Shelter Afrique fornecerá facilidade de 10 milhões de dólares à CRDB Bank para apoiar projetos de habitação acessível na República Democrática do Congo.
Colaboração inicial envolverá a CRDB Bank na RDC, com perspectivas de expansão para a Tanzânia e o Burundi.
Shelter Afrique e o governo congolês uniram-se em 2023, entre outras coisas, para financiar projetos de habitação. Agora, o banco panafricano está se unindo a outra entidade bancária para investir no mesmo setor.
Shelter Afrique planeja disponibilizar uma facilidade de 10 milhões de dólares para o CRDB Bank para apoiar o financiamento de projetos de habitação acessível na República Democrática do Congo (RDC). Esse plano foi oficializado com a assinatura de um acordo de entendimento com o banco comercial tanzaniano, durante a reunião anual do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington DC, de 13 a 17 de outubro de 2025.
O acordo inicial também prevê que a Shelter Afrique fornecerá serviços de consultoria para ajudar a equipe de financiamento de habitação do CRDB Bank a lidar melhor com a cadeia de valor de habitação.
De acordo com o CEO da Shelter Afrique, Thierno-Habib Hann, essa iniciativa faz parte do compromisso comum das duas instituições para facilitar o acesso à habitação acessível, enquanto incentivam o comércio regional de materiais de construção. Também está alinhado com outro acordo assinado em 2023 entre Shelter Afrique e o Ministério de Urbanismo e Habitação da RDC.
O trabalho colaborativo inicialmente envolverá o CRDB Bank na RDC, mas há prospectos de expansão para a Tanzânia e o Burundi. Por enquanto, as datas para a assinatura definitiva do acordo e a implementação efetiva da facilidade ainda não foram definidas.
ONU-Habitat estimou em 2023 que o déficit habitacional na RDC era de 4 milhões de unidades. Para preencher esse déficit, seriam necessários 143.092 novos lares na capital e 265.000 em todo o país.
Entretanto, os fundos disponíveis para o setor estão extremamente limitados. De acordo com um estudo da Sociedade Financeira Internacional (SFI/IFC) publicado em 2022, o estoque total de crédito hipotecário na RDC não excedia 30 milhões de dólares, menos de 1% de todos os créditos distribuídos no país. Com a parceria Shelter Afrique, a CRDB Bank espera abordar esse setor.
Operando na RDC desde 2023, o banco, ainda em fase de implantação, está por enquanto presente em Kinshasa e Lubumbashi. No entanto, essa fase de investimento pesa sobre o seu desempenho: segundo o seu relatório anual, o CRDB Bank encerrou o exercício de 2024, seu segundo ano de atividade no país, com uma perda de 6,6 bilhões de xelins tanzanianos, o que equivale a 2,5 milhões de dólares à taxa média do ano.
Ronsard Luabeya (Bankable)
A Comissão de Energia da Nigéria (ECN) assina um protocolo de entendimento com a UNIDACO Limited, sediada em Londres, para um investimento de 100 milhões de euros (cerca de US$ 116,2 milhões) na transição energética do país.
Estima-se que o investimento contribuirá para a expansão da produção de energias renováveis, fortalecendo a capacidade industrial do país e promovendo o crescimento sustentável, alinhando a Nigéria aos objetivos globais de transição energética e crescimento verde.
A Nigéria tem um grande potencial em termos de energias renováveis, mas isso permanece subutilizado devido à falta de investimentos, segundo o Climate Parliament.
A Comissão de Energia da Nigéria (ECN) assinou um protocolo de entendimento com a UNIDACO Limited, uma empresa sediada em Londres, para um investimento de 100 milhões de euros (cerca de US$ 116,2 milhões) destinado à transição energética do país. Este acordo foi assinado durante o "Renewed Hope Global Dialogue – UK Edition", um fórum internacional dedicado à promoção de parcerias globais e oportunidades de investimento na Nigéria.
De acordo com o comunicado da presidência nigeriana divulgado na quarta-feira, 29 de outubro de 2025, espera-se que este investimento ajude a expandir a produção de energias renováveis, fortalecer a capacidade industrial do país e promover o crescimento sustentável como parte do programa "Renewed Hope", uma política transformadora que pretende reposicionar a Nigéria como um destino preferido de investimento global.
