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Perante os elevados custos das infraestruturas, os operadores de telecomunicações no Gabão estão a explorar modelos de partilha para melhorar a cobertura e a qualidade do serviço. Esta abordagem poderá também favorecer uma redução progressiva do preço dos dados móveis.

Os operadores Moov Africa Gabon Télécom e Airtel Gabon assinaram, na quinta-feira, 7 de maio, em Libreville, uma convenção de mutualização das suas infraestruturas digitais, na presença do ministro da Economia Digital, Mark Alexandre Doumba. O acordo visa permitir a partilha de determinadas instalações técnicas, de modo a melhorar a cobertura da rede e a qualidade dos serviços em todo o território.

Concretamente, a convenção prevê a partilha de antenas de telecomunicações e de outras infraestruturas, evitando investimentos duplicados e otimizando a expansão das redes. Para os operadores, esta abordagem deverá permitir reorientar recursos para a extensão da cobertura, sobretudo nas zonas ainda mal servidas, ao mesmo tempo que melhora a qualidade do serviço. O diretor-geral da Airtel Gabon, Thomas Herbert Gutjahr, destacou o elevado custo das infraestruturas, considerando que a sua partilha constitui uma alavanca para reduzir encargos e melhorar o desempenho global do setor.

A cooperação dá continuidade ao memorando de entendimento assinado em setembro de 2025 entre os dois operadores, que estabeleceu as bases para a partilha de infraestruturas digitais, nomeadamente com o objetivo de racionalizar custos e alargar a cobertura nacional. Alinha-se também com a orientação das autoridades gabonesas, que incentivam a mutualização das infraestruturas como meio de otimizar redes e acelerar a transformação digital. Num mercado caracterizado por elevados investimentos, esta abordagem surge como uma resposta às restrições económicas do setor.

No Gabão, onde a taxa de penetração da Internet é estimada em mais de 70% segundo a DataReportal, os desafios centram-se agora na qualidade do serviço e na extensão da cobertura, sobretudo fora dos grandes centros urbanos. O crescimento dos usos digitais aumenta também a pressão sobre as redes existentes, tornando necessária uma otimização das infraestruturas.

As primeiras infraestruturas partilhadas serão instaladas na Cité de la Démocratie, um local estratégico destinado a tornar-se um polo de conectividade. A médio prazo, as autoridades esperam que esta cooperação contribua também para tornar os serviços de dados mais acessíveis, num mercado onde o custo continua a ser um fator determinante de adoção.

Samira Njoya

 

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Perante os obstáculos que ainda travam o comércio intra-africano, multiplicam-se as iniciativas para integrar melhor os sistemas digitais. O Gana está a explorar novas vias para tornar os intercâmbios mais fluidos e reduzir os custos das transações no continente.

A vice-presidente ganesa, Jane Naana Opoku-Agyemang, anunciou o lançamento iminente de um projeto-piloto de corredor comercial digital continental destinado a facilitar as transações transfronteiriças e apoiar a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana. O anúncio foi feito na quarta-feira, 6 de maio, na abertura do 3i Africa Summit 2026, um encontro dedicado às tecnologias financeiras e ao futuro da economia digital africana.

A iniciativa será conduzida em parceria com vários países africanos, nomeadamente o Ruanda e a Zâmbia. O projeto pretende testar diferentes mecanismos destinados a agilizar os intercâmbios digitais no continente. Entre os dispositivos previstos estão a interoperabilidade dos serviços de mobile money, o reconhecimento mútuo das identidades digitais nos procedimentos Know Your Customer (KYC), bem como a harmonização da faturação eletrónica entre os países participantes.

Para as autoridades ganesas, este corredor digital deverá contribuir para reduzir os custos e os prazos que ainda dificultam o comércio intra-africano. Uma grande parte das transações do continente passa por sistemas financeiros localizados fora de África, o que gera custos adicionais e tempos de processamento mais longos. O projeto procura assim reforçar o uso de soluções africanas como o Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação (PAPSS), concebido para facilitar pagamentos diretos em moedas locais entre países africanos.

