Perante a subida do custo da dívida e a emergência climática, três países africanos estão a explorar mecanismos de troca dívida-natureza para mobilizar mais de 500 milhões de dólares em favor da conservação.
Estes países mantêm negociações com a ONG norte-americana The Nature Conservancy para estabelecer acordos de troca dívida-natureza com um montante total superior a 500 milhões de dólares. O objetivo é aliviar a sua dívida enquanto financiam a preservação dos seus ecossistemas.
Estes mecanismos, ainda pouco comuns em África, permitem aos Estados reduzir parte da sua dívida em troca de compromissos concretos de proteção ambiental. As Seychelles e o Gabon já recorreram a este tipo de instrumentos na última década.
Segundo Ademola Ajagbe, um primeiro acordo poderá ser finalizado ainda em 2026, enquanto os outros dois são esperados até 2027. Os países envolvidos não foram divulgados devido a acordos de confidencialidade.
Necessidades crescentes face às alterações climáticas
O interesse renovado surge num contexto particular. O regresso de Donald Trump à Casa Branca levou a uma redução do apoio norte-americano a estas iniciativas, atrasando temporariamente o seu desenvolvimento. Contudo, os intervenientes do setor, incluindo a The Nature Conservancy, procuram agora relançar a dinâmica, apoiando-se mais nas bancas multilaterais, seguradoras privadas e investidores.
A procura por financiamentos climáticos em África continua a crescer. «O custo do capital é elevado e coloca África numa posição desfavorável», sublinha Ademola Ajagbe. O aumento das taxas de juro e as tensões geopolíticas dificultam o acesso aos mercados para países já fortemente endividados.
Estas restrições tornam, ao mesmo tempo, os acordos dívida-natureza mais atrativos. A redução do preço das obrigações permite recomprar a dívida a menor custo, facilitando a implementação destas operações.
África continua, no entanto, marginalizada no financiamento climático global, recebendo atualmente apenas cerca de 1% dos fluxos, segundo vários responsáveis públicos. O continente é particularmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas, com episódios repetidos de cheias, secas e deslizamentos de terra.
Setores essenciais como turismo, agricultura e hidroeletricidade já são afetados em vários países, incluindo Nigeria, Kenya e Zambia.
Fiacre E. Kakpo
O Togo continua as suas emissões no mercado regional num contexto de tensões de tesouraria e de necessidades crescentes relacionadas com o financiamento das despesas públicas e a manutenção do equilíbrio orçamental.
Na sexta-feira, 20 de março, o Togo realizou a sua segunda emissão do ano no mercado financeiro regional coordenado pela UMOA-Titres. Através de uma emissão simultânea de Obrigações do Tesouro Assimiláveis (OAT) e Bilhetes do Tesouro Assimiláveis (BAT), o Tesouro Público togolês mobilizou 27,5 mil milhões de FCFA, acima do objetivo inicial de 25 mil milhões de FCFA.
No final da operação, segundo os resultados publicados e consultados pelo Togo First, o Tesouro Público alocou 9,5 mil milhões de FCFA em OAT com maturidade de três anos, com taxa de juro fixa de 6,15%. Adicionalmente, 13 mil milhões de FCFA foram captados através de OAT com maturidade de cinco anos, com taxa de juro anual de 6,35%. Nos BAT emitidos com maturidade de 364 dias, o Tesouro alocou 5 mil milhões de FCFA.
Os dados publicados indicam que as ofertas globais atingiram 134,5 mil milhões de FCFA, correspondendo a uma taxa de cobertura de 538,30%. Esta operação, a segunda intervenção do Togo no mercado financeiro regional em 2026, eleva para 49,5 mil milhões de FCFA o montante total mobilizado desde o início do ano.
Para o exercício completo, o país prevê levantar 463,5 mil milhões de FCFA neste mercado, contribuindo para o financiamento do orçamento do Estado, fixado em 2.751 mil milhões de FCFA.
Esaïe Edoh
Este pacote «Team Europe» financiará os setores digital, da saúde, da agricultura e da gestão das migrações, ao mesmo tempo que reforça a parceria estratégica. No total, os financiamentos mobilizados na Nigéria atingem 962,5 milhões de euros (1.114,6 milhões de dólares) desde 2025.
