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Equipe Publication

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O financiamento apoiará a próxima fase de expansão do Victory Group, especializado em aquacultura na África Oriental, nomeadamente através da criação de novos locais de produção no Quénia e no Ruanda.

A AgDevCo, um investidor especializado na agricultura na África Subsaariana, anunciou na terça-feira, 7 de abril, a realização de um investimento em dívida mezzanine de 15 milhões de dólares a favor do Victory Group.

Esta empresa aquícola da África Oriental, especializada na produção de tilápia do Nilo, prevê utilizar estes fundos para expandir a sua produção no Quénia e no Ruanda ao longo dos próximos três anos, com o objetivo de atingir 30 000 toneladas de peixe até 2029.

Um investimento para apoiar a expansão

«O nosso objetivo é construir uma empresa aquícola de referência que forneça proteínas nutritivas em grande escala, ao mesmo tempo que cria oportunidades para os comerciantes e para as comunidades que dependem da nossa cadeia de valor», declarou Joseph Rehmann, fundador e diretor-geral do Victory Group. Acrescentou ainda: «o investimento da AgDevCo ajudar-nos-á a aumentar a produção e a reforçar a distribuição, numa altura em que a procura de peixe acessível e de alta qualidade continua a crescer na África Oriental».

Este não é o primeiro investimento da AgDevCo na empresa. Um primeiro financiamento de 4 milhões de dólares foi realizado em 2021, permitindo, segundo o investidor, melhorar a produção e reforçar a eficiência operacional do grupo.

O crescimento da aquacultura na África Oriental ilustra o interesse crescente por este setor. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a produção regional aumentou significativamente nos últimos anos. Apesar desta dinâmica, a oferta continua insuficiente, enquanto a procura cresce impulsionada pela demografia e pela urbanização.

Sandrine Gaingne

Face às lacunas persistentes entre a formação universitária e a realidade das salas de aula, Cabo Verde procura construir um quadro legal unificado para qualificar de forma sustentável os seus professores, em todos os níveis do sistema educativo.

Cabo Verde pretende reformar profundamente a formação dos seus professores. Neste contexto, o Ministério da Educação publicou, na segunda-feira, 6 de abril, um decreto no boletim oficial. O decreto estabelece um regime jurídico unificado para a formação de professores da educação pré-escolar, do ensino básico e do ensino secundário. Aplica-se a todos os subsistemas educativos. Trata-se de uma primeira iniciativa deste tipo no arquipélago. O texto estabelece igualmente as bases para um financiamento sustentável da qualificação ao longo da carreira.

O decreto-lei n.º 24/2026 organiza a formação em três níveis distintos. A formação inicial condiciona o acesso à carreira. A formação contínua garante a atualização permanente das práticas. A formação específica responde a necessidades particulares. Em conformidade com o artigo 65.º do Plano de Carreira (PCFR), aprovado pela lei n.º 46/X/2025, «a formação deve desenvolver-se de forma sistemática».

O texto introduz modalidades de formação flexíveis, presenciais, à distância e em regime híbrido. Prevê também mecanismos rigorosos de acreditação e avaliação das entidades formadoras. A reforma insere-se na continuidade dos perfis profissionais dos docentes, um quadro que define as competências exigidas em cada subsistema.

O diagnóstico apresentado pelo Ministério é exigente. «Persistem disparidades de cobertura e lacunas na articulação entre a teoria e a prática», reconhece no comunicado oficial. A ausência de um quadro integrado dificultava a harmonização entre as exigências profissionais e as regras de carreira. O PCFR define agora o pessoal docente como «o conjunto de profissionais com competências específicas» para exercer funções permanentes ou temporárias. A legitimidade da reforma assenta numa ampla concertação. Universidades, entidades reguladoras, sindicatos e delegações ministeriais participaram no processo. Entre 2016 e 2023, o governo já tinha regularizado a situação de mais de 7000 professores. O novo decreto pretende agora atuar a montante.

