A entrada em vigor de novas taxas aeroportuárias no Gana reacende as tensões em torno do custo do transporte aéreo na África Ocidental. Entre a necessidade de financiar infraestruturas e a vontade de tornar os bilhetes mais acessíveis, os Estados enfrentam dificuldades para encontrar um equilíbrio num setor ainda frágil.
No Gana, as novas taxas aeroportuárias anunciadas em novembro de 2025 entraram em vigor na quarta-feira, 1 de abril de 2026. Denominada Airport Infrastructure Development Charge (AIDC), esta sobretaxa é fixada em 100 USD para bilhetes de ida e volta de passageiros internacionais e em 100 cedis ganeses (9,09 USD) para passageiros domésticos. Segundo as autoridades, o objetivo é financiar obras de infraestrutura nos aeroportos do país.
Neste contexto, a companhia Passion Air, principal operadora de voos domésticos, anunciou a aplicação de uma taxa adicional de 100 cedis ganeses (9 USD) nos bilhetes das rotas que explora.
Uma medida desalinhada com as ambições regionais
Contudo, esta decisão contrasta com as orientações defendidas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que há vários meses advoga pela redução de impostos e taxas para melhorar a acessibilidade do transporte aéreo.
Na África Ocidental, impostos e taxas representam até 50% do preço final dos bilhetes. Segundo responsáveis de várias companhias aéreas, a redução enfrenta falta de vontade política, uma vez que os Estados precisam formalizar previamente estas medidas por via regulamentar antes de as transmitir à Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) através do seu órgão de tarifação, a ATPCO (Airline Tariff Publishing Company).
Uma tendência regional de aumento
O caso do Gana não é isolado. Em dezembro de 2025, a Nigéria aumentou em 11,5 USD as taxas de processamento de dados de imigração. Por seu lado, a Agência para a Segurança da Navegação Aérea (ASECNA) anunciou um aumento de 15% na taxa pelo uso de auxílios e serviços em rota, distribuído por três anos a razão de 5% por ano.
Fora do espaço CEDEAO, o Gabão, já no topo dos países com maior fiscalidade aeroportuária com 297,70 USD por passageiro internacional segundo a Associação das Companhias Aéreas Africanas (AFRAA), também aumentou desde o início do ano a taxa R4 destinada ao financiamento de infraestruturas. Com estas novas taxas, o Gana poderá aproximar-se desse nível.
Segundo o Conselho dos Representantes das Companhias Aéreas da antiga Costa do Ouro, as taxas de partida atingiriam agora 173 USD para um bilhete só de ida e 243 USD para ida e volta, fazendo o país subir do 9.º para o 3.º lugar em África, atrás do Gabão e da Serra Leoa.
Entre pressão sobre os custos e limitações estruturais
Com o impacto nos bilhetes e na atratividade dos destinos, estes custos adicionais pressionam mecanicamente a rentabilidade das companhias aéreas africanas. Segundo a IATA, o lucro médio por passageiro situou-se em 1,4 USD em 2025, nível muito inferior ao observado no Médio Oriente (28,6 USD), Europa (10,9 USD) e América do Norte (9,8 USD).
A questão da redução das taxas continua, no entanto, mais complexa do que aparenta. Em muitos países, estas receitas são essenciais para financiar manutenção, modernização das infraestruturas e outros custos operacionais. Esta dependência é reforçada pelo recurso a parcerias público-privadas, muitas vezes associadas a concessões que permitem aos investidores amortizar os seus investimentos através das taxas cobradas.
No Gana, por exemplo, as autoridades justificam estes ajustes pelos investimentos em curso e projetos futuros, nomeadamente no Aeroporto Internacional de Kotoka, bem como em vários aeroportos domésticos, incluindo o projeto de reabilitação da plataforma de Sunyani. A longo prazo, a evolução das políticas tarifárias no transporte aéreo da África Ocidental dependerá da capacidade dos Estados de conciliar financiamento de infraestruturas e melhoria da acessibilidade.
Henoc Dossa
Graças a um acordo de cooperação bilateral assinado em 2025, os Estados Unidos passam a apostar na indústria mineira da República Democrática do Congo para assegurar novas fontes de minerais críticos. Entre os primeiros ativos visados estão as minas Etoile e Mutoshi, operadas pela Chemaf SA.
Uma semana após obter a aprovação do governo congolês, a Virtus Minerals confirmou a aquisição da Chemaf SA, operadora das minas de cobre e cobalto Etoile e Mutoshi. A empresa americana foca agora na reativação desses ativos, com um orçamento previsto de mais de 700 milhões de dólares.
