Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin
×

Message

Failed loading XML... XML declaration allowed only at the start of the document

Fils Industrias

Fils Industrias (860)

 

 
 

No mês passado, a empresa italiana já tinha anunciado uma descoberta considerada importante ao largo do Egito, alimentando a esperança das autoridades de relançar uma produção de gás em declínio e reduzir a dependência do país das importações.

A Eni encontrou um novo importante jazigo de gás no Egito. A informação foi anunciada na quinta-feira, 21 de maio, pelo Ministério egípcio do Petróleo e dos Recursos Minerais, que refere tratar-se da mais importante descoberta energética da joint venture Agiba, formada pela Eni e pela empresa pública egípcia EGPC, nos últimos quinze anos.

A descoberta foi realizada no deserto ocidental, a sudoeste do Cairo, através do poço de exploração Bostan-1X, perfurado pela Egyptian Drilling Company. Segundo o ministério, o jazigo conteria cerca de 330 mil milhões de pés cúbicos de gás e 10 milhões de barris de condensados e petróleo. Localizado a apenas dez quilómetros de infraestruturas existentes, poderá ser rapidamente ligado à rede, sem custos adicionais. Uma fonte citada pela Upstream descreve, no entanto, o Bostan-1X como «uma grande descoberta para o deserto ocidental, mas não uma grande descoberta em si».

Um país que luta contra o declínio da produção

Esta descoberta surge num momento em que o Egito atravessa uma crise energética profunda, ligada ao declínio da sua produção de gás. O campo de Zohr, que fornecia sozinho 40% do gás nacional, viu a sua produção cair para metade em quatro anos. Em causa estão a infiltração de água no reservatório e a queda de pressão, dois fenómenos que obrigaram o operador a limitar a extração para evitar o colapso do campo.

Esta quebra afetou o abastecimento nacional. Depois de ter alcançado a autossuficiência em 2018, o Egito voltou a importar gás no verão de 2024. O país registava então um défice estimado em 2,5 mil milhões de pés cúbicos de gás por dia no verão de 2025, tornando-se o principal importador líquido da região.

Para inverter a tendência, o governo tem reforçado os esforços. Em agosto de 2025, o primeiro-ministro Mostafa Madbouly fixou o objetivo de atingir 6,6 mil milhões de pés cúbicos por dia até 2027, contra 4,1 mil milhões atualmente. O país prevê perfurar mais de 100 poços de exploração este ano.

A descoberta de Bostan-1X insere-se precisamente nesta estratégia, sendo vista pelo ministério como prova de que as medidas de incentivo aos parceiros estrangeiros para explorarem perto dos campos existentes estão a dar resultados.

A Eni está presente no Egito há vários anos e, em abril passado, o grupo já tinha anunciado uma descoberta importante no Mediterrâneo, estimada em 2000 mil milhões de pés cúbicos de gás e 130 milhões de barris de condensados.

Abdel-Latif Boureima

Posted On mardi, 26 mai 2026 13:54 Written by

O presidente do Benim, Romuald Wadagni, foi empossado no domingo, 24 de maio. Na sequência, o chefe de Estado tornou pública a composição do seu governo, do qual faz parte Édouard Dahomé, que até então presidia a Autoridade Reguladora da Eletricidade (ARE).

Pelo decreto n.º 2026-314, assinado no domingo, 24 de maio, Romuald Wadagni, empossado presidente da República do Benim, oficializou a composição da sua primeira equipa governamental. Entre os nomeados está Édouard Dahomé (foto), que deixa a presidência do Conselho Nacional da ARE para assumir o Ministério da Energia, da Água e das Minas.

Dahomé trabalha na área da energia há mais de quarenta anos. Licenciado pela École Polytechnique em França em 1980, entrou no grupo EDF logo após a conclusão dos estudos. Aí progrediu na carreira até se tornar presidente da EDF África Services. Em 2016, deixou o grupo para fundar a DRH Énergie, uma empresa de consultoria em projetos energéticos africanos.

