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Equipe Publication

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Após vários meses de estabilização, o Egito obtém um novo desembolso do FMI. Embora a inflação tenha recuado e as reservas se recuperem, as reformas estruturais – especialmente as privatizações – avançam mais lentamente do que o esperado.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou na quarta-feira, 25 de fevereiro, que concluiu duas novas revisões do programa de reformas econômicas do Egito, abrindo caminho para o desembolso de cerca de 2,3 bilhões de dólares. Uma lufada de ar fresco para uma economia que está saindo gradualmente de uma grave crise cambial e de uma inflação histórica.

Em detalhes, quase 2 bilhões de dólares serão liberados no âmbito do programa de empréstimo de 46 meses firmado com o Cairo, após a validação da quinta e sexta revisões. A isso somam-se 273 milhões de dólares no âmbito da Facilidade para a Resiliência e a Sustentabilidade (RSF). No total, cerca de 5,2 bilhões de dólares já foram desembolsados no âmbito dos dois dispositivos.

Um programa expandido em meio a uma tempestade econômica

O Egito assinou em dezembro de 2022 um acordo inicial de 3 bilhões de dólares com o FMI. Diante do agravamento dos desequilíbrios – inflação galopante, escassez de divisas, pressão sobre a libra egípcia – o programa foi expandido para 8 bilhões de dólares em março de 2024. A previsão é que o programa termine em dezembro.

Nos últimos meses, os indicadores macroeconômicos mostraram sinais de melhora. A inflação, que havia atingido um pico de 38% em setembro de 2023, caiu para 11,9% em janeiro, em termos anuais, para os preços urbanos. As tensões no mercado cambial também diminuíram.

Segundo o FMI, essa estabilização é atribuída a políticas monetárias e fiscais restritivas, combinadas com uma maior flexibilidade da taxa de câmbio. O país também se beneficiou de receitas turísticas recordes, transferências de trabalhadores expatriados e importantes acordos de investimentos firmados com países do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos.

Reformas estruturais consideradas incompletas

Apesar dos avanços, o FMI permanece cauteloso. Em seu comunicado, a instituição ressalta que a implementação das reformas estruturais continua "desigual", especialmente no que diz respeito à redução do papel do Estado na economia.

A venda de ativos públicos, um pilar central do acordo com o FMI, tem avançado mais lentamente do que o previsto. O FMI também aponta para o alto nível da dívida pública e as grandes necessidades de financiamento, que continuam a pressionar as margens orçamentárias e as perspectivas de crescimento de médio prazo.

Em agosto, as autoridades egípcias adotaram emendas legislativas destinadas a acelerar as privatizações e atrair mais investimentos privados. Resta saber se essas medidas conseguirão consolidar a estabilização em andamento, enquanto a economia egípcia permanece vulnerável a choques externos e tensões regionais.

Fiacre E. Kakpo

A fintech da Costa do Marfim Hub2 e o grupo Ecobank assinaram um acordo visando conectar as carteiras móveis agregadas pela Hub2 à plataforma bancária do Ecobank. Os dois parceiros têm como objetivo, inicialmente, os mercados francófonos da África Central e Ocidental, a fim de simplificar a aceitação de pagamentos e fortalecer os fluxos regionais.

A empresa de serviços financeiros da Costa do Marfim Hub2, que opera como agregadora de meios de pagamento conectando bancos, operadores de mobile money e empresas, assinou na quarta-feira, 25 de fevereiro, um memorando de entendimento com o Ecobank para conectar mais de 200 milhões de carteiras móveis à plataforma bancária do grupo panafricano.

O acordo visa integrar a infraestrutura do Ecobank às redes de mobile money agregadas pela Hub2 e criar uma ponte para os fluxos financeiros. Esta interconexão permitirá que comerciantes, fintechs e operadores de transferência de fundos realizem pagamentos entre vários países sem precisar de múltiplas integrações técnicas. As transações poderão ser iniciadas a partir de uma carteira móvel e concluídas através do sistema bancário do Ecobank.

Prioridade para a UEMOA e a CEMAC

A primeira fase de implementação deste acordo foca na União Econômica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA) e na Comunidade Econômica e Monetária da África Central (CEMAC). Nestes dois espaços, onde a Hub2 já está presente, o mobile money se consolidou como um canal de transações imprescindível.

