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Nos últimos anos, a Costa do Marfim acelerou a sua transformação digital no âmbito da estratégia 2021-2025. Com o término desta fase, o país prepara uma nova folha de rota até 2035, destinada a consolidar os progressos alcançados e a reforçar a modernização dos serviços públicos e da economia digital.

A Costa do Marfim está a preparar uma nova estratégia digital para o horizonte de 2035. As principais orientações desta folha de rota foram apresentadas na segunda-feira, 1 de junho, pelo ministro da Transição Digital e da Inovação Tecnológica, Djibril Ouattara, em Abidjan, durante a abertura da 6.ª edição da African Digital Week 2026.

Segundo o ministro, esta estratégia assenta em sete pilares principais, desdobrados em cerca de quarenta projetos estruturantes. O objetivo é transformar profundamente os serviços públicos e reforçar o ecossistema digital nacional. As principais áreas de intervenção incluem o desenvolvimento da conectividade e do acesso aos serviços digitais, a transformação digital da administração pública, a promoção da inovação e da inteligência artificial, o reforço da cibersegurança e da confiança digital, o desenvolvimento de competências digitais e a modernização dos Correios da Costa do Marfim.

A nova folha de rota insere-se na continuidade das reformas lançadas nos últimos anos, mas representa uma evolução estratégica mais orientada para a integração de tecnologias emergentes e para a consolidação das infraestruturas digitais. O objetivo declarado é melhorar a eficácia da ação pública e, simultaneamente, estruturar um ecossistema de inovação mais competitivo.

Uma dinâmica iniciada com a estratégia 2021-2025

A nova estratégia sucede à estratégia digital 2021-2025, que permitiu acelerar os investimentos em infraestruturas e alargar progressivamente a oferta de serviços públicos digitais.

Durante este período, as subscrições de telefonia móvel registaram um crescimento significativo, passando de cerca de 44 milhões em 2021 para mais de 60 milhões em 2025. As subscrições de internet móvel também aumentaram fortemente, atingindo cerca de 38,5 milhões em 2025, face a níveis muito inferiores no início do período. A taxa de penetração da internet situou-se em cerca de 41% em 2025, refletindo uma melhoria contínua do acesso aos serviços digitais, embora persistam disparidades geográficas e sociais.

Ao mesmo tempo, os serviços públicos em linha expandiram-se progressivamente, com a digitalização de numerosos procedimentos administrativos e a multiplicação de plataformas digitais nos setores fiscal, civil e económico. Esta evolução contribuiu para modernizar o acesso aos serviços do Estado e melhorar a sua disponibilidade.

Segundo os dados do Nações Unidas, através do Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI), a Costa do Marfim obteve uma pontuação de 0,5587 em 2024, contra 0,5467 em 2022 e 0,4457 em 2020, refletindo uma progressão constante da maturidade digital do país.

Um motor económico cada vez mais importante

Para além dos serviços públicos, o digital afirma-se progressivamente como um motor estruturante da economia marfinense. O setor deverá representar cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030, contra aproximadamente 6% atualmente.

Numa perspetiva de mais longo prazo, a Banco Mundial estima que a economia digital poderá gerar mais de 20 mil milhões de dólares até 2050 para a Costa do Marfim, desde que sejam mantidos investimentos significativos, públicos e privados, em infraestruturas, competências e serviços digitais.

Samira Njoya

 

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O projeto de Lei de Finanças Retificativa para o exercício de 2026 visa integrar as novas orientações do Presidente da República, reforçando simultaneamente os investimentos nos setores sociais, das infraestruturas e da agricultura.

O Governo beninense decidiu submeter à Assembleia Nacional um projeto de Lei de Finanças Retificativa para o exercício de 2026, no valor de 4.086,62 mil milhões de francos CFA (7,2 mil milhões de dólares).

O anúncio foi feito no final do Conselho de Ministros realizado na quarta-feira, 3 de junho. Este novo orçamento representa um aumento de 8% face à Lei de Finanças inicial, que ascendia a 3.783,98 mil milhões de francos CFA.

As autoridades beninenses justificam esta revisão com «a entrada em funções do Presidente da República e a integração das suas orientações prioritárias». Os principais indicadores macroeconómicos mantêm-se globalmente inalterados. O Governo conserva a previsão de crescimento económico de 7,5% para o ano de 2026.

Ao mesmo tempo, as despesas com pessoal deverão diminuir 9,8%, enquanto as despesas de investimento deverão aumentar 8,5%. As receitas orçamentais, por sua vez, são esperadas em crescimento de 2%.

