Governo guineense e parceiros lançam iniciativa para alfabetizar mais de 2 milhões de indivíduos até 2040.
O plano decorre de um manual recém-aprovado, projetado para padronizar a ação de atores técnicos e sociais, principalmente em áreas rurais.
Enfrentando uma alta taxa de analfabetismo há vários anos, a Guiné lança uma iniciativa ambiciosa para melhorar a educação de jovens e adultos e promover sua inclusão socioeconômica.
Em uma reportagem da RTG, divulgada na segunda-feira, 17 de novembro, na página do Facebook do Ministério da Educação Pré-Universitária e Alfabetização (MEPUA), foi divulgado que o governo guineense e seus parceiros estão trabalhando para alfabetizar mais de 2 milhões de jovens e adultos até 2040. A iniciativa baseia-se num manual de procedimentos recentemente aprovado, projetado para padronizar a ação de atores técnicos e sociais, especialmente em áreas rurais.
De acordo com as informações do canal público, o MEPUA revisou o manual elaborado em 2023 com o objetivo de modernizar os métodos e ferramentas de alfabetização. Momo Damba, diretor nacional de alfabetização, explica que esta atualização permite adaptar o conteúdo às necessidades atuais e esclarece os papéis de ONGs e serviços locais. O programa visa também reforçar a governança local envolvendo autoridades administrativas e formando uma força de trabalho qualificada, capaz de liderar e implementar ações no campo.
Essa iniciativa responde a um desafio significativo. A taxa de analfabetismo permanece alta em 68% desde 2016, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística citado pelo MEPUA em 2024. Ela afeta particularmente as mulheres, que representam mais de 75% das pessoas analfabetas, principalmente em áreas rurais.
A iniciativa surge no momento em que a nova constituição guineense prevê o uso de línguas nacionais na administração. Jean Paul Cedy, Ministro da Educação Pré-Universitária e Alfabetização, enfatizou que é possível efetivamente implementar essa medida mobilizando serviços dedicados à promoção, estudo e valorização dessas línguas para torná-las mais acessíveis aos alunos.
Félicien Houindo Lokossou
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 22% dos trabalhadores africanos estão em situações que limitam suas perspectivas e retardam a dinâmica econômica.
A falta de emprego pleno ou de tarefas que geram renda adequada são fatores de subemprego, presentes principalmente em serviços informais urbanos, agricultura sazonal e empregos precários comumente ocupados por jovens.
Ter um emprego é um alívio para a maioria dos jovens, mas a agência especializada das Nações Unidas encarregada do trabalho lembrou em 2024 que mais de 22% dos trabalhadores africanos estão em situações que limitam suas perspectivas e retardam a dinâmica econômica.
Em uma situação considerada normal, um emprego é baseado em uma carga horária semanal próxima de tempo integral, geralmente em torno de quarenta horas em muitos países. O trabalhador então tem uma atividade regular, estável e suficientemente produtiva para gerar uma renda proporcional ao seu esforço e habilidades. O desequilíbrio ocorre quando essa estrutura não é mais mantida. A pessoa trabalha menos do que poderia, ou realiza tarefas que exigem muitas horas sem oferecer uma renda à altura do investimento fornecido. A duração ou a produtividade da atividade deixa de refletir suas habilidades reais e seu potencial.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), esta situação ocorre quando um indivíduo ocupa um emprego que não o permite utilizar plenamente suas habilidades ou sua disponibilidade. Esta definição abrange tanto as pessoas que gostariam de aumentar seu volume de trabalho, quanto aquelas cujo trabalho gera rendas muito baixas, apesar de um significativo compromisso.
A organização distingue duas realidades complementares. De um lado, alguns trabalhadores trabalham menos horas do que gostariam e permanecem disponíveis para atividades mais extensas — uma situação comum em serviços informais urbanos, agricultura sazonal ou empregos precários frequentemente ocupados por jovens. De outro lado, muitos trabalhadores trabalham em tempo integral, às vezes além, mas em atividades que geram pouco valor. Equipamentos inadequados, retornos limitados ou o acesso reduzido à formação resultam em uma renda estagnada, apesar da alta carga de trabalho — uma realidade amplamente difundida em economias dominadas pelo trabalho informal e o autoemprego.
Por que este conceito é crucial para a análise econômica na África?
