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Equipe Publication

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Enquanto a África enfrenta um elevado desemprego juvenil e um déficit de startups viáveis, iniciativas de financiamento e de fortalecimento de capacidades se multiplicam para estimular o empreendedorismo e o emprego, oferecendo novas oportunidades de crescimento econômico.

A Tony Elumelu Foundation (TEF) abriu oficialmente as candidaturas para o seu Programa de Empreendedorismo 2026 (TEEP), uma iniciativa destinada a apoiar jovens empreendedores. O programa oferece capital semente não reembolsável de até 5.000 dólares, treinamento profissional intensivo de 12 semanas, acompanhamento individual por mentores e oportunidades de networking internacional para empreendedores de todos os setores.

O TEEP ocorre em várias etapas, incluindo candidatura e seleção, verificação, treinamento em gestão empresarial, desenvolvimento do plano de negócios, competição de pitch e concessão do capital. Segundo informações oficiais, os beneficiários recebem os fundos por transferência eletrônica em suas contas profissionais, enquanto aqueles não selecionados podem continuar a participar do treinamento e se candidatar nos ciclos seguintes. O programa é voltado para empreendedores africanos, sejam eles donos de uma empresa ou apenas com uma ideia de projeto, e é oferecido em inglês, francês, português e árabe, a fim de abranger todo o continente.

O empreendedorismo continua sendo um vetor-chave para o emprego na África, onde cerca de 3 em cada 4 jovens adultos ocupam empregos precários, segundo o Banco Mundial. Ao fornecer capital, habilidades e rede de contatos, o TEEP busca preencher o déficit de startups viáveis e de empreendedores capacitados, contribuindo para a emergência de empresas capazes de criar empregos duradouros e dinamizar a economia local.

Este anúncio ocorre enquanto a África Subsaariana continua enfrentando um desemprego juvenil estruturalmente alto, estimado em 11,3% em 2025, e um descompasso entre formação e necessidades do mercado, de acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento.

Félicien Houindo Lokossou

 

 

Com o lançamento de sua estratégia de desenvolvimento “Visão 2030” em 2016, o Egito fez do digital um pilar essencial de seu crescimento. O desenvolvimento das infraestruturas de TIC e a promoção da inclusão digital são seus principais vetores.

Na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, o chefe de Estado egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, ressaltou a importância de abrir novas perspectivas para a indústria de telecomunicações e digital. Ele solicitou o estudo de possibilidades de desenvolvimento de centros de dados e serviços de computação em nuvem, a expansão da produção local de equipamentos de telecomunicações e a implementação de mecanismos eficazes de apoio e promoção dos produtos nacionais.

Essas questões foram abordadas em reunião com vários colaboradores, incluindo o Primeiro-Ministro Moustafa Madbouly, o Ministro das Comunicações e Tecnologias da Informação, Amr Talaat, e o Presidente Executivo da Autoridade Nacional de Regulação das Telecomunicações (NTRA), Mohamed Shamroukh.

Amr Talaat afirmou que as telecomunicações representam atualmente cerca de 6% do PIB e que o setor registra um crescimento anual entre 14% e 16% pelo sétimo ano consecutivo. O ministro também mencionou um aumento das exportações de serviços digitais, projetadas em 7,4 bilhões de dólares, contra 3,3 bilhões sete anos antes.

Ao investir no desenvolvimento de centros de dados, o Egito ganha em segurança para os dados estratégicos do Estado e de diversos setores do mercado nacional. O país também atrai empresas internacionais graças a uma credibilidade de infraestrutura que contribuirá para posicioná-lo como um polo regional de serviços digitais de alto desempenho.

As telecomunicações são atualmente um dos pilares da economia digital na África, especialmente no Egito. Reforçar a produção local de equipamentos apoiará investimentos mais acessíveis dos operadores de telecomunicações na modernização das redes. No caso dos telefones móveis produzidos localmente, devido a preços mais sustentáveis, eles devem ser mais acessíveis e contribuir para um maior uso de serviços digitais de valor agregado por uma parcela maior da população.

