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Equipe Publication

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A Guiné Equatorial é atualmente servida por um único cabo submarino internacional. Esta situação afeta a qualidade e a disponibilidade da Internet, num contexto de transformação digital em que a administração, as empresas e os cidadãos dependem dela diariamente.

O governo equato-guineense está a considerar ligar o país ao cabo submarino «Medusa». Avaliada entre 20 milhões de euros (cerca de 23 milhões de dólares) e 60 milhões de euros, a iniciativa visa pôr fim às interrupções do serviço de Internet e garantir uma rede estável e de elevada qualidade. A sua entrada em funcionamento está prevista entre 2029 e 2030.

Esta iniciativa figura entre as medidas prioritárias propostas num estudo estratégico realizado pelo gabinete Mason para as autoridades, com o objetivo de transformar o panorama digital do país através de um plano atualizado e seguro. O relatório técnico foi apresentado na sexta-feira, 3 de abril, na presença do vice-presidente Nguema Obiang Mangue, segundo um comunicado do serviço de imprensa da vice-presidência e do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), no poder.

No entanto, o projeto ainda não foi formalmente aprovado. O vice-presidente indicou que será analisado em detalhe por uma comissão técnica, em colaboração com os responsáveis do «Medusa».

Uma infraestrutura estratégica para reforçar a conectividade

O relatório técnico da Mason indica que o cabo submarino Medusa é uma infraestrutura de fibra ótica de grande dimensão, com 8 700 quilómetros de extensão, ligando o Mediterrâneo, o Atlântico e o Mar Vermelho. A cidade de Bata é apontada como o ponto estratégico de aterragem, devido à sua densidade populacional e à proximidade com a capital, La Paz.

O sistema Medusa promete uma capacidade total de 480 Tb/s, baseada em 24 pares de fibras, ou seja, cerca de 20 Tb/s por par. Inicialmente concebido para ligar países do Mediterrâneo, o projeto foi posteriormente alargado a África, devendo melhorar o acesso ao digital para centenas de milhões de pessoas em 22 países do continente.

Esforços para diversificar as ligações internacionais

O relatório destaca a necessidade de reforçar a ligação nacional às redes internacionais de alta capacidade para ultrapassar as limitações atuais. Em fevereiro passado, o governo já tinha assinado um acordo de cooperação com a Nigéria para o desenvolvimento de uma infraestrutura de fibra ótica submarina.

Os detalhes técnicos deste projeto ainda não foram divulgados. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Yusuf Tuggar, afirmou que o futuro cabo de alta velocidade permitirá reforçar as comunicações digitais e facilitar a integração dos mercados africanos.

A Nigéria já está ligada a sete grandes cabos submarinos internacionais: WACS, SAT-3/WASC, MainOne, Glo-1, Equiano, 2Africa e ACE, além de uma ligação com os Camarões entre Kribi e Lagos.

Por seu lado, a Guiné Equatorial depende principalmente do cabo ACE para a sua conectividade internacional. O país dispõe também de ligações locais e regionais: o Ceiba-1 liga Malabo a Bata; o Ceiba-2 liga Malabo a Kribi (Camarões), passando por Bata; e o Ultramar GE liga a Guiné Equatorial a São Tomé e Príncipe.

Um fator para reduzir custos e acelerar a inclusão digital

Para além da melhoria da qualidade do serviço, o consórcio do cabo Medusa indica que o projeto permitirá reduzir os riscos de saturação face ao aumento da procura, ao mesmo tempo que reforça a redundância e a resiliência das redes críticas.

Segundo Norman Albi, diretor-geral da AFR-IX e do projeto Medusa Africa, esta infraestrutura deverá transformar a conectividade digital ao longo da costa atlântica africana, criando novas oportunidades de inovação, comércio e inclusão social.

A instalação de cabos submarinos está também associada à redução dos custos da Internet. De acordo com um estudo do Banco Mundial publicado em julho de 2024, cada duplicação da capacidade de cabos submarinos em África reduz, em média, o preço da banda larga fixa em 7% e da banda larga móvel em 13%.