Para a OIT, entender o subemprego permite ir muito além das discussões habituais sobre o desemprego oficial, muitas vezes baixo, mas pouco representativo das condições reais de atividade. Ao observar essas formas de emprego insuficiente, instituições internacionais apontam a qualidade objetiva dos cargos, o nível de produtividade das economias, os obstáculos que dificultam a inserção dos jovens, e as limitações de um setor informal que absorve a maioria da força de trabalho sem oferecer perspectivas sólidas.
Ao revelar como os africanos trabalham, as condições em que operam e o valor gerado por suas atividades, esse indicador torna-se essencial para entender melhor os desafios do crescimento inclusivo. Enquanto uma grande parte dos trabalhadores africanos permanecer em empregos instáveis ou mal remunerados, a redução da pobreza continua obstruída.
Félicien Houindo Lokossou
47% da população do Níger, equivalente a quase 13 milhões de pessoas, estão em idade ativa, representando um potencial significativo para o mercado de trabalho.
O país é confrontado com desafios relacionados ao emprego, formação e inserção profissional em meio a um mercado de trabalho fragilizado com empregos frequentemente precários.
Embora o Níger enfrente um mercado de trabalho fragilizado e com empregos frequentemente precários, o país conta com uma população jovem e numerosa cujo potencial representa uma alavanca essencial para sustentar a economia.
Em um relatório publicado em fevereiro passado, a Coalizão Panafricana para a Transformação (PACT) revela que 47% da população nigerina está na faixa etária de 15 a 64 anos, representando assim um potencial considerável para o mercado de trabalho. Esta proporção destaca uma oportunidade demográfica importante, embora evidencie os desafios relacionados ao emprego, à formação e à inserção profissional.
Com cerca de 27,9 milhões de habitantes, segundo estimativas das Nações Unidas, isso equivale a quase 13 milhões de pessoas em idade ativa, todas capazes de se integrar ou sustentar a economia. Mesmo que essa proporção seja ligeiramente inferior à média africana, em valor absoluto ela é muito alta, e a cada ano centenas de milhares de jovens entram no mercado de trabalho.
A economia nigerina é amplamente informal. O Perfil do Mercado de Trabalho do Níger 2025, publicado pela Agência Dinamarquesa de Desenvolvimento Sindical (DTDA), indica que muitos trabalhadores dependem de empregos precários na agricultura de subsistência ou em pequenas atividades informais. Mesmo aqueles que têm emprego frequentemente estão subempregados e trabalham em posições pouco produtivas ou mal remuneradas, muito abaixo de seu potencial.
Este descompasso entre o potencial demográfico e a contribuição real para o crescimento econômico ilustra a necessidade de investir na formação profissional e no desenvolvimento de um setor privado capaz de oferecer empregos formais. Sem esses esforços, uma parcela significativa dessa força de trabalho permanecerá subutilizada, limitando o desenvolvimento econômico do país.
Félicien Houindo Lokossou
Governo burkinabé anuncia implantação de exame nacional final para estudantes de universidades privadas a partir do ano letivo de 2026-2027
Medida visa garantir paridade entre instituições públicas e privadas e assegurar a competitividade e a qualidade dos diplomas
O crescimento no número de instituições de ensino superior privadas tem levantado questões relacionadas à qualidade e equidade em Burkina Faso. Por isso, o governo decidiu implementar uma reforma para centralizar as avaliações, num momento em que a regulação do setor se torna uma prioridade nacional.
O governo de Burkina Faso anunciou a implementação de um exame nacional final para todos os estudantes matriculados em universidades privadas a partir do ano acadêmico 2026-2027. Apresentada aos proprietários das Instituições Privadas de Ensino Superior (IPES) em 13 de novembro, a medida faz parte de um novo conjunto de normas destinadas a impulsionar uma nova dinâmica para o ensino superior em Burkina Faso.
Segundo um relatório da Radiodifusión-Televisión de Burkina (RTB) divulgado pelo Ministério da Educação Superior, da Pesquisa e da Inovação (MESRI), os exames de graduação, mestrado e doutorado serão doravante organizados pelo Estado. De acordo com Adjima Thiombiano, Ministro responsável pela Educação Superior, o objetivo é "garantir a equidade entre as instituições públicas e privadas e assegurar diplomas competitivos e de qualidade".
O MESRI acredita que esta reforma responde às deficiências identificadas no antigo conjunto de normas. Ele faz parte de uma estratégia global de melhoria da qualidade do ensino superior privado, juntamente com outras iniciativas, como a obrigatoriedade dos centros universitários privados no campo da medicina de possuírem um centro hospitalar universitário e de contratarem progressivamente professores permanentes qualificados para as instituições privadas.
