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O desenvolvimento dos MVNO está a acelerar em África, impulsionado sobretudo por mercados como a África do Sul e a Nigéria. As autoridades veem este tipo de operadores como uma solução para colmatar as lacunas deixadas pelos operadores tradicionais de telecomunicações.

As autoridades nigerianas pretendem reforçar a regulação do mercado dos operadores de rede móvel virtual (MVNO). Esta iniciativa visa estruturar um segmento ainda emergente do setor das telecomunicações e clarificar as regras aplicáveis aos novos entrantes.

A Comissão Nigeriana de Comunicações (NCC) publicou recentemente um projeto de “Business Rules for Mobile Virtual Network Operations in Nigeria”. Num comunicado divulgado na quarta-feira, 20 de maio, o regulador das telecomunicações convida as partes interessadas a apresentarem as suas observações até 29 de junho. Está igualmente prevista uma consulta pública para 9 de julho.

Segundo a NCC, estas regras prosseguem vários objetivos principais. Pretendem, antes de mais, estabelecer um quadro claro que defina os direitos, obrigações e requisitos de conformidade aplicáveis aos MVNO e aos operadores hospedeiros (HNO), reforçando a supervisão e a aplicação da regulamentação. O texto visa também garantir que cada MVNO opere dentro dos limites da sua licença, assegurando simultaneamente um acesso justo e não discriminatório aos recursos de rede e aos acordos de alojamento. Prevê ainda a redução dos prazos de integração entre MVNO e HNO, bem como a clarificação das regras relativas à interligação, à numeração e às responsabilidades associadas aos cartões SIM e eSIM.

Em termos concorrenciais, o projeto procura estimular a concorrência para melhorar a qualidade dos serviços, a acessibilidade dos preços e a escolha dos consumidores, ao mesmo tempo que reforça as exigências em matéria de qualidade de serviço, fiabilidade, proteção de dados e atendimento ao cliente. Por fim, esclarece que qualquer violação destas regras será considerada uma infração e poderá dar origem a sanções administrativas, medidas corretivas ou outras ações previstas na legislação em vigor.

Esta iniciativa surge num momento em que o mercado de MVNO está em fase de estruturação na Nigéria. A NCC atribuiu, em junho de 2023, licenças de operação a 25 MVNO por um montante total de 5,9 mil milhões de nairas (cerca de 4,3 milhões de dólares). No total, já foram emitidas cerca de quarenta licenças desde o lançamento do regime. Alguns operadores como Vitel ou Visafone já iniciaram os seus serviços.

O regulador estimava que a entrada destes novos atores contribuiria para colmatar a lacuna entre as populações mal servidas e as não servidas, reforçando a concorrência e alargando a escolha dos consumidores no mercado das telecomunicações. Atualmente, a Nigéria conta com 185,7 milhões de assinantes de telemóvel e 153,8 milhões de utilizadores de Internet no final de março de 2026, segundo dados da NCC.

Apesar deste volume elevado, a fratura digital persiste: cerca de 20 milhões de pessoas continuam excluídas do ecossistema digital, segundo as autoridades. Por sua vez, a GSMA estima que, em 2023, cerca de 120 milhões de nigerianos não utilizavam a Internet móvel. A esta fratura digital juntam-se preocupações relacionadas com o elevado custo dos serviços e a qualidade por vezes insuficiente das prestações dos operadores de telecomunicações.

Isaac K. Kassouwi

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Com a aceleração da transformação digital, a procura e o uso dos serviços de telecomunicações registam um forte crescimento em África. Esta dinâmica continua, contudo, condicionada por vários fatores, incluindo o custo de acesso aos serviços.

No Senegal, o custo global dos serviços móveis caiu 10,9% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o quarto trimestre de 2025, segundo fontes oficiais. Trata-se do quarto trimestre consecutivo de queda dos preços no mercado senegalês das telecomunicações móveis.

Estes dados constam da “Nota trimestral do índice de preços dos serviços móveis (IPSM)”, publicada em conjunto pela Autoridade de Regulação das Telecomunicações e dos Correios do Senegal e pela Agência Nacional de Estatística e Demografia do Senegal. O índice, base 100 em 2023, mede a evolução dos preços dos serviços de telefonia móvel no mercado nacional. É calculado a partir das tarifas praticadas pelos operadores para as principais ofertas de comunicação, nomeadamente voz, dados móveis e SMS.