Segundo Amr Talaat, a capacidade de produção de celulares passou de 3,3 milhões de unidades em 2018 para 10 milhões em 2025, com valor agregado local de cerca de 40%. A meta declarada é elevar a capacidade anual para 15 milhões de unidades. Graças aos esforços de localização da indústria iniciados em 2016, incluindo vários incentivos, o país já atraiu 15 marcas internacionais, entre elas Samsung, Xiaomi, Oppo, Vivo e Nokia, além de cerca de 200 milhões de dólares em investimentos.

Muriel EDJO

 

Esse desenvolvimento ocorre em um contexto de fortalecimento das ligações marítimas entre a Ásia e a África. Iroko é uma linha de transporte lançada pela MSC para conectar diretamente os portos asiáticos a várias fronteiras portuárias da África Ocidental e da África Central.

A armadora MSC (Mediterranean Shipping Company) informou que, a partir do final de janeiro de 2026, seu serviço marítimo Iroko oferecerá uma conexão direta entre a China, Singapura e o porto sul-africano de Cidade do Cabo. Essa modificação amplia a cobertura geográfica da linha para a África Austral, mantendo o atendimento aos portos da África Central e Ocidental.

Segundo a empresa, a nova configuração do serviço baseia-se em uma rotação que liga vários portos asiáticos, incluindo Ningbo, Nansha e Singapura, a portos africanos localizados nas regiões austral, central e ocidental do continente africano. O novo itinerário completo é: Ningbo – Nansha – Singapura – Cidade do Cabo – Pointe-Noire – Cotonou – Apapa – Tincan/Lagos – Onne – Lobito – Cidade do Cabo – Singapura – Xiamen – Ningbo. O primeiro navio a operar nesta nova rotação será a viagem FN604A, com escala prevista em Ningbo em 23 de janeiro de 2026.

Como particularidade de sua oferta, a armadora informa operar este serviço de forma autônoma, permitindo oferecer uma capacidade superior à da concorrência. “Este serviço reforçado se destaca no mercado por sua configuração autônoma e ilustra o compromisso da MSC em fortalecer a conectividade da África com seus principais parceiros comerciais, incluindo a China”, indica a empresa, ressaltando que a oferta atenderá a diversos setores, incluindo distribuição, embarque de painéis solares e outras indústrias de bens destinados aos consumidores finais.

O serviço Iroko foi lançado pela MSC em setembro de 2025 como ligação marítima direta entre a China, Singapura e vários portos da África Ocidental e Central, incluindo Pointe-Noire, Cotonou, Lagos, Onne e Lobito. Na ocasião, a empresa destacou ligações semanais adicionais, destinadas a complementar os fluxos que transitam por hubs regionais como Lomé ou Tema, bem como a reduzir as interrupções de carga relacionadas às operações de feeder.

O lançamento do serviço fazia parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da capacidade da MSC nas rotas africanas, materializada, em particular, pela introdução de porta-contêineres de grande capacidade em vários corredores do continente.

 

Ao produzir seus primeiros ânodos de cobre puro, a fundição de Kamoa-Kakula marca uma etapa importante para o setor de mineração congolesa em sua integração industrial. Em um contexto de tensões na oferta global de cobre e aumento dos preços, essa infraestrutura concretiza uma estratégia de valorização local anunciada desde 2021.

A Ivanhoe Mines anunciou no início de 2026 que sua nova fundição, construída no sítio de sua mina de Kamoa-Kakula, na República Democrática do Congo, produziu seus primeiros ânodos de cobre puro a 99,7% em 29 de dezembro de 2025. Trata-se de um avanço industrial notável para esse complexo mineiro, cujo crescimento está sendo acompanhado de perto pelos observadores do mercado de metais.

