Investimento inicial do projeto é de 8 bilhões de rands (cerca de US$ 460 milhões) da Growthpoint Properties
Projeto visa intensificar a conectividade aérea e logística da África do Sul, consolidando a posição do país como hub aeroportuário regional
O projeto do Aeroporto de Cape Winelands visa fortalecer a conectividade aérea e logística na África do Sul, consolidando a posição do país como um hub aeroportuário regional.
O projeto do aeroporto em Cape Winelands na África do Sul recebeu um investimento inicial de 8 bilhões de rands (cerca de US$ 460 milhões) da Growthpoint Properties, o principal fundo de investimento imobiliário do país. O plano é criar uma cidade industrial e aeroportuária equipada com instalações hoteleiras, para fortalecer a conectividade da província de Western Cape.
Um aeroporto privado será desenvolvido em várias fases no local do antigo aeródromo conhecido como Fisantekraal, com o objetivo de acomodar mais de 5 milhões de passageiros por ano até 2050. O início das obras está previsto para o início de 2026, sujeito à aprovação após a avaliação de impacto ambiental.
Quando estiver em funcionamento, o complexo também ajudará a apoiar o crescente setor de turismo da África do Sul, absorvendo os fluxos de chegada atualmente concentrados nos aeroportos OR Tambo (Johannesburg) e Cape Town, que processam mais de 70% do tráfego anual global. O governo prevê aumentar o número de chegadas de turistas para 21 milhões até 2030.
O projeto também responde à vontade da África do Sul de estar à frente na aviação civil no continente. O país enfrenta desafios nesta área de estados como a Etiópia, Quênia e Angola, que também estão implementando planos de investimento para expandir suas infraestruturas.
Henoc Dossa
Com melhorias notáveis na capacidade operacional de seus principais portos, a África do Sul vem progredindo em termos de performance logística. Esse crescimento tem sido estimulado, entre outros fatores, pelos investimentos da Transnet em equipamentos portuários.
Para a temporada de citros encerrada em setembro de 2025, a Transnet relatou um aumento de atividade em seus principais terminais de contêineres, que apresentaram números superiores aos de 2024. A temporada se encerrou com um aumento de 19% no volume de exportações, o que resultou em um aumento no fluxo tratado no terminal polivalente de Durban (+131,6%), no píer 2 do terminal de contêineres de Durban (+28,8%) e no terminal de contêineres do Cabo (+27,4%).
De acordo com a autoridade portuária, esse desempenho é fruto da melhoria da capacidade operacional dos terminais nos últimos meses. A Transnet afirmou ter investido 3,4 bilhões de rands (cerca de US$ 196 milhões) em equipamentos no último ciclo financeiro, incluindo novos sistemas de movimentação. Para o ciclo atual, está sendo executado um novo programa de investimentos de 4 bilhões de rands que abrange os cinco principais terminais.
Ainda assim, o "Índice de Desempenho dos Portos de Contêineres" (CPPI), publicado em setembro de 2025 pelo Banco Mundial e pela S&P Global, ainda classifica as plataformas sul-africanas nas últimas colocações. No entanto, o índice aponta melhorias notáveis na movimentação e no tempo de permanência dos navios nos complexos de Cape Town, Durban e Coega (Ngqura).
"De acordo com os dados mais recentes fornecidos pela Transnet, entre meados de 2024 e agosto de 2025, a ancoragem de navios nos portos sul-africanos diminuiu cerca de 75%, os movimentos brutos da grua por hora melhoraram 13% e os movimentos de trabalho dos navios aumentaram 25%. Tomadas em conjunto, estas reformas e investimentos direcionados também ajudaram os portos sul-africanos a lidar com o choque do Mar Vermelho em 2024", indica o relatório.
Impulsionado pelo crescimento do e-commerce e pela intensificação do fluxo de mercadorias, o mercado logístico africano está experimentando um crescimento que coloca pressão sobre as redes de distribuição. Há uma demanda crescente por armazéns modernos, equipamentos logísticos e soluções de entrega de última milha.
De acordo com declarações atribuídas ao CEO da DHL Express Worldwide, John Pearson, pelo Bloomberg, o grupo logístico planeja investir 300 milhões de euros (cerca de 350 milhões de dólares) em armazéns e outras infraestruturas logísticas na África. “O valor do comércio no continente aumentou 10% apesar da guerra comercial conduzida pelo presidente americano Donald Trump. A África poderia se tornar a segunda maior região em termos de valor de comércio dentro de quatro anos”, conclui.
A iniciativa incluirá DHL Express, DHL Global Forwarding e DHL Supply Chain para fortalecer as capacidades de serviço em setores chave como e-commerce, bens perecíveis, energia, entre outros. O e-commerce, em particular, está experimentando um crescimento notável, especialmente desde a crise da Covid-19. O tamanho desse mercado na África deverá superar os 75 bilhões de dólares até o final de 2025, segundo o relatório “Africa Industrial Market Dashboard - H1 2025” publicado no início de setembro pela consultoria Knight Frank.
Essa dinâmica está pressionando as redes de distribuição e gerando uma necessidade adicional de instalações logísticas e equipamentos de entrega de última milha. Outro relatório do Banco Mundial intitulado “Transport connectivity for food security in Africa: strengthening supply chains” indica que o mercado de armazéns na África e no Oriente Médio deveria chegar a 131,7 bilhões de dólares até 2030, contra 83,1 bilhões de dólares atualmente.
Henoc Dossa
A gigante americana Walmart abrirá suas primeiras lojas próprias na África do Sul até o final de 2025. A decisão segue a aquisição da rede Massmart em 2022 e marca um novo posicionamento estratégico.
As lojas oferecerão alimentos, artigos essenciais, roupas e produtos tecnológicos, além de itens locais de pequenas e médias empresas. A estratégia “Every Day Low Prices” será aplicada ao mercado sul-africano, em concorrência direta com Shoprite, Pick n Pay e Woolworths.
O grupo já anunciou que várias lojas estão em construção e devem ser inauguradas oficialmente em outubro de 2025.