Segundo a nota, a descida do quarto trimestre de 2025 para o primeiro trimestre de 2026 foi impulsionada pela redução de preços registada em todos os operadores de redes móveis, nomeadamente a Orange com uma queda de 17,2%, a Expresso Senegal com 3,5% e a Yas Senegal com 1,8%. Em contrapartida, os preços do operador de rede móvel virtual (MVNO) Promobile registaram um aumento de 3,4% no período analisado, embora o seu impacto global no mercado seja marginal.

Segundo a ARTP e a ANSD, a redução dos preços dos serviços móveis é sobretudo impulsionada pelas ofertas destinadas a perfis com maior consumo de dados. Em sentido contrário, os perfis com maior consumo de voz registaram aumentos tarifários no trimestre, embora estes sejam inferiores às reduções observadas nas ofertas de dados.

Um potencial motor de adoção e utilização dos serviços

Esta tendência de descida surge num contexto africano marcado por queixas recorrentes dos consumidores sobre o nível elevado dos preços dos serviços de telecomunicações. Em muitos mercados do continente, o custo dos serviços móveis é frequentemente apontado como um dos principais obstáculos à adoção e a um uso mais intensivo da Internet móvel, sobretudo para populações de baixo rendimento.

Segundo a União Internacional das Telecomunicações, o cabaz móvel combinado (voz e baixo consumo de dados — 70 minutos de chamadas, 50 SMS e 1 GB de Internet) representava 2,57% do rendimento nacional bruto per capita no Senegal em 2025. Embora este nível esteja abaixo da média africana estimada em 4%, permanece acima do limiar de acessibilidade fixado em 2% pela organização. Para a Internet móvel isoladamente, este rácio atinge 4,68%, contra 5,32% em média em África.

No entanto, a melhoria dos preços não é suficiente para eliminar todas as barreiras à adoção dos serviços de telecomunicações e, de forma mais ampla, dos serviços digitais. Outros fatores continuam a desempenhar um papel importante, nomeadamente as disparidades de cobertura de rede, os problemas de qualidade de serviço e as diferenças no acesso a terminais compatíveis. Segundo o Banco Mundial, 60,84% da população senegalesa com mais de 15 anos possuía um smartphone.

Para recordar, o Senegal contava com 23,38 milhões de assinantes de Internet móvel, com uma taxa de penetração de 125,78% no final de dezembro de 2025, segundo dados da ARTP. Estes números devem ser interpretados com cautela, uma vez que os reguladores contabilizam geralmente cada cartão SIM como um assinante, embora um mesmo utilizador possa possuir vários. A União Internacional das Telecomunicações estima, assim, que 60,1% dos senegaleses utilizavam a Internet em 2024.

Isaac K. Kassouwi

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O operador histórico namibiano tem registado, nas últimas semanas, um aumento das perturbações na sua rede. Esta degradação da experiência do cliente poderá fragilizar a sua posição num mercado onde já enfrenta dificuldades para competir com a MTC.

A empresa pública de telecomunicações Telecom Namibia alerta os seus assinantes para eventuais perturbações na rede no âmbito do seu programa de modernização em curso. Este anúncio surge num momento em que o operador enfrenta desafios relacionados com a qualidade do serviço em algumas zonas do país.

Num comunicado publicado na quarta-feira, 20 de maio, o operador histórico explica que as atividades suscetíveis de causar estas perturbações são necessárias para dispor de uma rede mais robusta e orientada para o futuro.

«O programa de modernização em curso reflete a determinação da Telecom Namibia em responder às necessidades de conectividade em constante evolução dos particulares, empresas e comunidades. Estamos confiantes de que estes investimentos se traduzirão em melhorias mensuráveis no desempenho da rede e na satisfação do cliente nos próximos meses», indica a empresa no seu comunicado.

Uma transformação inscrita no plano estratégico ISBP 2027

Esta iniciativa insere-se nos compromissos mais amplos da Telecom Namibia no âmbito do seu Plano de Negócios Estratégico Integrado (ISBP) 2027, lançado em 2023. O programa inclui vários eixos de modernização destinados a reforçar o desempenho global da rede e a melhorar a experiência do cliente.

Prevê, nomeadamente, a atualização do núcleo da rede com uma arquitetura convergente fixo-móvel, a implementação de uma nova plataforma OSS/BSS destinada a simplificar a gestão dos serviços e a otimizar a experiência do utilizador, bem como o reforço dos sistemas de segurança e de alimentação elétrica. O operador está também a modernizar as tecnologias de acesso, com a migração progressiva das redes 2G e 3G para 4G e 4.5G.

