No Nigéria, grande parte da população continua sem acesso à Internet. As autoridades implementaram um plano estratégico para melhorar esta situação.
O país vai instalar 1000 novas torres de telecomunicações até ao final do ano. O ministro das Comunicações, Inovação e Economia Digital, Bosun Tijani, anunciou esta iniciativa na terça-feira, 31 de março, em Abuja, durante uma reunião dedicada ao Programa Nacional de Centros de Pesquisa em Economia Digital, uma ação incluída no projeto BRIDGE, financiado pelo Banco Mundial.
“O presidente [Bola Tinubu] aprovou a construção de 3700 antenas em todo o país”, indicou o ministro Tijani, acrescentando: “Estamos a esforçar-nos para ativar pelo menos 1000 ainda este ano”. Ele recordou que mais de 20 milhões de nigerianos vivem em áreas sem qualquer tipo de conectividade.
O projeto foca-se principalmente nas zonas rurais e mal servidas, onde o acesso aos serviços de telecomunicações é limitado. Ao reforçar a densidade da rede, as autoridades pretendem reduzir as áreas não cobertas e oferecer conectividade mais estável à população e às empresas locais.
Para além destas novas instalações, o programa integra um plano de expansão mais ambicioso das infraestruturas digitais. Está previsto o lançamento de várias milhares de torres adicionais e a expansão da rede nacional de fibra ótica. O objetivo é criar uma rede de telecomunicações mais robusta, capaz de atender à crescente demanda por serviços digitais.
Num país onde, em 2023, cerca de 120 milhões de pessoas não estavam conectadas, segundo a GSMA, melhorar a cobertura da rede é visto como um elemento-chave para impulsionar a inclusão digital.
Adoni Conrad Quenum
O crescimento da inteligência artificial (IA) apresenta desafios ambivalentes. Os países procuram regulamentar o uso desta tecnologia para proteger, entre outras coisas, a privacidade das pessoas.
As autoridades do Quénia iniciaram uma investigação sobre os óculos inteligentes “Ray-Ban Meta”, desenvolvidos pela Meta, devido a preocupações crescentes sobre a proteção de dados pessoais. Esta ação ocorre num contexto internacional marcado por controvérsias em torno destes dispositivos conectados.
A existência desta investigação foi confirmada na terça-feira, 31 de março, pelo The Oversight Lab. Segundo a entidade, o Escritório do Comissário de Proteção de Dados afirmou ter “já iniciado investigações de ofício sobre preocupações relativas à privacidade levantadas acerca dos óculos Ray-Ban Meta e ao tratamento de dados pessoais no contexto do treino da IA da Meta”, acrescentando que as conclusões serão divulgadas após a investigação.
Para vários meios de comunicação locais, o regulador queniano procura determinar se estes óculos cumprem a legislação vigente, nomeadamente no que diz respeito à recolha, tratamento e armazenamento de dados. As preocupações centram-se na capacidade dos óculos de captar imagens, vídeos e conversas de forma discreta, por vezes sem o consentimento explícito das pessoas envolvidas.
A investigação surge após revelações mediáticas indicando que conteúdos gravados por estes óculos teriam sido analisados por subcontratados responsáveis pelo treino dos sistemas de IA. Alguns testemunhos mencionam a presença de dados sensíveis, incluindo cenas íntimas ou informações pessoais, levantando questões sobre os mecanismos de controlo e anonimização.
“Também se veem cenas de sexo filmadas com os óculos conectados – alguém os usa e tem relações sexuais”, contou um funcionário da Sama, empresa queniana subcontratada pela Meta, a jornalistas suecos, relato reproduzido pelo Le Monde. “Vêem-se conversas onde alguém fala de crimes ou manifestações. Não são apenas cumprimentos, também podem ser conteúdos muito sensíveis”, acrescentou outro.
Para além do caso específico destes óculos, as autoridades quenianas pretendem avaliar os riscos mais amplos associados ao crescimento de objetos conectados que incorporam IA. Estas tecnologias, que permitem uma captação contínua do ambiente, levantam novos desafios em matéria de privacidade e vigilância.