A União Europeia (UE) anunciou, na segunda-feira, 23 de março, um novo pacote de investimentos de 290 milhões de euros (336 milhões de dólares) a favor da Nigéria, no âmbito da iniciativa «Team Europe». O anúncio foi feito à margem do 8.º diálogo ministerial UE–Nigéria, realizado em Abuja.
Este programa, integrado na estratégia «Global Gateway», prevê o financiamento de sete projetos que abrangem setores considerados prioritários.
Uma repartição setorial direcionada
Em detalhe, 131 milhões de euros serão destinados ao desenvolvimento do setor digital, nomeadamente para melhorar a conectividade e reforçar as competências. O setor da saúde receberá 55 milhões de euros para apoiar a produção local de medicamentos e vacinas.
Além disso, 86 milhões de euros serão alocados ao desenvolvimento das cadeias de valor agrícolas, em particular nos setores do cacau e do leite, enquanto 16 milhões de euros serão dedicados à gestão das migrações, incluindo a reintegração de migrantes e o combate às redes de tráfico de seres humanos.
O comissário europeu para as Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, sublinhou que «estes investimentos no âmbito da iniciativa “Global Gateway” permitem criar novas infraestruturas de qualidade, empregos sustentáveis e oportunidades económicas a longo prazo que beneficiam a população nigeriana, ao mesmo tempo que abrem novas perspetivas para a Europa».
Considerada um ator central em África, devido ao seu peso demográfico e económico, a Nigéria beneficia do apoio da UE em vários domínios estratégicos. Para Abuja, esta parceria constitui uma alavanca para diversificar a economia para além do petróleo e reforçar o emprego jovem.
Um parceiro comercial de referência
A UE continua a ser o principal parceiro comercial multilateral da Nigéria. O país registou um excedente comercial de 9,6 mil milhões de euros em 2024, contra 5,2 mil milhões de euros no ano anterior.
Com este novo pacote, o volume total de financiamentos mobilizados pela iniciativa «Team Europe» na Nigéria atinge cerca de 962,5 milhões de euros desde 2025, incluindo projetos nos transportes, energias renováveis, governação democrática e combate às violências baseadas no género.
Charlène N’dimon
Face a um défice energético que ainda afeta cerca de metade da sua população, a CEDEAO recorre à China para acelerar o financiamento de projetos estimados em mais de 36 mil milhões de dólares.
A CEDEAO iniciou discussões com a Energy China International (CEEC), na segunda-feira, 16 de março de 2026, em Abuja, com o objetivo de explorar vias de colaboração no desenvolvimento de infraestruturas elétricas na África Ocidental.
O encontro, que contou também com a participação de representantes do West African Power Pool (WAPP), permitiu analisar vários portfólios de projetos, as capacidades técnicas da empresa chinesa, bem como os mecanismos de financiamento para acelerar a implementação de infraestruturas energéticas regionais.
Entre os projetos abordados figuram iniciativas estruturantes de interligação elétrica entre vários Estados-membros, incluindo a Costa do Marfim, o Gana, a Nigéria e o Senegal. Estes projetos inserem-se no plano diretor energético regional (2019–2033), que prevê a execução de 75 projetos prioritários, com um custo total estimado em 36,39 mil milhões de dólares.
As discussões incidiram igualmente sobre as oportunidades de financiamento associadas a estes projetos. A CEDEAO procura atrair mais investidores para colmatar o défice de infraestruturas. Estas iniciativas visam partilhar as capacidades de produção e melhorar a estabilidade do fornecimento de eletricidade na região.
Um setor energético sob pressão
A África Ocidental continua a enfrentar um défice energético significativo. A capacidade instalada (26 GW em 2020, segundo a IRENA) permanece insuficiente para uma população estimada em 401,9 milhões de habitantes, grande parte da qual concentrada na Nigéria.
As disparidades entre países continuam acentuadas. Em 2023, a taxa média de acesso à eletricidade nos países da CEDEAO situava-se em 61,6 %, mas descia para 32,1 % nos Estados da Aliança dos Estados do Sahel, nomeadamente Burkina Faso, Mali e Níger.
Apesar dos progressos registados nos últimos anos, a eletricidade disponível continua pouco fiável. As redes de transporte e distribuição permanecem pouco desenvolvidas, enquanto as capacidades de produção ficam aquém da procura crescente, impulsionada pela urbanização e pelo crescimento demográfico.
