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Equipe Publication

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Segundo as fontes oficiais, a Nigéria conta com 185,7 milhões de assinantes de telemóvel e 153,8 milhões de utilizadores da Internet. Estes números escondem, no entanto, uma grande clivagem digital, uma vez que muitos utilizadores possuem vários cartões SIM.

O China Industrial Bank (CIB), um banco comercial chinês, comprometeu-se a apoiar o projeto do governo nigeriano que visa a instalação de 1000 sites de telecomunicações até ao final do ano. Esta iniciativa insere-se num programa mais vasto destinado a ligar milhões de pessoas que vivem em comunidades atualmente não servidas pelas redes.

Este compromisso foi revelado na terça-feira, 2 de junho, pelo ministro nigeriano das Comunicações, Inovação e Economia Digital, Bosun Tijani (foto, ao centro). Ele recebeu anteriormente a visita de uma delegação do CIB liderada por Peng Shuang, responsável pelas atividades ligadas às indústrias emergentes.

« O apoio do CIB a este projeto, que constitui o primeiro investimento do banco na Nigéria, demonstra a crescente confiança da comunidade internacional na nossa visão de alargar uma conectividade útil a todos e de construir as bases digitais necessárias para um crescimento económico inclusivo », afirmou o ministro num comunicado publicado nas redes sociais.

Reduzir a fratura digital

Os 1000 sites de telecomunicações fazem parte de um programa mais vasto que prevê a implantação de 3700 torres em comunidades atualmente não servidas, das quais uma grande parte se encontra em zonas rurais e ribeirinhas da Nigéria. O Projeto nigeriano de Acesso Universal às Comunicações (NUCAP) visa mais de 20 milhões de pessoas.

A “nova rede de torres modernas de telecomunicações” anunciada pelo ministro permitirá melhorar a cobertura de rede em todo o território. Os habitantes poderão assim fazer chamadas, enviar mensagens e aceder à Internet pela primeira vez ou em melhores condições.

Isto insere-se nos esforços para reduzir a fratura digital. O executivo está também a implementar o projeto BRIDGE. Com um custo global estimado em cerca de 2 mil milhões de dólares, o objetivo é garantir um acesso alargado e acessível à banda larga para as populações não servidas ou mal servidas. Prevê o desenvolvimento de mais de 90 000 quilómetros de fibra ótica, elevando a rede nacional de 35 000 para 125 000 quilómetros.

O executivo aposta também na conectividade por satélite. Abuja atribuiu licenças a operadores privados e estrangeiros como a Starlink e a Amazon. Apoia-se igualmente nas suas próprias infraestruturas, nomeadamente através da NigComSat. O operador público prepara atualmente a aquisição de dois novos satélites para substituir o atual, que está no fim da sua vida útil.

Por fim, as autoridades nigerianas estão a acelerar a entrada no mercado de novos atores, em particular os operadores móveis virtuais (MVNO). A Nigerian Communications Commission (NCC) considera que isso ajudará a colmatar o fosso entre as populações mal servidas e as não servidas, ao mesmo tempo que reforça a concorrência e amplia a escolha dos consumidores no mercado das telecomunicações.

Para além da infraestrutura física

Para além da infraestrutura física em que estas iniciativas se concentram, a adoção real dos serviços pelas populações depende de vários fatores. Entre eles estão a acessibilidade financeira dos equipamentos, o custo das ofertas dos operadores, bem como o nível de literacia digital dos utilizadores.

Além disso, várias restrições frequentemente apontadas pelos atores do setor das telecomunicações devem ser consideradas. O vandalismo das infraestruturas de telecomunicações, por exemplo, pode provocar interrupções de serviço e aumentar os custos de manutenção para os operadores.

A isto juntam-se os elevados custos do gasóleo, indispensáveis para alimentar os sites nas zonas não ligadas à rede elétrica, o que afeta a rentabilidade e a continuidade do serviço. Por fim, a qualidade das redes continua a ser uma questão central: estabilidade da ligação, débito insuficiente ou congestionamento das redes podem limitar a experiência dos utilizadores.

Isaac K. Kassouwi

 

Entre o projeto de comboio de alta velocidade (TGV), o metro de Abidjan e a expansão da rede rodoviária, o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2026-2030 da Costa do Marfim pretende reforçar o posicionamento do país como plataforma logística da África Ocidental.