Para a Meta, esta investigação pode resultar em requisitos mais rigorosos de transparência e conformidade no mercado africano. Também ilustra uma tendência global: os reguladores, incluindo em África, procuram reforçar a regulamentação de tecnologias emergentes.
Adoni Conrad Quenum
O algodão é um pilar socioeconómico fundamental nos Camarões, especialmente nas regiões do norte. No entanto, nos últimos anos, o setor tem enfrentado pressões por diversas razões.
Desde 2023, a fileira do algodão camaronesa sofre uma degradação acentuada das suas condições de produção. Numa apresentação realizada na terça-feira, 31 de março, em Garoua, o diretor de produção agrícola da Sodecoton, Sr. Nadama, identificou dois fatores que pesam fortemente sobre a atividade: as alterações climáticas, responsáveis por inundações nas zonas de produção devido a fortes chuvas entre agosto e setembro, e a proliferação das jassídeos do algodão, um inseto praga que ataca diretamente as plantas.
Para a Sodecoton, este parasita representa uma ameaça significativa. Segundo o responsável, os jassídeos já tinham, há alguns anos, quase destruído a fileira do algodão na África Ocidental devido às perdas de produção causadas. O seu controlo continua, além disso, a ser dispendioso, limitando a capacidade de resposta dos produtores com menos recursos.
Os efeitos combinados destes dois choques já são visíveis no terreno. Entre 2023 e 2025, as áreas cultivadas passaram de 234 000 hectares para 197 000 hectares. Em 2024, 11 000 hectares foram totalmente destruídos, enquanto 17 000 hectares foram parcialmente afetados pelos ataques de jassídeos, segundo dados da Sodecoton.
Para além da redução das áreas, a produtividade também diminuiu. O rendimento médio caiu de 1 600 quilogramas por hectare para 1 300 kg/ha. Como consequência direta, o setor regista uma perda de receitas estimada em mais de 10 mil milhões de FCFA por ano (cerca de 17,5 milhões de dólares). Esta deterioração fragiliza igualmente o reembolso dos créditos agrícolas concedidos aos produtores no início de cada campanha.
Segundo a Sodecoton, os atrasos de pagamento atingem agora 2 mil milhões de FCFA. Devido às perdas nas suas explorações, muitos beneficiários de créditos de campanha têm dificuldade em cumprir os seus compromissos. Alguns, desmotivados, acabam por abandonar a cultura do algodão.
Objetivo: 600 000 toneladas até 2029
Apesar deste contexto difícil, a Sodecoton mantém uma estratégia ofensiva. Apostando, nomeadamente, num melhor controlo dos riscos ligados às infestações de jassídeos, a empresa pretende aumentar a produção de algodão em caroço para 440 000 toneladas já em 2026, após um pico de 394 000 toneladas registado na campanha 2023-2024.
De acordo com as projeções desta agroindústria, detida em 89% pelo Estado dos Camarões, a produção deverá continuar a crescer até atingir 600 000 toneladas na campanha 2029-2030. Este nível corresponde ao objetivo definido pela Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2020-2030 (SND30), atualmente em implementação pelo governo.
Este crescimento assenta, contudo, numa condição exigente: controlar os efeitos das alterações climáticas e das pragas, ao mesmo tempo que se estabilizam os rendimentos dos produtores. Na prática, a evolução da fileira dependerá menos das ambições anunciadas e mais da capacidade de garantir, de forma duradoura, a segurança das zonas de produção.
Brice R. Mbodiam (Investir au Cameroun)
A África afirma-se como um dos principais polos de crescimento para as multinacionais do setor agroalimentar, que procuram tirar partido da rápida urbanização e do crescimento demográfico. Neste contexto, as bebidas gaseificadas estão entre os produtos de grande consumo cuja procura permanece elevada.
A The Coca-Cola Company prevê investir 17,6 mil milhões de rands (cerca de 1,03 mil milhões de dólares) nas suas atividades na África do Sul até 2030.
