Impulsionada pela entrada em operação de uma nova planta de processamento, a mina Zgounder deu um grande salto em 2025, com um aumento de 193% na sua produção de prata. Este resultado permitiu-lhe, ao mesmo tempo, reformular a hierarquia entre as grandes minas africanas do metal precioso.
Zgounder ultrapassa Imiter
Após vários anos à frente do ranking, o complexo mineiro marroquino Imiter, operado pelo grupo Managem, perdeu em 2025 o título de maior mina de prata da África. Esse posto passa agora para a mina Zgounder, também localizada no Marrocos e operada pela canadense Aya Gold & Silver.
No relatório financeiro publicado em abril de 2026, a Managem indicou que produziu 127 toneladas de prata em Imiter durante o ano fiscal passado, contra 127,7 toneladas em 2024. Ao mesmo tempo, a mina Zgounder registrou um aumento anual de 193%, com uma produção de 4,82 milhões de onças de prata (aproximadamente 149 toneladas). Esse aumento significativo foi principalmente impulsionado pelas melhorias operacionais obtidas com a expansão da sua planta de processamento no final de 2024.
Uma rivalidade crescente entre Imiter e Zgounder
Esse desenvolvimento ocorre no contexto de uma rivalidade crescente entre os dois principais projetos de prata do Marrocos. Por um lado, Imiter, um ativo maduro cuja exploração remonta a 1969, continua a consolidar uma produção estável mesmo décadas após seu início. Por outro lado, Zgounder, que confirma a aceleração dos investimentos realizados desde 2019 pela sua proprietária, Aya Gold & Silver. O grupo prevê agora uma produção anual média de cerca de 6 milhões de onças, com uma vida útil estimada em 11 anos, ou seja, até 2036.
Essa projeção baseia-se em cerca de 73 milhões de onças de reservas minerais, um pouco menos que as 76 milhões de onças estimadas para Imiter. No entanto, Imiter ainda possui uma vida útil restante de cerca de 13 anos. Esses parâmetros deverão influenciar a evolução das dinâmicas operacionais das duas minas nos próximos anos, especialmente considerando que ambos os operadores continuam a ver potencial de crescimento em seus respectivos ativos.
Marrocos, líder africano da prata
Enquanto isso, essas evoluções confirmam a posição do Marrocos como o principal produtor de prata no continente. Embora outros países africanos, como o Zimbábue, a Namíbia e a África do Sul, também contribuam para a oferta do metal precioso, é no Marrocos que se concentra atualmente uma parte significativa da produção de prata africana.
Essas mudanças no setor não só afetam a posição das minas marroquinas, mas também reforçam o Marrocos como um ponto central na produção de prata no continente africano, com perspectivas de crescimento tanto para Zgounder quanto para Imiter nos próximos anos.
Aurel Sèdjro Houenou
O governo egípcio tem grandes ambições para as energias renováveis e a transformação do seu mix energético, dominado por mais de 60% por gás natural, de acordo com o primeiro-ministro Mostafa Madbouly. Este novo acordo visa reforçar a capacidade eólica do país.
O Egito deu mais um passo no desenvolvimento de suas capacidades renováveis. No domingo, 3 de maio, o governo anunciou, em um comunicado, a assinatura de um protocolo de cooperação destinado a financiar um portfólio de projetos, incluindo 4.750 MW de energia eólica e 4.000 MWh de armazenamento por baterias.
Assinado entre a empresa pública Tahya Misr Holding Company, o Ministério da Eletricidade e o Ministério das Finanças, o acordo prevê o desenvolvimento de parques eólicos nas regiões do Golfo de Suez, Ras Shukeir, Galala e Zafarana. O comunicado também indica a instalação de sistemas de armazenamento por baterias em várias regiões, incluindo no sul do Cairo, Damanhur e Wadi El Natrun.
De acordo com o ministro da Eletricidade, Mahmoud Esmat, a Tahya Misr garantirá o financiamento e a implementação dos projetos, com a tarifação da eletricidade em libras egípcias. As instalações devem ser colocadas em operação dentro de dois anos, em coordenação com a empresa pública de transporte de eletricidade.