Esta nova orientação surge num momento em que o ensino superior em Burkina Faso está se desenvolvendo rapidamente, mas que a regulação e a qualidade tornam-se questões críticas. Segundo o quadro indicativo do ensino superior 2022/2023, o número total de estudantes era de 220.128, dos quais quase 20% estavam matriculados em instituições privadas. Dos 27.183 estudantes que obtiveram seus diplomas em 2022, o MESRI indica que 29,9% estavam matriculados em instituições privadas, ilustrando o crescente papel do setor privado na educação e a necessidade de um quadro de controle harmonizado.
Félicien Houindo Lokossou
A África pretende colocar a educação STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) no centro de sua estratégia para transformar sua juventude em força inovadora, impulsionar o crescimento e fortalecer a competitividade global.
A 22ª edição da Conferência sobre Educação em Matemática, Ciência e Tecnologia na África (COMSTEDA) foi inaugurada no Malawi para explorar o tema: "Reimaginando a STEM para um Futuro Pan-Africano: Unindo Educação, Inovação e Desenvolvimento Sustentável rumo à Agenda 2063".
Diante das rápidas mudanças do século XXI, a África pretende colocar a educação STEM no centro de sua estratégia para transformar sua juventude em força inovadora, impulsionar o crescimento e reforçar sua competitividade no cenário global.
A 22ª edição da Conferência sobre Educação em Matemática, Ciência e Tecnologia na África (COMSTEDA) foi inaugurada na quarta-feira, 12 de novembro, no Bingu International Conference Centre (BICC) em Lilongwe, Malawi. Durante três dias, educadores, pesquisadores e tomadores de decisão exploraram o tema "Reimaginando a STEM para um Futuro Pan-Africano: Unindo Educação, Inovação e Desenvolvimento Sustentável rumo à Agenda 2063". O objetivo é repensar o ensino científico para torná-lo um motor de desenvolvimento sustentável no continente.
Logo na abertura, o ministro da Educação, Ciência e Tecnologia do Malawi, Bright Msaka, convocou uma mudança de postura. Para ele, a África não pode mais se contentar em consumir tecnologias importadas. "Nossas ciências e tecnologias devem igualar, ou até mesmo superar, os avanços dos outros continentes para que possamos não apenas sobreviver, mas prosperar de verdade", afirmou.
Essa mensagem é uma reafirmação da ambição de SMASE-Africa (Strengthening of Mathematics and Science Education in Africa), que pretende redefinir a educação STEM como uma prioridade educacional para transformar os desafios do continente em motores de inovação.
O presidente do Malawi, Lazarus Chakwera, por sua vez, ressaltou que a África tem um potencial humano e natural considerável, mas que ainda é pouco valorizado. Nesta perspectiva, reforçar a educação STEM torna-se uma estratégia imperativa para transformar esses ativos em inovações concretas e progresso sustentável.
A COMSTEDA 22 acontece em um momento em que o Malawi, como muitos outros países africanos, está revisando seus currículos e elaborando um novo quadro para melhor preparar os alunos para os desafios e oportunidades do século XXI. Essa evolução é ainda mais urgente porque, de acordo com um estudo do Banco Mundial publicado em 2023, menos de 25% dos estudantes do ensino superior na África se orientam para as áreas STEM, o que limita a formação de um forte contingente científico no continente.
Félicien Houindo Lokossou
O Governo da Costa do Marfim lançou uma campanha para incentivar seus estudantes no exterior, principalmente nos Estados Unidos, a retornarem e oferecerem suas habilidades para o desenvolvimento nacional.
O número de estudantes da Costa do Marfim no exterior passou de 6.000 em 2014 para mais de 10.000 em 2024, enquanto quase 50% dos graduados no país expressam o desejo de se estabelecer no exterior.
Enquanto o fenômeno da fuga de cérebros atinge a África, a Costa do Marfim está tentando valorizar seus cidadãos formados no exterior, lançando uma campanha para incentivar os estudantes marfinenses a retornar e colocar suas habilidades a serviço do desenvolvimento nacional.
Durante uma cerimônia organizada na quinta-feira, 13 de novembro de 2025, no auditório do Ministério das Relações Exteriores, da Integração Africana e dos Marfinenses no exterior em Abidjan, o governo da Costa do Marfim, em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos, lançou uma campanha de conscientização para o retorno dos estudantes marfinenses no exterior, especialmente aqueles estabelecidos nos Estados Unidos.