Com um custo anunciado de 700 milhões de dólares, a fundição visa uma capacidade nominal de processamento de 500.000 toneladas de concentrado por ano, o que a torna, segundo a Ivanhoe, a maior instalação desse tipo na África. A infraestrutura permitirá, a longo prazo, processar localmente o concentrado proveniente das três unidades de tratamento do sítio minerário. Até a plena capacidade, prevista para o final de 2026, a empresa estima que suas vendas de cobre excederão a produção anual, devido à comercialização gradual de estoques anteriores, formados antes da entrada em operação da fundição.

O sítio também produzirá até 700.000 toneladas por ano de ácido sulfúrico, subproduto utilizado na indústria de mineração regional, cuja demanda aumentou após a proibição de exportação imposta pela Zâmbia em setembro de 2025. As primeiras vendas já foram realizadas, segundo a empresa.

Processar localmente em vez de exportar bruto

Além dos números, essa entrada em produção simboliza uma mudança de paradigma industrial para Kamoa-Kakula. Desde o início das operações em 2021, a mina exportava a maior parte de seu concentrado de cobre para fundições fora do território congolês. Uma parte (cerca de 35%, segundo várias fontes) também era processada localmente, na planta de Lualaba.

“Esta instalação fornecerá ânodos de cobre congoleses da mais alta qualidade para os mercados internacionais, estabelecendo um novo padrão mundial em termos de escala, eficiência e sustentabilidade”, comentou o empresário canadense-americano Robert Friedland, um dos líderes da Ivanhoe Mines.

A construção de uma fundição no próprio sítio segue a lógica de valorização local formulada pela empresa desde 2021, com o objetivo de reduzir custos logísticos (o volume de cobre por carregamento é maior uma vez transformado), garantir mercados e diversificar fontes de receita. Segundo os últimos dados disponíveis, toda a produção de ânodos da fundição já está coberta por contratos de longo prazo, firmados com os grupos chineses CITIC Metal e Zijin Mining, bem como com o negociador suíço Trafigura.

Um anúncio em um mercado sob pressão

A entrada em operação dessa infraestrutura ocorre em um contexto de tensões persistentes na oferta global de cobre e expectativas de alta nos preços. O preço do metal vermelho apresentou tendência de alta em dezembro, chegando próximo de 13.000 dólares por tonelada no London Metal Exchange (LME) no final do mês, impulsionado pela expectativa de tarifas alfandegárias dos EUA sobre importações de cobre refinado e por preocupações com o abastecimento.

Entre os fatores de preocupação estão vários incidentes ocorridos em 2025, incluindo um terremoto que afetou Kamoa-Kakula em maio. Esse evento levou a Ivanhoe a revisar para baixo suas previsões de produção, agora estimada em cerca de 420.000 toneladas em 2025 e 2026, contra mais de 500.000 toneladas inicialmente previstas.

Nesse cenário, vários analistas esperam que os preços continuem subindo nos próximos meses. O grupo Citigroup estima que o cobre poderá ultrapassar 13.000 dólares por tonelada até o segundo trimestre de 2026, prevendo aumento de 2,5% no consumo mundial final ao longo do ano. Gregory Shearer, estrategista de metais do J.P. Morgan, considera que a combinação entre “estoques fragmentados” e “perturbações agudas na oferta mineira” cria condições para um mercado altista sustentável.

Essa dinâmica dá à entrada em produção da fundição de Kamoa-Kakula um significado particular, tanto para os acionistas quanto para o país anfitrião, oferecendo uma alavanca econômica adicional. Vale lembrar que o complexo mineiro é detido em 39,6% pela Ivanhoe Mines, 39,6% pelo grupo chinês Zijin Mining, 20% pelo Estado congolês e 0,8% pela Crystal River Global Limited.

Louis-Nino Kansoun

 

O banco central do Gana prepara vendas de divisas aos bancos e às empresas no mercado cambial durante este primeiro mês de 2026. A operação faz parte de uma estratégia destinada a reduzir as flutuações da taxa de câmbio e a gerir as reservas do país.