"Esta parceria destaca a determinação da Nigéria em explorar energias limpas como motor de crescimento industrial, criação de empregos, e em termos mais amplos atingir um PIB de 1 trilhão de dólares até 2030", afirma o comunicado.
Segundo o Climate Parliament, uma rede global de parlamentares comprometidos com o clima, a Nigéria tem um potencial considerável em termos de energias renováveis (solar, eólica, hidroelétrica e biomassa), que continua subutilizado. De fato, o setor enfrenta várias barreiras, como falta de investimentos, infraestrutura de rede nacional deficiente e a complexidade dos processos de aprovação regulatória.
Para superar este déficit, a organização acredita que investimentos financeiros, desenvolvimento de infraestrutura e forte apoio legislativo são necessários. Acrescenta que estas reformas permitirão não só ao país mais populoso da África sustentar seu crescimento econômico através da criação de empregos e desenvolvimento da indústria manufatureira local, mas também alinhar a Nigéria aos objetivos globais de transição energética e crescimento verde.
Vale salientar que o país tem como objetivo alcançar a neutralidade de carbono até 2060. Para atingir este objetivo, o governo implementou o Plano de Transição Energética (ETP) para estabelecer um cronograma e um quadro para alcançar a redução de emissões em cinco setores-chave, incluindo energia, culinária, petróleo e gás, transportes e indústria.
Lydie Mobio
A dívida pública da Zâmbia é estimada em US$ 21,4 bilhões ao final de 2024, segundo FMI
Ministro das Finanças informou que as negociações para sua reestruturação estão encerradas e cada país participante já se comprometeu a cumprir as condições acordadas
A dívida pública da Zâmbia está estimada em US$ 21,4 bilhões ao final de 2024, conforme relatório do FMI. O ministro das Finanças revelou que as negociações para a reestruturação da dívida foram concluídas, com cada país participante já comprometido a cumprir as condições estabelecidas.
Em uma coletiva de imprensa, o ministro das Finanças e do Planejamento Nacional da Zâmbia, Situmbeko Musokotwane, anunciou que o país concluiu 94% da reestruturação de sua dívida, acrescentando: “Passamos de 44% para 57% na assinatura oficial de acordos bilaterais.”
Conforme divulgado em um tweet da conta do Ministério das Finanças em 28 de outubro de 2025, ele esclareceu que todos os países participantes já se comprometeram, por meio de um memorando de entendimento (MoU), a respeitar as condições acordadas. Além disso, as negociações estão concluídas. Agora, resta apenas cumprir com as formalidades processuais, isto é, traduzir as condições acordadas em documentos jurídicos oficiais.
A declaração ocorre após o secretário do Tesouro, Felix Nkulukusa, anunciar em 27 de outubro que um terço está pronto para assumir a dívida do país junto à Afreximbank, o banco africano de importação e exportação, abrindo caminho para um acordo após meses de impasse.
De fato, a Afreximbank recusou participar da reestruturação nas mesmas condições que outros credores, reivindicando seu status de credor preferencial, onde, mesmo quando um país renegocia sua dívida, essas instituições devem ser prioridade no pagamento e não podem ser forçadas a reduzir ou adiar suas dívidas.
Por mais de um ano, o governo da Zâmbia e seus credores não chegaram a um acordo sobre a inclusão da Afreximbank na reestruturação da dívida em pé de igualdade com outros credores. Tal posição poderia bloquear a saída oficial do país do estado de inadimplência, uma vez que é necessário que todos os credores estejam alinhados para que a inadimplência seja considerada regularizada.
Lembre-se de que Lusaka está em plena reestruturação de sua dívida pública depois de dar um calote em seus Eurobonds e acumular atrasos de pagamento para seus credores bilaterais oficiais e outros credores comerciais externos em 2020. Para atingir a reestruturação de sua dívida, o país tem se beneficiado, desde 2022, de um programa de US$ 1,3 bilhão do FMI para financiar suas reformas econômicas.
Segundo a instituição financeira, a dívida pública da Zâmbia é considerada sustentável, mas ainda está exposta a um alto risco de superendividamento interno e externo.
Vale ressaltar que a dívida externa pública e garantida pelo Estado (PPG) da Zâmbia, em uma base contratual, alcançou US$ 21,4 bilhões ao final de 2024.
De 4 a 7 de novembro de 2025, Brazzaville sediará a 4ª Conferência e Exposição sobre Conteúdo Local, uma reunião significativa para os principais players do desenvolvimento econômico africano.
