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Equipe Publication

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Há alguns anos, Kinshasa e o Cairo têm vindo a intensificar as suas relações bilaterais. O objetivo é aumentar o volume das suas trocas comerciais, ainda relativamente limitadas.

O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, e o seu homólogo egípcio, Abdel Fattah Al-Sissi, assinaram novos instrumentos de cooperação bilateral. A informação foi divulgada num comunicado publicado pelo Governo congolês na quarta-feira, 10 de junho.

«Trata-se do memorando de entendimento (MoU) sobre consultas políticas e diplomáticas; do Acordo para a criação de um pavilhão de cirurgia cardiovascular no Centro Hospitalar La Renaissance (antigo Hospital Mama Yemo); do memorando de entendimento (MoU) relativo à cooperação bilateral no desenvolvimento urbano e na gestão das cidades; e do protocolo de acordo para o reforço das relações bilaterais de investimento», especifica o comunicado.

Uma cooperação bilateral em plena intensificação

A assinatura teve lugar no âmbito da visita oficial de quarenta e oito horas do Chefe de Estado congolês, a convite do seu homólogo egípcio. Esta visita insere-se na dinâmica de reforço das parcerias da RDC em África. O país procura, de facto, atrair mais investimentos e conhecimento técnico para apoiar as suas ambições de desenvolvimento.

Desde 2019, as relações entre os dois países têm-se intensificado, com uma cooperação alargada a setores como a saúde, as infraestruturas, a energia, a formação técnica e a gestão urbana.

Esta dinâmica foi consolidada em novembro de 2024 com a assinatura de um acordo-quadro de parceria e a criação de um mecanismo que facilita a isenção de vistos para titulares de passaportes diplomáticos e de serviço, marcando uma etapa importante na aproximação bilateral.

No plano económico, Kinshasa e o Cairo procuram igualmente estruturar melhor as suas trocas comerciais. Um memorando de entendimento assinado em maio de 2025 prevê a criação de uma Câmara de Comércio RDC–Egito em Kinshasa, destinada a estimular o investimento e a apoiar as empresas em setores prioritários como as infraestruturas, a agricultura, as tecnologias e a indústria.

Apesar de as trocas comerciais continuarem limitadas, ambas as partes demonstram uma vontade comum de intensificar as suas relações económicas, ilustrada, nomeadamente, pela realização da primeira Semana Económica Egípcia em Kinshasa, em 2024. Para o Egito, esta aproximação faz parte de uma estratégia de expansão diplomática e económica na África Subsaariana.

Em 2024, as exportações egípcias para a RDC ascenderam a 17,1 milhões de dólares, registando uma diminuição e sendo compostas principalmente por produtos industriais. Por sua vez, a RDC exportou 662 milhões de dólares para o Egito, sobretudo cobre e outras matérias-primas minerais, segundo o Observatório da Complexidade Económica (OEC).

Carelle Yourann (estagiária)

Perante um mercado de trabalho que rejeita mais de um terço dos seus próprios diplomados, o Burkina Faso está a avançar com uma reforma estrutural do ensino superior. O objetivo é transformá-lo num verdadeiro motor de empregabilidade, indo além da simples emissão de diplomas.

O Burkina Faso deu um passo importante na reforma do seu ensino superior. O país pretende integrar o empreendedorismo como disciplina transversal obrigatória em todos os cursos de Licenciatura e Mestrado. Esta orientação resulta dos trabalhos de 36 comissões de peritos reunidas de terça-feira 9 a quinta-feira 11 de junho, no âmbito da Iniciativa Presidencial para uma Educação de Qualidade para Todos (IPEQ). A restituição dos trabalhos teve lugar na Universidade Joseph Ki-Zerbo, em Ouagadougou, sob a coordenação da Direção-Geral do Ensino Superior (DGeSup).

Formar diplomados capazes de criar, não apenas de procurar emprego

Segundo o comunicado oficial, o aspeto mais marcante desta reforma é a introdução de novas disciplinas transversais em todos os programas. O empreendedorismo está entre os módulos escolhidos, juntamente com o inglês, o desporto e as línguas nacionais. A formação cívica e patriótica completa o dispositivo.

Honorat Roger Charles Nébié, diretor de gabinete do ministro, explicou o objetivo, afirmando que esta revisão visa “endogeneizar e harmonizar o conteúdo do ensino superior no Burkina Faso”. Estes módulos tornam-se obrigatórios tanto nas instituições públicas como nas instituições privadas de ensino superior (IPES).