Por fim, uma maior capacidade e resiliência podem favorecer a adoção da Internet e dos serviços digitais, num contexto de aceleração da transformação digital e persistência da exclusão digital. Segundo o DataReportal, a Guiné Equatorial contava com 1,18 milhão de assinaturas de Internet no final de 2025, o que corresponde a uma taxa de penetração de 60,4%.

Isaac K. Kassouwi

 

A Líbia visa aumentar a sua produção de petróleo, enfrentando, ao mesmo tempo, constrangimentos operacionais, nomeadamente relacionados com as infraestruturas.

A National Oil Corporation (NOC), a empresa pública de petróleo da Líbia, anunciou que a produção de petróleo bruto atingiu 1,43 milhões de barris por dia. Segundo o The Libya Observer, que cita dados oficiais publicados no início de abril, este valor representa o nível mais alto em mais de dez anos.

Este patamar aproxima a Líbia das suas capacidades pré-crise política de 2011. Na altura, a Líbia, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto de África, estimadas entre 48,3 e 48,4 mil milhões de barris, podia produzir entre 1,6 e 1,7 milhões de barris por dia, segundo a U.S. Energy Information Administration.

Esta evolução ocorre num contexto de recuperação gradual das atividades em vários campos e terminais petrolíferos. De acordo com a NOC, as operações estabilizaram-se após períodos de interrupção causados por bloqueios e constrangimentos técnicos.

A empresa indica ainda que a continuidade da produção foi possível graças à melhoria da disponibilidade das infraestruturas.

Ao mesmo tempo, as receitas petrolíferas atingiram 10,7 mil milhões de dinares líbios (cerca de 1,67 mil milhões de dólares) em fevereiro de 2026, segundo o Central Bank of Libya (CBL). Estes rendimentos, provenientes das exportações de hidrocarbonetos, ocorrem num contexto de forte dependência da economia líbia do setor petrolífero.

O setor petrolífero continua a ser central para as finanças do país. Segundo dados do CBL e da Coface, o petróleo e o gás representam cerca de 95% das exportações e 90% das receitas públicas. Em outubro de 2025, as autoridades líbias anunciaram o objetivo de atingir uma produção de 1,6 milhões de barris por dia até ao final de 2026.

Neste contexto, a Líbia prevê um plano de relançamento do setor petrolífero, apoiado por investimentos estimados entre 3 e 4 mil milhões de dólares, destinados a modernizar as infraestruturas e restaurar as capacidades existentes.

As autoridades líbias indicam que a manutenção deste nível de produção depende, nomeadamente, de um fornecimento elétrico confiável e do bom funcionamento das instalações, segundo o The Libya Observer.

Abdel-Latif Boureima

Marrocos continua a aumentar a sua capacidade de energias renováveis, com mais 2.434 MW em relação a 2016. Esta dinâmica insere-se num contexto em que o país pretende elevar a quota de renováveis para 52% do mix elétrico até 2030.

Nos últimos dez anos, Marrocos mais do que duplicou a sua capacidade de produção de eletricidade a partir de energias renováveis, passando de 2.417 MW em 2016 para 4.851 MW no final de 2025. Este crescimento, confirmado pela Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA) em março de 2026, ilustra a aceleração da transição energética do reino num contexto de dependência das importações.

Esta expansão baseia-se principalmente na energia eólica, que atingiu 2.452 MW, contra 902 MW há dez anos. A energia solar também progrediu, passando de 202 MW para 1.086 MW, mas continua a ser menos significativa. A energia hidroelétrica manteve-se estável em 1.306 MW ao longo do período.

A nível continental, esta dinâmica confere a Marrocos um peso relevante. A África tinha um total de 82.371 MW de capacidades renováveis em 2025, representando 1,6% do total mundial. O reino marroquino representa cerca de 5,9% desta produção cumulativa, enquanto o continente acrescentou 11,3 GW durante o ano, correspondendo a um crescimento de 15,9%.