Iniciou funções como conselheiro técnico para a estratégia energética do ministro Dona Jean-Claude Houssou. Mais tarde, foi nomeado coordenador da célula estratégica do setor elétrico na presidência da República.

Em abril de 2023, o então presidente do Benim, Patrice Talon, nomeou-o secretário de Estado da Energia, o seu primeiro cargo governamental. Era, na altura, o único membro do governo com esse título. Menos de um ano depois, assumiu a presidência do Conselho Nacional da ARE, cargo que deixou para integrar o governo Wadagni.

No setor da eletricidade, o Benim comprometeu-se a ligar 257 000 famílias por ano no âmbito do Pacto Nacional da Energia. Um desafio num país onde, segundo dados oficiais de janeiro de 2025, a taxa de cobertura é de 69% nas zonas urbanas e 36% nas zonas rurais.

No setor dos hidrocarbonetos, o dossiê do campo petrolífero offshore de Sèmè continua em suspenso. Após 27 anos de inatividade, o operador Akrake Petroleum conseguiu perfurar o poço AK-2H em fevereiro de 2026. Está prevista uma produção inicial de 15 000 barris por dia. O arranque efetivo depende ainda da ligação final das instalações.

Abdel-Latif Boureima

Posted On mardi, 26 mai 2026 13:50 Written by

O Níger procura colmatar os seus défices energéticos e estruturar as suas cadeias de distribuição. Neste contexto, a cooperação com a Argélia intensifica-se em torno dos hidrocarbonetos, da eletricidade e das infraestruturas.

A Naftal, filial da empresa pública argelina de hidrocarbonetos (Sonatrach) especializada na distribuição de produtos petrolíferos, planeia construir três centros de enchimento de garrafas de gás butano no Níger. O projeto foi abordado na semana passada durante uma reunião entre o diretor-geral da Naftal, Djamel Cherdoud, e o responsável da Sociedade Nigerina de Produtos Petrolíferos (SONIDEP), Ali Seibou Hassaen, na presença de responsáveis dos dois grupos e de uma representante da Sonatrach.

A reunião inscreveu-se no âmbito da visita a Argel de uma delegação ministerial nigerina, que analisou formas de reforçar a cooperação bilateral nos hidrocarbonetos e nos serviços petrolíferos.

Garantir o abastecimento do Níger em gás butano

O projeto visa reforçar as capacidades de armazenamento e distribuição de gás butano no Níger. As discussões centraram-se na melhoria do abastecimento do mercado nigerino em gás de cozinha (GPL), num país com necessidades energéticas crescentes e infraestruturas de distribuição ainda limitadas.

Para Niamey, o objetivo é garantir o acesso a uma energia doméstica utilizada pelos agregados familiares, ao mesmo tempo que se moderniza a cadeia logística do gás butano. Esta iniciativa marca também uma nova etapa na presença de grupos energéticos argelinos no Níger, onde Argel procura consolidar o seu papel como parceiro estratégico no setor energético.

Combustíveis, aviação e betume no centro das discussões

A cooperação em análise vai além do gás doméstico. A Naftal e a SONIDEP estudaram também a possibilidade de abastecer o Níger com gasolina sem chumbo e combustível de aviação Jet A1, para responder às necessidades do transporte terrestre e do setor aéreo. As trocas incluíram ainda o GPL carburante (comercializado na Argélia como Sirghaz) e betume destinado às infraestruturas rodoviárias.

Para além dos produtos, a Naftal propôs um acompanhamento técnico aos quadros e trabalhadores da SONIDEP, através de formações especializadas em armazenamento, distribuição e comercialização de produtos petrolíferos. Esta dimensão traduz uma cooperação orientada também para a transferência de competências e o reforço de capacidades locais.

Uma ofensiva energética argelina no Sahel

O projeto dos centros de enchimento insere-se numa estratégia mais ampla de expansão das empresas públicas argelinas no Sahel. Em fevereiro de 2025, a Sonelgaz anunciou a construção no Níger de uma central elétrica de 40 MW oferecida por Argel. O projeto inclui igualmente apoio em infraestruturas de transporte e distribuição de eletricidade, bem como formação técnica, num país onde o acesso à eletricidade era de 19,5% em 2022, segundo o Banco Mundial.