Segundo um comunicado publicado a 31 de março no site do grupo, estes fundos deverão permitir aumentar as capacidades de produção, reforçar a distribuição e acelerar a inovação ao longo de toda a cadeia de valor do sistema Coca-Cola no país. Este sistema inclui tanto as atividades da empresa-mãe como as dos seus engarrafadores autorizados, entre os quais a Coca-Cola Beverages South Africa e a Coca-Cola Peninsula Beverages.
«Estamos otimistas quanto ao futuro da África do Sul, mantendo o foco no investimento no nosso negócio e em iniciativas que promovam a inclusão económica e uma prosperidade local sustentável», afirmou Charl Goncalves, diretor-geral da Coca-Cola Peninsula Beverages.
Este anúncio faz eco de um plano de investimento semelhante apresentado na Nigéria dois anos antes. A 19 de setembro de 2024, o diretor financeiro da empresa americana, John Murphy, apresentou em Abuja um projeto de mil milhões de dólares destinado ao mercado nigeriano, a implementar ao longo de cinco anos.
Reorganização da rede de engarrafamento em África
Entretanto, a organização da rede de engarrafamento do grupo em África sofreu uma evolução significativa.
Até 2024, a Coca-Cola Hellenic Bottling Company estava presente em África apenas na Nigéria e no Egito. Em outubro de 2025, anunciou a intenção de adquirir a Coca-Cola Beverages Africa, o maior engarrafador do continente, presente em 14 países da África Austral, incluindo a África do Sul.
A operação prevê a aquisição de 75% do capital por 2,6 mil milhões de dólares, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026, sujeita a aprovações regulamentares. No âmbito do acordo, a Coca-Cola HBC dispõe ainda de uma opção para adquirir os restantes 25% num prazo que pode ir até seis anos após a primeira transação.
A concretizar-se, esta operação tornará a Coca-Cola HBC um dos principais engarrafadores do sistema Coca-Cola em África, num mercado em plena reconfiguração.
Um mercado africano sob pressão concorrencial
Por outro lado, o reforço das atividades do sistema Coca-Cola nas duas maiores economias da África Subsaariana ocorre num contexto em que outras multinacionais do segmento das bebidas gaseificadas também intensificam a sua presença no continente.
Um exemplo é a Varun Beverages Limited (VBL), um dos principais parceiros da PepsiCo. A empresa tem unidades industriais em sete países africanos — África do Sul, Essuatíni, Lesoto, Zâmbia, Zimbábue, RDC e Marrocos — e concluiu em 2025 a sua entrada no Gana e na Tanzânia. Está também a planear a instalação de uma nova unidade industrial no Quénia.
Mais recentemente, a VBL reforçou a sua presença na África do Sul com a aquisição da Twizza, concluída em março de 2026 por cerca de 2,1 mil milhões de rands (aproximadamente 124 milhões de dólares).
Neste contexto, os investimentos anunciados pela The Coca-Cola Company na Nigéria e na África do Sul refletem uma estratégia de consolidação das suas posições face a uma concorrência cada vez mais dinâmica nos mercados africanos.
Stéphanas Assocle
No Quénia, a fileira do chá é um dos pilares da economia. O país continua, no entanto, dependente dos seus mercados tradicionais, localizados sobretudo na Ásia.
Atualmente, o setor enfrenta dificuldades. Com a guerra no Irão desde o final de fevereiro, a comercialização abrandou significativamente. Segundo dados da East African Tea Trade Association (EATTA), divulgados pela Reuters a 1 de abril, cerca de 8 000 toneladas de chá já se acumularam na cidade de Mombaça, onde decorrem os leilões.
De acordo com George Omuga, diretor-geral da organização, as perdas atingem cerca de 8 milhões de dólares por semana desde 1 de março, devido às perturbações nas compras e no transporte para o Médio Oriente, uma região estratégica para o setor.
De facto, esta região representa entre 20% e 25% das exportações quenianas, absorvendo anualmente cerca de 100 000 toneladas de chá, com destinos como o Irão, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Iémen.