No seu novo Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2026-2030, a Costa do Marfim atribui um papel central ao setor dos transportes, considerado uma alavanca essencial para alcançar o estatuto de economia de rendimento médio-alto até 2030. Dos 175 mil milhões de euros (cerca de 203,3 mil milhões de dólares) de investimentos previstos para o período, uma parte significativa será destinada ao Pilar V, dedicado ao desenvolvimento de infraestruturas estratégicas modernas, resilientes e competitivas.

O caminho-de-ferro e a mobilidade urbana no centro da estratégia

Entre os principais projetos do plano destaca-se uma linha de comboio de alta velocidade (TGV) que ligará Abidjan a Yamoussoukro, Bouaké, Korhogo e Ferkessédougou. Esta infraestrutura deverá reforçar as trocas económicas entre os principais polos urbanos do país, melhorando simultaneamente a mobilidade de pessoas e mercadorias.

Em Abidjan, as autoridades pretendem prosseguir os esforços para reduzir o congestionamento urbano através da construção da Linha 1 do metro, da entrada em funcionamento do corredor de Bus Rapid Transit (BRT) entre Yopougon e Bingerville, bem como da construção de cinco terminais rodoviários internacionais destinados a facilitar o transporte interurbano e transfronteiriço.

A nível regional, o programa prevê igualmente a reabilitação da linha ferroviária Abidjan–Ouagadougou–Kaya e a construção de uma nova ligação ferroviária entre San Pedro, Man e Odienné até à fronteira com o Mali, com o objetivo de apoiar o comércio com os países do interior da região.

Objetivo: 15 000 km de estradas pavimentadas

A rede rodoviária, que constitui a espinha dorsal das trocas comerciais internas, será objeto de uma expansão significativa. O governo pretende atingir 15 000 km de estradas pavimentadas até 2030, contra cerca de 8 500 km em 2024. A extensão da rede de autoestradas deverá igualmente passar de 400 km para 700 km.

Entre os principais projetos anunciados figuram o lançamento da autoestrada do Oeste, entre Yamoussoukro e Daloa, bem como a construção de várias obras de arte estratégicas destinadas a melhorar a acessibilidade das zonas agrícolas e a reduzir os custos de transporte. O plano prevê ainda programas reforçados de manutenção e a integração de soluções técnicas adaptadas aos efeitos das alterações climáticas, de forma a aumentar a resiliência da rede rodoviária.

Plataforma logística e competitividade portuária

Para acompanhar a industrialização do país, o PND 2026-2030 prevê a conclusão do porto seco de Ferkessédougou e o desenvolvimento de uma zona logística integrada em Bouaké. Estas infraestruturas serão complementadas pela criação de parques de estacionamento para veículos pesados na Grande Abidjan, com o objetivo de melhorar a fluidez das operações de transporte e logística.

Os portos de Abidjan e San Pedro beneficiarão igualmente de novos investimentos destinados a reforçar a sua competitividade e capacidade operacional.

O transporte aéreo figura também entre as prioridades, com vários projetos de construção e renovação de aeroportos em todo o território nacional. Para além das infraestruturas, o plano prevê ainda a criação de tecnopolos dedicados às empresas e a construção da Escola Multinacional Superior dos Correios de Abidjan, numa lógica de apoio à economia dos serviços.

Financiamento amplamente esperado do setor privado

Para concretizar estas ambições, o governo marfinense conta mobilizar fortemente o setor privado, chamado a assegurar cerca de 70% dos investimentos previstos no âmbito do PND. As autoridades pretendem, nomeadamente, reforçar o recurso às parcerias público-privadas (PPP) para a construção e exploração de infraestruturas de transporte, logística e indústria.

Contudo, a implementação deste vasto programa dependerá de vários fatores, entre os quais a capacidade do país para mobilizar os financiamentos esperados num contexto internacional marcado pelo aumento do custo do crédito. A concretização de alguns projetos estruturantes, como o TGV ou as novas linhas ferroviárias, poderá igualmente enfrentar desafios relacionados com a rentabilidade económica, a aquisição de terrenos e a coordenação com os países vizinhos no caso das infraestruturas de vocação regional.