Esta iniciativa surge num contexto educativo contrastante. Cabo Verde atingiu uma taxa de escolarização pré-escolar de 92% em 2022-2023, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). No entanto, apesar de um acesso quase universal ao ensino básico, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) assinala resultados de aprendizagem insuficientes. O país não participa em nenhuma avaliação internacional padronizada, o que dificulta a medição precisa das aprendizagens. Uma lacuna que o decreto pretende colmatar através da investigação educativa.

Félicien Houindo Lokossou

Cada vez mais países africanos recorrem a satélites para reduzir a fratura digital que ainda permanece acentuada no continente. Na República Democrática do Congo (RDC), cerca de 40 milhões de pessoas ainda não utilizavam a Internet móvel em 2023, segundo a GSMA.

A RDC avança no seu objetivo de se dotar do seu próprio satélite de telecomunicações para reduzir a fratura digital. Neste contexto, as autoridades aproximaram-se da China para beneficiar da sua experiência.

O Ministério dos Correios e Telecomunicações anunciou, na terça-feira, 7 de abril, a assinatura de um memorando de entendimento com a Unicom Airnet, filial da operadora pública chinesa China Unicom. A comunicação oficial ainda não especificou os contornos da parceria potencial entre as duas partes.

Um projeto já iniciado com outro parceiro

Esta aproximação à China surge numa altura em que o governo se tinha inicialmente voltado para a operadora de satélites monegasca MonacoSat, com a qual foi assinado um protocolo de acordo em novembro de 2024. O acordo dizia respeito à implementação de uma rede de telecomunicações por satélite através da aquisição de capacidades junto da MonacoSat.

Augustin Kibassa Maliba, então ministro dos Correios, Telecomunicações e do Digital, realizou também uma sessão de trabalho com o fabricante de satélites Thales Alenia Space, parceiro industrial da MonacoSat.

Em agosto de 2025, uma delegação da MonacoSat, liderada pelo seu representante Jean-Philippe Anvam, reuniu-se com o presidente Félix Tshisekedi para discutir o projeto e o seu estado de avanço. O custo de aquisição foi estimado em 400 milhões de dólares, com financiamento já assegurado junto de um banco, segundo os parceiros.

Segundo Anvam, o objetivo é facilitar o acesso à Internet de alta velocidade em todo o território, especialmente nas zonas rurais e isoladas onde as infraestruturas são insuficientes.

O ministro Kibassa reuniu-se igualmente com uma delegação do Fidelity Bank Nigeria, que manifestou interesse em financiar o projeto. O governo reafirmou a sua vontade de mobilizar todos os parceiros necessários para fazer do digital um verdadeiro motor de desenvolvimento económico e social, prevendo investir 1,5 mil milhões de dólares no setor até 2030.

A experiência chinesa já comprovada em África

Com a assinatura do memorando, resta saber se a RDC irá abandonar a parceria com a MonacoSat ou se ambas coexistirão de forma complementar. Ainda assim, a China afirma-se como um dos líderes mundiais nas tecnologias espaciais, tendo já estabelecido dezenas de parcerias em África.

Entre os exemplos, destacam-se o lançamento do satélite nigeriano NigComSat-1 (2007) e o seu substituto NigComSat-1R (2011), bem como o satélite argelino Alcomsat-1, lançado em 2017.

O satélite como resposta à fratura digital

Se concretizado, o projeto poderá acelerar o acesso aos serviços digitais em todo o território congolês. A tecnologia espacial permite uma cobertura quase universal, incluindo em zonas remotas onde as redes terrestres são difíceis de implementar.

Na RDC, a GSMA recomenda soluções alternativas devido ao elevado custo de expansão das redes terrestres. Em 2024, as redes 2G, 3G e 4G cobriam respetivamente 75%, 55% e 45% da população.

A taxa de penetração da telefonia móvel era de 44,3%, enquanto o acesso à Internet atingia apenas 19,7%. Cerca de 40 milhões de pessoas permaneciam sem acesso à Internet móvel, para uma população estimada em 105,7 milhões.

Face às perturbações provocadas pela escalada do conflito no Golfo, este programa de emergência permitirá financiar as economias africanas e caribenhas, particularmente expostas aos choques nos setores da energia, dos fertilizantes e das cadeias de abastecimento.

O Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank) anunciou, na terça-feira, 7 de abril, a criação de um programa de intervenção de emergência de 10 mil milhões de dólares para atenuar o impacto económico do conflito no Médio Oriente nos países de África e das Caraíbas.

Denominado «Programa de Intervenção face à Crise do Golfo» (GCRP), este mecanismo visa proteger as economias, as instituições financeiras e as empresas dos Estados-membros do banco contra as perturbações relacionadas com a escalada do conflito desde fevereiro. A crise afeta particularmente os países dependentes das importações de combustível, gás natural liquefeito, fertilizantes e produtos alimentares, bem como aqueles expostos às rotas marítimas do Golfo, aos fluxos de investimento, ao turismo e às remessas.

Um programa para apoiar as economias e assegurar o comércio

O programa prevê, nomeadamente, garantir a continuidade das importações essenciais através do fornecimento de divisas e de liquidez a curto prazo aos Estados mais vulneráveis. Pretende também permitir que os exportadores africanos de energia e de minerais beneficiem do aumento dos preços e da reorientação dos fluxos comerciais, através de financiamentos de pré-exportação, financiamento de fundo de maneio e facilidades de armazenamento.

Para além da resposta imediata, a iniciativa visa igualmente reforçar a resiliência económica a médio e longo prazo, nomeadamente através do desenvolvimento das capacidades de produção nos setores energético e mineiro, bem como da aceleração de projetos de infraestruturas energéticas, portuárias e logísticas em África e na região das Caraíbas.

Segundo o presidente do Afreximbank, George Elombi, este programa permitirá aos países africanos «adaptarem-se gradualmente à crise, ao mesmo tempo que reforçam a sua resiliência face a choques futuros, graças a intervenções que transformam a estrutura das suas economias».

O conflito no Médio Oriente agravou as vulnerabilidades económicas africanas, nomeadamente devido ao aumento dos preços da energia, dos fertilizantes e dos produtos alimentares, levando vários governos a acelerar reformas estruturais nos domínios da agricultura, da energia e da proteção social.

O GCRP insere-se na continuidade dos mecanismos de emergência implementados pelo Afreximbank para mitigar os efeitos do conflito no Médio Oriente. Na semana passada, a instituição subscreveu 2,5 mil milhões de dólares num empréstimo sindicado a favor da Dangote Petroleum Refinery and Petrochemicals FZE, reforçando assim o seu estatuto de fornecedor de combustível para cinco países do continente.

Charlène N’dimon

Preparar a população com competências digitais tornou-se essencial na era digital. Vários países africanos multiplicam iniciativas para permitir que todos os segmentos da sociedade tenham acesso à formação em profissões digitais.

Djibouti reforça a sua estratégia de transformação digital com o lançamento do projeto École 42, uma rede internacional de formação em profissões digitais. A parceria foi assinada entre Djibouti Code e a Associação 42, segundo o meio de comunicação local La Nation. Com esta iniciativa, as autoridades procuram acelerar a formação de talentos locais capazes de responder às crescentes necessidades do mercado.

A École 42 é acessível sem exigência de diploma e distingue-se por um modelo baseado na aprendizagem entre pares e na realização de projetos concretos, sem aulas tradicionais. Os estudantes desenvolvem competências em programação, desenvolvimento de software, cibersegurança e big data, num ambiente imersivo aberto 24 horas por dia.

Ao apostar num modelo flexível e orientado para a prática, o governo procura formar rapidamente uma força de trabalho operacional, adaptada às exigências das empresas e projetos tecnológicos nacionais. Para além da formação, a iniciativa visa também melhorar a empregabilidade dos jovens, num país que enfrenta desafios na inserção profissional.

Esta escolha surge num contexto em que o défice de competências digitais constitui um obstáculo ao desenvolvimento da economia digital em África. Em maio de 2024, o Banco Mundial produziu o Diagnóstico da Economia Digital de Djibouti, relatório que permitiu às autoridades ajustar várias decisões estratégicas desde então.