Na zona CEMAC, o número de contas de pagamento de moeda eletrônica ultrapassou os 40 milhões em 2023, contra 37 milhões em 2022, o que representa um aumento de 7,10%. O número de transações cresceu 45,99% em 2023, alcançando 3,5 bilhões de operações, em comparação com 2,4 milhões em 2022, segundo o relatório sobre serviços de pagamento, publicado em outubro de 2025 pelo Banco dos Estados da África Central (BEAC).

Dinheiro móvel

A África Ocidental contava, em 2024, com 485 milhões de contas de mobile money registradas. De forma geral, a África concentra cerca de 74% do volume mundial de transações de mobile money, segundo o relatório "State of the Industry on Mobile Money" da GSMA. Na África Subsaariana, mais de 709 milhões de contas foram registradas, e o setor contribuiu com 190 bilhões de dólares para o PIB em 2023.

No entanto, as empresas ainda precisam se integrar separadamente a vários operadores de mobile money para aceitar pagamentos em diferentes países, o que aumenta os custos técnicos e prolonga o tempo de lançamento no mercado. Ao oferecer acesso à infraestrutura de liquidação do Ecobank, a Hub2 proporciona aos seus clientes um ponto de entrada para vários mercados bancários e diversas redes de mobile money.

Para o Ecobank, a parceria reforça seu posicionamento nos pagamentos digitais e fluxos relacionados ao comércio eletrônico. O grupo já dispõe de uma plataforma bancária digital e ofertas voltadas para empresas. Ao se conectar a um agregador de carteiras móveis, amplia o acesso a milhões de usuários não bancarizados ou pouco bancarizados.

"Com mais de 500 milhões de usuários de e-commerce previstos para 2026, os comerciantes africanos precisam de uma infraestrutura de pagamento inclusiva e interoperável. Nossa parceria com o Ecobank reflete uma ambição comum: acelerar a inclusão financeira e o comércio digital por meio de acesso fluido a todos os meios de pagamento para todas as empresas africanas, em grande escala", destacou Jean-Rémi Kouchakji, co-CEO da Hub2.

Chamberline Moko

Com uma população ativa em forte crescimento, o mercado de trabalho guineense continua a ser marcado por tensões persistentes: escassez de empregos estáveis, predominância do setor informal e subemprego generalizado.

De acordo com o boletim estatístico do mercado de trabalho publicado pelo Observatório Nacional do Trabalho, em 1º de janeiro de 2025, a Agência Guineense para a Promoção do Emprego e do Empreendedorismo (AGUIPEE) registrava 53.478 pessoas à procura de emprego no país. Essa pressão sobre a oferta de trabalho ilustra os desequilíbrios persistentes entre a força de trabalho disponível e as oportunidades de emprego criadas.

Para entender esse fenômeno, é necessário considerar os principais indicadores do mercado de trabalho guineense. A taxa de participação, que mede a proporção da população em idade de trabalhar ativa no mercado, foi de 54,2% em 2025, o que significa que pouco mais da metade das pessoas com 15 anos ou mais está ativa, seja empregada, seja à procura de emprego. A taxa de emprego, representando a proporção de pessoas efetivamente ocupadas, era de 51,6%, o que demonstra que há uma pequena diferença entre a atividade real e o emprego. A maioria dos ativos tem um emprego, mas o número de pessoas sem trabalho continua a ser significativo.

A taxa de desemprego global, medida de acordo com os padrões da Organização Internacional do Trabalho e as estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INS), situava-se entre 4,8% e 5,2% em 2025. Embora moderado em comparação com a média mundial, esse número não reflete as pessoas que não estão ativamente à procura de emprego ou que ocupam cargos precários, sem segurança ou proteção social.

Pressões sobre o mercado e desafios para os jovens

A situação dos jovens agrava essas dificuldades. A taxa de desemprego dos 15-24 anos, segundo o INS, atingia cerca de 7,3%, significativamente acima da média nacional, e quase 34% deles não estavam nem empregados, nem estudando, nem em formação. Esta situação coloca uma parte significativa da juventude guineense numa vulnerabilidade socioeconômica que vai muito além da simples medida do desemprego.