A aquisição encerra um longo processo de compra, marcado por forte concorrência entre potenciais compradores. A Virtus concentra-se agora no planeamento operacional, incluindo inventário de estoques existentes e avaliação técnica e operacional dos locais.
Ainda não há calendário preciso de implementação. A mineradora indiana Lloyds Metals and Energy atua como parceira operacional da Virtus, contribuindo com 200 milhões de dólares para o montante global previsto.
«A Virtus e seus parceiros estão prontos para restabelecer empregos, reiniciar a produção e concretizar as promessas do comércio de minerais críticos entre os EUA e a RDC», afirmou Phil Braun, CEO da Virtus, em entrevista ao Wall Street Journal.
As minas de Etoile e Mutoshi têm importância estratégica além dos aspetos técnicos. Para a Virtus, trata-se sobretudo de reforçar de forma duradoura o fornecimento americano de minerais críticos, especialmente cobalto, metal estratégico usado em eletrónica e baterias de veículos elétricos.
Estima-se que estas duas minas representem cerca de 5 % da oferta mundial de cobalto, constituindo uma das poucas fontes na RDC não controladas por capitais chineses, num país que continua a ser o maior produtor mundial.
Antes da aquisição, a Chemaf SA planeava otimizar operações para atingir uma produção combinada anual de 75 000 toneladas de cobre e 20 000 toneladas de cobalto nas duas minas. Resta agora saber como estas ambições se concretizarão sob a direção da Virtus, que terá de demonstrar capacidade de gerir eficazmente ativos numa jurisdição onde ainda não tinha experiência operacional.
Aurel Sèdjro Houenou
Segundo maior produtor de petróleo em África, Angola definiu metas de redução das suas emissões de gases com efeito de estufa, mantendo, contudo, o papel central dos hidrocarbonetos.
A captura de dióxido de carbono (CO₂) foi integrada nas operações petrolíferas ao largo da costa angolana. Na segunda-feira, 30 de março, a Yinson Production anunciou que um equipamento de captura e armazenamento de carbono entrou em operação a bordo da unidade flutuante utilizada para produzir, armazenar e transferir petróleo (FPSO), a partir do campo Agogo, no bloco marítimo 15/06.
O sistema utiliza o CESAR1, um solvente químico para capturar o CO₂ presente nos gases de combustão, aplicando tecnologia de captura pós-combustão já usada em algumas instalações industriais em terra.
A integração exigiu adaptações técnicas específicas, segundo a Yinson, para operar em ambiente offshore, com espaço limitado e instalações complexas, incluindo monitorização em condições reais.
No campo Agogo, o FPSO, com capacidade de 120 000 barris/dia, extrai e processa petróleo no âmbito do projeto Agogo Integrated West Hub, que abrange os campos Agogo e Ndungu no bloco 15/06, segundo a operadora Azule Energy.
Uma iniciativa alinhada com a estratégia climática
A Yinson Production destaca que é a primeira vez que um sistema de captura de CO₂ é usado num site petrolífero offshore em condições reais, sem interromper as operações.
A nível nacional, esta medida faz parte da política energética de redução de emissões, mantendo a produção de hidrocarbonetos. Segundo a Contribuição Determinada a nível Nacional (NDC) atualizada em setembro de 2025, Angola pretende reduzir 5 % das emissões de gases de efeito estufa até 2035 de forma incondicional, podendo chegar a 11 % com apoio internacional. O setor petrolífero e gasífero é diretamente visado, com foco na redução do queima de gás e de emissões fugitivas.
Em fevereiro de 2026, a EU Reporter qualificou a trajetória angolana como “pragmática”, combinando desenvolvimento de petróleo e gás com tecnologias de baixo carbono, incluindo captura de carbono, eletrificação de instalações offshore e uso de gás como combustível de transição.
Projeto Agogo e redução de CO₂
O Agogo Integrated West Hub integra o sistema de captura pós-combustão de CO₂, com potencial para reduzir até 27 % das emissões da unidade, segundo a Offshore Energy.
Outros projetos estão em curso no setor, como o Kaminho da TotalEnergies, previsto para 2028, com navio totalmente eletrificado e reinjeção de gás associado para reduzir emissões e queima de gás.
Paralelamente, Angola implementa medidas para reduzir a pegada de carbono, incluindo fim do torchamento rotineiro até 2030 com penalizações financeiras, e explora gás não associado e hidrogénio verde, com a Sonangol a projetar produção de até 400 000 toneladas/ano a partir de 2027.
