O país petrolífero tirou partido da subida dos preços do petróleo desde o início do conflito no Médio Oriente para obter taxas de juro mais baixas do que as aplicadas nas suas emissões anteriores.
Angola angariou 2,5 mil milhões de dólares através da emissão de um novo eurobond, anunciou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, na quarta-feira, 25 de março.
A operação foi estruturada em duas tranches. No valor de 1,5 mil milhões de dólares, a primeira tranche teve uma taxa de 9,25% com maturidade de 7 anos, enquanto a segunda foi de 1 mil milhão de dólares com uma taxa de 9,8% e maturidade de 11 anos.
Falando no final de uma reunião do Conselho de Ministros, Massano destacou que Angola conseguiu obter taxas de juro «muito vantajosas», mais baixas em comparação com as aplicadas em emissões anteriores, apesar de um contexto internacional marcado por um conflito violento no Médio Oriente.
O país exportador de petróleo beneficiou, de facto, da subida dos preços da energia na sequência da guerra no Irão. As tensões geopolíticas e as perturbações no fornecimento de produtos energéticos causadas pelo fecho do estreito de Ormuz provocaram uma forte subida dos preços do crude, que ultrapassaram várias vezes a barreira dos 100 dólares nas últimas semanas.
O ministro angolano da Coordenação Económica destacou ainda a forte procura por parte dos investidores.
«Fomos aos mercados com o objetivo de angariar 2 mil milhões de dólares, mas a procura atingiu cerca de 5,2 mil milhões de dólares [...], e acabámos por angariar 2,5 mil milhões de dólares», afirmou, considerando que a operação «histórica» demonstra a «forte confiança dos investidores internacionais nos progressos da economia angolana».
Financiamento orçamental e gestão da dívida
Segundo Massano, os recursos mobilizados servirão para financiar o orçamento do Estado para o exercício de 2026 e para responder à «grande preocupação» relacionada com o pagamento de atrasados a prestadores de serviços públicos.
A última emissão de Angola nos mercados obrigacionistas internacionais ocorreu em outubro de 2025, quando Luanda angariou 1,75 mil milhões de dólares, parte dos quais foi utilizada para reembolsar obrigações internacionais com vencimento em novembro de 2025.
As emissões de longo prazo em moeda estrangeira de Angola são classificadas como «B-», com perspetiva estável, pela S&P Global Ratings.
Walid Kéfi
Estes compromissos, materializados em vinte acordos, abrangem setores que vão da agricultura às minas. Inserem-se na ambição assumida de Nairobi de se afirmar como porta de entrada de capitais estrangeiros na África Oriental.
O Quénia anunciou, na quarta-feira, 25 de março, a conclusão de vinte acordos de investimento no valor de mais de 2,9 mil milhões de dólares, na abertura da Conferência Internacional de Investimento (KIICO 2026), um evento anual organizado em Nairobi com a presença de dirigentes empresariais e decisores políticos de todo o mundo.
Estes compromissos, apresentados pelo presidente William Ruto, deverão gerar mais de 63 000 empregos diretos no país. Os setores da agricultura, da indústria transformadora, das minas e do imobiliário concentram a maior parte dos investimentos anunciados.
À frente dos compromissos surge a agricultura, com 890 milhões de dólares mobilizados para projetos nas fileiras do arroz, do açúcar e da horticultura. Entre as iniciativas de destaque, incluem-se um programa integrado de irrigação e produção de arroz no valor de 300 milhões de dólares, promovido pela Tana Bliss Kenya, bem como uma moderna fábrica de açúcar de 285 milhões de dólares desenvolvida pela Tana River Sugar Company.
O setor imobiliário atrai, por sua vez, 630 milhões de dólares, dos quais 380 milhões destinados ao projeto Mombasa Creekside Gardens e 250 milhões ao Nairobi Belle Vue Arch — duas operações com forte participação de investimentos provenientes do Golfo.
No setor mineiro, a empresa australiana NGX Limited comprometeu-se a investir 350 milhões de dólares na exploração de terras raras no condado de Kericho, no oeste do país.
A saúde também não fica de fora, com 310 milhões de dólares em promessas de investimento destinadas a reduzir o recurso a cuidados no estrangeiro, nomeadamente através do projeto Balmer Healthcare, avaliado em 200 milhões de dólares, no condado de Uasin Gishu.
«Em todos os setores da economia, abundam oportunidades prontas a ser exploradas», afirmou Lee Kinyanjui, ministro dos Investimentos, Comércio e Indústria, apelando aos investidores para aproveitarem aquilo que classificou como um «cocktail de oportunidades».