Esta ambição pedagógica está inserida numa lógica política assumida. Gnidouba Roger Lanou, diretor-geral do ensino superior, enquadra a reforma no decreto de 2018. Segundo ele, os currículos devem integrar “elementos de profissionalização” e “valores destinados a formar o cidadão de amanhã”.

Esta abordagem revela uma dupla ambição: por um lado, alinhar a formação académica com as exigências do mercado; por outro, construir um projeto de formação cívica alinhado com as orientações da transição política. No entanto, este objetivo confronta-se com uma realidade estatística difícil de ignorar.

Um paradoxo estrutural que a reforma pretende corrigir

A iniciativa surge num contexto em que o desfasamento entre formação e inserção profissional permanece elevado no Burkina Faso. O Instituto Nacional de Estatística e Demografia (INSD) documenta esta realidade. Segundo o seu Inquérito Nacional Semestral sobre o Emprego (ENES), a taxa de desemprego nacional era de 3,5 % em 2024. Contudo, este valor esconde dificuldades muito maiores para os diplomados do ensino superior.

O INSD mostra que o desemprego aumenta com o nível de escolaridade. Os diplomados do ensino superior apresentam uma taxa aproximadamente duas vezes superior à dos indivíduos com apenas ensino primário. Este paradoxo desenvolve-se num contexto económico dominado pela informalidade. O ENES indica que 93,5 % dos empregos eram informais em 2024, valor que subiu para 95,7 % no primeiro semestre de 2025.

Neste contexto, a simples revisão curricular não será suficiente para colmatar este desfasamento estrutural. Ainda assim, a introdução do empreendedorismo desde a Licenciatura representa um sinal de rutura com uma universidade historicamente pouco conectada ao mercado de trabalho. O impacto real da reforma dependerá da sua implementação pedagógica e dos recursos efetivamente mobilizados.

Félicien Houindo Lokossou

 

Num contexto de tensões geopolíticas renovadas em torno do nuclear, a Costa do Marfim acolhe o primeiro atelier regional de reforço de capacidades africanas francófonas no dispositivo mundial de deteção de testes nucleares.

A África francófona passa a assumir um papel mais ativo na análise dos sinais da rede global de deteção de testes nucleares. Um primeiro atelier regional decorre em Abidjan, de segunda-feira 8 a sexta-feira 12 de junho. A organização cabe à Organização do Tratado de Proibição Completa de Ensaios Nucleares (OTICE), que reúne especialistas e responsáveis de Centros Nacionais de Dados (CND) da região. O encontro realiza-se em cooperação com o Ministério do Ensino Superior e da Investigação Científica da Costa do Marfim.

As sessões centram-se nos dados do Sistema de Vigilância Internacional (SSI), incluindo também os produtos do Centro Internacional de Dados (CID). O programa abrange a análise sísmica, infrassónica e hidroacústica. Uma formação prática sobre o software NDC-in-a-Box, ferramenta destinada aos centros nacionais, completa os trabalhos.

O ministro ivoiriense do Ensino Superior, Adama Diawara, definiu o objetivo: “trata-se de reforçar a capacidade dos nossos centros nacionais de dados para analisar, interpretar e utilizar estas informações de forma autónoma, rigorosa e operacional”, declarou na abertura.

A OTICE gere uma rede mundial de 337 estações de monitorização, das quais 34 estão instaladas em 22 países africanos. A Costa do Marfim contribui através das estações PS15 e IS17, geridas pela Estação Geofísica de Lamto. Estas estações transmitem dados continuamente ao centro de análise de Viena, segundo a OTICE. Reduzir esta dependência estrutural é um dos objetivos do atelier.

Yassine Chaari, responsável de formação na OTICE, destacou a ambição de “contribuir, através da ciência, da cooperação e da partilha de conhecimentos, para um mundo mais seguro e livre de testes nucleares”.

Esta iniciativa surge num momento em que o regime internacional de não proliferação continua fragilizado. O Tratado de Proibição Completa de Ensaios Nucleares (TPCEN) conta com 187 signatários e 178 ratificações, segundo a OTICE, mas ainda não entrou em vigor, uma vez que nove Estados não ratificaram o texto, incluindo a China, os Estados Unidos, a Índia e a Coreia do Norte. A Rússia revogou a sua ratificação em 2023.