"A integração dos sistemas de armazenamento por baterias permitirá maximizar a eficiência das energias renováveis, ao mesmo tempo em que garante a estabilidade da rede durante os períodos de alta demanda", acrescentou Mahmoud Esmat.
Acelerar a transição energética no Egito
Este anúncio é acompanhado de um ajuste significativo nas metas nacionais. Em seu comunicado, o governo agora indica que a meta é alcançar uma participação de 45% de energias renováveis no mix elétrico até 2028, em comparação com a meta anterior de 42% até 2030, regularmente mencionada em comunicados anteriores.
A parceria faz parte de uma dinâmica mais ampla de transformação do setor elétrico egípcio. De acordo com a GlobalData, a capacidade solar do país deve passar de cerca de 2,9 GW em 2025 para 34,3 GW em 2035, enquanto a energia eólica pode alcançar 15,1 GW, contra cerca de 3 GW em 2025.
Abdoullah Diop
O governo da Costa do Marfim cria novos marcos regulatórios para o setor bancário e a microfinança
O governo da Costa do Marfim adotou dois projetos de lei destinados a redefinir os quadros regulatórios do setor bancário e da microfinança. As novas legislações introduzem a finança islâmica, regulamentam as operações de moeda eletrônica e reforçam as exigências de governança nas instituições de microfinança.
Reforma do setor bancário e microfinança
Em reunião do Conselho de Ministros na quarta-feira, 29 de abril, o governo marfinense aprovou dois projetos de lei, um relacionado à regulamentação bancária e o outro à microfinança.
Abertura do setor bancário a novos atores
O projeto de lei relativo à regulamentação bancária «introduz, no setor bancário nacional, a finança islâmica, novos atores, como as empresas de tecnologia financeira, incluindo as FinTechs, e novas operações, como aquelas relacionadas à moeda eletrônica, que não estão cobertas pela legislação atual», conforme o relatório do Conselho de Ministros.
O texto reflete as mudanças no ambiente bancário regional e leva em consideração o crescimento das tecnologias financeiras, a inclusão financeira e as necessidades de financiamento da economia. Nesse contexto, amplia o escopo do setor bancário nacional para novos segmentos de atividade.
Essa adaptação busca fornecer uma base jurídica para inovações financeiras já presentes no mercado, ao mesmo tempo em que regula a supervisão desses novos serviços. O governo procura apoiar o surgimento de novos usos financeiros e diversificar a oferta de serviços, especialmente em um cenário onde as soluções digitais ganham cada vez mais importância nas transações e no acesso ao financiamento.
Reforma da microfinança
O segundo projeto de lei trata da reforma do setor de microfinança. O texto «traz correções essenciais para a questão da governança das instituições de microfinança, introduz novos mecanismos de gestão do risco de crédito, controle interno e gestão do sistema de informações, com o objetivo de gerar automaticamente relatórios financeiros confiáveis e conter a deterioração progressiva da qualidade da carteira», afirmou o governo da Costa do Marfim.
A reforma também prevê o fortalecimento dos mecanismos de proteção dos depositantes e de tratamento das instituições em dificuldades. Ao acelerar os procedimentos de intervenção e consolidar as ferramentas de supervisão, as autoridades buscam garantir a estabilidade do setor. Além disso, pretendem restaurar a confiança nesse segmento, que deverá desempenhar um papel cada vez mais importante no financiamento das famílias e das pequenas unidades econômicas.
Com esses dois projetos de lei, a Costa do Marfim busca adaptar seu quadro financeiro às evoluções do mercado regional e consolidar as bases regulatórias necessárias para o desenvolvimento de novos atores, em um contexto de aceleração da transformação dos serviços financeiros na África Ocidental.
A finança islâmica na Costa do Marfim tem mostrado um crescimento notável, impulsionado pela diversificação dos produtos (Ijara, Mourabaha) e o lançamento de novos instrumentos como o Wakf. O Coris Bank Baraka, a janela islâmica do Coris Bank, é um exemplo de inovação no setor.