No entanto, os desafios permanecem numerosos para alcançar uma verdadeira integração digital do comércio africano. A fragmentação regulamentar entre Estados, a falta de interoperabilidade dos sistemas financeiros, a insuficiência das infraestruturas de cloud e de conectividade, bem como a ausência de quadros harmonizados para a gestão de dados e identidades digitais continuam a travar o desenvolvimento do mercado. As questões relacionadas com a soberania dos dados e a proteção dos utilizadores figuram igualmente entre os principais desafios destacados durante o encontro.

Esta iniciativa surge num momento em que o comércio eletrónico e os pagamentos digitais registam um forte crescimento no continente, impulsionados pelo aumento dos pagamentos móveis e pela melhoria da conectividade. Segundo a Comissão Económica para África (CEA), o comércio digital transfronteiriço africano poderá atingir 180 mil milhões de dólares em 2025 (5,2% do PIB), antes de subir para 712 mil milhões de dólares até 2050 (8,2% do PIB).

Samira Njoya

 

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Lançada em 1995, a Sierratel foi o primeiro operador de telecomunicações da Serra Leoa, antes de dificuldades financeiras e operacionais conduzirem progressivamente ao seu declínio. O mercado é hoje amplamente dominado por operadores privados como Africell, Orange e QCell.

As autoridades da Serra Leoa procederam, na terça-feira, 5 de maio, à relançamento oficial do operador público de telecomunicações Sierratel. O operador histórico, há muito em dificuldades, retoma as suas atividades graças a uma parceria estratégica com a Africell, que lhe presta apoio técnico e financeiro no âmbito de um modelo MVNO (operador móvel virtual).

Neste dispositivo, a Sierratel apoia-se nas infraestruturas existentes da Africell (torres de telecomunicações, fibra ótica e rede de base 2G, 3G e 4G/LTE) para garantir cobertura nacional. Esta abordagem permite ao operador público retomar rapidamente os seus serviços sem suportar os elevados custos associados à reconstrução de uma rede física. O acordo, celebrado por um período de dez anos, visa estabilizar e modernizar este ativo estratégico nacional.

Este relançamento ocorre após um longo período de dificuldades que fragilizaram fortemente a empresa, tanto a nível financeiro como tecnológico. A Sierratel estava nomeadamente fortemente endividada com os seus trabalhadores, fornecedores e vários credores internacionais. A estas limitações juntou-se a obsolescência progressiva das suas infraestruturas, que não acompanharam o ritmo das evoluções tecnológicas do setor. Esta situação resultou também numa perda de competitividade no mercado nacional das telecomunicações.

Enquanto a Africell assegura a gestão da infraestrutura técnica, a Sierratel concentra-se na relação com os clientes e no desenvolvimento de novos serviços, sob a direção do seu novo diretor-geral, Joe Abass Bangura. O operador está a relançar progressivamente as suas ofertas de voz e dados, com especial atenção aos estudantes e jovens profissionais, segmentos considerados prioritários nesta nova fase de desenvolvimento.

Além disso, as autoridades veem o regresso do operador histórico como um instrumento que pode alargar as opções dos consumidores e reforçar a concorrência de preços no mercado. O objetivo declarado não é a maximização do lucro, mas sim garantir um acesso mais amplo dos sierraleoneses a serviços de telecomunicações acessíveis e inclusivos.

Importa, no entanto, recordar que, ao apoiar-se nas infraestruturas da Africell, a Sierratel herda não só as vantagens da partilha de rede, mas também certas limitações potenciais em termos de cobertura e qualidade de serviço. Neste contexto, levantam-se questões sobre a capacidade do operador para se diferenciar no mercado, garantir uma experiência de utilizador homogénea em todo o território e adaptar a sua oferta à dinâmica da procura.

Isaac K. Kassouwi

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A fratura digital permanece particularmente marcada na Somália. Segundo dados da UIT, cerca de 72% da população não utilizava a Internet em 2024.

O operador de telecomunicações somali Hormuud anunciou, na terça-feira, 5 de maio, um programa de financiamento de smartphones. Desenvolvida em parceria com a empresa Get Phone, a iniciativa visa facilitar a aquisição destes dispositivos, permitindo que os utilizadores os paguem em prestações.