A aceleração da transição energética marroquina reveste-se de um papel chave na soberania energética. O país ainda importa grande parte das suas necessidades de energia fóssil, com uma dependência energética de 87,5% em 2024, segundo a ministra da Transição Energética, Leila Benali. «Marrocos continua exposto a certas vulnerabilidades que podem limitar a sua soberania industrial, nomeadamente a dependência das importações de energias fósseis, que ainda cobrem grande parte do consumo primário nacional», afirmou em entrevista à imprensa local.

O desenvolvimento das energias solar e eólica poderá, a longo prazo, permitir reduzir a fatura energética do reino e limitar a sua exposição às flutuações dos preços internacionais.

Abdoullah Diop

Em fevereiro de 2026, o projeto EACOP já se encontrava numa fase avançada de execução, aproximando-se da sua entrada em operação prevista para julho de 2026, segundo as partes interessadas.

O East African Crude Oil Pipeline (EACOP), um oleoduto com 1.443 quilómetros, destinado a exportar petróleo bruto ugandês para o mercado internacional, atingiu uma taxa de execução de 82%, de acordo com informações divulgadas na quinta-feira, 2 de abril, pelo Upstream Online.

Este progresso aproxima a infraestrutura, que liga os campos petrolíferos do Lago Alberto, na Uganda, ao porto de Tanga, na Tanzânia, da sua fase operacional. Em fevereiro, as partes interessadas indicaram julho de 2026 como objetivo para o primeiro carregamento de petróleo.

Após uma inspeção conduzida pela Ministra da Energia da Uganda, Ruth Nankabirwa, no início de fevereiro de 2026, a EACOP Company, a empresa responsável pelo desenvolvimento, financiamento, construção e operação do oleoduto, indicou que a infraestrutura estava então concluída em mais de 75%.

A longo prazo, a infraestrutura deverá transportar cerca de 216.000 barris por dia de petróleo ugandês, caracterizado pela sua elevada viscosidade e natureza cerosa. Para tal, foi projetada para ser totalmente isolada termicamente e equipada com estações de aquecimento ao longo do seu traçado.

Para além das estações de aquecimento, o EACOP inclui também estações de bombagem e um terminal de exportação em Tanga. Os trabalhos foram iniciados após a decisão final de investimento anunciada em 2022 pela multinacional francesa TotalEnergies, operadora do projeto, e pelos seus parceiros.

Embora, segundo a EACOP Company, a entrada em serviço do oleoduto, apresentado como um dos mais longos do continente, esteja prevista para os próximos meses, este calendário continua dependente da conclusão dos trabalhos restantes e dos testes técnicos previstos antes do início das operações.

Um projeto ainda contestado quatro anos após o seu lançamento

Apesar da evolução significativa, o projeto EACOP continua a enfrentar contestação. Segundo informações divulgadas na sexta-feira, 3 de abril, pelo Inter Press Service (IPS), uma ação judicial foi interposta em Londres (Reino Unido) por agricultores ugandeses. O processo é apresentado como uma “tentativa de última hora” para bloquear o desenvolvimento.

Segundo o IPS, os reclamantes denunciam impactos nas suas terras e condições de vida. Para a ONG Business & Human Rights Resource Centre, esta iniciativa insere-se numa oposição persistente à construção do oleoduto apoiada pelas autoridades da Uganda e da Tanzânia.

Perspetivas económicas questionadas

Esta contestação ocorre num contexto em que as perspetivas económicas do EACOP também estão a ser questionadas. Segundo informações divulgadas pela Agência Ecofin em fevereiro de 2026, os custos excedentários do oleoduto EACOP ameaçam as projeções de receitas petrolíferas da Uganda.