Os recursos adicionais previstos neste orçamento serão principalmente destinados aos setores sociais, à educação, à segurança, às infraestruturas e à agricultura. O Governo prevê, nomeadamente, melhorar o acesso à água nas escolas e nos centros de saúde, reforçar o seguro de saúde obrigatório e os mecanismos de apoio às pessoas vulneráveis.

A gratuitidade do ensino para as raparigas do ensino secundário será generalizada a partir do ano letivo de 2026-2027, enquanto os investimentos nas cantinas escolares, na videovigilância urbana, nas infraestruturas de saúde, nos transportes e no saneamento serão reforçados. O setor agrícola beneficiará igualmente de um apoio acrescido através da subvenção dos fatores de produção, com o objetivo de estimular a produção e reforçar a segurança alimentar.

Uma economia em crescimento, mas confrontada com desafios sociais

Esta revisão orçamental ocorre num contexto de forte dinamismo económico. O Benim registou um crescimento de 7,3% em 2025, sustentado pelas reformas implementadas nos últimos anos, pela aceleração dos investimentos públicos e pelo desenvolvimento de polos industriais, como a Zona Industrial de Glo-Djigbé, bem como pela expansão do setor do turismo e da agricultura.

Apesar destes resultados, o país continua a enfrentar vários desafios estruturais, nomeadamente no que respeita à redução da pobreza, à criação de emprego e à melhoria do acesso aos serviços sociais básicos.

Para responder a estes desafios, o Governo beninense adotou, em março passado, o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2026-2035. Neste âmbito, o Estado pretende reduzir as desigualdades sociais, com um índice de Gini médio de 30 durante o período 2026-2035, contra 34,4 em 2021, ao mesmo tempo que prossegue os esforços de reforço das instituições públicas e do Estado de direito.

Importa referir que este projeto de Lei de Finanças Retificativa para 2026 será submetido, nas próximas semanas, à apreciação e votação dos deputados.

Charlène N’dimon

 

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Transformar numa parceria pacificada um dos litígios mais pesados da história africana contemporânea constitui um verdadeiro feito diplomático. Paris e Kigali conseguiram-no ao associar o reconhecimento do passado a interesses cada vez mais convergentes.

Os Presidentes francês, Emmanuel Macron, e ruandês, Paul Kagame, inauguraram na terça-feira, 2 de junho, em Paris, um memorial dedicado às vítimas do genocídio dos Tutsi. Mais de trinta anos após os massacres que provocaram cerca de 800 mil mortos entre abril e julho de 1994 no Ruanda, este gesto prolonga uma aproximação entre os dois países que poucos consideravam possível há uma década.

Batizada «L'Archive», a obra da artista Grada Kilomba inscreve a memória do genocídio no coração da capital francesa. Erguido por iniciativa do Estado francês e da Câmara Municipal de Paris na Esplanada Habib Bourguiba, este espaço de recolhimento apresenta inscrições em francês, inglês, kinyarwanda e suaíli. Pretende ser um local de transmissão intergeracional da memória, dando continuidade ao processo memorial desenvolvido entre os dois países nos últimos anos.

Vinte e sete anos de desconfiança

O diferendo parecia durante muito tempo insolúvel. Kigali acusa a França de envolvimento antes, durante e após o genocídio, desencadeado a 7 de abril de 1994, no dia seguinte à morte do Presidente Juvénal Habyarimana. Paris negou durante anos qualquer responsabilidade e defendeu a honra dos seus militares, acusados pela justiça ruandesa. As relações diplomáticas foram interrompidas entre 2006 e 2009. Nicolas Sarkozy, primeiro Chefe de Estado francês a deslocar-se a Kigali após o genocídio, reconheceu então «graves erros», sem contudo conseguir dissipar as tensões.

O desbloqueio surgiu através da investigação histórica. Entregue em março de 2021 após dois anos de trabalho, o relatório da comissão liderada pelo historiador Vincent Duclert concluiu, ao longo de quase mil páginas, pela existência de «responsabilidades pesadas e esmagadoras» da França. A comissão, que beneficiou de um acesso sem precedentes aos arquivos do Estado, afastou, contudo, a tese de cumplicidade de Paris no genocídio.

