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Equipe Publication

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O Egito afirma-se como o terceiro país mais populoso de África, depois da Nigéria e da Etiópia, e como a terceira maior economia do continente, atrás da Nigéria e da África do Sul. Estas vantagens fazem dele um mercado estratégico para as multinacionais que operam no setor agroalimentar, como a Coca-Cola.

A Coca-Cola Hellenic Bottling Company (HBC), um dos principais engarrafadores da multinacional norte-americana The Coca-Cola Company a nível mundial, prevê investir 1,28 mil milhões de dólares no Egito entre 2026 e 2030. A informação foi revelada por Zoran Bogdanovic, diretor executivo da empresa, durante a inauguração de uma nova linha de produção de bebidas na sua fábrica em Alexandria, no passado dia 7 de junho.

Segundo o responsável, este novo projeto de investimento quinquenal insere-se numa estratégia de reforço da capacidade de produção e de consolidação da posição da empresa num dos seus principais mercados em África.

Presente no Egito desde 1994, a Coca-Cola HBC explora atualmente cinco unidades de produção de bebidas, localizadas nas cidades de Alexandria, Tanta, Sadat City, Qalioub e Assiut. A empresa posiciona-se como uma das principais fabricantes e distribuidoras de bebidas no país, com marcas emblemáticas como “Coca-Cola”, “Sprite”, “Fanta” e “Schweppes”.

«Só em 2024, as atividades da Coca-Cola no Egito geraram cerca de mil milhões de dólares em valor acrescentado para a economia nacional, empregaram diretamente 4 900 pessoas e apoiaram cerca de 64 000 empregos ao longo da sua cadeia de valor», afirmou Adnan Topcic, diretor-geral da Coca-Cola Hellenic Egito, filial local da Coca-Cola HBC, destacando o peso económico da empresa.

Estratégia de expansão do sistema Coca-Cola nos grandes mercados africanos

Para além do Egito, o sistema Coca-Cola está a acelerar os seus investimentos nas principais economias do continente, nomeadamente a Nigéria e a África do Sul.

Na África do Sul, a The Coca-Cola Company anunciou em março passado um plano de investimento de 17,6 mil milhões de rands (cerca de 1,06 mil milhões de dólares) para o período 2026-2030, com o objetivo de reforçar as capacidades de produção, otimizar a distribuição e apoiar a inovação em toda a cadeia de valor do sistema Coca-Cola no país. Este anúncio surge na continuidade de um programa de investimento semelhante na Nigéria, revelado em 2024, também estimado em 1 mil milhão de dólares ao longo de cinco anos.

Estes investimentos inserem-se igualmente num contexto mais amplo de reestruturação do sistema de engarrafamento da Coca-Cola no continente. Desde 2025, a Coca-Cola HBC iniciou uma operação estratégica destinada à aquisição da Coca-Cola Beverages Africa (CCBA), o principal engarrafador do grupo em África, presente em cerca de quinze mercados, incluindo a África do Sul.

No âmbito desta transação, a Coca-Cola HBC espera assumir o controlo da CCBA no segundo semestre de 2026, reforçando assim a sua posição no ecossistema da Coca-Cola em África.

Stéphanas Assocle

A reforma prevê, nomeadamente, uma cobertura dos riscos de obra e uma garantia decenal de 10 anos, com o objetivo de reforçar a proteção contra falhas na construção.

Na Costa do Marfim, o Senado analisou e aprovou, na terça-feira, 9 de junho, um projeto de lei que altera o Código da Construção e do Habitar adotado em 2019.

Apresentado pelo Ministro do Urbanismo, Habitação e Ordenamento do Território, Moussa Sanogo, o texto foi aprovado pelos membros da Comissão de Investigação, Ciência, Tecnologia e Ambiente (CRSTE) do Senado. O objetivo é reforçar as obrigações de seguro aplicáveis aos intervenientes do setor da construção.