Segundo a Hormuud, o sistema prevê uma entrada inicial de 19 dólares, seguida de um reembolso diário de 0,60 dólar. Os beneficiários recebem um smartphone funcional, acompanhado de um pacote com dados móveis e minutos de chamadas. A elegibilidade é determinada em poucos segundos com base nos dados de utilização do cartão SIM e nas transações de dinheiro móvel. Não é exigida qualquer conta bancária nem histórico de crédito.

A primeira fase do programa prevê a colocação em circulação de 10 000 dispositivos até junho de 2026. O operador ambiciona atingir 100 000 unidades até ao final de 2026, com uma expansão progressiva para outras regiões, nomeadamente o Puntland e o Somaliland.

Um instrumento para a inclusão digital

Apresentada como o primeiro programa estruturado de financiamento de smartphones na Somália, esta iniciativa pode constituir um instrumento de inclusão digital. Surge num contexto em que os mecanismos de financiamento de dispositivos móveis se multiplicam em África, sendo a acessibilidade financeira um dos principais obstáculos à adoção da Internet móvel.

Num relatório publicado em dezembro de 2025, a Associação Mundial de Operadores de Telecomunicações (GSMA) indica que o preço médio de um smartphone de entrada de gama na África Subsariana era de 39 dólares em 2024. Este custo representava 26% do rendimento médio da população. Chegava a 64% para os 40% mais pobres e a 87% para os 20% mais pobres, contra 32% para as mulheres e 23% para os homens.

«A rede 4G da Somália cobre a maior parte do país. Mas quase metade do nosso parque de dispositivos ainda funciona em 2G ou com telemóveis básicos. Não porque a rede não exista, mas porque um smartphone ainda está fora do alcance», destaca a Hormuud num comunicado divulgado nas redes sociais.

Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), a cobertura 4G atingia 61% da população somali em 2024, contra 90% para a 2G e 83% para a 3G. Apesar desta cobertura relativamente alargada, a taxa de penetração da Internet era de apenas 27,9%, enquanto 47,9% dos somalis possuíam um telemóvel, de todos os tipos combinados.

Isaac K. Kassouwi

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O Senegal continua a modernizar a sua administração pública. O setor da saúde criou uma nova ferramenta digital para simplificar os procedimentos administrativos dos seus agentes, especialmente daqueles que se encontram longe da capital, Dakar.

No Senegal, o Ministério da Saúde e da Higiene Pública lançou, na quarta-feira, 6 de maio, a plataforma e-DRHSanté. Esta foi criada para desmaterializar os procedimentos administrativos dos profissionais de saúde e tornar mais eficiente a gestão dos recursos humanos.

Concebida como um balcão digital, a plataforma permite aos agentes realizar online vários procedimentos administrativos, nomeadamente a submissão e o acompanhamento de processos, bem como a receção de documentos oficiais. Os utilizadores podem também verificar a autenticidade dos atos administrativos através de um sistema de códigos QR, destinado a reforçar a rastreabilidade e a segurança dos documentos.

«A plataforma e-DRHSanté não é apenas uma ferramenta informática, mas um símbolo forte do nosso compromisso em construir uma administração moderna, transparente e virada para o futuro. [...] Ela vai permitir simplificar os procedimentos, reduzir os prazos e assegurar a rastreabilidade e a segurança dos processos», afirmou Mouhamed Ly, conselheiro técnico do ministro da Saúde e da Higiene Pública, citado pela Agência de Imprensa Senegalesa (APS).

Esta reforma insere-se numa estratégia mais ampla de transformação digital dos serviços públicos no Senegal. O governo tem multiplicado, nos últimos anos, iniciativas de desmaterialização para melhorar a eficiência da administração e a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos.

Segundo as Nações Unidas, o Senegal está entre os países líderes em administração eletrónica no continente. No setor da saúde, esta dinâmica abrange tanto ferramentas administrativas como projetos ligados à e-saúde.

Atualmente, a e-DRHSanté permite a emissão da declaração de não comprometimento, declaração de trabalho, certificado de trabalho, certificado administrativo e declaração de fundos. A plataforma deverá evoluir para um sistema mais integrado, abrangendo todos os serviços administrativos do setor da saúde, segundo o Ministério.