Em paralelo, a Telecom Namibia acelera a expansão da fibra ótica a nível nacional, a extensão da rede móvel através de novas estações base, bem como a melhoria da cobertura em zonas mal servidas. A empresa reforça igualmente as infraestruturas de backbone e as ligações internacionais, nomeadamente através de cabos submarinos, para aumentar a redundância e a continuidade do serviço. O conjunto é complementado pela implementação de ferramentas avançadas de monitorização que permitem uma deteção e resolução mais rápidas dos incidentes de rede.

Reforçar a posição no mercado e aumentar as receitas

A médio prazo, o operador estima que estes investimentos permitirão reforçar significativamente a sua maturidade digital e melhorar a experiência do cliente em mais de 75%. Prevê também uma redução da taxa de cancelamento de assinaturas, impulsionada pela melhoria da qualidade do serviço.

Estes investimentos deverão ainda aumentar a rentabilidade dos ativos da empresa e consolidar a sua competitividade. Como resultado, o operador espera um aumento da sua quota de mercado e das suas receitas, que deverão atingir 2 mil milhões de dólares namibianos (120,6 milhões de dólares).

Para recordar, a Telecom Namibia reivindicava 451.837 assinantes de telefonia móvel e 189.180 assinantes de telefonia fixa no final do exercício financeiro de 2022/2023. O operador atua principalmente face à MTC, que detinha uma quota de mercado de 91% segundo o seu «Company Profile 2024-2025». As receitas da Telecom Namibia ascenderam a 1,39 mil milhões de dólares namibianos no exercício de 2022/2023.

Isaac K. Kassouwi

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O digital dava até agora a impressão de ter escapado às velhas restrições da geografia, da energia e das infraestruturas. Os debates centravam-se sobretudo nos algoritmos, nos dados, nos semicondutores ou nos talentos tecnológicos. Mas a corrida mundial pela inteligência artificial recorda uma evidência muito mais material: por trás de cada infraestrutura de IA esconde-se, antes de mais, uma questão energética.

No Quénia, esta realidade voltou a surgir de forma espetacular. Quase dois anos após o anúncio com grande destaque do projeto de centro de dados liderado pela Microsoft e pelo grupo emiradense G42, as discussões avançam mais lentamente do que o previsto. As dificuldades dizem respeito naturalmente às garantias financeiras, mas sobretudo às necessidades energéticas da infraestrutura. O próprio presidente William Ruto reconheceu recentemente que seria quase necessário “cortar a eletricidade a metade do país” para alimentar uma instalação desta dimensão. Se a expressão marcou os espíritos, ela revela sobretudo algo muito mais profundo sobre a nova economia mundial que está a emergir.

A IA dá um valor ainda mais estratégico à eletricidade

O problema vai muito além do caso do Quénia. Segundo a Agência Internacional de Energia, o consumo elétrico mundial dos centros de dados poderá quase duplicar até 2030 devido à explosão da inteligência artificial.

Por trás das promessas de soberania digital, a IA coloca novamente os Estados perante uma equação muito clássica: sem energia abundante, estável e controlável, não haverá nem cloud soberano nem capacidade de computação sustentável. Melhor ainda, a capacidade de produzir e garantir grandes quantidades de eletricidade torna-se progressivamente um dos principais determinantes da hierarquia digital mundial.

É precisamente isto que torna a situação africana paradoxal, enquanto a McKinsey prevê que a procura de centros de dados no continente será multiplicada por mais de três até ao final da década. No momento em que o continente procura acelerar a sua transição digital, a IA transforma as infraestruturas energéticas em ativos geopolíticos fundamentais e a África tem de lidar com sistemas elétricos ainda frágeis, caros ou insuficientemente interligados.

A África possui ativos energéticos muito procurados

O paradoxo não significa, contudo, que o continente esteja condenado a ficar à margem. Pelo contrário, a África dispõe provavelmente de alguns dos ativos energéticos mais estratégicos da futura economia digital mundial. Hidroeletricidade, energia solar, geotermia, potencial eólico, hidrogénio verde… várias regiões africanas possuem recursos consideráveis num momento em que as grandes potências e os gigantes tecnológicos procuram capacidades energéticas capazes de alimentar as suas infraestruturas digitais.

Durante muito tempo considerados sobretudo sob o ângulo do acesso à eletricidade ou da transição energética, estes recursos ganham agora um novo valor. A escolha de Olkaria pela Microsoft e pela G42 não é, aliás, inocente. A região é conhecida pelo seu importante potencial geotérmico, frequentemente apresentado como uma das fontes de energia renovável mais estáveis do continente.