Abdel-Latif Boureima
Frente à uma procura energética crescente, o Egito procura garantir o seu abastecimento de gás, principal fonte de produção de eletricidade do país.
O Egito e Chipre assinaram, na segunda-feira, 30 de março, no Cairo, um acordo de cooperação em gás natural, estabelecendo as bases para um corredor regional de gás. A assinatura ocorreu durante a cerimônia oficial organizada no âmbito do Egypt Energy Show (EGYPES 2026), com a presença das autoridades de ambos os países.
O acordo visa organizar a cooperação bilateral no desenvolvimento e valorização dos recursos gasíferos, prevendo o transporte do gás offshore cipriota para as infraestruturas egípcias.
O gás será processado nas instalações de liquefação do Egito, antes de uma eventual exportação para mercados externos. O texto também regula as discussões técnicas e comerciais entre as partes.
Embora formalize um entendimento de princípio, o acordo não cria compromissos imediatos de investimento ou produção. Neste estágio, estabelece apenas as bases para negociações futuras sobre condições de transporte, modalidades de processamento e comercialização do gás.
Negociações anteriores entre Egito e Chipre no setor do gás natural precederam a assinatura deste acordo. Segundo informações da Agência Ecofin em fevereiro de 2025, o Egito, enfrentando desafios no abastecimento energético, tinha expressado, através de um memorando de entendimento, a intenção de comprar gás do campo cipriota Afrodite.
Essas discussões já contemplavam o transporte do gás para terminais egípcios para processamento e valorização, inserindo-se no contexto de intercâmbios sobre modalidades de transporte do gás entre os dois países.
Além disso, informações de setembro de 2020 indicam que Egito e Chipre intensificaram conversações sobre um projeto de gasoduto ligando os campos cipriotas às infraestruturas egípcias.
Esta cooperação tem ainda um precedente contratual em agosto de 2016, quando Chipre assinou um acordo de fornecimento de gás natural com o Egito, um ano após a descoberta de Zohr, um campo de classe mundial que garantiu ao Egito autosuficiência em gás até 2023.
Este contrato, que já visava a exportação de recursos gasíferos cipriotas para o mercado egípcio dentro de um quadro comercial formal, insere-se numa longa história de relações energéticas entre os dois países.
Abdel-Latif Boureima
Na África do Sul, os citrinos constituem a principal fonte de receitas de exportação do setor agrícola. Após uma campanha recorde em 2025, a fileira pretende manter esta dinâmica em 2026, apesar de um contexto geopolítico que afeta o comércio internacional.
O setor sul-africano de citrinos espera colocar entre 210 e 215 milhões de caixas de frutas, equivalentes a cerca de 3,15 a 3,225 milhões de toneladas (1 caixa = 15 kg), para a campanha de comercialização de 2026. É o que indicam as primeiras estimativas da Associação Sul-Africana de Produtores de Citrinos (CGA), divulgadas pelo site Fresh Plaza na quarta-feira, 1 de abril.
Se confirmada, esta previsão representaria um crescimento de pelo menos 3 % em relação ao ano anterior, superando o recorde de 3,05 milhões de toneladas registado em 2025. No detalhe, a categoria das laranjas, representada pelas variedades Navel e Valencia, deverá manter-se à frente das vendas, totalizando 1,39 milhões de toneladas, ou mais de 40 % dos volumes exportados.
No entanto, o aumento das exportações será impulsionado pelo toranja, cujos volumes deverão crescer 16 % em relação a 2025, seguido do limão (+10 %). Por outro lado, os volumes de laranjas a exportar deverão permanecer quase estáveis, enquanto os de tangerinas deverão recuar pelo menos 3 %.
Entre ambições e desafios
A CGA mantém-se cautelosa quanto à concretização destas previsões preliminares. O setor sul-africano enfrenta vários desafios externos que podem alterar o cenário.
Primeiro, a escalada militar entre EUA, Israel e Irão, iniciada no final de fevereiro de 2026, fragiliza o comércio marítimo e o acesso aos mercados do Médio Oriente, um destino estratégico para os citrinos sul-africanos. Segundo a Câmara Sul-Africana de Empresas Agrícolas (Agbiz), a região absorveu 8 % das exportações agroalimentares do país em 2025, cerca de 1,3 mil milhões de dólares.
