Ecobank has committed $3 billion over the next three years to finance intra-African trade, positioning itself as a key financial partner in the implementation of the African Continental Free Trade Area (AfCFTA).
The funding package, announced during the Africa Forward Summit, is designed to support cross-border commerce across the continent. According to the Lomé-based banking group, the goal is not only to increase trade among African countries but also to build stronger commercial networks that can withstand global economic shocks.
Agriculture Takes Center Stage
For Ecobank, expanding trade starts with strengthening agriculture, a sector that remains central to many African economies. In Nairobi, the bank formalized a strategic partnership with AGRA (Alliance for a Green Revolution in Africa) to improve access to finance for agricultural businesses.
The initiative aims to reduce the risks associated with agricultural lending and provide credit solutions for small and medium-sized enterprises across 11 African countries. Women- and youth-led businesses will receive particular attention.
By linking Ecobank’s Ellevate banking program with AGRA’s Value4HER and YEFFA platforms, the partners hope to help transform agriculture from a largely subsistence-based activity into a more structured and investment-driven sector.
A New Financing Program With Proparco
Ecobank has also expanded its collaboration with Proparco, the private-sector financing arm of the French Development Agency (AFD). The partners launched a $35.2 million guarantee program backed by the ARIZ and EURIZ mechanisms to improve access to credit for micro and small agricultural enterprises.
According to Ecobank, the partnership could eventually support up to $300 million in financing. While regional integration remains a core focus, Ecobank continues to strengthen its international footprint. The bank is targeting opportunities created by growing trade flows between Africa and both China and India. By deepening ties with Asian markets, Ecobank aims to diversify its long-term funding sources while making it easier for African businesses to conduct transactions worldwide.
“Africa’s growth requires execution at scale,” said Jeremy Awori, Chief Executive Officer of Ecobank Group. “This is capital deployed directly into the real economy to support food production, livelihoods, and local value creation.”
The announcement highlights Ecobank’s broader strategy of combining trade finance, agricultural development, and international partnerships to support economic integration across the continent.
O documentário, enquanto género cinematográfico, propõe uma leitura do real que reivindica a sua subjetividade, um olhar, de preferência crítico… É um género essencial para a sociedade: o conhecimento, a memória, a abertura ao mundo. Os cineastas africanos parecem explorá-lo de forma pertinente.
O festival Encounters South African International Documentary Festival, um dos principais encontros dedicados ao cinema documental no continente africano, prepara-se para apresentar uma programação particularmente rica e internacional. De 4 a 14 de junho, o evento decorrerá em várias cidades da África do Sul, nomeadamente na Cidade do Cabo, em Pretória e em Joanesburgo. Esta nova edição reunirá 58 documentários provenientes de 33 países, bem como 31 curtas-metragens. No total, serão propostas cerca de uma centena de projeções em torno de temáticas sociais, culturais e contemporâneas de grande relevância, incluindo 32 estreias africanas e 9 estreias mundiais.
Para a sua 28.ª edição, o festival apresenta uma seleção exigente de documentários africanos e internacionais, explorando narrativas autênticas e questões globais urgentes. As projeções terão lugar principalmente no teatro Labia Theatre, na Cidade do Cabo, e no cinema independente The Bioscope Independent Cinema, em Joanesburgo.
Em paralelo às projeções, o Encounters 2026 dará destaque ao desenvolvimento profissional dos intervenientes do setor através de um programa de conferências, debates, simpósios, workshops e laboratórios, destinado a promover o intercâmbio, a partilha de experiências e o reforço das competências dos cineastas.
Narrativas sul-africanas poderosas e curtas-metragens temáticas
Esta edição destaca vários documentários sul-africanos que exploram questões identitárias, históricas e sociais. Em Taste of the Land, a realizadora Nondumiso Masache aborda a redescoberta das tradições culinárias indígenas como vetor de sustentabilidade e de reapropriação cultural. Por sua vez, My Father’s Son, realizado por Elan Gamaker, narra os reencontros virtuais de dois irmãos separados durante muitos anos — um judeu e outro negro — que tentam reconstruir laços familiares rompidos. Finalmente, The Hour after Midnight revisita a morte controversa de Neil Aggett, médico e sindicalista que morreu sob custódia durante o regime do apartheid, através de uma investigação documental que levanta questões sobre memória, verdade e justiça.
Os 31 curtas-metragens selecionados estão distribuídos por oito secções temáticas que refletem a diversidade de olhares e narrativas propostas pelo festival. O primeiro bloco, intitulado “Atos de intervenção”, inclui When I Came to Your Door, uma coprodução entre a Etiópia e os Países Baixos. A segunda secção, “O sal da terra”, destaca A Place Called Paradise, um filme dos realizadores sul-africanos Rae Human e Rudi Lippert.
Os restantes programas estão agrupados sob os temas “Obrigado por estar aqui”, “O corpo lembra-se”, “Desaprender o guião”, “Quando tudo desmorona”, “Onde o luto se instala” e “O nosso lugar de encontro”, abordando questões ligadas à identidade, à memória, às transformações sociais e às experiências humanas contemporâneas.
É de notar ainda que serão atribuídos prémios em três categorias de filmes, incluindo duas dedicadas à realização: “melhor longa-metragem documental africano e internacional” e “melhor curta-metragem documental africano e internacional”. Será também atribuído o prémio de melhor montagem na categoria de melhor longa e curta-metragem documental.
Ubrick F. Quenum
Em África, cerca de 30 embaixadas poderão deixar de emitir vistos para os Estados Unidos. A decisão insere-se na continuidade da política migratória de Donald Trump desde o seu regresso à Casa Branca.
O governo norte-americano prevê reduzir drasticamente o número de embaixadas e consulados em África capazes de processar pedidos de visto, passando de cerca de 50 para apenas 20 nas próximas semanas. A informação foi revelada pela agência de notícias norte-americana Associated Press (AP) na segunda-feira, 1 de junho.