Através desta reforma, o governo pretende instaurar um regime de seguro obrigatório para os construtores e proprietários de edifícios. O objetivo é melhor enquadrar os riscos ligados às atividades de construção, proteger as populações contra as consequências de falhas estruturais e salvaguardar os investimentos imobiliários.

A iniciativa surge num contexto marcado por vários desabamentos de edifícios que provocaram perdas humanas e danos materiais.

Novas obrigações de seguro

O projeto de lei introduz novas exigências para os profissionais e empresas envolvidas na construção de edifícios. Estes deverão, a partir de agora, subscrever dois seguros.

O primeiro é um seguro todos os riscos de construção (TRC). Este cobre os danos que possam ocorrer durante a fase de execução das obras, como incêndios, acidentes ou destruição parcial da estrutura em construção.

O segundo é um seguro de responsabilidade civil decenal. Este seguro cobre os danos relacionados com a construção durante dez anos após a entrega do edifício. Em caso de defeitos de construção que provoquem danos significativos nesse período, o seguro poderá intervir para indemnizar as vítimas ou financiar as reparações.

Os proprietários de edifícios deverão, por sua vez, dispor de um seguro de responsabilidade civil que cubra os danos causados a terceiros em caso de falha ou ruína de um edifício. Este dispositivo visa garantir a cobertura financeira das consequências de acidentes envolvendo construções. Ao clarificar as responsabilidades dos diferentes intervenientes, as autoridades esperam reforçar a cobertura dos riscos e melhorar os mecanismos de indemnização em caso de sinistro.

Uma questão de segurança pública

Esta reforma reforça as medidas adotadas pelas autoridades marfinenses para melhorar o controlo do setor da construção. Apesar do aumento das inspeções de obras, que passaram de 9 867 em 2021 para 17 375 em 2024, o cumprimento das obrigações em matéria de seguro e controlo técnico continua a ser insuficiente.

O governo considera que o reforço do enquadramento segurador contribuirá para melhorar a segurança das construções, reduzir os riscos associados a defeitos de execução e proteger melhor as famílias contra as consequências financeiras dos sinistros. A reforma visa igualmente limitar o custo económico suportado pelas famílias e pelas finanças públicas após acidentes.

Segundo Moussa Sanogo, esta evolução responde a um objetivo de proteção dos cidadãos e de segurança dos investimentos imobiliários. O ministro considera também que a obrigação de contratar determinados seguros incentivará o recurso a engenheiros e consultores responsáveis por verificar a conformidade das obras antes da sua cobertura pelas seguradoras.

A aprovação do texto pela comissão sénior marca uma etapa do processo legislativo. O projeto de lei deverá agora prosseguir o seu percurso institucional antes da entrada em vigor das novas obrigações aplicáveis aos construtores e proprietários de edifícios.

Chamberline Moko

Em 2024, as despesas fiscais na Guiné foram estimadas em cerca de 462 milhões de dólares, o equivalente a 1,3% do PIB e 13,82% das receitas fiscais, representando um aumento de 16,5% em relação ao ano anterior.

A Guiné iniciou um processo de criação de um Comité Nacional para a Racionalização das Despesas Fiscais. O anúncio foi feito na terça-feira, 9 de junho, pela Ministra da Economia, Finanças e Orçamento, Mariama Ciré Sylla.

Esta estrutura terá como missão definir e implementar uma estratégia nacional destinada a melhorar a eficácia dos benefícios fiscais concedidos pelo Estado. Caber-lhe-á igualmente enquadrar a sua utilização através de uma abordagem que associe as administrações públicas, o setor privado, as organizações patronais, as câmaras consulares e a sociedade civil.

Esta iniciativa surge num contexto de aumento das despesas fiscais durante os exercícios orçamentais de 2023 e 2024. As autoridades pretendem, assim, dispor de um mecanismo de acompanhamento que permita avaliar o impacto económico das isenções fiscais e ajustar a sua utilização.