A estes desafios juntam-se ainda as questões ligadas à manutenção das infraestruturas, indispensável para garantir a sustentabilidade dos investimentos realizados.

Henoc Dossa

 

A África enfrenta vários desafios energéticos. Por um lado, mais de 600 milhões de pessoas vivem sem acesso fiável à eletricidade. Por outro, os Estados têm dificuldades em financiar a expansão e a modernização de redes elétricas já sob pressão. Entre estes dois extremos estão hospitais, escolas e administrações que ainda dependem amplamente de geradores a gasóleo para manter as suas atividades durante os cortes de energia.

Em África, os desafios energéticos são frequentemente abordados de forma separada, seja o acesso à eletricidade, a fiabilidade das redes ou o custo do abastecimento. No entanto, um mesmo instrumento poderia ajudar a responder simultaneamente a estas diferentes questões. É o que destaca um relatório do Banco Mundial publicado em março de 2026 e intitulado «Potencial da energia solar em telhados nos países de rendimento baixo e médio».

O documento sublinha o papel crescente da energia solar em telhados como solução para múltiplos desafios do setor elétrico. Durante muito tempo marginal, este modelo afirma-se progressivamente como uma solução capaz de melhorar simultaneamente o acesso à eletricidade, a resiliência das infraestruturas essenciais e a sustentabilidade financeira dos sistemas elétricos.

A África subsaariana dispõe de um dos maiores potenciais solares do mundo. No entanto, a energia solar em telhados continua pouco desenvolvida, apesar da sua capacidade de responder a vários desafios em simultâneo, nomeadamente a fragilidade das redes, a dependência do gasóleo e o aumento da procura energética.

Responder à primeira urgência: eletricidade mais fiável para famílias e cidades

Em muitos países africanos, a questão já não é apenas o acesso à eletricidade, mas a sua continuidade. As falhas frequentes de energia perturbam as atividades económicas, aumentam os custos para as famílias e reforçam a dependência de soluções alternativas, como os geradores. A energia solar em telhados permite produzir eletricidade diretamente no local de consumo, reduzindo a pressão sobre redes frequentemente saturadas ou insuficientes.

Quando associada a baterias, permite também assegurar a continuidade do serviço em caso de falha da rede. Para famílias e empresas, o benefício é duplo: um fornecimento mais estável e uma redução progressiva dos custos energéticos. Para os Estados, cada quilowatt-hora produzido localmente reduz as necessidades de transporte e de investimento em infraestruturas de rede.

Nas zonas urbanas em forte crescimento, onde a procura aumenta mais rapidamente do que a capacidade de produção e distribuição, esta lógica torna-se particularmente relevante.

Um trunfo essencial para as infraestruturas de saúde

O potencial da energia solar em telhados é ainda mais crítico no setor da saúde. Em muitos países africanos, hospitais e clínicas dependem fortemente do gasóleo para compensar as falhas de eletricidade. Esta dependência tem custos elevados e expõe os estabelecimentos a riscos operacionais em caso de interrupção do fornecimento de combustível.

A experiência do Top Care Nursing Home, em Nairobi, no Quénia, ilustra uma alternativa concreta. Durante uma grande falha de energia nacional em 2023, a instituição conseguiu manter as suas atividades graças a um sistema solar com baterias. Este exemplo mostra que um investimento energético pode também ser um investimento em saúde pública.

Num hospital, uma interrupção de energia pode afetar os cuidados, a conservação de medicamentos ou o funcionamento de equipamentos essenciais. A energia solar em telhados surge, assim, como um fator de resiliência para estas infraestruturas críticas.

Porque é que o contexto é hoje favorável

O desenvolvimento da energia solar em telhados tornou-se possível sobretudo devido à evolução do seu modelo económico. O custo dos painéis fotovoltaicos caiu mais de 80% nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, surgiram modelos de financiamento inovadores que permitem ultrapassar a barreira do investimento inicial.

As empresas podem agora financiar, instalar e explorar os sistemas, sendo remuneradas progressivamente através das poupanças geradas ou da venda de eletricidade. Este modelo facilita o acesso à energia solar para famílias, empresas e instituições públicas, sem grandes investimentos iniciais.

