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Equipe Publication

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Há muito centrados no litoral mediterrânico, os investimentos argelinos no setor ferroviário estão a deslocar-se progressivamente para o Saara. Uma orientação que reflete o peso crescente das questões mineiras e comerciais na estratégia económica do país.

A Argélia prevê lançar até ao final de setembro as obras de construção da linha ferroviária Argel–Tamanrasset, um projeto estratégico destinado a reforçar a integração económica do Saara e a apoiar as ambições de diversificação económica do país. O calendário foi definido na segunda-feira, 1 de junho, durante uma reunião presidida pelo chefe de Estado, Abdelmadjid Tebboune.

Com 2 039 km de extensão e atravessando cerca de uma dezena de cidades, a futura linha representa um dos maiores investimentos em transporte ferroviário realizados pela Argélia nos últimos anos. Segundo a Agência Nacional de Estudos e Acompanhamento da Realização dos Investimentos Ferroviários (ANESRIF), o objetivo é melhorar a conectividade entre o norte do país e os vastos territórios saharianos, onde se concentram importantes recursos energéticos e agrícolas.

De acordo com as autoridades, as obras serão divididas em três grandes lotes: Ouargla–In Salah, In Salah–Tamanrasset e Tamanrasset–In Guezzam, perto da fronteira com o Níger. Para além da mobilidade, a infraestrutura integra-se na estratégia argelina de valorização dos recursos mineiros. O governo está a acelerar vários projetos extrativos para reduzir a dependência da economia em relação aos hidrocarbonetos.

A Argélia prevê iniciar as exportações de fosfato de Bled El Hadba a partir de março de 2027, após a conclusão da linha mineira que liga o depósito ao porto de Annaba. Esta política já levou à entrada em exploração do jazigo de ferro de Gara Djebilet, apoiado por novos investimentos ferroviários e portuários.

Para o Banco Africano de Desenvolvimento, a futura linha Argel–Tamanrasset constitui a espinha dorsal de um corredor transsaariano destinado a estender-se aos países vizinhos. A longo prazo, esta infraestrutura poderá reforçar o comércio entre o Norte de África e o Sahel, promovendo simultaneamente a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).

O projeto insere-se também num programa mais amplo de modernização da rede ferroviária nacional. No âmbito do plano de desenvolvimento de um sistema de transporte multimodal integrado, a Argélia ambiciona expandir a sua rede ferroviária para 15 000 km até 2030. Está igualmente previsto um programa de investimento de 378 mil milhões de dinares (cerca de 2,8 mil milhões de dólares) para modernizar infraestruturas existentes, renovar material circulante e melhorar a qualidade dos serviços ferroviários.

Henoc Dossa

 

Em fevereiro passado, a Zijin Mining reviu em alta os seus objetivos de produção de ouro, apontando agora para um volume de até 140 toneladas até 2028. Para alcançar esta meta, o grupo aposta tanto na otimização dos seus ativos existentes como na aquisição de novas minas, nomeadamente em África.

Inicialmente prevista para o final de abril, a conclusão da aquisição da Allied Gold pela Zijin Mining, por 5,5 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 4 mil milhões de dólares norte-americanos), foi adiada para 29 de julho de 2026. Anunciada na sexta-feira, 29 de maio, esta decisão atrasa a estratégia de expansão do grupo chinês na indústria aurífera africana, numa altura em que persistem dúvidas em Pequim sobre alguns aspetos da operação.

Últimos ajustes… ou algo mais?

Presente no Gana desde 2025 através da mina de ouro Akyem, a Zijin poderá reforçar a sua presença no continente com a aquisição da Allied Gold. A empresa canadiana explora atualmente as minas marfinenses de Agbaou e Bonikro, bem como a mina de Sadiola, no Mali. Além disso, a entrada em funcionamento de uma quarta mina, denominada Kurmuk, está prevista para este ano na Etiópia. Para concretizar a operação, ambas as partes tinham de obter todas as autorizações regulamentares exigidas nas diferentes jurisdições envolvidas.

Ao anunciar o adiamento, a Allied Gold indicou que essas condições já foram cumpridas no Canadá e junto das autoridades regionais competentes da África Ocidental e Oriental. Acrescentou ainda que vários países africanos anfitriões já deram o seu consentimento, enquanto os procedimentos continuam em outras jurisdições.

No entanto, o comunicado não menciona a aprovação das autoridades chinesas, uma condição essencial para a concretização da transação. Mais importante ainda, a empresa não apresenta uma explicação detalhada para o adiamento, limitando-se a referir discussões com a Zijin sobre alterações a uma linha de crédito prevista no âmbito da operação.

Num artigo publicado no mesmo dia, o Financial Times referiu igualmente preocupações na China relativamente aos termos do acordo. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) estaria particularmente preocupada com o prémio que a Zijin pretende pagar para adquirir a Allied Gold, levantando questões sobre a valorização atribuída à operação.