Um novo choque para o setor
Para a fileira do chá, trata-se de mais um desafio após a crise ligada à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Segundo George Omuga, a Rússia, que anteriormente comprava 29 000 toneladas de chá queniano, adquiriu recentemente apenas 5 000 toneladas.
Apesar disso, o setor mantém algum alívio com a continuidade das exportações para os seus dois principais clientes, o Paquistão e o Egito, que juntos representam cerca de metade dos envios totais, mesmo com o aumento dos custos de transporte.
Este novo choque reforça a necessidade de diversificar os mercados. O país já começou a explorar novos destinos em África, como o Marrocos, onde a maior parte da procura por chá verde é atualmente satisfeita pela China.
No início de novembro, o Tea Board of Kenya organizou um encontro entre a Evergreen Tea Factory, membro da EATTA, e a empresa marroquina TMAN Distribution Company, especializada em consultoria e distribuição, com o objetivo de reforçar a presença do chá queniano naquele mercado.
No final das discussões, ambas as partes concordaram em preparar um memorando de entendimento para estruturar uma cooperação comercial mais estreita e facilitar um acesso mutuamente benéfico ao mercado.
Espoir Olodo
O novo governo do Chade conta com sete saídas e oito novas nomeações, entre as quais a de Sitack Yombatinan Beni, antigo vice-presidente do partido Les Transformateurs, nomeado ministro do Ensino Superior, da Investigação Científica e da Formação Profissional.
A Presidência da República do Chade revelou a composição do governo na quarta-feira, 1 de abril, combinando reconduções e novos rostos. O executivo conta com 37 ministros, continuando a ser liderado pelo primeiro-ministro Allah-Maye Halina. Limane Mahamat mantém a pasta da Administração do Território e da Descentralização como vice-primeiro-ministro.
Entre os ministros reconduzidos estão Abdoulaye Sabre Fadoul, que permanece nos Negócios Estrangeiros, Integração Africana e Chadianos no Exterior; Tahir Hamid Nghelin, confirmado nas Finanças, Orçamento, Economia, Plano e Cooperação Internacional; e Issakha Malloua Djamous, que continua à frente das Forças Armadas.
Ndolenodji Alixe Naimbaye entra para o governo como ministra da Justiça, Guarda dos Selos, encarregada dos Direitos Humanos. Por sua vez, Fatimé Haram Acyl é nomeada ministra das Minas, do Petróleo e da Geologia. Tom Erdimi, que se demitiu, é substituído por Sitack Yombatinan Beni no Ensino Superior.
Recorde-se que o presidente chadiano Mahamat Idriss Déby Itno chegou ao poder em 2021, após a morte do seu pai. Em dezembro de 2023, uma nova Constituição foi aprovada por referendo, sendo depois revista em setembro de 2025. Entre as principais medidas está a extensão do mandato presidencial para sete anos, renovável sem limite.
Em maio de 2024, Mahamat Idriss Déby Itno venceu as eleições presidenciais. Algumas semanas depois, foi formado um primeiro governo com o objetivo de recuperar a economia do país e promover a unidade nacional, num contexto marcado por tensões políticas e de segurança.
Este novo governo deverá prosseguir a implementação das reformas estruturadas em torno da iniciativa Tchad Connexion 2030, que visa transformar o Chade numa economia moderna, diversificada e inclusiva, com foco na governação, na resiliência social, no crescimento sustentável e na redução das desigualdades, bem como no reforço da conectividade do território e na sua atratividade para investidores.