Durante uma visita ao Ruanda dois meses depois, Emmanuel Macron deslocou-se, a 27 de maio de 2021, ao Memorial de Gisozi para reconhecer as responsabilidades do seu país, antes de nomear Antoine Anfré como embaixador em Kigali, um cargo que permanecia vago desde 2015. Em Paris, neste 2 de junho, o Presidente francês reafirmou esses compromissos e enquadrou esta abordagem num esforço memorial mais amplo, citando os casos da Argélia, dos Camarões, do Senegal e do Haiti.

Uma relação reconstruída com base em interesses partilhados

O trabalho de memória realizado pela França relativamente à sua responsabilidade no genocídio dos Tutsi serviu de base ao reforço da cooperação com Kigali. Em 2024, os dois países assinaram um acordo de parceria que prevê 400 milhões de euros em projetos de desenvolvimento ao longo de quatro anos. Através da Agência Francesa de Desenvolvimento e da Expertise France, Paris apoia a formação profissional dos jovens ruandeses, a segurança alimentar e o sistema de saúde.

Esta aproximação acompanha uma reorientação mais ampla da diplomacia africana francesa. Confrontada com uma perda de influência no seu antigo espaço francófono, a França procura reforçar a sua presença na África Oriental anglófona. O Ruanda, cuja economia cresceu 9,4% em 2025, ocupa um lugar de destaque nesta estratégia. O apoio de Paris à eleição da ruandesa Louise Mushikiwabo para a liderança da Organização Internacional da Francofonia (OIF), em 2018, já refletia essa visão. Apesar disso, as trocas comerciais permanecem modestas, tendo atingido 37,3 milhões de euros em 2024. Ainda assim, a presença francesa continua a crescer, com 45 empresas instaladas em Kigali nos setores da logística, hotelaria e tecnologias digitais no final de 2024, o dobro do registado em 2021.

Uma vertente económica ainda por consolidar

A cordialidade entre França e Ruanda continua, contudo, condicionada por um dossier importante: o papel do Ruanda na guerra que devasta o leste da República Democrática do Congo (RDC), através do apoio aos rebeldes do M23. Depois de ter exigido nas Nações Unidas, no final de 2025, a retirada das forças ruandesas do território congolês, Emmanuel Macron opôs-se, em maio de 2026, à margem da cimeira Africa Forward, em Nairobi, às sanções norte-americanas contra Kigali, considerando que a pressão externa tornaria o Ruanda menos cooperante.

Durante a inauguração do memorial em Paris, Emmanuel Macron voltou a defender o respeito por todas as soberanias na região dos Grandes Lagos. Este exercício de equilíbrio evidencia a fragilidade de uma relação bilateral que ainda necessita de ser consolidada tanto no plano diplomático como económico. O investimento direto francês no Ruanda permanece limitado, com um stock de apenas 7 milhões de euros em 2023, equivalente a 0,2% do total, muito atrás das Maurícias, do Quénia e dos Estados Unidos, principais investidores no país.

Os recursos mineiros do Ruanda, nomeadamente o estanho, o tungsténio e o tântalo, classificados pela União Europeia como minerais críticos, constituem uma via de reforço da cooperação ainda pouco explorada pelos dois países.

Emiliano Tossou

 

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Esta deslocação visa explorar novas perspetivas de cooperação em setores estratégicos como a defesa, as minas, a energia e as infraestruturas.

O Presidente do Níger, Abdourahamane Tiani, partiu de Niamey na quarta-feira, 3 de junho, com destino a Ancara, para uma visita oficial dedicada ao reforço das relações entre o Níger e a Turquia.

Esta missão diplomática ocorre num contexto de crescente aproximação entre os dois países e deverá permitir a análise de vários dossiês de interesse comum.

O Chefe de Estado faz-se acompanhar por uma delegação composta por vários membros do Governo, entre os quais o Ministro de Estado responsável pela Defesa, Salifou Modi, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Bakary Yaou Sangaré, e o Ministro da Economia e das Finanças, Mamane Laouali Abdou Rafat. Responsáveis por setores estratégicos como a saúde, a energia, a agricultura, as infraestruturas e as minas participam igualmente nesta visita.

A visita «insere-se no quadro dos esforços contínuos desenvolvidos pelo Níger para reforçar as suas parcerias internacionais e alargar as perspetivas de cooperação económica, de investimento e técnica com países amigos, em particular com a Turquia, cujas relações com Niamey evoluíram rapidamente nos últimos anos», refere a nota informativa.

O comunicado não fornece detalhes sobre a agenda dos encontros. No entanto, as conversações deverão incidir sobre investimentos, comércio, assistência técnica e oportunidades de cooperação económica.