Adoni Conrad Quenum

 

O lançamento comercial da 5G na África do Sul começou em 2019 com a Rain, seguido em 2020 pela Vodacom e MTN. Sete anos depois, e apesar dos crescentes investimentos dos operadores, a tecnologia continua parcialmente implementada.

Na África do Sul, a taxa de cobertura da população com 5G passou de 46,6% em 2024 para 58% em 2025, segundo o regulador das telecomunicações. Embora este progresso indique uma aceleração do lançamento, a cobertura continua limitada, especialmente nas zonas rurais, mesmo com as autoridades a procurarem generalizar o acesso ao ultra‑rápido (4G e 5G) em detrimento das redes 2G e 3G.

Segundo a edição de 2026 do relatório anual sobre o estado do setor das TIC da Independent Communications Authority of South Africa (ICASA), as nove províncias do país apresentavam em 2025 uma cobertura média de 30,7% nas áreas rurais. Os níveis mais baixos foram observados nas províncias de Eastern Cape, Northern Cape e KwaZulu‑Natal, com 7%, 13% e 15%, respetivamente. Por outro lado, Gauteng e Mpumalanga destacaram-se com taxas de 74% e 63%.

Mesmo nas áreas urbanas persistem disparidades, apesar de uma cobertura média nacional de 66%. Gauteng e Western Cape registaram níveis elevados, com 89% e 83% da população coberta por 5G, enquanto Free State e Northern Cape apresentaram taxas significativamente mais baixas, de 38% e 41%.

Para outras tecnologias, a situação é muito melhor. A 3G cobria 99,85% da população em 2025, contra 99,9% para a 4G. Mesmo nas zonas rurais, todas as províncias apresentavam 100% de cobertura em 3G, à exceção de Northern Cape e Eastern Cape, com 94% e 97%. Na 4G, estas duas províncias também registaram os indicadores mais baixos, de 89% e 93%.

Reduzir o atraso rural: medidas do regulador

Perante esta situação, o regulador planeou várias iniciativas para reduzir as diferenças de cobertura 5G nas zonas rurais: alinhar incentivos às obrigações de implementação, promover o compartilhamento ativo e passivo de infraestruturas e reformar os processos de licenciamento, de modo a expandir a cobertura de nova geração para além das metrópoles e cidades secundárias. A 5G foi também incluída entre as áreas estratégicas para a reconversão profissional dos trabalhadores do setor.

Estas medidas surgem enquanto as autoridades sul-africanas procuram generalizar o acesso ao ultra‑rápido, num contexto de transformação digital acelerada. O governo pretende desativar as primeiras gerações de tecnologias para dar lugar à 4G, 5G e gerações futuras, consideradas mais capazes de responder à crescente procura de conectividade de alta velocidade e satisfazer os novos modos de consumo digital das administrações públicas, empresas e cidadãos.

Inicialmente, havia um calendário para o encerramento gradual das redes, com prazo previsto para dezembro de 2027. No entanto, em setembro de 2025, o Ministério das Comunicações e Tecnologias Digitais anunciou que não haveria mais uma data limite oficial para o desligamento das redes 2G e 3G pelos operadores de telemóveis, adotando uma transição gradual para não excluir pessoas que ainda possuam equipamentos compatíveis apenas com 2G e 3G.

Acessibilidade dos smartphones, chave para a adoção móvel

O principal obstáculo à adoção das tecnologias móveis de última geração continua a ser o acesso a dispositivos compatíveis, especialmente smartphones. O custo ainda é uma barreira, tornando-os inacessíveis para grande parte da população.

Segundo dados da ICASA, os modelos de entrada começam a ser vendidos a partir de 399 rands (23,66 USD), «oferecendo uma opção acessível a muitos consumidores e tornando a posse de um smartphone cada vez mais acessível em todo o país». No extremo oposto do mercado, smartphones topo de gama chegam aos 76 999 rands, «incorporando tecnologias avançadas e design sofisticado, respondendo às expectativas dos clientes à procura das últimas inovações», detalha o regulador.