Em setembro de 2025, a 14.ª Conferência do Artigo XIV apelou a uma ratificação “sem demora e sem condições”. O Secretário-Geral da ONU alertou no mesmo ano para o risco de um regresso aos testes nucleares. Neste contexto, o reforço das capacidades dos CND africanos surge como uma resposta concreta às fragilidades do regime global de verificação.

Félicien Houindo Lokossou

 

Blackground: murmúrios dos morros” apresenta-se como uma exposição que explora o continuum colonial e as marcas deixadas pela escravatura nos territórios ultramarinos, com obras que procuram ampliar as formas de memória e dar visibilidade aos gestos de resistência.

O CAPC Musée d’art contemporain de Bordeaux prepara-se para acolher “Blackground: murmúrios dos morros”, uma exposição coletiva de grande escala que reúne cerca de cinquenta artistas. O evento decorrerá de 12 de junho de 2026 a 28 de março de 2027, em Bordeaux, com uma inauguração prevista para 11 de junho, oferecendo ao público um amplo panorama da criação contemporânea através de obras e práticas artísticas diversas.

Este encontro artístico mergulha na história dos povos colonizados, procurando reconstituir marcas, vestígios e memórias de um período determinante da história colonial.

“É também reconhecer que o sistema escravocrata implantado a partir do século XVII nestes territórios, associado ao desenvolvimento do chamado tráfico negreiro, deixou marcas profundas nas terras, nos corpos e nas mentes, para além da sua abolição oficial em 1848”, refere a plataforma digital Bordeaux Culture.

As obras apresentadas contribuem para alargar as formas de memória, evidenciar os silêncios da história e dar visibilidade às diferentes formas de resistência. Levam o público aos mornes, refúgios do marronage, onde ecoam gritos e murmúrios, recusando ao mesmo tempo a espetacularização da violência.

“Murmúrios dos morros”: um percurso artístico contra o esquecimento

Será também organizado um percurso inaugural a partir de sábado, 13 de junho, em vários pontos da cidade de Bordeaux, incluindo o Musée d’Aquitaine, que retrata as ligações da cidade com a escravatura. O percurso continuará na Bibliothèque municipale de Mériadeck, no Fonds régional d’art contemporain da região Nouvelle-Aquitaine (Frac MÉCA) e na Fabrique Pola, um importante espaço de criação artística e cultural.

Blackground desenvolve-se através de exposições distribuídas por estes diferentes locais. Cada núcleo é concebido em função do espaço que o acolhe: plantações e monumento no CAPC, reflexão sobre a água no Frac, textos de Condé, Davis e Césaire em Mériadeck, e obras inseridas no percurso do Musée d’Aquitaine. Mais tarde, o artista visual Simon Gabourg desenvolverá, nos Arquivos Metropolitanos de Bordeaux, um projeto sobre a história da borracha entre Guadalupe, França e Vietname.

O papel de Bordeaux no tráfico negreiro

Bordeaux é um dos portos franceses mais marcados pela história do tráfico de escravos e da escravatura, e a cidade assume hoje esse passado através de monumentos, museus e percursos memoriais.

Hoje assumido, o passado negreiro da cidade de Bordeaux é exposto no espaço público. […] Esta ferramenta disponibilizada a todos testemunha o desenvolvimento da política memorial da cidade, com o objetivo de dar a conhecer melhor a sua história e o seu compromisso na homenagem às vítimas da escravatura e do tráfico negreiro e das suas abolições”, lê-se na plataforma Memória da Escravatura e do Tráfico Negreiro – Bordeaux.

Segundo o mesmo documento, o tráfico negreiro de Bordeaux representa 480 expedições entre 1672 e 1837, conduzidas por cerca de 180 armadores e responsáveis pela deportação de 120 000 a 150 000 pessoas.

Ubrick F. Quenum

 

Com a aceleração da transformação digital, a procura por serviços financeiros digitais aumenta de forma significativa. Os operadores de telecomunicações procuram assim posicionar-se neste mercado em forte crescimento.

O grupo MTN anunciou na segunda-feira, 8 de junho, uma parceria com o fornecedor de soluções de pagamentos digitais Ant International para acelerar a transformação do seu negócio de mobile money. A colaboração visa evoluir a plataforma para uma superaplicação, à semelhança do M-Pesa da Safaricom.

Numa primeira fase, o projeto será implementado na Nigéria a partir do terceiro trimestre. A nova plataforma terá um âmbito mais amplo, capaz de integrar diferentes serviços ligados às finanças digitais, ao comércio e às necessidades do quotidiano. Esta evolução permitirá também introduzir miniaplicações, reforçar os mecanismos de combate à fraude e oferecer uma experiência mais fluida entre utilizadores e comerciantes.