Por sua vez, o chefe de Estado destacou as reformas recentes do governo, incluindo a isenção fiscal sobre serviços exportados, o flexibilizar das regras para empresas tecnológicas estrangeiras e a digitalização em curso do balcão único, cuja plena implementação está prevista para o final de 2026.
Aberta até sexta-feira, 27 de março de 2026, a KIICO 2026 acolhe também o Fórum de Investimento do COMESA e a iniciativa Africa Green Industrialization Initiative (AGII), centrada nas energias renováveis, mobilidade elétrica e economia circular.
Os investidores presentes provêm, nomeadamente, dos Estados Unidos, do Reino Unido, dos Emirados Árabes Unidos, da China, da Índia e da Coreia do Sul.
Editado por M.F. Vahid Codjia
A plataforma digital destina-se a simplificar os procedimentos comerciais da Nigéria. A reforma insere-se numa dinâmica mais ampla de modernização das infraestruturas e de melhoria do desempenho económico do país.
A Nigéria procedeu, na terça-feira, 24 de março, ao lançamento do seu balcão único nacional, denominado «National Single Window», uma reforma estruturante destinada a modernizar as trocas comerciais e a melhorar a eficiência da economia. Sob a coordenação do Ministério das Finanças, esta plataforma digital centraliza os serviços das diferentes agências públicas, de forma a simplificar os procedimentos de importação e exportação.
A iniciativa visa reduzir os prazos, diminuir os custos do comércio e facilitar o acesso aos mercados por parte das empresas. Pretende igualmente reforçar a transparência, a coordenação administrativa e a mobilização das receitas públicas.
Para o ministro das Finanças, Wale Edun, este projeto constitui «um ponto de viragem decisivo, que marca a passagem da complexidade para a coordenação». E acrescentou: «isto facilitará as trocas comerciais, melhorará a competitividade e promoverá o crescimento económico». No entanto, salientou que os efeitos desta digitalização dependerão, em parte, da modernização em curso das infraestruturas portuárias.
Este lançamento ocorre num contexto em que a Nigéria regista uma melhoria significativa do seu desempenho comercial. No quarto trimestre de 2025, o país apresentou um excedente comercial de 1,22 mil milhões de dólares.
Ao mesmo tempo, a atividade portuária está em forte crescimento. Os portos nigerianos movimentaram 129,3 milhões de toneladas de mercadorias em 2025, face a 103,6 milhões em 2024, o que representa um aumento de 24,8%. As importações continuam a dominar o tráfego, com 59,2% dos volumes, enquanto as exportações representam 39%.
Além disso, as reservas externas brutas atingiram 50,45 mil milhões de dólares a 16 de fevereiro de 2026, o nível mais elevado dos últimos treze anos, cobrindo cerca de 9,7 meses de importações de bens e serviços.
Charlène N’dimon
As ambições económicas para 2026 estão em alta, mas as autoridades togolesas alertam que as tensões geopolíticas globais e a volatilidade dos mercados de matérias-primas representam riscos reais para esta trajetória.
O Togo prevê uma aceleração do seu crescimento económico para 6,5% em 2026, face a 6,2% no ano anterior, anunciou na segunda-feira, 23 de março, o Conselho Nacional do Crédito (CNC), durante a sua primeira sessão ordinária do ano, realizada em Lomé na presença dos principais agentes económicos do país.
A previsão é acompanhada por uma ligeira subida da inflação, estimada em 1,8%, após um nível excecionalmente baixo de 0,4% em 2025, segundo as projeções apresentadas durante este encontro presidido pelo ministro das Finanças e do Orçamento, Essowè Georges Barcola (na foto, ao centro).
O responsável, no entanto, moderou este otimismo, apontando vários riscos: a subida dos preços dos hidrocarbonetos e dos insumos agrícolas, as perturbações nas cadeias logísticas marítimas e aéreas, bem como as tensões de liquidez nos mercados financeiros regionais.
«Antecipámos estes choques em vez de simplesmente os sofrer», declarou, afirmando que «o governo continua determinado a prosseguir as reformas estruturais destinadas a reforçar a resiliência da economia nacional».
Para apoiar esta dinâmica, o CNC definiu várias prioridades setoriais, incluindo o desenvolvimento de produtos financeiros dedicados às energias renováveis e o reforço do financiamento às empresas agroalimentares. Este último eixo constitui uma alavanca fundamental para valorizar a produção local e reduzir a dependência das importações alimentares.