Os dados do regulador indicam que 83,04 milhões das 117,3 milhões de subscrições de serviços móveis registadas em 2025 correspondiam a smartphones, ou seja, uma taxa de 70,8%. Este valor pode estar sobrestimado, pois cada cartão SIM é contado como uma subscrição separada, enquanto uma mesma pessoa pode ter vários. O mesmo se aplica aos smartphones que normalmente suportam dois SIMs.

O Banco Mundial indica que 67,51% da população sul-africana com mais de 15 anos possuía um smartphone em 2024.

Isaac K. Kassouwi

 

O turismo é, a par do chá e das remessas da diáspora, uma das principais fontes de divisas do Quénia. O ano de 2025 foi positivo para este setor no país da África Oriental.

Em 2025, o setor turístico queniano gerou 500 mil milhões de xelins quenianos (cerca de 3,84 mil milhões de dólares) de receitas, ou seja, mais 10% do que em 2024. De acordo com Rebecca Miano, ministra do Turismo e da Vida Selvagem, o país registou 7,9 milhões de visitantes, face a 7,6 milhões no ano anterior, um novo recorde.

O turismo interno representou 5,2 milhões desses visitantes, e África continua a ser a principal região de origem dos turistas estrangeiros (47%), contra 25% provenientes da Europa. «É inegável que o turismo interno continua a ser um pilar essencial que sustenta a procura e protege o setor contra choques externos», afirmou a responsável.

Este novo pico deixa para trás o período difícil ligado à Covid-19 e marca o quinto ano consecutivo de crescimento das receitas desta indústria. De facto, após o mínimo registado em 2020 (queda de 70% das receitas em termos homólogos, para 88,5 mil milhões de xelins), devido à pandemia de coronavírus que levou à suspensão dos voos internacionais e ao encerramento dos parques e reservas privadas, o setor recuperou significativamente.

Estimado em 870.465 em 2021, o número de turistas internacionais mais do que duplicou até 2023, ultrapassando os 2 milhões nesse ano. Em 2024, o país tornou-se o destino mais visitado da África Oriental, à frente da Tanzânia, impulsionado pela atratividade das suas paisagens junto ao Oceano Índico, pelos seus sítios naturais, pela sua fauna diversificada e também pelo turismo de negócios.

Esforços públicos crescentes

Embora Miano não detalhe as razões deste crescimento, importa destacar que o ano passado foi marcado por várias medidas destinadas a reforçar a oferta turística e o ambiente de negócios. Após a adoção, em março de 2025, de medidas para facilitar a passagem pelo aeroporto Jomo Kenyatta, em Nairobi — incluindo a eliminação da autorização eletrónica de viagem para cidadãos africanos —, o Conselho de Turismo do Quénia (KTB) lançou, em maio, uma campanha global intitulada «A Journey Through the Wild Heart of East Africa», em parceria com a BBC StoryWorks.

O objetivo foi atrair uma clientela de maior valor acrescentado, ao mesmo tempo que se criam empregos nas zonas rurais através de atividades como caminhadas, desportos ao ar livre, safaris especializados e ecoturismo comunitário. Desde 1 de julho, o governo queniano permite aos cidadãos da maioria dos países africanos entrar no território sem visto e permanecer durante 60 ou 90 dias, consoante o país de origem.

Além disso, em setembro de 2025, o KTB estabeleceu uma parceria estratégica com a Visa, com o objetivo de beneficiar da experiência do gigante americano dos pagamentos em análise de dados e digitalização das transações. Graças à plataforma «Government Insights Hub» da Visa, as autoridades quenianas dispõem agora de ferramentas para analisar os fluxos de visitantes, identificar picos sazonais, preferências regionais e comportamentos de consumo, permitindo ajustar as campanhas de marketing e as prioridades de investimento.

As autoridades fixaram como meta alcançar 5 milhões de visitantes internacionais e 5 milhões de turistas domésticos até 2027. Este nível deverá permitir ao Quénia ganhar vantagem num contexto de concorrência crescente com a Tanzânia e o Uganda, embora ainda fique aquém do desempenho de grandes destinos como o Egito e Marrocos, que investem massivamente em infraestruturas, capacidade hoteleira e campanhas de promoção.