A estas reservas somam-se preocupações relacionadas com os riscos associados ao Mali, onde a mina de Sadiola representa cerca de metade da produção da empresa canadiana. Até ao momento, como as partes não abordaram oficialmente estes aspetos, é difícil avaliar o seu impacto real no calendário da operação ou determinar se estão ligados aos ajustamentos mencionados pela Allied Gold.

Que desenvolvimentos esperar?

Enquanto se aguardam esclarecimentos adicionais, este contexto de incerteza evidencia a complexidade das operações de fusão e aquisição desta dimensão no setor aurífero.

Em África, a situação é ainda mais sensível, numa altura em que vários Estados produtores estão a rever as suas políticas mineiras para captarem uma maior parcela das receitas geradas pela subida dos preços do ouro. O caso do Mali é particularmente ilustrativo, tendo em conta as recentes tensões entre as autoridades e as empresas mineiras relativamente à aplicação do novo Código Mineiro de 2023.

Apesar disso, os interesses estratégicos para a Zijin continuam a ser significativos. Em fevereiro, o grupo elevou o seu objetivo de produção para 140 toneladas de ouro até 2028, face à meta anterior de 110 toneladas. Esta revisão assenta tanto no aumento da capacidade dos seus ativos existentes — localizados na China, Papua-Nova Guiné e Colômbia — como na aceleração dos seus investimentos e aquisições.

Neste contexto, a conclusão da compra da Allied Gold representaria um passo fundamental. A operação permitiria à Zijin reforçar significativamente o seu portefólio com ativos capazes de produzir cerca de 800 mil onças de ouro por ano (equivalentes a 22,6 toneladas) até 2029.

Resta agora acompanhar a evolução do processo até à nova data prevista. Por seu lado, a Allied Gold procura tranquilizar os investidores, afirmando que os procedimentos continuam em curso com vista à «conclusão da transação no mais curto prazo possível».

Paralelamente, a Zijin deverá prosseguir a sua expansão africana noutra frente, através da aquisição anunciada da sua compatriota Chifeng Jilong Mining por 18,26 mil milhões de yuans (2,6 mil milhões de dólares), empresa que detém a mina de ouro Wassa, no Gana.

Aurel Sèdjro Houenou

 

A Nigéria procura reduzir a sua dependência das importações de combustíveis através do desenvolvimento da refinação local. Contudo, apesar dos progressos da refinaria Dangote, o país continua a ser um grande importador de produtos petrolíferos refinados.

A Nigéria importou, em 2025, produtos petrolíferos refinados no valor de 1,1 mil milhões de libras esterlinas (cerca de 1,4 mil milhões de dólares) provenientes do Reino Unido. É o que revela a ficha comercial publicada pelo Departamento Britânico do Comércio e Investimento, citada pelo portal Nairametrics no domingo, 31 de maio.

Segundo o documento, o petróleo refinado representa, por si só, 60,5% de todas as mercadorias exportadas pelo Reino Unido para a Nigéria. Este número evidencia o peso do setor petrolífero nas trocas comerciais entre os dois países, numa altura em que o valor destas exportações aumentou 9,4% em relação ao ano anterior.

O petróleo refinado gera mais receitas do que os quatro principais produtos seguintes juntos: produtos de higiene (70,2 milhões de libras, cerca de 89,2 milhões de dólares), têxteis (45,7 milhões de libras, equivalente a 58 milhões de dólares), maquinaria industrial (42,2 milhões de libras, cerca de 53,6 milhões de dólares) e bebidas e tabaco (34,6 milhões de libras, aproximadamente 43,9 milhões de dólares).

Um paradoxo nigeriano em vias de resolução

Embora seja o maior produtor africano de petróleo bruto, a Nigéria importava entre 90% e 95% das suas necessidades de combustíveis antes da entrada em funcionamento da refinaria Dangote, em 2024, segundo dados do Tesouro francês. Em 2023, o país era mesmo o maior importador africano de produtos petrolíferos, com 476 mil barris por dia, de acordo com a Statista.

Devido à insuficiência da sua capacidade de refinação, a Nigéria exportava petróleo bruto e importava combustíveis refinados. Segundo dados do Banco Central da Nigéria (CBN), esta dependência representou, em 2024, uma fatura de importação de combustíveis estimada em cerca de 14 mil milhões de dólares.

Durante muitos anos agravada pelo sistema de subsídios aos combustíveis — abolido em maio de 2023 —, a situação começou a mudar com a entrada em operação da refinaria Dangote. «A desaceleração das importações de gasolina da Nigéria deve-se, em grande parte, ao aumento da capacidade operacional da refinaria Dangote», afirmou, em janeiro de 2025, Samantha Hartke, analista da Vortexa.

O impacto tornou-se ainda mais evidente em 2026. Em fevereiro, a produção local já cobria 92% da procura nacional, segundo dados oficiais. No primeiro trimestre do ano, as importações de combustíveis caíram 60% em termos homólogos, passando de 2,43 mil milhões para 965,5 milhões de litros, segundo o Afrik-Inform.