O Conselho sublinhou ainda a necessidade de consolidar o sistema financeiro no seu conjunto, de forma a apoiar plenamente a atividade económica.
O ranking de 2026 dos melhores aeroportos mundiais confirma a dominação dos hubs asiáticos e europeus. No continente africano, apenas duas plataformas sul-africanas conseguem integrar o Top 100, ilustrando tanto os progressos realizados quanto os desafios persistentes do setor.
A consultoria britânica Skytrax divulgou, na quarta-feira, 18 de março, o seu ranking anual dos 100 melhores aeroportos do mundo, elaborado a partir de uma pesquisa realizada com viajantes internacionais entre 2025 e 2026.
Os hubs asiáticos dominam. O Aeroporto de Singapura-Changi ocupa o primeiro lugar, seguido por Incheon e Tóquio Haneda, enquanto a Europa mantém várias posições no Top 10. Apenas duas infraestruturas africanas estão presentes: o Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo (74º) e o Aeroporto Internacional OR Tambo (84º).
Essa baixa presença é explicada principalmente por discrepâncias persistentes em relação à qualidade do serviço, à capacidade de acolhimento e à experiência do passageiro, critérios fundamentais na avaliação da Skytrax.
Restrições estruturais
Os custos operacionais das companhias africanas superam a média global: o combustível é 17% mais caro, as taxas e encargos são 12 a 15% mais elevados, a taxa de navegação aérea é 10% mais alta, enquanto a manutenção, os seguros e o custo do capital aumentam de 6 a 10%.
Esses fatores impactam o preço das passagens, ainda elevado para populações com renda modesta. As companhias também enfrentam desafios macroeconômicos e geopolíticos, infraestrutura aeroportuária de desenvolvimento desigual e uma conectividade intra-africana limitada. A ausência de implementação total da liberalização do céu africano dificulta a integração das redes e impede uma redução significativa nos custos para os passageiros.
De acordo com a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), o setor deverá registrar, em 2026, um crescimento do tráfego de 6%, superior à média global (4,9%). Apesar desse progresso, a rentabilidade permanece baixa: as companhias africanas gerarão apenas 200 milhões de dólares dos 41 bilhões de dólares de lucros globais, com uma margem de 1,3%, a mais baixa do mundo, e um ganho por passageiro consideravelmente inferior à média global. Isso representa um lucro líquido de 1,3 dólares por passageiro, contra 7,9 dólares a nível mundial.
Essa situação ocorre em um contexto onde o transporte aéreo mundial vive uma recuperação gradual, impulsionada pela retomada do tráfego pós-pandemia e pela crescente concorrência entre hubs regionais. No continente, vários países iniciaram programas de modernização e expansão de suas infraestruturas aeroportuárias com o objetivo de melhorar a competitividade e captar uma parcela maior dos fluxos de passageiros.
Essas iniciativas fazem parte de uma dinâmica mais ampla de fortalecimento da conectividade intra-africana, especialmente por meio de projetos de integração do mercado aéreo. Apesar da ausência no Top 100, plataformas como as de Marrakech, Addis-Abeba ou Kigali estão entre as mais bem classificadas a nível regional, refletindo uma melhoria gradual do setor.
Carelle Yourann (estagiária)
Top 10 dos aeroportos africanos em 2026 (ranking regional Skytrax)
A plataforma « e-Sénégal » visa centralizar e simplificar o acesso aos serviços administrativos, ao mesmo tempo que melhora a eficácia da ação pública.
O Senegal lançou, na terça-feira, 24 de março, a plataforma « e-Sénégal », com o objetivo de modernizar a sua administração, por ocasião do lançamento dos projetos estruturantes do New Deal tecnológico. Este portal irá centralizar os procedimentos administrativos online e facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços do Estado.
Na sua fase inicial, a plataforma oferece vários procedimentos prioritários, principalmente no domínio judicial. Os utilizadores podem, nomeadamente, solicitar o registo criminal, o certificado de nacionalidade, a declaração de visita a um detido, bem como o certificado de não pertença à função pública. Acessível online, visa reduzir os custos e os prazos associados aos procedimentos administrativos tradicionais.
A médio prazo, o programa prevê a desmaterialização de cerca de 900 procedimentos ao longo de quatro anos, em conformidade com os objetivos definidos no âmbito do « New Deal tecnológico ». Esta transformação assenta numa melhor coordenação entre as administrações e numa organização reforçada dos serviços públicos.
Uma estratégia digital em plena aceleração
Para o Ministério da Comunicação e da Economia Digital, esta ferramenta constitui « um compromisso para que cada senegalês, onde quer que se encontre, possa aceder aos seus direitos, aos seus serviços e às suas oportunidades, de forma simples e digna ».