Segundo Ralph Mupita, presidente executivo do grupo MTN, esta parceria reflete a vontade da empresa de “transformar a experiência do cliente em larga escala, oferecendo uma plataforma MoMo mais fluida, segura e intuitiva, promovendo a inclusão digital e uma participação económica mais ampla”.

Ambição 2030: expansão do ecossistema fintech

Esta iniciativa insere-se na estratégia “Ambition 2030” do grupo MTN. No seu pilar fintech, o grupo destaca as perspetivas de crescimento a médio e longo prazo associadas à expansão dos serviços financeiros digitais.

Duas prioridades estruturam esta ambição: o desenvolvimento do ecossistema e a aceleração dos serviços avançados. O objetivo é reforçar a profundidade da plataforma, alargando o acesso a serviços como crédito, seguros, pagamentos e transferências de dinheiro, consolidando a inclusão financeira e promovendo um crescimento sustentável.

Neste contexto, a empresa tinha vendido em 2024 uma participação minoritária na sua unidade fintech à Mastercard, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento do ecossistema. As duas entidades colaboraram posteriormente no lançamento de cartões de pagamento virtuais.

Dinâmica crescente das superapps em África

Esta iniciativa surge num momento em que os operadores de telecomunicações africanos procuram expandir a sua oferta de serviços financeiros para além das simples transações. No entanto, o conceito de “superapp” não é novo no continente.

A Safaricom e o Vodacom Group já avançaram nesta direção através do M-Pesa, considerado um dos pioneiros do mobile money em África. Em junho de 2021, a Safaricom lançou a M-Pesa Super App, bem como uma versão dedicada a empresas, introduzindo funcionalidades como modo offline e miniaplicações integradas.

Estas miniaplicações permitem aceder, dentro do ecossistema M-Pesa, a serviços como entregas, reservas de bilhetes, comércio, serviços administrativos, seguros e outras soluções fornecidas por empresas privadas, entidades públicas e prestadores de serviços essenciais.

Outros operadores também lançaram superapps com uma abordagem mais generalista, como o Max It da Orange. A aplicação integra serviços de telecomunicações, gestão de linhas móveis e fixas, além do Orange Money, que inclui transferências, pagamentos, crédito e poupança. Inclui ainda comércio eletrónico, conteúdos digitais (jogos, música, TV, vídeos, notícias) e uma bilheteira digital para eventos, concertos e transportes.

Isaac K. Kassouwi

 

Em África, a transformação digital mede-se também pela sua capacidade de criar oportunidades económicas, reforçar a empregabilidade e promover a inclusão das populações mais vulneráveis. É sob esta perspetiva que a Orange Côte d’Ivoire (Orange CI) apresenta, no seu relatório anual integrado de 2025, as iniciativas implementadas para alargar o impacto do digital para além da simples conectividade.

Com um volume de negócios consolidado de 1 197,1 mil milhões de FCFA (2,1 mil milhões de dólares) em 2025, em crescimento de 10,4 % num ano, a Orange Côte d’Ivoire confirma a sua posição entre os principais atores do setor digital na África Ocidental, segundo o seu relatório anual integrado de 2025.

O grupo registou igualmente um EBITDAaL de 424,1 mil milhões de FCFA, representando 35,4 % do seu volume de negócios. Este desempenho baseia-se no aumento dos usos digitais. No seu perímetro consolidado, a base de clientes móveis atingiu 37,6 milhões de assinantes (+8,6 %), enquanto o número de clientes Orange Money cresceu 10,2 %, alcançando 40,4 milhões. A fibra ótica continua também a sua expansão, com 493 933 assinantes, um crescimento de quase 60 % num ano.

Para além destes resultados, o grupo destaca uma ambição mais ampla: utilizar o digital como alavanca de inclusão, empregabilidade e desenvolvimento local.

Reduzir o fosso digital através do investimento

Em 2025, a Orange Côte d’Ivoire destinou 184 mil milhões de FCFA à expansão e modernização das suas infraestruturas, ou seja, 15,4 % do seu volume de negócios. Estes investimentos permitiram a instalação de 1 073 novos sites de telecomunicações, dos quais 70 % em zonas rurais. O grupo dispõe agora de 7 811 sites técnicos e apresenta uma cobertura 4G de 95,01 % da população da Costa do Marfim.