Batalha pelo mercado interno

Esta transformação desencadeou uma guerra de preços. Em maio de 2026, a refinaria Dangote reduziu o seu preço grossista para 1.200 nairas (cerca de 0,82 dólares) por litro, contra 1.350 nairas (aproximadamente 0,92 dólares) por litro da gasolina importada, segundo o portal Legit.ng.

A disputa estendeu-se também ao plano regulamentar. Conforme noticiado pela Agence Ecofin em março, as autoridades nigerianas suspenderam algumas licenças de importação de combustíveis para favorecer a oferta local. A decisão foi contestada nos tribunais, num contexto de rivalidade entre o Estado e a refinaria Dangote, cujos responsáveis defendem que a sua capacidade de produção é suficiente para satisfazer a procura nacional.

Abdel-Latif Boureima

 

A agricultura contribui com cerca de 21% do PIB e emprega aproximadamente 53% da população ativa da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA). Perante os desafios da segurança e da soberania alimentares, a organização procura mobilizar mais investimentos para o setor.

A União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) pretende apoiar a transformação estrutural do setor agrícola através de uma carteira de projetos avaliada em 6 biliões de FCFA (10,6 mil milhões de dólares) até 2040. Esta ambição foi destacada em Bamaco, a 1 de junho de 2026, durante um encontro entre as autoridades malianas e uma delegação da Comissão da UEMOA.

Segundo as informações divulgadas, este montante corresponde a uma carteira de projetos identificados no âmbito de um Livro Branco dedicado às cadeias de valor agrícolas prioritárias, atualmente promovido pela organização regional junto dos Estados-membros.

Três fileiras no centro do projeto

O documento elaborado pela UEMOA estrutura-se em torno de três cadeias de valor consideradas estratégicas para as economias agrícolas da região: fosfatos e fertilizantes, arroz e algodão têxtil.

A montante da produção agrícola, a questão do acesso a fertilizantes a preços competitivos é crucial. Tal como acontece na maioria dos países da África Subsaariana, a produção local continua limitada, obrigando os Estados-membros da UEMOA a recorrerem massivamente às importações para satisfazer as suas necessidades. Esta dependência expõe-os às flutuações dos preços internacionais.

Segundo o Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), as importações de fertilizantes na União ascenderam, em média, a 543,5 mil milhões de FCFA (963,7 milhões de dólares) por ano entre 2020 e 2024, sendo a procura particularmente impulsionada pela Costa do Marfim, Mali e Senegal.

Esta dependência dos mercados externos verifica-se igualmente no segmento dos produtos alimentares, nomeadamente no arroz. Amplamente consumido na região, ao lado do milho, do milhete e do sorgo, o arroz ilustra os persistentes desafios da autossuficiência alimentar na UEMOA.

Apesar do elevado potencial agrícola de alguns países, a produção local continua incapaz de acompanhar o rápido crescimento da procura. O recurso às importações mantém-se estrutural, sobretudo a partir de países asiáticos como a Índia e a Tailândia. De acordo com o BCEAO, o arroz é, de longe, o principal produto alimentar importado pela UEMOA, com compras avaliadas em 1,627 biliões de FCFA (2,9 mil milhões de dólares) por ano, em média, entre 2020 e 2024, concentradas principalmente na Costa do Marfim, Benim e Senegal.

Em contraste com estas duas fileiras fortemente dependentes das importações, o algodão ocupa uma posição singular na economia agrícola regional. Cultura comercial orientada para a exportação, constitui uma importante fonte de divisas para vários Estados-membros que figuram entre os principais produtores africanos, nomeadamente Mali, Benim, Costa do Marfim e Burkina Faso.

Em 2024, as exportações de fibra de algodão geraram cerca de 1,011 biliões de FCFA (1,8 mil milhões de dólares), segundo o BCEAO, tornando esta fileira a terceira maior fonte de receitas agrícolas da União, depois do cacau e da borracha natural. Este desempenho assenta, em grande medida, no peso dos principais produtores regionais. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), os países membros da UEMOA concentraram quase metade da produção africana de algodão em caroço, estimada em cerca de 5 milhões de toneladas em 2024. Contudo, o setor permanece pouco industrializado, permitindo que uma parte significativa do valor acrescentado continue a escapar à região.

Uma ambição de transformação a longo prazo

Segundo as autoridades, a elaboração do Livro Branco visa reforçar a produção e a produtividade das fileiras agrícolas prioritárias nos Estados-membros. Esta iniciativa, que cobre um período de 15 anos (2026–2040), traduz uma vontade de estruturar progressivamente os investimentos nas cadeias de valor agrícolas.

Embora a dimensão da carteira anunciada demonstre uma clara ambição regional, a sua concretização dependerá da capacidade dos Estados-membros para coordenarem as suas políticas agrícolas, mobilizarem os financiamentos necessários e atraírem uma maior participação do setor privado.