As interrupções frequentes, os elevados custos de produção e a dependência de energias fósseis fragilizam igualmente as economias da região. Neste contexto, os projetos de interligação promovidos pelo WAPP surgem como soluções estruturantes para otimizar a utilização dos recursos disponíveis e promover a integração regional.
A China, um parceiro-chave no financiamento de infraestruturas na África Ocidental
A aproximação à Energy China International (CEEC) insere-se numa dinâmica mais ampla de cooperação entre a CEDEAO e a China. Nas últimas duas décadas, Pequim afirmou-se como um parceiro central no desenvolvimento de infraestruturas na África Ocidental.
O comércio entre a China e África atingiu 348 mil milhões de dólares em 2025, um aumento de 17,7 % em relação a 2024. Este crescimento foi amplamente impulsionado pelas exportações chinesas, que ultrapassaram os 225 mil milhões de dólares, face a 123 mil milhões de dólares de importações africanas.
De acordo com o Boletim Económico China-África 2024, produzido pelo Global Development Policy Center, entre 2000 e 2022, os credores chineses concederam cerca de 170,08 mil milhões de dólares em empréstimos aos Estados africanos, principalmente através do Banco de Exportação e Importação da China e do Banco de Desenvolvimento da China, tornando a China o principal credor bilateral do continente. No mesmo período, as empresas chinesas anunciaram 112,34 mil milhões de dólares em investimento direto estrangeiro em novos projetos e realizaram 24,60 mil milhões de dólares em investimentos através de fusões e aquisições em África.
Ainda segundo o Global Development Policy Center, cerca de 34 % dos empréstimos concedidos ao continente foram direcionados para o setor da energia (ou seja, 52,4 mil milhões de dólares), maioritariamente para energias fósseis (51 %), enquanto as energias renováveis representaram apenas 2 % dos financiamentos.
Neste contexto, vários países da África Ocidental tornaram-se parceiros privilegiados da China, com os quais esta tem intensificado os seus investimentos. O país asiático pretende tirar partido desta posição para reforçar a sua presença no setor das infraestruturas.
Carelle Yourann (estagiária)
Os sistemas digitais africanos continuam vulneráveis às ciberameaças, devido à falta de competências locais, num contexto de adoção acelerada das tecnologias digitais por parte das administrações e empresas.
África está a estruturar a sua resposta face à explosão das ciberameaças e à escassez crítica de mão de obra qualificada. Neste contexto, a International Cybersecurity Community for Africa (ICCA), uma plataforma pan-africana de cibersegurança, foi lançada na sexta-feira, 20 de março, em Kigali, no Ruanda. Este novo organismo visa reunir os especialistas do continente e reforçar as capacidades operacionais regionais.
O dispositivo posiciona-se como um quadro de cooperação dedicado à partilha de informações sobre riscos digitais, à aprendizagem e ao aperfeiçoamento de talentos. A sua implementação ocorre num momento em que os ataques informáticos se intensificam. Segundo indicadores divulgados durante a inauguração, as organizações africanas sofrem, em média, cerca de 1.848 ataques por semana.
Para responder a esta pressão, a ICCA pretende formar um milhão de especialistas até 2030, um desafio significativo, tendo em conta que o continente conta atualmente com apenas 300.000 profissionais para uma procura em rápida expansão.
Para apoiar este objetivo, foram apresentados dois instrumentos tecnológicos. O primeiro, Umurinzi Cyber Threat Intelligence, permite identificar credenciais comprometidas na dark web e alertar as entidades visadas. O segundo é um sistema de formação prática do tipo Capture the Flag (CTF), que propõe simulações de ataques para reforçar a especialização técnica a custos controlados e num ambiente adaptado às realidades locais.
Apoiada pelas autoridades ruandesas e por parceiros internacionais, esta iniciativa insere-se numa estratégia global de valorização do capital humano e de proteção das infraestruturas críticas. Através deste projeto, os promotores pretendem fomentar o surgimento de um ecossistema digital integrado, capaz de enfrentar os desafios da transição digital.
No seu roteiro, a ICCA prevê alargar as suas atividades a cerca de quinze países até 2027 e implementar programas de certificação. A longo prazo, a instituição planeia lançar um índice africano de resiliência cibernética para medir o grau de preparação dos Estados face à cibercriminalidade.