Os gigantes do cloud já não procuram apenas mercados ou utilizadores. Procuram também territórios capazes de produzir a energia necessária às suas infraestruturas digitais. E é precisamente aí que começa o verdadeiro desafio estratégico para a África.

A questão já não é apenas saber se o continente participará na revolução da inteligência artificial. Trata-se agora de determinar sob que forma o fará. Construirá a África a sua própria soberania digital em torno das suas capacidades energéticas e infraestruturas de computação? Ou tornar-se-á sobretudo um território energético destinado a alimentar as infraestruturas cloud e as ambições tecnológicas dos outros?

Por trás dos megawatts necessários aos centros de dados e à inteligência artificial joga-se também uma parte do futuro industrial do continente. Mineração, transformação local, mobilidade elétrica, cloud, serviços digitais, indústria transformadora… todos estes setores dependerão, no futuro, da capacidade dos Estados africanos de construir sistemas energéticos muito mais robustos, interligados e financiados em grande escala.

Enquanto as promessas de transformação energética do continente ainda não foram plenamente concretizadas, a revolução da IA devolve um novo valor económico, geopolítico e industrial a investimentos durante muito tempo considerados demasiado caros ou complexos.

Será ainda necessário que os Estados africanos, as instituições regionais, os bancos de desenvolvimento e os atores privados consigam pensar esta questão energética como um projeto estratégico continental, e não como uma sucessão de projetos nacionais isolados.

Louis-Nino Kansoun, Redator-Chefe

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A Nigéria lançou plataformas digitais para modernizar a mediação fiscal. Esta iniciativa faz parte da reforma fiscal do governo, que visa reforçar a transparência, aumentar as receitas públicas e facilitar a resolução de litígios através do gabinete do “Tax Ombud”.

O governo nigeriano lançou oficialmente, na segunda-feira, 18 de maio, novas ferramentas digitais do gabinete do “Tax Ombud”, com o objetivo de melhorar a equidade, a transparência e a eficiência da administração fiscal do país.

Criado no âmbito das novas reformas fiscais, o “Tax Ombud” é apresentado como um organismo independente e imparcial encarregado de proteger os direitos dos contribuintes, tratar reclamações de forma rápida e justa e reforçar a confiança no sistema fiscal através da mediação e da defesa dos contribuintes.

As plataformas inauguradas incluem, nomeadamente, um site oficial, um centro de atendimento gratuito e um sistema digital de gestão de reclamações. Segundo as autoridades, estes dispositivos deverão contribuir para melhorar a relação entre os contribuintes e a administração fiscal, ao mesmo tempo que facilitam a resolução de conflitos e reforçam a transparência do sistema.

Durante a cerimónia de lançamento, o ministro da Informação e Orientação Nacional, Mohammed Idris Malagi, afirmou que esta iniciativa demonstra o compromisso do governo federal com uma governação fiscal mais responsável e transparente. Ele também qualificou o “Tax Ombud” como um “mecanismo essencial” para reforçar a confiança dos contribuintes e garantir uma gestão eficaz dos litígios fiscais.

Esta iniciativa surge num contexto de transformação do sistema fiscal nigeriano. As autoridades procuram ampliar a base tributária, melhorar a conformidade através da digitalização e reduzir gradualmente a dependência do país das receitas petrolíferas.

Em junho de 2025, o presidente Bola Ahmed Tinubu promulgou quatro leis de reforma fiscal, incluindo o Nigeria Tax Act e o Nigeria Tax Administration Act, que entraram em vigor em 1 de janeiro de 2026. Estas reformas preveem, nomeadamente, o aumento do imposto sobre as mais-valias das empresas de 10% para 30%, bem como a introdução de uma taxa mínima efetiva de 15% para grandes empresas e grupos multinacionais.

Importa salientar que a administração fiscal nigeriana estabeleceu como objetivo mobilizar 40 biliões de nairas (29,1 mil milhões de dólares) em receitas ao longo do ano.

Charlène N’dimon

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Enquanto o aquecimento global continua a ser uma questão preocupante para os Estados que procuram reduzir a pegada de carbono associada ao crescimento urbano, a arquitetura tradicional africana poderá oferecer uma alternativa credível.