"Se o seu futuro fosse escrito aqui, na Costa do Marfim? Você se destacou nos Estados Unidos, adquiriu uma expertise rara. Agora, o país precisa de seus talentos. O verdadeiro sucesso? É construir onde nossas raízes dão todo o sentido ao nosso sucesso. É hora de voltar, é hora de agir!" - pode-se ler na página do Facebook do Ministério da Promoção da Juventude.
De acordo com informações divulgadas pela Agência Marfinense de Imprensa (AIP), a iniciativa está centrada no slogan: "O sonho americano não apaga o dever marfinense". No lançamento, a embaixadora Jessica Ba observou que o respeito às condições do visto é essencial para fortalecer a cooperação entre os países. "O visto não é um direito. É uma oportunidade excepcional de aprendizado, descoberta e desenvolvimento pessoal, assim como uma responsabilidade", enfatizou ela. Justine Aya Koffi, ex-estudante da Costa do Marfim nos Estados Unidos e agora executiva do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), testemunhou: "Escolhi voltar para casa porque é aqui que minhas habilidades fazem todo o sentido".
O governo não especificou os mecanismos de acolhimento nem os incentivos para os estudantes que decidirem retornar. A valorização das habilidades dos repatriados, seja através de posições na administração, no setor privado ou em projetos nacionais, ainda precisa ser definida, levantando questões sobre a concretização desta iniciativa.
Esta campanha chega num momento em que a intenção de emigração na Costa do Marfim continua alta. De acordo com a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o número de estudantes da Costa do Marfim no exterior passou de 6.000 em 2014 para mais de 10.000 em 2024, enquanto quase 50% dos graduados no país expressam o desejo de se estabelecer no exterior.
Félicien Houindo Lokossou
O Ministério da Educação Nacional (MEN) do Mali firma parceria com a Autoridade de Proteção de Dados Pessoais (APDP) para fortalecer a segurança do sistema educacional
A iniciativa tem como objetivo melhorar a performance dos sistemas de informação educativos e sua conformidade com as exigências legais e éticas
No crescente contexto de digitalização da educação na África Ocidental, o reforço da segurança e da ética dos sistemas escolares torna-se crucial para proteger estudantes, educadores e usuários, contribuindo assim para a modernização do serviço público.
No Mali, o Ministério da Educação Nacional (MEN) firmou na sexta-feira, dia 7 de novembro, uma convenção de parceria com a Autoridade de Proteção de Dados Pessoais (APDP). A iniciativa tem como objetivo garantir o desempenho dos sistemas de informação educativos e sua conformidade com as exigências legais e éticas.
Por meio desta convenção, o MEN e o APDP comprometem-se a colaborar na formação de professores, orientadores e administradores na proteção de dados pessoais, e a auxiliar o MEN na adequação de seu tratamento de dados. Além disso, planejam a incorporação de módulos didáticos sobre proteção de dados nos programas educativos nacionais para sensibilizar estudantes e profissionais sobre estas boas práticas.
De acordo com o comunicado publicado na página do Facebook do MEN, ambos os parceiros trabalharão para implementar protocolos e procedimentos seguros na coleta, tratamento e conservação das informações escolares, a fim de proteger alunos, professores e usuários, permitindo-lhes operar em um ambiente digital seguro. O Ministro Amadou Sy Savane (foto, à esquerda) indicou que esta iniciativa é parte integral da visão de revitalização do sistema educacional defendida pelo governo, onde a governança digital é um pilar central da modernização.
Esta convenção de parceria surge em um momento em que o Mali está engajado em um processo de modernização rápida, com a recente adoção de uma aplicação web composta por 14 módulos para a gestão centralizada de inscrições, exames e presença em instituições de ensino. Segundo dados disponíveis, esta ferramenta já teria gerado uma economia de quatro bilhões de francos CFA (aproximadamente 7 milhões de dólares).
Félicien Houindo Lokossou
O emprego público é um dos principais fornecedores de empregos formais para a juventude qualificada na África, mas os bloqueios recorrentes nos recrutamentos revelam uma preocupante fragilidade institucional.
Diversas situações em países africanos destacam falhas estruturais na gestão de recursos humanos no setor público, sublinhando a necessidade de garantir processos transparentes e justos.
Em um contexto onde o Estado permanece um dos principais provedores de empregos formais para a juventude qualificada, os bloqueios recorrentes nos recrutamentos públicos revelam uma fragilidade institucional preocupante.