O mercado de trabalho apresenta características particulares. Quase 80% dos empregos estão no setor informal, o que implica que a maioria dos trabalhadores não beneficia de contratos estáveis, nem de proteção social, nem de perspectivas claras de evolução profissional. Essa realidade reduz a qualidade dos empregos e revela que os números oficiais podem esconder condições de trabalho precárias, mesmo quando as estatísticas parecem indicar uma inserção profissional satisfatória.

Neste contexto, o número total de pessoas inscritas como demandantes de emprego no início de 2025 não é uma estatística irrelevante, mas revela sim o déficit de empregos formais numa economia onde a maior parte da população ativa depende do setor informal. Esses dados ressaltam a importância de fortalecer a articulação entre formação, qualificação e criação de empregos duradouros para melhorar o acesso a trabalho de qualidade na Guiné.

Félicien Houindo Lokossou

A Angola lançou a comercialização do seu satélite de telecomunicações nacional, AngoSat-2, em janeiro de 2023. Este satélite é utilizado para fornecer conectividade às populações em áreas rurais, bem como a hospitais, escolas, universidades e administrações.

A Tanzânia e o Botswana manifestaram recentemente o seu interesse pelas capacidades do satélite de telecomunicações angolano AngoSat-2, com o objetivo de reforçar as suas infraestruturas de conectividade nacionais. Esta dinâmica confirma o crescente interesse que o satélite nacional angolano está a gerar em África, especialmente na África Oriental e África Austral.

Os dois países expressaram o seu interesse durante o Fórum do Satélite Partilhado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), realizado em Dar es Salaam, na Tanzânia, de 16 a 20 de fevereiro, segundo o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN). Comprometeram-se a estudar a viabilidade da implementação desta iniciativa nos seus respectivos países, a participar no ANGOTIC 2026 e a estabelecer parcerias estratégicas no âmbito dos programas espaciais.

No dia 19 de fevereiro, o Quénia também manifestou a sua intenção de adquirir as capacidades oferecidas pelo AngoSat-2, particularmente na banda Ku, para internet de alta velocidade, telefonia móvel, radiodifusão e televisão. Outros países, como a República Democrática do Congo e Zâmbia, também expressaram interesse pelos serviços do satélite.

Satélite: Um Impulsionador de Conectividade em África

Em serviço desde o início de 2023, o AngoSat-2 é um satélite de telecomunicações de alta capacidade (HTS) posicionado em órbita geostacionária. Ele oferece serviços nas bandas C, Ku e Ka, com uma cobertura que abrange todo o continente africano e uma parte da Europa. Permite oferecer conexões de internet de alta velocidade, bem como serviços de televisão e telefonia, incluindo nas zonas sem infraestruturas terrestres.

Em agosto de 2023, a Angola anunciou o início de trabalhos técnicos para permitir que os países da SADC beneficiem dos serviços do satélite. Durante o fórum, o GGPEN apresentou o projeto “Conecta Angola Comercial”, destacando os resultados já alcançados e a sua intenção de expandir a iniciativa para o nível regional. Em Angola, o projeto visa fornecer internet gratuita em áreas remotas onde nenhum operador móvel está presente, aproveitando as capacidades do AngoSat-2. O projeto foca particularmente as instituições públicas, como escolas, hospitais e administrações municipais.

O Crescente Interesse e o Papel das Tecnologias Espaciais

Este crescente interesse pelo satélite nacional angolano está inserido num contexto africano em que as tecnologias espaciais são cada vez mais vistas como um impulsionador para reduzir a fractura digital que ainda existe. A Associação Mundial dos Operadores de Telefone Móvel (GSMA) estima que a conectividade via satélite terá um papel crucial na realização da conectividade universal na África Subsaariana.

“A região abriga algumas das geografias mais difíceis para as redes terrestres, incluindo florestas tropicais, desertos e cadeias de montanhas. Mesmo nas zonas rurais e com pouca população, o custo e a complexidade do desenvolvimento de redes móveis ou fixas convencionais constituem argumentos favoráveis para soluções alternativas de conectividade”, salienta a organização no seu relatório “A Economia do Móvel na África Subsaariana 2024.