O evento é co-organizado pelo Ministério dos Hidrocarbonetos do Congo, a Associação dos Países Africanos Produtores de Petróleo (APPO), a empresa estatal de petróleos do Congo (SNPC) e o Nigerian Content Development and Monitoring Board (NCDMB).
De 4 a 7 de novembro de 2025, Brazzaville sediará a 4ª Conferência e Exposição sobre Conteúdo Local. Trata-se de um evento de grande importância para os participantes do desenvolvimento econômico africano, co-organizado pelo Ministério dos Hidrocarbonetos do Congo, a Associação dos Países Africanos Produtores de Petróleo (APPO), a Companhia Nacional de Petróleos do Congo (SNPC) e o Nigerian Content Development and Monitoring Board (NCDMB). Consequentemente, o evento torna-se um importante palco para a expertise e o know-how africanos.
Sob o tema "Melhoria da qualidade de bens e serviços locais: uma alavanca estratégica para maximizar a participação africana na indústria", a conferência destacará a importância do conteúdo local como motor de crescimento, criação de empregos e transferência de habilidades no continente. Será também uma plataforma de trocas e oportunidades para os atores da indústria.
Ao longo de quatro dias, tomadores de decisão públicos, investidores, empresas locais e instituições financeiras reunir-se-ão no Grand Hôtel de Kintélé para pensar, compartilhar e construir soluções concretas. Painéis de alto nível, exposições de produtos e serviços locais, bem como encontros B2B, ajudarão a valorizar os talentos africanos e a incentivar parcerias estratégicas entre operadores locais e internacionais, posicionando o Congo como uma vitrine principal da excelência africana.
A escolha de Brazzaville para sediar esta 4ª edição mostra a vontade do Congo de promover um conteúdo local forte e competitivo, não só no setor petrolífero, mas também em outras áreas chave da economia. O objetivo é claro: encorajar empresas e trabalhadores nacionais a se posicionar como atores fundamentais nas cadeias de valor industriais africanas. Um passo decisivo para uma industrialização inclusiva.
Ao colocar a qualidade e competência local no centro do debate, a edição de 2025 tem como objetivo transformar o conteúdo local em uma verdadeira alavanca de soberania econômica. A África não quer apenas consumir, mas produzir, transformar e exportar com seus próprios recursos, conhecimentos e talentos.
Anúncio do Primeiro Ministro Ousmane Sonko sobre redução dos preços da energia e combustíveis provoca queda nos títulos do Senegal em mercados internacionais.
Medida popular gera preocupação de investidores e do Fundo Monetário Internacional (FMI), atualmente em missão em Dakar.
A decisão do Primeiro Ministro Ousmane Sonko evidencia a vontade de um executivo sob pressão de impulsionar o poder aquisitivo. Porém, também ilustra a delicada linha sobre a qual Senegal avança: a de um país em busca de credibilidade financeira, ao mesmo tempo que tenta preservar a paz social.
Os títulos do Senegal caíram na terça-feira, 28 de outubro de 2025, nos mercados internacionais, ao dia seguinte do anúncio do Primeiro Ministro Ousmane Sonko de uma próxima redução nos preços da eletricidade e combustíveis. Uma medida popular, mas que já desperta preocupação entre investidores e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que está atualmente em missão em Dakar.
Um grande passo social, porém, de alto risco fiscal
O chefe do governo senegalês prometeu, na segunda-feira à noite, "reduzir nos próximos dias os custos da energia" para as famílias. Uma decisão apresentada como um "alívio necessário" diante do alto custo de vida. Mas este anúncio ocorre quando o país enfrenta um período de forte tensão em suas finanças públicas, e negocia um novo programa de ajuda com o FMI.
Como resposta, os eurobonds senegaleses caíram: o empréstimo em euros com vencimento em 2028 perdeu quase 2 centavos, estabelecendo-se em 82,9 centavos, enquanto o em dólares com vencimento em 2033 recuou mais de um centavo para 69,3 centavos. Sinais interpretados como uma perda momentânea de confiança dos mercados.
O FMI defende a eliminação progressiva dos subsídios
Há vários meses, o FMI exorta Dakar a reduzir progressivamente os subsídios à energia, que pesam muito no orçamento. O governo, por sua vez, garante querer redirecionar os gastos para os setores produtivos sem aumentar a dívida.