Samira Njoya
Perante um mercado de trabalho que tem dificuldades em absorver a sua juventude e regiões rurais há muito afastadas dos circuitos universitários, o governo ganês está a implementar uma reforma estrutural do ensino superior, apostando decididamente na descentralização.
No Gana, o Parlamento acaba de aprovar o projeto de lei que cria a Universidade de Ciências de Engenharia e Agronomia. Uma decisão que reflete uma clara vontade política de reorientar a formação superior para os setores estratégicos do país, longe das grandes cidades.
Segundo informações divulgadas na sexta-feira, 20 de março, pela imprensa local, o texto foi apresentado em segunda leitura pelo Ministro da Educação, Haruna Iddrisu (foto, à esquerda). Para ele, esta legislação vai além da simples criação de uma instituição: estabelece um quadro de governança, garante a liberdade académica, reforça a transparência financeira e promove a inclusão no sistema universitário ganês.
Três campi rurais, uma escolha deliberada
A Ghana Broadcasting Corporation (GBC) relata que a lei define Bunsu como campus principal, com locais complementares em Kenyasi e Acherensua — três localidades rurais, longe das metrópoles.
Este modelo multi-campus não é fruto do acaso. Segundo a Comissão Parlamentar de Educação, ele reflete uma política assumida de descentralização do ensino superior, pensada para:
Um desequilíbrio bem documentado
Esta escolha visa responder a um desequilíbrio evidente. Acra, Kumasi e Takoradi concentram a maioria das universidades do país, públicas e privadas, deixando as zonas rurais praticamente à margem. Com uma taxa bruta de matrícula no ensino superior de apenas 22,1% em 2023, segundo o Banco Mundial, o Gana ainda está longe dos padrões regionais.
Um mercado de trabalho sobrecarregado
O desemprego juvenil é o cerne do problema. Segundo o Quarterly Labour Force Survey publicado pelo Ghana Statistical Service (GSS) em dezembro de 2025, a taxa de desemprego entre os jovens de 15-24 anos era, em média, 32,5%, chegando a 49,3% na região do Grande Acra no terceiro trimestre. Cerca de 21,5% dos jovens nesta faixa etária não estavam nem empregados, nem em formação, nem a estudar.
Estes números revelam sobretudo um fosso crescente entre a formação disponível e as necessidades reais da economia. O mesmo relatório do GSS indica que mais de 10% dos ativos empregados consideravam as suas qualificações superiores às exigências do seu posto, enquanto 15,7% se sentiam subqualificados — uma proporção particularmente preocupante nas zonas rurais.
Agricultura e desafios estruturais
A agricultura concentra todos estes desafios. Segundo o Banco Mundial, 35,37% dos ativos ganeses trabalhavam neste setor em 2023, mas este continua dominado por práticas tradicionais, devido à falta de técnicos e agrónomos formados para o modernizar. É precisamente este desafio estrutural que a nova universidade pretende enfrentar.
Félicien Houindo Lokossou
Face às persistentes limitações da mobilidade interna, as autoridades do Burkina Faso apostam no reforço direcionado das infraestruturas de transporte. O projeto PAST constitui um instrumento-chave nas estratégias atualmente em implementação.
O governo do Burkina Faso ratificou um empréstimo de 46,1 mil milhões de FCFA (cerca de 80,3 milhões de USD) do Banco Africano de Desenvolvimento, destinado a reforçar a sua rede rodoviária. Os recursos serão mobilizados para a execução do Projeto de Apoio ao Setor dos Transportes (PAST), que visa acelerar a abertura das zonas interiores, ao mesmo tempo que apoia a integração sub-regional e a resiliência das populações.
Apresentado como um instrumento estruturante da política nacional de infraestruturas, o projeto foca-se num défice rodoviário persistente, identificado como um obstáculo à mobilidade de pessoas e mercadorias. Segundo o BAD, o país possui uma das redes menos desenvolvidas da África Ocidental. Em 2024, o traçado de estradas classificadas situava-se em 15 272 km, dos quais 4 133 km eram pavimentados (27,1 %). A isto somam-se 46 095 km de caminhos rurais, dos quais 17 324 km estão melhorados (37,6 %). No entanto, apenas 2 962,77 km de estradas pavimentadas são considerados em bom estado, ou seja, 31,83 % da rede pavimentada e 10,63 % da rede classificada.