De acordo com a União Internacional das Telecomunicações (UIT), cerca de 25 % da população africana não estava coberta pela 4G em 2025, em comparação com cerca de 11 % para a 3G e 6 % para a 2G. Além disso, a GSMA estima que o déficit de cobertura de internet móvel na África seja de 9 %, enquanto a UIT calcula que a taxa de penetração da internet no continente seja de 35,7 %.

Isaac K. Kassouwi

Segundo um relatório do BAD, uma implementação inclusiva da IA no continente poderia gerar até 1000 bilhões de dólares adicionais ao PIB até 2035, o que representa quase um terço da sua produção econômica atual. Para capturar esses recursos, iniciativas estão sendo estabelecidas com parceiros estratégicos.

O Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), anunciou na segunda-feira, 23 de fevereiro, uma iniciativa destinada a mobilizar até 10 bilhões de dólares para acelerar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) na África.

Intitulada "Iniciativa 10 bilhões de USD para a IA", foi apresentada em Nairóbi, durante o Fórum Nairobi AI 2026, dedicado às perspectivas e oportunidades oferecidas pela IA no continente. A plataforma de investimentos tem como objetivo apoiar uma adoção responsável da IA, promovendo ao mesmo tempo um crescimento econômico digital inclusivo. O financiamento será progressivamente mobilizado até 2035, através de uma parceria que envolve instituições de desenvolvimento, governos e atores privados.

"Como uma instituição multilateral de desenvolvimento de primeira linha, o Grupo BAD aproveita sua vantagem comparativa para garantir que a África não fique para trás na era da IA", afirmou Nicholas Williams, chefe da Divisão de Operações de TIC do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento. E acrescentou: "A Iniciativa 10 bilhões de dólares para a IA abre caminho para parcerias ampliadas e investimentos sustentados que acelerarão o empreendedorismo em IA, fortalecerão os ecossistemas de dados e infraestrutura, e apoiarão um crescimento inclusivo em todo o continente".

Concretamente, a iniciativa prevê investimentos em infraestrutura de dados, capacidades computacionais, financiamento de startups tecnológicas e formação de talentos especializados. Ela se baseia em um roteiro definido pelo BAD, que identifica cinco alavancas essenciais para o desenvolvimento da IA: dados, computação, habilidades, confiança regulatória e acesso ao capital.

Até 2035, os parceiros estimam que esses investimentos poderão contribuir para a criação de até 40 milhões de empregos e gerar um ganho econômico de 1000 bilhões de dólares sobre o PIB do continente, de acordo com o BAD. Uma turnê de mobilização junto aos governos e investidores deverá agora transformar este anúncio em compromissos financeiros efetivos, enquanto a África busca se posicionar na nova economia global da inteligência artificial.

Adoni Conrad Quenum

As autoridades de Cabo Verde querem usar a tecnologia digital para apoiar o desenvolvimento socioeconômico nacional. O país lançou recentemente um plano estratégico para implementar a 5G, que visa acelerar suas ambições de transformação digital.

O governo cabo-verdiano anunciou, na terça-feira, 24 de fevereiro, o lançamento de um portal único para todos os serviços digitais através do GOV.CV. Substituindo as diversas plataformas utilizadas até agora, esta iniciativa tem como objetivo, segundo as autoridades, reforçar a confiança no Estado, aumentar a produtividade da administração pública e facilitar a vida dos cidadãos e das empresas.

« Até agora, os sistemas não se comunicavam entre si. Com o novo portal, garantimos a interoperabilidade, a segurança e a eficiência. O cidadão não precisa mais percorrer vários departamentos para obter documentos que o Estado já possui. Haverá menos burocracia, mais rapidez, maior transparência e a possibilidade de acompanhar cada procedimento em tempo real », afirmou o Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, em comunicado publicado no Facebook.

As autoridades cabo-verdianas planejam integrar progressivamente todos os serviços digitalizados da administração pública no portal, antes de sua consolidação completa. Elas também pretendem harmonizar os sistemas de pagamento, o que permitirá reduzir tanto os custos quanto o tempo para os usuários.