Nível das despesas fiscais

O relatório de avaliação das despesas fiscais relativo ao exercício de 2024, apresentado na segunda-feira, 8 de junho, pelo Gabinete de Estratégia e Desenvolvimento do Ministério da Economia, estima o custo das isenções fiscais na Guiné (Conacri) em 4,049 biliões de francos guineenses (cerca de 462 milhões de dólares).

Este montante representa 1,3% do PIB nominal e 13,82% das receitas fiscais totais. Traduz um aumento de 16,5% face a 2023. O documento indica que aproximadamente um franco em cada sete de potenciais receitas fiscais foi renunciado pelo Estado através dos diferentes regimes de exceção atualmente em vigor.

O relatório de avaliação das despesas fiscais de 2023, publicado em março de 2025, já apontava para um nível elevado de despesas fiscais. Para o exercício orçamental de 2023, o custo global destas despesas foi estimado em 3,474 biliões de francos guineenses, correspondendo a 1,7% do PIB nominal e a cerca de 15% das receitas fiscais totais arrecadadas.

Estas despesas fiscais correspondem a renúncias deliberadas de receitas por parte do Estado com o objetivo de apoiar determinadas políticas públicas destinadas a melhorar o poder de compra dos cidadãos e a estimular o investimento em setores económicos estratégicos.

Orientação e objetivos das isenções

A análise dos dados de 2023 mostra que as despesas fiscais beneficiam principalmente as empresas, que constituem a maioria dos beneficiários, seguidas pelos agregados familiares. Os setores mais abrangidos pelas medidas de incentivo são o setor social (20,3%), a mineração (14,3%), a indústria (8,2%), bem como a saúde e a higiene.

O relatório de 2023 indicava igualmente que, do ponto de vista jurídico, as despesas fiscais decorrentes do Código de Investimentos foram as mais penalizadoras para o orçamento do Estado. Esta base legal esteve na origem de 32,6% da perda total de receitas fiscais. No total, foram identificadas 182 medidas de despesa fiscal relativas ao exercício de 2023.

Segundo a Ministra da Economia, estas isenções devem produzir efeitos mensuráveis em termos de criação de valor acrescentado, emprego, transferência de competências e alargamento da base tributária. Mariama Ciré Sylla afirma pretender reforçar a transparência da gestão das finanças públicas através de um enquadramento mais estruturado das despesas fiscais.

A criação do Comité Nacional insere-se nesta lógica e constitui uma etapa importante na revisão do sistema de concessão e acompanhamento dos benefícios fiscais na Guiné.

Chamberline Moko

A Eskom prossegue o seu objetivo de eliminar totalmente os cortes programados de eletricidade até 2027. Esta estratégia assenta, nomeadamente, na instalação de contadores inteligentes e no reforço da capacidade da rede elétrica.

A Eskom, empresa pública sul-africana de fornecimento de eletricidade, retirou mais de 714 513 clientes do seu programa de redução de carga («load reduction»), o que representa mais de 42% dos agregados familiares abrangidos pelo programa nacional. O anúncio foi feito pelo Governo sul-africano num comunicado publicado na segunda-feira, 8 de junho.

«O programa abrange 971 linhas de alimentação e beneficiará cerca de 1,69 milhões de clientes em todas as províncias, num universo total de 7,2 milhões de clientes servidos pela Eskom», refere o comunicado. As províncias do Cabo Setentrional e do Cabo Ocidental já eliminaram completamente as medidas de redução de carga.

Para atingir os seus objetivos, a Eskom aposta, entre outras medidas, na instalação de contadores inteligentes, na integração de recursos energéticos distribuídos e na expansão do programa de eletricidade básica gratuita destinado aos agregados familiares mais vulneráveis. Desde o lançamento do programa, foram instalados 1,6 milhões de contadores inteligentes em todo o país, dos quais cerca de 295 500 nas zonas prioritárias afetadas pelas reduções de carga.

A empresa esclarece que estas intervenções visam sobretudo áreas confrontadas com ligações ilegais à rede, manipulação de contadores, sobrecarga das infraestruturas e furtos de eletricidade, fatores que exercem uma forte pressão sobre a rede nacional.