A empresa prosseguiu também os esforços para reforçar a resiliência energética da sua rede. Face às limitações de fornecimento elétrico observadas em vários países da região, 707 sites foram equipados com sistemas de energia solar em 2025.

Esta expansão das infraestruturas acompanha igualmente o desenvolvimento de novos usos. Com mais de 40 milhões de clientes Orange Money, o grupo tornou-se um ator central da inclusão financeira. Em torno destes serviços, formou-se um vasto ecossistema com mais de 360 000 pontos de venda e distribuição. Na Costa do Marfim, 67,4 % das compras do grupo são realizadas junto de fornecedores locais.

Apostar no capital humano

Há quase duas décadas que a Fundação Orange constitui o principal instrumento de intervenção social do grupo na Costa do Marfim, no Burkina Faso e na Libéria. Desde 2006, mais de 1 229 projetos foram desenvolvidos nos domínios da saúde, educação e desenvolvimento comunitário.

Em 2025, foram realizadas várias campanhas de prevenção e rastreio nos três países, nomeadamente sobre doenças cardiovasculares e cancros femininos. Na Costa do Marfim, milhares de pessoas beneficiaram de rastreios, enquanto no Burkina Faso e na Libéria centenas de mulheres foram acompanhadas no tratamento do cancro da mama e do colo do útero.

A Fundação intervém também em infraestruturas sociais de proximidade, através da construção de escolas, desenvolvimento de bibliotecas rurais, apoio a cantinas escolares, reabilitação de centros de saúde e programas de apoio às comunidades rurais. Desenvolve ainda programas de autonomização económica das mulheres, combinando agricultura sustentável e iniciativas ambientais.

Formação para profissões digitais

O outro pilar desta estratégia assenta nos Orange Digital Centers (ODC), espaços de formação, inovação e apoio à empregabilidade. Em 2025, mais de 14 500 beneficiários foram acompanhados nos três países onde o grupo opera.

As formações abrangem áreas como desenvolvimento web, cibersegurança, inteligência artificial, manutenção de smartphones, produção audiovisual, efeitos visuais e empreendedorismo digital. Na Costa do Marfim, programas como Afro VFX, Boost by SIMA, Smart Repair e Creative Lab visam profissões emergentes das indústrias criativas e digitais. Na Libéria, algumas iniciativas exploram o uso de drones e tecnologias digitais na agricultura.

O digital ao serviço da inclusão

O relatório destaca também a importância da inclusão das mulheres na economia digital, através de iniciativas como Maisons Digitales, Women In Action, Digital O’Féminin Tour, FemTech e Women Digital Centers, com o objetivo de facilitar o acesso a competências digitais e oportunidades empreendedoras.

Esta abordagem estende-se igualmente às novas gerações através de programas como Escolas Digitais, Génération Orange, SuperCodeurs e For Good Connections, que combinam equipamento escolar, formação de professores, iniciação à programação e sensibilização para o uso responsável das tecnologias.

Por fim, a análise de dupla materialidade realizada em 2025 mostra que as expectativas das partes interessadas vão além da cobertura de rede ou da qualidade de serviço. A proteção de dados pessoais, a cibersegurança, a inovação responsável e a governação são agora considerados temas estratégicos.

Esta evolução ilustra a transformação do papel dos operadores de telecomunicações nas economias africanas. Para além da conectividade, espera-se cada vez mais que contribuam para o desenvolvimento de competências, a inclusão e a transição digital dos territórios.

Moutiou Adjibi Nourou

 

Para além da exploração dos recursos naturais, o Moçambique procura reforçar a sua atratividade económica através da melhoria da fluidez das trocas comerciais. As autoridades têm vindo a intensificar ações para modernizar as infraestruturas que sustentam o comércio regional.

O Governo moçambicano autorizou o lançamento de concursos internacionais para a concessão do porto seco de Moatize, na província de Tete, bem como dos postos de fronteira de balcão único de Calómuè e Zóbwè. Estas infraestruturas serão desenvolvidas no âmbito de parcerias público-privadas (PPP), com o objetivo de mobilizar capital privado e aproveitar a experiência técnica de operadores especializados.

O porto seco de Moatize deverá reforçar as capacidades de manuseamento, armazenamento e distribuição de mercadorias no centro do país, consolidando a província de Tete como uma plataforma logística estratégica. Já os postos de fronteira de Calómuè e Zóbwè deverão facilitar o comércio transfronteiriço, reduzir os tempos de passagem de mercadorias e melhorar a integração do Moçambique nos corredores comerciais regionais.