Baseando-se numa análise do Institute for Energy Economics and Financial Analysis (IEEFA), o meio de comunicação indica que o custo do projeto atinge cerca de 5,6 mil milhões de dólares, um aumento de aproximadamente 55% em relação às estimativas iniciais. Estes excessos de custos poderão reduzir significativamente os rendimentos esperados pelo Estado ugandês, devido ao mecanismo de recuperação prioritária dos custos pelas companhias petrolíferas envolvidas no projeto.

Abdel-Latif Boureima

Após dois anos de retração, os preços alimentares mundiais voltaram a subir em 2025. Um cenário semelhante não está excluído para 2026, devido às tensões no mercado de fertilizantes, ligadas à guerra no Médio Oriente.

Após ter iniciado 2026 em baixa, os preços alimentares globais registaram, em março, a sua segunda subida mensal consecutiva. Segundo um comunicado da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), publicado na sexta-feira passada, o índice de preços atingiu 128,5 pontos, correspondendo a uma subida de 2,4% face a fevereiro e ao nível mais elevado desde dezembro.

Embora todos os produtos básicos tenham registado aumentos no último mês, a organização da ONU destaca que os óleos vegetais e o açúcar foram os principais motores desta tendência.

Em detalhe, o índice de preços dos óleos vegetais subiu 5,1% face a fevereiro e situa-se agora 13,2% acima do nível de há um ano.

«Os preços internacionais do óleo de palma, soja, girassol e colza aumentaram, impulsionados pela subida dos preços do petróleo bruto, que gerou previsões de uma procura acrescida por biocombustíveis», explica a instituição com sede em Roma.

Por seu lado, o índice da FAO relativo ao açúcar subiu 7,2% em março, atingindo o seu nível mais alto desde outubro de 2025, devido ao aumento dos preços do petróleo, que favorece o etanol no Brasil e gera receios sobre uma possível redução da oferta de açúcar no mercado mundial.

Quanto aos restantes produtos, o índice de preços dos cereais da FAO aumentou 1,5% em março face a fevereiro, impulsionado por uma subida de 4,3% nos preços internacionais do trigo, enquanto o índice relativo à carne registou um aumento de 1% face ao mês anterior.

O índice de preços dos produtos lácteos da FAO subiu 1,2%, principalmente devido à valorização das cotações do leite em pó, num contexto de diminuição sazonal da oferta na Oceânia.

Tensões em alta

Apesar do aumento em março, o índice da FAO só cresceu 1% face ao nível de há um ano e permanece cerca de 20% abaixo do seu pico histórico de março de 2022, atingido na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia. No entanto, a organização alerta para um possível agravamento da situação caso o conflito no Médio Oriente se prolongue.

Desde o início da guerra no Irão, no final de fevereiro, os mercados de energia estão sob tensão, com uma subida acentuada do preço do petróleo, que encarece mecanicamente os custos de transporte, produção e dos insumos agrícolas. «Os aumentos de preços desde o início do conflito têm sido moderados, principalmente devido à subida dos preços do petróleo e compensados pela abundância de stocks mundiais de cereais», recorda Maximo Torero, economista-chefe da FAO, que se preocupa com os efeitos de um conflito prolongado.

«No entanto, se o conflito se prolongar além de 40 dias, com custos de insumos elevados e margens atualmente reduzidas, os agricultores terão de tomar decisões: cultivar tanto com menos insumos, reduzir as áreas semeadas ou optar por culturas menos exigentes em fertilizantes. Estas decisões afetarão os rendimentos futuros e terão impacto sobre a oferta alimentar e os preços das matérias-primas durante o resto deste ano e do próximo», alerta Torero.

Este alerta junta-se às preocupações de outras organizações, como o Programa Alimentar Mundial (PAM). Num comunicado divulgado a 17 de março, a instituição estima que cerca de 45 milhões de pessoas adicionais poderão enfrentar insegurança alimentar grave, ou pior, se o conflito não terminar até meados do ano e se os preços do petróleo se mantiverem acima de 100 $ por barril.