Face ao gasóleo, a vantagem é estrutural: uma vez instalado, o solar oferece um custo de produção estável, enquanto o combustível continua exposto à volatilidade dos preços internacionais e a constrangimentos logísticos.

Lições das experiências internacionais

Os países que conseguiram desenvolver rapidamente a energia solar em telhados partilham geralmente três abordagens complementares. A primeira consiste em priorizar edifícios públicos estratégicos, como hospitais, escolas e administrações. A segunda baseia-se em mecanismos de financiamento adaptados para reduzir o esforço inicial dos utilizadores. A terceira envolve a integração progressiva do solar nos sistemas elétricos nacionais através de quadros regulatórios claros.

Esta abordagem gradual permite gerar resultados visíveis sem esperar por uma transformação profunda das infraestruturas energéticas. A energia solar em telhados não substitui as centrais elétricas nem as redes nacionais; complementa-as. Num contexto marcado por défice de acesso à eletricidade, infraestruturas frágeis e fortes restrições orçamentais, trata-se de uma das poucas soluções capazes de produzir múltiplos efeitos a partir de um único investimento.

Para os países africanos, o desafio já não é demonstrar a viabilidade técnica. Trata-se antes de transformar o potencial ainda largamente inexplorado dos telhados dos edifícios públicos e privados numa verdadeira infraestrutura energética distribuída. Só assim a energia solar em telhados poderá passar de solução complementar a pilar estruturante do desenvolvimento energético do continente africano.

Olivier de Souza

 

Inicialmente prevista para o segundo semestre de 2026, a entrada em produção da mina de urânio de Dasa, no Níger, é agora esperada para 2027. Um adiamento que a sua operadora canadiana, Global Atomic, atribuiu, entre outros fatores, às dificuldades logísticas relacionadas com o encerramento da fronteira com o Benim.

Reunidos na terça-feira, 2 de junho, em Niamey, os presidentes do Benim e do Níger, Romuald Wadagni e Abdourahamane Tiani, anunciaram a criação de um comité encarregado de estudar as modalidades para a reabertura da fronteira entre os dois países.

Embora esta iniciativa faça parte de um processo de normalização das relações bilaterais, poderá também ter implicações para o projeto Dasa da empresa canadiana Global Atomic, destinado a tornar-se a próxima mina de urânio da nação saheliana.

A fronteira entre o Benim e o Níger está encerrada desde 2023, na sequência das tensões diplomáticas provocadas pelo golpe de Estado que levou o general Abdourahamane Tiani ao poder. Esta situação privou os operadores económicos presentes no Níger, incluindo a Global Atomic, do acesso ao porto de Cotonou, principal corredor logístico para as importações e exportações do país.

Contactada pela nossa redação em dezembro de 2025, a empresa indicou que estava a recorrer a «rotas alternativas» para transportar equipamentos e fornecimentos destinados ao projeto Dasa, reconhecendo, contudo, que tal «demorou mais tempo e revelou-se mais dispendioso». Esta limitação figura, aliás, entre os fatores que contribuíram para o adiamento da entrada em produção da mina, inicialmente prevista para o segundo semestre de 2026 e agora adiada para 2027.

Ainda na semana passada, a Global Atomic anunciou que estava a estudar o corredor argelino em direção ao Mediterrâneo como alternativa logística, numa altura em que as primeiras exportações de urânio provenientes de Dasa estão previstas para 2028.

Neste contexto, a melhoria das relações entre Cotonou e Niamey poderá levar a empresa a reconsiderar as suas opções logísticas. No entanto, a companhia ainda não se pronunciou sobre o assunto, enquanto a reabertura efetiva da fronteira dependerá das conclusões do comité de peritos criado pelos dois países. O grupo dispõe de quinze dias para apresentar as suas recomendações aos dois chefes de Estado.

A evolução do projeto Dasa merece uma atenção particular, sobretudo porque ocorre num setor uranífero nigerino em declínio nos últimos anos, marcado pelo encerramento da maioria das minas. A produção nacional passou de 4 100 toneladas em 2015 para apenas 962 toneladas em 2024, segundo a World Nuclear Association.

De acordo com o plano mineiro atual, Dasa deverá produzir 68,1 milhões de libras de urânio (cerca de 30 900 toneladas) ao longo de uma vida útil estimada em 23 anos.

