feira, 9 de março, que pretende expandir suas operações para mais oito províncias. Essa expansão visa atender a uma demanda internacional crescente, enquanto mais de 45 compradores estrangeiros já teriam manifestado interesse em adquirir ouro congolês. Um primeiro marco foi estabelecido em fevereiro com a abertura de uma nova filial em Lubumbashi, na província de Haut-Katanga.

Nossos colegas da Bankable indicaram ainda que a empresa planeja abrir outros escritórios em Mbujimayi e Kinshasa até o final de março. Embora essas iniciativas demonstrem um desdobramento gradual, a estratégia de expansão que deve sustentar a meta comercial anunciada ainda precisa se provar, especialmente à luz do desempenho registrado até agora. Trajetórias semelhantes, porém, já deram frutos em outras partes da região.

No Burkina Faso, o desenvolvimento das atividades da Société Nationale des Substances Précieuses (SONASP) permitiu mais do que quadruplicar a produção artesanal de ouro, que atingiu 42 toneladas no ano passado. Um cenário comparável é observado em Gana, onde as reformas conduzidas pelo GoldBod contribuíram para um aumento de 60% nos volumes de ouro artesanal, alcançando 96,4 toneladas.

Garantir receitas em um mercado de ouro em alta

A concretização das ambições da DRC Gold Trading poderia ser determinante para a estruturação da cadeia do ouro artesanal na RDC. Ao direcionar mais volumes para os circuitos oficiais, a iniciativa ajudaria a limitar perdas relacionadas ao contrabando e a fortalecer as receitas minerárias, com uma receita prevista de mais de 2,6 bilhões de dólares em 2026. O contexto é ainda mais favorável com os preços do ouro em ciclo de alta, com níveis esperados nos picos até o final do ano.

Além das receitas orçamentárias, essa estratégia também se alinha aos objetivos de política monetária do país. O ouro artesanal coletado pela DRC Gold deve, de fato, contribuir para alimentar as reservas nacionais, uma orientação recentemente concretizada por meio de uma parceria com o Banco Central do Congo, agora comprador prioritário do ouro adquirido pela empresa estatal. Uma abordagem semelhante é observada em Gana, onde um mecanismo similar liga o GoldBod ao Bank of Ghana.

Enquanto a mineração artesanal de ouro ganha importância em vários países africanos, a trajetória dessas reformas ainda precisa ser confirmada. Enquanto Gana e Burkina Faso buscam acelerar os mecanismos já implementados, a RDC encontra-se em um momento crucial: canalizar melhor a produção dos pequenos mineradores para avançar em direção às ambições que motivaram a criação da DRC Gold Trading.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Posted On mardi, 10 mars 2026 18:37 Written by

As tensões no Estreito de Ormuz, provocadas pela escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel, estão causando um choque significativo nos mercados petrolíferos globais. Nesse contexto, o Egito tenta tirar proveito da situação.

O Cairo busca se estabelecer como uma plataforma alternativa para exportação de petróleo do Golfo, enquanto o estreito, um dos principais corredores energéticos mundiais, encontra-se praticamente paralisado. As autoridades egípcias ofereceram a empresas internacionais a locação de cerca de dez instalações de armazenamento de petróleo localizadas no Mar Vermelho.

O objetivo é atrair cargas provenientes de Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Qatar, cujas exportações têm sido fortemente impactadas pela instabilidade na região do Golfo.

O papel estratégico do oleoduto Sumed

Paralelamente, o Egito destacou recentemente uma de suas principais vantagens logísticas: o oleoduto Sumed, que conecta o terminal de Ain Sokhna, no Mar Vermelho, ao porto de Sidi Kerir, no Mediterrâneo. Essa infraestrutura permite transportar petróleo que chega pelo Mar Vermelho para os mercados europeus e mediterrâneos sem depender integralmente do Canal de Suez.

A estratégia egípcia surge em um momento de grandes perturbações no comércio global de petróleo. O Estreito de Ormuz, por onde normalmente circula cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, está praticamente bloqueado devido ao conflito em curso.

Os produtores do Golfo já buscam adaptar suas rotas logísticas. A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo, redireciona parte de suas exportações para o Mar Vermelho por meio de seus próprios oleodutos e aumenta os embarques a partir do porto de Yanbu. Além disso, o reino colocou no mercado spot vários milhões de barris, uma medida incomum que evidencia a dificuldade em escoar volumes no contexto atual.

Impacto nos preços do barril

Essas perturbações geraram forte pressão sobre os preços do petróleo. Na abertura da sessão asiática de segunda-feira, 9 de março, o Brent atingiu cerca de 117 dólares por barril, registrando uma alta diária de aproximadamente 27%, o maior avanço desde o final dos anos 1980. O WTI, petróleo americano, seguiu trajetória semelhante, superando 116 dólares por barril.

O aumento se explica pelo receio de um choque de oferta significativo. Analistas alertam que a crise atual poderia representar o maior choque de oferta desde a década de 1970, caso as perturbações no Golfo se prolonguem.

Oportunidade econômica e estratégica para o Egito

Para o Cairo, a questão é tanto econômica quanto estratégica. A locação de instalações de armazenamento e o uso ampliado do oleoduto Sumed podem gerar receitas adicionais, além de reforçar a ambição do país de se tornar um hub energético regional, já consolidada no setor de gás natural no Mediterrâneo Oriental.

O alcance desse papel dependerá da evolução das tensões no Oriente Médio. Se o Estreito de Ormuz continuar perturbado, as rotas alternativas via Mar Vermelho e Mediterrâneo poderão ganhar importância crescente na organização do comércio petrolífero mundial.

Olivier de Souza

 

Posted On mardi, 10 mars 2026 17:57 Written by
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