A agência teve acesso a uma nota interna e a declarações de três responsáveis norte-americanos que pediram anonimato. Ainda não foi definida uma data exata para a implementação da medida, mas esta deverá ocorrer durante o mês de junho.
A medida terá sido aprovada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, na semana passada. «Durante uma conferência telefónica realizada na passada sexta-feira, diplomatas norte-americanos, incluindo responsáveis consulares, foram informados de que os Estados Unidos iriam reduzir os seus serviços de vistos em África», detalhou a Associated Press.
Entre os 20 países designados como «hubs» figurariam a Costa do Marfim, o Gana, a Etiópia, o Senegal, o Djibuti, a África do Sul, a Libéria, o Ruanda, o Togo, a Nigéria, os Camarões e a República Democrática do Congo.
Esta decisão surge numa altura em que o Departamento de Estado norte-americano conduz uma revisão mais ampla da sua rede diplomática em todo o mundo. A medida enquadra-se no endurecimento da política migratória de Donald Trump, com novas proibições de entrada dirigidas a vários países, incluindo africanos, em nome da segurança nacional.
Um novo endurecimento da política migratória
O processamento de vistos em África já tinha sido afetado por várias medidas restritivas. Em dezembro de 2025, o presidente Trump alargou a lista de países cujos cidadãos estão proibidos de entrar nos Estados Unidos. Mais recentemente, os procedimentos de emissão de vistos foram restringidos para alguns países africanos, tendo sido também introduzida uma caução que pode atingir os 15 000 dólares para determinados requerentes antes da análise do respetivo processo.
Os Estados Unidos suspenderam igualmente, em janeiro passado, os procedimentos de tratamento de vistos de imigração para 75 países, incluindo 26 países africanos. Além disso, foram mantidas restrições de entrada em território norte-americano para alguns viajantes devido à epidemia de Ébola.
Esta reestruturação das embaixadas, que ainda carece de confirmação oficial, representaria, caso seja implementada, uma das mudanças mais significativas na organização dos serviços consulares norte-americanos em África nas últimas décadas.
Lydie Mobio
À medida que os corredores logísticos da África Austral ganham importância nas trocas comerciais internacionais, a capacidade das redes ferroviárias para atrair capitais e operadores torna-se um fator essencial de competitividade. Moçambique pretende posicionar-se neste mercado promissor.
O governo moçambicano lançou uma consulta pública com vista à adoção de um novo quadro regulamentar para o setor ferroviário. O objetivo é tornar o sistema mais competitivo, mais transparente e mais alinhado com os padrões internacionais em matéria de exploração e gestão de infraestruturas. A consulta insere-se numa estratégia nacional de modernização do transporte ferroviário, que atribui especial importância ao reforço da governação do setor.
Segundo o Ministério dos Transportes e Logística, esta revisão regulamentar deverá permitir a definição de regras de acesso à rede ferroviária mais claras e previsíveis. As autoridades esperam, assim, estimular o investimento, melhorar a eficiência operacional, aumentar a utilização das infraestruturas existentes e reforçar a integração regional através do desenvolvimento dos corredores logísticos.
O processo de consulta envolverá, nomeadamente, operadores ferroviários, gestores portuários, investidores, especialistas técnicos e utilizadores dos corredores de transporte. Entre os principais eixos da reforma prevista destacam-se a promoção da concorrência, a otimização da exploração das infraestruturas, a melhoria da interoperabilidade das redes e o apoio à transição energética do setor.
Esta iniciativa surge num contexto em que a África Austral acelera o desenvolvimento dos seus corredores estratégicos de transporte e multiplica os investimentos em infraestruturas logísticas para otimizar as trocas comerciais internacionais. Para Moçambique, o desafio está diretamente ligado ao desempenho da sua rede ferroviária, que se tornou, nos últimos anos, um instrumento essencial para apoiar o crescimento do tráfego portuário e concretizar a ambição de afirmar o país como uma plataforma logística regional.
Durante muito tempo dominado pelas infraestruturas sul-africanas, o panorama logístico da região está a evoluir gradualmente. Graças aos portos de Maputo, Beira e Nacala, Moçambique já assegura uma parte crescente do comércio de vários países sem litoral da África Austral, sobretudo no transporte de minerais, combustíveis e diversas mercadorias.
As autoridades prosseguem um vasto programa de modernização das infraestruturas ferroviárias. Em abril de 2025, o governo anunciou um plano de investimento de cerca de 14 mil milhões de meticais (aproximadamente 219 milhões de dólares) destinado ao desenvolvimento do transporte ferroviário até 2030.
Henoc Dossa
A reabertura anunciada da fronteira com o Níger, a retoma das relações com o Burkina Faso e a manutenção de laços estreitos com os principais países da CEDEAO: em poucos dias, Romuald Wadagni encadeou iniciativas diplomáticas. Uma sequência que poderá constituir o primeiro grande sucesso político do seu mandato no plano regional.
A poucos dias da sua investidura, o Presidente beninense Romuald Wadagni multiplicou iniciativas diplomáticas que poderão redesenhar as relações do Benim com os seus vizinhos da África Ocidental. Entre Abuja, Niamey e Ouagadougou, a digressão regional do novo chefe de Estado vai muito além das visitas de cortesia tradicionalmente associadas ao início de um mandato. Assemelha-se antes a uma operação de reposicionamento estratégico do Benim numa África Ocidental dividida entre a CEDEAO e a Aliança dos Estados do Sahel (AES).
A aposta é tanto mais relevante quanto o Benim sai de vários anos de tensões com alguns vizinhos sahelianos, em particular o Níger. Ora, em menos de uma semana, Romuald Wadagni conseguiu obter vários avanços diplomáticos significativos, num contexto que contrasta com o clima de desconfiança que marcou as relações entre o Benim e vários países do Sahel nos últimos anos.