Esta iniciativa faz parte das ambições do governo de Cabo Verde de transformar o país em « uma nação digital para acelerar o seu crescimento e desenvolvimento, e tornar-se um país de rendimento elevado dentro de uma década ». Isso se insere numa dinâmica continental, onde a transformação digital é vista como uma alavanca para a produtividade e transparência na administração pública. Cabo Verde ocupa a 111ª posição em 193 no Índice de Desenvolvimento de e-Government das Nações Unidas (EGDI), com uma pontuação de 0,6238 em 1, ligeiramente abaixo da média mundial (0,6382 em 1).

Entretanto, a aceleração da transformação digital também está associada a um aumento dos riscos de ciberataques às plataformas administrativas, o que pode paralisar os serviços ou causar perdas financeiras. Nesse contexto, a União Internacional das Telecomunicações (UIT) recomenda que os países reforcem sua cibersegurança para aproveitar plenamente as oportunidades oferecidas pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC).

No seu « Global Cybersecurity Index 2024 », a UIT classificou Cabo Verde no quarto nível, de um total de cinco. O país se destaca por um quadro regulatório relativamente sólido, mas precisa fortalecer ainda mais as medidas organizacionais e técnicas, melhorar a cooperação entre os atores e expandir as capacidades e competências em cibersegurança para proteger melhor suas infraestruturas e seus cidadãos. Cabo Verde obteve uma pontuação geral de 51,54 em 100.

Isaac K. Kassouwi

Enquanto o Uganda enfrenta uma transição demográfica, com uma juventude numerosa lutando para encontrar empregos qualificados, a adequação entre a formação e a demanda dos empregadores tornou-se um desafio econômico significativo.

Após um processo de seleção realizado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a Airtel Africa Foundation lançou no Uganda o programa de bolsas Airtel Africa Tech Fellowship. A iniciativa, com um orçamento de 3,85 bilhões de shillings ugandenses (aproximadamente 1 milhão de dólares), destina-se a cerca de vinte estudantes brilhantes, provenientes de famílias de baixa renda, que serão incentivados a seguir cursos nas áreas de STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática). De acordo com informações divulgadas pela imprensa local na segunda-feira, 23 de fevereiro, a fundação cobre integralmente os custos com mensalidades, alojamento, equipamentos de informática, acesso à internet e oferece também mentoria ao longo de toda a formação universitária.

A iniciativa, promovida pela vertente filantrópica da operadora de telecomunicações, despertou grande interesse desde sua abertura, recebendo mais de 300 inscrições. Após a seleção, os laureados foram encaminhados para especialidades estratégicas como informática, cibersegurança, engenharia de software e ciência de dados. Eles continuarão seus estudos em várias universidades de referência, como a Makerere University e a Mbarara University of Science and Technology.

Essa iniciativa ocorre em um contexto onde a pressão demográfica sobre o emprego permanece elevada. De acordo com o relatório publicado em agosto de 2025 pelo Uganda Bureau of Statistics, por ocasião do Dia Internacional da Juventude, 50,9 % dos jovens entre 18 e 30 anos não estão nem empregados, nem em educação, nem em treinamento. A instituição esclarece que 54,8 % desses jovens residem em áreas rurais, o que evidencia a magnitude do desafio fora dos grandes centros urbanos. O mesmo relatório também aponta que a taxa de desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos é de 16,7 %, refletindo as dificuldades de inserção no mercado de trabalho dessa faixa etária.

Além dos indicadores de desemprego, várias análises nacionais destacam a inadequação persistente entre as competências adquiridas pelos jovens e aquelas exigidas pelas empresas, um desequilíbrio que impede o progresso do setor tecnológico. A National Planning Authority enfatiza a necessidade de aumentar a criação de empregos qualificados e ajustar os cursos de formação às exigências de uma economia em transformação.

Simultaneamente, a indústria de telecomunicações está passando por uma profunda transformação. No seu relatório Connectivity in the Least Developed Countries”, publicado em 2021, a União Internacional das Telecomunicações observa que o crescimento dos serviços digitais, dados e tecnologias emergentes está redefinindo os modelos econômicos dos operadores, diminuindo gradualmente a dependência das receitas tradicionais de chamadas de voz e SMS.