Chamberline Moko
Esta decisão ocorre enquanto o total da dívida global atingiu 8606,6 bilhões de FCFA (15,3 bilhões de dólares) no final de outubro de 2025. Paralelamente, Libreville iniciou uma auditoria destinada a reconstruir o nível real dos compromissos do Estado.
O Gabão aprovou, durante a reunião do Conselho de Ministros de quinta-feira, 30 de abril, a criação do Comitê Nacional da Dívida Pública (CNDP), por meio da adoção de um decreto que define suas atribuições, organização, funcionamento e formas de convocação.
“O CNDP é o órgão nacional de coordenação, orientação, aconselhamento e controle em matéria de política de endividamento e gestão da dívida pública”, destaca o relatório. Sua criação atende a uma exigência comunitária que ficou sem implementação durante vários anos, apesar da adoção de textos similares em 2013 e 2018, acrescenta o Conselho de Ministros.
O sistema é composto por três entidades complementares. O comitê de coordenação, presidido pelo ministro responsável pela dívida pública, é responsável pela deliberação e tomada de decisões. O comitê técnico examina os projetos de empréstimos, operações de reestruturação e pedidos de garantias, antes de emitir uma opinião. O secretariado permanente, coordenado pela direção-geral da dívida, garante a execução operacional das missões do comitê.
Uma Auditoria para Estabelecer o Nível Real dos Compromissos
Essa reforma ocorre em um contexto de reavaliação da situação financeira do Estado. O governo gabonês também anunciou a criação de uma comissão encarregada de realizar uma auditoria da dívida pública, a fim de estabelecer o nível real dos compromissos do Estado, de acordo com os padrões do manual de estatísticas das finanças públicas e o quadro normativo da CEMAC.
Prevista para um período de dois a três meses, essa auditoria deverá distinguir os compromissos que estão em conformidade com as regras de contabilização da dívida pública daqueles que exigem um tratamento específico, conforme a natureza real dos compromissos assumidos.
De acordo com as autoridades, essa iniciativa responde a vários problemas identificados, como a não execução de certos projetos financiados, a ausência de transferência de certos fundos para as contas do Tesouro Público e falhas contratuais e orçamentárias observadas no período de 2016 a 2023.
Sob a coordenação do Ministro da Economia e Finanças, com o apoio do Fundo Monetário Internacional, essa comissão também deverá estabelecer as bases de uma estratégia destinada a garantir novos financiamentos voltados para infraestrutura básica.
Uma Dívida em Alta Devido às Necessidades de Financiamento
Essa reestruturação ocorre enquanto os indicadores de endividamento do Gabão mostram um aumento. De acordo com dados da direção-geral da dívida, o total global passou de 7133 bilhões de FCFA para 8606,6 bilhões de FCFA (15,3 bilhões de dólares) no final de outubro de 2025, representando um aumento de 1473 bilhões de FCFA em dez meses.
Esse aumento de 20,6% reflete o maior recurso do Estado ao endividamento para atender às suas necessidades de financiamento. A dívida interna representa a maior parte, com um total de 4391,9 bilhões de FCFA, enquanto a dívida externa é de 4214,8 bilhões de FCFA. A criação do CNDP e o lançamento da auditoria demonstram, portanto, uma vontade de retomar o controle sobre a trajetória de endividamento do país.
Chamberline Moko
Na Nigéria, o setor de pecuária contribui com 35% para o PIB agrícola e ocupa um papel estratégico na economia rural. Em um contexto marcado pela persistência de doenças animais, as autoridades desejam modernizar os serviços veterinários e limitar os riscos sanitários.
Na Nigéria, um plano nacional de 10 anos para fortalecer a gestão da saúde animal e modernizar os serviços veterinários no período de 2026 a 2036 foi aprovado durante um workshop organizado pelo Ministério do Desenvolvimento da Pecuária, realizado de 28 a 30 de abril em Abuja.