Recorrer ao saber-fazer das construções antigas para moldar o habitat do futuro é um conceito frequentemente evocado como solução para travar o aumento da pegada de carbono das cidades africanas, que conhecem uma expansão rápida e uma população cada vez maior.

Na sua publicação « Dinâmica da Urbanização Africana 2025 », a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) dá a dimensão da situação com uma análise que abrange mais de 11 000 aglomerados urbanos distribuídos pelos 54 países do continente. « Até 2050, a população urbana de África deverá duplicar, passando de 700 milhões para 1,4 mil milhões de habitantes, posicionando o continente como o segundo em termos de população urbana mundial, depois da Ásia ».

O relatório examina também as consequências da pressão demográfica nas cidades sobre o aquecimento global. « Enquanto locais de vida, trabalho e lazer, as cidades desempenham um papel central na vida das populações. Embora contribuam para o PIB, são também responsáveis por uma parte significativa do consumo de energia e das emissões de gases com efeito de estufa ».

Uma arquitetura urbana inadequada ao clima e intensiva em energia

Os edifícios ao longo das grandes avenidas e as grandes construções que acolhem as administrações tornaram-se características de um meio urbano que sofre com o calor intenso das latitudes tropicais. Esta modernidade não controlada conduz a um aumento do consumo de energia.

Segundo um comunicado de imprensa do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE), datado de 11 de novembro de 2025, a procura por arrefecimento triplicará até 2050. « As cidades modernas, com as suas estradas asfaltadas e torres de vidro, não estão bem adaptadas para enfrentar o aumento esperado das temperaturas », lê-se também num artigo publicado em outubro de 2019 na plataforma da UNESCO.

A arquitetura atual feita de betão, asfalto e superfícies envidraçadas depende cada vez mais da ventilação artificial. A produção de betão consome muita energia, o asfalto cria ilhas de calor ao absorver a energia solar, e o vidro contribui para o efeito de estufa ao refletir a radiação solar. Além disso, o ar condicionado torna-se financeiramente dispendioso.

As práticas arquitetónicas tradicionais africanas como fonte de inspiração

« Os materiais que escolhem para construir as suas habitações provêm do seu ambiente. Eram duráveis, adaptados ao seu modo de vida, baseados no que hoje chamamos de economia circular », refere o material informativo da UNESCO sobre os povos africanos antigos.

Os habitats tradicionais como as « tatas » no norte do Benim e do Togo, os « rugos » no Burundi e no Ruanda, as casas redondas em banco em toda a África Ocidental, as habitações « gurunsi » no Burkina Faso e no Gana, entre outros, são construídos com terra crua, madeira, colmo, bambu e laterite. Estes materiais oferecem uma tripla vantagem: são baratos, estão facilmente disponíveis e são adaptados aos climas locais. Cada forma responde a diferentes condições climáticas de calor, humidade e chuva.

O banco, material de construção formado por uma mistura de terra argilosa, água e fibras vegetais, é amplamente utilizado na África Ocidental e Central. Oferece vantagens significativas em termos de ventilação natural, isolamento térmico e durabilidade. Permite manter os interiores frescos em zonas quentes, reduz a dependência do ar condicionado e promove uma construção ecológica.

A organização espacial dos habitats também proporciona uma ventilação natural eficiente. Não é raro ver árvores no centro dos quintais, com casas dispostas em círculo à volta do pátio central. Estas formas tradicionais de construção podem servir de inspiração para uma modernidade mais sustentável.

O gabinete de arquitetura Kéré Architecture, fundado por arquitetos burquinabes, é um exemplo claro desta abordagem, com o Lycée Schorge nos arredores de Koudougou, no Burkina Faso. A escola foi concebida em 9 unidades de construção dispostas em círculo à volta de um espaço central, criando uma barreira contra o vento e o pó. As paredes de cada módulo são feitas de laterite, uma rocha ocre local transformada em tijolos e endurecida ao sol.

No oeste do Níger, o centro comunitário Hikma apresenta-se como uma obra híbrida. Concebido com uma estética moderna e refinada, inspira-se ainda assim na tradição dos tijolos de argila, criando um edifício que se integra harmoniosamente na paisagem semiárida.

« Uma abordagem de arrefecimento sustentável poderia reduzir em 64% as emissões relacionadas com o arrefecimento até 2050, proteger 3 mil milhões de pessoas contra temperaturas extremas e poupar até 43 biliões de dólares em custos de eletricidade e infraestruturas evitados », refere o Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

Ubrick François Quenum

 

 

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À escala do continente africano, a transformação digital das administrações públicas está a acelerar, impulsionada pela vontade dos Estados de modernizar os seus serviços e reforçar a inclusão. No entanto, a questão do acesso real aos serviços digitalizados continua a colocar-se.