Félicien Houindo Lokossou

A Tanzânia continua a modernizar a sua rede ferroviária, com o objetivo de transformar profundamente a sua cadeia logística. Ao desenvolver o SGR (Standard Gauge Railway), o país pretende agilizar os intercâmbios, reforçar a competitividade do seu corredor central e consolidar a sua integração económica na África Oriental.

O troço ferroviário de 341 km que deve ligar as localidades de Mwanza e Isaka, na Tanzânia, apresenta um progresso global de 68%, de acordo com a Tanzania Railways Corporation (TRC). Especificamente, a instalação dos trilhos (249 km de via principal e 92 km de vias de desvio) está 53% concluída, enquanto as pontes estão 90% realizadas. Outras obras, incluindo estações e bueiros, também estão em andamento.

Este troço, com um custo de 3,06 bilhões de xelins tanzanianos (cerca de 1,2 bilhões de USD), constitui a quinta e última parte da fase 1 da rede SGR nacional, destinada a ligar Dar es-Salaam a Mwanza até 2028, com um comprimento total estimado entre 1219 e 1231 km. Lançado em 2017, o projeto faz parte do plano das autoridades para modernizar o sistema de transporte nacional e reduzir os custos externos relacionados ao tráfego rodoviário, nomeadamente as despesas financeiras, a pegada ambiental, a duração das viagens e os acidentes.

A entrada em operação, em junho de 2024, de um segmento de 300 km entre Dar es-Salaam e Morogoro (205 km de via principal e 95 km de vias de desvio) fez, segundo o operador nacional, o tempo de percurso passar de 4 a 5 horas na antiga linha de bitola métrica para no máximo 2 horas com o SGR, em comparação com cerca de 3 a 4 horas por estrada.

Além disso, a fase 2 do projeto, apoiada pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), prevê a expansão da rede para o noroeste do país, especialmente entre Tabora e Kigoma, bem como entre Uvinza e Malagarasi. A longo prazo, toda a rede deverá reforçar a integração territorial e consolidar a posição da Tanzânia como um hub logístico e portuário regional, graças a conexões planejadas com vários países sem acesso ao mar da África Oriental, como Uganda, República Democrática do Congo e Burundi.

Henoc Dossa

Primeiro produtor africano de ouro, o Gana acolhe várias das principais empresas de mineração estrangeiras, como Newmont, AngloGold Ashanti e a sul-africana Gold Fields. Esta última possui no país um portfólio com dois ativos, nomeadamente as minas de Tarkwa e Damang.

No seu relatório financeiro publicado a 19 de fevereiro, a empresa de mineração sul-africana Gold Fields indicou ter pago 98,8 milhões de USD em royalties de ouro ao Gana, onde opera as minas de Tarkwa e Damang. Este valor representa um aumento de 26% em comparação com os 77,9 milhões de USD pagos no exercício de 2024.

Para recordar, os royalties correspondem à parte das receitas geradas por uma mina que o seu operador devolve ao Estado anfitrião. No Gana, o regime em vigor estabelece uma taxa variável entre 3% e 5%, dependendo do preço do ouro. A taxa máxima de 5% aplica-se quando o metal é negociado acima de 2.300 USD por onça.

Mercado favorável do ouro impulsiona o aumento dos royalties

Num contexto de preços sustentavelmente superiores a este limiar em 2025, a Gold Fields indicou ter aplicado a taxa máxima para todos os seus pagamentos durante o ano. A título de comparação, os royalties pagos em 2024 foram calculados com taxas entre 4,1% e 5%, refletindo condições de mercado ligeiramente diferentes.

Segundo a empresa, é o mercado em alta do ouro que explica este aumento dos royalties. Contudo, esses pagamentos não incluem os dividendos que pertencem ao Gana devido às suas participações nas minas, nem outros impostos como o imposto sobre as sociedades. Enquanto o preço do ouro está atualmente em torno dos 5.100 USD por onça e analistas, como os da JP Morgan, antecipam que o preço ultrapasse os 6.000 USD por onça até o final de 2026, o Gana já se posiciona para tirar ainda mais proveito desta dinâmica e aumentar as receitas provenientes dos royalties.