Paralelamente, a Sonatrach relançou em 2026 as operações de perfuração no bloco petrolífero de Kafra, no norte do Níger, junto à fronteira argelina. O projeto baseia-se num contrato de partilha de produção entre a filial SIPEX da Sonatrach e a SONIDEP.

Esta dinâmica estende-se a outros países. No Chade, a Sonatrach realizou em maio de 2026 a sua primeira entrega de GPL, enquanto a Sonelgaz prepara também um projeto de central elétrica de 40 MW. Através destas iniciativas, a Argélia procura reforçar a sua presença económica e energética no Sahel, apoiando-se nas suas empresas públicas. O GPL ocupa um lugar central nesta estratégia: a Sonatrach é atualmente o segundo maior exportador mundial, atrás dos Estados Unidos, tendo exportado 6,1 milhões de toneladas em 2024.

Num contexto de reorganização dos fluxos energéticos internacionais, Argel procura estabelecer ligações diretas com distribuidores africanos para consolidar os seus mercados regionais. Para o Níger, esta cooperação abre perspetivas de reforço progressivo das infraestruturas energéticas e das capacidades de abastecimento, embora a sua implementação e impacto real dependam da execução efetiva dos projetos.

Olivier de Souza

Posted On mardi, 26 mai 2026 13:37 Written by

Com uma capacidade nominal de 350 000 toneladas por ano, a mina de Balama, em Moçambique, é apresentada pelo seu operador Syrah Resources como o maior sítio de produção de grafite em África. Relançado em junho de 2025 após vários meses de paragem, o projeto continua, no entanto, a funcionar ainda a um ritmo limitado.

Em Moçambique, a empresa australiana Syrah Resources ambiciona aumentar, a médio prazo, a produção da sua mina de Balama até 240 000 toneladas de grafite por ano. Reiterado numa apresentação publicada na sexta-feira, 22 de maio, este objetivo poderá, caso se concretize, apoiar a produção nacional deste mineral crítico, no qual o país lusófono já foi líder continental.

De 170 000 toneladas em 2022 para cerca de 60 000 toneladas em 2025, segundo o U.S. Geological Survey (USGS), a produção de grafite em Moçambique conheceu uma queda progressiva significativa, reposicionando Madagáscar como o principal produtor africano. Em comparação, a Grande Ilha forneceu cerca de 80 000 toneladas no mesmo período. Esta fase de fraco desempenho explica-se nomeadamente pelas suspensões das principais minas industriais do país, incluindo Ancuabe, do grupo neerlandês AMG, e Balama.

Entre constrangimentos operacionais e fraqueza do mercado, a Syrah Resources suspendeu sucessivamente as atividades no local entre 2023 e 2024, antes de iniciar uma retoma em junho de 2025. O ritmo de produção atual continua, contudo, limitado. Nesta fase, Balama funciona com uma taxa de produção entre 100 000 e 120 000 toneladas, com um potencial de aumento que pode atingir 200 000 a 240 000 toneladas por ano. No entanto, não foi apresentado qualquer calendário preciso para atingir este último objetivo.

No papel, esta previsão não surpreende. De facto, Balama dispõe de uma capacidade nominal de 350 000 toneladas por ano, o que faz dela, segundo a Syrah, o maior complexo de produção de grafite em África. Contudo, para concretizar a retoma e a expansão prevista, várias condições permanecem determinantes. A empresa sublinha que a obtenção dos níveis pretendidos dependerá do crescimento da procura e da evolução do mercado, bem como das políticas de apoio aos produtores fora da China.

Uma dinâmica que se insere num contexto de mercado marcado por uma oferta excedentária persistente, alimentada nomeadamente pelos elevados níveis de stocks chineses e que pressiona os preços. Esta situação explica também a manutenção da mina nos níveis atuais, tendo a Syrah Resources adotado um modo de exploração “em campanha”, que consiste em ajustar a produção às condições do mercado.