Uma cooperação em plena expansão

Nos últimos anos, as relações entre Ancara e Niamey reforçaram-se significativamente. Os acordos multiplicaram-se nos domínios económico e da segurança. A Turquia tem demonstrado um interesse crescente pelo setor mineiro nigerino, nomeadamente na exploração de urânio. Além disso, foi assinado, em julho de 2025, um acordo de cooperação militar destinado a apoiar o reforço das capacidades de defesa do Níger.

Para Niamey, a parceria com Ancara representa uma diversificação das alianças económicas e a esperança de atrair investimentos turcos nos setores das minas, energia, infraestruturas, agricultura e indústria. A cooperação poderá igualmente alargar-se às áreas da saúde, do ensino superior e do desenvolvimento de competências.

Do lado turco, o Níger é visto como um parceiro estratégico no Sahel. Ancara procura assegurar o acesso aos recursos naturais, reforçar a sua presença económica em África e desenvolver as suas trocas comerciais com os países da Aliança dos Estados do Sahel.

A visita do Presidente Tiani deverá, assim, abrir caminho à celebração de novos acordos destinados a aprofundar ainda mais as relações entre os dois Estados e a dinamizar os intercâmbios comerciais, que ascenderam a cerca de 273 milhões de dólares em 2025, segundo dados do International Trade Centre (ITC).

Charlène N’dimon

 

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O governo destaca o seu desempenho recente no serviço da dívida, já executado em 68,5% até ao final de abril de 2026, e reivindica reconhecimento internacional pela sua gestão prudente.

A Tanzânia prevê destinar 14.219,4 mil milhões de xelins tanzanianos (cerca de 5,6 mil milhões de dólares) ao serviço da sua dívida pública durante o exercício orçamental de 2026/2027, segundo os dados apresentados pelo Ministério das Finanças ao Parlamento na terça-feira, 2 de junho.

No exercício em curso (julho de 2025 a abril de 2026), o país indica ter já mobilizado e desembolsado 9.737,7 mil milhões de xelins, o que representa 68,5% da meta anual. Este desempenho é apresentado pelas autoridades como resultado de uma gestão orçamental rigorosa, num contexto de forte pressão associada aos compromissos financeiros do Estado.

Esta execução foi acompanhada por reconhecimento internacional, com a atribuição à Tanzânia do prémio de melhor gestão da dívida pública entre os países da Commonwealth, bem como do prémio de melhor gabinete de gestão da dívida pública em África. As autoridades consideram que estas distinções refletem os esforços desenvolvidos para reforçar a credibilidade financeira do país e manter a confiança dos parceiros internacionais.

O montante total previsto para o serviço da dívida abrange tanto a dívida interna como a dívida externa. Deste total, 4.445,1 mil milhões de xelins destinam-se ao reembolso da dívida externa e 5.292,6 mil milhões de xelins à dívida interna.

Um contexto de financiamento mais exigente, mas com classificação soberana estável

Num ambiente global marcado pelo endurecimento das condições de financiamento, o governo sublinha que o cumprimento dos prazos de pagamento continua a ser essencial para preservar o acesso aos mercados financeiros regionais e internacionais. De forma mais ampla, a gestão da dívida integra-se numa estratégia de sustentabilidade das finanças públicas, combinando um reforço da arrecadação de receitas, a otimização do recurso ao endividamento e a disciplina orçamental.

Esta dinâmica ocorre num contexto caracterizado por elevadas necessidades de financiamento, ligadas sobretudo aos investimentos em infraestruturas e projetos de desenvolvimento. A Fitch Ratings confirmou, em 27 de março de 2026, a classificação soberana da Tanzânia em B+, com perspetiva estável, refletindo uma economia considerada em crescimento sólido e com inflação controlada.

Este desempenho é sustentado pelas reformas económicas em curso e pelo apoio financeiro do FMI, nomeadamente através dos programas FEC (Facilidade Alargada de Crédito) e FRS (Facilidade para a Resiliência e a Sustentabilidade). A agência destaca, contudo, várias fragilidades estruturais, incluindo uma governação considerada fraca, receitas públicas ainda limitadas apesar das melhorias registadas, bem como um enquadramento macroeconómico que continua a necessitar de aperfeiçoamentos e que gera distorções no mercado cambial.

Relativamente ao crescimento económico, a Fitch prevê um crescimento real do PIB de cerca de 6% em 2026 e 2027, impulsionado pelos setores agrícola e mineiro, bem como por importantes investimentos em infraestruturas, nomeadamente o caminho-de-ferro SGR e o projeto de oleoduto EACOP.