Novo regime para os royalties

Este aumento dos royalties pagos pela Gold Fields ilustra de forma mais ampla os ganhos dos produtores de ouro africanos num contexto de mercado em alta. Para além do Gana, esta dinâmica pode ser observada no Mali e no Burkina Faso, países que até revisaram os seus quadros regulamentares para maximizar os benefícios. O Gana também deseja seguir essa lógica, com a implementação de uma nova tabela de royalties capaz de refletir os níveis atuais dos preços do metal.

Previsto para ser adotado ainda este mês, este novo regime começará com uma taxa de 5% e poderá chegar a 12% se o preço do ouro ultrapassar os 4.500 USD por onça, um limite já atingido no atual contexto de mercado. Embora o grupo norte-americano Newmont, também ativo no Gana, tenha alertado sobre os impactos potenciais de tal aumento na rentabilidade das suas operações, a posição da Gold Fields ainda não foi completamente definida.

Projeção de produção em declínio

Por outro lado, enquanto a produção em Tarkwa deverá manter-se relativamente estável, a Gold Fields prevê uma queda significativa em Damang em 2026, com apenas 25.000 onças esperadas, contra as 97.500 onças entregues no ano anterior. Esta projeção ocorre num contexto de esgotamento progressivo das reservas do local e da expiração iminente da licença de exploração, marcada para abril.

Até ao momento, nenhum acordo de renovação da licença foi celebrado com o Estado, o que levanta a possibilidade de uma diminuição da produção no Gana pela Gold Fields. Resta avaliar o impacto desses vários fatores nas suas receitas comerciais no país, bem como na trajetória dos royalties para o exercício em curso.

Aurel Sèdjro Houenou

Grafite, terras raras, níquel: o subsolo da Tanzânia se afirma como um polo chave para minerais estratégicos na transição energética

O subsolo tanzaniano é já reconhecido pelo seu grande potencial em minerais essenciais para a transição energética, como o grafite, as terras raras e o níquel. Em um momento de crescente pressão para garantir esses recursos no Ocidente, a Tanzânia continua a se destacar como um pilar central.

Em um estudo de viabilidade atualizado, publicado na quarta-feira, 25 de fevereiro, a empresa australiana EcoGraf anunciou um aumento de 10% nas reservas minerais da sua futura mina de grafite Epanko, localizada na Tanzânia. Esse aumento é significativo para as baterias de veículos elétricos, e agora as reservas totais do projeto somam 1,37 milhão de toneladas, confirmando ainda mais o potencial da Tanzânia em minerais críticos.

No contexto da corrida mundial por suprimentos desses minerais, a Tanzânia abriga vários projetos estruturantes em fase de desenvolvimento. Além de Epanko, destacam-se outros projetos de grafite, como Mahenge e Nachu, bem como o projeto de níquel Kabanga, liderado pela empresa americana Lifezone Metals. Por enquanto, esses ativos estão em fases preliminares de construção, mas já atraem grande interesse na Europa e nos Estados Unidos.

A EcoGraf obteve recentemente o apoio do Banco Europeu de Investimento (BEI) para auxiliar nos trabalhos de desenvolvimento de Epanko, enquanto continua suas negociações para obter um empréstimo e uma subvenção tanto na Europa quanto em Washington. O aumento das reservas está inserido nesse movimento, refletindo uma estratégia de otimização contínua das capacidades da futura mina, que a companhia planeja posicionar como a maior do continente africano.

Inicialmente, a produção de Epanko estava projetada para ser de 73.000 toneladas por ano nos primeiros 15 anos, mas a produção deve aumentar progressivamente para atingir até 390.000 toneladas de grafite, com o avanço de trabalhos de expansão. Esse objetivo pode ser facilitado pela otimização constante das reservas minerais, já que a demanda mundial de grafite deverá dobrar até 2035, em comparação aos níveis atuais, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).

No entanto, ainda persiste um grande desafio para a EcoGraf: garantir o financiamento necessário para a construção da mina, especialmente em um mercado global de grafite pressionado. Para a Tanzânia, o avanço do projeto Epanko também contribui para a perspectiva de novas fontes de receita mineral a médio e longo prazo. Segundo a EcoGraf, a exploração da mina pode gerar mais de 3 bilhões de dólares em impactos econômicos diretos para Dodoma durante toda a vida útil do projeto.

Aurel Sèdjro Houenou

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