O PAST estrutura-se em várias componentes que combinam investimentos físicos, apoio institucional e medidas de inclusão. Na vertente das infraestruturas, prevê-se a reabilitação de 193 km de estradas regionais, 110 km de estradas nacionais e 60 km de linhas ferroviárias. Inclui ainda a manutenção periódica de 270 km de estradas, com o objetivo de melhorar o acesso às zonas com elevado potencial económico e aos serviços sociais básicos.
O financiamento abrangerá também a aquisição de cinco brigadas de equipamentos de obras públicas, o reforço dos sistemas de planeamento e gestão da manutenção rodoviária, bem como a formação de pessoal técnico e de apoio a nível regional. Estão igualmente previstos investimentos para a reabilitação e construção de garagens e oficinas de manutenção.
A longo prazo, o projeto deverá contribuir para melhorar as condições de circulação, reduzir os custos e os tempos de transporte, e apoiar a dinamização das economias locais, segundo o Banco Africano de Desenvolvimento.
Nos últimos anos, o e-hailing ou VTC afirmou-se em África como um elemento transformador da mobilidade urbana. Responde a necessidades crescentes de deslocação em metrópoles em plena expansão. No entanto, o setor enfrenta desafios significativos que exigem a intervenção do Estado.
Na Namíbia, a plataforma de VTC Yango comprometeu-se, na sexta-feira, 20 de março, a cumprir as exigências regulamentares impostas pelas autoridades, num contexto de reforço do quadro legal que rege os serviços de transporte digital. Esta posição surge após advertências do governo, determinado em formalizar um setor em rápida expansão.
«Tomámos boa nota das preocupações expressas relativamente às licenças de transporte público de passageiros. A Yango apoia a regulação do setor dos serviços de VTC e estamos a trabalhar ativamente com os nossos parceiros de frotas independentes para garantir o cumprimento dos requisitos regulamentares definidos pelo Ministério dos Transportes», afirmou Zanyiwe Asare, responsável pelos assuntos públicos para África no grupo Yango.
Para responder a estas exigências, a empresa prevê intensificar a colaboração com os seus parceiros locais, nomeadamente operadores de frotas e motoristas, de forma a assegurar a obtenção das licenças necessárias. O processo passa também pelo reforço dos mecanismos de verificação, com o objetivo de limitar práticas irregulares, como a utilização de contas por condutores não registados. Paralelamente, a Yango afirma manter um diálogo com as autoridades para adaptar o seu modelo às regras em vigor.
Esta conformidade insere-se numa vontade mais ampla das autoridades namibianas de regulamentar o setor do e-hailing (VTC), cujo crescimento rápido tem frequentemente ultrapassado os dispositivos legais existentes. Para as plataformas digitais, o desafio passa agora por conciliar inovação e respeito pelos quadros legais locais.
Adoni Conrad Quenum
Na Etiópia, o setor agrícola contribui com 34% do PIB e emprega cerca de 60% da população ativa. Tal como na maioria dos países da África subsaariana, o poder público aposta cada vez mais na mecanização para modernizar o setor e melhorar o seu desempenho.
O Ministério da Agricultura da Etiópia anunciou, no domingo, 22 de março, a distribuição de um lote de equipamentos de mecanização agrícola no valor de 2,32 mil milhões de birrs (14,7 milhões de dólares) a todos os Estados regionais do país. Segundo informações divulgadas pela Agência de Notícias Etíope (ENA), esta operação insere-se na estratégia nacional Medemer, lançada em 2018, com o objetivo de acelerar a transformação económica do país.
O lote de equipamentos inclui:
63 tractores
71 motoenxadas
150 ceifeiras de arroz
Equipamentos de irrigação solar
Material logístico e informático para melhorar a gestão das atividades agrícolas
«A promoção da mecanização agrícola é uma prioridade absoluta do governo […] Os equipamentos modernos permitirão aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos produtos, reforçar a competitividade da Etiópia nos mercados internacionais e consolidar a segurança alimentar nacional», afirmou Addisu Arega, ministro da Agricultura.