Entretanto, resta observar de que forma estas dinâmicas poderão influenciar as ambições da Syrah, que já beneficia do apoio dos Estados Unidos através de financiamento da U.S. International Development Finance Corporation (DFC). Para além de Balama, novos projetos também surgem como motores de crescimento para o setor de grafite moçambicano, nomeadamente uma nova mina promovida pela Triton Minerals.

Aurel Sèdjro Houenou

Posted On vendredi, 22 mai 2026 13:40 Written by

Enquanto aguarda a mobilização dos financiamentos necessários para o início das obras de construção, a Orion Minerals continua os trabalhos preliminares no seu projeto de cobre e zinco Prieska, na África do Sul. Uma angariação de fundos tinha sido anunciada para esse efeito em outubro de 2025.

A Orion Minerals, empresa cotada na bolsa australiana ASX, anunciou na sexta-feira, 22 de maio, o lançamento de uma angariação de fundos de 15,4 milhões de dólares australianos (10,9 milhões de dólares americanos). Uma vez concluída, a operação deverá servir, nomeadamente, para financiar os trabalhos em curso nos seus projetos na África do Sul, incluindo a futura mina de cobre e zinco de Prieska.

Em detalhe, a empresa apresenta a operação como um aumento de capital apoiado nomeadamente por uma base de investidores sul-africanos. Prevista para ser concluída por volta de 28 de maio, esta visa reforçar a tesouraria existente e libertar fundos para continuar os trabalhos de desenvolvimento preliminares em Prieska, enquanto se aguarda a finalização do financiamento necessário à sua construção. Parte dos fundos deverá também ser destinada ao projeto Okiep, um ativo menos avançado do que Prieska e atualmente em fase de exploração para aumentar os seus recursos minerais.

Esta angariação de fundos é crucial para a Orion, pois marca o início da nossa transição para uma empresa mineira operacional durante o segundo semestre de 2026 […]. O montante da angariação coloca a Orion numa excelente posição para iniciar o desenvolvimento da mina de Prieska assim que a operação de financiamento da Glencore for concluída”, declarou Tony Lennox, diretor executivo da Orion Minerals.

Segundo o seu plano mineiro, Prieska pode produzir anualmente 22 000 toneladas de cobre e 65 000 toneladas de zinco, ao longo de uma vida útil estimada de 13,2 anos. O investimento necessário para a sua construção está avaliado em 578 milhões de dólares australianos (412 milhões de dólares americanos). Para cobrir este montante, a Orion Minerals conta nomeadamente com um acordo de financiamento de 250 milhões de dólares americanos esperado com a Glencore, sob a forma de pré-pagamento associado a vendas futuras da produção de Prieska. Uma vez iniciadas, as obras de construção deverão decorrer ao longo de 13 meses até à entrada em funcionamento do projeto.

Num contexto globalmente favorável aos metais base, a concretização do projeto Prieska poderá ser determinante para a Orion Minerals e para as suas ambições de contribuir para o abastecimento de um mercado mundial já sob tensão, em particular no que diz respeito ao cobre. O desafio é também importante para a África do Sul, que poderá assim reforçar o seu aparelho produtivo, ainda relativamente modesto quando comparado com o de grandes produtores africanos como a República Democrática do Congo. Segundo o United States Geological Survey, o país produziu cerca de 49 000 toneladas de concentrado de cobre em 2022, às quais se juntam 224 400 toneladas de zinco.

Aurel Sèdjro Houenou

Posted On vendredi, 22 mai 2026 13:36 Written by

A transição para transportes menos dependentes de produtos petrolíferos continua a nível mundial. Os automóveis elétricos, mas também os veículos de duas e três rodas, registam um crescimento em vários mercados, incluindo em África.

A eletrificação dos transportes continua a ganhar terreno à escala global. Segundo o relatório «Global EV Outlook 2026», publicado na quarta-feira, 20 de maio, pela Agência Internacional da Energia, as vendas mundiais de automóveis elétricos deverão atingir 23 milhões de unidades em 2026, ou seja, 28% das vendas automóveis globais. Esta previsão sucede a um ano de 2025 recorde, marcado por mais de 20 milhões de veículos elétricos vendidos, representando 25% das matrículas de automóveis novos em todo o mundo.