As autoridades tunisinas inauguraram na semana passada quatro Casas de Serviços Administrativos Digitais em três governorados do país. O executivo prossegue assim o desenvolvimento destas estruturas destinadas a facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços digitais, com o objetivo de atingir 34 até junho.

Este objetivo foi revelado por Faten Makhlouf, conselheira dos serviços públicos na Direção-Geral das Reformas e Estudos de Prospetiva Administrativa da Presidência do Governo, citada pela imprensa local. Ela precisou que estas estruturas abrangerão 21 governorados e prestarão serviços a cerca de 900 000 cidadãos nas diferentes regiões do país.

A Sra. Makhlouf explicou que a criação destes espaços visa reforçar a inclusão social, direcionando-se nomeadamente às categorias que dominam pouco as tecnologias modernas ou enfrentam dificuldades na sua utilização. O projeto ambiciona também promover a inclusão financeira através dos meios de pagamento eletrónico, bem como a inclusão digital, aproximando os serviços administrativos dos cidadãos, sobretudo nas regiões interiores onde a cobertura geográfica dos serviços prioritários continua limitada.

Por exemplo, numa primeira fase, a « Casa dos Serviços Digitais » de Tebourba, no governorado de Manouba, disponibilizará 26 serviços de sete entidades públicas, incluindo a Companhia Tunisina de Eletricidade e Gás, a Companhia Nacional de Exploração e Distribuição de Água, a Caixa Nacional de Seguro de Doença, a Caixa Nacional de Segurança Social, a Caixa Nacional de Reforma e Previdência Social, a Tunisie Telecom e o Ministério das Tecnologias da Comunicação, nomeadamente através do serviço de identidade digital.

Entre ambições e desafios de adoção

Esta iniciativa surge num contexto em que as autoridades tunisinas apostam na transformação digital para acelerar o desenvolvimento socioeconómico. A integração das TIC em todos os setores é vista como uma alavanca de eficiência e produtividade. Na administração pública, as tecnologias digitais contribuem para simplificar procedimentos e melhorar o acesso aos serviços.

Apesar desta aproximação, a adoção dos serviços públicos não é uniforme. Cerca de 24% da população não utiliza a Internet, segundo dados da União Internacional das Telecomunicações. O Banco Mundial indica, por sua vez, que 66,95% da população dispunha de um smartphone em 2024, o que revela uma conectividade ainda desigual em termos de utilização efetiva dos serviços online.

Neste contexto, as Casas de Serviços Administrativos Digitais surgem como um mecanismo de inclusão, facilitando o acesso aos serviços administrativos para populações excluídas do digital. Permitem ultrapassar algumas barreiras estruturais, nomeadamente o baixo nível de competências digitais básicas, bem como as dificuldades de utilização das plataformas públicas.

O desenvolvimento destas estruturas levanta, contudo, várias questões, nomeadamente sobre a formação dos agentes e a sustentabilidade da iniciativa. Acrescem ainda desafios relacionados com a qualidade e continuidade das infraestruturas básicas, como o acesso estável à Internet e à eletricidade em algumas zonas, bem como a interoperabilidade entre administrações e a capacidade de resposta a uma procura crescente sem criar novos estrangulamentos administrativos.

Isaac K. Kassouwi

 

 

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Dois países do continente apenas conseguiram este ano melhorar a sua posição em relação à edição anterior do ranking, enquanto oito recuaram. Ainda assim, vários ecossistemas africanos registaram taxas de crescimento superiores a 30% ao longo do último ano.

Treze países africanos figuram no Top 100 mundial dos ecossistemas de startups mais performantes em 2026, segundo um ranking publicado na terça-feira, 19 de maio, pela consultora especializada StartupBlink.

Intitulado « Global Startup Ecosystem Index 2026 », este ranking baseia-se em 27 indicadores distribuídos por três grandes categorias: quantidade (número de startups, investidores no setor tecnológico, espaços de coworking, aceleradoras, eventos dedicados a startups, etc.); qualidade (investimentos em startups, número de unicórnios, capitalização bolsista de empresas tecnológicas, presença de centros de investigação e desenvolvimento criados por grandes empresas tecnológicas internacionais, presença de filiais de multinacionais, número de startups apoiadas por aceleradoras de renome mundial, presença de influenciadores internacionais no setor das startups, etc.); e ambiente de negócios no domínio da inovação (liberdade da Internet, velocidade de ligação, serviços bancários transfronteiriços, rigidez da legislação laboral, custo de vida, etc.).