«O Médio Oriente tem sido um mercado importante para os nossos citrinos. As perturbações na procura e no transporte – assim como o efeito dominó internacional dos atrasos nas expedições – constituem riscos significativos. Os custos de envio também aumentaram fortemente, enquanto alguns mercados do Golfo mantêm tetos de preço no retalho, limitando a capacidade dos exportadores de compensar os custos logísticos mais altos», alertou a CGA em nota de 27 de março.
Dados da plataforma Trade Map mostram que, por exemplo, os países do Médio Oriente importaram cerca de 311 milhões de dólares em citrinos sul-africanos em 2024, representando 17,2 % das receitas de exportação da fileira nesse ano.
Por outro lado, a escalada do conflito no Médio Oriente aumentou os riscos nos mercados energéticos globais, pressionando para cima os preços dos combustíveis na África do Sul. Uma situação preocupante para o setor, que depende fortemente do transporte rodoviário: cerca de 95 % da colheita de citrinos é transportada de camião para os portos, enquanto o combustível representa entre 12 % e 18 % dos custos de produção, incluindo irrigação, colheita, transformação e logística.
Com o acesso aos mercados do Médio Oriente já fragilizado e os custos de transporte em alta, o governo decidiu implementar uma redução temporária da taxa geral sobre os combustíveis de 3 rands por litro (0,16 $) de 1 de abril a 5 de maio de 2026. Segundo a Agbiz, esta medida representa um alívio de 6 mil milhões de rands (355 milhões de dólares) e poderá ajudar a limitar aumentos adicionais da inflação alimentar e dos custos de transporte nos próximos meses.
Stéphanas Assocle
Após cinco anos sob a égide da SPE Capital, a Ademat acolhe a Amethis como acionista maioritária. A operação abre uma nova fase focada na expansão regional na África Ocidental e Central, bem como no desenvolvimento da oferta energética.
Na Costa do Marfim, a empresa Ademat, fornecedora de soluções de segurança energética, abre o seu capital à Amethis, que adquire uma participação maioritária por um montante não divulgado.
A operação, anunciada na sexta-feira, 27 de março, traduz-se na saída da SPE Capital, presente no capital da Ademat desde abril de 2021. Esta transação marca uma nova etapa na trajetória da empresa marfinense.
Entre 2021 e 2026, a SPE Capital indica ter reforçado o posicionamento da Ademat no mercado. A empresa estruturou uma marca própria, alargou a sua oferta e implementou ferramentas digitais para as suas atividades comerciais.
Fundada em 1983, a Ademat atua na produção, estabilização e transformação de energia, bem como no fornecimento, instalação e manutenção. Desenvolve também serviços de assistência, consultoria, formação e aluguer.
«Estamos orgulhosos do percurso realizado ao lado da Ademat nos últimos cinco anos. Juntos, reposicionámos a empresa, lançámos novas linhas de atividade e construímos uma plataforma mais sólida e resiliente, bem posicionada para captar oportunidades de crescimento na África Ocidental», declarou Stéphane Heuzé, managing partner da SPE Capital.
Uma estratégia de crescimento impulsionada pela Amethis
Com a entrada da Amethis como acionista maioritária, a Ademat inicia uma nova fase de desenvolvimento sob a direção de Christophe Giovacchini. A estratégia centra-se no desenvolvimento da oferta solar, no reforço da marca, no posicionamento no segmento dos geradores e na expansão na África Ocidental e Central. A empresa prevê igualmente uma trajetória alinhada com as questões ambientais, de modo a acompanhar a evolução do setor energético na região.
Chamberline Moko
O Mali e o Burkina Faso figuram entre os principais produtores de algodão da África Ocidental, ao lado do Benim e da Costa do Marfim.
O Banco Oeste-Africano de Desenvolvimento (BOAD) atribuiu um envelope de 75 mil milhões de FCFA (131,8 milhões de dólares) para financiar a fileira do algodão no Burkina Faso e no Mali.
O objetivo é garantir as campanhas agrícolas atuais e futuras nestes dois países, ao mesmo tempo que reforça a competitividade dos produtores locais. Este financiamento faz parte de 17 novas operações aprovadas por um montante global de 501,5 mil milhões de FCFA durante o seu último conselho de administração realizado no Senegal.
Deste montante, o Mali receberá 25 mil milhões de FCFA para apoiar parcialmente a campanha algodoeira 2025-2026 da Companhia Maliana para o Desenvolvimento dos Têxteis (CMDT), uma empresa estatal fundada em 1974 para supervisionar a indústria do algodão. Estes fundos servirão para financiar as atividades de colheita e descaroçamento de cerca de 433 700 toneladas de algodão em caroço transformado em fibra.