De acordo com um comunicado publicado no site do ministério, este plano visa melhorar a vigilância das doenças animais, fortalecer as capacidades dos laboratórios veterinários, desenvolver sistemas de vacinação e modernizar os mecanismos de identificação e rastreabilidade do gado.
Como parte dessa estratégia, as partes interessadas adotaram várias resoluções sobre o fortalecimento das capacidades institucionais, a criação de mecanismos de financiamento sustentáveis e a melhoria dos sistemas de notificação de doenças. Também está prevista a elaboração de uma estratégia nacional coordenada de vacinação entre os estados, a expansão das parcerias público-privadas na cadeia de valor da pecuária, além da transformação digital e uma abordagem integrada das questões de saúde animal, humana e ambiental.
"Este plano fornece uma visão clara e prospectiva para construir um sistema veterinário moderno, resiliente e conforme com as normas internacionais, que apoia a produtividade da pecuária, protege a saúde pública e facilita o comércio seguro", afirmou Idi Mukhtar Maiha, Ministro do Desenvolvimento da Pecuária.
Esta medida ocorre em um momento em que a Nigéria enfrenta um aumento dos casos de febre carbúnculo (também conhecida como antraz) após mais de um ano sem grandes surtos. Trata-se de uma infecção bacteriana que afeta principalmente o gado (bovinos, ovelhas, cabras, cavalos).
Em 2 de abril, as autoridades nigerianas informaram à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) sobre o aparecimento de um novo surto da doença em uma criação doméstica no estado de Zamfara. Antes disso, a Nigéria não havia reportado um surto significativo de antraz desde janeiro de 2025.
Uma situação zoossanitária mais preocupante?
Além do antraz, que está atualmente no centro das atenções sanitárias no setor de pecuária na Nigéria, outras doenças animais continuam a representar uma ameaça significativa para o desenvolvimento do setor, com distribuição variada conforme as regiões e os sistemas de produção.
Em seu último relatório sobre o desempenho do setor agrícola, o Serviço Nacional de Extensão Agrícola e Ligação para Pesquisa (NAERLS) já traçava um quadro preocupante da situação sanitária do rebanho nacional em 2024. Segundo o documento, os bovinos continuam particularmente expostos à pneumonia contagiosa bovina (CBPP), febre aftosa (FMD) e tuberculose bovina, que foram relatadas em várias regiões do país.
Os pequenos ruminantes, como cabras e ovelhas, são fortemente afetados pela peste dos pequenos ruminantes (PPR), com surtos registrados nas regiões Centro-Norte, Nordeste e Noroeste.
Na avicultura, a doença de Newcastle (NCD) aparece como a patologia mais comum, relatada em praticamente todas as regiões do país em 2024. Os produtores também enfrentam episódios recorrentes de gripe aviária altamente patogênica (HPAI), cólera aviária, doença de Gumboro (IBD), tifo aviário e doenças respiratórias crônicas (CRD), dependendo da região.
A suinocultura também não está imune. O relatório do NAERLS mencionou também casos de peste suína africana (ASF), principalmente no Centro-Norte, enquanto diversas doenças parasitárias continuam a afetar os rebanhos no Nordeste.
Resta saber em que medida o novo plano anunciado será capaz de reduzir de forma sustentável a vulnerabilidade sanitária do rebanho nigeriano nos próximos anos.
Stéphanas Assocle
Com o aumento dos preços do petróleo desde o início da guerra no Irão, a fatura de importação de produtos petrolíferos de vários países africanos tem aumentado. Na UEMOA, a disparidade entre os países que ajustaram os preços nas bombas e aqueles que ainda absorvem o impacto da subida continua a crescer.
Em dois decretos distintos publicados na quinta-feira, 30 de abril, a Costa do Marfim e o Benim anunciaram novos preços para os produtos petrolíferos, aplicáveis a partir de 1 de maio de 2026. Estes dois países juntam-se ao Mali e à Guiné-Bissau entre os membros da União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA) que já aumentaram os preços dos hidrocarbonetos desde o início da guerra no Irão e o impacto desta no mercado internacional de petróleo.