Espoir Olodo

 

Após ter encerrado 2025 com mais de 53 máximos históricos, o ouro iniciou o ano em curso com um novo pico acima dos 5.500 USD por onça. Uma dinâmica que levou os analistas a projetar níveis ainda mais elevados, antecipando a ultrapassagem dos 6.000 USD por onça até ao final de 2026.

Na segunda-feira, 6 de abril, os preços do ouro cmeçaram a semana em queda, recuando para 4.600 USD por onça nos mercados, o que representa uma descida de cerca de 12% desde o final de fevereiro. Esta evolução contrasta com a tendência de alta observada um ano antes, num contexto geopolítico relativamente semelhante, atualmente marcado pela persistência do conflito no Irão.

Em 2025, o metal amarelo beneficiou plenamente do seu estatuto de valor de refúgio, atraindo investidores preocupados em proteger-se contra as tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos e a guerra na Ucrânia. Esta procura sustentada impulsionou os preços para níveis recorde, com 53 máximos históricos registados ao longo do ano e uma valorização anual superior a 60%.

Desta vez, porém, a persistência das tensões geopolíticas, nomeadamente com o conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irão, parece produzir o efeito inverso. Em causa está a subida dos preços do petróleo, associada a perturbações no abastecimento, que reacende os receios inflacionistas e reforça as expectativas de aumento das taxas de juro nos Estados Unidos.

Embora o ouro seja tradicionalmente visto como uma proteção contra a inflação, a subida das taxas de juro tende a reduzir a sua atratividade em favor de ativos mais rentáveis, como as obrigações. Esta dinâmica é igualmente reforçada pela solidez dos indicadores macroeconómicos norte-americanos, que sustentam tanto os rendimentos dos títulos do Tesouro como o dólar.

«Na segunda-feira, o ouro caiu para cerca de 4.600 dólares por onça, acentuando as perdas do dia anterior após o presidente Donald Trump ter lançado um novo ultimato ao Irão […]. O ouro mantém-se em queda de cerca de 12% desde o início do conflito, com a subida dos preços da energia a alimentar receios de inflação e a reforçar as expectativas de aumento das taxas de juro. O metal precioso também teve dificuldades em cumprir o seu papel tradicional de valor de refúgio, sob pressão de liquidações forçadas, com investidores a tentarem cobrir perdas», explica a Trading Economics.

Neste contexto, as perspetivas a curto e médio prazo permanecem incertas. Antes da escalada das tensões no Irão, instituições como UBS e JP Morgan ainda previam a continuação da subida dos preços, com a possibilidade de ultrapassar os 6.000 USD por onça até ao final do ano. Estas previsões baseavam-se na atratividade do metal para investidores e bancos centrais face às incertezas geopolíticas.

Resta agora acompanhar a evolução desta tendência nos próximos meses, bem como as suas implicações para as economias africanas dependentes das receitas do ouro. Países como o Burkina Faso, o Mali, o Gana ou a Costa do Marfim tinham beneficiado da subida dos preços em 2025, ao mesmo tempo que adotavam novas reformas fiscais para captar melhor os seus benefícios.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Após uma primeira fundição de ouro simbólica no final de dezembro passado, a mina Kiniero da Robex Resources iniciou as suas atividades comerciais no primeiro trimestre de 2026. Para este primeiro ano completo de exploração, o objetivo é atingir uma produção total de 155.000 onças de ouro.

Mais de três meses após o arranque na Guiné, a mina de ouro Kiniero, do grupo canadiano Robex Resources, continua a aumentar a sua capacidade de produção. Numa atualização publicada na terça-feira, 7 de abril, a empresa indica ter produzido 39.347 onças de ouro no local durante o primeiro trimestre de 2026, período marcado pelo início efetivo da comercialização da sua produção.