Num contexto em que a África Ocidental procura simultaneamente reduzir a sua dependência das importações alimentares e aumentar a transformação local das suas matérias-primas agrícolas, esta carteira de projetos poderá contribuir para orientar mais investimentos para setores estratégicos ligados à segurança alimentar, à competitividade agrícola e à industrialização da região.

Stéphanas Assocle

 

A sociedade-mãe do maior grupo bancário da África Central lançará, no terceiro trimestre, uma segunda operação de captação de 143,7 milhões de dólares para elevar o seu «free float» para 10%, num mercado regional que conta apenas com 17.600 contas de títulos ativas.

A BGFI Holding Corporation prepara a sua segunda operação bolsista. A sociedade-mãe do grupo BGFIBank, principal instituição bancária da Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC), pretende captar 81 mil milhões de FCFA (143,7 milhões de dólares) através de uma segunda fase de aumento de capital prevista para antes do final do terceiro trimestre de 2026.

O objetivo é aumentar a parcela do capital social cotada na Bolsa de Valores Mobiliários da África Central (BVMAC) de 3,85% para 10%, nível regulamentar exigido para o compartimento A-Premium.

O montante corresponde exatamente ao remanescente do objetivo inicial inscrito no documento informativo aprovado pela Comissão de Supervisão do Mercado Financeiro da África Central (COSUMAF). A primeira fase, encerrada a 2 de março de 2026, permitiu mobilizar apenas 45,3 mil milhões de FCFA, dos 125,9 mil milhões inicialmente visados. A cotação efetiva ocorreu a 7 de maio, em Douala, com um preço de referência de 80.000 FCFA por ação.

Uma concentração em dois países

A composição dos investidores da primeira fase evidencia o desafio que aguarda o grupo liderado por Henri-Claude Oyima. Dos 7.601 subscritores registados, 49% dos montantes vieram do Gabão e 28,1% dos Camarões. Os outros 22 países representados dividiram entre si menos de um quarto do total angariado. A segunda fase não poderá repetir este esquema, uma vez que os mercados gabonês e camaronês já foram, em grande medida, mobilizados.

É neste contexto que surge a decisão mais estruturante da assembleia-geral realizada a 15 de maio, em Libreville. O limite de detenção de 0,5% do capital por investidor, imposto durante a primeira fase, foi eliminado. Com um capital social de 147,28 mil milhões de FCFA, esse limite representava apenas cerca de 736 milhões de FCFA por investidor institucional, um montante pouco atrativo para fundos africanos ou companhias de seguros regionais. Esse obstáculo desapareceu.

«Convido-vos a prepararem-se para esta próxima etapa, prevista para o terceiro trimestre de 2026», declarou Henri-Claude Oyima, presidente e diretor-geral do grupo, no final da assembleia. A mensagem dirige-se explicitamente aos investidores institucionais que não puderam participar na primeira operação.

Um mercado regional dez vezes menor do que a BRVM

O desafio não se resume apenas à equação da BGFI. Antes da entrada da BGFI Holding em bolsa, a BVMAC contava com cerca de 10.000 contas de títulos ativas. A primeira fase acrescentou 7.601 novas contas, elevando o total para aproximadamente 17.600. Em comparação, a Bolsa Regional de Valores Mobiliários (BRVM) da zona UEMOA possui cerca de 200.000 contas, mais de dez vezes superior.

A direção da BVMAC definiu como objetivo atingir 100.000 contas de títulos até ao final de 2026, no âmbito do programa BVMAC ESPro, lançado em fevereiro de 2026 pelo diretor-geral Louis Banga Ntolo. Será necessário criar mais de 80.000 novas contas em apenas sete meses. A segunda fase da BGFI Holding é, de facto, a principal operação capaz de contribuir para esse objetivo.

Vários canais poderão ser mobilizados. Os investidores institucionais da zona UEMOA poderão ser alcançados através da presença da BGFIBank Côte d’Ivoire e da rede de sociedades de gestão de ativos da África Ocidental. A diáspora gabonesa e camaronesa na Europa e na América do Norte constitui igualmente um potencial ainda pouco explorado. Fundos africanos pan-africanos, como AfricInvest, Phatisa ou AIIM, excluídos da primeira fase devido ao limite de participação, voltam agora a ser elegíveis.

A operação decorre num contexto setorial exigente. O regulamento COBAC R-2025/02, em vigor desde 1 de janeiro de 2026, impõe a todos os bancos da CEMAC um capital social mínimo de 25 mil milhões de FCFA, com adaptação progressiva até 31 de dezembro de 2029. Segundo um estudo do Ministério das Finanças dos Camarões publicado em 2025, mais de três quartos dos bancos da região apresentavam, em meados de 2024, um capital inferior a 20 mil milhões de FCFA. Cerca de trinta instituições terão de reforçar os seus fundos próprios nos próximos anos. Todas procurarão, paralelamente à BGFI, atrair investidores através de operações semelhantes.