Além disso, um estudo do gabinete Global Sovereign Advisory (GSA), publicado a 15 de março, estima que o arroz é, de longe, o cereal mais exposto às perturbações no transporte de fertilizantes pelo estreito de Ormuz.

«Três países asiáticos – Índia, Paquistão e Tailândia – são simultaneamente os principais fornecedores dos mercados africanos e estão entre os maiores importadores de fertilizantes do Golfo. A Índia importa cerca de 30% dos seus fertilizantes acabados dos países do Golfo, mais de 15% apenas da Arábia Saudita. A Tailândia e o Paquistão, outros grandes fornecedores, importaram respetivamente 21,1% e 29% dos seus fertilizantes desta região. Estes países produtores de arroz poderão ser fortemente afetados pelo aumento global dos preços dos fertilizantes se a crise se mantiver», salientam os autores.

Espoir Olodo

Mercado do cacau: ONG americana alerta para proteger os rendimentos dos produtores face à queda dos preços

O mercado do cacau entrou há mais de um ano numa fase de excedente, com efeitos variados ao longo da cadeia de valor.

Fabricantes de chocolate, comerciantes e distribuidores são incentivados a colocar os rendimentos dos produtores no centro das prioridades, num contexto de forte volatilidade dos preços do cacau, segundo a ONG americana Rainforest Alliance, num comunicado de 30 de março.

Após atingir um recorde de 12.906 $ por tonelada em Nova Iorque em dezembro de 2024, os preços mundiais da matéria-prima caíram fortemente e atualmente oscilam abaixo dos 4.000 $ por tonelada.

Enquanto esta queda reduz os custos de aprovisionamento para os transformadores, a organização apela às empresas para que ultrapassem a lógica de preços de mercado a curto prazo e optem por contratos de compra de longo prazo, oferecendo maior estabilidade de rendimentos aos produtores de cacau.

«A sustentabilidade não pode ser um compromisso apenas quando as condições são favoráveis. Quando os preços caem, são os agricultores que absorvem o choque: queda imediata dos rendimentos, aumento do endividamento e incapacidade de financiar insumos ou manter as plantações. Esta fragilização coloca em risco a resiliência de toda a cadeia do cacau, pois um setor sustentável depende de modelos económicos capazes de sustentar os meios de subsistência dos agricultores precisamente quando as condições de mercado são mais difíceis», explica Santiago Gowland, diretor-geral da ONG.

«Precisamos de um sistema que funcione também para as famílias agrícolas, não apenas quando o mercado é favorável, mas também quando é desfavorável», acrescenta Nanga Koné, diretor da Rainforest Alliance na Costa do Marfim.

Este apelo reflete anos de advocacy de organizações como a Fairtrade, que defendem um rendimento mínimo vital para os produtores como “a mãe das batalhas” para alcançar maior sustentabilidade na indústria do cacau.

Segundo observadores, a cadeia de valor do cacau continua muito assimétrica, especialmente na Costa do Marfim e no Gana, com lucros que chegam apenas parcialmente aos produtores em períodos de alta, enquanto estes suportam a maior parte das perdas quando os preços caem.

Para mitigar o impacto da crise, as autoridades reduziram os preços pagos aos agricultores: na Costa do Marfim, a tonelada de cacau custa agora 1.200.000 FCFA (2.100 $) contra 2.800.000 FCFA (4.939 $) há seis meses, enquanto no Gana o preço da tonelada caiu 28,6 % para 41.392 cedis (3.761 $) para o restante da temporada.

Espoir Olodo

Egito pretende gerar 14 mil milhões de dólares com exportações agrícolas em 2026

Em África, o Egito figura entre os principais exportadores de produtos alimentares, ao lado da África do Sul e de Marrocos. O governo egípcio continua a intensificar os esforços para conquistar novos mercados e melhorar o desempenho da indústria agroalimentar no exterior.

O Egito espera gerar 14 mil milhões de dólares em receitas com a exportação de produtos agrícolas e alimentares em 2026, segundo noticiaram os meios de comunicação locais na segunda-feira, 6 de abril, citando Alaa Farouk, ministro da Agricultura.