Da investidura à reabertura da fronteira com o Níger
Os primeiros sinais surgiram logo na cerimónia de investidura de Romuald Wadagni. Enquanto as relações entre os países da CEDEAO e os da AES continuam marcadas pelas consequências das rupturas institucionais ocorridas desde 2023, a presença de representantes de alto nível do Níger, do Burkina Faso e do Mali em Cotonou foi notada.
Esta sequência prolongou-se a 2 de junho em Niamey. Recebido com honras pelo Presidente Abdourahamane Tiani, Romuald Wadagni obteve um dos anúncios mais significativos deste início de mandato: o início do processo de reabertura da fronteira entre o Benim e o Níger.
A fronteira tinha-se tornado um dos símbolos mais visíveis da degradação das relações entre os dois países após o golpe de Estado de julho de 2023. O seu encerramento perturbou as trocas comerciais, fragilizou as atividades económicas das zonas fronteiriças e reduziu o papel do corredor beninense no abastecimento do Níger.
O anúncio feito em Niamey vai, assim, além do quadro bilateral. Abre caminho a uma retoma progressiva das trocas entre duas economias historicamente interdependentes e marca uma viragem nas relações entre as duas capitais.
A visita não se limitou, contudo, a esta decisão. As duas partes acordaram também em dar continuidade aos contactos em Cotonou, onde o Presidente Abdourahamane Tiani é agora aguardado.
Abuja, o parceiro incontornável
Antes de se deslocar ao Níger, Romuald Wadagni tinha escolhido a Nigéria como primeira etapa oficial. A escolha de Abuja reflete tanto as realidades económicas como os imperativos de segurança do Benim. Primeira economia da África Ocidental, a Nigéria continua a ser um dos principais parceiros comerciais do seu vizinho francófono. Os dois países mantêm laços humanos, económicos e energéticos que fazem da sua relação uma das mais estratégicas da sub-região.
Esta visita tem igualmente uma dimensão política particular. Durante a tentativa de golpe de Estado de 7 de dezembro de 2025 contra Patrice Talon, as autoridades nigerianas prestaram apoio militar a Cotonou para proteger infraestruturas sensíveis e contribuir para a estabilização da situação.
Neste contexto, o encontro entre Romuald Wadagni e Bola Tinubu surge como um ato de continuidade diplomática. Permite ao Presidente consolidar uma parceria essencial, demonstrando ao mesmo tempo que a abertura aos países da AES não será feita em detrimento das alianças construídas no seio da CEDEAO.
Ouagadougou valida o regresso do diálogo
A visita ao Burkina Faso reforçou esta dinâmica. Após o encontro com o capitão Ibrahim Traoré, os dois dirigentes manifestaram a vontade de “revitalizar” as relações bilaterais. As discussões incidiram sobre segurança, luta contra o terrorismo, comércio, infraestruturas, formação profissional e logística.
O comunicado conjunto publicado em Ouagadougou destaca o papel estratégico do porto de Cotonou no abastecimento do Burkina Faso, bem como a necessidade de melhorar a fluidez dos corredores de transporte que ligam o Sahel ao Golfo da Guiné. Os dois países acordaram também acelerar a realização da quinta sessão da Grande Comissão Mista de Cooperação e finalizar vários acordos pendentes.
Para além das declarações de princípio, esta referência direta às infraestruturas logísticas e às trocas comerciais revela interesses económicos convergentes e mostra que as discussões passam agora para um plano mais operacional.
Lomé e Abidjan, as últimas peças do puzzle
As próximas etapas da digressão também são reveladoras. O Presidente beninense deverá deslocar-se ao Togo, que se tornou nos últimos anos um dos principais beneficiários das tensões entre Cotonou e Niamey. O encerramento da fronteira entre o Níger e o Benim levou ao aumento do recurso ao corredor togolês para importações e exportações, fazendo de Lomé uma alternativa estratégica ao porto de Cotonou.
A visita ocorre num contexto em que a melhoria das relações entre o Benim e o Níger poderá redefinir as dinâmicas logísticas sub-regionais e consolidar o papel do Togo como ator-chave nas trocas entre os Estados costeiros e o Sahel.
A etapa na Costa do Marfim acrescenta outra dimensão. A par da Nigéria, a Côte d’Ivoire constitui um dos principais polos de poder da CEDEAO, com o Presidente Alassane Ouattara a desempenhar um papel influente no bloco regional.
Uma visão assumida da integração regional
O itinerário liga assim as duas principais potências da CEDEAO, dois pilares da AES e o principal corredor alternativo utilizado pelo Níger durante a crise com o Benim, com cada etapa a responder a um objetivo específico.
Esta abordagem insere-se numa visão resumida pelo próprio Romuald Wadagni no final da sua digressão. Agradecendo aos Presidentes Bola Tinubu, Abdourahamane Tiani e Ibrahim Traoré pela receção, afirmou a convicção de que os países da região só poderão enfrentar os seus desafios através da cooperação, “num espírito de confiança, solidariedade e cooperação”.
Para o Benim, esta posição responde a uma realidade geográfica e económica. Situado entre a Nigéria e o Sahel, o país construiu parte do seu desenvolvimento na capacidade de servir de interface entre as economias costeiras e os Estados interiores. Um dos principais ensinamentos desta digressão reside menos na sucessão de encontros e mais na capacidade do novo chefe de Estado de restabelecer o diálogo com as capitais da AES, ao mesmo tempo que reforça os laços com os principais países da CEDEAO.
Moutiou Adjibi Nourou
Em março, durante a visita do Presidente ganês John Dramani Mahama a Seul, foram assinados três acordos nos domínios das alterações climáticas, da tecnologia e inovação digital, bem como da segurança marítima.
O Gana e a Coreia do Sul reafirmaram a sua vontade de aprofundar a parceria bilateral em vários domínios estratégicos, nomeadamente a industrialização, a transformação económica e a valorização local dos recursos.
O anúncio foi feito pelo ministro ganês dos Negócios Estrangeiros, Sam Okudzeto Ablakwa, num comunicado divulgado na terça-feira, 2 de junho, no final da Reunião Ministerial África-Coreia 2026.