Um crescimento impulsionado pela China e pela Europa

Este crescimento, saudado pela Agência, continua contudo a ser largamente sustentado por alguns grandes mercados. Na China, os veículos elétricos representaram cerca de 55% das vendas automóveis em 2025 e poderão aproximar-se dos 60% este ano. Na Europa, os volumes vendidos aumentaram mais de 30% no ano passado, atingindo 28% do mercado, apoiados nomeadamente pelo reforço das normas de emissões. Vários mercados emergentes também apresentam uma forte dinâmica, como o Sudeste Asiático, onde as vendas mais do que duplicaram.

Por outro lado, o relatório observa que a eletrificação contínua dos transportes não diz respeito apenas aos automóveis. A AIE sublinha, de facto, que os veículos de duas e três rodas continuam a ser o segmento mais eletrificado do transporte rodoviário. As vendas continuaram a aumentar em 2025, incluindo com uma duplicação no Vietname.

Um mercado africano ainda nascente

No continente africano, o mercado dos automóveis elétricos continua limitado, apesar de alguns progressos. As vendas passaram assim de cerca de 4 000 veículos em 2023 para 25 000 unidades em 2025, principalmente no Egito, em Marrocos e na África do Sul.

Para o continente, o avanço mais significativo diz respeito sobretudo aos veículos de duas rodas elétricos.

«As vendas também aumentaram fortemente em África, atingindo cerca de 70 000 veículos de duas rodas elétricos em 2025, ou seja, mais de 80 vezes o nível registado no início da década. Os veículos de três rodas elétricos representavam mais de 25% das vendas, continuando a crescer mesmo quando o mercado global de três rodas se contraiu», indica a AIE na sua análise.

A organização recorda que cerca de 60% das adições anuais ao parque automóvel africano provêm de veículos usados importados. Esta particularidade dificulta a avaliação da difusão real dos veículos elétricos no continente com base apenas nas matrículas de veículos novos.

A equação energética africana

Para além do mercado automóvel, o avanço da mobilidade elétrica está ligado ao desenvolvimento dos sistemas elétricos. Segundo um relatório da AIE publicado em outubro de 2025, cerca de 600 milhões de pessoas em África não têm acesso à eletricidade. Este défice de acesso é mais acentuado na África subsaariana, mesmo nos centros urbanos.

Assim, em muitos países, a adoção futura dos veículos elétricos, em particular dos automóveis, dependerá também da melhoria do acesso à energia e da fiabilidade das redes.

Abdoullah Diop

Posted On vendredi, 22 mai 2026 13:28 Written by

Engajada numa estratégia de expansão continental, a Sonatrach tem vindo a multiplicar parcerias energéticas em África. O grupo argelino procura estabelecer ligações diretas com distribuidores locais do Sahel para conquistar novos mercados no continente.

A Sonatrach entrou no mercado energético do Chade. O grupo público argelino de hidrocarbonetos anunciou na quarta-feira, 20 de maio, ter realizado o carregamento da sua primeira carga de gás de petróleo liquefeito (GPL, butano) com destino ao país. A informação foi divulgada pela Agence Presse Service (APS).

A operação, realizada no âmbito de um acordo-quadro assinado com a empresa chadiana Gazcom, ilustra um desafio logístico importante. Sendo o Chade um país sem litoral, a carga teve de transitar pelo porto de Douala, nos Camarões, antes de ser transportada por via terrestre até ao território chadiano. O volume desta primeira expedição, o seu valor e a frequência das futuras entregas não foram especificados pela Sonatrach.

Esta entrega segue-se a conversações entre as duas empresas para estudar as possibilidades de abastecimento do mercado chadiano em GPL. Esses contactos culminaram na assinatura de um acordo-quadro a 21 de abril.