Lista do novo governo chadiano
Ministro de Estado, ministro dos Negócios Estrangeiros, da Integração Africana e dos Chadianos no Exterior – Abdoullaï Sabre Fadoul
Ministro de Estado, ministro das Finanças, do Orçamento, da Economia, do Plano e da Cooperação Internacional – Tahir Hamid Nguilin
Ministro de Estado, ministra da Mulher e da Infância – Kitoko Gata Ngoulou
Ministro de Estado, ministro da Educação Nacional, do Bilinguismo e da Promoção Cívica – Mohamed Ahmed Alhabo
Ministra da Justiça, Guarda dos Selos, encarregada dos Direitos Humanos – Ndolenodji Alixe Naïmbaye
Ministro do Ensino Superior, da Investigação Científica e da Formação Profissional – Sitack Yombatina Béni
Ministro da Saúde Pública e da Prevenção – Abdelmadjid Abderrahim
Ministro da Água e da Energia – Passalé Kanabé Marcelin
Ministra da Ação Social, da Solidariedade Nacional e dos Assuntos Humanitários – Zahra Mohammed Issa
Ministro da Segurança Pública e da Imigração – General Ali Ahmat Akhabach
Ministro das Forças Armadas, dos Antigos Combatentes e das Vítimas de Guerra – General Issakha Maloua Djamous
Ministra das Minas, do Petróleo e da Geologia – Fatima Haram Acyl
Ministro das Infraestruturas, do Desencravamento e da Manutenção Rodoviária – Amir Idriss Kourda
Ministro do Ordenamento do Território e do Urbanismo – Assileck Mahamat Halata
Ministro da Função Pública e do Diálogo Social – Abdoulaye Mbodou Mbami
Ministro das Telecomunicações, da Economia Digital e da Digitalização – Haliki Choua Mahamat
Ministra dos Transportes, da Aviação Civil e da Meteorologia Nacional – Fatimé Goukouni Oueddei
Ministro da Pecuária e da Produção Animal – Abdelrahim Awad Atteïb
Ministro da Produção e da Industrialização Agrícola – Keda Bala
Ministro do Comércio e da Indústria – Guibolo Fanga Mathieu
Ministro do Ambiente, da Pesca e do Desenvolvimento Sustentável – Hassan Bakhit Djamous
Ministro do Desenvolvimento Turístico, da Cultura e do Artesanato – Abakar Rozzi Teguil
Ministro da Juventude e dos Desportos – Abakar Nair
Ministro da Comunicação, porta-voz do governo – Gassim Cherif
Ministra Secretária-Geral do Governo, encarregada do bilinguismo e das relações com as grandes instituições – Ramatou Mahamat Houtouin
Ministro Delegado junto do Vice-Primeiro-Ministro responsável pela Descentralização – Ahmad Oumar Ahmad
Ministra Delegada junto do ministro dos Negócios Estrangeiros, responsável pela Integração Africana e pelos Chadianos no Exterior – Fatimé Aldjineh Garfa
Ministro Delegado junto do ministro das Finanças, responsável pela Economia, Plano e Cooperação Internacional – Saleh Bourma
Secretário de Estado das Finanças e do Orçamento – Ali Diada Kampar
Secretário de Estado da Educação Nacional, do Bilinguismo e da Promoção Cívica – Goulet Koudji
Secretária de Estado da Justiça e dos Direitos Humanos – Aminatou Bello
Secretária de Estado do Ensino Superior, da Investigação Científica e da Formação Profissional – Dkhadidja Adoum Attimer
Secretária de Estado da Saúde Pública e da Prevenção – Mbaïnedji Dekandji Françine
Secretário de Estado do Petróleo, das Minas e da Geologia – Aladoum Désiré Nando Ganghar
Secretária de Estado das Infraestruturas, encarregada da Manutenção Rodoviária – Haoua Abdelkerim Ahmadaye
Secretário de Estado das Telecomunicações, da Economia Digital e da Digitalização – Abel Maina
Secretário-Geral Adjunto do Governo – Bourkou Dédé El Hadj
Lydie Mobio
Segundo a Organização Mundial da Saúde, Cabo Verde apresenta um sólido desempenho na área da saúde: uma taxa de mortalidade materna de cerca de 42 por 100 000 nascimentos e uma taxa de mortalidade infantil de 13,5 por 1 000. Certificado como livre de paludismo em 2024, o país eliminou o sarampo e a rubéola e prepara o seu primeiro transplante renal.
Cabo Verde e a Organização Mundial da Saúde celebraram um plano de trabalho conjunto no valor de 2,46 milhões de dólares para o período de 2026-2027. A instituição tornou a informação pública na quarta-feira, 1 de abril de 2026, na sua página do Facebook.