A África do Sul (52.º lugar mundial) mantém a posição de país africano com o ecossistema de startups mais desenvolvido do continente desde a primeira publicação do índice em 2017. O ecossistema deste país, o mais industrializado do continente, registou um crescimento de 31,3% no último ano, sendo o ritmo mais elevado na África Austral.

O Quénia (61.º lugar mundial) também mantém a segunda posição a nível continental, apesar de ter recuado três posições no ranking global. A Nigéria (62.º lugar mundial) completa o pódio africano.

No total, apenas dois países africanos conseguiram melhorar a sua posição em relação a 2025: a Nigéria, que subiu quatro lugares, e Cabo Verde (+1). Oito países recuaram, enquanto a África do Sul e o Egito mantiveram as suas posições. Maurícia regressou este ano ao Top 100 mundial, depois de o ter abandonado. A Somália, que ocupava o 100.º lugar em 2025, deixou de figurar entre os 100 ecossistemas de startups mais performantes do mundo.

As maiores quedas registaram-se na Namíbia (-9 posições), no Gana (-6) e no Senegal (-5).

Tunísia e Uganda entre os ecossistemas mais dinâmicos

Apesar desta tendência globalmente negativa, vários ecossistemas africanos registaram taxas de crescimento superiores a 30% no último ano, nomeadamente os da Tunísia (+36,6%), Uganda (+32,5%), Nigéria (+31,8%), África do Sul (+31,3%) e Cabo Verde (+31,3%).

A StartupBlink classificou ainda os ecossistemas de startups de 1 500 cidades em todo o mundo. Apenas as cidades de Lagos (70.º lugar mundial) e Cairo (99.º) figuram no Top 100, graças a ecossistemas locais dinâmicos que contam com vários unicórnios e importantes aceleradoras de startups.

Walid Kéfi

Ecossistemas africanos de startups no Top 100 mundial em 2026:

  1. África do Sul (52.º)
  2. Quénia (61.º)
  3. Nigéria (62.º)
  4. Egito (65.º)
  5. Cabo Verde (74.º)
  6. Tunísia (84.º)
  7. Maurícia (85.º)
  8. Gana (87.º)
  9. Marrocos (90.º)
  10. Namíbia (94.º)
  11. Uganda (96.º)
  12. Senegal (97.º)
  13. Ruanda (100.º)

 

 

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Starlink continua a sua expansão africana, iniciada em janeiro de 2023 com a sua entrada no mercado nigeriano. A empresa está atualmente presente em cerca de trinta países no continente.

O fornecedor de acesso à Internet por satélite Starlink obteve na semana passada a aprovação das autoridades ugandesas para lançar os seus serviços no país. A filial da SpaceX, propriedade do multimilionário Elon Musk, prepara assim a sua entrada num mercado de Internet dominado pelos operadores de telecomunicações tradicionais.

A empresa assinou na sexta-feira, 15 de maio, um memorando de entendimento e um acordo de licença de operação, sob a égide da Comissão das Comunicações do Uganda (UCC). O Presidente da República, Yoweri Museveni, também esteve presente na cerimónia que conclui meses de negociações entre as duas partes.

« Enquanto novo ator no mercado, a entrada da Starlink deverá ampliar a escolha dos consumidores, estimular uma concorrência saudável e melhorar a qualidade dos serviços em todo o setor. Uma concorrência mais intensa tem potencial para influenciar positivamente a dinâmica dos preços ao longo do tempo, ao mesmo tempo que incentiva a inovação contínua entre os operadores já presentes no mercado », afirmou o regulador das telecomunicações num comunicado.

A Starlink vai entrar num mercado que contava com 18,5 milhões de assinantes de Internet móvel e 229 mil assinantes de Internet fixa no final de dezembro de 2025, totalizando 18,7 milhões de utilizadores, segundo a UCC. Os operadores de telecomunicações MTN Group e Airtel Africa partilham a quase totalidade dos assinantes móveis. Também estão presentes no segmento fixo, juntamente com o operador histórico UTCL e fornecedores de Internet como CanalBox, Savanna Fibre e Liquid Home.