Para além dos desafios logísticos, o avanço do projeto continua igualmente dependente da mobilização dos 424 milhões de dólares necessários para a sua construção. Parte deste financiamento continua a ser objeto de negociações com um banco norte-americano.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Em África, cerca de 30 embaixadas poderão deixar de emitir vistos para os Estados Unidos. A decisão insere-se na continuidade da política migratória de Donald Trump desde o seu regresso à Casa Branca.

O governo norte-americano prevê reduzir drasticamente o número de embaixadas e consulados em África capazes de processar pedidos de visto, passando de cerca de 50 para apenas 20 nas próximas semanas. A informação foi revelada pela agência de notícias norte-americana Associated Press (AP) na segunda-feira, 1 de junho.

A agência teve acesso a uma nota interna e a declarações de três responsáveis norte-americanos que pediram anonimato. Ainda não foi definida uma data exata para a implementação da medida, mas esta deverá ocorrer durante o mês de junho.

A medida terá sido aprovada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, na semana passada. «Durante uma conferência telefónica realizada na passada sexta-feira, diplomatas norte-americanos, incluindo responsáveis consulares, foram informados de que os Estados Unidos iriam reduzir os seus serviços de vistos em África», detalhou a Associated Press.

Entre os 20 países designados como «hubs» figurariam a Costa do Marfim, o Gana, a Etiópia, o Senegal, o Djibuti, a África do Sul, a Libéria, o Ruanda, o Togo, a Nigéria, os Camarões e a República Democrática do Congo.

Esta decisão surge numa altura em que o Departamento de Estado norte-americano conduz uma revisão mais ampla da sua rede diplomática em todo o mundo. A medida enquadra-se no endurecimento da política migratória de Donald Trump, com novas proibições de entrada dirigidas a vários países, incluindo africanos, em nome da segurança nacional.

Um novo endurecimento da política migratória

O processamento de vistos em África já tinha sido afetado por várias medidas restritivas. Em dezembro de 2025, o presidente Trump alargou a lista de países cujos cidadãos estão proibidos de entrar nos Estados Unidos. Mais recentemente, os procedimentos de emissão de vistos foram restringidos para alguns países africanos, tendo sido também introduzida uma caução que pode atingir os 15 000 dólares para determinados requerentes antes da análise do respetivo processo.

Os Estados Unidos suspenderam igualmente, em janeiro passado, os procedimentos de tratamento de vistos de imigração para 75 países, incluindo 26 países africanos. Além disso, foram mantidas restrições de entrada em território norte-americano para alguns viajantes devido à epidemia de Ébola.

Esta reestruturação das embaixadas, que ainda carece de confirmação oficial, representaria, caso seja implementada, uma das mudanças mais significativas na organização dos serviços consulares norte-americanos em África nas últimas décadas.

Lydie Mobio

 

Num mundo cada vez mais sedento de novas fontes de minerais críticos, qualquer desenvolvimento nesta área atrai atenção. É particularmente o caso em África, onde os projetos mineiros estão a acelerar, desde os metais mais conhecidos até aos mais discretos, como o antimónio.

A Xtract Resources, uma empresa mineira júnior cotada no mercado AIM da Bolsa de Londres, anunciou na terça-feira, 2 de junho, ter obtido a licença de exploração mineira para o seu projeto de antimónio de Amghas junto do governo marroquino. Este avanço abre caminho ao início da produção neste ativo, que poderá tornar-se um dos raros fornecedores conhecidos deste metal crítico a partir do Reino de Marrocos, num mercado dominado pela China.

Uma posição ainda discreta…

O antimónio é um metaloide utilizado em setores como a segurança contra incêndios, o armazenamento de energia, a eletrónica e a defesa. Considerado um mineral crítico nos Estados Unidos, é produzido sobretudo na China, que forneceu 40 000 toneladas de concentrado num total mundial de 110 000 toneladas em 2025, segundo o U.S. Geological Survey. A Rússia surge a seguir, enquanto o Tajiquistão e a Bolívia também figuram entre os principais fornecedores mundiais. Apesar da existência de produção artesanal histórica, Marrocos não consta entre os produtores registados.