Calendário

A segunda fase deverá decorrer entre julho e setembro, sob a coordenação da BGFIBourse, entidade organizadora e líder da operação. Está igualmente prevista uma nova avaliação da Bloomfield Investment antes da oferta, depois de a agência pan-africana ter elevado, em junho de 2025, a notação de longo prazo do grupo de A+ para AA-.

A ação BGFI HC encerrou a sua primeira sessão de negociação nos 82.000 FCFA, registando uma valorização de 2,5% face ao preço de referência e atribuindo à sociedade-mãe uma capitalização bolsista de cerca de 1,208 biliões de FCFA.

Para a BVMAC, o sucesso desta operação será determinante para a credibilidade de várias outras entradas em bolsa atualmente em preparação, incluindo as da Commercial Bank of Cameroon e da seguradora Zenithe Insurance, mencionadas por Louis Banga Ntolo. Neste sentido, o desafio dos 81 mil milhões de FCFA da BGFI Holding é também o desafio de todo um mercado.

 

De Niamey a Cotonou, os gestos de apaziguamento têm-se multiplicado nas últimas semanas. O encontro entre Romuald Wadagni e Abdourahamane Tiani resultou em dois avanços simbólicos: o lançamento de um processo destinado a conduzir à reabertura da fronteira entre os dois países e a aceitação, por parte do chefe de Estado nigerino, de um convite para realizar uma visita oficial ao Benim.

Quase três anos após a rutura provocada pelo golpe de Estado de julho de 2023 no Níger, o Benim e o Níger deram mais um passo rumo à normalização das suas relações. Reunidos em Niamey na segunda-feira, 2 de junho, os presidentes Romuald Wadagni e Abdourahamane Tiani anunciaram a criação de um mecanismo encarregado de preparar a reabertura da fronteira entre os dois países.

Esta decisão figura entre os principais resultados da visita oficial efetuada pelo chefe de Estado beninense ao Níger, a convite do seu homólogo nigerino. No comunicado conjunto publicado no final das conversações, os dois dirigentes reafirmaram a sua vontade de reforçar as relações bilaterais e de resolver os diferendos que dificultam a cooperação entre os seus países.

«Os dois presidentes expressaram o seu compromisso de trabalhar para a eliminação de todos os obstáculos ao reforço da cooperação entre os dois países, nomeadamente a reabertura da fronteira Benim-Níger», indica o documento.

Para concretizar este objetivo, as duas partes decidiram criar uma comissão de peritos encarregada de identificar os bloqueios ainda existentes e de propor soluções. Este grupo dispõe de um prazo de quinze dias para apresentar as suas recomendações aos dois chefes de Estado.

Uma fronteira encerrada desde a crise de 2023

O encerramento da fronteira entre os dois países é uma das consequências mais visíveis da crise diplomática desencadeada pela destituição do presidente Mohamed Bazoum em julho de 2023.

Na altura, o Benim aplicou as sanções decididas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) contra as novas autoridades nigerinas. Niamey denunciou então a atitude do seu vizinho e manteve encerrada a sua fronteira com o Benim, apesar do levantamento posterior das sanções regionais.

Esta situação afetou as trocas comerciais entre os dois países e perturbou a atividade num dos principais corredores de trânsito da sub-região. O Níger depende fortemente dos portos dos países costeiros para o seu abastecimento, enquanto o corredor beninense constitui historicamente uma das suas principais portas de acesso aos mercados internacionais.

A crise teve igualmente repercussões no projeto do oleoduto Níger-Benim, destinado à exportação de petróleo bruto nigerino para o terminal marítimo de Sèmè-Podji. Embora as exportações tenham acabado por arrancar, as tensões diplomáticas pesaram durante muito tempo nas relações entre os dois países vizinhos.

Um aquecimento diplomático que se confirma

O anúncio feito em Niamey insere-se numa dinâmica de aproximação iniciada nos últimos meses. Durante a sua tomada de posse, em abril passado, Romuald Wadagni já tinha enviado vários sinais aos países da Aliança dos Estados do Sahel (AES), ao receber representantes do Mali, do Burkina Faso e do Níger.

Desde que assumiu funções, o presidente beninense tem multiplicado as iniciativas destinadas a restabelecer o diálogo com os vizinhos sahelianos do Benim. A sua visita ao Níger constitui a etapa mais significativa desta estratégia.

As conversações entre os dois chefes de Estado incidiram igualmente sobre questões de segurança. Perante o avanço dos grupos armados na região, os dois dirigentes reafirmaram a sua vontade de unir esforços contra o terrorismo e o banditismo transfronteiriço, considerados ameaças comuns à estabilidade e ao desenvolvimento dos seus países.

Uma visita de Tiani aguardada em Cotonou

Outro sinal forte resultante deste encontro foi a aceitação, por Abdourahamane Tiani, do convite do seu homólogo beninense para efetuar uma visita oficial ao Benim. A data desta deslocação será fixada por via diplomática.