Contudo, a implementação dos contadores inteligentes enfrenta vários obstáculos. A Eskom indica que as suas equipas são regularmente confrontadas com atos de intimidação, incidentes violentos e interrupções dos trabalhos, apesar das campanhas de sensibilização realizadas junto das comunidades e das autoridades locais. Estes constrangimentos já provocaram o adiamento da conversão de mais de 122 000 contadores.

Progressos na estabilidade da rede elétrica

Este anúncio surge num contexto em que a África do Sul continua a enfrentar uma crise energética crónica. Em maio passado, a empresa anunciou a intenção de reduzir ou mesmo interromper o fornecimento de eletricidade a determinados pontos de abastecimento grossista destinados à cidade de Joanesburgo e à empresa City Power, devido a uma dívida em atraso estimada em cerca de 5,2 mil milhões de rands (aproximadamente 315 milhões de dólares), à qual se acrescenta uma fatura adicional de 1,58 mil milhões de rands.

Apesar disso, registam-se alguns sinais de melhoria. A Eskom afirma ter ultrapassado a marca de 385 dias sem recorrer ao «load shedding» (cortes programados de eletricidade). Além disso, o fator de disponibilidade energética das centrais atingiu 63,05% desde o início do exercício financeiro, contra 57,67% no mesmo período do ano anterior. A empresa atribui esta evolução à redução das avarias imprevistas e à melhoria da fiabilidade das suas unidades de produção.

«Com o objetivo de reforçar a estabilidade do fornecimento de eletricidade, a Eskom colocará em serviço 3 903 MW de capacidade adicional de produção antes do pico de consumo desta noite», acrescenta o comunicado.

Carelle Yourann (estagiária)

Num contexto marcado pela volatilidade dos mercados energéticos e por uma dependência persistente dos combustíveis fósseis, a União Europeia reforça a sua cooperação com os países do sul do Mediterrâneo através de uma nova iniciativa dedicada à transição energética e industrial.

A União Europeia apresentou, no dia 9 de junho, o programa Trans-Mediterranean Renewable Energy and Clean Tech Cooperation (T-MED), uma iniciativa destinada a mobilizar até 25 mil milhões de euros em investimentos até 2035 nas energias renováveis, no hidrogénio e nas tecnologias limpas. Integrado no âmbito do Pacto para o Mediterrâneo, lançado em novembro de 2025, este mecanismo visa estruturar um espaço energético mais integrado entre as duas margens do Mediterrâneo, atribuindo um papel central à Comissão Europeia e aos seus parceiros financeiros.

A UE coloca, nomeadamente, mais de 5 mil milhões de euros em garantias através do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Sustentável Plus (FEDS+), com o objetivo de impulsionar os investimentos públicos e privados.

«Esta iniciativa servirá tanto os interesses da Europa como os da região, reduzindo a exposição aos choques dos preços dos combustíveis fósseis», declarou o Comissário Europeu para a Energia e Habitação, Dan Jørgensen.

Um mecanismo de financiamento baseado no efeito de alavanca público-privado

O T-MED assenta numa arquitetura estruturada em torno de cinco eixos principais. O primeiro diz respeito à mobilização de investimentos através da cooperação entre as instituições europeias, os bancos multilaterais e o setor privado. O segundo visa apoiar reformas regulamentares nos países parceiros, de forma a melhorar o ambiente de negócios, simplificar os procedimentos de licenciamento e reduzir os obstáculos ao investimento no setor energético.

O terceiro eixo centra-se no desenvolvimento de competências, através de programas de formação e de parcerias académicas nas áreas da engenharia, das tecnologias digitais e das finanças verdes. O quarto diz respeito às infraestruturas, nomeadamente à modernização das redes elétricas e ao desenvolvimento de interligações transfronteiriças. Por fim, o quinto eixo apoia a criação de cadeias industriais locais no domínio das tecnologias limpas.