Esta iniciativa insere-se numa dinâmica iniciada há vários anos. Desde 2017, o Senegal começou a digitalizar os seus serviços administrativos através de diversas parcerias. Em novembro de 2023, a agência Senegal Numérique (SENUM), em parceria com a agência alemã de cooperação internacional (GIZ), apresentou « GovStack », uma plataforma dedicada ao tratamento de mais de 800 procedimentos administrativos. Alguns meses antes, em julho de 2023, foi mobilizado um investimento de 8 mil milhões de FCFA (14,1 milhões de dólares) para o Plano Diretor Digital da Justiça 2023–2027, com o objetivo de melhorar a acessibilidade dos serviços judiciais.
Alinhada com a agenda nacional de transformação Visão 2050, a estratégia digital « New Deal Tecnológico » pretende posicionar o país como um hub digital sub-regional.
Charlène N’dimon
Estes acordos surgem à margem da digressão africana do vice-presidente chinês Han Zheng. Têm como objetivo reforçar a cooperação bilateral e as parcerias estratégicas da China em África.
O Quénia e a China deram um novo passo na sua parceria bilateral com a assinatura de quatro memorandos de entendimento que abrangem uma vasta gama de setores. A informação foi divulgada num comunicado da presidência queniana, publicado na terça-feira, 24 de março.
Entre os documentos figura o acordo relativo às primeiras colheitas, associado ao acordo-quadro de parceria económica para o desenvolvimento partilhado. Os outros textos dizem respeito à agricultura, à pecuária e à cooperação comercial, setores considerados estratégicos para apoiar as exportações quenianas e reforçar a transformação local.
« Estamos a reforçar os nossos laços comerciais através do acordo-quadro de parceria económica para o desenvolvimento partilhado, que amplia o acesso dos produtos quenianos ao mercado chinês com isenção de direitos aduaneiros e sem quotas a partir do mês de maio », declarou o presidente queniano William Ruto.
Os dois países cooperam em vários domínios, incluindo transportes, agricultura, educação e inovação tecnológica. Ao longo das décadas, as suas relações intensificaram-se, atingindo em 2017 o estatuto de parceria estratégica global.
Em janeiro, o Quénia celebrou um acordo comercial preliminar com a China, permitindo que 98,2% das exportações quenianas tenham acesso ao mercado chinês sem direitos aduaneiros.
A China continua a ser o principal parceiro comercial do Quénia. Por sua vez, o Quénia é o principal parceiro comercial da China na África Oriental. Em 2025, o comércio bilateral atingiu 10,2 mil milhões de dólares, segundo dados do International Trade Centre.
Ingrid Haffiny
Departamento no centro da ação governamental na Costa do Marfim, o Ministério da Economia, das Finanças e do Orçamento prepara a estratégia orçamental para 2027-2029, com enfoque no desempenho, nas reformas e na mobilização de recursos.
Na segunda-feira, 23 de março, o Ministério marfinense da Economia e das Finanças apresentou as oito prioridades que irão estruturar a sua ação para o período 2027-2029.
Este anúncio foi feito na abertura de um ateliê dedicado à validação da componente narrativa do Documento de Programação Plurianual das Despesas – Projeto Anual de Desempenho (DPPD-PAP) e do Relatório Anual de Desempenho (RAP). Estas duas ferramentas-chave de gestão orçamental permitem alocar os recursos de forma eficiente e avaliar a gestão dos programas em função dos compromissos financeiros.
Oito prioridades para consolidar o desempenho orçamental
Entre as prioridades destaca-se a conclusão do programa económico e financeiro 2023-2026, acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), na continuidade dos programas anteriores implementados desde 2012. A isto juntam-se a manutenção de um quadro macroeconómico estável e o reforço da mobilização de recursos internos para financiar as políticas públicas.
O ministério pretende igualmente acelerar as reformas das finanças públicas e do setor financeiro, preparando ao mesmo tempo, dentro dos prazos, o anteprojeto da Lei do Orçamento para 2027. Outro desafio importante é a saída da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira (GAFI), na qual a Costa do Marfim ainda se encontra. O reforço do diálogo com o setor privado completa esta folha de rota.
« A condução eficaz das missões do nosso ministério dependerá em grande medida da qualidade e do conteúdo do DPPD-PAP que será elaborado », afirmou Dely Soumahoro, conselheiro técnico do ministro da Economia, das Finanças e do Orçamento.