Porém o anúncio de Sonko, durante a visita dos representantes do Fundo, surpreendeu muitos observadores. O FMI queria ver um ajuste explícito nas tarifas para tornar o sistema mais sustentável.
Uma dívida no centro das preocupações
O índice dívida/PIB do Senegal agora ultrapassa 130%, após a descoberta de dívidas não declaradas pela administração anterior. O país busca adquirir uma isenção do FMI para possuir um novo programa após a suspensão de seu antigo programa de 1,8 bilhão de dólares, no início deste ano.
No início de outubro, as autoridades reconheceram ter aumentado suas projeções de serviço da dívida em mais de 3200 bilhões de francos CFA (5,66 bilhões de dólares). Para 2026, a projeção é de aproximadamente 5490 bilhões de CFA, contra uma estimativa anterior menor.
Balanceando a equação social e a rigor econômico
Politicamente, essa anunciada redução nos preços da energia poderia aliviar parte do descontentamento social. Mas coloca o governo diante de um dilema: responder à demanda popular sem comprometer os equilíbrios macroeconômicos.
Para Dakar, a prioridade agora será convencer seus parceiros internacionais de que a justiça social e a disciplina fiscal podem caminhar lado a lado.
Fiacre E. Kakpo
(MEDIAMANIA)-La Tribune Afrique celebrará 10 anos em 2026. Nesta ocasião, La Tribune decidiu reforçar a sua oferta editorial no continente africano, firmando uma parceria estratégica com a Agência Ecofin, referência no jornalismo econômico em África. Em 2016, La Tribune lançou La Tribune Afrique, com o objetivo de oferecer uma leitura aprofundada dos desafios econômicos e chaves de compreensão capazes de desenvolver e consolidar os laços que unem os dois continentes.
Destinada aos atores públicos e privados, essa proposta foi fortalecida em 2021 com a criação do Fórum Europa-África, que reúne anualmente cerca de mil decisores. Sob o alto patrocínio do Presidente da República, este evento de destaque, organizado todos os meses de maio em Marselha, continuará a ganhar projeção, recebendo em 2026 a Costa do Marfim como país convidado de honra, após o Marrocos em 2025.
É nesta dinâmica que La Tribune Afrique se insere hoje, trabalhando para o desenvolvimento das trocas econômicas entre os dois continentes e para a aproximação dos seus interesses. O veículo oferecerá aos atores econômicos europeus, públicos e privados, uma visão da África documentada, construtiva e orientada para as oportunidades. Permitirá igualmente que os atores africanos compreendam melhor a evolução dos mercados europeus, suas regras e necessidades.
Ainda mais conteúdos no site e nas redes sociais
Apoiada na redação da Agência Ecofin e nos seus 53 jornalistas permanentes, que há mais de 15 anos cobrem a atualidade dos principais setores econômicos africanos (Finanças, Agricultura, Tecnologia, Energia, Mineração, Transportes, etc.), La Tribune Afrique passará a publicar diariamente cerca de quinze artigos exclusivos dedicados à atualidade dos mercados e às grandes tendências econômicas do continente, além de uma ampla oferta de conteúdos nas redes sociais.
Uma audiência internacional
Composta por decisores políticos e econômicos francófonos — sendo 75% provenientes dos 54 países africanos e 25% de público europeu —, mais de 600 mil pessoas acessam mensalmente o site de La Tribune Afrique, 30 mil assinam a newsletter e 900 mil seguem as suas redes sociais. Graças à presença das equipas da Ecofin em seis escritórios no continente (Abidjan, Yaoundé, Cotonou, Lomé, Túnis e Kinshasa), e com esta nova etapa do seu desenvolvimento, La Tribune tem como ambição duplicar a sua audiência até 2026.
Novas oportunidades para os anunciantes
Para fortalecer sua estratégia comercial, La Tribune Afrique contará também com as equipas da Ecofin, que, no âmbito desta parceria, passarão a gerir a comercialização das ofertas publicitárias do site de La Tribune Afrique, incluindo campanhas display e artigos de brand content.