Carelle Yourann (estagiária)

 

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Em África, cerca de 30 embaixadas poderão deixar de emitir vistos para os Estados Unidos. A decisão insere-se na continuidade da política migratória de Donald Trump desde o seu regresso à Casa Branca.

O governo norte-americano prevê reduzir drasticamente o número de embaixadas e consulados em África capazes de processar pedidos de visto, passando de cerca de 50 para apenas 20 nas próximas semanas. A informação foi revelada pela agência de notícias norte-americana Associated Press (AP) na segunda-feira, 1 de junho.

A agência teve acesso a uma nota interna e a declarações de três responsáveis norte-americanos que pediram anonimato. Ainda não foi definida uma data exata para a implementação da medida, mas esta deverá ocorrer durante o mês de junho.

A medida terá sido aprovada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, na semana passada. «Durante uma conferência telefónica realizada na passada sexta-feira, diplomatas norte-americanos, incluindo responsáveis consulares, foram informados de que os Estados Unidos iriam reduzir os seus serviços de vistos em África», detalhou a Associated Press.

Entre os 20 países designados como «hubs» figurariam a Costa do Marfim, o Gana, a Etiópia, o Senegal, o Djibuti, a África do Sul, a Libéria, o Ruanda, o Togo, a Nigéria, os Camarões e a República Democrática do Congo.

Esta decisão surge numa altura em que o Departamento de Estado norte-americano conduz uma revisão mais ampla da sua rede diplomática em todo o mundo. A medida enquadra-se no endurecimento da política migratória de Donald Trump, com novas proibições de entrada dirigidas a vários países, incluindo africanos, em nome da segurança nacional.

Um novo endurecimento da política migratória

O processamento de vistos em África já tinha sido afetado por várias medidas restritivas. Em dezembro de 2025, o presidente Trump alargou a lista de países cujos cidadãos estão proibidos de entrar nos Estados Unidos. Mais recentemente, os procedimentos de emissão de vistos foram restringidos para alguns países africanos, tendo sido também introduzida uma caução que pode atingir os 15 000 dólares para determinados requerentes antes da análise do respetivo processo.

Os Estados Unidos suspenderam igualmente, em janeiro passado, os procedimentos de tratamento de vistos de imigração para 75 países, incluindo 26 países africanos. Além disso, foram mantidas restrições de entrada em território norte-americano para alguns viajantes devido à epidemia de Ébola.

Esta reestruturação das embaixadas, que ainda carece de confirmação oficial, representaria, caso seja implementada, uma das mudanças mais significativas na organização dos serviços consulares norte-americanos em África nas últimas décadas.

Lydie Mobio

 

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À medida que os corredores logísticos da África Austral ganham importância nas trocas comerciais internacionais, a capacidade das redes ferroviárias para atrair capitais e operadores torna-se um fator essencial de competitividade. Moçambique pretende posicionar-se neste mercado promissor.

O governo moçambicano lançou uma consulta pública com vista à adoção de um novo quadro regulamentar para o setor ferroviário. O objetivo é tornar o sistema mais competitivo, mais transparente e mais alinhado com os padrões internacionais em matéria de exploração e gestão de infraestruturas. A consulta insere-se numa estratégia nacional de modernização do transporte ferroviário, que atribui especial importância ao reforço da governação do setor.

Segundo o Ministério dos Transportes e Logística, esta revisão regulamentar deverá permitir a definição de regras de acesso à rede ferroviária mais claras e previsíveis. As autoridades esperam, assim, estimular o investimento, melhorar a eficiência operacional, aumentar a utilização das infraestruturas existentes e reforçar a integração regional através do desenvolvimento dos corredores logísticos.

O processo de consulta envolverá, nomeadamente, operadores ferroviários, gestores portuários, investidores, especialistas técnicos e utilizadores dos corredores de transporte. Entre os principais eixos da reforma prevista destacam-se a promoção da concorrência, a otimização da exploração das infraestruturas, a melhoria da interoperabilidade das redes e o apoio à transição energética do setor.

Esta iniciativa surge num contexto em que a África Austral acelera o desenvolvimento dos seus corredores estratégicos de transporte e multiplica os investimentos em infraestruturas logísticas para otimizar as trocas comerciais internacionais. Para Moçambique, o desafio está diretamente ligado ao desempenho da sua rede ferroviária, que se tornou, nos últimos anos, um instrumento essencial para apoiar o crescimento do tráfego portuário e concretizar a ambição de afirmar o país como uma plataforma logística regional.