Na África, o acesso a um emprego público estável continua sendo um grande desafio. A Organização Internacional do Trabalho relatou em 2023 que mais de 53 milhões de jovens na África Subsaariana estavam desempregados, sem educação ou treinamento, representando cerca de 21,9% dessa faixa etária. Essa precariedade é intensificada pelo fato de, conforme o Instituto de Estudos de Segurança (ISS), aproximadamente 85% dos empregos no continente eram informais em 2024, ilustrando a predominância do trabalho informal.
Diante desses dados, o emprego público surge como um caminho privilegiado de inserção. No entanto, os procedimentos de recrutamento regularmente enfrentam bloqueios ou contestações que expõem as limitações da governança e a necessidade de garantir processos transparentes e justos.
No Quênia, o Tribunal Superior suspendeu na segunda-feira, 10 de novembro, a campanha de recrutamento de 10.000 policiais por parte da National Police Service devido a um pedido contestando a constitucionalidade do processo. Em suas declarações, o juiz Bahati Mwamuye exigiu a paralisação dos procedimentos até que o tribunal decida sobre a legalidade do processo.
No Malauí, o governo interrompeu em 7 de outubro todos os recrutamentos em organizações paraestatais e empresas públicas (SOE). Esta decisão seguiu-se à dissolução dos conselhos de administração e alegações de "recrutamentos ilegais e contratos retroativos", segundo Justin Saidi, secretário do governo.
Na Nigéria, em julho de 2025, um portal de recrutamento para quatro agências paramilitares foi suspenso para correção antes de sua reabertura. De acordo com as declarações de Abdulmalik Jibril, secretário da Civil Defence, Correctional, Fire and Immigration Services Board (CDCFIB), esta decisão visava "garantir a transparência e a justiça no processo".
Em Gana, 500 pessoas foram retiradas dos serviços de segurança em julho de 2025, após uma auditoria governamental que envolveu 5200 recrutas. O Ministro do Interior, Muntaka Mohammed-Mubarak, explicou que esta medida segue uma denúncia da minoria parlamentar em agosto de 2024, destacando irregularidades nos procedimentos de contratação.
O que essas irregularidades revelam
Essas situações destacam falhas estruturais. O relatório da 9ª conferência anual da rede APS-HRMNET (African Public Sector Human Resource Managers’ Network) em 2024 indicou que as práticas de gestão de recursos humanos no setor público africano são "frequentemente ineficazes, pouco transparentes e mal monitorizadas". Essa situação alimenta a desconfiança do público e cria um terreno fértil para práticas clientelistas.
Em seu documento intitulado "Public service in Africa", a Mo Ibrahim Foundation observa que o serviço público africano enfrenta "altas expectativas de desempenho", ao mesmo tempo que sofre uma "erosão de suas capacidades de governança e atratividade".
Para vários pesquisadores, a modernização dos procedimentos de contratação na África se tornou uma prioridade. Um estudo independente publicado em maio de 2024 no ResearchGate explica que a digitalização do recrutamento poderia reduzir os prazos, limitar o nepotismo e fortalecer a rastreabilidade das decisões. No entanto, as reformas avançam lentamente, limitadas por restrições orçamentárias, falta de coordenação institucional e, por vezes, resistência interna à mudança.
Os especialistas concordam que esses bloqueios revelam a urgência de uma reforma profunda. Eles lembram que o Estado não pode mais se contentar em controlar a massa salarial. Torna-se essencial esclarecer as responsabilidades institucionais, estabelecer uma supervisão independente e garantir procedimentos críveis que assegurem a igualdade de acesso ao emprego público. Várias organizações enfatizam que a transparência e a competência devem se tornar novamente os pilares de um emprego público capaz de restaurar a confiança e apoiar o desenvolvimento.
Félicien Houindo Lokossou
MTN Zambia e MyScape Hub lançam o "Tech for Growth: Avançando a Inclusão Digital para a Zâmbia", visando capacitar mais de 1500 participantes ao longo de cinco meses
Iniciativa visa criar uma ponte para a economia digital para os jovens e as mulheres, dando acesso a formação, mentoria e incentivando o espírito empresarial
Numa Zâmbia onde o acesso à internet atinge menos de um terço da população, um novo programa tem como alvos os jovens e as mulheres para criar uma ponte para a economia digital.