Desde o início do conflito, em fevereiro, pelos Estados Unidos, os preços do Brent e do petróleo norte-americano de referência (WTI) subiram cerca de 60% em relação ao nível pré-guerra, sendo negociados regularmente acima dos 100 dólares por barril. A perturbação do tráfego marítimo no estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, tem contribuído para o aumento dos preços, o que naturalmente eleva os custos de importação para os países dependentes das importações externas.
Preços em alta em quatro países
Como em outras partes do mundo, vários governos da UEMOA se veem obrigados a decidir entre o equilíbrio orçamental e a manutenção do poder de compra das populações. Depois de manterem os preços anteriores à guerra em abril, as autoridades da Costa do Marfim fixaram o preço da gasolina sem chumbo em 875 FCFA (1,56 dólares) por litro para o mês de maio, contra 820 FCFA anteriormente. O petróleo lampante também seguiu essa tendência, subindo de 705 para 745 FCFA o litro.
No Benim, o ajuste foi mais moderado. A gasolina e o gasóleo aumentaram apenas 30 FCFA cada, levando os seus preços a 725 e 750 FCFA por litro, respetivamente. O petróleo lampante, no entanto, teve um aumento considerável, passando de 639 para 1040 FCFA, o que representa uma subida superior a 60%.
Antes dessas alterações no Benim e na Costa do Marfim, o Mali já tinha decidido, em março, aumentar os preços dos combustíveis, como reação ao conflito no Médio Oriente. A gasolina passou de 775 para 875 FCFA o litro (um aumento de 12%) e o gasóleo de 725 para 940 FCFA (um aumento de 29%). Estas revisões ocorrem num contexto particularmente difícil para Bamako, onde um embargo imposto por grupos armados às importações de hidrocarbonetos tem complicado o abastecimento durante vários meses.
Na Guiné-Bissau, as autoridades procederam a dois ajustamentos sucessivos desde o início do conflito. No mais recente, o preço da gasolina foi fixado em 899 FCFA o litro e o do gasóleo em 898 FCFA, contra 794 e 786 FCFA, respetivamente, no primeiro aumento em março de 2026. O governo de transição instaurado após o golpe de Estado de novembro de 2025 invocou a volatilidade dos mercados petrolíferos internacionais para justificar estas revisões.
Preços da gasolina no início de maio de 2026 na UEMOA
O Custo da Resistência
O Níger, o Togo, o Burkina Faso e o Senegal ainda não procederam a nenhum ajuste nos preços desde o início do conflito. O Níger apresenta ainda o preço mais baixo da zona, a 499 FCFA o litro de gasolina, mas essa estabilidade oficial esconde tensões crescentes. Em Maradi, a terceira maior cidade do país, começam a ocorrer rupturas de stock nas estações de serviço, enquanto o mercado informal já apresenta preços que ultrapassam os 700 FCFA por litro.
No Senegal, o preço da gasolina permanece em 920 FCFA o litro. Apesar da redução de 70 FCFA realizada em dezembro de 2025, é o país onde o preço da gasolina é mais elevado na UEMOA. O presidente Bassirou Diomaye Faye afirmou que a sua administração não pretende aplicar novos aumentos, mas alertou que um alinhamento com os outros países poderá acontecer se o conflito se prolongar. «Enquanto muitos países aplicam rigorosamente a verdade dos preços [...] mantemos atualmente os preços do combustível em queda para preservar o poder de compra. Se o contexto internacional mudar, informaremos claramente a população sobre as decisões a tomar», declarou o chefe de Estado numa entrevista no sábado, 2 de maio.
No Togo, a gasolina sem chumbo mantém-se em 680 FCFA por litro desde dezembro de 2024, colocando o país entre os menos expostos da zona. O preço da gasolina também não subiu no Burkina Faso desde o início do conflito no Irão, permanecendo em 850 FCFA o litro há mais de três anos.