A UCC lembra que, ao contrário das infraestruturas terrestres tradicionais, a Internet por satélite da Starlink pode fornecer cobertura ampla e praticamente imediata em grandes áreas geográficas, incluindo comunidades de difícil acesso e mal servidas. Esta capacidade deverá complementar as soluções de conectividade existentes e ajudar a reduzir gradualmente os desafios de cobertura de rede em algumas partes do país. Isto pode constituir uma vantagem competitiva para a empresa, sobretudo porque o regulador reconhece « o interesse público e as expectativas criadas pela entrada prevista da Starlink no Uganda ».

Além disso, a fratura digital continua significativa no Uganda. Os 18,7 milhões de assinantes de Internet registados pela UCC representam apenas 37,4% da população, estimada em 50 milhões pelo Banco Mundial em 2024. A Starlink pode visar a restante população ainda não conectada, embora fatores como o custo do serviço sejam determinantes.

Isaac K. Kassouwi

 

 

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A questão da qualidade do serviço é comum a vários países africanos. Num contexto de transformação digital acelerada, os consumidores estão cada vez mais dependentes das redes móveis e da Internet para as suas atividades diárias.

Na República Democrática do Congo (RDC), as empresas de telecomunicações solicitam o apoio das autoridades para enfrentar os desafios ligados à qualidade do serviço. Este apelo surge num contexto de pressão crescente dos consumidores e dos poderes públicos sobre esta problemática.

O pedido foi formulado num comunicado conjunto dos operadores de telecomunicações, divulgado na semana passada pelo Ministério dos Correios e Telecomunicações. As empresas indicam querer trabalhar com as autoridades na implementação de soluções a curto, médio e longo prazo, que pretendem apresentar brevemente.

Desafios estruturais

As soluções anunciadas deverão permitir ultrapassar “certos fatores estruturais e externos” que têm um impacto significativo e recorrente na qualidade dos serviços. Segundo os operadores, estas dificuldades persistem apesar dos investimentos e dos esforços realizados para a melhoria contínua das redes e para a resolução dos problemas identificados.

Entre as principais causas apontadas figuram a instabilidade do fornecimento de energia elétrica, os cortes e destruições repetidas das redes de fibra ótica, bem como a insegurança em determinados eixos rodoviários, que dificulta o acesso aos locais técnicos. As empresas de telecomunicações destacam igualmente a falta de recursos de espectro e, de forma mais ampla, a insuficiência das infraestruturas de base no país.

Alguns destes desafios já tinham sido sublinhados pela Associação Mundial de Operadores de Telecomunicações (GSMA). A organização destaca, nomeadamente, que uma grande parte dos locais de telecomunicações não está ligada à rede elétrica nacional, situação que deverá agravar-se com a expansão da cobertura para zonas mais remotas. Os operadores destinariam já entre 40% e 60% das suas despesas operacionais à compra e transporte do diesel necessário para alimentar os locais técnicos. Estes custos elevados refletem-se depois nos preços pagos pelos consumidores e podem também fragilizar a disponibilidade das redes.

Para além destas questões, a GSMA menciona igualmente uma forte pressão fiscal e custos elevados de exploração das redes de telecomunicações na RDC. A organização considera que o custo das atividades no país é superior ao observado em vários outros países africanos. Os operadores móveis estão particularmente expostos devido à extensão geográfica das suas infraestruturas, aos procedimentos regulamentares e administrativos necessários para a instalação dos locais, bem como às despesas contínuas relacionadas com o fornecimento de energia e a manutenção dos equipamentos.

Até agora, uma responsabilidade dos operadores

Por enquanto, as autoridades parecem deixar aos operadores de telecomunicações a responsabilidade de resolver os problemas ligados à qualidade do serviço. No início do ano, o Presidente da República, Félix Tshisekedi, durante um Conselho de Ministros, exigiu a aplicação rigorosa das sanções previstas na lei contra qualquer operador em incumprimento, sempre que as obrigações de qualidade, continuidade, cobertura ou proteção dos utilizadores não sejam respeitadas.

O chefe de Estado solicitou igualmente o reforço dos mecanismos de regulação, controlo e monitorização permanente da qualidade das redes e dos serviços, bem como uma coordenação eficaz entre os ministérios setoriais, as autoridades reguladoras e os serviços técnicos especializados.

Recorde-se que a lei de 2020 sobre telecomunicações e TIC estipula que “qualquer violação de uma ou mais cláusulas da licença, da autorização ou do respetivo caderno de encargos que não implique suspensão ou retirada do título é punida com uma multa que não exceda um quarto do valor do título”.

Isaac K. Kassouwi

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