O Banco do Gana (BoG) anunciou, em 5 de janeiro de 2026, a sua intenção de vender até 1 bilhão de dólares no mercado cambial ao longo do mês. Esses dólares serão oferecidos aos bancos comerciais e às empresas que necessitam de divisas para as suas atividades, em particular para o pagamento de importações.

A operação insere-se no programa de intermediação cambial implementado pelo banco central. Nesse âmbito, o BoG atua como intermediário para injetar dólares no mercado de forma organizada. As vendas serão realizadas por meio de leilões, de acordo com regras definidas em um novo quadro de operações cambiais, recentemente aprovado pelo seu conselho de administração. Os volumes vendidos podem variar em função das condições do mercado, do nível da demanda por divisas e da disponibilidade das reservas.

Os objetivos perseguidos pelo banco central

O BoG explica que a venda de dólares visa, преждеiramente, limitar as fortes variações da taxa de câmbio. Quando as empresas não encontram divisas suficientes no mercado, a pressão sobre o cedi aumenta. Essa situação pode levar a uma rápida desvalorização da moeda nacional. Ao injetar dólares no mercado, o banco central procura atender parte da demanda e evitar movimentos bruscos no curto prazo. No entanto, esclarece que não busca fixar um nível específico da taxa de câmbio nem orientar o mercado em uma direção determinada.

Além disso, esse programa também serve para gerir as reservas cambiais do país. O Banco do Gana persegue um objetivo de acumulação de reservas, ao mesmo tempo em que utiliza parte desses recursos quando o mercado necessita. Uma parte dos dólares colocados à venda provém do programa nacional de compra de ouro. Nesse mecanismo, o banco central compra ouro produzido localmente, que é posteriormente convertido em divisas estrangeiras. Os dólares obtidos são então injetados no mercado cambial de forma gradual e controlada. Essa abordagem permite canalizar os fluxos de divisas de maneira ordenada, sem perturbar o funcionamento normal do mercado.

Os resultados observados em 2025 e os desafios para 2026

Em dezembro de 2025, o Banco do Gana havia previsto vender até 800 milhões de dólares. O montante efetivamente vendido atingiu 721 milhões de dólares. Essas vendas foram realizadas por meio de leilões abertos, acessíveis a todos os bancos autorizados. Desde o lançamento do programa revisto, em setembro de 2025, os montantes injetados no mercado distribuíram-se da seguinte forma: 1,1 bilhão de dólares em setembro, 1,3 bilhão em outubro, 1 bilhão em novembro e 721 milhões em dezembro. Segundo os participantes do mercado, essas operações contribuíram para a estabilidade do mercado cambial e do cedi em 2025.

O Banco do Gana indica que o cedi se valorizou 40,67% em relação ao dólar ao longo de todo o ano de 2025, atingindo cerca de 10,45 cedis por dólar. De acordo com dados compilados pela Bloomberg, a moeda ganense registou em 2025 a sua primeira valorização anual desde pelo menos 1994. Entre as 144 moedas acompanhadas pela agência financeira, o cedi ocupa a segunda posição em termos de valorização frente ao dólar, atrás apenas do rublo russo.

Para 2026, a atenção concentra-se no primeiro trimestre. Esse período é frequentemente marcado por um aumento da demanda por divisas. As empresas ampliam as suas importações e as companhias listadas distribuem dividendos a acionistas estrangeiros. Esses fatores podem exercer pressão sobre o mercado cambial. A estratégia do Banco do Gana será, portanto, acompanhada de perto para avaliar a sua capacidade de responder a essa demanda mantendo, ao mesmo tempo, um funcionamento ordenado do mercado.

Chamberline MOKO

 

Diante da forte dependência do seu sistema elétrico da energia hidrelétrica, a Zâmbia multiplica os projetos solares de grande escala, uma dinâmica fortemente impulsionada em 2025 e que deverá se prolongar em 2026.

Em 17 de dezembro de 2025, as autoridades zambianas lançaram as obras de construção do projeto solar fotovoltaico de Siavonga, com capacidade de 100 MW, para um investimento anunciado de 80 milhões de dólares americanos.