Nos países que aumentaram os preços, o aumento dos custos de transporte é a principal consequência esperada pelas populações, além dos efeitos inflacionários mais amplos do conflito sobre os produtos alimentares e bens importados. Segundo o BCEAO, o índice de inflação deverá situar-se em +0,4% em março de 2026 e +0,8% em abril de 2026, devido ao «encarecimento dos preços dos produtos petrolíferos em alguns países, devido à crise no Médio Oriente».
Nos outros países, a estabilidade dos preços nas bombas pode preservar o poder de compra das populações, mas poderá aumentar a pressão sobre as finanças públicas.
Emiliano Tossou
Este novo financiamento servirá, nomeadamente, para melhorar a qualidade dos cuidados e o acesso aos serviços. O programa prevê igualmente a implementação de uma plataforma nacional de saúde digital para tornar o sistema mais eficiente.
O Banco Mundial aprovou um novo programa de 225 milhões de dólares a favor da Costa do Marfim, destinado a fornecer serviços de saúde, nutrição e desenvolvimento da primeira infância de qualidade a milhões de pessoas, em particular mulheres, crianças e agregados familiares vulneráveis.
Segundo o comunicado da instituição publicado na quinta-feira, 30 de abril, este projeto constitui a segunda fase de um programa global de saúde, nutrição e desenvolvimento da primeira infância. Coloca a tónica na melhoria dos cuidados e do acesso aos serviços, assegurando que a cobertura universal de saúde (CMU) assente numa rede sólida de profissionais de saúde qualificados, na disponibilidade de fornecimentos médicos essenciais e em infraestruturas modernas e bem equipadas.
Entre as principais inovações destaca-se a implementação de uma plataforma nacional de saúde digital para melhorar a eficiência do sistema. «Trata-se de uma mudança crucial [...] Ao construir um sistema de saúde resiliente e ao implementar soluções digitais inovadoras, estamos a lançar as bases de um capital humano mais sólido, a promover oportunidades económicas e a garantir a cada criança o melhor início de vida possível», declarou Marie-Chantal Uwanyiligira, diretora de divisão do Banco Mundial para a Costa do Marfim, Benim, Guiné e Togo.
Este novo programa deverá beneficiar diretamente milhões de marfinenses e gerar cerca de 385 000 empregos. Entre estes, cerca de 17 000 empregos diretos serão criados através da formação e do destacamento de profissionais de saúde, agentes comunitários de nutrição e operadores de sistemas digitais de saúde. A estes somam-se cerca de 368 000 empregos indiretos, possibilitados pela melhoria dos resultados em saúde e pelo aumento da produtividade.
Esta iniciativa insere-se na continuidade dos esforços do governo marfinense para melhorar a acessibilidade, a equidade e a qualidade dos cuidados, ao mesmo tempo que reforça a resiliência do sistema de saúde, em conformidade com o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS) 2026–2030.
No âmbito do PNDS 2021–2025, o país tinha como objetivo reduzir a taxa de mortalidade materna de 614 mortes por 100 000 nascimentos em 2020 para 377 por 100 000 em 2025. Segundo dados do Ministério da Saúde e da Higiene Pública publicados no sábado, 25 de abril, esta taxa foi estimada em 385 em 2021. O plano previa igualmente aumentar a esperança de vida, de 57 anos em 2020 para 60 anos em 2025.
Até 2028, o Banco Mundial estima que mais de 1,2 milhão de pessoas inscritas na CMU, incluindo trabalhadores informais e agricultores expostos a choques climáticos, deverão recorrer aos serviços de saúde todos os anos.
Lydie Mobio
En réaffirmant une législation historique réservant le petit commerce aux Congolais, la RDC entend restructurer le commerce intérieur, limiter la concurrence étrangère dans les activités de proximité et renforcer l’inclusion économique locale.
A República Democrática do Congo (RDC) anunciou a entrada em vigor de novas medidas que regulamentam o exercício do pequeno comércio e do comércio a retalho, no âmbito de uma reforma que visa modernizar e clarificar o quadro jurídico do comércio interno.