O Mali é um ator importante do setor algodoeiro na África Ocidental, mas a fileira continua fragilizada por constrangimentos climáticos e de segurança. Segundo dados do Trade Map, as exportações de algodão geraram 69,7 milhões de dólares em 2024, contra 256 milhões de dólares em 2020, refletindo uma queda ao longo do período. Ainda assim, o país ambiciona ultrapassar 650 000 toneladas de produção de algodão em caroço na campanha 2026/2027, o que representa um aumento de mais de 50% em relação à colheita estimada para a campanha em curso.
No Burkina Faso, o BOAD concedeu 50 mil milhões de FCFA para a compra de 120 000 toneladas de insumos agrícolas para a campanha algodoeira 2026-2027. Este montante visa assegurar aos produtores os meios necessários para manter a sua produtividade e garantir os rendimentos. A produção de algodão em caroço é esperada em 336 812 toneladas em 2025/2026, representando um aumento de 15% em relação à campanha anterior.
Segundo o relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre o mercado mundial do algodão, publicado em dezembro de 2025, os dois países da África Ocidental estão entre os dez com maiores rendimentos de algodão no continente. O Mali e o Burkina Faso apresentaram, respetivamente, rendimentos de 0,53 tonelada e 0,46 tonelada por hectare em 2023/2024. No entanto, estes resultados continuam abaixo dos do Camarões, que lidera o ranking com 1,54 tonelada por hectare, à frente do Uganda, Sudão, Egito, Benim e Nigéria.
Sandrine Gaingne
Desde 2017, o Estado marfinense apoia o poder de compra através de subsídios e de mecanismos de plafonamento de preços. O objetivo é amortecer o impacto do aumento dos preços internacionais e limitar as suas repercussões na vida das famílias.
O governo marfinense manteve inalterados os preços dos combustíveis para o período de 1 a 30 de abril de 2026.
De acordo com uma nota oficial datada de terça-feira, 31 de março, do Ministério das Minas, do Petróleo e da Energia, o litro de gasolina sem chumbo mantém-se fixado em 820 FCFA, enquanto o gasóleo permanece em 675 FCFA. O petróleo iluminante, por sua vez, continua a 705 FCFA por litro.
Esta manutenção ocorre apesar de uma subida dos preços mundiais do petróleo, ligada às tensões no Médio Oriente. A 10 de março de 2026, o preço do Brent ultrapassou os 90 dólares, em alta em relação ao início do ano. Esta situação geralmente provoca um aumento dos custos de importação para os países não produtores expostos às flutuações dos mercados internacionais.
Medidas para apoiar o poder de compra
Há vários anos, o Estado marfinense tem multiplicado as medidas para preservar o poder de compra, nomeadamente através de subsídios aos produtos petrolíferos e do plafonamento pontual dos preços de bens de primeira necessidade como o óleo, o açúcar, o arroz ou ainda a carne.
Segundo dados da Agência Nacional de Estatística (Anstat), o custo dos transportes recuou 2,3% entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, refletindo o efeito das medidas implementadas nas despesas das famílias.
Ingrid Haffiny
Estes programas do Banco Mundial deverão beneficiar mais de 3 milhões de tanzanianos. Permitirão que os jovens adquiram competências adaptadas ao mercado de trabalho e ajudarão os agregados familiares mais vulneráveis a reforçar a sua resiliência.
Num comunicado publicado na terça-feira, 31 de março, o Banco Mundial anunciou ter aprovado um financiamento de 550 milhões de dólares destinado a apoiar dois novos programas nos setores-chave da educação e da proteção social na Tanzânia.
Trata-se do segundo programa «Educação e Competências para Empregos Produtivos» (ESPJ-II) e da iniciativa «Rede de Segurança Social Produtiva III» (PSSN III).
Com um financiamento de 300 milhões de dólares, o ESPJ-II visa aumentar o número de diplomados com competências adaptadas ao mercado de trabalho, de modo a promover um emprego mais inclusivo nos setores prioritários da economia tanzaniana. Deverá abranger cerca de um milhão de tanzanianos, incluindo pelo menos 45% de mulheres, ajudando mais de 656 000 diplomados a obter um emprego ou a melhorar a sua situação profissional.