O projeto é desenvolvido pela companhia nacional ZESCO Limited por meio de sua joint venture JIGSCO Energy Corporation Limited, em parceria com a Jigsaw Investments e a Power China como contratante EPC. A entrada em operação comercial está prevista para dezembro de 2026. O projeto é apresentado como um instrumento para o reforço da segurança energética e da resiliência da rede elétrica diante das restrições climáticas que afetam a produção hidrelétrica.

Dois dias depois, em 19 de dezembro, o governo deu início às obras de construção de outro projeto solar de 100 MW, o Chisamba Fase II. Segundo o Ministério da Energia, esse projeto também se insere na estratégia nacional de diversificação da matriz elétrica, com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade do sistema elétrico.

Essa sequência prosseguiu já no início de 2026 com um avanço operacional, em particular em Mansa, na província de Luapula, onde os testes de pré-comissionamento de uma usina solar de 50 MW permitiram a injeção de cerca de 14 MW na rede. Essa capacidade supera a demanda de pico local, estimada em 9 MW, contribuindo para o fim do racionamento de energia durante o dia em Mansa e parcialmente em Kasama. A entrada em operação completa da usina está prevista para abril de 2026.

Paralelamente, essa orientação em direção à energia solar estende-se à província sul do país, região que historicamente concentra as principais infraestruturas hidrelétricas. Nos dias 4 e 8 de dezembro de 2025, as autoridades e a ZESCO lançaram as obras de uma usina solar de 100 MW em Chirundu, de outra de 35 MW em Choma, bem como de uma linha de transmissão de 330 kV.

As usinas de Chirundu e de Choma estão localizadas na mesma zona que as barragens hidrelétricas de Kafue Gorge Upper, Kafue Gorge Lower e Kariba North Bank, pilares históricos da produção elétrica nacional.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a hidreletricidade representava cerca de 90% da eletricidade produzida na Zâmbia em 2023. No entanto, com projetos solares já operacionais e outros em construção em várias províncias, o país lança as bases para a ascensão gradual de uma alternativa e caminha para um sistema elétrico mais confiável.

Abdoullah Diop

 

Essa escolha ocorre em um contexto de volatilidade do mercado petrolífero. O preço do petróleo bruto caiu em 2025, em meio a crescentes temores de excesso de oferta.

Durante uma breve reunião virtual realizada no domingo, os oito principais membros da OPEP+ decidiram não alterar suas metas de produção para os meses de janeiro, fevereiro e março. Essa orientação confirma uma decisão tomada em novembro passado, quando o grupo optou por suspender temporariamente os aumentos de produção durante o trimestre, devido a uma demanda sazonalmente mais fraca durante o inverno no hemisfério norte.

Os países envolvidos são Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã. Juntos, eles representam mais da metade da produção mundial de petróleo. Em 2025, esses oito produtores haviam elevado suas metas de produção em cerca de 2,9 milhões de barris por dia, o equivalente a quase 3% da demanda mundial, em uma estratégia destinada a recuperar participação de mercado após vários anos de cortes voluntários voltados a sustentar os preços. Segundo a Reuters, nenhum novo ajuste foi discutido durante a primeira reunião do ano.

Essa decisão de estabilidade no curto prazo ocorre enquanto o mercado petrolífero sai de um ano difícil. Em 2025, os preços do petróleo bruto recuaram mais de 18%, registrando a maior queda anual desde 2020. Esse recuo se explica, em grande parte, por preocupações persistentes com o excesso de oferta.