Foi também aprovado um contrato de parceria público-privada para um Sistema Integrado de Gestão e Monitorização dos Transportes Rodoviários (SIGMTR). O projeto abrange a conceção, financiamento, operação e manutenção do sistema, com eventual transferência para o Estado no final da concessão.

Estas iniciativas inserem-se numa estratégia mais ampla de otimização dos corredores logísticos moçambicanos, que inclui a expansão da capacidade portuária, a reabilitação da rede ferroviária, o desenvolvimento de plataformas logísticas multimodais, a modernização dos terminais de carga, a digitalização dos procedimentos aduaneiros e a implementação de soluções inteligentes de gestão da cadeia de abastecimento.

Esta estratégia surge num contexto em que o país procura afirmar-se como um hub logístico na África Austral, enquanto as dificuldades operacionais registadas nos últimos anos em algumas infraestruturas sul-africanas evidenciam a necessidade de diversificar os principais eixos de transporte e abastecimento na região.

Vários projetos estruturantes já estão em curso. O porto de Maputo está a beneficiar de um programa de expansão apoiado por um investimento de 165 milhões de dólares anunciado pela DP World. Em paralelo, o Governo prossegue a modernização do porto da Beira, principal saída marítima do corredor central.

No setor ferroviário, cerca de 218 milhões de dólares estão a ser mobilizados para modernizar a ligação Maputo–África do Sul, enquanto o posto fronteiriço de Ressano Garcia, principal ponto de passagem entre os dois países, continua a ser requalificado.

No entanto, o sucesso desta estratégia dependerá da capacidade do país para atrair investimento de forma sustentável, manter um enquadramento regulatório estável e garantir uma execução eficaz dos projetos. A concorrência dos corredores sul-africanos, tanzanianos e namibianos continuará também a representar um desafio para a rentabilização das novas infraestruturas.

Henoc Dossa

Impulsionado pelo renovado interesse global pela energia nuclear civil, o setor do urânio está a recuperar dinamismo. Esta tendência traduz-se numa aceleração dos investimentos em projetos mineiros, sobretudo em África, onde surgem várias novas minas.

Na quarta-feira, 10 de junho, a empresa australiana Elevate Uranium anunciou um aumento de 31% dos recursos do seu projeto de urânio Marenica, na Namíbia. Esta evolução aproxima o ativo de uma eventual fase de desenvolvimento mineiro e pode transformá-lo num dos futuros motores de crescimento da principal indústria uranífera africana.

A nova estimativa do Marenica resulta de recentes campanhas de perfuração de densificação realizadas na área do projeto, após uma atualização anterior das reservas anunciada em fevereiro. Com estes trabalhos, os recursos do depósito atingem 52,8 milhões de libras de U₃O₈, contra 40,2 milhões anteriormente. Este crescimento deverá permitir novos estudos destinados a aumentar o nível de confiança dos recursos, etapa essencial antes de avaliações económicas para futura exploração mineira.

A Elevate Uranium equaciona já um desenvolvimento à escala de distrito, apoiado também no projeto namibiano Koppies. Esta abordagem, comum na indústria mineira, consiste em integrar vários depósitos num único polo de produção com uma infraestrutura partilhada. Localizado igualmente na região uranífera de Erongo, Koppies possui recursos estimados em 76,2 milhões de libras de U₃O₈.

Sustentar uma dinâmica em expansão

Os avanços da empresa inserem-se num movimento mais amplo de crescimento da indústria do urânio na Namíbia. O país conta com vários projetos em fases mais avançadas, nomeadamente Tumas, desenvolvido pela australiana Deep Yellow, cuja construção deverá arrancar nos próximos meses. A futura mina Etango, da Bannerman Energy, segue uma trajetória semelhante.

A médio prazo, estes projetos poderão reforçar uma capacidade produtiva já significativa. Em 2024, a Namíbia produziu 7 333 toneladas de urânio, tornando-se o terceiro maior produtor mundial, atrás do Cazaquistão e do Canadá.

No continente africano, a Namíbia destaca-se claramente dos restantes produtores. O Níger, segundo maior produtor africano, produziu apenas 962 toneladas em 2024, segundo a World Nuclear Association (WNA).

Esta evolução ocorre num contexto de mercado favorável, marcado pelo regresso do interesse global na energia nuclear no quadro da transição energética. Segundo a WNA, a procura mundial poderá atingir 150 000 toneladas por ano até 2040, enquanto a produção mineira se mantém em torno de 60 000 toneladas desde 2017.