Esta estratégia insere-se num contexto de crescimento económico dinâmico. A Costa do Marfim continua a registar um crescimento sustentado, estimado em 6,2% em 2025, segundo o Banco Mundial, e em 6,4% a médio prazo, impulsionado pelo dinamismo dos investimentos públicos e privados. Neste contexto, as autoridades validaram novas orientações orçamentais e de desenvolvimento.
Do ponto de vista orçamental, a Lei do Orçamento de 2026 prevê um aumento das despesas públicas, particularmente direcionadas para as infraestruturas, os setores sociais e a transformação industrial. Assim, o orçamento de 2026 está fixado em 17.350,2 mil milhões de FCFA (30,6 mil milhões de dólares), face a 15.339,1 mil milhões de FCFA em 2025. Estrutura-se em torno de 29 dotações e 158 programas, dos quais 39 pertencem às contas especiais do Tesouro (CST).
Estas orientações estão alinhadas com os objetivos do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2021-2025, que dá ênfase à industrialização, ao desenvolvimento do capital humano, à modernização das infraestruturas e ao reforço da governação.
Carelle Yourann (estagiária)
Através desta parceria, os dois países reforçam a sua cooperação económica e social bilateral. Os projetos previstos visam a educação, a segurança e as tecnologias.
A Tanzânia e a Áustria acordaram implementar projetos estratégicos no valor de 30 milhões de euros (34,8 milhões de dólares), com o objetivo de reforçar a sua cooperação em matéria de desenvolvimento.
O anúncio foi feito pelo vice-ministro das Finanças da Tanzânia, Mshamu Munde, na segunda-feira, 23 de março, após uma reunião com uma delegação austríaca liderada pela vice-ministra dos Assuntos Europeus e Internacionais, Hannah Liko.
Os projetos distribuem-se principalmente pelos setores da educação, da segurança e da tecnologia. O ministro explicou que a Áustria financia projetos-chave através de empréstimos em condições favoráveis, que contribuem diretamente para melhorar o bem-estar dos cidadãos, nomeadamente a renovação e instalação de sistemas modernos no Instituto de Ciência e Tecnologia de Karume (KIST), bem como o reforço do sistema educativo em Zanzibar.
Durante os encontros, ambas as partes abordaram a implementação da Estratégia Austríaca para África (2026–2029), que prevê o reforço da paz e da segurança, a promoção de uma economia verde, uma melhor gestão das migrações irregulares, ao mesmo tempo que desenvolve sistemas de migração legal e eficaz, e o incentivo aos avanços nos domínios da ciência e da educação.
A Tanzânia convidou igualmente a Áustria a aumentar os seus investimentos no âmbito da Visão 2050, que pretende transformar a Tanzânia numa economia industrial de elevado rendimento, com um PIB estimado em cerca de 1000 mil milhões de dólares americanos. A agricultura, o turismo, a indústria, a exploração mineira e a economia azul são identificados como motores essenciais desta transformação económica.
Um crescimento que atrai investidores
Nos últimos anos, a Tanzânia conseguiu manter a estabilidade macroeconómica apesar de choques externos severos. A sua economia manteve-se robusta, com um crescimento estimado em 6% em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), finanças públicas bem controladas e uma inflação moderada, inferior à meta de 5% estabelecida pelo Banco da Tanzânia.
De acordo com o Banco Mundial, graças aos seus vastos recursos naturais e a uma dinâmica demográfica favorável, o país conseguiu sustentar um elevado nível de investimento, um motor essencial do seu crescimento. Beneficiou também de uma melhoria significativa do seu ambiente de negócios, o que impulsionou a entrada de investimentos, em particular de investimento direto estrangeiro (IDE) no desenvolvimento das capacidades de produção.
A Tanzânia e a Áustria mantêm uma parceria sólida e em plena expansão, centrada na diplomacia económica.
Lydie Mobio
Este pacote «Team Europe» financiará os setores digital, da saúde, da agricultura e da gestão das migrações, ao mesmo tempo que reforça a parceria estratégica. No total, os financiamentos mobilizados na Nigéria atingem 962,5 milhões de euros (1.114,6 milhões de dólares) desde 2025.
A União Europeia (UE) anunciou, na segunda-feira, 23 de março, um novo pacote de investimentos de 290 milhões de euros (336 milhões de dólares) a favor da Nigéria, no âmbito da iniciativa «Team Europe». O anúncio foi feito à margem do 8.º diálogo ministerial UE–Nigéria, realizado em Abuja.