Se esta previsão se concretizar, representará um aumento de 21,73% em relação aos 11,5 mil milhões de dólares registados pela indústria agroalimentar no ano anterior. Embora as razões exatas para estas perspetivas otimistas não tenham sido detalhadas, sabe-se que desde o início do ano o Cairo tem intensificado esforços para expandir a presença internacional dos seus produtos agrícolas, numa lógica de diversificação dos mercados de exportação.

No dia 1 de janeiro, o governo egípcio anunciou ter obtido autorização da República Dominicana para exportar citrinos (laranjas, limões e tangerinas) para o país caribenho. A 9 de março, a indústria de citrinos obteve acesso ao mercado do Panamá, na América Latina. Ainda em março, a 14 de março, o Ministério da Agricultura divulgou uma estratégia para reforçar o acesso das exportações agrícolas egípcias aos mercados do Golfo, nomeadamente os Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait e Bahrein.

Mais recentemente, a 3 de abril, foi anunciada a abertura do mercado de cebola e alho no Uruguai para os exportadores egípcios. Esta busca contínua de novos mercados surge depois de a Administração Central de Quarentena Agrícola ter declarado, em 2025, ter obtido acesso a 25 novos mercados de exportação para os produtos agroalimentares egípcios.

De forma mais ampla, o objetivo do Egito em aumentar as receitas das exportações agrícolas é também reduzir o déficit da sua balança comercial alimentar. O país continua a ser o principal importador africano de produtos alimentares, com uma fatura média de compras de 16,42 mil milhões de dólares por ano entre 2021 e 2023, segundo a CNUCED.

Stéphanas Assocle

O mercado marroquino de bebidas gaseificadas regista um forte crescimento, impulsionado pela urbanização, pela evolução dos hábitos de consumo e pelo aumento demográfico. Esta dinâmica abre oportunidades de investimento em segmentos conexos, como os gases alimentares.

A Compagnie Sucrière du Maroc (Cosumar) inicia uma nova fase de diversificação industrial, investindo num projeto de produção de dióxido de carbono alimentar líquido (LCO₂), um insumo estratégico amplamente utilizado na indústria de bebidas gaseificadas.

Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais na segunda-feira, 6 de abril, o projeto baseia-se num processo inovador que consiste em recuperar e valorizar o dióxido de carbono proveniente das atividades industriais existentes da Cosumar, purificando-o e transformando-o em CO₂ líquido conforme os padrões internacionais da International Society of Beverage Technologists (ISBT) e da European Industrial Gases Association (EIGA).

Um plano de investimento de mais de 53 milhões de dólares

De acordo com os responsáveis do grupo, o projeto mobiliza um investimento superior a 500 milhões de dirhams (53 milhões de dólares). Está prevista a instalação de uma primeira unidade de produção de LCO₂ no site de Casablanca que abriga a refinaria da Cosumar, com uma capacidade inicial de 20.000 toneladas por ano, com entrada em funcionamento prevista até ao final de 2026.

A longo prazo, a Cosumar planeia expandir o programa para outros sites industriais açucareiros, aumentando a oferta de LCO₂. Vale lembrar que o fabricante histórico de açúcar em Marrocos opera oito unidades industriais e obtém matéria-prima (beterraba e cana-de-açúcar) junto de uma rede de mais de 40.000 agricultores parceiros.

Enquanto o Marrocos depende inteiramente das importações para o fornecimento de CO₂ alimentar, a Cosumar vê nesta iniciativa a oportunidade de substituir gradualmente estas importações e conquistar uma fatia de um mercado impulsionado pela indústria de bebidas gaseificadas.