Adoni Conrad Quenum

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A Tanzânia quer acelerar o acesso dos jovens a competências técnicas através do digital. Nesta dinâmica, as autoridades voltaram-se para um dos principais operadores de telecomunicações do país.

A operadora Airtel Tanzania e a Vocational Education and Training Authority (VETA), uma agência governamental responsável por regulamentar, coordenar e ministrar formações técnicas e profissionais, assinaram, na terça-feira, 5 de maio, um acordo destinado a reforçar a formação profissional digital através da plataforma Airtel VSOMO.

«Airtel VSOMO é a plataforma nacional oficial dedicada à formação profissional em linha no âmbito do programa VETA. Permite aos tanzanianos adquirir competências práticas em qualquer momento e em qualquer lugar, utilizando os seus dispositivos digitais», indicou Charles Kamoto, diretor-geral da Airtel Tanzania.

A parceria baseia-se numa abordagem de mobile learning, permitindo aos formandos aceder a conteúdos pedagógicos a partir do smartphone. Os cursos propostos abrangem várias áreas técnicas e profissionais, com o objetivo de tornar a formação mais acessível, sobretudo para os jovens afastados dos grandes centros urbanos ou com meios limitados.

Esta iniciativa insere-se numa dinâmica de digitalização da educação na Tanzânia. As autoridades procuram utilizar as tecnologias móveis para reduzir as barreiras de acesso à formação e responder melhor às necessidades do mercado de trabalho. No entanto, segundo dados da Autoridade Reguladora das Comunicações da Tanzânia (TCRA) em 31 de dezembro de 2025, existem 28,5 milhões de smartphones ativos no país, para uma taxa de penetração de 41,82%.

No que diz respeito à Internet móvel, 58,1 milhões de pessoas são subscritoras do serviço junto dos vários operadores do país, com uma taxa de penetração de 85,3%. Os dados do DataReportal, no entanto, apresentam números diferentes, estimando a taxa de penetração da Internet móvel em 29,1%, com 20,6 milhões de utilizadores.

Para além da aprendizagem teórica, o programa prevê também uma ligação aos centros de formação da VETA, de forma a associar ensino online e prática profissional. Esta combinação visa melhorar a empregabilidade dos jovens num contexto em que o desemprego e o défice de competências continuam a ser desafios importantes.

Para a Airtel Tanzania, esta parceria ilustra também a evolução do papel dos operadores de telecomunicações, cada vez mais presentes em serviços digitais para além da conectividade. Depois dos pagamentos móveis e dos serviços digitais, as telecoms estão agora a investir mais no setor da educação.

Em 31 de dezembro de 2025, a Airtel Tanzania contava com 23,3 milhões de assinantes, com uma quota de mercado de 21,8%, segundo a TCRA. O operador indiano ocupa a terceira posição no mercado tanzaniano em número de assinantes, atrás da Vodacom (31,2%) e da Yas (28,9%), mas à frente da Halotel (16,5%) e da TTCL (1,6%).

Adoni Conrad Quenum

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Há alguns anos, o Mobile Money impôs-se no continente como uma alavanca de inclusão financeira por excelência. No seio da Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC), os Camarões destacam-se como líder neste segmento.

O dinamismo dos operadores de serviços de pagamento em atividade nos Camarões voltou a consolidar o crescimento do Mobile Money na CEMAC — composta pelos Camarões, Congo, Gabão, Guiné Equatorial, Chade e República Centro-Africana — ao longo de 2024.

Segundo o relatório sobre os serviços de pagamento na CEMAC, publicado pelo Banco dos Estados da África Central (BEAC), os Camarões concentraram 65,1% das contas de Mobile Money existentes na sub-região durante o período analisado, contra 62,1% em 2023 (+3%). O valor das transações financeiras realizadas por este canal nos Camarões representou 57% do valor sub-regional. Esta proporção registou uma queda de quase 6%, já que em 2023 se situava em 63,58%.