Entre os principais projetos discutidos destacam-se a abertura de uma nova universidade no Gana, a instalação de uma fábrica automóvel da Hyundai destinada ao mercado da África Ocidental e a implementação de sistemas de irrigação alimentados por energia solar.
Os dois parceiros pretendem igualmente reforçar a cooperação nos setores da inteligência artificial, da energia e dos minerais críticos, considerados essenciais para a transição económica e tecnológica mundial.
As discussões incidiram também sobre a facilitação da mobilidade entre os dois países. As negociações para uma isenção de vistos para todas as categorias de passaportes registam progressos, após a conclusão de um acordo que já abrange os titulares de passaportes diplomáticos e de serviço.
«O Gana e a Coreia do Sul desenvolvem importantes projetos bilaterais nos setores da energia, agricultura, transporte marítimo, educação, construção naval, infraestruturas rodoviárias e saúde», destacou Sam Okudzeto Ablakwa.
Uma cooperação bilateral em plena expansão
Para Acra, esta aproximação insere-se numa estratégia de diversificação das parcerias internacionais, aceleração da industrialização e criação de emprego para uma população jovem em rápido crescimento. Por sua vez, Seul procura consolidar a sua presença em África, garantir parcerias nos setores tecnológicos e das energias verdes, ao mesmo tempo que desenvolve novas oportunidades comerciais.
As relações entre os dois países têm conhecido uma dinâmica crescente nos últimos anos. Essa evolução traduziu-se, nomeadamente, em março passado, pela assinatura de três acordos relativos às alterações climáticas, à tecnologia e inovação digital, bem como à segurança marítima entre a Guarda Costeira sul-coreana e a Marinha ganesa.
A Coreia do Sul apoia igualmente vários projetos de desenvolvimento no Gana através da Korea International Cooperation Agency (KOICA). Segundo a KOICA, o valor da sua carteira de projetos no Gana foi estimado em 15 milhões de dólares em 2024.
Charlène N’dimon
Estimada em mais de 1,15 milhões de pessoas distribuídas por mais de 140 países, a diáspora marfinense constitui atualmente uma importante fonte de transferências financeiras e de competências que as autoridades pretendem estruturar melhor e orientar para o investimento produtivo.
O Governo da Costa do Marfim anunciou a realização de um roadshow dirigido aos marfinenses residentes na Europa, com etapas previstas em Milão e Paris. O anúncio foi feito pelo Governo num comunicado publicado na segunda-feira, 1 de junho.
O encontro de Milão está agendado para sábado, 6 de junho, enquanto o de Paris terá lugar na sexta-feira, 26 de junho, e no sábado, 27 de junho. Estas iniciativas visam reforçar os laços entre a Costa do Marfim e a sua diáspora, promovendo simultaneamente a sua participação na economia nacional. Inserem-se numa estratégia mais ampla que pretende transformar a diáspora de um simples agente de transferências financeiras num investidor estruturante para o desenvolvimento económico.
A diáspora, um motor económico com elevado potencial
Esta iniciativa é conduzida pelo Ministério Delegado responsável pela Integração Africana e pelos Marfinenses no Estrangeiro, liderado por Adama Dosso, que destaca a necessidade de reforçar os laços económicos entre a Costa do Marfim e a sua diáspora.
Várias medidas acompanham esta orientação, nomeadamente a assinatura de acordos com instituições bancárias para facilitar o acesso ao financiamento de projetos promovidos por marfinenses residentes no estrangeiro. O Centro de Promoção do Investimento na Costa do Marfim (CEPICI) criou igualmente um serviço dedicado à diáspora, com o objetivo de canalizar melhor as iniciativas e apoiar os promotores de projetos.
Através desta nova abordagem, as autoridades marfinenses pretendem transformar as transferências financeiras num instrumento sustentável de investimento e fazer da diáspora um ator central do crescimento e da transformação económica do país.
Transformar as remessas financeiras em investimentos produtivos
Segundo os dados apresentados pelo Governo, as remessas enviadas pelos marfinenses residentes no estrangeiro passaram de 99,5 mil milhões de francos CFA (176,2 milhões de dólares) em 2008 para 840 mil milhões de francos CFA em 2024. No entanto, estes recursos continuam a ser utilizados maioritariamente para despesas de consumo familiar (60% a 70%), enquanto apenas uma pequena parte é destinada ao investimento produtivo (10% a 15%).
Perante esta realidade, o Sr. Dosso considera que existe «um potencial superior a 600 mil milhões de francos CFA mobilizáveis anualmente e uma reserva de mais de um milhão de competências».
Esta estratégia insere-se numa visão mais ampla promovida pelo Presidente Alassane Ouattara, que há vários anos incentiva a participação de todos os marfinenses na dinâmica de desenvolvimento nacional. Dá igualmente continuidade a iniciativas anteriores, como a criação de uma Direção-Geral dos Marfinenses no Estrangeiro e a organização de fóruns dedicados à diáspora.
Na continuidade destas iniciativas desenvolvidas ao longo dos últimos anos para reforçar os laços entre a Costa do Marfim e a sua diáspora, o Governo apelou, na abertura do Fórum da Diáspora, a 7 de maio de 2026, aos marfinenses residentes no estrangeiro para que invistam mais em projetos produtivos e coloquem as suas competências ao serviço do desenvolvimento nacional.
Carelle Yourann (estagiária)
Através da Iniciativa Spotlight 2.0, a organização pretende enfrentar as causas estruturais das desigualdades de género, adotando uma abordagem abrangente que combina, nomeadamente, a prevenção da violência, o reforço da capacitação económica das mulheres e a responsabilização das instituições.
A ONU Mulheres Libéria, em colaboração com os seus parceiros de execução HOPE Liberia e Youth Crime Watch Liberia (YCWL), organizou na semana passada a reunião de lançamento da componente “Capacitação Económica das Mulheres” da Iniciativa Spotlight 2.0.