A Sonatrach descreveu este acordo como «um avanço significativo no estabelecimento de uma ligação direta com um distribuidor local na região do Sahel, abrindo caminho a relações comerciais frutíferas e duradouras com outros distribuidores locais em África».

Uma ofensiva comercial que vai além do Chade

Esta operação insere-se num estreitamento diplomático mais amplo entre Argel e N’Djamena. Os dois países assinaram, a 17 de dezembro de 2025, um memorando de entendimento sobre cooperação nos setores dos hidrocarbonetos e das minas, num quadro destinado a reforçar a cooperação africana e promover parcerias Sul-Sul.

O setor energético não é o único abrangido. O grupo público Sonelgaz deverá construir uma central elétrica de 40 megawatts (MW) em N’Djamena. O projeto, que inclui também a formação de técnicos chadianos e a reabilitação da rede de distribuição da capital, deverá ter a sua primeira pedra lançada em julho próximo.

Para além do Chade, esta operação ilustra a crescente expansão da Sonatrach no segmento do GPL. A Argélia é atualmente o segundo maior exportador mundial deste combustível, atrás dos Estados Unidos. Em 2024, o grupo exportou um volume recorde de 6,1 milhões de toneladas, gerando 444 mil milhões de dinares (3,34 mil milhões de dólares) em receitas neste segmento, segundo Maghreb Émergent.

O contexto internacional atual reforça esta dinâmica. Desde o início do conflito no Médio Oriente e a desorganização das rotas marítimas do Golfo, a Sonatrach tem registado resultados recorde e acelerado a sua expansão comercial. Em maio de 2026, o grupo reduziu os seus preços de exportação, fixando o butano em 880 dólares por tonelada, uma descida que pode atingir 18%, segundo a mesma fonte.

O mercado chadiano junta-se assim a um portefólio em rápida expansão. Para a Sonatrach, o objetivo é transformar esta operação num relacionamento comercial duradouro e afirmar-se como fornecedor de referência na região do Sahel.

Abdel-Latif Boureima 

Posted On vendredi, 22 mai 2026 13:13 Written by

Para acelerar a transformação local da sua cadeia do lítio, o Zimbabué intensificou este ano as medidas restritivas, incluindo um embargo às exportações. Uma estratégia que parece já estar a dar frutos, tendo o país realizado a sua primeira exportação de sulfato de lítio em abril.

O grupo chinês Sinomine Resource anunciou na terça-feira, 19 de maio, a sua intenção de mobilizar até 5,2 mil milhões de yuans (764 milhões de dólares) para apoiar vários projetos, incluindo uma refinaria de lítio no Zimbabué. Esta iniciativa constitui o mais recente avanço na estratégia de Harare para desenvolver uma cadeia local de transformação do lítio, apoiando-se no endurecimento progressivo das regras de exportação de concentrados de espodumena.

Embora seja o principal produtor africano de lítio, um metal crítico essencial para baterias de veículos elétricos, o Zimbabué procura agora acrescentar mais valor à sua produção, ainda maioritariamente exportada sob forma de concentrados. Neste sentido, o governo tem pressionado há vários anos os operadores do setor a desenvolver unidades de produção de sulfato de lítio, um produto intermédio de maior valor acrescentado.

Um marco importante foi alcançado em abril com as primeiras exportações de sulfato de lítio realizadas pelo grupo chinês Zhejiang Huayou Cobalt. Esta operação foi apresentada como uma estreia em África e ocorreu poucos meses após a inauguração de uma refinaria de 50 000 toneladas por ano no projeto Arcadia.

A Sinomine Resource pretende agora juntar-se a esta dinâmica, embora o calendário do seu projeto ainda não tenha sido divulgado. Parte dos fundos deverá acelerar os trabalhos em curso na mina Bikita, onde está a ser construída uma fábrica com capacidade anual de 100 000 toneladas de sulfato de lítio. O custo estimado da infraestrutura ronda os 400 milhões de dólares, segundo a Bloomberg. Em paralelo, o grupo chinês Sichuan Yahua também iniciou recentemente a construção de outra unidade de sulfato de lítio na mina Kamativi.