No país, o mercado de bebidas gaseificadas, incluindo refrigerantes, águas minerais com gás e bebidas energéticas gaseificadas, está em plena expansão. Segundo projeções da Strategy Helix, empresa internacional de consultoria e estudos de mercado baseada na Índia, este mercado deverá crescer em média 3,6% ao ano entre 2025 e 2030, atingindo 810,2 milhões de dólares. A indústria local é dominada por multinacionais como Coca-Cola e Pepsi, cujos sites industriais representam potenciais clientes para o LCO₂.

Além das bebidas gaseificadas, o LCO₂ também tem aplicações na indústria farmacêutica, criogenia, agricultura e dessalinização da água do mar, ampliando os potenciais mercados para a Cosumar.

Uma estratégia de integração industrial

Para além da substituição das importações, a produção de LCO₂ reflete a vontade do único operador açucareiro de Marrocos em reforçar a integração industrial. Ao valorizar um subproduto das suas atividades, a Cosumar transforma um fluxo pouco explorado numa fonte adicional de receita.

O objetivo é também aumentar os rendimentos gerados por atividades que até agora se concentravam principalmente no açúcar e na valorização de subprodutos como melaço e pellets (polpa desidratada de beterraba enriquecida com melaço), utilizados na produção de leveduras alimentares, álcool e alimentação animal. Em 2025, a Cosumar registou um crescimento de 2,4% na faturação anual, atingindo 10,48 mil milhões de dirhams (1,1 mil milhões de dólares).

Stéphanas Assocle

Uma nova entidade inicia atividades em Casablanca num mercado em expansão, caracterizado pelo aumento das operações de fusões e aquisições, captação de capitais e pelo papel crescente dos bancos de investimento independentes.

Um novo banco de investimento independente, não afiliado a grandes grupos bancários, entrou no mercado marroquino. A Almar Capital, fundada por Amine Alami, iniciou as suas atividades na segunda-feira, 6 de abril, em Casablanca. A nova estrutura foca-se em operações de fusões e aquisições, captação de capital, reestruturações e consultoria estratégica, dirigidas a grandes empresas e Estados.

«O lançamento da Almar Capital ocorre num contexto em que o mercado marroquino apresenta uma dinâmica de investimento sustentada, apoiada por fundamentos sólidos e pelo crescimento do capital privado. O Marrocos torna-se um ponto de referência natural entre capitais internacionais, empreendedores e projetos de longo prazo», indicou o banco.

Neste contexto, a instituição pretende apoiar dirigentes, acionistas e investidores institucionais na condução das suas operações. A sua atuação concentra-se em consultoria para decisões estratégicas e transações estruturantes. Segundo o seu fundador, esta iniciativa responde à transformação do mercado, caracterizada pela complexidade crescente das operações e pela exigência maior em termos de execução.

Um posicionamento apoiado em experiência em consultoria financeira

A Almar Capital baseia-se na trajetória do seu fundador, que dirigiu o banco de investimento independente marroquino Red Med Capital entre 2016 e 2025. Amine Alami possui experiência em consultoria financeira e acompanhamento de operações envolvendo grupos marroquinos e internacionais.

A empresa conta também com Inasse Aljami, especializada em transações. A Almar Capital não atua como banco de depósitos nem como instituição de crédito, concentrando-se em operações de grande escala.

Um mercado competitivo

A Almar Capital opera num ambiente estruturado com vários bancos de investimento independentes estabelecidos, como a CDG Capital, filial da Caisse de Dépôt et de Gestion, e a Attijari Finances Corp, banco de investimento do grupo Attijariwafa Bank, fundado há mais de 25 anos. Outras instituições, como Upline Group, especializada em M&A, consultoria estratégica, gestão de ativos e intermediação financeira, bem como BMCE Capital, banco de investimento do grupo Bank of Africa, atuam igualmente neste segmento, ao lado de novas iniciativas como a Fineopolis Capital, lançada em janeiro de 2026 como o primeiro banco de investimento focado em finanças éticas e participativas no Marrocos.