Este desequilíbrio favorece o desenvolvimento de novos projetos, embora a concretização dependa ainda da evolução dos preços e das condições de investimento. Historicamente, o setor do urânio é altamente sensível à volatilidade do mercado.

Este fator explica os sucessivos adiamentos da decisão final de investimento (FID) do projeto Etango, da Bannerman Energy. A Deep Yellow também mantém uma abordagem cautelosa, considerando que os preços ainda não justificam plenamente o lançamento de novos projetos.

Quando em operação, o projeto Tumas poderá acrescentar cerca de 3,6 milhões de libras de urânio à produção da Namíbia ao longo de 22 anos, enquanto Etango prevê cerca de 3,5 milhões de libras em 15 anos.

Segundo dados da Cameco, o preço do urânio subiu de 89 dólares por libra em janeiro para 94 dólares em maio, confirmando uma ligeira tendência de alta.

Entretanto, a Elevate Uranium ainda terá de transformar o potencial geológico em viabilidade económica, através de estudos adicionais e definição de reservas exploráveis. Este processo poderá demorar vários meses ou anos antes de uma eventual decisão de desenvolvimento.

Enquanto isso, outros projetos avançam no continente: no Malawi, a mina Kayelekera retomou a produção em 2025; na Mauritânia, a Aura Energy prepara a construção da futura mina Tiris; e no Níger, a Global Atomic continua a desenvolver o projeto Dasa.

Aurel Sèdjro Houenou

Perante uma China que, há duas décadas, domina as cadeias de valor ligadas aos minerais críticos africanos, Washington procura transformar as suas ambições em instrumentos duradouros. O Congresso norte-americano deu recentemente um passo nesse sentido.

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, na segunda-feira, 8 de junho, o DOMINANCE Act, um novo projeto de lei bipartidário destinado a reduzir a dependência americana em relação à China no acesso a minerais críticos. Por detrás da sua ambição global, o texto estrutura uma estratégia em que a África — que detém cerca de 30% das reservas mundiais destes recursos — poderá tornar-se um dos principais campos de aplicação.

Apresentado pela republicana Young Kim e pelo democrata Ami Bera, o DOMINANCE Act transforma em estrutura legal permanente aquilo que até agora dependia de decisões presidenciais. Entre outros pontos, oficializa o Forum on Resource Geostrategic Engagement (FORGE), anunciado em fevereiro de 2026 como sucessor do Minerals Security Partnership, que já inclui produtores africanos como a RDC, a Zâmbia e Marrocos.

A lei cria também um Gabinete de Segurança Energética e Diplomacia no Departamento de Estado e torna obrigatória formação sobre minerais críticos para diplomatas destacados em países produtores. A sua principal inovação são os Energy Security Pacts”, acordos bilaterais de até dez anos que podem mobilizar a DFC, o banco público de crédito à exportação EXIM e a USTDA. Os critérios de elegibilidade — rendimento per capita abaixo do limiar dos empréstimos do Banco Mundial e relevância estratégica para Washington — abrangem vários países mineiros africanos.

Competição estratégica com a China

Ao inscrever estes instrumentos na lei, o Congresso garante-lhes maior continuidade do que aquela oferecida por simples decretos presidenciais. Young Kim afirma querer “consolidar” a estratégia mineral da administração norte-americana. Esta consolidação surge num contexto em que a presença dos EUA nos minerais críticos africanos continua limitada, apesar de algum aumento recente de atividade.

Enquanto Washington assinou uma parceria estratégica com a RDC para reforçar o fornecimento de cobre e cobalto, os investimentos norte-americanos em projetos mineiros africanos permanecem reduzidos face à China. As ações recentes da DFC concentram-se sobretudo em empréstimos e subvenções, com exceção do corredor ferroviário de Lobito, onde foi anunciado um empréstimo de 553 milhões de dólares no final de 2025.

O contraste com Pequim é significativo. Segundo o Centro de Estudos Estratégicos de África, bancos públicos chineses concederam 24,9 mil milhões de dólares em empréstimos mineiros ligados às Novas Rotas da Seda apenas no primeiro semestre de 2025, enquanto empresas chinesas investiram mais de 10 mil milhões de dólares na aquisição de ativos mineiros africanos entre 2023 e 2024.