Uma estratégia que começa a produzir resultados

Para o Zimbabué, estes desenvolvimentos representam os primeiros efeitos concretos da estratégia lançada no início do ano. Em fevereiro, o governo decretou um embargo às exportações de concentrados, substituído em abril por um sistema de quotas. Estas medidas preparam o caminho para uma proibição total das exportações de concentrados de lítio a partir de janeiro de 2027.

Esta abordagem faseada visa privilegiar a exportação de sulfato de lítio produzido localmente, aumentando a cadeia de valor e as receitas do país. A diferença de valor é significativa: o sulfato de lítio africano exportado para a China era cotado a 8 751 dólares por tonelada, contra 2 595 dólares por tonelada para o concentrado de espodumena.

Segundo a Sinomine Resource, a transformação local permite melhorar toda a cadeia de valor, reduzir custos logísticos e capturar margens mais elevadas quando os preços do lítio sobem.

Apesar dos progressos, as ambições de Harare dependem da capacidade de concretização dos projetos industriais e da integração de todos os atores da cadeia, incluindo a Chengxin Lithium Group. Em 2025, as exportações de lítio do país geraram cerca de 571 milhões de dólares.

Aurel Sèdjro Houenou

Posted On jeudi, 21 mai 2026 14:52 Written by

A África do Sul, maior emissor de CO₂ do continente segundo dados do Banco Mundial e do Global Carbon Atlas, procura tornar a sua economia mais sustentável através do amoníaco verde. Uma aposta para um país que quer transformar o seu mix energético e conquistar novos mercados.

Segundo informações divulgadas na terça-feira, 19 de maio, pela Reuters, a empresa dinamarquesa Topsoe venceu um contrato de mil milhões de dólares no âmbito do projeto Coega, uma fábrica de amoníaco prevista no porto de Ngqura, em Gqeberha, na costa leste da África do Sul.

A empresa irá fornecer a sua tecnologia de eletrólise e outros equipamentos-chave, anunciaram os promotores do projeto, a britânica Hive Energy (75%) e a sul-africana Built Africa (25%). Concretamente, a Topsoe fornecerá eletrolisadores de óxido sólido, uma tecnologia de ponta utilizada para produzir hidrogénio a partir de eletricidade renovável. Esse hidrogénio será depois transformado em amoníaco, vendido para a produção de fertilizantes e para a indústria química.

Para os promotores, a tecnologia dinamarquesa é um argumento financeiro importante. “A tecnologia de amoníaco verde da Topsoe permitirá reduzir as despesas de investimento em energias renováveis em mais de 0,5 mil milhões de euros (cerca de 582 milhões de dólares)”, afirmou Giles Redpath, CEO da Hive Energy, segundo a Reuters.

Avaliado em cerca de 5,8 mil milhões de dólares, o projeto Coega será alimentado por 1430 megawatts (MW) de energia solar e 1499 MW de energia eólica. As partes envolvidas pretendem produzir um milhão de toneladas por ano de amoníaco verde até ao final de 2029.

O calendário já está definido: os estudos de engenharia estão previstos para o terceiro trimestre de 2026, enquanto a decisão final de investimento deverá ocorrer no terceiro trimestre de 2027.

Uma ambição apoiada por uma estratégia nacional

O projeto Coega integra a estratégia nacional de transição energética da África do Sul, o Just Energy Transition Investment Plan, que mobiliza 83 mil milhões de dólares entre 2023 e 2027, incluindo 18 mil milhões destinados especificamente ao hidrogénio verde.

Em 2025, o ministro sul-africano da Eletricidade e Energia, Kgosientsho Ramokgopa, classificou Coega como projeto emblemático da transição energética nacional.

Para além de Coega, outros projetos estão em desenvolvimento, como o de Boegoebaai, estudado pelo grupo Sasol, e a zona de Saldanha-Namakwa, coordenada pelo Conselho de Investigação Científica e Industrial (CSIR).

Uma corrida continental ainda incerta

A África do Sul não está sozinha nesta aposta. Marrocos, Egito, Namíbia e Mauritânia também procuram posicionar-se nos mercados europeu e asiático com projetos de hidrogénio verde.