Durante muito tempo dominado pelas infraestruturas sul-africanas, o panorama logístico da região está a evoluir gradualmente. Graças aos portos de Maputo, Beira e Nacala, Moçambique já assegura uma parte crescente do comércio de vários países sem litoral da África Austral, sobretudo no transporte de minerais, combustíveis e diversas mercadorias.

As autoridades prosseguem um vasto programa de modernização das infraestruturas ferroviárias. Em abril de 2025, o governo anunciou um plano de investimento de cerca de 14 mil milhões de meticais (aproximadamente 219 milhões de dólares) destinado ao desenvolvimento do transporte ferroviário até 2030.

Henoc Dossa

 

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A reabertura anunciada da fronteira com o Níger, a retoma das relações com o Burkina Faso e a manutenção de laços estreitos com os principais países da CEDEAO: em poucos dias, Romuald Wadagni encadeou iniciativas diplomáticas. Uma sequência que poderá constituir o primeiro grande sucesso político do seu mandato no plano regional.

A poucos dias da sua investidura, o Presidente beninense Romuald Wadagni multiplicou iniciativas diplomáticas que poderão redesenhar as relações do Benim com os seus vizinhos da África Ocidental. Entre Abuja, Niamey e Ouagadougou, a digressão regional do novo chefe de Estado vai muito além das visitas de cortesia tradicionalmente associadas ao início de um mandato. Assemelha-se antes a uma operação de reposicionamento estratégico do Benim numa África Ocidental dividida entre a CEDEAO e a Aliança dos Estados do Sahel (AES).

A aposta é tanto mais relevante quanto o Benim sai de vários anos de tensões com alguns vizinhos sahelianos, em particular o Níger. Ora, em menos de uma semana, Romuald Wadagni conseguiu obter vários avanços diplomáticos significativos, num contexto que contrasta com o clima de desconfiança que marcou as relações entre o Benim e vários países do Sahel nos últimos anos.

Da investidura à reabertura da fronteira com o Níger

Os primeiros sinais surgiram logo na cerimónia de investidura de Romuald Wadagni. Enquanto as relações entre os países da CEDEAO e os da AES continuam marcadas pelas consequências das rupturas institucionais ocorridas desde 2023, a presença de representantes de alto nível do Níger, do Burkina Faso e do Mali em Cotonou foi notada.

Esta sequência prolongou-se a 2 de junho em Niamey. Recebido com honras pelo Presidente Abdourahamane Tiani, Romuald Wadagni obteve um dos anúncios mais significativos deste início de mandato: o início do processo de reabertura da fronteira entre o Benim e o Níger.

A fronteira tinha-se tornado um dos símbolos mais visíveis da degradação das relações entre os dois países após o golpe de Estado de julho de 2023. O seu encerramento perturbou as trocas comerciais, fragilizou as atividades económicas das zonas fronteiriças e reduziu o papel do corredor beninense no abastecimento do Níger.

O anúncio feito em Niamey vai, assim, além do quadro bilateral. Abre caminho a uma retoma progressiva das trocas entre duas economias historicamente interdependentes e marca uma viragem nas relações entre as duas capitais.

A visita não se limitou, contudo, a esta decisão. As duas partes acordaram também em dar continuidade aos contactos em Cotonou, onde o Presidente Abdourahamane Tiani é agora aguardado.

Abuja, o parceiro incontornável

Antes de se deslocar ao Níger, Romuald Wadagni tinha escolhido a Nigéria como primeira etapa oficial. A escolha de Abuja reflete tanto as realidades económicas como os imperativos de segurança do Benim. Primeira economia da África Ocidental, a Nigéria continua a ser um dos principais parceiros comerciais do seu vizinho francófono. Os dois países mantêm laços humanos, económicos e energéticos que fazem da sua relação uma das mais estratégicas da sub-região.

Esta visita tem igualmente uma dimensão política particular. Durante a tentativa de golpe de Estado de 7 de dezembro de 2025 contra Patrice Talon, as autoridades nigerianas prestaram apoio militar a Cotonou para proteger infraestruturas sensíveis e contribuir para a estabilização da situação.

Neste contexto, o encontro entre Romuald Wadagni e Bola Tinubu surge como um ato de continuidade diplomática. Permite ao Presidente consolidar uma parceria essencial, demonstrando ao mesmo tempo que a abertura aos países da AES não será feita em detrimento das alianças construídas no seio da CEDEAO.