Segundo o comunicado do Ministério da Economia Nacional publicado no sábado, 2 de maio, estes textos estabelecem uma distinção formal entre o pequeno comércio, o comércio a retalho clássico e o comércio a retalho especializado com elevada intensidade de capital.
As principais disposições preveem que o pequeno comércio e o comércio a retalho passem a ser reservados aos operadores económicos congoleses. Em contrapartida, certas atividades do comércio a retalho especializado, que exigem capitais significativos, continuarão acessíveis a investidores estrangeiros, sob condições regulamentares específicas.
O governo justifica esta reforma com a vontade de «criar um ambiente económico mais estruturado, justo e seguro», ao mesmo tempo que reforça a participação nacional nas atividades comerciais de proximidade.
Os operadores abrangidos dispõem de um prazo de seis meses para se conformarem com estas novas regras. O Ministério anunciou igualmente a implementação de um dispositivo de sensibilização para apoiar os agentes económicos na compreensão e aplicação destas medidas.
Regresso ao espírito da lei de 1973
Anunciada em setembro de 2025, esta decisão restabelece a lei de 1973, que já reservava o pequeno comércio aos nacionais. Segundo o Ministério, vários ajustamentos regulamentares ao longo das décadas tinham progressivamente enfraquecido esta proteção, favorecendo a implantação de operadores estrangeiros em segmentos inicialmente reservados aos congoleses.
Segundo o meio de comunicação local Actualité.cd, a presença crescente de comerciantes estrangeiros nas atividades de proximidade tem suscitado críticas, sobretudo nos grandes centros urbanos como Kinshasa. Lojas de bairro, quiosques, comércio ambulante ou venda porta a porta: estes setores, frequentemente vistos como oportunidades de sobrevivência económica para as populações locais, tornaram-se o símbolo de uma concorrência considerada difícil por muitos comerciantes congoleses.
Este debate insere-se num contexto socioeconómico marcado por uma forte vulnerabilidade do emprego. Segundo o Banco Mundial, o desemprego jovem na RDC é estimado em 7,8% em 2025, enquanto a Organização Internacional do Trabalho já assinalava, em 2020, que 97,6% dos jovens ativos trabalhavam no setor informal.
A RDC junta-se assim a uma dinâmica observada em vários países africanos. O Gabão, em agosto de 2025, e depois o Burkina Faso, em fevereiro de 2026, também adotaram medidas que limitam o acesso de expatriados a certas atividades de pequeno comércio, com um objetivo semelhante de proteger a economia de proximidade e promover o emprego local.
Charlène N’dimon
Enquanto o desemprego afeta cerca de um em cada três jovens argelinos e a falta de correspondência entre a formação e o mercado de trabalho continua a ser um entrave estrutural, uma infraestrutura de cloud nacional abre um novo espaço de inserção para a geração tecnológica.
Na Argélia, a procura por soberania digital está a abrir novas perspetivas de emprego para os jovens talentos do setor tecnológico. Na quinta-feira, 30 de abril, a aceleradora pública Algeria Venture anunciou o lançamento do AventureCloudz, uma plataforma de cloud destinada a programadores de software. A plataforma está alojada no território nacional e integra inteligência artificial. O anúncio foi divulgado pela Algérie Presse Service (APS).
A iniciativa resulta de uma parceria tripartida entre a Algeria Venture, a operadora de telecomunicações Djezzy e a start-up Taubyte. Esta última fornece a tecnologia que sustenta o sistema, alojado exclusivamente na Djezzy Cloud. Segundo o comunicado da Algeria Venture, a plataforma visa reduzir as barreiras técnicas, permitindo aos programadores “passar rapidamente e com maior flexibilidade da ideia ao produto”. Integra-se nos programas de apoio da Algeria Venture para “democratizar o acesso a infraestruturas cloud modernas”.
A dimensão do projeto vai além da inovação tecnológica. Trata-se de oferecer aos jovens programadores uma alternativa concreta aos gigantes globais do setor. A Algeria Venture fala numa “cooperação estratégica ao serviço da soberania digital e do surgimento de campeões tecnológicos nacionais”.