No entanto, segundo a Agência Internacional de Energia, apenas cerca de 0,5% dos projetos africanos de hidrogénio verde têm financiamento efetivamente assegurado, o que evidencia as incertezas que ainda envolvem este setor emergente.

Abdel-Latif Boureima

Posted On jeudi, 21 mai 2026 13:09 Written by

O deserto ocidental egípcio está a ser alvo de um novo programa de investimento destinado a apoiar a produção de hidrocarbonetos, num contexto de pressão sobre os volumes nacionais e de maturidade dos principais campos petrolíferos.

A empresa pública egípcia do petróleo (EGPC) assinou um acordo de pelo menos 208 milhões de dólares com Cheiron Petroleum e com a britânica Capricorn Energy para reforçar a exploração e a produção na zona de Badr El-Din, no deserto ocidental. O programa, assinado a 19 de maio, terá a duração de cinco anos e combina exploração, desenvolvimento e otimização dos campos existentes, com o objetivo de aumentar os volumes extraídos e assegurar novas reservas. Está prevista a perfuração de 44 poços.

O perímetro de intervenção foi profundamente reorganizado, com a fusão de oito concessões operadas pela joint venture Badr El Din Petroleum Company, detida pela EGPC e pela Shell, num único bloco, complementado por novos direitos de exploração. A área total cobre agora cerca de 6 181 km², permitindo uma gestão integrada dos ativos e uma afetação mais eficiente dos investimentos.

Segundo as partes envolvidas, esta consolidação deverá reduzir a fragmentação dos antigos contratos, que atrasava decisões operacionais e limitava a eficiência das campanhas de perfuração. Permitirá também um planeamento mais coordenado e uma melhor otimização dos campos já em produção.

Modernização das infraestruturas e otimização técnica

O programa inclui um eixo técnico estruturante. A unidade de tratamento Badr-3 deverá ser modernizada para absorver volumes adicionais e melhorar o desempenho industrial. Os dados sísmicos existentes serão reinterpretados, enquanto uma campanha de levantamento sísmico 3D de 500 km² permitirá melhorar o conhecimento do subsolo e identificar novas zonas com potencial.

Esta estratégia visa melhorar a recuperação em campos maduros, onde o crescimento da produção depende mais da otimização das técnicas de extração do que de novas descobertas significativas. Baseia-se numa utilização mais avançada de dados geológicos e tecnologias de produção.

O acordo surge num contexto de reformas no setor energético egípcio, destinadas a atrair investimento estrangeiro e melhorar a rentabilidade das concessões existentes. O deserto ocidental continua a ser, desde 2011, a principal bacia de produção do país.

Pressão sobre a produção e desafios de execução

A produção petrolífera egípcia enfrenta uma erosão gradual devido à maturidade dos campos e a um ritmo insuficiente de novos desenvolvimentos. Neste contexto, as parcerias com operadores internacionais e regionais permitem mobilizar financiamento, tecnologia e capacidade operacional.

O sucesso do programa dependerá da rapidez de execução das perfurações, da qualidade dos resultados geológicos e da capacidade de transformar os investimentos em produção adicional, bem como da estabilidade do enquadramento contratual e da coordenação entre os intervenientes públicos e privados.

Olivier de Souza

Posted On jeudi, 21 mai 2026 13:08 Written by
Page 5 sur 62
Sobre o mesmo tema

Lançada em 2009 como o maior investimento estrangeiro da história de Madagáscar, a mina de níquel Ambatovy ainda luta para atingir a sua plena capacidade...

A Costa do Marfim ambiciona elevar a sua produção de ouro para 100 toneladas por ano na próxima década. Esta perspetiva assenta no aumento dos...

Produzir mais petróleo não chega. As autoridades líbias querem também formar engenheiros e gestores capazes de conduzir os grandes projetos de...

A crise petrolífera ligada ao encerramento do estreito de Estreito de Ormuz revela uma vantagem inesperada de África. A sua posição geográfica, afastada...

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.