“Num momento em que o continente acelera a sua transformação, a África pode, graças ao seu dinamismo demográfico, à vitalidade dos seus atores econômicos e culturais e, apoiando-se nos seus recursos naturais em energia e matérias-primas, posicionar-se no centro das transições globais. Primeiro meio econômico nacional enraizado nos territórios, La Tribune conta com mais de 40 jornalistas, metade deles nas regiões, e um escritório em Casablanca. Esta parceria com a Agência Ecofin marca uma etapa importante da nossa estratégia em África. A qualidade da sua cobertura jornalística, a presença no terreno e a sua expertise setorial permitirão enriquecer ainda mais La Tribune Afrique, oferecendo aos nossos leitores e parceiros uma plataforma de referência.” Jean-Christophe Tortora, Presidente de La Tribune.
“La Tribune é um dos títulos mais antigos e respeitados da imprensa francesa. Sentimo-nos honrados pela confiança que o grupo CMA Média deposita na nossa jovem redação africana. Contar a evolução das trocas econômicas entre a África e a Europa é um desafio apaixonante que abraçamos com grande entusiasmo.” Benjamin Flaux, Diretor-Geral da Agência Ecofin.
Sobre La Tribune
Há 40 anos, La Tribune (CMA MEDIA – Grupo CMA CGM) tem como objetivo ser o mídia de referência da economia e das transições, oferecendo aos seus 2 milhões de leitores mensais uma visão antecipada e promovendo a compreensão dos grandes desafios que a economia e a sociedade enfrentam. Sob o impulso da sua redação, La Tribune organiza ainda cerca de 40 eventos por ano em toda a França, entre os quais o Fórum Europa-África em Marselha. Desde há dois anos, La Tribune publica também todos os domingos La Tribune Dimanche, o novo jornal generalista do sétimo dia, que reúne semanalmente mais de 350 mil leitores.
Sobre a Agência Ecofin
A Agência Ecofin cobre há quase 15 anos a atualidade dos principais setores econômicos africanos. A sua redação é composta por 53 jornalistas africanos, distribuídos principalmente em seis escritórios. Em maio passado, foi lançada a versão em inglês, Ecofin Agency, e em outubro a versão em português, Agência Ecofin, com o objetivo de cobrir todo o continente. A Agência dispõe ainda de uma área premium, a Ecofin Pro, que inclui uma bibliotèca de documentos com 12.000 relatórios e estudos sobre as economias africanas e duas importantes bases de dados: Investimentos Diretos e Projetos Mineiros.

Novo governo malgaxe liderado pelo primeiro-ministro Herintsalama Rajaonarivelo deve implementar a "política de reforma" anunciada pelo coronel Michaël Randrianirina, com foco em urgências sociais e econômicas
Declaração oficial do presidente de transição de Madagascar e formação de novo governo ocorreram poucos dias após sua posse
O novo executivo de Madagascar, liderado pelo primeiro-ministro Herintsalama Rajaonarivelo, terá a tarefa de implementar a "política de reforma" anunciada pelo coronel Michaël Randrianirina, priorizando as urgências sociais e econômicas.
Poucos dias após sua posse, na terça-feira, 28 de outubro de 2025, o presidente de transição de Madagascar, o coronel Michaël Randrianirina, oficializou, por decreto presidencial, a composição de seu governo. O primeiro-ministro Herintsalama Rajaonarivelo liderará uma equipe de 29 membros, incluindo 10 mulheres e 19 homens.
Os portfólios relacionados à Segurança e Defesa foram atribuídos a oficiais das forças armadas, enquanto os demais departamentos foram confiados a civis. A nova equipe terá como missão implementar a "política de reforma" anunciada pelo presidente, priorizando a resposta a urgências sociais e a recuperação dos setores econômicos.
A formação do governo ocorre em um contexto de transição marcado pela ascensão do poder militar em 14 de outubro, após várias semanas de manifestações do movimento jovem "Geração Z". Essas mobilizações, desencadeadas por falta de água e energia elétrica, bem como pela deterioração das condições de vida, levaram ao impeachment do presidente Andry Rajoelina por "abandono de cargo", após sua fuga para o exterior.
Diante desses acontecimentos, a União Africana (UA) suspendeu Madagascar de suas instituições, exigindo um rápido retorno à ordem constitucional, enquanto a ONU e a SADC pedem um diálogo inclusivo entre as partes.
Do ponto de vista econômico, a agência S&P Global Ratings colocou a nota soberana do país "B-/B" sob vigilância negativa, alegando que a instabilidade política compromete o crescimento e a disciplina fiscal. As previsões de crescimento para 2025-2026 foram revisadas para baixo, para 3% comparado a 4,1% anteriormente.