Esta situação poderá mudar com o projeto de Amghas, que dá alguma visibilidade à fileira, a qual inclui também o projeto Casablanca, um ativo de antimónio menos desenvolvido, promovido pela empresa australiana Zeus Resources. A licença obtida cobre um período renovável de dez anos, e a Xtract Resources pretende já iniciar a primeira produção de concentrado de antimónio no quarto trimestre de 2026.

O plano assenta na instalação de uma unidade de processamento capaz de tratar 70 000 toneladas de minério por ano, dependendo da obtenção de uma licença de transformação. Para além deste objetivo, permanecem várias incertezas. Embora a empresa afirme ter realizado um estudo de viabilidade, não publicou estimativas detalhadas dos recursos do projeto nem informações precisas sobre o investimento necessário.

«A atribuição da licença de exploração mineira de Amghas e a rápida implementação das infraestruturas de processamento representam um passo importante para a Xtract em Marrocos. Com a conclusão dos trabalhos de reabilitação, uma avaliação encorajadora dos recursos e uma unidade de processamento por gravidade com capacidade de 70 000 toneladas por ano em vias de entrar em funcionamento, estamos confiantes de que [o projeto, Ndlr] está no caminho certo para uma produção rápida de concentrado de antimónio», afirmou Colin Bird, presidente executivo da Xtract Resources.

E agora?

O esclarecimento das incertezas em torno do projeto será determinante para avaliar o seu potencial. Ainda mais porque a Xtract prevê já uma segunda fase de desenvolvimento, com a construção de uma unidade de maior capacidade destinada a tratar não apenas o minério de Amghas, mas também o proveniente de minas artesanais locais.

A empresa terá igualmente de assegurar mercados para a futura produção. A relativa diversificação do mercado do antimónio, com produtores secundários como a Turquia, o Vietname ou o México, juntamente com os grandes atores dominantes, dificulta essa tarefa, já que os compradores dispõem de várias opções de abastecimento sem dependência de uma única origem. Em África, Marrocos não é o único país com potencial em antimónio, sendo também a África do Sul reconhecida pelas suas reservas.

Aurel Sèdjro Houenou

 

À medida que os corredores logísticos da África Austral ganham importância nas trocas comerciais internacionais, a capacidade das redes ferroviárias para atrair capitais e operadores torna-se um fator essencial de competitividade. Moçambique pretende posicionar-se neste mercado promissor.

O governo moçambicano lançou uma consulta pública com vista à adoção de um novo quadro regulamentar para o setor ferroviário. O objetivo é tornar o sistema mais competitivo, mais transparente e mais alinhado com os padrões internacionais em matéria de exploração e gestão de infraestruturas. A consulta insere-se numa estratégia nacional de modernização do transporte ferroviário, que atribui especial importância ao reforço da governação do setor.

Segundo o Ministério dos Transportes e Logística, esta revisão regulamentar deverá permitir a definição de regras de acesso à rede ferroviária mais claras e previsíveis. As autoridades esperam, assim, estimular o investimento, melhorar a eficiência operacional, aumentar a utilização das infraestruturas existentes e reforçar a integração regional através do desenvolvimento dos corredores logísticos.

O processo de consulta envolverá, nomeadamente, operadores ferroviários, gestores portuários, investidores, especialistas técnicos e utilizadores dos corredores de transporte. Entre os principais eixos da reforma prevista destacam-se a promoção da concorrência, a otimização da exploração das infraestruturas, a melhoria da interoperabilidade das redes e o apoio à transição energética do setor.

Esta iniciativa surge num contexto em que a África Austral acelera o desenvolvimento dos seus corredores estratégicos de transporte e multiplica os investimentos em infraestruturas logísticas para otimizar as trocas comerciais internacionais. Para Moçambique, o desafio está diretamente ligado ao desempenho da sua rede ferroviária, que se tornou, nos últimos anos, um instrumento essencial para apoiar o crescimento do tráfego portuário e concretizar a ambição de afirmar o país como uma plataforma logística regional.

Durante muito tempo dominado pelas infraestruturas sul-africanas, o panorama logístico da região está a evoluir gradualmente. Graças aos portos de Maputo, Beira e Nacala, Moçambique já assegura uma parte crescente do comércio de vários países sem litoral da África Austral, sobretudo no transporte de minerais, combustíveis e diversas mercadorias.