Este programa visa consolidar os investimentos estratégicos a favor da cobertura universal de saúde, reforçar os cuidados de saúde primários e melhorar a qualidade e a segurança dos cuidados. Prevê igualmente ações para promover um financiamento sustentável do sistema de saúde, reforçar a regulação dos medicamentos, acelerar a transformação digital e desenvolver os recursos humanos do setor.
O plano inclui ainda iniciativas centradas na prevenção e controlo das doenças não transmissíveis, na saúde mental, na manutenção do estatuto de eliminação do paludismo, no reforço da imunização ao longo do ciclo de vida, no combate à resistência aos antimicrobianos, bem como na preparação do sistema de saúde para os efeitos das alterações climáticas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, Cabo Verde destaca-se por resultados notáveis na saúde. O país apresenta uma taxa de mortalidade materna estimada em cerca de 42 óbitos por 100 000 nados-vivos, uma das mais baixas de África, enquanto a mortalidade de crianças com menos de cinco anos se situa em 13,5 óbitos por 1 000 nascimentos.
Cabo Verde obteve também, em 2024, a certificação da eliminação do paludismo pela Organização Mundial da Saúde, após vários anos sem transmissão local. Eliminou igualmente o sarampo e a rubéola, com taxas de cobertura vacinal superiores a 90% para os principais antigénios. O país prepara agora o seu primeiro transplante renal.
Esta parceria surge num contexto em que o país implementa a sua Carta da Saúde e a política nacional de saúde 2025-2035, que visam uma melhor organização dos serviços, maior equidade entre as ilhas, bem como a aceleração da digitalização e do desenvolvimento dos recursos humanos. Além disso, o plano de trabalho 2026-2027 está alinhado com a estratégia de cooperação entre a Organização Mundial da Saúde e Cabo Verde para o período de 2024-2028.
Ingrid Haffiny
Perante uma vulnerabilidade climática que ameaça a sua economia agrícola e a segurança alimentar, a Etiópia aposta na investigação científica para criar um escudo contra as alterações climáticas.
O país pretende transformar as suas universidades num baluarte contra as mudanças climáticas. Esta foi a principal orientação da primeira assembleia geral do Fórum Etíope das Universidades para a Ação Climática, realizada a 31 de março de 2026 em Adis Abeba. Segundo a Ethiopian News Agency (ENA), o evento reuniu decisores públicos e responsáveis universitários em torno de um mesmo entendimento: face aos riscos climáticos, é urgente produzir soluções concretas.
O fórum constitui uma plataforma inédita de coordenação entre os setores político e académico. O objetivo é estruturar uma resposta científica nacional às alterações climáticas. O ministro de Estado para o Planeamento e Desenvolvimento, Seyoum Mekonnen, definiu desde logo a meta: instou as instituições de ensino superior a conceber soluções científicas e práticas, recordando que uma economia verde e resiliente é um eixo central da política nacional.
Os esforços já em curso ilustram esta ambição, com o plantio de mais de 48 mil milhões de jovens plantas no âmbito da Iniciativa para um Legado Verde. Para Mekonnen, este espaço de concertação representa «uma plataforma chave para reforçar os laços entre decisores públicos e instituições académicas». Samuel Kifle, presidente interino da Universidade de Adis Abeba, partilha esta visão e defende «investigações aplicadas, orientadas para resultados concretos».
Transformar o conhecimento académico em soluções práticas no terreno
A urgência é real: a Etiópia continua altamente exposta aos impactos das alterações climáticas, devido à sua forte dependência da agricultura de sequeiro. Este setor representa 34% do PIB, 75% das receitas de exportação e 73% do emprego, segundo dados governamentais de 2022.
Uma seca de intensidade moderada basta para reduzir 15% do crescimento da receita agrícola e aumentar a pobreza em 13,5%, segundo um relatório do Banco Mundial de 2020. Desde os anos 1960, a temperatura aumentou cerca de 1 °C e as precipitações diminuíram 20% na região Centro-Sul. Os episódios extremos, tanto secas como inundações, tornaram-se regra.