Este programa, integrado na estratégia «Global Gateway», prevê o financiamento de sete projetos que abrangem setores considerados prioritários.
Uma repartição setorial direcionada
Em detalhe, 131 milhões de euros serão destinados ao desenvolvimento do setor digital, nomeadamente para melhorar a conectividade e reforçar as competências. O setor da saúde receberá 55 milhões de euros para apoiar a produção local de medicamentos e vacinas.
Além disso, 86 milhões de euros serão alocados ao desenvolvimento das cadeias de valor agrícolas, em particular nos setores do cacau e do leite, enquanto 16 milhões de euros serão dedicados à gestão das migrações, incluindo a reintegração de migrantes e o combate às redes de tráfico de seres humanos.
O comissário europeu para as Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, sublinhou que «estes investimentos no âmbito da iniciativa “Global Gateway” permitem criar novas infraestruturas de qualidade, empregos sustentáveis e oportunidades económicas a longo prazo que beneficiam a população nigeriana, ao mesmo tempo que abrem novas perspetivas para a Europa».
Considerada um ator central em África, devido ao seu peso demográfico e económico, a Nigéria beneficia do apoio da UE em vários domínios estratégicos. Para Abuja, esta parceria constitui uma alavanca para diversificar a economia para além do petróleo e reforçar o emprego jovem.
Um parceiro comercial de referência
A UE continua a ser o principal parceiro comercial multilateral da Nigéria. O país registou um excedente comercial de 9,6 mil milhões de euros em 2024, contra 5,2 mil milhões de euros no ano anterior.
Com este novo pacote, o volume total de financiamentos mobilizados pela iniciativa «Team Europe» na Nigéria atinge cerca de 962,5 milhões de euros desde 2025, incluindo projetos nos transportes, energias renováveis, governação democrática e combate às violências baseadas no género.
Charlène N’dimon
Face a um défice energético que ainda afeta cerca de metade da sua população, a CEDEAO recorre à China para acelerar o financiamento de projetos estimados em mais de 36 mil milhões de dólares.
A CEDEAO iniciou discussões com a Energy China International (CEEC), na segunda-feira, 16 de março de 2026, em Abuja, com o objetivo de explorar vias de colaboração no desenvolvimento de infraestruturas elétricas na África Ocidental.
O encontro, que contou também com a participação de representantes do West African Power Pool (WAPP), permitiu analisar vários portfólios de projetos, as capacidades técnicas da empresa chinesa, bem como os mecanismos de financiamento para acelerar a implementação de infraestruturas energéticas regionais.
Entre os projetos abordados figuram iniciativas estruturantes de interligação elétrica entre vários Estados-membros, incluindo a Costa do Marfim, o Gana, a Nigéria e o Senegal. Estes projetos inserem-se no plano diretor energético regional (2019–2033), que prevê a execução de 75 projetos prioritários, com um custo total estimado em 36,39 mil milhões de dólares.
As discussões incidiram igualmente sobre as oportunidades de financiamento associadas a estes projetos. A CEDEAO procura atrair mais investidores para colmatar o défice de infraestruturas. Estas iniciativas visam partilhar as capacidades de produção e melhorar a estabilidade do fornecimento de eletricidade na região.
Um setor energético sob pressão
A África Ocidental continua a enfrentar um défice energético significativo. A capacidade instalada (26 GW em 2020, segundo a IRENA) permanece insuficiente para uma população estimada em 401,9 milhões de habitantes, grande parte da qual concentrada na Nigéria.
As disparidades entre países continuam acentuadas. Em 2023, a taxa média de acesso à eletricidade nos países da CEDEAO situava-se em 61,6 %, mas descia para 32,1 % nos Estados da Aliança dos Estados do Sahel, nomeadamente Burkina Faso, Mali e Níger.
Apesar dos progressos registados nos últimos anos, a eletricidade disponível continua pouco fiável. As redes de transporte e distribuição permanecem pouco desenvolvidas, enquanto as capacidades de produção ficam aquém da procura crescente, impulsionada pela urbanização e pelo crescimento demográfico.
As interrupções frequentes, os elevados custos de produção e a dependência de energias fósseis fragilizam igualmente as economias da região. Neste contexto, os projetos de interligação promovidos pelo WAPP surgem como soluções estruturantes para otimizar a utilização dos recursos disponíveis e promover a integração regional.
A China, um parceiro-chave no financiamento de infraestruturas na África Ocidental
A aproximação à Energy China International (CEEC) insere-se numa dinâmica mais ampla de cooperação entre a CEDEAO e a China. Nas últimas duas décadas, Pequim afirmou-se como um parceiro central no desenvolvimento de infraestruturas na África Ocidental.