As autoridades prosseguem um vasto programa de modernização das infraestruturas ferroviárias. Em abril de 2025, o governo anunciou um plano de investimento de cerca de 14 mil milhões de meticais (aproximadamente 219 milhões de dólares) destinado ao desenvolvimento do transporte ferroviário até 2030.

Henoc Dossa

 

O arroz é o segundo cereal mais importado pelo Gana, depois do trigo. Este produto é uma das principais prioridades das políticas públicas do país.

No Gana, a autossuficiência em arroz poderá tornar-se uma realidade dentro de 10 anos. Foi o que estimou Eric Opoku, ministro da Alimentação e Agricultura, na terça-feira, 2 de junho, à margem do lançamento da Mesa Redonda sobre o Investimento no Arroz na África Ocidental.

Enquanto este evento regional visa mobilizar financiamentos para o setor do arroz nos 15 países membros da CEDEAO, o responsável destacou a situação ainda frágil da fileira no Gana.

«Como sabem, o arroz é hoje o segundo alimento básico mais consumido no Gana. A realidade do setor é clara: no ano passado, o consumo nacional atingiu cerca de 1,7 milhões de toneladas, enquanto a produção local foi de apenas 908 000 toneladas. Isto deixa um défice próximo de 751 000 toneladas, com uma taxa de autossuficiência de cerca de 56%. Para cobrir este défice, o Gana gasta todos os anos cerca de 320 milhões de dólares em importações de arroz. São divisas e oportunidades que saem da nossa economia para um produto que poderíamos produzir nós próprios», lamentou.

Apesar do elevado potencial de desenvolvimento da fileira, os rendimentos continuam abaixo dos padrões mundiais. «Atualmente, os rendimentos médios situam-se em cerca de 3,4 toneladas por hectare. No entanto, ensaios com sistemas de produção mais eficientes mostram que é possível atingir 6,5 toneladas por hectare, contra 3,8 toneladas nas práticas convencionais. Com melhores sementes, boa gestão da água, mecanização e práticas agronómicas adequadas, um rendimento de 6 toneladas por hectare está ao nosso alcance, sobretudo nas zonas irrigadas», acrescentou.

Perante esta situação, o responsável sublinha que estão em curso esforços para dinamizar uma cadeia de valor que já sustenta cerca de 500 000 pessoas, desde pequenos produtores a transformadores e comerciantes.

«Lançámos um mapeamento geoespacial para identificar, delimitar e caracterizar as terras adequadas ao cultivo do arroz em todo o território. Organizados em clusters de produção, estes dados permitem mapear as parcelas, classificar as zonas efetivamente cultivadas e avaliar a disponibilidade de água e o potencial de irrigação. As primeiras análises nas principais regiões rizícolas identificaram cerca de 515 000 hectares atualmente cultivados com arroz, distribuídos por zonas de sequeiro em baixas altitudes, zonas irrigadas e outras áreas ecológicas de produção», explicou.

A estas medidas junta-se a implementação de um mecanismo de controlo das importações de arroz. Na prática, os importadores terão de demonstrar uma colaboração verificável com a produção local antes de beneficiarem de certos incentivos à importação.

«A ideia não é aumentar tarifas nem prejudicar os consumidores, nem impor proibições que possam causar escassez. Trata-se de redirecionar o valor existente do comércio do arroz para reforçar a nossa capacidade produtiva. O quadro completo deste mecanismo será publicado e envolveremos todas as partes interessadas na sua implementação. As nossas análises mostram que o Gana pode alcançar a autossuficiência em arroz em 10 anos. Esta trajetória permitiria poupar cerca de 2,1 mil milhões de dólares, mobilizar mais de 400 milhões em investimento privado e criar mais de 200 000 empregos na produção, transformação, distribuição e serviços associados», precisou.

Espoir Olodo, a partir de Acra

 

o objetivo Após o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento lançou também uma ferramenta online de acompanhamento da iniciativa Mission 300, que visa fornecer acesso à eletricidade a mais 300 milhões de africanos até 2030.

Na sexta-feira, 29 de maio, à margem das suas Assembleias Anuais em Brazzaville, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) lançou o “Mission 300 Progress Tracker”, uma plataforma pública de monitorização das operações realizadas no âmbito da iniciativa Mission 300. Segundo os primeiros dados disponibilizados, 5,2 milhões de pessoas já beneficiaram de acesso à eletricidade.