Em detalhe, refere o relatório do BEAC, até 31 de dezembro de 2024, foram registadas pouco mais de 51,2 milhões de contas de Mobile Money na CEMAC, um aumento de 28% em relação ao ano anterior. A mesma fonte revela que 30,9 milhões dessas contas estavam sediadas nos Camarões. Este número corresponde a um aumento de mais de 6 milhões de contas num ano, uma vez que o banco central tinha contabilizado apenas 24,86 milhões de contas de pagamentos móveis nos Camarões em 2023.

Segundo o BEAC, a crescente adoção dos serviços de Mobile Money na CEMAC em geral, e nos Camarões em particular, está ligada à generalização das aplicações bancárias móveis. «Estas soluções permitem agora aos clientes dispor, além da sua conta bancária tradicional, de uma conta de pagamento do tipo Mobile Money», explica o banco central.

26 773 mil milhões de FCFA em transações Mobile Money em 2024

Além disso, prossegue o BEAC, os avanços tecnológicos permitiram dissociar o identificador telefónico da conta de pagamento do operador de telecomunicações, oferecendo maior flexibilidade na abertura de contas de pagamento móveis. Como resultado, passou a ser possível abrir várias contas de pagamento junto de instituições autorizadas utilizando um único número de telefone.

Estas evoluções tiveram um impacto positivo no volume e no valor das transações realizadas através do Mobile Money na CEMAC em 2024. Segundo o relatório sobre os serviços de pagamento, o volume das transações na sub-região aumentou 6,42% nesse ano, atingindo 3,7 mil milhões de FCFA. O valor global destas operações registou um crescimento muito mais expressivo, de 20,33%, alcançando 34 778,5 mil milhões de FCFA. Deste montante, indicam os dados do BEAC, 26 773 mil milhões de FCFA em transações foram realizados nos Camarões, praticamente quatro vezes mais do que no Congo e no Gabão juntos.

De acordo com o banco central, este crescimento é sustentado por vários fatores: campanhas promocionais das instituições de pagamento; retoma da atividade por parte de alguns operadores; interoperabilidade bancária, permitindo captar fluxos anteriormente fora do setor bancário; generalização dos pagamentos de pequenos montantes; e surgimento de novos serviços, como microcréditos e transferências internacionais.

Brice R. Mbodiam (Investir au Cameroun)

 

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A riqueza da música africana reflete-se na existência de numerosos festivais em todo o continente. Em Dakar, capital do Senegal, o Stereo Africa Festival (SAF) destaca-se ao promover as músicas contemporâneas e reunir uma rede de profissionais do setor.

Focado na celebração da criatividade musical africana e no dinamismo das cenas emergentes, a 5.ª edição do Stereo Africa Festival (SAF) realiza-se de terça-feira, 5, a domingo, 10 de maio, em Dakar. O evento decorre sob o tema «Ni ñu koy waxé mbolo moy dolé», que significa «a união faz a força» em wolof.

«Rica de um património artístico excecional, a África continua, no entanto, demasiado frequentemente aprisionada em representações redutoras das suas músicas», explicou Sahad Sarr, fundador do SAF, segundo o portal musical Afrisson.

Esta vontade de união, apresentada como essencial para o florescimento da música africana contemporânea, apela a uma sinergia entre todas as componentes da cadeia de valor da indústria criativa. O SAF reúne artistas, público e profissionais do Senegal e de outros países ao longo de uma semana marcada por espetáculos, apresentações, encontros, formações e momentos de partilha.

Uma semana de descobertas e encontros

O SAF apresenta uma programação variada, na qual criadores africanos e internacionais atuam em palcos ao ar livre. Concertos, showcases e encontros profissionais ocupam espaços culturais de Dakar, nomeadamente o Museu das Civilizações Negras. Os showcases revelam novos talentos, reforçando a sua visibilidade junto dos profissionais do setor.

Em paralelo, o Village des Artisans e os foodtrucks oferecem uma imersão no artesanato e na gastronomia local. A Women Art Academy acompanha cantoras e instrumentistas em residência artística. As Unplugged Sessions permitem, por sua vez, descobrir novos artistas através de performances ao vivo avaliadas por um júri de profissionais, abrindo caminho a carreiras promissoras.

Networking profissional

O SAF integra este ano o Stereo Xp, uma nova plataforma profissional dedicada ao intercâmbio e à formação. Para além dos concertos e showcases, o objetivo é criar um espaço de networking para artistas, managers, editoras, produtores e meios de comunicação.