Ouagadougou valida o regresso do diálogo

A visita ao Burkina Faso reforçou esta dinâmica. Após o encontro com o capitão Ibrahim Traoré, os dois dirigentes manifestaram a vontade de “revitalizar” as relações bilaterais. As discussões incidiram sobre segurança, luta contra o terrorismo, comércio, infraestruturas, formação profissional e logística.

O comunicado conjunto publicado em Ouagadougou destaca o papel estratégico do porto de Cotonou no abastecimento do Burkina Faso, bem como a necessidade de melhorar a fluidez dos corredores de transporte que ligam o Sahel ao Golfo da Guiné. Os dois países acordaram também acelerar a realização da quinta sessão da Grande Comissão Mista de Cooperação e finalizar vários acordos pendentes.

Para além das declarações de princípio, esta referência direta às infraestruturas logísticas e às trocas comerciais revela interesses económicos convergentes e mostra que as discussões passam agora para um plano mais operacional.

Lomé e Abidjan, as últimas peças do puzzle

As próximas etapas da digressão também são reveladoras. O Presidente beninense deverá deslocar-se ao Togo, que se tornou nos últimos anos um dos principais beneficiários das tensões entre Cotonou e Niamey. O encerramento da fronteira entre o Níger e o Benim levou ao aumento do recurso ao corredor togolês para importações e exportações, fazendo de Lomé uma alternativa estratégica ao porto de Cotonou.

A visita ocorre num contexto em que a melhoria das relações entre o Benim e o Níger poderá redefinir as dinâmicas logísticas sub-regionais e consolidar o papel do Togo como ator-chave nas trocas entre os Estados costeiros e o Sahel.

A etapa na Costa do Marfim acrescenta outra dimensão. A par da Nigéria, a Côte d’Ivoire constitui um dos principais polos de poder da CEDEAO, com o Presidente Alassane Ouattara a desempenhar um papel influente no bloco regional.

Uma visão assumida da integração regional

O itinerário liga assim as duas principais potências da CEDEAO, dois pilares da AES e o principal corredor alternativo utilizado pelo Níger durante a crise com o Benim, com cada etapa a responder a um objetivo específico.

Esta abordagem insere-se numa visão resumida pelo próprio Romuald Wadagni no final da sua digressão. Agradecendo aos Presidentes Bola Tinubu, Abdourahamane Tiani e Ibrahim Traoré pela receção, afirmou a convicção de que os países da região só poderão enfrentar os seus desafios através da cooperação, “num espírito de confiança, solidariedade e cooperação”.

Para o Benim, esta posição responde a uma realidade geográfica e económica. Situado entre a Nigéria e o Sahel, o país construiu parte do seu desenvolvimento na capacidade de servir de interface entre as economias costeiras e os Estados interiores. Um dos principais ensinamentos desta digressão reside menos na sucessão de encontros e mais na capacidade do novo chefe de Estado de restabelecer o diálogo com as capitais da AES, ao mesmo tempo que reforça os laços com os principais países da CEDEAO.

Moutiou Adjibi Nourou

 

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Em março, durante a visita do Presidente ganês John Dramani Mahama a Seul, foram assinados três acordos nos domínios das alterações climáticas, da tecnologia e inovação digital, bem como da segurança marítima.

O Gana e a Coreia do Sul reafirmaram a sua vontade de aprofundar a parceria bilateral em vários domínios estratégicos, nomeadamente a industrialização, a transformação económica e a valorização local dos recursos.

O anúncio foi feito pelo ministro ganês dos Negócios Estrangeiros, Sam Okudzeto Ablakwa, num comunicado divulgado na terça-feira, 2 de junho, no final da Reunião Ministerial África-Coreia 2026.

Entre os principais projetos discutidos destacam-se a abertura de uma nova universidade no Gana, a instalação de uma fábrica automóvel da Hyundai destinada ao mercado da África Ocidental e a implementação de sistemas de irrigação alimentados por energia solar.

Os dois parceiros pretendem igualmente reforçar a cooperação nos setores da inteligência artificial, da energia e dos minerais críticos, considerados essenciais para a transição económica e tecnológica mundial.

As discussões incidiram também sobre a facilitação da mobilidade entre os dois países. As negociações para uma isenção de vistos para todas as categorias de passaportes registam progressos, após a conclusão de um acordo que já abrange os titulares de passaportes diplomáticos e de serviço.

«O Gana e a Coreia do Sul desenvolvem importantes projetos bilaterais nos setores da energia, agricultura, transporte marítimo, educação, construção naval, infraestruturas rodoviárias e saúde», destacou Sam Okudzeto Ablakwa.