A MTN Zambia anunciou sua parceria com a MyScape Hub para lançar o "Tech for Growth: Avançando a Inclusão Digital para a Zâmbia", um programa de cinco meses destinado a treinar mais de 1500 participantes. Conforme publicação em sua página no Facebook na sexta-feira, 7 de novembro, a iniciativa utiliza a MTN Skills Academy para desenvolver habilidades digitais, oferecer mentoria e encorajar o espírito empreendedor dos jovens e mulheres.
De acordo com os organizadores, o programa se desenrola em várias etapas. Os participantes participam de oficinas práticas e módulos online por meio da MTN Skills Academy, combinando sessões presenciais em centros comunitários e e-learning para alcançar tanto áreas urbanas quanto rurais. A MyScape Hub fica encarregada da logística local e do acompanhamento das participantes que desejam iniciar atividades empreendedoras.
A iniciativa estabelece um caminho completo para a economia digital, desde o treinamento até a certificação, e depois o direcionamento para empregos ou a criação de microempresas. Segundo as informações disponíveis, ela permite que os participantes criem valor, tenham acesso a empregos significativos e avancem na economia digital da Zâmbia, ao mesmo tempo que fortalece o compromisso da Fundação MTN Zambia em promover uma capacitação digital real e acessível.
Esse programa faz parte da estratégia nacional de transformação digital "Smart Zambia 2023-2026", que visa modernizar o serviço público e estimular a economia digital. O relatório "Digital 2024: Zambia" da DataReportal indica que apenas 31,2% da população usava a internet no início de 2024, ou seja, 6,51 milhões de usuários em uma população de 20,85 milhões. A exclusão digital ainda é particularmente marcante em áreas rurais e entre as mulheres, conforme ressaltado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no artigo "New Frontiers: Zambia embraces digital transformation".
Félicien Houindo Lokossou
A população de Burkina Faso mostra rápido crescimento, com mais de metade em idade de trabalho até 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Demografia (INSD)
O INSD estima que 52,6% dos 24,5 milhões de habitantes do Burkina Faso estarão em idade de trabalho, destacando a importância de políticas de emprego e formação
Enquanto Burkina Faso enfrenta um rápido crescimento populacional e desafios persistentes de emprego para os jovens, os recentes dados do INSD fornecem uma visão essencial da dinâmica de sua força de trabalho potencial.
Em abril de 2025, o Instituto Nacional de Estatística e Demografia (INSD) publicou os resultados da Pesquisa Nacional Semestral de Emprego (ENES) para o segundo semestre de 2024. De acordo com o relatório, Burkina Faso tem 11,08 milhões de pessoas em idade para trabalhar, ou seja, cerca de 52,6% de uma população total estimada em 24,5 milhões de habitantes.
Esses dados refletem a juventude da população do Burkina Faso, cuja maioria pertence à faixa etária de 16 a 39 anos, seguida pelas faixas etárias de 40 a 59 anos, enquanto aqueles com 60 anos ou mais representam a menor parcela. Essa estrutura demográfica ilustra o peso do capital humano do país e realça a importância das políticas de emprego e formação na perspectiva de um crescimento inclusivo.
O INSD esclarece que esses números ainda não incluem análises sobre emprego, desemprego ou níveis de qualificação. No entanto, eles constituem indicadores confiáveis para acompanhar a evolução da população ativa potencial e para orientar o planejamento estatístico e econômico nacional.
Comparados com as tendências regionais, esses dados permanecem consistentes com os observados na África Ocidental. Nesta região, a proporção da população em idade para trabalhar geralmente varia entre 50% e 55%, de acordo com estimativas de instituições internacionais como o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento.
Félicien Houindo Lokossou
O desemprego juvenil permanece um dos principais desafios econômicos do Quénia, que aposta na formação combinada para associar formação e empresas, desenvolver habilidades práticas e facilitar a inserção profissional em um mercado de trabalho carente.
Na quinta-feira, 6 de novembro, durante cerimônia realizada no Kiambu National Polytechnic (KINAP), no condado de Kiambu, o país oficializou sua política nacional de formação "dual training". Produto de vários anos de debate com os atores educacionais e o setor privado, essa política almeja transformar o sistema de formação técnica e profissional (TVET), aproximando teoria e prática para aumentar a empregabilidade dos jovens.