Ingrid Haffiny (estagiária)
US$ 419 milhões serão alocados para dois programas da ONU, visando acelerar a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na Etiópia.
Os programas combaterão disparidades regionais, promoverão a resiliência, reforçarão o desenvolvimento humano e avançarão a igualdade de gênero.
Estes programas nacionais concentrar-se-ão em diversas áreas chave: fortalecer o desenvolvimento humano, promover o avanço da igualdade de gênero, combater disparidades geográficas e promover a resiliência.
O Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com o Ministério das Finanças da Etiópia, lançaram conjuntamente dois programas na segunda-feira, 27 de outubro de 2025, para o período de 2025-2030.
Evaluados em US$ 419,34 milhões, estes programas têm como objetivo acelerar a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no país.
O programa da UNFPA, com um orçamento de US$ 140,04 milhões, busca melhorar a saúde sexual e reprodutiva, combater a violência de gênero e promover os direitos das mulheres e dos jovens. Ele tem como objetivo mais de 21 milhões de mulheres e jovens espalhados por dez regiões do país.
O programa do PNUD, por sua vez, estimado em US$ 279,3 milhões, foca na governança, crescimento inclusivo, resiliência climática e inovação, com especial atenção à inteligência artificial e emprego para os jovens.
"Os novos programas nacionais são desenhados de acordo com o plano de desenvolvimento decenal da Etiópia e a reforma econômica local 2.0, o que reflete nossa estreita colaboração com o sistema das Nações Unidas para contribuir com os compromissos nacionais e internacionais de desenvolvimento", declarou a ministra de Estado das Finanças, Semereta Sewasew.
Segundo dados do Banco Mundial, com uma população estimada em 132 milhões de habitantes em 2024, a Etiópia é o segundo país mais populoso da África. Apesar de um crescimento econômico sustentado de 8,1% em 2023/2024, enfrenta grandes desafios econômicos e sociais, incluindo o desemprego.
De fato, a economia precisa criar cerca de 1,8 milhão de empregos por ano para absorver os novos ingressantes no mercado de trabalho. O índice de desenvolvimento humano, estimado em 0,38, permanece baixo, e a renda per capita é de 1020 dólares.
Desde 2018, uma série de choques, como a seca, as invasões de gafanhotos, a covid-19 e a guerra no Tigré, afetou cerca de 91% das residências.
Vale lembrar que em 2022, o PNUD-Etiópia desenvolveu uma estratégia nacional para a igualdade de gênero, cobrindo o período 2022-2025.
Ingrid Haffiny (estagiária)
O primeiro-ministro senegalês, Ousmane Sonko, promete reduções nas tarifas de eletricidade, gás e produtos petrolíferos para aliviar as famílias senegalesas.
Após o anúncio, os títulos senegaleses caíram imediatamente.
O anúncio de Ousmane Sonko de reduzir os preços da eletricidade, do gás e dos combustíveis visa aliviar as famílias senegalesas. No entanto, esta decisão, saudada do ponto de vista social, provocou um recuo imediato dos títulos do país.
Na segunda-feira, 27 de outubro, o Primeiro Ministro senegalês, Ousmane Sonko (foto), detalhou sua vontade de reorientar os gastos públicos para responder às preocupações sociais. Ele prometeu reduções "nos próximos dias" nas tarifas de eletricidade, gás e produtos petrolíferos.
Este anúncio ocorre após várias semanas de tensão em torno do custo da energia. Em 17 de outubro, consumidores e representantes de pequenas e médias empresas protestaram contra os aumentos de tarifas e a falta de transparência no sistema de precificação.
As famílias, das quais 72% utilizam medidores pré-pagos, afirmam que seus créditos de eletricidade se esgotam mais rapidamente, aumentando a pressão sobre a renda familiar. Para as pequenas empresas, o aumento do preço da energia repercute diretamente no custo dos bens de primeira necessidade.
Além disso, Dakar também conta com a entrada em produção do gás natural para reduzir os custos estruturais de energia e aumentar a competitividade das empresas locais.
No entanto, o timing do anúncio surpreendeu os investidores. Ele ocorre quando uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) está em Dakar para negociar um novo programa de empréstimos, após a suspensão de um acordo anterior de 1,8 bilhão de dólares, ligado à descoberta de "dívidas não declaradas".