Uma cooperação bilateral em plena expansão

Para Acra, esta aproximação insere-se numa estratégia de diversificação das parcerias internacionais, aceleração da industrialização e criação de emprego para uma população jovem em rápido crescimento. Por sua vez, Seul procura consolidar a sua presença em África, garantir parcerias nos setores tecnológicos e das energias verdes, ao mesmo tempo que desenvolve novas oportunidades comerciais.

As relações entre os dois países têm conhecido uma dinâmica crescente nos últimos anos. Essa evolução traduziu-se, nomeadamente, em março passado, pela assinatura de três acordos relativos às alterações climáticas, à tecnologia e inovação digital, bem como à segurança marítima entre a Guarda Costeira sul-coreana e a Marinha ganesa.

A Coreia do Sul apoia igualmente vários projetos de desenvolvimento no Gana através da Korea International Cooperation Agency (KOICA). Segundo a KOICA, o valor da sua carteira de projetos no Gana foi estimado em 15 milhões de dólares em 2024.

Charlène N’dimon

 

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Estimada em mais de 1,15 milhões de pessoas distribuídas por mais de 140 países, a diáspora marfinense constitui atualmente uma importante fonte de transferências financeiras e de competências que as autoridades pretendem estruturar melhor e orientar para o investimento produtivo.

O Governo da Costa do Marfim anunciou a realização de um roadshow dirigido aos marfinenses residentes na Europa, com etapas previstas em Milão e Paris. O anúncio foi feito pelo Governo num comunicado publicado na segunda-feira, 1 de junho.

O encontro de Milão está agendado para sábado, 6 de junho, enquanto o de Paris terá lugar na sexta-feira, 26 de junho, e no sábado, 27 de junho. Estas iniciativas visam reforçar os laços entre a Costa do Marfim e a sua diáspora, promovendo simultaneamente a sua participação na economia nacional. Inserem-se numa estratégia mais ampla que pretende transformar a diáspora de um simples agente de transferências financeiras num investidor estruturante para o desenvolvimento económico.

A diáspora, um motor económico com elevado potencial

Esta iniciativa é conduzida pelo Ministério Delegado responsável pela Integração Africana e pelos Marfinenses no Estrangeiro, liderado por Adama Dosso, que destaca a necessidade de reforçar os laços económicos entre a Costa do Marfim e a sua diáspora.

Várias medidas acompanham esta orientação, nomeadamente a assinatura de acordos com instituições bancárias para facilitar o acesso ao financiamento de projetos promovidos por marfinenses residentes no estrangeiro. O Centro de Promoção do Investimento na Costa do Marfim (CEPICI) criou igualmente um serviço dedicado à diáspora, com o objetivo de canalizar melhor as iniciativas e apoiar os promotores de projetos.

Através desta nova abordagem, as autoridades marfinenses pretendem transformar as transferências financeiras num instrumento sustentável de investimento e fazer da diáspora um ator central do crescimento e da transformação económica do país.

Transformar as remessas financeiras em investimentos produtivos

Segundo os dados apresentados pelo Governo, as remessas enviadas pelos marfinenses residentes no estrangeiro passaram de 99,5 mil milhões de francos CFA (176,2 milhões de dólares) em 2008 para 840 mil milhões de francos CFA em 2024. No entanto, estes recursos continuam a ser utilizados maioritariamente para despesas de consumo familiar (60% a 70%), enquanto apenas uma pequena parte é destinada ao investimento produtivo (10% a 15%).

Perante esta realidade, o Sr. Dosso considera que existe «um potencial superior a 600 mil milhões de francos CFA mobilizáveis anualmente e uma reserva de mais de um milhão de competências».

Esta estratégia insere-se numa visão mais ampla promovida pelo Presidente Alassane Ouattara, que há vários anos incentiva a participação de todos os marfinenses na dinâmica de desenvolvimento nacional. Dá igualmente continuidade a iniciativas anteriores, como a criação de uma Direção-Geral dos Marfinenses no Estrangeiro e a organização de fóruns dedicados à diáspora.

Na continuidade destas iniciativas desenvolvidas ao longo dos últimos anos para reforçar os laços entre a Costa do Marfim e a sua diáspora, o Governo apelou, na abertura do Fórum da Diáspora, a 7 de maio de 2026, aos marfinenses residentes no estrangeiro para que invistam mais em projetos produtivos e coloquem as suas competências ao serviço do desenvolvimento nacional.

Carelle Yourann (estagiária)

 

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