Concretamente, a política, adotada pelo Parlamento queniano em janeiro de 2025, estabelece um modelo onde os estudantes alternam a formação teórica no centro TVET e o aprendizado prático na empresa. De acordo com dados oficiais, mais de 10 mil aprendizes já participam dessa iniciativa em 100 instituições que cobrem 93 especialidades, em parceria com cerca de 1500 empresas. Inspirada no modelo alemão, implementado no país desde 2021, essa abordagem coloca a prática no centro da aprendizagem e promove a transição para uma economia mais qualificada e inovadora.
O programa conta com o apoio da Finlândia e da Alemanha através da agência de cooperação GIZ, no âmbito do projeto Promotion of Youth Employment and Vocational Training. Com essa iniciativa, o governo busca reduzir a lacuna entre as habilidades dos graduados e as expectativas das empresas. Ao integrar experiência prática à formação, o Quénia visa melhorar a produtividade e facilitar a inserção profissional dos jovens. "Estamos investindo em um futuro onde cada jovem tem as habilidades e a confiança necessárias para ter sucesso", enfatizou Julius Migos Ogamba, ministro da Educação.
Essa reforma surge enquanto o Quénia enfrenta um duplo desafio, ligado a uma população jovem em forte crescimento e um mercado de trabalho sob pressão. De acordo com os dados disponíveis, o país tinha quase 20 milhões de jovens entre 15 e 24 anos em 2024, com uma taxa de desemprego juvenil próxima a 11,93%, e a maioria dos empregos estava no setor informal.
Félicien Houindo Lokossou
Projeto do governo da Guiné visa conectar 2200 escolas públicas primárias à internet até o final de 2026.
Iniciativa faz parte do projeto GIGA, apoiado pela União Internacional das Telecomunicações (UIT) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
A transformação digital da educação é uma das prioridades das autoridades da Guiné. Como exemplo, em abril, lançaram a elaboração de uma estratégia para transformação digital do ensino técnico e formação profissional.
O governo da Guiné oficialmente lançou, na quarta-feira, 5 de novembro, uma iniciativa para conectar 2200 escolas primárias públicas à internet até o final de 2026. O projeto faz parte da iniciativa GIGA, apoiada pela União Internacional das Telecomunicações (UIT) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
Até o momento, cerca de 600 escolas em todo o país já receberam o equipamento necessário para garantir a confiabilidade de sua conexão. Até o final de 2025, o executivo pretende conectar 1000 escolas, o que beneficiará mais de um milhão de crianças. Segundo as autoridades da Guiné, este projeto permitirá que cada professor, aluno e participante do sistema educacional tenha acesso a recursos pedagógicos online.
Segundo Jean Paul Cédy, Ministro da Educação Pré-Universitária e da Alfabetização, a conexão das escolas à internet marca o início de uma nova era para a educação nacional, baseada na equidade digital e na abertura ao mundo. Ele disse que essa iniciativa permitirá, entre outras coisas, suprir a carência de professores, dar às crianças da Guiné os meios de se integrar ao mundo digital e mantê-las no ritmo das evoluções globais. "O professor de ontem não será necessariamente o de amanhã: ele poderá evoluir, treinar, transformar-se", afirmou.
A conexão das escolas à internet faz parte da digitalização do sistema educacional nacional. Por exemplo, a "Simandou Academy" do programa "Simandou 2040" aspira por uma educação de qualidade, inclusiva e voltada para a inovação. Um roteiro para a digitalização do setor foi estabelecido em 2021 para integrar as TICs, que apresentam "um vasto potencial e possibilidades ilimitadas para transformar a educação".
"A digitalização é também uma ferramenta didática para os alunos ao integrar livros, aulas, tarefas e notas de todos os alunos do país. É também a possibilidade de criar grupos de discussão nas diferentes disciplinas, lugares de encontro virtuais entre alunos guineenses sem barreiras, entre eles e outros alunos da sub-região, da África e do mundo", afirmou Mamadou Alpha Bano Barry, então ministro da Educação Nacional e da Alfabetização. Ele acrescentou que os pais poderão acessar a sala de aula de seus filhos com a possibilidade de consultar suas notas, tarefas e até suas cópias de avaliação.
Isaac K. Kassouwi
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define a população economicamente ativa como todos os indivíduos aptos para o trabalho que exercem uma atividade ou que estão disponíveis e procurando ativamente por um emprego.
Este conceito é crucial para governos e políticas públicas, auxiliando nas estratégias de criação de empregos, na identificação de necessidades de formação e nos mecanismos de integração profissional.