Os projetos visam, em particular, centrais solares, parques eólicos, produção de hidrogénio por eletrólise, bem como a modernização das redes elétricas em vários países mediterrânicos. A médio prazo, o programa pretende desenvolver cerca de 15 GW de capacidade renovável e criar mais de 100 mil empregos nos setores associados.

A iniciativa baseia-se numa realidade energética estrutural. A região do Médio Oriente e Norte de África dispõe de um potencial de energias renováveis estimado em cerca de 2 300 GW, ou seja, mais do dobro da capacidade atualmente instalada na União Europeia. Os custos de produção da energia solar e eólica são igualmente entre 30% e 40% inferiores aos registados na Europa.

Apesar desta vantagem comparativa, a dependência persistente dos hidrocarbonetos continua a expor muitos países às flutuações dos preços mundiais e às tensões geopolíticas. Para Bruxelas, o desenvolvimento das energias renováveis responde, assim, a um duplo objetivo: acelerar a descarbonização e reforçar a segurança energética através da diversificação das fontes de abastecimento.

Ambições elevadas perante os desafios da implementação

Embora o objetivo de mobilizar 25 mil milhões de euros represente um passo importante, a sua concretização dependerá da capacidade de atrair de forma sustentável o capital privado e de implementar as reformas estruturais necessárias nos países parceiros.

A experiência do projeto Desertec, na década de 2010, recorda as limitações das grandes ambições de integração energética quando estas se confrontam com constrangimentos financeiros e políticos. As próximas etapas serão decisivas: lançamento de convites à manifestação de interesse junto de investidores privados, instalação da plataforma T-MED ainda durante este ano e primeiras cooperações industriais previstas a partir de 2027.

Para além dos anúncios, o desafio para a União Europeia será transformar um potencial energético amplamente reconhecido em infraestruturas concretas e em cadeias de valor industriais partilhadas entre as duas margens do Mediterrâneo.

Olivier de Souza

Após uma primeira digressão por cinco países da África Ocidental, o Presidente beninense Romuald Wadagni deslocou-se a Dakar, Bamaco e Bissau com o objetivo de consolidar as relações bilaterais e promover uma maior integração regional.

O Presidente beninense Romuald Wadagni prosseguiu, na terça-feira, 9 de junho, a sua digressão diplomática pela África Ocidental com visitas ao Senegal, Mali e Guiné-Bissau.

Esta série de deslocações insere-se numa estratégia destinada a reforçar a cooperação entre os países membros da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) e a aprofundar o diálogo sobre questões económicas, de segurança e políticas.

O Senegal, primeira etapa da digressão

Em Dakar, os encontros com o seu homólogo, Bassirou Diomaye Faye, centraram-se no reforço das relações bilaterais, nas perspetivas de cooperação económica e financeira, bem como nos principais desafios enfrentados pela África Ocidental.

Os dois dirigentes abordaram igualmente as questões relacionadas com a integração regional e a estabilidade da sub-região. Num contexto marcado por persistentes tensões de segurança e desafios económicos comuns, manifestaram a sua vontade de «dar um novo impulso» à parceria entre os dois países e de promover uma cooperação mais estreita entre os Estados da África Ocidental.

Bamaco: cooperação económica e segurança no centro das discussões

A visita ao Mali constituiu outra etapa importante desta digressão. Em Bamaco, as conversações com o Presidente Assimi Goïta incidiram sobre as perspetivas de cooperação económica, comercial e cultural. Os dois responsáveis acordaram relançar os mecanismos de concertação bilateral, nomeadamente através da realização da segunda sessão da Grande Comissão Mista de Cooperação Benim-Mali.

A situação de segurança no Sahel ocupou igualmente um lugar central nas discussões. Os dirigentes insistiram na necessidade de reforçar a coordenação regional face às ameaças terroristas e aos desafios transfronteiriços, reafirmando simultaneamente o seu apego aos princípios da soberania, da integridade territorial e da não ingerência, bem como a necessidade de uma coordenação reforçada no combate ao terrorismo e às ameaças transnacionais.