Caso se concretize, esta visita constituirá mais uma etapa no aquecimento das relações entre Niamey e Cotonou. Poderá igualmente abrir caminho a um relançamento mais amplo da cooperação bilateral entre os dois países, cujas economias continuam estreitamente ligadas, apesar das tensões dos últimos anos.

Moutiou Adjibi Nourou

 

Perante uma taxa de conclusão do ensino primário inferior a 70% e um absentismo de um em cada quatro professores nas escolas, a Mauritania está a testar uma parceria escola-família para melhorar a qualidade da educação e reforçar a empregabilidade dos jovens.

Na Mauritânia, o Centro de Estudos e de Investigação Pedagógica (CERP) organizou um colóquio científico no sábado, 30 de maio, em Nouakchott. O encontro teve lugar na sede da municipalidade de Sebkha, na presença de um público alargado da moughataa. Reuniu a Federação Nacional das Associações de Pais de Alunos e Estudantes, em colaboração com a autarquia. O tema centrou-se na parceria entre a escola e a família como modelo eficaz de cooperação educativa.

Vários professores e investigadores apresentaram comunicações sobre a importância da presença dos pais no percurso escolar. Defendeu-se, por isso, que esta parceria é uma condição essencial para o sucesso educativo. O adjunto do presidente da câmara e o responsável da associação local de pais de alunos também participaram nos trabalhos. O colóquio insere-se num contexto de debate intenso sobre o papel da escola na formação do cidadão.

Professores pouco formados, famílias em primeira linha

Esta iniciativa integra o programa mensal do CERP intitulado «Debates sobre a educação na Mauritânia». O objetivo é reforçar a reforma do ensino em todo o território. O seu diretor, M. El Moctar Ould Handah, reafirmou o compromisso de abranger todas as municipalidades do país. A participação dos pais é considerada estratégica, sobretudo em bairros populares frequentemente afastados das decisões educativas.

Esta abordagem responde a uma urgência educativa evidente. Segundo o Global Partnership for Education, apenas 5,9% dos professores do ensino primário possuíam conhecimentos mínimos para ensinar em 2025. Para responder a este problema, foram desenvolvidas formações estruturadas em matemática, francês e árabe. Uma experiência-piloto em mais de 300 escolas públicas apresentou resultados positivos e está a ser alargada a nível nacional.

O absentismo agrava ainda mais a situação. A UNESCO registou em 2024 que um em cada quatro professores estava ausente durante visitas não anunciadas. Uma realidade que afeta diretamente as famílias.

Um orçamento em forte crescimento, mas resultados limitados

A Mauritânia tornou obrigatória e gratuita a escolaridade entre os 6 e os 15 anos em 2022. O Programa Nacional de Desenvolvimento do Setor da Educação (PNDSE III, 2023-2030) visa garantir educação de qualidade para todas as crianças. O esforço orçamental aumentou significativamente: a educação representou 21% das despesas públicas em 2024, contra 10,6% em 2019, segundo a UNICEF. No entanto, os resultados ainda não acompanharam este aumento de investimento.

Os dados confirmam o desafio: menos de 7 em cada 10 alunos concluem o ensino primário, e apenas 40% concluem o ensino básico, segundo a UNESCO. Além disso, mais de 90% das crianças entre 3 e 5 anos não frequentam o pré-escolar, o que fragiliza as bases da aprendizagem.

No mercado de trabalho, apenas 58% da população em idade ativa está empregada ou à procura de emprego, segundo estudo da UNESCO de 2024. Metade dos trabalhadores encontra-se no setor informal, evidenciando um desfasamento estrutural entre educação e emprego.

Desde o ano letivo de 2025, os alunos dos quatro primeiros anos do ensino primário frequentam exclusivamente escolas públicas, aumentando a pressão sobre um sistema já fragilizado. Isto reforça a necessidade de um pacto entre escola e família para melhorar os resultados educativos e a empregabilidade.

Félicien Houindo Lokossou

 

Enquanto o desemprego afeta quase um em cada três jovens argelinos e a formação ainda tem dificuldades em alinhar-se com as necessidades do mercado de trabalho, a Algeria está a mobilizar os seus centros de formação profissional para preparar a juventude para os empregos mais procurados.

O governo argelino está a reforçar os seus dispositivos para dotar os jovens de competências exigidas pelo mercado de trabalho. No domingo, 31 de maio, em Argel, a ministra da Formação e do Ensino Profissional, Nacima Arhab, lançou oficialmente o programa nacional Sanâa, termo árabe que significa «ofício». Esta iniciativa de formação está prevista decorrer durante as férias de verão.

O programa baseia-se na rede pública de estabelecimentos de formação profissional espalhados pelo território nacional. Destina-se a jovens que pretendem adquirir bases práticas em áreas com forte procura no mercado de trabalho. O período de verão, fora da formação regular, é assim transformado numa oportunidade de qualificação. O objetivo é permitir aos beneficiários «adquirir conhecimentos de base em profissões de especialidades procuradas», segundo o comunicado oficial divulgado pela Algeria Press Service.