Sendo o mais recente complexo aurífero a entrar em produção no país, Kiniero inicia assim o seu primeiro ano completo de exploração. Para este exercício, a Robex tem como objetivo uma produção total de 155.000 onças. Este objetivo já foi atingido em cerca de 25% com os volumes registados até ao final de março, enquanto a empresa revela ter também comercializado cerca de 32.306 onças de ouro a um preço médio de 4.804 USD por onça durante o período, o que representa cerca de 155 milhões de dólares em receitas, segundo os cálculos.

«A exploração de Kiniero continua a ganhar ritmo após o início da produção comercial em fevereiro de 2026 […]. A Robex fornecerá uma atualização completa das suas operações e atividades de exploração no seu relatório trimestral de março de 2026, que será publicado ainda este mês», pode ler-se no comunicado.

Enquanto se aguardam mais detalhes sobre a evolução operacional e comercial do projeto, estes primeiros resultados parecem encorajadores, incluindo para a Guiné. Para além dos mecanismos fiscais em vigor, o Estado detém uma participação de 15% no projeto e recebe uma taxa de 5,5% sobre as receitas geradas.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Na Namíbia, o setor mineiro continua a ser um dos principais motores da economia, com uma contribuição de 14,4 % para o PIB nacional em 2023. Embora este peso assente em grande parte nos diamantes, urânio e ouro, o país está a emergir progressivamente como um ator no mercado de minerais críticos. 

A empresa mineira júnior Kaoko Metals anunciou na segunda-feira, 6 de abril, que prevê angariar até 6,5 milhões de dólares australianos (4,4 milhões USD) no âmbito da sua cotação na bolsa australiana ASX. Esta operação insere-se nas suas ambições de identificar novas descobertas de cobre nos seus projetos na Namíbia, um país cada vez mais visado por investidores pelo seu potencial em minerais críticos. 

Com um portfólio de dois ativos, nomeadamente Chalkos e Karibib, a Kaoko Metals pretende concluir a sua cotação na ASX ainda este mês. Questionado pelo média StockHead sobre esta operação e a angariação de fundos associada, o seu CEO, Gerard O’Donovan, indicou que a empresa se concentra numa «descoberta, idealmente em grande escala» nos seus ativos. Esta aposta no cobre lembra outras empresas júnior, como a Midas Minerals ou a Koryx Copper, esta última a desenvolver a futura mina Haib. 

No entanto, esta dinâmica não se limita ao cobre. Abrange também o lítio (projeto Uis) e os elementos de terras raras, utilizados respetivamente na cadeia de valor dos veículos elétricos e nas turbinas eólicas. Desde a futura mina Lofdal (Namibia Critical Metals) aos depósitos já identificados, como Kameelburg (Aldoro Resources), os investimentos multiplicam-se, contribuindo para uma diversificação progressiva do setor mineiro namibiano, historicamente dominado pelos diamantes, urânio e ouro. 

A transição energética como motor 

Este enfoque nos minerais estratégicos na Namíbia insere-se num contexto em que a sua disponibilidade é essencial para a transição energética global. A este fator soma-se um ambiente de negócios considerado favorável. Segundo Donovan, a «Namíbia é uma região madura, favorável e acolhedora; não acho que as pessoas percebam quão acolhedora é […]. Parece-me simplesmente que não apresenta a mesma incerteza política nem o mesmo risco soberano que outras nações africanas». 

Apesar desta dinâmica promissora, a maioria dos projetos mencionados ainda se encontra em fase de desenvolvimento, e a sua concretização não está ainda garantida. Para atores como a Kaoko, ainda em busca dos seus primeiros depósitos, o caminho poderá ser longo e estender-se por vários anos, exigindo investimentos contínuos. 

Entretanto, o setor mineiro namibiano já desempenha um papel central na economia, representando 14 % do PIB nacional em 2023. De acordo com dados atribuídos ao Ministro das Minas, Modestus Amutse, o setor gerou mais de 64,7 mil milhões de dólares namibianos (3,8 mil milhões USD) de receitas de exportação no exercício 2025/26, graças sobretudo a desempenhos sólidos no ouro e urânio. 

Aurel Sèdjro Houenou 

 

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