Em um contexto caracterizado por desemprego, precariedade e mudanças econômicas que redefinem as perspectivas de emprego, entender o conceito de população economicamente ativa é essencial para medir o potencial econômico e informar as políticas públicas.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a população economicamente ativa inclui todos os indivíduos em idade para trabalhar que exercem uma atividade ou que estão disponíveis e ativamente em busca de um emprego. Essa abordagem não se limita à simples contagem dos empregos existentes, mas busca avaliar o potencial produtivo total de uma sociedade. Assim, uma pessoa que trabalhou pelo menos uma hora durante a semana de referência é considerada ocupada, enquanto aquelas disponíveis, mas desempregadas, são classificadas como desempregadas.
Essa metodologia padronizada internacionalmente permite que as estatísticas sejam comparáveis entre os países e contribui para uma melhor compreensão da dinâmica real do mercado de trabalho. Para os governos, representa uma ferramenta que auxilia na tomada de decisões, identificando necessidades de treinamento, mecanismos de inserção profissional e estratégias para criação de empregos.
Relevância para a África e os países em desenvolvimento
Nas economias em desenvolvimento, especialmente na África, a alta proporção de jovens e a predominância do emprego informal tornam a interpretação dos indicadores tradicionais mais complexa. Medir com precisão a população economicamente ativa permite distinguir os trabalhadores que de fato contribuem para a economia daqueles que poderiam contribuir se as condições permitissem. O Banco Mundial, de fato, considera este indicador um dos pilares do planejamento de emprego e do crescimento inclusivo.
Entender a população economicamente ativa, segundo a definição da OIT, não implica apenas na produção de mais uma estatística, mas na compreensão do verdadeiro potencial humano de um país. Trata-se de uma ferramenta essencial para prever as mudanças no campo do trabalho e avaliar a capacidade de uma economia de transformar seu capital humano em uma força motriz para o desenvolvimento.
Félicien Houindo Lokossou
O lucro do Porto Autônomo de Douala (PAD) cresceu 25,9% no primeiro trimestre de 2025, mas o tráfego total caiu 6,9%
A queda foi causada por reduções no tonelagem de importações (-8,1%) e exportações (-1,8%)
O Porto de Douala é o principal porto de Camarões. Em um contexto de crescimento dos lucros, enfrenta uma queda no tráfego marítimo por vários motivos.
O Porto Autônomo de Douala (PAD), principal ponto de entrada marítimo do Camarões, teve um início de ano complexo. De acordo com o relatório econômico do Ministério das Finanças, sua receita aumentou 25,9% no primeiro trimestre de 2025, enquanto o tráfego total caiu 6,9%. Essa queda é explicada pela redução no tonelagem de mercadorias importadas (-8,1%) e exportadas (-1,8%). O número de navios atracados no porto de Douala-Bonabéri também caiu 11%, de 293 para 260 entre o quarto trimestre de 2024 e o primeiro trimestre de 2025.
Essa performance logística insatisfatória contrasta com o crescimento da receita, principalmente conjuntural, devido ao pagamento no início do ano de taxas domésticas. Em termos anuais, o ministério observou um aumento de 3,2% na receita do transporte marítimo, mas uma queda de 2,9% no tráfego total, puxado por quedas de 1,3% na tonelagem de importações e 9% nas exportações, confirmando as dificuldades persistentes na cadeia logística portuária nacional.
Sendo o coração econômico de Camarões, o Porto de Douala concentra entre 75% e 85% do frete nacional e uma parte significativa das mercadorias destinadas ao Chade e à República Centro-Africana. No entanto, ainda enfrenta congestionamento crônico. De acordo com a plataforma especializada Gocomet, o tempo de espera dos navios agora atinge nove dias, contra sete em Abidjan ou em Lekki (Nigéria).
Vários fatores explicam esta situação. O acesso via o rio Wouri requer dragagem regular para permitir a navegação de grandes navios. As fortes chuvas da estação também retardaram as operações de atracação. Isto é agravado pelo pico sazonal de atividades associadas ao início das exportações de cacau e ao aumento da demanda regional, o que intensifica a saturação dos terminais.
O Porto Autônomo de Douala afirma continuar seus investimentos para modernizar suas instalações. No final de 2023, a empresa anunciou um plano de investimento de 12 bilhões de FCFA para a aquisição de oito novos guindastes destinados a melhorar a produtividade. No entanto, no campo, a obsolescência do equipamento, a lentidão da dragagem e o contínuo aumento do tráfego continuam a afetar o desempenho do principal porto de Camarões.
Amina Malloum
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