O impacto social é significativo. Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas (ONS), a taxa de desemprego entre os 16 e os 24 anos atingiu 29,3% em outubro de 2024. Os diplomados do ensino superior representavam 31,4% dos desempregados registados, revelando uma inserção particularmente difícil para perfis qualificados.
Este lançamento insere-se numa rápida estruturação do ecossistema digital argelino. O portal startup.dz regista mais de 7800 entidades, das quais cerca de 2300 estão certificadas. O Algerian Startup Fund, apoiado por seis bancos públicos, financia estas estruturas desde 2021. No mesmo contexto, a operadora AYRADE SPA abrirá 20% do seu capital à Bolsa de Argel em junho de 2026, uma estreia no cloud soberano nacional. Além disso, a estratégia SNTN-2030 prevê mais de 500 projetos digitais entre 2025 e 2026. Neste mercado de trabalho ainda sob pressão, o AventureCloudz surge como uma alternativa relevante, embora o seu impacto real ainda tenha de ser avaliado.
Félicien Houindo Lokossou
A cibersegurança afirma-se progressivamente como uma das prioridades das autoridades africanas. É agora indispensável para acompanhar a transformação digital em curso no continente e garantir a sua segurança.
No Burkina Faso, Oumarou Sanou (foto, à esquerda) foi oficialmente empossado na terça-feira, 28 de abril, nas funções de Diretor-Geral da Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação (ANSSI). Ele sucede a Boukaré Sébastien Yougbare, com a missão de coordenar as ações destinadas a reforçar a segurança digital do país.
A ANSSI é responsável por assegurar a proteção dos sistemas de informação das administrações e das infraestruturas críticas. Para esse efeito, implementa mecanismos de vigilância e alerta destinados a prevenir ciberataques. Intervém em caso de incidente para prestar assistência técnica. A instituição trabalha igualmente no reforço das capacidades dos atores públicos e privados através de ações de sensibilização e formação. Por fim, desempenha um papel fundamental na definição de normas e enquadramentos regulamentares destinados a garantir um ambiente digital seguro.
Especialista em sistemas de informação e engenheiro de conceção informática, Oumarou Sanou foi nomeado Diretor-Geral da ANSSI durante o Conselho de Ministros de 16 de abril. Antes desta nomeação, exercia funções de Diretor-Geral da Agência Nacional de Promoção das Tecnologias da Informação e da Comunicação (ANPTIC).
Segundo o Ministério da Transição Digital, dos Correios e das Comunicações Eletrónicas, esta tomada de posse ocorre num contexto em que a segurança do espaço digital constitui um desafio estratégico maior para o Burkina Faso. O país aposta na integração das TIC em todos os setores para apoiar o seu desenvolvimento socioeconómico.
Neste quadro, a União Internacional das Telecomunicações (UIT) sublinha que os Estados devem dar especial atenção à cibersegurança para tirar pleno partido das vantagens do digital. A generalização dos usos é acompanhada por um aumento dos riscos de ciberataques e de cibercriminalidade.
«O aumento das burlas online está intimamente ligado à aceleração da transformação digital em África. Os criminosos aproveitam o crescimento das atividades em linha, em particular o uso das redes sociais, do comércio eletrónico e dos serviços bancários móveis», indica a Interpol no seu relatório Cybercrime Africa Cyberthreat Assessment 2025. A organização estima que os incidentes cibernéticos registados entre 2019 e 2025 tenham provocado perdas financeiras superiores a 3 mil milhões de dólares no continente.
Segundo a 5.ª edição do Global Cybersecurity Index, publicada em 2024 pela UIT, o Burkina Faso encontra-se no terceiro nível, numa escala de cinco, em matéria de cibersegurança. O país regista progressos notáveis nos planos regulamentar, institucional e de cooperação internacional. No entanto, persistem desafios, nomeadamente no reforço das capacidades técnicas e no desenvolvimento de competências humanas face à evolução das ameaças digitais.
Isaac K. Kassouwi