Um mercado sob pressão diante do risco de excedente

A prudência demonstrada pela OPEP+ ganha um significado especial à luz do atual contexto geopolítico, marcado por tensões persistentes entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos em torno do conflito no Iêmen, bem como pelas incertezas que cercam o futuro da Venezuela, país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

Enquanto aumentam as dúvidas sobre as perspectivas da produção petrolífera para o novo ano, a Agência Internacional de Energia apresentou algumas chaves de análise em um relatório publicado em outubro passado. A agência explicou, em especial, que o futuro do mercado permanece ligado à reintrodução gradual no mercado de volumes anteriormente retirados pela OPEP+, combinada com o crescimento da oferta fora do cartel, especialmente nos Estados Unidos, Brasil, Canadá, Guiana e Argentina.

Em uma atualização publicada em dezembro, a organização prevê para 2026 um excedente de cerca de 3,8 milhões de barris por dia, ligeiramente inferior às estimativas anteriores. Essa revisão se deve a perspectivas de oferta revistas para baixo, relacionadas, em especial, às sanções que afetam a Rússia e a Venezuela, bem como a um crescimento da demanda ligeiramente mais forte do que o previsto.

 

 

A África do Sul enfrenta problemas de fornecimento de eletricidade desde 2007. No país, a empresa pública Eskom está no centro dessas dificuldades de abastecimento energético.

A companhia sul-africana de eletricidade Eskom anunciou, na sexta-feira, 2 de janeiro, que garantiu o fornecimento de energia elétrica durante 231 dias consecutivos. Embora esse período seja inferior ao resultado anterior de 2024 (282 dias), ele confirma, ainda assim, a melhoria progressiva do serviço prestado pela empresa, após um ano de 2023 marcado por quase 300 dias de cortes de energia, que pesaram fortemente sobre a economia da nação mais industrializada do continente.

Para os dirigentes, trata-se agora de uma má lembrança. Em comunicado, a empresa destacou que apenas 26 horas de cortes programados foram registadas em abril e maio.

De forma mais geral, a Eskom aponta para uma melhoria na manutenção das suas centrais, o que permitiu elevar o fator de disponibilidade energética para 69,1% em dezembro de 2025, contra 56,6% no mesmo mês um ano antes. A Eskom, que vem implementando há alguns anos um plano de recuperação operacional da produção para reduzir as suas despesas com diesel, já colheu os frutos dessa estratégia.

Num comunicado publicado em 28 de novembro de 2025, a empresa pública prevê um lucro após impostos em torno de 16 mil milhões de rands (971 milhões de dólares) até ao final do seu exercício financeiro, em março de 2026, um nível semelhante ao registado um ano antes.

Ela obteve um lucro líquido de 24,3 mil milhões de rands (1,47 mil milhões de dólares) ao final da primeira metade desse exercício, graças à redução dos custos financeiros, à diminuição do nível de endividamento e ao aumento médio das tarifas de eletricidade.

A empresa, outrora vista como um fardo pelos investidores, contribuiu no ano passado para a melhoria da notação soberana de longo prazo da África do Sul em moeda estrangeira, de BB- para BB, algo inédito em duas décadas.

Espoir Olodo

 

Gabão aumenta 15 vezes o orçamento do Ministério das Minas para 2026

O Gabão multiplicou por 15 o orçamento do Ministério das Minas para 2026, mais um indicativo das expectativas que Libreville deposita no setor. Entre o reforço da transformação local e o desenvolvimento de novas cadeias industriais, os desafios para o novo ministro são numerosos.

Ministro do Petróleo e Gás desde maio de 2025, Sosthène Nguema Nguema (foto) mudou de pasta no novo governo nomeado na quinta-feira, 1 de janeiro de 2026, pelo presidente Brice Oligui Nguema. Ele assume agora o Ministério das Minas e Recursos Geológicos.

Engenheiro de formação, Sosthène Nguema Nguema entrou no panorama institucional do Gabão como deputado do Parlamento transitório, criado após o golpe de agosto de 2023. Tornou-se ministro do estratégico setor do Petróleo, principal produto de exportação do Gabão, e foi eleito deputado pelo partido no poder, a União Democrática dos Construtores (UDB), nas eleições legislativas de setembro e outubro de 2025. Ao herdar o Ministério das Minas, ocupado desde janeiro de 2024 por Gilles Nembé, Sosthène Nguema Nguema assume uma pasta igualmente estratégica para a economia gabonesa.