Última etapa na Guiné-Bissau

Após Dakar e Bamaco, o Presidente beninense deslocou-se à Guiné-Bissau, onde foi recebido pelo seu homólogo guineense-bissauense. As discussões centraram-se principalmente no reforço da cooperação bilateral e nas questões relacionadas com o desenvolvimento económico e a estabilidade política da África Ocidental.

Este encontro permitiu aos dois dirigentes reafirmar a sua vontade de trabalhar em conjunto para consolidar os laços entre os seus países e contribuir para os esforços de integração regional.

Uma diplomacia de proximidade assumida

Esta nova sequência diplomática ocorre poucos dias após uma primeira digressão que levou o Chefe de Estado beninense à Nigéria, ao Níger, ao Burkina Faso, ao Togo e à Costa do Marfim. Insere-se na continuidade da estratégia diplomática desenvolvida por Romuald Wadagni desde a sua chegada à presidência.

Durante essa primeira viagem regional, o Presidente Wadagni obteve, nomeadamente, avanços significativos com o Níger, que se comprometeu a reabrir a sua fronteira com o Benim, encerrada desde 2023.

Foram igualmente registados progressos com o Burkina Faso nas questões de transporte e comércio, enquanto os contactos com a Nigéria e a Costa do Marfim permitiram consolidar as parcerias económicas e de segurança já existentes.

Para além das visitas protocolares, esta iniciativa traduz a vontade do Benim de reforçar o seu papel no espaço da África Ocidental. O desafio é duplo: consolidar as relações com os seus vizinhos imediatos e contribuir para uma aproximação entre a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a Aliança dos Estados do Sahel (AES), num contexto regional marcado por profundas recomposições políticas e de segurança.

Através desta digressão, o Sr. Wadagni procura posicionar o Benim como um ator de diálogo e cooperação, defendendo simultaneamente os interesses económicos de um país cuja prosperidade depende também da integração regional e da fluidez das trocas comerciais com os seus vizinhos.

Charlène N’dimon

 

Terceiro maior produtor mundial de grafite, atrás da China e de Madagáscar, o Moçambique procura agora valorizar melhor este recurso no âmbito de uma política anunciada este mês. No entanto, esta orientação levanta algumas incertezas quanto ao modelo de vários projetos já em curso.

No país, a empresa britânica Total Graphite (anteriormente Tirupati Graphite) anunciou na segunda-feira, 8 de junho, a atualização do estudo de viabilidade do projeto de grafite de Montepuez. A iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla que visa direcionar a produção futura para uma unidade de processamento nos Estados Unidos.

Este modelo reforça uma estrutura já existente em torno da mina de Balama, operada pela empresa australiana Syrah Resources, que fornece matéria-prima para a fábrica de ânodos de baterias em Vidalia, nos Estados Unidos, apoiada financeiramente por Washington.

No caso de Montepuez, o objetivo é desenvolver uma cadeia vertical integrada, ligando a extração no Moçambique à produção de grafite purificado para ânodos (PSG) numa instalação industrial nos EUA.

Estratégia industrial e interesse americano

O grafite é um mineral crítico essencial para baterias, sobretudo de veículos elétricos. Atualmente, o mercado mundial continua fortemente dependente da China, que domina tanto a produção como o processamento.

Os Estados Unidos procuram reduzir essa dependência, diversificando as suas fontes de abastecimento — incluindo países como o Moçambique.

Segundo a direção da Total Graphite, a associação entre a mina de Montepuez e uma futura unidade de produção nos EUA representa uma estratégia de integração vertical ao longo da cadeia de valor do grafite.

Novas regras e incertezas

Contudo, a execução destes projetos enfrenta novas restrições. Um decreto recente do governo moçambicano proíbe a exportação de minerais em bruto ou semi-processados, exceto se houver um plano de refinação local aprovado.

Esta medida pode alterar profundamente os modelos de exportação baseados no envio de matéria-prima para processamento no estrangeiro, afetando potencialmente projetos como Montepuez e Balama.