Segundo o Conselho da Concorrência de Marrocos, citado pelo Challenge.ma, o setor de bancos de investimento independentes no país tem crescido de forma consistente desde 2010, representando cerca de 15-20% das transações totais (estimadas em 25 mil milhões de dirhams, ou 2,6 mil milhões de dólares em 2024), num mercado bancário dominado por grandes grupos como Attijariwafa Bank (35% de quota de mercado) e BMCE Capital.

Esta evolução reflete o desenvolvimento de estruturas especializadas em consultoria financeira e a diversificação de atores no mercado. A entrada da Almar Capital no Marrocos integra-se nesta dinâmica e evidencia a evolução das necessidades de acompanhamento em operações financeiras.

Chamberline Moko

Inspirando-se no Nigerian Exchange Group, a BRVM inicia uma fase de preparação para o lançamento de ETFs e produtos derivados, com o objetivo de adaptar a sua oferta às evoluções dos mercados financeiros.

A BRVM prepara-se, pela primeira vez, para introduzir no mercado financeiro regional da UEMOA os ETFs (Exchange-Traded Funds) e produtos derivados.

Nesse sentido, uma delegação liderada pelo diretor-geral da BRVM, Dr. Edoh Kossi Amenounve, realizou na quinta-feira, 2 de abril, uma visita de trabalho ao Nigerian Exchange Group (NGX Group) para aproveitar a sua experiência.

«Esta visita teve como principal objetivo enriquecer-se com a experiência da Bolsa da Nigéria em produtos derivados e ETFs, em vista do lançamento próximo destes produtos no Mercado Financeiro Regional da UEMOA», indicou a BRVM no Facebook.

Um ETF é um fundo de investimento cotado em bolsa que replica o desempenho de um índice. Ao comprar um único ETF, é possível investir em várias empresas cotadas simultaneamente. Os ETFs permitem diversificação fácil, redução de riscos, investimento simples e custos inferiores aos fundos tradicionais. Um produto derivado, por sua vez, é um instrumento financeiro cujo valor depende de outro ativo chamado ativo subjacente, que pode ser uma ação, uma matéria-prima (petróleo, ouro), uma moeda ou um índice bursátil. Os produtos derivados permitem especular sobre a subida ou descida de preços, proteger-se contra riscos e investir com menos capital inicial.

Retorno de experiência

As trocas com o NGX focaram-se nos parâmetros necessários para o lançamento de ETFs e produtos derivados na BRVM. O NGX partilhou a sua experiência quanto às escolhas tecnológicas, seleção de produtos a cotar (futuros ou opções sobre índices, ações individuais ou matérias-primas como o ouro) e organização das infraestruturas de mercado. As discussões abordaram também a criação de uma câmara de compensação e o papel dos intervenientes que asseguram a liquidez.

A experiência nigeriana baseia-se num mercado com 12 ETFs cotados, incluindo um sobre ouro, e 4 produtos derivados: dois sobre o índice NGX 30, que reúne as 30 empresas mais capitalizadas e líquidas da bolsa, e dois sobre o índice NGX Pension, que lista ações elegíveis para investimento pelos gestores de fundos de pensão. O NGX é a terceira bolsa africana, com 156 empresas cotadas e uma capitalização de cerca de 99 mil milhões de dólares.

Uma evolução esperada do mercado financeiro regional

A introdução próxima de ETFs e produtos derivados na BRVM marcará uma evolução importante do mercado financeiro regional, devendo ampliar a base de investidores e reforçar os volumes de negociação. Esta iniciativa aproxima a BRVM das práticas observadas em outras praças financeiras, como o NGX, onde estes instrumentos já são utilizados.

Esta dinâmica fomentará o surgimento de novas atividades ligadas à gestão de ativos e operações de mercado, reforçando o posicionamento da BRVM no ambiente financeiro regional e acompanhando os esforços de integração na UEMOA. O sucesso deste projeto exigirá, contudo, um enquadramento operacional e regulamentar adequado, para assegurar o bom funcionamento do mercado e a participação efetiva de todos os atores.

Chamberline Moko

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