«A ferramenta de acompanhamento dos progressos da Mission 300 do Banco Africano de Desenvolvimento permite aos governos, parceiros, investidores e cidadãos ver em tempo real como o Banco contribui para alargar o acesso à eletricidade em África e onde são necessários esforços adicionais», afirmou Kevin Kariuki, vice-presidente responsável pela Energia, Clima e Crescimento Verde no BAD.

Mission 300 e a era da transparência

Promovida em parceria com o Banco Mundial, esta iniciativa visa ligar 300 milhões de africanos adicionais à eletricidade até 2030. A carteira atual inclui 74 projetos ativos em vários países africanos. Segundo o comunicado, 35 milhões de pessoas deverão beneficiar de acesso à eletricidade graças aos projetos já aprovados.

Entre os projetos destacados estão o programa de ligação “Last Mile Connectivity” no Quénia, que já beneficiou mais de 815 000 pessoas, e o projeto de distribuição Bo-Kenema na Serra Leoa. A plataforma também evidencia infraestruturas regionais como a central hidroelétrica de Rusumo Falls, que abastece o Burundi, o Ruanda e a Tanzânia.

Esta nova ferramenta complementa o portal de acompanhamento já lançado pelo Banco Mundial no âmbito da Mission 300, que regista atualmente 43 milhões de pessoas ligadas à rede elétrica. As duas instituições procuram assim reforçar a transparência dos seus financiamentos e monitorizar com maior precisão os progressos rumo ao objetivo de acesso universal à eletricidade no continente.

Abdoullah Diop

 

Face à ses ambitions de hub énergétique régional, l’Égypte multiplie les discussions avec des acteurs internationaux. L’objectif est d’élargir sa coopération dans le secteur des hydrocarbures, à un moment où la sécurité énergétique du pays fait face à de nombreux défis.

L’Égypte et la compagnie pétrolière publique azerbaïdjanaise SOCAR étudient les contours d’un partenariat pétrolier et gazier de long terme. Le ministre égyptien du Pétrole, Karim Badawy, a rencontré à cet effet une délégation de SOCAR conduite par le vice-président Elshad Nasirov, en marge de la Baku Energy Week, selon un rapport d’Amwal Al Ghad mardi 2 juin.

Les discussions ont porté sur la mise en place d’un partenariat stratégique durable entre les deux pays et sur l’élargissement de son champ d’application, selon un communiqué du ministère égyptien du Pétrole publié par l’agence SIS.

Le ministre Badawy a mis en avant les infrastructures égyptiennes de raffinage, de transport, de stockage et d’exportation, les présentant comme des atouts pour une coopération élargie. Il a également évoqué des opportunités d’investissement dans l’exploration, le développement et la production d’hydrocarbures, invitant SOCAR à renforcer sa présence sur le marché égyptien.

Cette réunion fait suite à un accord-cadre signé le 31 mars dernier au Caire, en marge de la 9ᵉ édition de la Conférence internationale sur l’énergie en Égypte (EGYPES). Le document a été paraphé par Natig Mustafayev, directeur général de SOCAR Trading, et Salah Abdel Kerim, directeur exécutif de l’Egyptian General Petroleum Corporation (EGPC), selon Interfax.

L’accord couvre plusieurs domaines, notamment les livraisons de gaz naturel liquéfié (GNL), le pétrole et les produits pétroliers, les investissements, ainsi que la formation et le développement professionnel. « SOCAR coopère avec l’Égypte depuis 15 ans, et cet accord-cadre créera les conditions d’une expansion de notre collaboration », a déclaré Mustafayev, cité par l’agence azerbaïdjanaise Azertag.

Cette coopération s’inscrit dans une dynamique d’expansion de SOCAR en Afrique. Début 2026, la compagnie avait acquis 10 % du champ pétrolier Baleine en Côte d’Ivoire, son premier investissement direct dans l’exploration et la production sur le continent.

L’Égypte devient ainsi le deuxième point d’ancrage africain de l’entreprise. Celle-ci cherche à y développer ses activités de commerce pétrolier et s’intéresse désormais aux projets d’exploration et de production de pétrole et de gaz.

Abdel-Latif Boureima

 

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A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

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