Segundo o comunicado da ONU Mulheres publicado na terça-feira, 26 de maio, este encontro reuniu as principais partes interessadas, instituições governamentais, organizações da sociedade civil e atores do setor privado, com o objetivo de reforçar a ação coletiva em prol da capacitação económica das mulheres e da prevenção da violência sexual e baseada no género (VSBG).
“Esta reunião constituiu uma plataforma essencial para promover uma compreensão comum do programa, validar processos de seleção de beneficiários transparentes e inclusivos, e identificar oportunidades viáveis de desenvolvimento de meios de subsistência e de competências para mulheres e raparigas vulneráveis”, sublinha o comunicado.
Através da Iniciativa Spotlight 2.0, mulheres e raparigas dos oito condados abrangidos beneficiarão de formação profissional, apoio ao empreendedorismo, educação financeira e oportunidades de geração de rendimento.
Na Libéria, as desigualdades de género persistem, alimentadas por normas patriarcais profundamente enraizadas, oportunidades limitadas para mulheres e raparigas, bem como pela persistência da violência sexual e baseada no género e de práticas nocivas como a mutilação genital feminina (MGF).
Para enfrentar estes desafios, o país ratificou a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), bem como o Protocolo de Maputo relativo aos direitos das mulheres em África. Foram também registados progressos ao longo da última década, nomeadamente através da adoção de leis e políticas destinadas a promover o respeito pelos direitos das mulheres, segundo um relatório do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) publicado em 2025.
O programa Spotlight 2.0 pretende combater os fatores estruturais através de uma abordagem integrada, associando a prevenção da violência à capacitação económica das mulheres, ao reforço da participação e do poder de ação das comunidades, bem como a uma maior responsabilização das instituições.
Lydie Mobio
As tensões entre Washington e Pretória intensificam-se, num contexto marcado por divergências diplomáticas, debates sobre a reforma fundiária sul-africana e pela recomposição dos equilíbrios geopolíticos em torno dos BRICS.
A administração de Donald Trump decidiu aumentar em 10 000 vagas o limite anual de acolhimento de refugiados para o exercício fiscal de 2026, de modo a permitir a entrada de um maior número de sul-africanos brancos, principalmente oriundos da minoria afrikaner. Um documento presidencial assinado a 21 de maio e publicado na terça-feira, 26 de maio, no Federal Register, o Jornal Oficial norte-americano, justifica esta decisão com uma situação de emergência ligada à «incitação à violência com motivação racial» na África do Sul. Os Estados Unidos consideram que os afrikaners estão expostos a discriminações e violências direcionadas no país.
Com esta medida, o limite anual de acolhimento de refugiados nos Estados Unidos passa de 7 500 para 17 500 pessoas. Segundo dados da administração norte-americana, cerca de 6 000 sul-africanos brancos já tinham sido admitidos antes do final de abril, enquanto apenas três refugiados não sul-africanos foram acolhidos desde o início do exercício fiscal.
Esta orientação prolonga a política iniciada por Donald Trump após o seu regresso ao poder em janeiro de 2025. O presidente republicano suspendeu então quase totalmente o programa norte-americano de reinstalação de refugiados, com a notável exceção dos afrikaners.
Uma rutura com a doutrina migratória norte-americana
Criado em 1980 para responder à crise dos refugiados da Indochina, nomeadamente vietnamitas e cambojanos, o programa norte-americano de reinstalação tornou-se progressivamente um dos pilares da política humanitária de Washington. A abordagem atual representa, assim, uma rutura assumida com os critérios tradicionalmente aplicados ao acolhimento de refugiados.
A administração Trump afirma agir perante discriminações raciais e violências dirigidas contra agricultores brancos sul-africanos. Donald Trump e vários responsáveis norte-americanos chegam mesmo a evocar um «genocídio», qualificação rejeitada pelas autoridades sul-africanas, bem como por numerosos especialistas e organizações independentes.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-africano, Chrispin Phiri, afirma que as acusações de discriminações organizadas contra os brancos são «totalmente infundadas».
Pretória sublinha igualmente que a violência rural afeta diferentes categorias da população e que nenhum dado oficial demonstra a existência de criminalidade especificamente dirigida contra os brancos.
A questão fundiária continua a ser um dos principais pontos de fricção entre os dois países. Os Estados Unidos criticam a possibilidade de expropriações sem indemnização, enquanto a África do Sul afirma que nenhuma apreensão foi implementada. Estas divergências inserem-se num contexto diplomático mais amplo, ligado a diferenças geopolíticas e à crescente influência dos BRICS. Durante um encontro em maio de 2025 na Casa Branca, Donald Trump acusou Pretória de violência contra os brancos, acusações rejeitadas por Cyril Ramaphosa, que reconhece, no entanto, desafios internos de segurança.
Os dois países procuram evitar uma rutura duradoura
O executivo sul-africano procura, paralelamente, preservar as suas relações económicas com Washington e destaca o papel estratégico do país no fornecimento de minerais críticos e terras raras, essenciais para as indústrias e tecnologias de defesa. Salienta igualmente a existência de investimentos sul-africanos nos Estados Unidos e indica que estão em curso discussões bilaterais para reduzir as atuais tensões.
No plano humanitário, a política norte-americana suscita numerosas interrogações. Vários observadores consideram que o tratamento acelerado reservado aos afrikaners contrasta fortemente com as restrições impostas a outras populações refugiadas oriundas de África, Ásia ou Médio Oriente.
Para acelerar as admissões, Washington reforçou as suas capacidades de processamento em território sul-africano e prevê um ritmo que poderá atingir 4 500 processos analisados por mês.
Alguns grupos de refugiados sul-africanos brancos já foram acolhidos através de procedimentos acelerados, sem envolvimento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, normalmente central na avaliação dos pedidos.
Olivier de Souza
O Moçambique é atualmente o país mais afetado pela epidemia de cólera que atinge principalmente a África Austral desde o início de 2026. Perante esta situação, o governo pretende reforçar a resposta através de um vasto programa de investimento.