O DOMINANCE Act não pretende colmatar diretamente esta diferença, até porque fixa um teto de 150 milhões de dólares anuais para apoio à diversificação das cadeias de abastecimento. O seu objetivo é antes catalisar investimento privado, com base em instrumentos como o consórcio Orion, que assinou recentemente um acordo com a Glencore para participação em duas minas de cobre-cobalto na RDC.

O impacto para África

O texto ainda terá de ser aprovado pelo Senado e promulgado para entrar em vigor, mas já fornece pistas importantes para os governos africanos. Uma delas é a simplificação do diálogo com Washington, criando um ponto de contacto único e permitindo que países produtores apresentem propostas diretamente.

Outra dimensão relevante é o custo político e económico dos futuros acordos, incluindo a exigência de isenção fiscal para a assistência americana e cláusulas que privilegiam o acesso das empresas dos EUA aos recursos estratégicos. O FORGE prevê ainda mecanismos para desencorajar a venda de ativos mineiros a entidades consideradas hostis, numa referência implícita à China.

Por fim, a duração dos compromissos — até dez anos, com estruturas previstas na lei por quinze — garante maior estabilidade, embora os financiamentos continuem dependentes do orçamento anual do Congresso.

Num contexto em que também a Europa avança com iniciativas como o Global Gateway, os Estados Unidos procuram reforçar a sua posição numa corrida global pelos minerais críticos. Resta saber até que ponto estas novas ferramentas se traduzirão em resultados concretos para os projetos africanos.

A capacidade dos países produtores africanos de negociar de forma estratégica será determinante para transformar este novo interesse das grandes potências em benefícios duradouros.

Emiliano Tossou

Impulsionada pelo crescente interesse dos investidores pelo seu setor mineiro, a Costa do Marfim pretende acelerar o crescimento da sua indústria do ouro. O maior produtor mundial de cacau ambiciona duplicar a sua produção aurífera até 2030, aproximando-se dos principais produtores da região.

Na Costa do Marfim, a mina de ouro de Bonikro deverá permanecer em atividade até 2036, enquanto o anterior plano mineiro previa o encerramento das operações por volta de 2029. Anunciado na quarta-feira, 10 de junho, pela sua operadora canadiana Allied Gold, este prolongamento reforça as perspetivas de crescimento da indústria aurífera marfinense.

A empresa explica que esta evolução resulta principalmente da integração, no início deste ano, das primeiras reservas minerais provenientes do jazigo de Oumé no plano mineiro de Bonikro. Esta incorporação deverá permitir a continuidade das operações até 2036, sustentando uma produção média anual superior a 120 mil onças de ouro. A título comparativo, a mina produziu 100 678 onças em 2025.

Para além de Oumé, estão igualmente previstos investimentos destinados a aumentar a capacidade da unidade de processamento do complexo. Estas iniciativas inserem-se na estratégia da Allied Gold de manter a sua produção na Costa do Marfim em cerca de 200 mil onças de ouro por ano durante a próxima década.

Esta estratégia assenta também na mina de Agbaou, a outra exploração da empresa no país, que juntamente com Bonikro forma o complexo aurífero CDI.

Contribuir para a meta nacional de 100 toneladas de ouro por ano

Os progressos alcançados em Bonikro contribuem para preservar uma importante fonte de produção aurífera a longo prazo. Surgem num contexto de forte expansão do setor, cuja produção passou de cerca de 20 toneladas em 2014 para 59,33 toneladas em 2025.

As autoridades marfinenses pretendem agora ultrapassar a fasquia das 100 toneladas de ouro anuais ao longo da próxima década.

Esta meta depende tanto da continuidade das minas já em operação como da entrada em produção de novos projetos previstos para os próximos anos, entre os quais Koné, da Montage Gold, Assafou, da Endeavour Mining, e Doropo, da Resolute Mining.

Embora Bonikro pareça bem posicionada para contribuir para estas ambições nacionais, a concretização desta trajetória dependerá da sua capacidade de manter o desempenho operacional ao longo do tempo.

Com efeito, o novo plano mineiro baseia-se em projeções de produção que terão de ser confirmadas no terreno nos próximos anos. Esta questão surge também num momento decisivo para o ativo.

A Allied Gold encontra-se atualmente a concluir as últimas etapas da sua aquisição pelo grupo chinês Zijin Mining, que deverá assumir o controlo de Bonikro e das restantes minas da empresa. Caso a operação seja concluída, a continuação do desenvolvimento do complexo marfinense ficará sob responsabilidade deste novo operador, cujas prioridades estratégicas imediatas ainda estão por avaliar.

Aurel Sèdjro Houenou

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