Ao promover a estruturação do ecossistema musical, o Stereo Xp oferece um espaço de formação, profissionalização e incentiva colaborações internacionais. Estão previstas várias atividades neste âmbito.

Ao combinar debates, workshops especializados, masterclasses, oportunidades de networking e momentos de troca livre, esta iniciativa cria pontes, incentiva iniciativas coletivas, facilita digressões e contribui para carreiras artísticas sustentáveis.

Ubrick F. Quenum

 

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A procura por capacidade satelital está a acelerar, impulsionada pelas necessidades de acesso generalizado à Internet. Em resposta, vários países africanos estão a apostar no desenvolvimento de satélites nacionais para reduzir a dependência externa.

A África Oriental deu um passo decisivo rumo à concretização do seu projeto de satélite de comunicação e radiodifusão. Será lançado um estudo de viabilidade, previsto para um período de 12 a 18 meses, com o objetivo de definir os modelos técnico, financeiro e institucional, orientando assim a fase operacional da iniciativa.

Esta decisão resulta da resolução assinada por Uganda, Quénia, Ruanda e Sudão do Sul durante uma reunião interministerial realizada em Nairobi na quarta-feira, 29 de abril, à margem da “Connected Africa Summit”.

Estamos agora numa fase em que devemos passar da preparação para a implementação. As decisões que tomamos hoje irão determinar a rapidez de concretização deste projeto”, declarou Chris Baryomunsi, ministro ugandês das TIC e presidente do cluster ministerial de desenvolvimento de infraestruturas TIC.

Uma busca de soberania digital

Esta iniciativa inscreve-se na continuidade das diretrizes da 14.ª Cimeira dos projetos de integração do Corredor Norte (NCIP), em junho de 2018. Os chefes de Estado recomendaram o desenvolvimento de um satélite regional detido pelos Estados membros. O objetivo é reforçar a soberania, alargar a conectividade e acelerar a transformação digital da região.

Os nossos países continuam fortemente dependentes de sistemas externos. Isto tem implicações em termos de custos, fiabilidade e continuidade dos serviços. Reforçar a resiliência das nossas infraestruturas de comunicação não é uma opção”, afirmou o ministro queniano da Informação, Comunicações e Economia Digital, William Kabogo Gitau.

Este projeto, denominado “Northern Corridor Regional Communication and Broadcasting Satellite Initiative (NCRCBSI)”, surge num contexto de crescente interesse pelas tecnologias satelitais, vistas como uma alavanca importante para reduzir a exclusão digital em África. No entanto, poucos países concretizaram tais ambições até agora, como Angola, Argélia, Egito ou Nigéria. A maioria dos Estados africanos ainda depende de parcerias ou licenças com operadores internacionais como Eutelsat, SpaceX ou Yahsat.

Reduzir a exclusão digital

Esta tendência faz parte de um movimento mais amplo a nível continental. Segundo a GSMA, as soluções de conectividade não terrestre, incluindo o satélite, terão um papel fundamental na concretização da conectividade universal na África Subsariana.

A região abriga alguns dos terrenos mais difíceis para redes terrestres, incluindo florestas tropicais, desertos e cadeias montanhosas. Mesmo em zonas rurais e pouco povoadas, o custo e a complexidade da implantação de redes móveis ou fixas tradicionais favorecem soluções alternativas de conectividade”, destaca a organização no seu relatório “The Mobile Economy Sub-Saharan Africa 2024”.

Segundo o ministério ugandês das TIC, o futuro satélite irá complementar as infraestruturas terrestres existentes, alargar a cobertura às zonas mal servidas e apoiar os serviços digitais e de radiodifusão. De acordo com o relatório “The State of Broadband in Africa 2025”, a África Oriental e Austral registavam em conjunto uma taxa de penetração da Internet de apenas 34,9% em 2023.

Além disso, a região apresenta um dos maiores défices de utilização da Internet móvel no continente. Um relatório da GSMA publicado em 2024 indica que, em 2023, 100 milhões de etíopes não utilizavam a Internet móvel. Tanzânia e RDC registavam cada uma 40 milhões de utilizadores não conectados, seguidas do Quénia e do Sudão (35 milhões cada) e do Uganda (30 milhões).