O comércio entre a China e África atingiu 348 mil milhões de dólares em 2025, um aumento de 17,7 % em relação a 2024. Este crescimento foi amplamente impulsionado pelas exportações chinesas, que ultrapassaram os 225 mil milhões de dólares, face a 123 mil milhões de dólares de importações africanas.
De acordo com o Boletim Económico China-África 2024, produzido pelo Global Development Policy Center, entre 2000 e 2022, os credores chineses concederam cerca de 170,08 mil milhões de dólares em empréstimos aos Estados africanos, principalmente através do Banco de Exportação e Importação da China e do Banco de Desenvolvimento da China, tornando a China o principal credor bilateral do continente. No mesmo período, as empresas chinesas anunciaram 112,34 mil milhões de dólares em investimento direto estrangeiro em novos projetos e realizaram 24,60 mil milhões de dólares em investimentos através de fusões e aquisições em África.
Ainda segundo o Global Development Policy Center, cerca de 34 % dos empréstimos concedidos ao continente foram direcionados para o setor da energia (ou seja, 52,4 mil milhões de dólares), maioritariamente para energias fósseis (51 %), enquanto as energias renováveis representaram apenas 2 % dos financiamentos.
Neste contexto, vários países da África Ocidental tornaram-se parceiros privilegiados da China, com os quais esta tem intensificado os seus investimentos. O país asiático pretende tirar partido desta posição para reforçar a sua presença no setor das infraestruturas.
Carelle Yourann (estagiária)
Os sistemas digitais africanos continuam vulneráveis às ciberameaças, devido à falta de competências locais, num contexto de adoção acelerada das tecnologias digitais por parte das administrações e empresas.
África está a estruturar a sua resposta face à explosão das ciberameaças e à escassez crítica de mão de obra qualificada. Neste contexto, a International Cybersecurity Community for Africa (ICCA), uma plataforma pan-africana de cibersegurança, foi lançada na sexta-feira, 20 de março, em Kigali, no Ruanda. Este novo organismo visa reunir os especialistas do continente e reforçar as capacidades operacionais regionais.
O dispositivo posiciona-se como um quadro de cooperação dedicado à partilha de informações sobre riscos digitais, à aprendizagem e ao aperfeiçoamento de talentos. A sua implementação ocorre num momento em que os ataques informáticos se intensificam. Segundo indicadores divulgados durante a inauguração, as organizações africanas sofrem, em média, cerca de 1.848 ataques por semana.
Para responder a esta pressão, a ICCA pretende formar um milhão de especialistas até 2030, um desafio significativo, tendo em conta que o continente conta atualmente com apenas 300.000 profissionais para uma procura em rápida expansão.
Para apoiar este objetivo, foram apresentados dois instrumentos tecnológicos. O primeiro, Umurinzi Cyber Threat Intelligence, permite identificar credenciais comprometidas na dark web e alertar as entidades visadas. O segundo é um sistema de formação prática do tipo Capture the Flag (CTF), que propõe simulações de ataques para reforçar a especialização técnica a custos controlados e num ambiente adaptado às realidades locais.
Apoiada pelas autoridades ruandesas e por parceiros internacionais, esta iniciativa insere-se numa estratégia global de valorização do capital humano e de proteção das infraestruturas críticas. Através deste projeto, os promotores pretendem fomentar o surgimento de um ecossistema digital integrado, capaz de enfrentar os desafios da transição digital.
No seu roteiro, a ICCA prevê alargar as suas atividades a cerca de quinze países até 2027 e implementar programas de certificação. A longo prazo, a instituição planeia lançar um índice africano de resiliência cibernética para medir o grau de preparação dos Estados face à cibercriminalidade.
Samira Njoya
Em 2023, o Chade fazia parte dos países que manifestaram a intenção de fornecer forças militares e policiais no âmbito de uma missão de segurança no Haiti. O destacamento deveria ocorrer após um período de formação.
O Chade prevê enviar 800 polícias e gendarmes para o Haiti para participar numa força internacional destinada a apoiar a polícia haitiana no combate aos gangues armados, informou a agência Reuters na sexta-feira, 20 de março, citando um alto responsável da polícia chadiana.
Foram fornecidos poucos detalhes. No entanto, segundo as informações disponíveis, os agentes deverão chegar ao Haiti em junho, após terem recebido formação ministrada por «parceiros europeus e americanos».