Um setor sob pressão

Além das questões regulatórias, o setor enfrenta ainda a pressão de um mercado global caracterizado por excesso de oferta e preços baixos, dominado pela China. Nesse contexto, empresas como a Total Graphite estão a rever estratégias e opções de financiamento para manter a viabilidade dos seus investimentos.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Os Emirados Árabes Unidos estão a tornar-se um recurso cada vez mais visível para Estados africanos que procuram capital para o setor mineiro. Entre liquidez, ambições geopolíticas e zonas de sombra, as parcerias estabelecidas com Abu Dhabi estão longe de se limitar a uma simples generosidade financeira.

O Botswana está em negociações com os Emirados Árabes Unidos para adquirir uma participação estratégica na De Beers. O anúncio feito pelo presidente Duma Boko confirma uma tendência crescente no continente: a disponibilidade de Abu Dhabi para apoiar Estados africanos na mobilização de capital para o setor mineiro.

Segundo a Bloomberg, o Botswana procura parceiros fiáveis para financiar a compra de uma participação na De Beers, cuja fatia de 85% está a ser vendida pela Anglo American. O país já detém 15% da empresa e pretende reforçar o seu controlo sobre a produção e comercialização de diamantes, que representam cerca de 80% das exportações nacionais e quase um quarto do PIB.

A queda dos preços dos diamantes, o abrandamento da procura chinesa e a concorrência das pedras sintéticas fragilizaram as finanças públicas, levando mesmo a uma revisão em baixa da notação soberana do Botswana pela S&P Global. Para esta operação, o país também explorou contactos com Omã, Angola e Namíbia, mas são sobretudo os Emirados Árabes Unidos e Omã que se afirmam como parceiros preferenciais.

Uma presença cada vez mais estratégica

Nos últimos anos, os Emirados Árabes Unidos têm participado em várias operações estratégicas em África. Na República Democrática do Congo, o grupo emiratense Primera criou a empresa Primera Gold para formalizar e exportar ouro artesanal, aumentando drasticamente as exportações oficiais.

Na Zâmbia, a empresa ligada à International Holding Company adquiriu uma participação maioritária na Mopani Copper Mines, um dos maiores ativos de cobre do continente, num contexto de forte endividamento e necessidade de investimento.

Interesses que vão além do financeiro

Esta presença recorrente dos Emirados em projetos mineiros africanos não é apenas financeira. O país posiciona-se como um investidor-chave na aquisição de minerais críticos como cobre, cobalto e lítio, essenciais para a transição energética global.

Segundo centros de investigação como o Arab Gulf States Institute, esta estratégia faz parte de uma política de diversificação económica pós-petróleo. Paralelamente, instituições como o ECFR destacam o papel crescente dos Emirados na gestão de portos e corredores logísticos africanos, reforçando a sua posição como hub comercial global.

Riscos e zonas de sombra

Apesar das oportunidades, persistem preocupações. Relatórios de ONG como a SWISSAID indicam que grandes volumes de ouro africano podem ter passado por circuitos ilegais ligados aos Emirados, levantando questões sobre transparência e perda de receitas fiscais para os Estados africanos.

Além disso, muitos acordos permanecem pouco transparentes, dificultando a avaliação real dos benefícios para os países envolvidos.

Um equilíbrio ainda a construir

Para os Estados africanos, os capitais do Golfo representam uma oportunidade importante num contexto de escassez de investimento tradicional. No entanto, o desafio central continua a ser a definição de condições que garantam transparência, valor justo dos ativos e maior benefício local, incluindo a transformação dos recursos no próprio continente.

Emiliano Tossou

 

A Mauritânia pretende transformar a inteligência artificial num novo pilar da sua estratégia digital. Neste contexto, o país contou com o apoio de um parceiro técnico e financeiro de referência.