O governo moçambicano apresentou, a 22 de maio, em Genebra, o seu Plano Nacional de Eliminação da Cólera, à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde organizada pela OMS. Avaliado em 500 milhões de dólares, este plano quinquenal visa eliminar a infeção como problema de saúde pública até 2030 e reduzir em cerca de 90 % a mortalidade associada à doença.
Segundo informações divulgadas pelo meio de comunicação local 360 Mozambique, a nova folha de rota prevê intervenções integradas em vários domínios, nomeadamente vacinação, vigilância epidemiológica, expansão do acesso à água potável, reforço das infraestruturas de saneamento, bem como melhoria das capacidades de resposta sanitária ao nível comunitário nas zonas mais expostas.
Importa recordar que a cólera é uma doença diarreica grave de origem bacteriana, provocada pelo consumo de alimentos ou água contaminados, podendo causar a morte em poucas horas na ausência de tratamento.
Maputo aposta no apoio dos seus parceiros internacionais e financeiros presentes na Assembleia Mundial da Saúde para mobilizar os recursos financeiros necessários. «Estamos aqui para apresentar o compromisso do governo em eliminar a cólera e também para mobilizar apoio de forma a acelerar a implementação deste plano», declarou Ussene Isse, ministro moçambicano da Saúde.
Moçambique no centro de um contexto sub-regional sob tensão
Este anúncio surge num contexto de recrudescimento da cólera na África Austral. Segundo a OMS, cinco países afetados por surtos epidémicos na sub-região registaram 4 320 casos e 56 mortes entre 1 de janeiro e 15 de fevereiro de 2026, contra 586 casos e 11 mortes no mesmo período do ano anterior. O Moçambique representa, sozinho, cerca de 90 % dos casos reportados na sub-região.
Neste contexto, Moçambique tornou-se, em fevereiro passado, o primeiro país a relançar uma campanha de vacinação preventiva contra a cólera após mais de três anos de suspensão devido à escassez mundial de vacinas orais contra a cólera. O país já recebeu uma primeira alocação de 3,6 milhões de doses no âmbito de um programa internacional apoiado pela OMS, UNICEF e pela Aliança Gavi em 2026.
A retoma destas campanhas preventivas ocorre numa altura em que o abastecimento mundial de vacinas contra a doença melhorou significativamente. Segundo os parceiros internacionais, a produção anual passou de cerca de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões de doses em 2025, permitindo retomar progressivamente estratégias de prevenção em larga escala.
Para as organizações de saúde, a vacinação constitui apenas uma componente da resposta. A melhoria duradoura do acesso à água potável, do saneamento e da higiene continua a ser essencial para reduzir de forma sustentável os riscos de surtos epidémicos.
Em Moçambique, a rápida implementação do plano de eliminação da cólera revela-se ainda mais crucial tendo em conta a deterioração das perspetivas regionais na África Austral. Segundo projeções publicadas pela OMS em fevereiro passado, a região poderá registar entre 12 000 e 22 000 novos casos de cólera entre março e agosto de 2026, nos cenários mais prováveis.
«Muitos fatores contribuem para os surtos de cólera na África Austral, nomeadamente os ciclones tropicais, as inundações que afetaram a África do Sul, Malawi, Moçambique e Zâmbia, os conflitos e deslocamentos populacionais, bem como a insuficiência dos sistemas urbanos de abastecimento de água», indica a organização das Nações Unidas para explicar estas previsões pessimistas.
Stéphanas Assocle
O padrão de beleza africano está ligado, entre outros elementos, aos penteados, dos quais as tranças e os entrançados são alguns dos mais famosos. Estes estilos capilares continuam ainda hoje a ilustrar a diversidade e a riqueza criativa do continente.
As tranças e os entrançados são penteados que unem identidade e estética, com interpretações e significados que variam conforme as ocasiões e os contextos. Datam da Antiguidade, como demonstram certas esculturas e hieróglifos egípcios de 3 500 a.C., segundo a revista especializada Camille Albane.
Assim, estes penteados ancestrais, muito mais do que simples arranjos capilares, constituem uma verdadeira expressão artística profundamente enraizada nas tradições africanas. Representam uma linguagem visual única que permite a homens e mulheres afirmarem a sua pertença a uma comunidade.
Tranças e entrançados: uma confusão frequente
Os entrançados, símbolos de sobriedade, seduzem pela sua aparência intemporal. Feitos através do entrelaçamento de três mechas, adaptam-se a todas as texturas capilares e, quando são colados ao couro cabeludo, desenham padrões geométricos refinados. Práticos e protetores, preservam a saúde do cabelo e exigem pouca manutenção.
As tranças, por sua vez, abrem um campo infinito de criatividade. Quer se trate de “box braids” ou de estilos tradicionais, permitem acrescentar comprimento, volume e cor através de extensões. Mais complexas do que os entrançados, oferecem uma diversidade de formas e texturas, ao mesmo tempo que protegem o cabelo natural e mantêm a sua hidratação.
As tranças e os entrançados modernos inspiram-se em estilos mais antigos observados entre tribos e clãs espalhados pelo continente africano.
As tranças étnicas em África
Em África, existe uma grande variedade de tranças que variam conforme as regiões, os rituais tribais ou as organizações sociais. Em cada tribo, têm um significado particular e são adaptadas a determinadas circunstâncias.
Entre os Maasai do Quénia e da Tanzânia, os homens usam tranças finas cobertas de ocre, que indicam a idade e o estatuto social. As mulheres exibem tranças frequentemente adornadas com belas contas. Nas tribos Samburu do Quénia, os jovens deixam crescer longas tranças coloridas, enquanto as mulheres criam padrões complexos.
Nas tribos Himba da Namíbia, as mulheres aplicam uma mistura de manteiga nas tranças, refletindo a idade, a maternidade ou o estado civil. Entre os Zulus da África do Sul, os penteados esculpidos em formas geométricas servem como sinais distintivos durante cerimónias.