O FMI vê os subsídios à energia como um fator de desequilíbrio fiscal, pois aumentam a dívida pública, especialmente em um contexto em que a urgência é conter uma proporção dívida/PIB acima de 100%. Ao prometer reduções de preços, o governo está, portanto, indo na contramão desta exigência.
Os mercados reagiram rapidamente. O eurobond 2028 depreciou 2 centavos e ficou em 82,88 centavos por euro, enquanto o título em dólares com vencimento 2033 recuou para 69,32 centavos. Os investidores temem que esta política resulte em um retorno dos gastos de subsídio e comprometa o reequilíbrio fiscal.
O governo terá agora que provar que esta medida não contraria seus compromissos macroeconômicos. Se conseguir financiar a redução das tarifas por meio de uma melhor alocação orçamentária e não por meio de gastos adicionais, a credibilidade financeira do país poderá ser preservada.
No entanto, a mensagem enviada permanece ambígua, pois responder a uma emergência social é politicamente necessário, mas tranquilizar os mercados também o é. O Senegal agora se equilibra entre justiça social e rigor fiscal.
Olivier de Souza
A COP30 será inaugurada no Brasil em 10 de novembro. À medida que a data se aproxima, tornam-se mais frequentes os apelos para intensificar a ação climática.
A boa notícia é que os Estados estão se mobilizando novamente em torno da questão climática; a notícia não tão boa é que este impulso pode não ser suficiente para atingir os objetivos estabelecidos. Em suma, esta é a principal conclusão do último relatório do secretariado das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas (UNFCCC).
O documento publicado nesta terça-feira, 28 de outubro, compila as Contribuições Determinadas a Nível Nacional (NDCs), submetidas entre 1º de janeiro de 2024 e 30 de setembro de 2025 por 64 países signatários do Acordo de Paris de 2015, representando cerca de 30% das emissões globais de 2019.
Embora os autores admitam que "não é possível tirar conclusões ou inferências de amplitude global a partir deste conjunto limitado de dados", eles acreditam que uma redução nas emissões globais de gases de efeito estufa até 2035 é viável.
No cenário em que os planos anunciados seriam plenamente implementados, as emissões deveriam diminuir cerca de 10% até o final da próxima década em relação aos níveis de 1990.
Esta é a primeira vez que a UNFCCC prevê uma queda nas emissões globais de gases de efeito estufa, cujas concentrações na atmosfera têm aumentado constantemente desde 1990. Adicionalmente, a agência das Nações Unidas indica que as NDCs estão se tornando mais qualitativas e críveis.
"Cada vez mais os países estão adotando uma abordagem global para a economia e a sociedade, com 89% deles estabelecendo objetivos em escala econômica. A adaptação e a resiliência estão ganhando cada vez mais importância. Quase três quartos (73%) das novas NDCs incluem elementos de adaptação", aponta o relatório.
Apesar desses resultados encorajadores, o relatório destaca que os esforços ainda são insuficientes para colocar o mundo em um caminho compatível com a limitação do aquecimento a 2 °C — ou até 1,5 °C — em relação aos níveis pré-industriais, de acordo com os objetivos do Acordo de Paris.
"Para se alinhar às trajetórias globais modeladas para limitar o aquecimento a 1,5 °C (com uma probabilidade superior a 50% até 2100) sem ou com um excesso limitado, bem como aquelas destinadas a limitar o aquecimento a 2 °C (com uma probabilidade superior a 67%), as emissões de gases de efeito estufa (GEE) deverão ser reduzidas por 60% (entre 49% e 77%) até 2035 em relação ao nível de 2019, e por 35% (entre 22% e 55%) para o objetivo de 2 °C", explicam os autores.
Duas semanas antes do lançamento da COP30 sobre o aquecimento global, que será realizada em Belém (Brasil) de 10 a 21 de novembro, este relatório aumenta ainda mais a pressão sobre os 196 países que deverão se reunir lá.
Ao longo dos últimos meses, tanto o governo brasileiro quanto as organizações da sociedade civil têm intensificado os apelos por avanços concretos ao final desta cúpula que ocorrerá em um contexto no qual os Estados Unidos, o segundo maior poluidor do mundo com quase 12% das emissões globais após a China, deixaram o Acordo de Paris.
Esperança Olodo