Numa publicação na rede social Facebook, na segunda-feira, 8 de junho, as autoridades mauritanas anunciaram um acordo com o Banco Mundial para mobilizar financiamento adicional no âmbito do WARDIP, um programa regional dedicado à integração digital na África Ocidental.

O objetivo é integrar de forma explícita o desenvolvimento de infraestruturas de dados dedicadas à inteligência artificial, a formação de competências locais e a criação de sistemas inteligentes em vários setores económicos.

O acordo foi alcançado durante uma reunião entre o ministro Ahmed Salem Bede e uma delegação liderada por Michel Rogy, acompanhado por Jana Kunicova e Éric Dunand, responsável pelo projeto relativo à Mauritânia.

Num contexto em que a IA se afirma como um dos motores centrais da transformação digital global, as iniciativas nesta área multiplicam-se rapidamente. Segundo um relatório da Banco Africano de Desenvolvimento publicado a 12 de dezembro de 2025, a adoção inclusiva da IA poderá gerar um impacto profundo na economia africana.

As projeções indicam até 1 bilião de dólares adicionais no PIB africano até 2035, representando cerca de um terço da produção atual do continente, impulsionados por ganhos de produtividade na agricultura, saúde, educação e serviços financeiros.

Lançado em novembro de 2023 com uma dotação inicial de 266,5 milhões de dólares para quatro países, incluindo a Mauritânia, o WARDIP focava-se sobretudo em banda larga, serviços financeiros digitais e e-governo. A componente mauritana, avaliada em 60 milhões de dólares, foi oficialmente iniciada em 2024. Em março de 2026, uma segunda fase de 137 milhões de dólares alargou o programa a Benim, Libéria e Serra Leoa, embora ainda sem um componente estruturado dedicado à IA.

Adoni Conrad Quenum

 

Enquanto a revolução da inteligência artificial transforma profundamente os mercados de trabalho a nível global, a Argélia está a acelerar a digitalização do ensino superior para dotar a sua juventude das competências exigidas pela economia do futuro.

O governo argelino tem vindo a multiplicar os investimentos em tecnologias educativas para preparar a sua força de trabalho para as exigências da economia digital. Neste contexto, o ministro do Ensino Superior e da Investigação Científica, Kamel Baddari, presidiu na segunda-feira, 8 de junho, à inauguração de um novo centro em Sidi Abdellah.

Trata-se do primeiro centro nacional dedicado às tecnologias educativas e à inovação no ensino virtual. Instalado no Polo Científico Chahid Abdelhafid-Ihaddaden, o centro representa um marco na transformação digital da universidade argelina.

O edifício está equipado com meios destinados à promoção do ensino virtual, incluindo infraestruturas e plataformas digitais. Segundo o ministro, o centro mobiliza também competências capazes de enquadrar e regular o uso da inteligência artificial, integrando ainda especializações em inovação e um quadro ético para a utilização destas tecnologias.

O projeto resulta de uma iniciativa do professor Elias Zerhouni e foi desenvolvido em colaboração com o professor Mustapha Khiati, com o objetivo de criar um sistema virtual integrado e multilingue que cubra todos os domínios científicos nacionais.

Formação e emprego como desafio estrutural

A iniciativa surge num contexto de elevado desemprego juvenil, que atingia 29,3% entre os jovens dos 16 aos 24 anos em outubro de 2024. Segundo o Office National des Statistiques (ONS), os diplomados do ensino superior representam 31,4% dos desempregados.

Esta discrepância entre formação e mercado de trabalho é apontada como um problema estrutural também por agências internacionais. Para responder a este desafio, o governo orientou 65% dos novos estudantes para áreas científicas no ano letivo 2025–2026 e lançou o programa “Chabab Tech” para formar jovens em cloud, cibersegurança e inteligência artificial.

Estas medidas integram a estratégia “Argélia Digital 2030”, que ambiciona formar 500 mil especialistas em tecnologias digitais. O mercado de inteligência artificial no país deverá atingir 498,9 milhões de dólares em 2025 e poderá chegar a 1,69 mil milhões em 2030.

Félicien Houindo

 

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