Este anúncio surge após o regresso, a 17 de março, de 215 polícias quenianos, que constituíam o segundo contingente da Missão Multinacional de Apoio à Segurança (MSS) no Haiti. De acordo com o Ministério do Interior e da Administração Nacional do Quénia, a missão entrou agora numa fase de transição e de retirada progressiva, prevendo o regresso de um número crescente de agentes.
«Estes polícias faziam parte do destacamento de 2023 destinado a apoiar os esforços de estabilização no Haiti e a ajudar a Polícia Nacional Haitiana a restabelecer a ordem pública nas zonas afetadas pela insegurança», indicou o ministério.
Este anúncio insere-se num contexto de agravamento contínuo da situação de segurança no Haiti. Desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021, a crise intensificou-se. O país ficou sem uma liderança política estável, as instituições enfraqueceram e os gangues expandiram o seu controlo sobre grande parte do território. Segundo a ONU, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas e 5,7 milhões enfrentam insegurança alimentar aguda.
Paralelamente, o Chade enfrenta uma situação de segurança frágil, marcada por violência ligada a conflitos regionais, nomeadamente na fronteira com o Sudão. Na quarta-feira, 18 de março, o país anunciou um ataque com drones que causou a morte de pelo menos 17 civis e vários feridos. As autoridades chadianas também fecharam a fronteira com o Sudão em fevereiro de 2026, alegando «incursões repetidas e violações cometidas por forças em conflito no Sudão em território chadiano».
Lydie Mobio
Impulsionadas pelas tensões geopolíticas, pelas perturbações nas rotas marítimas e pela subida dos preços do petróleo, a volatilidade dos mercados e as restrições de abastecimento intensificam-se, levando vários países africanos a explorar alternativas.
Países como o Gana, a África do Sul e o Quénia estão agora a voltar-se para a refinaria do grupo Dangote, na Nigéria, para garantir o seu abastecimento de combustíveis, segundo o jornal nigeriano The Nation, que cita fontes próximas do processo.
Esta reorientação ocorre num contexto em que o barril de Brent ultrapassou os 100 dólares, atingindo picos em torno dos 120 dólares nos últimos dias, impulsionado pela escalada das tensões entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. As perturbações no estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o transporte mundial de petróleo, agravam as limitações da oferta no mercado.
Entrando em produção em 2024 após vários atrasos e um investimento significativo, a refinaria com capacidade de 650 mil barris por dia afirma-se como uma alternativa para países africanos historicamente dependentes das importações de produtos refinados provenientes do Médio Oriente. Vários Estados iniciaram negociações para contratos de fornecimento a médio prazo, com o objetivo de garantir volumes num contexto de incerteza.
No entanto, cerca de três quartos da produção da refinaria destinam-se ao mercado interno nigeriano, o que limita os volumes disponíveis para exportação. Apesar desta restrição, a procura regional continua a crescer, impulsionada pela necessidade de fontes de abastecimento mais próximas.
Uma dependência posta à prova pela crise energética
Esta dinâmica reflete uma vulnerabilidade estrutural do continente. Muitos países africanos importam grande parte dos seus produtos refinados, apesar de serem produtores de petróleo bruto, com uma dependência particularmente elevada na África Oriental, onde cerca de 75% das importações provêm do Médio Oriente. A ausência de reservas estratégicas alinhadas com os padrões internacionais aumenta ainda mais a exposição a ruturas no abastecimento.
Neste contexto, o surgimento de capacidades regionais de refinação representa uma resposta parcial aos desafios de dependência logística e comercial. O papel da refinaria de Aliko Dangote ilustra a crescente importância dos atores privados na estruturação da oferta energética no continente. Desde o início da crise, a refinaria tem ajustado os seus preços em função das flutuações internacionais, absorvendo parcialmente os aumentos para limitar o impacto no mercado nigeriano.
A curto prazo, a concorrência entre compradores africanos deverá permanecer elevada para aceder a volumes limitados. A médio prazo, o aumento das capacidades locais poderá reduzir parte da dependência das importações, sem, contudo, eliminar totalmente o défice regional. As estratégias nacionais deverão, assim, continuar a combinar diversificação de fontes, gestão de stocks e acordos bilaterais. A persistência das tensões geopolíticas continuará a ser um fator determinante para a evolução dos fluxos e dos preços, enquanto o desenvolvimento das infraestruturas de refinação em África poderá gradualmente reconfigurar os circuitos de abastecimento no continente.
Paralelamente, alguns Estados terão de reforçar as suas capacidades de armazenamento para aumentar a resiliência face a choques externos e gerir melhor os períodos de tensão.
Olivier de Souza
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