Uma abordagem estratégica num contexto de urgência
O contexto internacional aumenta a pressão. O país será anfitrião da COP32 das Nações Unidas em 2027, em Adis Abeba, decisão aprovada na COP30 em Belém, Brasil. A Etiópia terá de demonstrar que o seu compromisso climático se traduz em ações concretas. Ainda assim, segundo a Agência Francesa de Desenvolvimento, em 2022 o país ocupava apenas o 101.º lugar entre 181 países no Índice Global de Riscos, com um PIB per capita estimado de 1 320 dólares em 2024.
O potencial humano existe. Em 2023-2024, a Etiópia contava com 46 universidades públicas e 275 instituições privadas, acolhendo mais de 1,1 milhões de estudantes, contra 210 mil em 2006-2007. Contudo, cerca de 150 mil licenciados saem anualmente com competências consideradas inadequadas para o mercado de trabalho formal.
Félicien Houindo Lokossou
Longtemps relégué au second plan au profit du transport routier, le secteur ferroviaire retrouve une place centrale dans la politique de mobilité de l’Algérie. Les autorités poursuivent le développement du réseau national avec le lancement de deux appels d’offres pour la construction d’une nouvelle ligne de 495 km reliant Laghouat, Ghardaïa et El-Meniaa.
Piloté par l’Agence nationale d’études, de suivi et de réalisation des investissements ferroviaires (Anesrif), ce projet vise à renforcer le transport de marchandises et de passagers entre le nord et le centre du pays, tout en stimulant l’activité économique des régions traversées. Il comprend la construction de l’infrastructure, l’acquisition du matériel roulant et divers travaux connexes.
La ligne est découpée en deux tronçons : Laghouat - Ghardaïa (265 km) avec 5 gares, 21 viaducs, 1 tunnel et 55 ouvrages hydrauliques, et Ghardaïa - El-Meniaa (230 km) avec 3 gares, 6 viaducs et 35 ouvrages supplémentaires. Les trains de voyageurs pourront circuler jusqu’à 220 km/h, tandis que le fret atteindra 160 km/h, témoignant de l’ambition de moderniser le transport ferroviaire et de le présenter comme une alternative crédible à la route.
Le financement mobilise la Banque africaine de développement, la Banque asiatique d’investissement pour les infrastructures et l’État algérien, dans le cadre d’un programme global de près de 18 milliards USD destiné à moderniser et étendre le réseau ferroviaire.
Au-delà de l’amélioration de la mobilité, la stratégie vise un report modal pour désengorger les routes et réduire les coûts logistiques, notamment pour les filières agricoles et minières. À l’horizon 2030, l’Algérie ambitionne de porter son réseau ferré à 15 000 km, contre 4 722 km en 2023.
Des réalisations concrètes accompagnent déjà cette politique. Le 1er février 2026, la ligne ferroviaire minière de l’Ouest, reliant Béchar, Tindouf et Gara Djebilet, a été inaugurée. Cet axe stratégique soutiendra l’exploitation du gisement de fer de Gara Djebilet et l’acheminement du minerai vers les unités de transformation et les ports, consolidant l’ambition de l’Algérie de devenir un hub métallurgique régional.
Henoc Dossa
O construtor chinês está atualmente a concluir a aquisição da fábrica sul-africana da Nissan e pretende iniciar a produção até ao final de 2027. Esta ofensiva industrial insere-se numa profunda recomposição do mercado automóvel sul-africano e na estratégia de localização global dos gigantes chineses da indústria automóvel.
Trata-se de um movimento estratégico de grande envergadura que a Chery Automobile está prestes a concretizar na África do Sul. O grupo chinês, cotado em Hong Kong, está prestes a adquirir a fábrica de Rosslyn, perto de Pretória, anteriormente operada pelo construtor japonês Nissan. O objetivo declarado é lançar a produção até ao final de 2027, após uma fase de requalificação e modernização do local, estimada entre 12 e 18 meses. O valor da transação e o investimento total não foram divulgados.