Além da função estética, as tranças representam um sinal de identidade e de memória coletiva. Oriundas de práticas ancestrais, perpetuam um saber transmitido de geração em geração dentro das comunidades. Estes estilos não permaneceram imóveis no tempo nem no espaço: evoluíram para dar origem a formas mais modernas.
As tranças modernas: cornrows, box braids, long long...
Os estilos de tranças africanas evoluem constantemente, mas mantêm-se fiéis a um saber-fazer ancestral.
As “cornrows”, caracterizadas pelas suas tranças finas e alinhadas junto ao couro cabeludo, oferecem uma infinidade de variações estéticas — linhas retas, curvas em espiral, traçados em ziguezague ou padrões elaborados — ilustrando toda a riqueza da coiffure cultural, onde uma mesma tradição capilar se reinventa através de expressões individuais e influências contemporâneas.
As “box braids” formam uma grande família de tranças de inspiração livre, que surgem do couro cabeludo para criar volume e movimento, permitindo alongar, colorir ou adornar o cabelo. Tornaram-se símbolos de moda nas passarelas e nos ecrãs graças a ícones culturais como Rihanna, Kim Kardashian ou Zendaya, segundo o meio digital de beleza Lessence Paris.
O estilo “Fulani”, com a sua divisão assimétrica, cria um visual decididamente moderno, enquanto o “long long” utiliza fios para criar texturas inéditas que envolvem a cabeça.
Evolução das tranças nas diásporas africanas
A arte capilar africana expressa memória e pertença. Os padrões desenhados nos cabelos contam histórias, transmitem símbolos e acompanham acontecimentos. Herdados dos antepassados, estes saberes perpetuam-se e transformam-se na diáspora, dando origem a formas contemporâneas que prolongam uma tradição dinâmica. O contacto com outros povos remodelou as tranças africanas, abrindo caminho a novas perspetivas.
Nas diásporas, as tranças evoluíram ao ritmo das experiências vividas pelas comunidades africanas instaladas nos quatro cantos do mundo. As influências das sociedades de acolhimento moldaram novas formas de entrançado, misturando inspirações locais com símbolos herdados das culturas ancestrais. Esta evolução manifesta-se também durante celebrações e encontros culturais, onde as tranças ocupam um lugar importante na valorização das identidades africanas.
Ubrick F. Quenum
Em queda em relação ao trimestre anterior, o crescimento do PIB real da Nigéria continua, no entanto, em alta na comparação anual. O desempenho é impulsionado principalmente pelo setor dos serviços, que contribui com 57,73% do PIB.
Na Nigéria, o Produto Interno Bruto (PIB) real cresceu 3,89% no primeiro trimestre de 2026, contra 4,07% registados no trimestre anterior.
É o que indica o mais recente relatório do Gabinete Nacional de Estatísticas (NBS), publicado na segunda-feira, 25 de maio. Em termos homólogos, esta taxa representa ainda uma melhoria face ao primeiro trimestre de 2025, quando se situava em 3,13%.
Segundo o documento, o setor agrícola registou um crescimento de 3,15%, contra apenas 0,07% no primeiro trimestre de 2025, refletindo uma recuperação mais vigorosa da produção. O setor industrial cresceu 3,5% e o setor dos serviços avançou 4,31%. Este último continua a representar a maior fatia do PIB global, com uma contribuição estimada em 57,73% no primeiro trimestre de 2026, contra 57,50% no mesmo período do ano anterior.
O setor petrolífero registou um crescimento de 2,57% no primeiro trimestre de 2026, em baixa face ao trimestre anterior, mas em alta de 0,70 ponto percentual comparativamente ao mesmo trimestre de 2025. Segundo o relatório, «numa base trimestral, o setor petrolífero registou uma taxa de crescimento de 9,31% no T1 de 2026». A sua contribuição para o PIB fixou-se em 3,92%.
As atividades não petrolíferas também desaceleraram para 3,94%, contra 3,99% registados no quarto trimestre de 2025, mas mantêm-se ligeiramente acima do nível observado no mesmo trimestre de 2025. Foram principalmente impulsionadas pelos setores da informação e comunicação, agricultura, comércio, indústria transformadora, serviços financeiros e de seguros, imobiliário, construção, bem como transportes e armazenagem.
Indicadores macroeconómicos em melhoria
Nos últimos meses, a Nigéria tem apresentado indicadores macroeconómicos em melhoria. A agência S&P Global Ratings elevou, há algumas semanas, a notação de crédito soberano de longo prazo em moeda estrangeira e local do país de “B-” para “B”, mantendo a notação de curto prazo em “B”, com perspetiva estável. A agência destaca nomeadamente o reforço da dinâmica da balança de pagamentos.
Além disso, a moeda local, o naira, valorizou-se graças à acumulação das reservas cambiais, que atingiram 50,45 mil milhões de dólares em 16 de fevereiro de 2026.
Para 2026, o governo nigeriano prevê um crescimento económico de 4,68%, contra 3,87% em 2025, apoiado pela desaceleração da inflação, maior estabilidade cambial e continuação das reformas estruturais.
Apesar deste otimismo, o país continua confrontado com uma elevada taxa de desemprego, estimada em cerca de 30% segundo a antiga metodologia utilizada antes de 2023, de acordo com a S&P Global Ratings. A taxa de pobreza atinge 50% da população, contra 30% antes de 2020.
Lydie Mobio
Apesar do seu elevado potencial hidroelétrico, a RDC apresenta uma taxa de acesso à eletricidade estimada em 21,5% em 2025. O país aposta agora em soluções descentralizadas para acelerar a eletrificação das zonas rurais.
Em Kinshasa, o governo congolês e a União Europeia (UE) lançaram a «janela país» do programa ElectriFI. O anúncio foi feito num comunicado da instituição europeia publicado na terça-feira, 20 de maio.
Dotado de um orçamento de 15 milhões de euros (17,4 milhões de dólares), este mecanismo visa apoiar o acesso à eletricidade e o desenvolvimento das energias renováveis na República Democrática do Congo (RDC).