O programa Sanâa insere-se numa estratégia governamental que visa alargar a oferta de formação para além dos ciclos normais. Também procura integrar jovens afastados do sistema de formação inicial. Para 2026, o setor dispõe de 125 215 mil milhões de dinares (cerca de 945 milhões de dólares) em autorizações de compromisso, o que representa um aumento de 17,46%. Em março, foi lançado o Referencial Nacional de Formação e Competências, que substitui uma nomenclatura anterior com mais de 400 especialidades distribuídas por 23 ramos profissionais.

Esta iniciativa surge num contexto de reforma contínua do sistema de formação do país. O ano letivo de outubro de 2025 acolheu 672 000 formandos em estabelecimentos nacionais. Foram introduzidas 40 novas especialidades digitais. A sessão de fevereiro de 2026 abriu 285 000 novas vagas, incluindo 57 000 em aprendizagem em empresa.

Segundo o National Office of Statistics (Algeria), o desemprego entre jovens dos 16 aos 24 anos situava-se em 29,3% em outubro de 2024. A população ativa era de 13,8 milhões de pessoas. Entre os desempregados, 42,5% não tinham qualquer diploma. O ONS registou ainda 450 000 empregos criados em 2024, incluindo 70 000 no último trimestre.

Félicien Houindo Lokossou

 

Enquanto a Equatorial Guinea procura colmatar o seu atraso em matéria de conectividade e apoiar a sua transformação digital, as autoridades lançam um vasto plano de modernização das infraestruturas de telecomunicações.

As autoridades equato-guineenses iniciaram um amplo programa de modernização da empresa pública de telecomunicações GETESA. A iniciativa visa revitalizar o operador histórico num contexto de transformação digital marcado por uma procura crescente de serviços de conectividade.

A modernização da rede faz parte do plano imediato e de curto prazo do novo diretor-geral do operador nacional, Charles Borome Razafimahatratra. Este foi recentemente apresentado ao vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang Mangue.

Uma revolução tecnológica

A primeira fase do plano está prevista para 12 meses. Prevê a otimização da rede nacional, a expansão da cobertura telefónica e da Internet, bem como a transformação digital da empresa através da aquisição de equipamentos modernos e da reativação da fibra ótica, que até agora era utilizada apenas pela companhia nacional de eletricidade SEGESA para interligar as suas subestações elétricas.

O projeto inclui também a introdução da tecnologia 5G, a implementação de serviços Wi-Fi públicos nas cidades de Malabo, Bata e Oyala, bem como nas zonas rurais e urbanas de todo o país. O plano prevê ainda o reforço das infraestruturas energéticas e técnicas da empresa.

Outro eixo importante do programa é a digitalização completa da GETESA através de uma gestão totalmente sem papel, a redução dos custos logísticos e o lançamento do Getesa Money, uma plataforma financeira destinada a serviços de pagamentos eletrónicos. O plano inclui também a reativação do serviço de roaming e a introdução da tecnologia eSIM.

Desafios de conectividade persistentes

Esta iniciativa surge num momento em que a rede nacional de telecomunicações enfrenta desafios persistentes. Uma auditoria realizada pelo gabinete Cyberteq, cujos resultados foram apresentados em abril de 2026, revelou várias insuficiências, incluindo lacunas significativas em equipamentos, débito, capacidade da rede e planeamento técnico. O relatório destaca ainda a obsolescência de certos equipamentos, a baixa velocidade de transmissão de dados e interrupções de chamadas devido à saturação da rede.

O relatório propõe um roteiro para corrigir estas falhas através da modernização tecnológica, do reforço da capacidade da rede e da implementação de um plano de investimento destinado a melhorar a qualidade do serviço e a expandir a cobertura, em linha com os objetivos de transformação digital do país.

Ainda em abril, o gabinete Mason recomendou às autoridades a ligação do país ao cabo submarino Medusa submarine cable system, que será o segundo cabo submarino do país. O custo é estimado entre 20 e 60 milhões de euros (23,3 a 70 milhões de dólares). A iniciativa visa acabar com as interrupções do serviço de Internet e garantir uma rede estável e de alta qualidade. A infraestrutura deverá entrar em funcionamento entre 2029 e 2030.

Um pilar da transformação digital

Uma vez reabilitada e totalmente operacional, a rede da GETESA poderá tornar-se um pilar da transformação digital do país. A modernização das infraestruturas e a melhoria da qualidade do serviço aceleram a digitalização da economia nacional. A conectividade torna-se um elemento central para todos os agentes económicos e sociais.

Para as famílias, uma melhor conectividade facilita o acesso aos serviços digitais do quotidiano, incluindo comunicações, educação online, serviços financeiros móveis e plataformas de entretenimento. Para as empresas, reforça a competitividade e apoia a digitalização dos serviços, o comércio eletrónico, o uso da cloud e a adoção de ferramentas digitais de gestão avançadas.