Um mercado automóvel sul-africano em plena recuperação
O momento não é casual. A África do Sul registou em 2025 o melhor desempenho do mercado automóvel em mais de uma década, com vendas totais de veículos novos a subir 15,7% para 596.818 unidades, ultrapassando pela primeira vez os níveis pré-pandemia.
As vendas de automóveis de passageiros foram o principal motor desta dinâmica, com um aumento de 20,1% em relação ao ano anterior, totalizando 422.292 unidades. A Naamsa, Conselho da Indústria Automóvel, prevê um crescimento adicional de 9% a 11% em 2026, impulsionado pela queda da inflação e pela diminuição das taxas de juro.
Esta recuperação não é apenas conjuntural. Reflete uma recomposição estrutural do mercado, liderada principalmente pelas marcas chinesas. Os construtores do gigante asiático cresceram a um ritmo quase 9 vezes superior ao do mercado global, conquistando agora mais de 17% das vendas de veículos de passageiros novos, contra menos de 5% há apenas quatro anos.
Chery, já bem estabelecida localmente
A Chery Automobile não chega a solo desconhecido. Em 2025, o grupo registou um aumento de 26,7% nas vendas, atingindo 25.304 unidades. Isso permitiu consolidar o 8º lugar no ranking dos construtores na África do Sul, com uma quota de mercado de 4,2%.
Desde o seu regresso há quatro anos, a Chery construiu uma rede de 150 concessionários e vende em média 50.000 veículos por ano. Esta base comercial proporciona agora legitimidade e escala suficientes para avançar para a produção local. “Este investimento reflete o apoio incondicional dos nossos clientes e parceiros locais”, declarou Charlie Zhang, vice-presidente executivo do grupo, durante uma conferência em Joanesburgo.
O elétrico como alavanca de exportação
A gama produzida em Rosslyn não se limitará a motores térmicos. A Chery pretende transformar o local num centro de fabricação de veículos eletrificados — híbridos, híbridos plug-in e 100% elétricos — visando abastecer mercados de exportação na África e na Europa.
A escolha dos veículos eletrificados é ainda mais pertinente dado que os híbridos já dominam as vendas de veículos de nova energia na África do Sul, representando cerca de três quartos do segmento NEV, com consumidores a preferirem opções acessíveis e menos dependentes da infraestrutura de carregamento.
Localização, resposta estrutural às barreiras comerciais
Esta decisão segue uma tendência global. Confrontados com barreiras comerciais às exportações, os construtores chineses multiplicam as instalações industriais no estrangeiro: mais de 15 novas fábricas foram abertas desde 2022, da Malásia ao Brasil, passando pela Hungria e Espanha.
Pequim exportou mais de 5,5 milhões de veículos em 2024, tornando-se o maior exportador mundial, número que deverá ultrapassar 7 milhões em 2025. No entanto, esta estratégia de exportação enfrenta limitações face aos direitos aduaneiros, obrigando os atores a localizar produção.
A Chery já possui uma rede global de 16 bases de produção, com presença no Irão, Rússia e expansão ativa para o Sudeste Asiático e Europa. Nos primeiros seis meses de 2025, o grupo foi o maior exportador automóvel chinês, com 548.000 unidades, representando 17,8% das exportações totais da China, posição que pretende consolidar com a produção local.
Um mercado africano em recomposição
A África do Sul continua a ser a porta de entrada privilegiada para qualquer construtor que queira atingir o mercado subsaariano. Ao instalar uma unidade industrial, a Chery posiciona-se para ter um peso duradouro numa região com procura automóvel em crescimento estrutural.
O grupo planeia ainda estruturar uma rede de fornecedores locais em torno da fábrica de Rosslyn, o que poderá gerar impactos significativos na indústria manufatureira sul-africana, uma das mais desenvolvidas do continente, e constituir um argumento sólido perante os reguladores locais.
“Nosso compromisso aqui não é apenas uma etapa da nossa estratégia de globalização, é também um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento económico e industrial da África do Sul”, reforçou Charlie Zhang. Uma mensagem semelhante à que a BYD transmite no Brasil e a Geely na Europa.
Fiacre E. Kakpo