De forma mais ampla, esta iniciativa permitirá reforçar o parque de máquinas agrícolas do país e reduzir o recurso à força humana ou à tracção animal, ainda predominante na execução dos trabalhos agrícolas. Segundo dados oficiais, cerca de 5 milhões de hectares de terras agrícolas na Etiópia eram cultivados com recurso a tractores em 2025, representando cerca de 27% da área total de terras aráveis, estimada em 18,4 milhões de hectares, segundo a FAO.
No âmbito da sua estratégia de desenvolvimento agrícola para a próxima década, o Ministério da Agricultura prevê mais do que triplicar o parque de máquinas agrícolas, aumentando o número de tractores de 20 000, no início de 2025, para 65 000, e o número de ceifeiras-debulhadoras de 2 700 para 15 000.
Stéphanas Assocle
Enquanto muitos países ainda enfrentam dificuldades para destinar à investigação os recursos recomendados pela União Africana, e a valorização dos resultados científicos continua a ser um grande desafio, Abidjan e Ouagadougou dão um passo decisivo ao apostar na formação dos seus investigadores.
A Costa do Marfim e o Burkina Faso pretendem unir esforços para desenvolver a investigação e a inovação científica. Uma ambição que já começa a concretizar-se. Nos dias 17 e 18 de março, o Fundo para a Ciência, Tecnologia e Inovação (FONSTI) da Costa do Marfim organizou um workshop de reforço de capacidades dos investigadores, em parceria com o Fundo Nacional para a Investigação e a Inovação para o Desenvolvimento (FONRID) do Burkina Faso, com o apoio do secretariado-geral do Conselho de Inovação.
Segundo o Ministério do Ensino Superior e da Investigação Científica da Costa do Marfim (MESRS), o encontro reuniu os beneficiários dos projetos conjuntos FONSTI–FONRID em torno de questões relacionadas com a gestão, o acompanhamento e a promoção.
O primeiro dia foi dedicado à apresentação de cinco projetos financiados no âmbito do programa FONSTI-FONRID, bem como à integração das questões de género e inclusão. O segundo, mais técnico, centrou-se no acompanhamento e avaliação e na propriedade intelectual. Uma sessão conduzida pelo Gabinete Ivoirense da Propriedade Intelectual (OIPI) destacou, em particular, os mecanismos de proteção e valorização das inovações. Na abertura, Barima Yao Sabas, representante do secretário-geral do FONSTI, apresentou o workshop como «uma alavanca para melhorar o desempenho e a valorização dos projetos financiados».
Conjugar esforços para melhor inovar
O alcance da parceria vai além do quadro bilateral. O apoio do Reino Unido, do Canadá, da Alemanha e da África do Sul insere o programa FONSTI–FONRID numa dinâmica internacional. Para o diretor-geral do FONRID, Bationo Babou, o objetivo é partilhar recursos para abordar problemáticas comuns e alcançar um impacto mais significativo.
Esta dinâmica ganha particular relevância face aos desafios enfrentados pelos dois países. Na Costa do Marfim, o governo identifica dois obstáculos principais. Durante a 13.ª edição da CGECI Academy, em setembro de 2025, o ministro do Ensino Superior, Adama Diawara, referiu o subfinanciamento e a fraca exploração económica dos resultados científicos. Um cenário preocupante, sobretudo porque, segundo o relatório nacional de 2024 do Banco Africano de Desenvolvimento, a Costa do Marfim dedica apenas 0,1 % do seu PIB à investigação e desenvolvimento, muito abaixo do objetivo continental de 1 %.
No Burkina Faso, o FONRID indica ter transferido, em 2024, um total de 1,13 mil milhões de francos CFA (1,9 milhões de dólares) para estruturas responsáveis por projetos, dos quais 80 % provenientes de subvenções do Estado. Recursos ainda limitados, que tornam necessário recorrer a parcerias externas.
Em ambos os países, os investigadores precisam de reforçar as suas competências em matéria de inovação, colaboração e financiamento autónomo, sublinha o Instituto de Investigação para o Desenvolvimento (IRD) de França. É precisamente esta necessidade que o workshop FONSTI–FONRID procura responder, dotando os cientistas de ferramentas concretas para melhor gerir, proteger e valorizar os seus trabalhos.
Félicien Houindo Lokossou