Isaac K. Kassouwi

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Diversos países costeiros africanos continuam ainda dependentes de um único cabo submarino. Perante uma procura crescente de capacidade, estes países multiplicam os investimentos para reforçar a sua conectividade internacional e reduzir a sua vulnerabilidade neste domínio.

A Mauritânia avança na implementação da sua segunda ligação internacional por cabo submarino de fibra ótica. No sábado, 4 de maio, as autoridades procederam à instalação da secção costeira da infraestrutura. A colocação do cabo principal, em alto-mar, está prevista para agosto de 2026, com entrada em funcionamento esperada em janeiro de 2027.

A cerimónia de aterragem foi presidida por Ahmed Salem Ould Bede, ministro da Transformação Digital e da Modernização da Administração. Com 28,4 km de extensão, a secção costeira foi instalada em Nouadhibou, onde se localiza a estação de aterragem.

A secção costeira corresponde à parte do cabo situada próxima da costa, ligando a estação de aterragem ao alto-mar. Mais exposta às atividades humanas, como a pesca ou o tráfego marítimo, é geralmente enterrada e reforçada para limitar os riscos de danos. O restante cabo, instalado em alto-mar ao longo de grandes distâncias, repousa a grandes profundidades, onde está menos exposto, mas é mais complexo de instalar e manter.

Uma infraestrutura para reforçar a resiliência da rede

Uma vez concluído, este novo cabo reforçará a infraestrutura digital nacional, complementando as capacidades do cabo ACE, ao qual a Mauritânia está ligada desde 2011 e do qual ainda depende fortemente para o seu acesso à conectividade internacional. Esta dependência expõe o país a vulnerabilidades em caso de falha na infraestrutura existente.

As avarias registadas neste cabo já provocaram perturbações nos serviços de Internet e de telefonia móvel a nível nacional, afetando administrações, empresas e utilizadores. Mesmo as operações de manutenção programadas provocam reduções de velocidade ou interrupções temporárias, na ausência de uma alternativa plenamente operacional.

O novo cabo dispõe de uma capacidade inicial de 200 gigabits por segundo (Gbps), expansível até 12 terabits por segundo (Tbps). Ligará a Mauritânia à Europa, via Portugal, e à América do Sul, via Brasil.

Um motor de transformação digital

As autoridades mauritanas esperam que esta infraestrutura reforce a conectividade internacional e responda ao crescimento contínuo das necessidades em dados, num contexto de transformação digital acelerada.

Ao aumentar as capacidades disponíveis, esta infraestrutura melhora a fiabilidade e a qualidade dos serviços digitais, ao mesmo tempo que reduz os riscos de congestionamento. Proporciona também redundância face ao primeiro cabo submarino, reforçando a resiliência da rede em caso de falha ou sobrecarga. Esta dupla conectividade permite absorver melhor o crescimento do tráfego e assegurar uma maior continuidade dos serviços essenciais, nomeadamente a administração eletrónica, os serviços financeiros e os usos profissionais.

Para além do desempenho técnico, os cabos submarinos estão associados a uma redução dos custos para os consumidores. Um relatório publicado em junho de 2025 pela Fundação para os Estudos e Investigação sobre o Desenvolvimento Internacional (FERDI) indica que o aumento das capacidades internacionais pode levar a uma redução de preços até 32 % para a internet fixa e 50 % para a internet móvel. Por exemplo, a entrada em funcionamento do cabo Didon na Tunísia, em 2014, resultou numa redução de cinco pontos nas tarifas da internet móvel.

Na Mauritânia, as despesas com 5 GB de internet móvel representam 2,94 % do rendimento nacional bruto per capita em 2025, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT). Este rácio atinge 17,6 % para a internet fixa, muito acima do limiar de 2 % considerado acessível.

Neste contexto, a redução dos preços pode favorecer uma adoção mais ampla dos serviços de telecomunicações, em particular da internet, e, por consequência, dos serviços digitais. Segundo a UIT, apenas 45,8 % dos mauritanos utilizavam a internet em 2024.

Isaac K. Kassouwi

 

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