O setor mineiro representa cerca de 6% do PIB e 7% das receitas extractivas, estimadas em 1.570 mil milhões de FCFA (2,80 mil milhões de dólares) em 2022, segundo a Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extractivas (ITIE). O governo pretende aumentar esta contribuição, como demonstra o orçamento de 68,12 mil milhões de FCFA (121 milhões de dólares) anunciado para 2026, um aumento de cerca de 1.400% face a 2025.

O objetivo é reduzir a dependência do Estado dos hidrocarbonetos, promovendo o crescimento do setor mineiro. Estão previstas prospecções de novos depósitos, assim como um reforço do controlo sobre os operadores. O país procura ainda otimizar a exploração do manganês, do qual é o segundo maior produtor mundial, através da reabilitação da ferrovia Transgabonesa, que transporta o minério até ao porto para exportação.

Além disso, há um foco na transformação local, com a proibição das exportações de manganês bruto a partir de 2029. Estes são alguns dos desafios que aguardam o novo ministro das Minas.

Emiliano Tossou

 

Segundo os dados mais recentes da ITIE, a Libéria gerou exportações mineiras no valor de 1,16 mil milhões de dólares em 2023. O país, que ainda possui reservas significativas de ouro e minério de ferro inexploradas, está a esforçar-se para aumentar a contribuição económica do setor mineiro.

A Libéria quer tornar o setor mineiro e energético um pilar central das suas finanças públicas. O governo revelou um plano estratégico para o período 2025-2029, com a ambição de aumentar as receitas anuais provenientes dos recursos naturais para mais de 3 mil milhões de dólares, num país onde a exploração mineira ainda está abaixo do seu potencial fiscal e económico.

Apresentado pelo Ministério das Minas e Energia durante uma cerimónia oficial em dezembro de 2025, na capital Monróvia, este plano envolve o reforço das capacidades nacionais em matéria de prospeção e a criação de dados geológicos fiáveis. Segundo detalhes divulgados pelo media local Daily Observer, as autoridades pretendem apoiar-se na experiência técnica de França, China e Estados Unidos para atualizar informações geológicas nacionais que datam de 1972.

O ministério prevê também digitalizar 80% dos seus procedimentos até 2029, contra cerca de 40% atualmente. Pretende ainda reduzir a dependência exclusiva das royalties mineiras, apostando mais na participação acionária nas empresas mineiras. De acordo com a legislação atual, o governo pode deter gratuitamente entre 10% e 15% dos projetos mineiros.

No setor da mineração artesanal e de pequena escala (ASM), a Libéria quer duplicar o número de mineiros licenciados até 2029, passando de cerca de 500 para 1 000, e criar 15 cooperativas de ASM. O plano deverá contar com um investimento global de 39,5 milhões de dólares, com o apoio, nomeadamente, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

O setor das minas e da energia pode contribuir de forma significativa para o nosso orçamento nacional, até mais de três mil milhões de dólares, se investirmos nas áreas com maior retorno”, afirmou Matenokay Tingban, ministro libério das Minas e Energia.

Para recordar, o setor extractivo da Libéria assenta nas minas, já que o país não conseguiu lançar nenhum projeto petrolífero comercial nas últimas duas décadas. Em setembro de 2025, as autoridades concederam vários blocos de exploração à francesa TotalEnergies, na esperança de uma descoberta significativa no futuro próximo.

Entretanto, o último relatório da Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extractivas (ITIE), publicado em dezembro de 2025, revela que as exportações mineiras do país atingiram 1,16 mil milhões de dólares em 2023. Estas são compostas maioritariamente por ouro (48,82%) e minério de ferro (35,68%), com uma pequena parcela de diamantes. Embora o Estado pretenda triplicar estas receitas até 2029, ainda não detalhou a contribuição esperada de cada produto mineiro.

 

Emiliano Tossou

 

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