Para referência, a Guiné Equatorial contava com cerca de 885.000 assinantes de telemóvel no final de 2025 (45,4% de quota de mercado), segundo a DataReportal. O número de utilizadores de Internet ascendia a 1,18 milhões, ou seja, 60,4% da população.

Isaac K. Kassouwi

 

Kinshasa e Brazzaville são as capitais nacionais mais próximas do mundo, mas apesar da intensidade dos intercâmbios humanos e económicos, as ligações entre ambas continuam a ser asseguradas essencialmente por via fluvial. Num contexto em que os países africanos procuram acelerar a integração regional, fluidificar os corredores de transporte e reforçar o comércio intra-africano, o projeto de ponte rodoviária e ferroviária entre as duas cidades volta progressivamente ao centro das atenções.

Há muito tempo limitado a estudos e anúncios, o projeto registou nos últimos meses avanços significativos. Em maio, os dois Congos assinaram um acordo bilateral que define o regime fiscal, aduaneiro e de receitas não fiscais aplicável à infraestrutura, concretizando um dos principais pré-requisitos para a sua realização.

Poucas semanas depois, foi lançado o aviso de concurso para selecionar o concessionário, marcando uma nova etapa do processo. Eis cinco pontos essenciais sobre este projeto de integração sub-regional aguardado há mais de três décadas.

1. Um projeto com mais de 30 anos

A ideia de uma ligação fixa entre as duas capitais remonta a 1991. Os primeiros estudos foram lançados no mesmo ano, mas o projeto foi rapidamente travado por dificuldades de financiamento e por crises políticas e económicas nos dois países. Relançado em 2003, enfrentou reservas da Democratic Republic of the Congo quanto a um possível desvio de fluxos comerciais para o porto de Pointe-Noire.

Apesar da assinatura de um protocolo de entendimento em 2009, da criação de estruturas técnicas conjuntas e do envolvimento de parceiros financeiros internacionais, o início das obras foi sucessivamente adiado, passando por datas como 2018, 2020 e 2021. As dificuldades de financiamento, a mudança de prioridades de investimento e os efeitos da pandemia de Covid-19 explicam os sucessivos atrasos.

O recente lançamento do processo de seleção do concessionário representa, no entanto, uma nova etapa rumo à concretização do projeto.

2. Potenciais financiadores

Os estudos preparatórios foram financiados pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), com apoio dos governos dos dois países. A estruturação do projeto foi depois confiada à Africa50, uma plataforma de investimento criada pelo BAD para acelerar o financiamento de infraestruturas em África.

O projeto segue um modelo de parceria público-privada (PPP), com o objetivo de atrair investidores privados para financiar, construir e explorar a infraestrutura. O BAD surge também entre os principais parceiros para as ligações rodoviárias complementares previstas em ambas as margens do rio.

O custo do projeto evoluiu significativamente: de 40–80 milhões de dólares no início dos anos 2000 para cerca de 700 milhões de dólares na fase atual, refletindo a ampliação do âmbito técnico, a inclusão de componentes ferroviários e logísticos e o aumento dos custos de construção.

3. Características técnicas

Segundo o BAD, a ponte terá 1.757 metros de extensão e será construída entre Maloukou Tréchot (lado de Brazzaville) e Maluku, onde o rio Congo tem cerca de 1,3 km de largura.

A infraestrutura incluirá uma linha ferroviária, uma estrada de 2x2 faixas, passagens pedonais e postos fronteiriços de controlo único em cada margem. Será ainda ligada às redes rodoviárias através de cerca de 10 km de acessos.

O projeto insere-se na estratégia de corredores regionais do NEPAD e deverá reforçar a ligação da África Central aos principais eixos continentais. O prazo de execução passou de 3 para cerca de 5 anos, segundo as últimas estimativas oficiais.

4. Impactos esperados

De acordo com o BAD, a infraestrutura poderá movimentar mais de 5 milhões de passageiros e cerca de 3 milhões de toneladas de mercadorias por ano. A ligação direta entre as duas capitais deverá reduzir custos logísticos e melhorar a mobilidade regional.

O projeto também deverá reforçar a integração económica no âmbito da African Continental Free Trade Area, facilitando o acesso de países vizinhos sem litoral às infraestruturas portuárias da África Central.

Além disso, espera-se a criação de novas zonas económicas, maior atração de investimento privado e o reforço dos papéis de Kinshasa e Brazzaville como polos logísticos regionais.

5. Desafios

Apesar dos progressos, persistem desafios importantes. Um deles diz respeito às preocupações da RDC sobre a soberania logística e o possível reforço da dependência do porto de Pointe-Noire, em detrimento das suas próprias infraestruturas como Matadi.

Outro desafio é a mobilização efetiva de financiamento num modelo PPP, bem como a viabilidade económica do projeto, dependente dos volumes de tráfego futuros.

A necessidade de infraestruturas complementares (estradas e ferrovias) e a coordenação entre os dois Estados — em matérias aduaneiras, regulatórias e de gestão fronteiriça — serão igualmente determinantes para o sucesso do corredor.

Henoc Dossa

 

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