«O programa ElectriFI consolidou-se como um instrumento de referência incontornável para o financiamento de soluções energéticas inovadoras, viáveis e inclusivas. A criação deste orçamento dedicado à RDC […] constitui um sinal forte. É o testemunho de uma confiança renovada no potencial económico da nossa nação e, sobretudo, nas reformas corajosas empreendidas pelo nosso governo», declarou o ministro dos Recursos Hídricos e da Eletricidade, Aimé Sakombi Molendo, segundo declarações difundidas pela Agência Congolesa de Imprensa (ACP).
Uma eletrificação ainda muito insuficiente apesar do elevado potencial
A RDC figura entre os países africanos mais ricos em recursos energéticos, mas continua paradoxalmente a ser um dos menos eletrificados do continente. O país dispõe de um potencial hidroelétrico estimado em cerca de 167 000 MW, segundo o ministro Sakombi Molendo, principalmente concentrado no rio Congo, nomeadamente em torno do local de Inga, considerado um dos mais potentes do mundo.
No entanto, a capacidade efetivamente explorada continua limitada, restringindo a oferta de eletricidade disponível. Esta situação obriga alguns industriais a importar eletricidade de países vizinhos, como o Congo, a Zâmbia ou a Tanzânia, para manter as suas atividades.
A taxa de acesso à eletricidade atingiu 21,5% em 2025, contra 9% em 2019. Embora se trate da progressão mais rápida da história energética do país, esta taxa continua baixa, especialmente nas zonas rurais, onde grande parte da população ainda vive sem ligação à rede nacional. Mesmo as grandes cidades, incluindo a capital Kinshasa, enfrentam instabilidade no fornecimento elétrico, representando um desafio significativo para famílias e empresas.
Perante estas dificuldades, o país aposta progressivamente em soluções descentralizadas, nomeadamente mini-redes e sistemas solares fora da rede, considerados mais adequados para acelerar a eletrificação das zonas rurais e remotas.
Ingrid Haffiny
O Senegal registrou em 2025 uma queda de 2,14 pontos percentuais na taxa de implementação das reformas da UEMOA em relação a 2024. Essa redução é explicada por desempenhos insuficientes na governança econômica, na convergência e em certas reformas setoriais.
O Senegal alcançou uma taxa média provisória de 76,45% na implementação das reformas, políticas, programas e projetos comunitários da UEMOA em 2025, contra 78,59% no ano anterior, o que representa uma queda de 2,14 pontos percentuais.
O anúncio foi feito pelo ministro senegalês das Finanças e do Orçamento, Cheikh Diba, durante a 11ª edição da revisão anual da União, realizada em 19 de maio.
Uma avaliação marcada por desempenhos contrastantes
A avaliação de 2025 abrange 145 reformas e cinco projetos, contra 132 reformas em 2024. Segundo as autoridades, o recuo observado se deve principalmente a desempenhos abaixo do esperado nos domínios da governança econômica, da convergência e de certas reformas setoriais. Essas dificuldades foram parcialmente compensadas pelos resultados obtidos no mercado comum.
Em detalhes, as quedas foram estimadas em -1,3 ponto para a governança econômica e a convergência, e -6,3 pontos para as reformas setoriais, enquanto o mercado comum apresentou uma contribuição positiva de +0,91 ponto.
Por outro lado, “bons desempenhos também foram observados na harmonização dos quadros jurídicos, contábeis e estatísticos das finanças públicas (+1,88 ponto percentual); na união aduaneira (+4,55 pontos percentuais); na agricultura, pecuária, pesca e meio ambiente (+2,12 pontos percentuais); no desenvolvimento humano e social (+6,58 pontos percentuais); e na energia e minas (+3,33 pontos percentuais)”, declarou o ministro Cheikh Diba.
O presidente da Comissão da UEMOA, Abdoulaye Diop, classificou os resultados como “satisfatórios”.
Essa avaliação ocorre em um contexto no qual o Senegal confirma sua posição de motor econômico dentro da UEMOA. O país continua sendo o segundo maior exportador da zona, atrás da Côte d'Ivoire, impulsionado pela aceleração de sua produção de hidrocarbonetos. No mercado regional, o Tesouro senegalês dobrou suas captações no mercado de títulos públicos em 2025, elevando a exposição dos bancos para 2.225 bilhões de FCFA (3,9 bilhões de dólares).
Essa dinâmica faz parte da estratégia de transformação conduzida pela “Vision Sénégal 2050”, lançada em outubro de 2024. Esse novo quadro estratégico, que substitui o “Plan Sénégal émergent”, pretende transformar o país em uma economia soberana, inclusiva e próspera até 2050, com uma meta de crescimento médio de 6,5% no período 2025-2029, podendo atingir 9,7% em 2025 graças ao setor de hidrocarbonetos, além de uma trajetória de redução progressiva da dívida pública.
Criada em 2013 pela Conferência dos Chefes de Estado da UEMOA, a revisão anual é um mecanismo central de acompanhamento e avaliação das reformas comunitárias. Ela permite medir os avanços realizados pelos Estados-membros na implementação dos compromissos ligados à integração econômica.
Charlène N’dimon
Há alguns anos, Kinshasa e o Cairo têm vindo a intensificar as suas relações bilaterais. O objetivo é aumentar o volume das suas trocas comerciais, ainda...
“Blackground: murmúrios dos morros” apresenta-se como uma exposição que explora o continuum colonial e as marcas deixadas pela escravatura nos territórios...
Confrontado com a redução da produção de hidrocarbonetos e com o aumento das importações de gás natural, o Egito tem multiplicado, nos últimos dois anos,...
O Governo do Quénia e os Estados Unidos reafirmaram a implementação da Parceria de Cooperação em Saúde Quénia–Estados Unidos, um programa de cinco anos...
Paris - France - L'un des plus grands rendez-vous mondiaux de la tech et de l'innovation.