O PSSN III, por sua vez, tem como objetivo alargar as oportunidades de rendimento e reforçar o capital humano dos agregados familiares desfavorecidos, ao mesmo tempo que consolida os sistemas nacionais de proteção social. Dotado de 250 milhões de dólares, deverá beneficiar cerca de 2,2 milhões de pessoas através de transferências monetárias produtivas e de obras públicas adaptadas às alterações climáticas. Incentivará igualmente a poupança, o acesso ao financiamento e oferecerá formações, bem como acompanhamento para diversificar os meios de subsistência e desenvolver o autoemprego.
«As primeiras fases destes programas demonstraram que o investimento nas pessoas dá resultados: reforça o capital humano, melhora o bem-estar dos agregados familiares mais pobres e dota as jovens mulheres e os jovens homens de competências profissionais úteis para aceder a um emprego produtivo», declarou Nathan Belete, diretor de divisão para a Tanzânia, o Malawi, a Zâmbia e o Zimbabué.
Reforço do quadro de proteção social
A Tanzânia está a implementar várias políticas com vista a consolidar a sua proteção social. O Plano Nacional de Desenvolvimento Quinquenal 2021/22 – 2025/26 inclui medidas para reforçar os mecanismos existentes e melhorar a segurança social dos grupos vulneráveis. Define 13 áreas prioritárias de intervenção, nomeadamente a extensão da cobertura aos setores formal e informal, a promoção da inclusão, bem como a capacitação económica das pessoas com deficiência.
Além disso, o país está a avançar com reformas educativas para adaptar as competências às mudanças económicas, redefinindo assim a ligação entre formação e emprego. Um programa de formação de 8000 jovens em diversos domínios foi anunciado em 2025, com o objetivo de reforçar a sua empregabilidade e dotar a força de trabalho das competências essenciais para melhorar a sua competitividade no mercado de trabalho.
Lydie Mobio
Após ter concluído as primeiras etapas do recrutamento dos seus professores, a Costa do Marfim entra agora numa nova fase. O país compromete-se a consolidar o ensino das ciências e a desenvolver competências pedagógicas, de forma a assegurar um melhor acompanhamento dos alunos.
O governo marfinense procura reforçar o ensino científico no ensino secundário. Para tal, organiza uma sessão pedagógica para os 2.000 professores contratados em matemática e ciências físicas, declarados aprovados provisoriamente após o teste escrito. O programa, inaugurado na segunda-feira, 30 de março, pelo ministro da Educação Nacional, N’Guessan Koffi (foto, ao centro), terá a duração de duas semanas.
Valorizar os cursos científicos na Costa do Marfim
Esta formação inicial será seguida por um reforço previsto durante as férias grandes, segundo o comunicado oficial. O objetivo é melhorar a qualidade do ensino e desenvolver as competências pedagógicas dos jovens licenciados recrutados a partir do nível bacharel +2.
“Em nosso país, acontece que alguns alunos passam do 6.º para o 4.º ano sem terem frequentado uma única aula de matemática ou física-química. Perante esta realidade, o governo considerou necessário lançar esta iniciativa excecional”, declarou o ministro à margem da primeira sessão de formação pedagógica.
De acordo com o comunicado, o aperfeiçoamento estender-se-á por dois anos e será intensificado durante o período de verão, de modo a colmatar as lacunas identificadas. A iniciativa demonstra também a vontade de apoiar os cursos científicos e de aumentar o número de engenheiros formados, contribuindo para o desenvolvimento do país.
Responder ao aumento da taxa de admissão no secundário
Esta iniciativa surge num contexto em que o sistema educativo marfinense tem vindo a registar uma forte expansão do ensino secundário. Segundo dados disponíveis no portal oficial da economia da Costa do Marfim, o número de alunos no secundário geral passou de 1,9 milhões no ano letivo de 2017-2018 para 3,2 milhões em 2024-2025, representando um aumento de 67,1 %. O setor público concentra 36 % destes alunos.
Além disso, o número de estabelecimentos secundários aumentou de 1.778 para 3.901 entre 2017-2018 e 2023-2024, o que representa um crescimento superior a 119,4 %. A mesma fonte estima que o número de salas de aula tenha aumentado 60,6 % no mesmo período.
Neste contexto, a procura por professores qualificados em ciências intensificou-se. Segundo as autoridades, o país regista 1.453 postos vagos em matemática e 958 em física-química.
Face a esta conjuntura, formar especialistas e reforçar as suas competências pedagógicas torna-se uma prioridade. Esta iniciativa está alinhada com os objetivos recentes do governo de melhorar a oferta educativa e apoiar a empregabilidade dos jovens.
Félicien Houindo Lokossou